Gaza, cenário do holocausto palestino, vai virar
resort de luxo?
Enio Lins
HOJE, EM TODO BRASIL, serão realizados atos públicos em solidariedade ao povo palestino, em protesto contra o plano anunciado pelo presidente dos Estados Unidos de transformar a Faixa de Gaza num balneário de alto luxo, depois da expulsão completa da população originária.
EM MACEIÓ, O ATO ESTÁ convocado para 16 horas, no Calçadão da Rua do
Comércio, Centro, na esquina do antigo Produban. Em Alagoas, apesar de existir
um município com o nome de Palestina, campeia a desinformação geral sobre a
tragédia que se abate sobre o povo palestino há mais de 70 anos, desde a
criação do Estado de Israel, em 1948. Para evitar repetição de formulações
históricas aqui publicadas n vezes, vamos a uma explicação simplificada,
alegórica: suponha que o povo palestino seja uma família que tem um terreno 15
x 30, e onde mora há muitos anos, geração após geração, e, de uma hora para
outra vem uma autoridade estrangeira e diz: “Vamos dividir essa sua terra;
vocês ficam com menos da metade dela, e a outra banda, mais da metade, agora
tem outro dono, talkey? ”. Os palestinos se revoltaram, não aceitaram perder a
maior parte de sua propriedade (53,5%, pelo plano original da ONU). Ao longo
dessas oito décadas, estão sendo expulsos, à força, de 100% de seu território,
sem direito à autodefesa.
SEGUNDO O PLANO DA ONU, o
estado israelense teria cerca de 14,5 mil km², enquanto o estado palestino
ficaria com aproximadamente 11 mil km². Atualmente, se estima que os palestinos
estejam resumidos a 25% do que seria sua área original, sendo que a cada dia
perdem novos territórios para as ocupações ilegais patrocinadas pelo governo de
Israel, invasão atualmente centrada na Cisjordânia. Ressalte-se que Israel
jamais permitiu que os palestinos se constituíssem como país de fato, com um
Estado minimamente constituído. A chamada Autoridade Palestina foi asfixiada,
reduzida a um arremedo gerencial, minada de todas as formas. Nesse cenário de
grave crise humanitária, de genocídio praticado por Israel, o presidente dos
Estados Unidos apresentou a proposta de tomar conta da Faixa de Gaza para (ele
próprio) construir ali, às margens do Mediterrâneo, uma “Riviera do Oriente
Médio”, para ricos, administrada pelos americanos em parceria com os
israelenses. E as milhões de pessoas que vivem ali, legítimas proprietárias
daquela terra? O atual inquilino da Casa Branca disse que seriam deslocados “para
outro lugar”.
PARA ONDE IRIAM OS 2,5
MILHÕES de palestinos atualmente sobreviventes em
Gaza? Ditatorialmente, o presidente dos Estados Unidos sequer falou em
consultar aquela população, dona daquela terra, sobre a ideia de perderem tudo.
Mas considerando que aceitassem essa imposição, para onde iriam? Os americanos
os receberiam na Califórnia ou na Flórida? Ou Donald os assentaria em estados
menos povoados, como o Wyoming (hoje com 1,29 habitantes por km²), ou no Alaska
(0,42 habitantes por km²)? Ah, sim, a densidade populacional na Faixa de Gaza é
de 5.479 habitantes por km² (cinco mil, quatrocentos e setenta e nove pessoas
por quilômetro quadrado!). Sorridente, ao lado do presidente americano, quando
ele fez a proposta de expulsar a população de Gaza para ali construir a
“Riviera do Oriente Médio”, o primeiro-ministro de Israel declarou, em seguida:
“O presidente Trump veio com uma visão completamente diferente, muito melhor
para o estado de Israel. Uma visão revolucionária e criativa”. Bibi Netanyahu
sabe muito bem o que quer fazer com os 2,5 milhões de palestinos residentes e
resistentes no Gueto de Gaza – ele e seus sionistas radicais sonham em repetir
para essa população árabe a mesma solução final que os nazistas impuseram para
seis milhões de judeus durante o III Reich. Resta ao resto do mundo aceitar
calado, ou protestar contra esse novo holocausto.
Leia: Trump é o rosto do declínio dos Estados Unidos https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/02/editorial-do-vermelho_8.html
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