Mídia parcial é arma de guerra
Luciano
Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
O
conflito EUA/Israel x Irã da oportunidade a que a grande mídia ocidental, cujas
informações e “análises” nos chegam, confirme uma vez mais o seu caráter
parcial em toda linha.
Um exemplo de como o
enquadramento jornalístico pode servir a interesses geopolíticos, a partir da “chave”
simplista: o "Ocidente democrático" contra a "Teocracia
autoritária".
Ações militares dos EUA são frequentemente descritas como "defensivas", "preventivas" ou "respostas a provocações", enquanto
as ações iranianas são invariavelmente rotuladas como "agressões" ou "terrorismo".
Quando do assassinato do general Qasem
Soleimani, em 2020, a notícia foi veiculada como uma "operação de precisão
contra um alvo terrorista", minimizando o fato de que se tratou de uma
execução arbitrária de um alto funcionário de um Estado soberano em solo de um
terceiro país, o Iraque.
O complexo midiático pró-EUA omite o contexto como
modo de confundir. Tende a
iniciar a "cronologia do conflito" a partir de um ato iraniano
recente, ignorando eventos precedentes que explicam a postura iraniana. Tudo na
maior superficialidade.
Importantes
eventos que ajudam a compreender o que se passa na atualidade são simplesmente
omitidos: O golpe de 1953 (Operação Ajax) orquestrado pela CIA; o apoio dos EUA
a Saddam Hussein durante a Guerra Irã-Iraque; a saída unilateral dos EUA do
acordo nuclear (JCPOA) em 2018. Isto de modo a pintar o Irã como um
"agressor irracional", e não como um ator racional agindo sob décadas
de cerco econômico e militar.
Na tentativa de tornar críveis suas versões, as grandes redes de notícias (CNN,
Fox News, BBC) usam como fontes ex-oficiais do Pentágono ou analistas de think
tanks financiados pela indústria militar norte-americana. Assim, a solução
militar é apresentada como a única saída viável. As vozes da sociedade civil
iraniana ou de acadêmicos críticos à política externa de Washington são, na
maioria das vezes, relegadas a segundo plano ou simplesmente omitidas.
A absurda parcialidade midiática se apoia na
distorção dos fatos através de versões distorcidas.
Ligue a TV ou visite sites e perfis nas redes
digitais confirme o quanto parcial é a cobertura jornalística deste conflito,
como de resto o que acontece na arena global.
Colonialismo digital: a nova fronteira da dependência latino-americana https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/11/o-desafio-da-autonomia-tecnologica.html

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