27 setembro 2026

Lula & empresários

Lula cobra ação de empresários em projeto de país
Em jantar com empresários, presidente destaca que crescimento, política industrial, responsabilidade e soberania devem integrar mesmo projeto
Tatiane Correia/Jornal GGN   

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que o Brasil precisa definir que país pretende construir e cobrou do setor empresarial participação nesse projeto. O pronunciamento foi feito nesta sexta-feira (25/09), durante jantar com empresários realizado em São Paulo.

Em discurso, Lula associou desenvolvimento econômico à inclusão social, responsabilidade fiscal, política industrial, soberania nacional e fortalecimento da democracia.

Ao falar para empresários e profissionais liberais, o presidente apresentou um balanço de governos anteriores e de seu atual mandato, além de defender a necessidade de investimentos em indústria, infraestrutura, educação e tecnologia.

Lula afirmou que a estabilidade fiscal deve ser tratada como uma obrigação de qualquer governo e não como um mérito. Segundo ele, o equilíbrio das contas públicas é necessário para evitar que os custos dos desequilíbrios recaiam sobre a população mais pobre.

O presidente também defendeu que a responsabilidade fiscal seja acompanhada de responsabilidade social. Em sua avaliação, políticas de redução de gastos que atinjam a Previdência ou programas de inclusão social podem ampliar a pobreza.

“Eu não me conformo com salário mínimo de R$ 2.000 ou R$ 3.000”, afirmou, ao defender o aumento da renda dos trabalhadores. Para Lula, a elevação dos salários também amplia o mercado consumidor e, consequentemente, pode estimular a produção empresarial.

Ao tratar de seu histórico político, o presidente citou Getúlio Vargas e seus próprios governos como momentos de ampliação de políticas de inclusão social no país. Também afirmou que o Brasil precisa combinar crescimento econômico com redução da pobreza.

Indústria, tecnologia e soberania

Outro eixo do discurso foi a defesa de uma política industrial voltada à agregação de valor no Brasil. Lula afirmou que a exploração de minerais críticos e terras raras deve estar associada à transformação e industrialização desses recursos no país, em vez de limitar o Brasil à exportação de matérias-primas.

O presidente disse que não é contrário à participação de empresas estrangeiras, mas defendeu que os investimentos externos estejam vinculados à transferência de conhecimento e ao desenvolvimento tecnológico brasileiro.

“A gente não pode permitir que a energia que é produzida pro consumo da sociedade seja utilizada para data center”, afirmou, ao tratar da expansão dos centros de processamento de dados. Ao mesmo tempo, defendeu que o país desenvolva sua própria infraestrutura de dados e inteligência artificial.

Lula também relacionou esse projeto ao investimento em educação e à formação de jovens para o setor digital. Citou como exemplo um estudante brasileiro que, segundo ele, venceu uma competição internacional de engenharia digital realizada na China.

O presidente afirmou que o país precisa de empresários dispostos a investir em setores considerados estratégicos para o desenvolvimento nacional e mencionou áreas como indústria, siderurgia, construção, setor automotivo, indústria naval e tecnologia.

Eleição, democracia e reforma política

Ao final do discurso, o presidente transformou a definição do projeto econômico em uma questão eleitoral, destacando que não se tratava apenas da escolha entre candidatos, mas de decidir entre diferentes projetos para o país.

Lula defendeu estabilidade política e jurídica como condições para o desenvolvimento e criticou o que chamou de perda da capacidade de argumentação no debate público, em referência ao ambiente político e às redes sociais.

Lula também voltou a defender uma reforma política e afirmou que o Congresso Nacional não deveria concentrar parcela tão grande do orçamento da União. Segundo ele, a sociedade precisa discutir mudanças no sistema político e na escolha dos integrantes da Suprema Corte.

Ao abordar a política externa, o presidente defendeu que o Brasil mantenha autonomia diante das grandes potências e citou a disputa internacional por minerais críticos e terras raras. “Enquanto eu for presidente, o dono disso aqui chama-se povo brasileiro”, afirmou.

A íntegra do discurso pode ser vista aqui https://www.youtube.com/watch?v=u4OMLF6n4CM

Desempatar é urgente! https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_02008909635.html 

Sylvio: soberania

Democratas norte-americanos acusam Trump de tentar interferir no Brasil, minando as próximas eleições. Fique fora e cuide de seus problemas Mr. Donald, pois como afirmou Lula, nosso País é livre, democrático e não  cabe em nenhum quintal.

Sylvio Belém  

A força das ruas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/lula-no-recife-e-em-maceio.html 

26 setembro 2026

Dica de leitura

Bets: interesses em jogo
Luciano Siqueira    

O complexo midiático dominante, em relação à proibição das bets por Medida Provisória do presidente Lula, em sua hipocrisia crônica, tem dado ênfase à proximidade das eleições e subestimado ou omitido dados essenciais sobre a questão.

