28 agosto 2026

Minha opinião

Para além do nosso quintal
Luciano Siqueira      

O amigo, a quem dou carona, escuta no som do carro notícia sobre desastres climáticos e sentencia:

- Os pobres é que sofrem.

- Não apenas os pobres, retruquei.

- Por que não?

Vi-me dissertando sobre o assunto:

Caso da Europa, por exemplo. O calor extremo tem feito estragos quase incalculáveis e não consta que naquela região vivam apenas pobres. Ao contrário, uma população bem aquinhoada se comparada ao que outrora chamávamos “terceiro mundo” ostenta tremenda disparidade.

Mais: a “calamidade” europeia ocorre sobretudo no desempenho da economia, não necessariamente atingindo as pessoas individualmente. O PIB da União Europeia agora estimado se compara à estagnação. Quanto mais se prolonga o ciclo de temperatura elevada, maior o prejuízo econômico.

Acrescente-se que a queda da produção agrícola tem tudo a ver com a temperatura ambiente inclemente e convive com a sobrecarga acentuada das redes elétricas pela extraordinária operação de equipamentos de refrigeração ambiente; e a retração expressiva da produção industrial.

Nesse cenário, o Velho Mundo, tão atrativo para turistas dos cinco continentes, também amarga a retração acentuada de visitantes.

Em outras palavras, até os privilégios de classe e as benesses próprias de países capitalistas desenvolvidos são duramente afetados por essa espécie de “insurreição climática”.

- Tem razão, acedeu o amigo. É que costumo prestar atenção quase que só ao desastre climático em regiões mais pobres.

- Pois é, vivemos uma espécie de democratização da tragédia, acrescentei.

É no que dá essa mania de enxergar para além do nosso quintal...

A crise global de alimentos https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/crise-alimentar-global.html 

Nenhum comentário: