10 fevereiro 2026

Enio Lins opina

Américas do bem em luta contra os males das américas supremacistas
Enio Lins        
CARNAVAL SERIA O TEMA de hoje, mas fica para depois. Nesta terça-feira vai desfilar por aqui uma cena nos Estados Unidos. E na quarta, uma quadra portuguesa, com certeza. Se tudo correr bem, a pauta foliã retorna quinta e sexta, afinal o Reinado de Momo já começou há mais de uma semana, e não pode ser ignorado.

BAD BUNNY eu não sabia quem era, graças a minha ignorância musical. Li referências sobre a vitória do cantor num dos prêmios mais badalados do mundo, assim noticiada pela revista Exame (uma das referências midiáticas capitalistas): “O cantor Bad Bunny levou o prêmio de Álbum do Ano no Grammy Awards 2026 com o disco Debí Tirar Más Fotos, na cerimônia da 68ª edição realizada neste domingo, 1º de fevereiro, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Antes de vencer nesta categoria, o músico porto-riquenho levou também a estatueta de Melhor Álbum de Música Urbana”, e acrescentou: “Em seu discurso, o artista fez críticas contra o ICE (agentes do serviço de imigração dos EUA) e falou que era preciso responder ao ódio com amor. As declarações de Bad Bunny se referem às políticas do presidente dos EUA, Donald Trump”. Ganhou ali meu voto e minha simpatia. Mas fiquei na minha, deixei para depois conhecer algo da obra del compañero puertorriqueño.

DEMOREI A ACESSAR
 os endereços digitais do cara e, no domingo, um típico dia de festa estadunidense, numa
 grande final do desinteressante futebol americano – aquele esporte da bola oval adorado pelos ianques, modalidade na qual trompaços, peitadas, agarrações e pernadas são regra – o vitorioso cantante latino-estadunidense (sim, Porto Rico é um protetorado dos Estados Unidos) entrou em campo puxando um espetáculo de grande beleza artística e enorme impacto político. Trechos foram imediatamente replicados pelas redes sociais. Assisti vários, todos infelizmente em tempo reduzido para se adequarem às normas dos aplicativos, mas todas essas inserções-relâmpago foram importantes e cumpriram a missão de chamar a atenção para o feito.

TRUMP DETESTOU O SHOW NO BOLW
, valorizando ainda mais o triunfo latino-americano, descrito por O Globo, como “Bad Bunny agita intervalo com show de valorização à cultura latino-americana – Performance em língua espanhola celebrou raízes latinas, com hits e participações de Ricky Martin e Lady Gaga”. Segue a reportagem, “o ápice do show ficou para a parte final. Bad Bunny entregou a uma criança seu troféu do Grammy, recebido na última semana, em uma cena que simbolizou a entrega da premiação ao menino que ele foi. Como uma representação final, figurantes entraram em cena hasteando bandeiras de todos os países das Américas, enquanto o cantor pronunciou o nome de diversas nações, incluindo o Brasil (...)”. Vários sites, como o 
sportingnews.com.br, têm informado que a criança presenteada com o troféu seria Liam Ramos, de cinco anos de idade, célebre “por sido detida pelo ICE - a polícia anti-imigração de Donald Trump, em 23 de janeiro, em Minneapolis” - se não confirmada a identidade do garoto, vale o simbolismo. Por tudo isso e mais alguma coisa, sobre o show, Donald postou em suas redes antissociais: “Absolutamente terrível, um dos piores de todos os tempos! Não faz sentido nenhum, é uma afronta à grandeza da América e não representa nossos padrões de sucesso, criatividade ou excelência”.

APLAUSOS ENTUSIASMADOS 
para Benito Antonio Martinez Ocasio, mais conhecido como Bad Bunny, nascido em Veja Baja, Porto Rico, em 1994. Rapper, cantor, ator e produtor musical genuinamente latino-americano, em toda essência que esse vocábulo possa ter. Ah, sim: o novo arcebispo de Nova Iorque, 
Dom Ronald Hicks, em sua primeira missa no posto, no dia 6, já havia antecipado uma homenagem a Bad Bunny, citando em sua homilia uma seleção de versos do artista, certamente irritando idólatras de outro Donald. Dicas para seguir o portoriquenho: @badbunny, @badbunny.brasil.

Gente, coisas e animais https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/minha-opiniao_66.html

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