09 março 2026

Minha opinião

Mídia parcial é arma de guerra

Luciano Siqueira  
instagram.com/lucianosiqueira65


O conflito EUA/Israel x Irã da oportunidade a que a grande mídia ocidental, cujas informações e “análises” nos chegam, confirme uma vez mais o seu caráter parcial em toda linha.

​​Um exemplo de como o enquadramento jornalístico pode servir a interesses geopolíticos, a partir da “chave” simplista: o "Ocidente democrático" contra a "Teocracia autoritária".

​Ações militares dos EUA são frequentemente descritas como "defensivas", "preventivas" ou "respostas a provocações", enquanto as ações iranianas são invariavelmente rotuladas como "agressões" ou "terrorismo".

Quando do assassinato do general Qasem Soleimani, em 2020, a notícia foi veiculada como uma "operação de precisão contra um alvo terrorista", minimizando o fato de que se tratou de uma execução arbitrária de um alto funcionário de um Estado soberano em solo de um terceiro país, o Iraque.

​O complexo midiático pró-EUA omite o contexto como modo de confundir. Tende a iniciar a "cronologia do conflito" a partir de um ato iraniano recente, ignorando eventos precedentes que explicam a postura iraniana. Tudo na maior superficialidade.

​Importantes eventos que ajudam a compreender o que se passa na atualidade são simplesmente omitidos: O golpe de 1953 (Operação Ajax) orquestrado pela CIA; o apoio dos EUA a Saddam Hussein durante a Guerra Irã-Iraque; a saída unilateral dos EUA do acordo nuclear (JCPOA) em 2018. Isto de modo a pintar o Irã como um "agressor irracional", e não como um ator racional agindo sob décadas de cerco econômico e militar.

​Na tentativa de tornar críveis suas versões, as grandes redes de notícias (CNN, Fox News, BBC) usam como fontes ex-oficiais do Pentágono ou analistas de think tanks financiados pela indústria militar norte-americana. Assim, a solução militar é apresentada como a única saída viável. As vozes da sociedade civil iraniana ou de acadêmicos críticos à política externa de Washington são, na maioria das vezes, relegadas a segundo plano ou simplesmente omitidas.

​A absurda parcialidade midiática se apoia na distorção dos fatos através de versões distorcidas.

Ligue a TV ou visite sites e perfis nas redes digitais confirme o quanto parcial é a cobertura jornalística deste conflito, como de resto o que acontece na arena global.

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