Sábado para quê?
Luciano
Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
Cresci encarando o sábado como dia comum, produtivo. Às 5 horas despertava para acompanhar meu pai à feira do Alecrim, que desde a Lagoa Seca, bairro de Natal onde morávamos, levava talvez uns 20 a 25 minutos, creio. A pé.
Era comum outras pessoas irem juntas. Conversavam com seu Renato Siqueira, respeitado comerciante do bairro.
Nos dias que correm, o ritmo alucinante engole o prazer do sábado, sobretudo para trabalhadores obrigados a jornada de trabalho estafante. Mas também para os ansiosos de todos os naipes.
Há uma neurótica imposição de certo padrão de vida por si mesmo ansioso. Você se vê quase que obrigado a correr dez quilômetros, organizar o que está ou não desorganizado em casa, não perder a última postagem na sua rede predileta.
Relaxar não pode. É como se você se recusasse a estar bem informado sobre o que ocorre a seu redor e mundo afora.
Aqui em casa a gente resiste. E vence, pelo menos por enquanto.
Sim, há a feira de orgânicos entre as cinco e seis horas; o café na padaria; a entrega de frutas e verduras na portaria de onde residem filhas, genros e netos. Mas por volta das dez horas, a brisa do fim de semana aos poucos nos envolve.
Há tempo para ouvir música, ler, escrever ou simplesmente nada fazer. Rotina prazerosa só interrompida, eventualmente, por alguma reunião do Partido.
À noite, espaço quase sagrado para um filme, em casa ou na tela grande do ETC. Um drinque. Ou nada fazer.
Infelizes os obrigados à desumana escala 6 x 1 (seis dias de trabalho por um de descanso), alvo de campanha nacional encetada por sindicatos, movimentos sociais diversos e partidos de esquerda, o PCdoB com destaque.
Por um sábado semelhante ao meu e por uma vida digna.
Mais atenção à realidade concreta! https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/02/minha-opiniao_26.html

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