Raquel Lyra entre dois rumos
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
Miguel Arraes se elegeu três vezes governador de Pernambuco a frente de uma coalizões sociais e políticas amplas e diversificadas. Compreendia como poucos a abordagem tática da situação de modo a isolar e enfraquecer o adversário principal.
Mas marcava a amplitude e a flexibilidade com a clareza de propósitos. Fincava a bandeira na colina, por assim dizer, e a partir daí atraia aliados os mais diversos. Presava pela clareza de propósitos.
Mutatis mutandis, como dizem os juristas, o cenário político de Pernambuco neste ano eleitoral põe a governadora Raquel Lyra (PSD) numa encruzilhada. Vê-se na necessidade de uma aliança com o presidente Lula, admitindo dois palanques majoritários em Pernambuco convergentes na luta pela reeleição do presidente, mas sob riscos políticos em certa medida imprevisíveis.
Em 2022, a então candidata a governadora pelo PSDB manteve-se neutra quanto à disputa presidencial, condição necessária para conquistar o apoio da direita bolsonarista.
Deu certo, mas agora o cenário é outro
A extrema direita precisa disputar mais uma vez os cargos majoritários estaduais como condição necessária ao apoio ao candidato à presidência da República do PL, provavelmente o senador Flávio Bolsonaro, e para eleger bancadas estadual e federal.
Enquanto isso, João Campos (PSB) antecipadamente firmou aliança com o presidente Lula e se credencia a unir a esquerda mais consistente e amplos e variados segmentos sociais e políticos nas várias microrregiões de Pernambuco. Terá o apoio do PCdoB e do PT (ainda que fragmentos petistas inconsequentes ensaiem dissidência).
Pesquisas têm indicado vantagem de João Campos sobre Raquel Lyra que oscila em torno 51 a 56%, concomitante com índices de rejeição à governadora em torno de 45%.
A relação entre a disputa estadual com a presidência da República pode, inclusive, introduzir o elemento político no discursos dos oponentes para o governo estadual, ambos excessivamente centrados em questões administrativas – bem diferente do padrão de conduta de Miguel Arraes.

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