01 abril 2026

Palavra de poeta

REFLEXÕES
Maurílio Rodrigues        

 

Ai daquele, que ao final 
De sua jornada, não percebe 
O seu rosto dizendo 
Sim, valeu a pena.
 
Ai daquele, que carrega
No seu cáustico dorso,
O peso enorme da desilusão,
E não é capaz de pedir ajuda.
 
Ai daquele, que com o coração 
Oprimido, sente a vida 
Como um inevitável naufrágio,
Por não ter cortado as asas 
De seus desejos.
 
É essa dor, que na alma crepita, 
Como os ciprestes que queimam
Sabendo que seu único destino,
Será as cinzas, que o vento as levará,
Em qualquer direção.
 
Ai daquele que sequer
Tem uma débil esperança
De encontrar um arbusto
Que possa lhe oferecer
Uma mínimo de sombra.
 
Ai daquele, que sofrendo
Imensurável dor, 
Não encontra palavras 
Para amenizar seus sofrimentos
Após uma vida de desventuras.
 
Ai daquele que não tem a fé
Para montar esse cavalo selvagem,
Chamado vida, o qual demonstra
Fortes sinais que jamais será 
Domesticado.

[Ilustração: Noemia Prada]

"Assim vejo a vida", poema de Cora Coralina https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/palavra-de-poeta_31.html 

Nenhum comentário: