06 março 2026

Guerra também afeta nossa economia

Estreito de Ormuz como arma de guerra
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65   



Talvez seja exagero dizer que o Estreito de Ormuz é a "jugular da economia global", mas tem sim valor estratégico na defesa do Irã contra a agressão dos EUA e Israel.

Analistas afirmam que se trata do maior gargalo petrolífero do planeta, por onde passam entre 20% e 30% de todo o petróleo comercializado no mundo (cerca de 20 a 30 milhões de barris por dia).

Como consequência, a explosão de preços do petróleo: no início de março deste ano, o preço do barril de Brent já sofreu picos de alta superiores a 13%, com analistas projetando que o valor possa ultrapassar US$ 100 ou até US$ 140, caso o bloqueio persista.

Igualmente, há implicações sobre as exportações do Gás Natural Liquefeito (GNL). O Catar, maior exportador de do mundo, depende exclusivamente dessa rota. O fechamento interrompe o fornecimento para a Europa e Ásia, encarecendo a conta de luz e o aquecimento globalmente.

O Brasil não está imune

Como a Petrobras utiliza a paridade de preços internacionais, a disparada do barril pressiona o valor da gasolina e do diesel nas refinarias. Daí o risco de um efeito cascata no frete e no preço dos alimentos.

Também o agronegócio brasileiro é afetado. O Estreito de Ormuz é uma rota vital para o transporte de fertilizantes e ureia que vêm do Oriente Médio. O bloqueio ameaça a produtividade da próxima safra brasileira e eleva os custos de produção no campo.

E o mercado financeiro dá sinais de que também á atingido. O Ibovespa registrou quedas acentuadas (chegando a -4% em um único dia) devido à fuga de investidores para ativos seguros como o dólar e o ouro.

O receio de uma elevação da inflação pode levar o Banco Central a adiar a pretendida redução da taxa Selic.

Trump mente sobre risco nuclear do Irã https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/02/trump-mente-e-agride.html 

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