14 fevereiro 2025

Palavra de poeta: Rosa Ramos

DUO
Rosa Ramos  

O trágico
funâmbulo
com seu
tentáculo
insólito
vai trôpego
ao encontro
da moça
sonâmbula.
Sua nádega
balança
na corda
nem firme
nem bamba
a linha
dinâmica.
Das faces
as pálpebras
caem
no etéreo
instante.
Caem
unânimes
os dedos
de plasma.
Joelhos
desmontam.
Dois pés
falseiam
diante
da moça
fantasma.
O trágico
funâmbulo
desmaia.
Desaba
no vácuo
de amor
que a moça
inventa
com passos
de pânico.

[Ilustração: Dante Gabriele Rossetti]

Leia também um poema de Bertold Brecht: https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/02/palavra-de-poeta-bertold-brecht.html

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