06 março 2026

Palavra de poeta

Errata
Mia Couto   

Quem é mortal, mente.

Mentirosos, 

ainda mais,
os tais
imortais.

Sem culpa uns e outros.


O verbo morrer

é que é sujeito falso
e de duvidosa acção.

Mais verdadeiro seria

se não fosse verbo.

Ou se conjugasse apenas

em forma passiva: ser morrido.

Como eu,
mais que as vezes que nasci,
fui morrido por ti.

E, assim, findo

num engano de rio:
simulando que morre 
mas sendo água eterna.

[Ilustração: Clóvis Graciano]

Leia também: "Tomara", um poema de Vinícius de Moraes https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/08/palavra-de-poeta_10.html 

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