03 março 2026

Enio Lins opina

Israel e os Estados Unidos virão a ser o Reich de mil anos?
Enio Lins 

EM 17 DE ABRIL DE 2024, aqui publicamos: “Não é flor que se cheire o velho Irã dos aiatolás, mas o jovem Israel dos sionistas é o estado mais agressivo e mais letal em todo Oriente Médio. Em 25 de dezembro de 2023, Israel matou – na Síria – outro general iraniano, Razi Moussavi. Noutro caso famoso, em 27 de novembro de 2020, o cientista nuclear Mohsen Fakhrizadeh foi assassinado, no meio da rua de uma cidade iraniana, por um equipamento israelense controlado por Inteligência Artificial (assim noticiado pelo NY Times). Diz a Wikipédia: ‘o [serviço secreto israelense] Mossad, desde 2007, assassinou cinco cientistas iranianos e feriu outro, usando uma variedade de métodos, incluindo envenenamento, bombas detonadas remotamente e motociclistas atirando nos carros dos alvos (...)’”. Israel, com o apoio dos Estados Unidos, continua matando quem, quando e onde desejar. Sem consequências. A recente declaração do – por enquanto, sobrevivente – presidente iraniano Masoud Pezeshkian, de que o assassinato do aiatolá Ali Khamenei “foi uma declaração de guerra contra os muçulmanos” é mera constatação do que está em curso há muitos anos.

TEM O IRÃ DIREITO A AUTODEFESA. 
Sim. Seja uma teocracia, seja uma democracia, nenhum país pode ser alvo da bandidagem internacional. Pela Lei do Cão, praticada por sionistas e supremacistas, poderosos e armados como ninguém, a capacidade da vítima reagir é a única coisa que pode frear a agressão. Até agora, infelizmente para o mundo que deseja ficar livre do banditismo impune, as forças armadas iranianas não estão dando conta do recado, apesar das tentativas e da bazófia fundamentalista. Pouco mudou em relação ao aqui descrito em 17/04/2024: “no dia 1º de abril, Israel bombardeou a representação diplomática do Irã em Damasco, matando oito militares iranianos, inclusive um comandante sênior, general Mohammad Reza Zahedi. 12 dias depois, os iranianos tentaram devolver a maldade lançando drones armados sobre o território israelense, em ação que até agora não se tem notícia nem de vítimas humanas, nem de danos materiais”. Enquanto os prejuízos continuam concentrados num lado só, vale como uma autorização para Israel e Estados Unidos seguirem agredindo.

NÃO EXISTE GUERRA 
entre o Irã e o duo israelo-americano. Existem ações terroristas de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã. Os líderes iranianos (e suas famílias) foram assassinados, no sábado, 28, sem declaração de guerra, como os morticínios anteriores. Desta vez, entretanto, os Estados Unidos coparticiparam do ataque-surpresa, no mesmo período em que seus representantes estavam em rodada de negociação com os representantes do governo iraniano. Sem dúvida, Telavive e Washington aplicam sobre Teerã a política do terror. Motivos? Ora, falta de democracia, excesso de teocracia, corrupção, repressão interna, apoio a grupos armados no exterior são traços de uma política imensamente mais praticada pela Arábia Saudita que pelo Irã, e o regime de Riad é bajulado por israelenses e estadunidenses.

“NINGUÉM VAI CHORAR PELO IRÔ, 
afirmou, domingo, editorial do Estadão, avançando: “Se o ataque derrubar esse regime criminoso, o mundo agradecerá”. E é? O mundo deve agradecer também ao terrorismo israelense, responsável pelo genocídio em Gaza? Deve o mundo agradecer o assalto praticado por Israel, ininterruptamente, há 80 anos, das terras árabes-palestinas? Deve o mundo agradecer caso a teocracia dos aiatolás venha a ser substituída pela velha ditadura dos Xás? Deve o mundo agradecer ao governo Trump por desrespeitar todas as normas internacionais? Deve o mundo agradecer caso o sonho de Hitler – de matar, impune e abertamente, quem queira, como quiser – venha a se consolidar através dos sionistas israelenses e dos supremacistas americanos?

Contradições aguçadas no mundo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/11/palavra-do-pcdob.html

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