28 maio 2026

Abraham Sicsu opina

Soberania nacional e entreguismo: os descaminhos de um candidato
Abraham B. Sicsu     

Quarta feira, dia 27 de maio, estou lendo material na UOL de Mariana Sanches. As trapalhadas da visita de um candidato ao Presidente dos Estados Unidos. Antes de comentar a material, algumas considerações fazem-se necessárias.

Entendemos como Soberania Nacional o legítimo direito de uma nação tomar decisões independentes e governar dentro de suas próprias fronteiras, sem submissão a interferências externas, levando em consideração os interesses de sua população.

Ao contrário, Entreguismo é uma postura que prioriza interesses externos em detrimento da busca de um desenvolvimento nacional autônomo. Um modo de ver o mundo que leva a uma prática política que defende a entrega de matérias primas, empresas estratégicas e poder de decisão em assuntos internos aos interesses externos, os quais consideram superiores e mais qualificados para orientar o desenvolvimento da nação.

Por exemplo, no período de 2019 a 2022, governo Jair Bolsonaro,  a lógica para governar do país tinha como direcionamento a venda de ativos estatais, as privatizações, políticas de aproximação aos interesses estrangeiros, principalmente americanos, que apontavam para que os interesses externos eram superiores no encaminhar das questões nacionais. O resultado, é claro, o desmantelamento de setores estratégicos como o do petróleo, vendas de refinarias e da distribuição, que tantos problemas nos causam hoje.

Para os “entreguistas”, desenvolvimento deveria ser buscado com a redução das disparidades em relação aos países centrais, busca de ter o mesmo padrão de organização sócio-política, poderio econômico, poderio militar e bem estar social, o que só poderia ser alcançado com a submissão aos países líderes, basicamente aos Estados Unidos da América.

 O fascínio com o padrão de sucesso pessoal, com os hábitos de consumo, com o conforto e comodidade das classes abastadas daqueles países, mais que justificaria, na opinião deles, uma sociedade desigual em que a maioria da população está alijada dos frutos do desenvolvimento. Isso, novamente para eles, é problema dos que não conseguiram, por “ineficiências próprias”, melhor se posicionar.

Essa visão justifica que um Deputado Fujão como Eduardo defenda publicamente uma medida evidentemente contrária à população brasileira  como o “tarifaço” que foi aplicado no início do governo Trump sobre as exportações brasileiras. Com uma ironia desavergonhada justificou que essas medidas, 50% de taxas adicionais sobre nossos produtos, não tinham motivação econômica, mas política, por contrariarmos os interesses da nação líder.

Aproveitou para atacar o STF, que em um julgamento transparente condenou seu pai, e chamar a medida de “Tarifa Moraes”. Alusão ao ministro do Supremo. Como bom chantagista bufão se arvorou, chamou para si o “mérito” de ser o causador da medida que tanto nos prejudicava, e dizer que só seria revogada quando seu pai fosse solto.

Ledo engano, menosprezou a capacidade de negociação do Governo Brasileiro, nossa diplomacia, sem abrir mão de nossa Soberania. Foi revogada em grande parte.

Voltemos à matéria de Mariana Sanches. A família Bolsonaro, que com a mesma subserviência anterior procura retornar ao poder, marca um encontro de seu candidato com o presidente americano. Uma foto sai em toda a imprensa. Apenas uma foto em que o dito candidato aparece de pé e o de lá comodamente sentado, como se o brasileiro fosse um guarda costas do americano, reflete uma relação de subserviência.

A partir do encontro, uma declaração é dada.

A declaração de Flávio mostra o quão submissos são. O que pediu foi transformar as facções criminosas, que têm sido e são combatidas com rigor no país, além de propostas no Congresso que prometem enrijecer mais, para organizações terroristas. Sabe ele que isso levaria à possibilidade de intervenção militar no Brasil e seria uma ameaça profunda á nossa Soberania. Novamente um movimento de entreguismo.

O que ele não revelou é que a conversa não se reduziu a isso. Trump fez constantes elogios ao Presidente Lula. Diz a jornalista:

“Eu apurei que houve muito mais além dessa questão de PCC e CV. Entre os assuntos, inclusive, surgiu uma conversa sobre o presidente Lula. Donald Trump perguntou o que Lula tinha falado sobre a reunião que teve no começo do mês, no começo de maio, aqui na Casa Branca, uma reunião de três horas entre os dois presidentes do Brasil e dos Estados Unidos. E aí, neste momento, então, os brasileiros disseram que o Lula disse que a reunião tinha sido boa, e Trump disse que era verdade, que tinha sido uma reunião boa, embora eles não tivessem acertado nenhum acordo, assinado nada.”

E mais: “O Trump teria dito que o Lula aparentava ser muito velho, mas que, quando ele falava e agia, ele passava uma impressão diferente, de uma pessoa muito dinâmica e de uma pessoa muito esperta. Portanto, Donald Trump fez elogios ao Lula diante de Flávio Bolsonaro, foi isso que aconteceu. “

Mesmo os presentes protocolares que, sabemos muito bem, camisas da seleção brasileira, tentando novamente se apoderar de símbolos nacionais, não puderam entrar na reunião por questões de segurança e ser entregues na hora, frustrando as pretensões mal intencionadas do senhor Flávio.

Nada disso poderá desviar as atenções das inexplicáveis relações entre o Mestre da Rachadinha e o senhor Vorcaro, nada disso apagará o fato escancarado que muito ainda terá de ser explicado à sociedade.

Um teatro que revela apenas farsas.

[Ilustração: imagem produzida por IA no site Poder 360]

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