25 maio 2026

Palavra de poeta

Homem comum
Ferreira Gullar     

Sou um homem comum
de carne e de memória
de osso e esquecimento.
Ando a pé, de ônibus, de táxi, de avião
e a vida sopra dentro de mim
pânica
feito a chama de um maçarico
e pode
subitamente
cessar.

Sou como você
feito de coisas lembradas
e esquecidas
rostos e
mãos, o guarda-sol vermelho ao meio-dia
em Pastos-Bons,
defuntas alegrias flores passarinhos
facho de tarde luminosa
nomes que já nem sei

[Ilustração: Marc-Chagall]

Saudade do glamour imaginário da infância https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/tempos-idos.html   

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