04 abril 2026

Palavra de poeta

Um poema de Ana Estaregui

II.


há sempre um degrau

entre o que se escreve

e o que se gostaria

de ter escrito

e quando há um poema

inexaurível

desses que nunca mais se pode

parar de ler

que não se pode mais soltar

porque no meio dele há um vórtice

um poço d’água potável

onde se pode nadar muito

em círculos, sem pressa

onde se pode apanhar com as mãos

os peixes intermináveis

não há como não ponderar

sobre qual seria o verdadeiro poema

aquele outro ainda maior

mais robusto

que alguém tentou escrever

 

[Ilustração: Gustav Klimt]

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