Errata
Mia Couto
Quem é mortal, mente.
Mentirosos,
ainda mais,
os tais
imortais.
Sem culpa uns e outros.
O verbo morrer
é que é sujeito falso
e de duvidosa acção.
Mais verdadeiro seria
se não fosse verbo.
Ou se conjugasse apenas
em forma passiva: ser morrido.
Como eu,
mais que as vezes que nasci,
fui morrido por ti.
E, assim, findo
num engano de rio:
simulando que morre
mas sendo água eterna.
[Ilustração: Clóvis Graciano]
Leia também: "Tomara", um poema de Vinícius de Moraes https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/08/palavra-de-poeta_10.html
mais que as vezes que nasci,
fui morrido por ti.
E, assim, findo
num engano de rio:
simulando que morre
mas sendo água eterna.

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