Soberania nacional e entreguismo: os descaminhos de
um candidato
Abraham B. Sicsu
Quarta feira, dia 27 de maio, estou lendo material na
UOL de Mariana Sanches. As trapalhadas da visita de um candidato ao Presidente
dos Estados Unidos. Antes de comentar a material, algumas considerações
fazem-se necessárias.
Entendemos como Soberania Nacional o legítimo direito
de uma nação tomar decisões independentes e governar dentro de suas próprias
fronteiras, sem submissão a interferências externas, levando em consideração os
interesses de sua população.
Ao contrário, Entreguismo é uma postura que prioriza
interesses externos em detrimento da busca de um desenvolvimento nacional
autônomo. Um modo de ver o mundo que leva a uma prática política que defende a
entrega de matérias primas, empresas estratégicas e poder de decisão em
assuntos internos aos interesses externos, os quais consideram superiores e
mais qualificados para orientar o desenvolvimento da nação.
Por exemplo, no período de 2019 a 2022, governo Jair
Bolsonaro, a lógica para governar do
país tinha como direcionamento a venda de ativos estatais, as privatizações,
políticas de aproximação aos interesses estrangeiros, principalmente
americanos, que apontavam para que os interesses externos eram superiores no
encaminhar das questões nacionais. O resultado, é claro, o desmantelamento de
setores estratégicos como o do petróleo, vendas de refinarias e da
distribuição, que tantos problemas nos causam hoje.
Para os “entreguistas”, desenvolvimento deveria ser
buscado com a redução das disparidades em relação aos países centrais, busca de
ter o mesmo padrão de organização sócio-política, poderio econômico, poderio
militar e bem estar social, o que só poderia ser alcançado com a submissão aos
países líderes, basicamente aos Estados Unidos da América.
O fascínio com
o padrão de sucesso pessoal, com os hábitos de consumo, com o conforto e
comodidade das classes abastadas daqueles países, mais que justificaria, na
opinião deles, uma sociedade desigual em que a maioria da população está
alijada dos frutos do desenvolvimento. Isso, novamente para eles, é problema
dos que não conseguiram, por “ineficiências próprias”, melhor se posicionar.
Essa visão justifica que um Deputado Fujão como
Eduardo defenda publicamente uma medida evidentemente contrária à população
brasileira como o “tarifaço” que foi
aplicado no início do governo Trump sobre as exportações brasileiras. Com uma
ironia desavergonhada justificou que essas medidas, 50% de taxas adicionais
sobre nossos produtos, não tinham motivação econômica, mas política, por
contrariarmos os interesses da nação líder.
Aproveitou para atacar o STF, que em um julgamento
transparente condenou seu pai, e chamar a medida de “Tarifa Moraes”. Alusão ao
ministro do Supremo. Como bom chantagista bufão se arvorou, chamou para si o
“mérito” de ser o causador da medida que tanto nos prejudicava, e dizer que só
seria revogada quando seu pai fosse solto.
Ledo engano, menosprezou a capacidade de negociação do
Governo Brasileiro, nossa diplomacia, sem abrir mão de nossa Soberania. Foi
revogada em grande parte.
Voltemos à matéria de Mariana Sanches. A família
Bolsonaro, que com a mesma subserviência anterior procura retornar ao poder,
marca um encontro de seu candidato com o presidente americano. Uma foto sai em
toda a imprensa. Apenas uma foto em que o dito candidato aparece de pé e o de
lá comodamente sentado, como se o brasileiro fosse um guarda costas do
americano, reflete uma relação de subserviência.
A partir do encontro, uma declaração é dada.
A declaração de Flávio mostra o quão submissos são. O
que pediu foi transformar as facções criminosas, que têm sido e são combatidas
com rigor no país, além de propostas no Congresso que prometem enrijecer mais,
para organizações terroristas. Sabe ele que isso levaria à possibilidade de
intervenção militar no Brasil e seria uma ameaça profunda á nossa Soberania.
Novamente um movimento de entreguismo.
O que ele não revelou é que a conversa não se reduziu
a isso. Trump fez constantes elogios ao Presidente Lula. Diz a jornalista:
“Eu apurei que houve muito mais além dessa questão de
PCC e CV. Entre os assuntos, inclusive, surgiu uma conversa sobre o presidente
Lula. Donald Trump perguntou o que Lula tinha falado sobre a reunião que teve
no começo do mês, no começo de maio, aqui na Casa Branca, uma reunião de três
horas entre os dois presidentes do Brasil e dos Estados Unidos. E aí, neste
momento, então, os brasileiros disseram que o Lula disse que a reunião tinha
sido boa, e Trump disse que era verdade, que tinha sido uma reunião boa, embora
eles não tivessem acertado nenhum acordo, assinado nada.”
E mais: “O Trump teria dito que o Lula aparentava ser
muito velho, mas que, quando ele falava e agia, ele passava uma impressão
diferente, de uma pessoa muito dinâmica e de uma pessoa muito esperta.
Portanto, Donald Trump fez elogios ao Lula diante de Flávio Bolsonaro, foi isso
que aconteceu. “
Mesmo os presentes protocolares que, sabemos muito
bem, camisas da seleção brasileira, tentando novamente se apoderar de símbolos
nacionais, não puderam entrar na reunião por questões de segurança e ser entregues
na hora, frustrando as pretensões mal intencionadas do senhor Flávio.
Nada disso poderá desviar as atenções das
inexplicáveis relações entre o Mestre da Rachadinha e o senhor Vorcaro, nada
disso apagará o fato escancarado que muito ainda terá de ser explicado à
sociedade.
Um teatro que revela apenas farsas.
[Ilustração: imagem produzida por IA no site Poder 360]
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