O conteúdo do debate eleitoral
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
Pesquisas pré-eleitorais sugerem que os temas educação, segurança e saúde devem centralizar o debate na eleição presidencial deste ano. É o que a grande mídia neoliberal sugere.
Será uma lástima se assim ocorrer.
Inegável que esses três temas, ao lado de tantos outros relacionados
com a condições de vida do nosso povo têm relevância. Entretanto, não podem obscurecer
a questão central: que modelo de desenvolvimento o Brasil deve adotar?
Ou seja, o debate sobre os
rumos do país.
Esse pretendido reducionismo
serve à elite dominante, não serve ao nosso povo. Sobretudo neste instante em
que o mundo se mostra conturbado e a própria soberania das nações postas em
risco.
Assim, o debate sobre os
rumos estratégicos do país há que encarar questões essenciais e não apenas
políticas publicas setoriais. É preciso lançar luz e cotejar alternativas sobre
os condicionantes macroeconômicos e estruturais que, em última análise,
viabilizam — ou impedem — até mesmo o investimento nessas políticas específicas.
É preciso debater se ao Brasil cabe se constituir como potência
agrícola, hub de tecnologia ou um centro industrial autosuficiente e moderno, em sintonia com as transformações que se operam no mundo.
Demais, o Estado
democrático de direito concebido na Assembleia Nacional constituinte tem sido
transfigurado mediante PECs e mesmo através de legislação infraconstitucional. Este também é um tema central, não pode permanecer debaixo do tapete.
É indispensável que os candidatos e as coalizões político-partidárias se posicionem sobre a soberania nacional, a política externa e a integração regional. É preciso encarar o desafio de uma inserção global soberana. Definir que país pretendemos ser nas próximas décadas.
A frente ampla que pugna pela reeleição do presidente Lula não pode fugir a essa dimensão do debate. Argumentar com os inegáveis avanços recentes de politicas públicas específicas é válido, mas não suficiente.
A elevação do nível de consciência política do eleitorado guarda intima e
indissociável relação com a conquista do voto para vencer.

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