Para além
do nosso quintal
Luciano
Siqueira
O amigo, a quem dou carona, escuta no som do carro notícia sobre desastres climáticos e sentencia:
- Os pobres é que sofrem.
- Não apenas os pobres, retruquei.
- Por que não?
Vi-me dissertando sobre o assunto:
Caso da Europa, por exemplo. O calor extremo tem
feito estragos quase incalculáveis e não consta que naquela região vivam apenas
pobres. Ao contrário, uma população bem aquinhoada se comparada ao que outrora
chamávamos “terceiro mundo” ostenta tremenda disparidade.
Mais: a “calamidade” europeia ocorre sobretudo no desempenho
da economia, não necessariamente atingindo as pessoas individualmente. O PIB da
União Europeia agora estimado se compara à estagnação. Quanto mais se prolonga
o ciclo de temperatura elevada, maior o prejuízo econômico.
Acrescente-se que a queda da produção agrícola tem
tudo a ver com a temperatura ambiente inclemente e convive com a sobrecarga
acentuada das redes elétricas pela extraordinária operação de equipamentos de
refrigeração ambiente; e a retração expressiva da produção industrial.
Nesse cenário, o Velho Mundo, tão atrativo para turistas
dos cinco continentes, também amarga a retração acentuada de visitantes.
Em outras palavras, até os privilégios de classe e
as benesses próprias de países capitalistas desenvolvidos são duramente
afetados por essa espécie de “insurreição climática”.
- Tem razão, acedeu o amigo. É que costumo prestar atenção
quase que só ao desastre climático em regiões mais pobres.
- Pois é, vivemos uma espécie de democratização da
tragédia, acrescentei.
É no que dá essa mania de enxergar para além do
nosso quintal...
A crise global de alimentos https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/crise-alimentar-global.html

Nenhum comentário:
Postar um comentário