A reportagem "Como o Brasil foi engolido pelas apostas", na revista piauí https://piaui.uol.com.br/web/como-o-brasil-foi-engolido-pelas-bets/ faz o contraponto, analisando as causas e as consequências socioeconômicas da explosão das apostas e jogos de azar virtuais no Brasil.

Durante o governo Jair Bolsonaro, prevaleceu a omissão no detalhamento das regras das apostas esportivas legalizadas em 2018, no governo Temer, criando quatro anos de limbo jurídico em que as plataformas se multiplicaram sem fiscalização.

Sob o governo Lula, sancionou-se no final de 2023 a Lei das Apostas, legalizando de fato cassinos virtuais e gerando críticas tanto da oposição quanto da base governista.

Enquanto isso, proliferaram campanhas publicitárias agressivas para popularizar jogos de cassino e apostas rápidas ( como o "Jogo do Tigrinho" ou "Aviador" ). Faturando caches multimilionários, figuras públicas e criadores de conteúdo atuaram para convencer a população de que os jogos eram formas rápidas e acessíveis de renda, minando a percepção do risco de perda financeira.

A publicidade transformou o jogo em hábito cotidiano para milhões de pessoas de diferentes classes sociais.

Em consequência, instalou-se verdadeira de epidemia em parcela expressiva da população.

Apostadores viciados acumularam perdas milionárias, esgotando economias pessoais, contraindo empréstimos bancários e recorrendo a agiotas, destacando-se parcela expressiva de mulheres.

Poderosos, empresários da jogatina estabeleceram vínculos políticos, assim como cumplicidade com a mídia dominante, que aferia lucros astronômicos com publicidade.

Aí está o nó da questão e não se a proibição estabelecida pelo presidente Lula se deu próximo ou não do episódio eleitoral.

Lula anuncia o fim das bets https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/mp-das-bets.html 


Arte é vida

Piet Mondrian

Palavra de poeta

Soneto das metamorfoses

Carlos Pena Filho     

Carolina, a cansada, fez-se espera
e nunca se entregou ao mar antigo.
Não por temor ao mar, mas ao perigo
de com ela incendiar-se a primavera.

Carolina, a cansada que então era,
despiu, humildemente, as vestes pretas
e incendiou navios e corvetas
já cansada, por fim, de tanta espera.


E cinza fez-se. E teve o corpo implume
escandalosamente penetrado
de imprevistos azuis e claro lume.

Foi quando se lembrou de ser esquife:
abandonou seu corpo incendiado
e adormeceu nas brumas do Recife.

[Ilustração: João Câmara]

Leia também: "Passeio pelas ruas do espinheiro", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-de-poeta_0470369103.html 

Postei nas redes

Analistas dizem que o ritmo de evolução da IA superou a capacidade dos governos e das empresas de impor barreiras de proteção eficazes. Será? 

Ganhadores do Prêmio Nobel alertam para impactos da IA https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/ia-em-questao.html 

Informações distorcidas

A mídia flerta com o desastre
Cobertura das eleições joga no lixo compromisso com os valores democráticos
Rodrigo Vianna/Liberta      

O primeiro sinal veio naquela tarde em que a GloboNews, no programa conduzido por Andréia Sadi, exibiu o PowerPoint terrivelmente bolsonarista que tentou colar em Lula o escândalo do banco Master. Como até as palmeiras do Jardim Botânico já sabiam, Daniel Vorcaro virou banqueiro graças à proteção de Jair Bolsonaro, Campos Neto e de sua gangue mercadista. E não por causa de Lula, que o transformou em presidiário.

Os ingênuos viram no episódio do PowerPoint apenas a ação desastrada de um editor que – mais realista que o rei – decidiu vincular a estrela do PT a Vorcaro, pensando que assim garantiria promoções internas. Acabou demitido, porque a Globo espera alguma sutileza dos que se dispõe a trabalhar em favor dos interesses da família Marinho.

Ali, em março de 2026, já se desenhava qual seria o papel da mídia hereditária diante de mais uma ameaça à democracia no país. A Globo pediu desculpas pelo PowerPoint criminoso, mas não pediu desculpas – e nem pedirá – por “normalizar” Flávio Bolsonaro, deixando de expor suas ligações com a milícia e sua disposição para transformar o Brasil numa colônia submetida a Trump.

A maior irresponsabilidade da chamada “imprensa profissional”, ao longo da atual campanha, foi tratar Flávio como um candidato normal. O silêncio das redações não foi inocente: pavimentou o caminho para o filhote de Jair avançar, vendendo a imagem impossível de um “bolsonarista moderado”.

Passaram-se os meses e, em maio, coube ao Intercept Brasil mostrar que Flávio (e não Lula) era o irmãozão de Vorcaro. O áudio em que o “01” pedia dinheiro ao banqueiro bandido vazou graças ao trabalho do jornalista Paulo Motoryn, que hoje integra a equipe do ICL Notícias.

