Trump e a arrogância fora de hora*
Luciano
Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
Para
além do grotesco espetáculo de arrogância e inconsequência encetado por Donald
Trump neste início do seu novo governo, há muito mais do que se
imagina. Nos planos interno e externo.
O
mundo estremece pelo movimento de placas tectônicas que alteram o desenho
geopolítico tendendo a uma explícita multipolaridade. Um ambiente em que cada
vez menos é possível aos Estados Unidos imporem seus desígnios.
O
subcontinente sul-americano, embora marcado por pesados desencontros, já não
pode ser tratado como "quintal".
A Europa, enredada em suas próprias contradições internas e sob condições
econômicas adversas, vê-se desafiada a reagir.
O
chamado sul global, impulsionado pelo BRICS mediante crescentes trocas
comerciais e investimentos em infraestrutura, financiamentos a taxas
vantajosas, estímulo à formação de blocos regionais, faz-se contraponto
crescentemente eficaz às imposições norte-americanas.
A guerra Russia-Ucrania e os graves conflitos no Oriente Médio e região parecem
atrair Trump para arroubos aventureiros.
Historicamente, vários presidentes norte-americanos governaram em situações
conturbadas — de Franklin D. Roosevelt, às voltas com a Grande Depressão e a
Segunda Guerra Mundial a Barack Obama, em plena crise financeira global. Donald
Trump, idem — com a particularidade de apostar no caos como meio tresloucado de
enfrentar a decadência da ex-superpotência unipotente.
Internamente, multiplica-se a resistência à taxação de produtos importados em
razão das imediatas consequências, tanto no sentido do aumento do custo de vida
e da inflação, atingindo duramente a chamada classe média e pequenos e médios
empresários, como geradora de desemprego.
O influente Washington Post, em matérias contundentes, denuncia a aventura
trumpista como fator de enfraquecimento da influência externa norte-americana.
Mesmo o ultraconservador Wall Street Journal se pronuncia na mesma direção criticando
o que chama de “a guerra comercial mais idiota da história”.
Cá em terras tupiniquins — embora os Estados Unidos já não sejam nossos
principais parceiros comerciais há mais de 10 anos, mas em 2024 as transações
entre os dois países chegaram a 30 bilhões de dólares — quem sabe, nesse
cenário, tenhamos uma nova janela de oportunidades. Por hora, vale espreitar.
*Texto da minha semanal no portal Vermelho www.vermelho.org.br
Leia: Negacinimso ao extremo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/02/minha-opiniao.html
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