Durante dois meses, a aliança tácita entre Flávio Bolsonaro, Faria Lima e mídia hereditária desmoronou, não sendo mais capaz de oferecer proteção ao candidato das milícias. Para completar, coube à madrasta Michelle lembrar que ele é autoritário e maltrata as mulheres – seguindo a linhagem paterna.

Junho e julho foram os piores meses da campanha para Flávio: Lula chegou a abrir dez pontos de vantagem nas pesquisas de primeiro turno. Foram os únicos meses em que a sociedade conseguiu enxergar quem é o candidato do PL, sem o véu protetor da imprensa amiga.

O galope desgovernado do dark horse ameaçava conduzir o bolsonarismo ao precipício eleitoral. Mas, então, o dispositivo midiático voltou a operar, municiado por André Mendonça e pelos lavajatistas incrustrados em seu gabinete no STF.

A mídia hereditária, comandada pela Globo, tentou empatar o jogo da corrupção, criando uma falsa equivalência entre dark horse e as ligações do filho de Lula com uma lobista de terceiro escalão. Foram semanas de bombardeio, em que Fábio Luís frequentou o Jornal Nacional, as manchetes do UOL, do G1 e de sites menores a serviço da extrema direita. Durante esse período, Flávio voltou à redoma protegida.

Coube a repórteres fora da chamada “grande imprensa” manter a luz acesa, para mostrar quem é o candidato do Partido Liberal: filhote de Jair, sim; mas filho também das rachadinhas, que permitiram à família comprar 51 imóveis em dinheiro vivo, como já havia demonstrado a repórter Juliana dal Piva. Filho dos esquemas de Willer Tomaz, o advogado que caça negócios suspeitos em safáris na África do Sul ao lado do “01”.

A tática da família Marinho (como já ocorrera em 2006, 2010 e 2014) era bombardear o candidato do PT para impedir uma vitória em primeiro turno. O dito mercado exigia um Lula mais fraco, que fosse obrigado a negociar compromissos com a banca num segundo turno.

A sabatina de Lula no JN se transformou no símbolo de um jornalismo vassalo e emporcalhado: com o país sob cerco dos Estados Unidos, os dois apresentadores globais gastaram mais da metade da entrevista com perguntas sobre o filho do presidente. Sim, uma ou duas perguntas sobre o tema talvez fossem necessárias, mas a desproporção foi absoluta: o tarifaço, as ameaças de Trump e a interferência externa na eleição foram ignorados pela Globo.

Viúvas da Lava Jato

Em meados de setembro, circularam informações – trazidas por esta Revista Liberta, na coluna Reserva Exclusiva – de que amigos da família Marinho na direita liberal estavam preocupados: a Globo havia exagerado na dose, na tentativa de enfraquecer Lula, e deixou aberto o caminho para que o filho de Jair avançasse nas pesquisas.

Para completar, as viúvas da Lava Jato na imprensa foram alimentadas pela ação calculada de André Mendonça, que jogou Alexandre de Moraes aos tubarões. Agiu como um pixuleco eleitoral do bolsonarismo, com apoio ostensivo nas redações.

Sim, Moraes deve explicações à sociedade pelas relações com Vorcaro. Mas só ele? Mais uma vez, coube a jornalistas da chamada imprensa alternativa mostrar que Mendonça, terrivelmente evangélico e golpista, estava também terrivelmente envolvido com esquemas do banqueiro bandido.

É verdade que o bolsonarismo teria força, por si só, nas redes sociais. Também é fato que Lula 3 não conseguiu criar a mesma sensação de bonança econômica verificada entre 2003 e 2012. Esses fatores e mais o cerco trumpista já tornariam o caminho difícil para Lula em 2026.

Mas a falta de compromisso de boa parte dos meios de comunicação com a defesa da democracia e da independência nacional faz com que cheguemos à reta final da eleição sob ameaça de um desastre. Durante seis meses, a prioridade dos grupos tradicionais de imprensa – que ainda cumprem o papel de pautar o debate junto a setores não polarizados – foi enfraquecer Lula e pavimentar o caminho para um candidato que nasceu das milícias e do golpismo dos quartéis.

Coube ao Estadão – jornal carcomido, e que no passado falava em nome da elite paulista – dar nome aos bois, nesta penúltima semana antes do primeiro turno. O diário publicou editorial alertando para o risco de eleger Flávio, candidato coberto pela “sombra dos milicianos”.

O alerta, talvez, esteja chegando tarde.

Se o Brasil for capaz de evitar o desastre, isso terá acontecido apesar de o “jornalismo profissional” ter jogado no lixo o compromisso com valores democráticos.

Dois mil e vinte e seis marca o momento em que jornalismo de verdade se fez fora das redações tradicionais: no ICL, no Intercept Brasil, na Piauí, na Fórum, na Carta Capital e em dezenas de sites e pequenos produtores de conteúdo que não desistiram de mostrar ao país o risco de se entregar a maior nação latino-americana nas mãos de um filho da milícia, da corrupção e da vassalagem ao Império.

A palavra contundente de Lula no Recife https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/lula-no-recife-e-em-maceio.html