Américas do bem
em luta contra os males das américas supremacistas
Enio Lins CARNAVAL SERIA O TEMA de hoje, mas fica para depois. Nesta terça-feira vai desfilar
por aqui uma cena nos Estados Unidos. E na quarta, uma quadra portuguesa, com
certeza. Se tudo correr bem, a pauta foliã retorna quinta e sexta, afinal o
Reinado de Momo já começou há mais de uma semana, e não pode ser ignorado.
BAD BUNNY eu não sabia quem era, graças a minha ignorância musical. Li
referências sobre a vitória do cantor num dos prêmios mais badalados do mundo,
assim noticiada pela revista Exame (uma das referências midiáticas
capitalistas): “O cantor Bad Bunny levou o prêmio de Álbum do Ano no Grammy
Awards 2026 com o disco Debí Tirar Más Fotos, na cerimônia da 68ª edição
realizada neste domingo, 1º de fevereiro, em Los Angeles, nos Estados Unidos.
Antes de vencer nesta categoria, o músico porto-riquenho levou também a
estatueta de Melhor Álbum de Música Urbana”, e acrescentou: “Em seu discurso, o
artista fez críticas contra o ICE (agentes do serviço de imigração dos EUA) e falou
que era preciso responder ao ódio com amor. As declarações de Bad Bunny se
referem às políticas do presidente dos EUA, Donald Trump”. Ganhou ali meu voto
e minha simpatia. Mas fiquei na minha, deixei para depois conhecer algo da obra del compañero puertorriqueño.
DEMOREI A ACESSAR os endereços digitais do cara e, no domingo, um típico
dia de festa estadunidense, numa grande final do desinteressante futebol
americano – aquele esporte da bola oval adorado pelos ianques,
modalidade na qual trompaços, peitadas, agarrações e pernadas são regra – o
vitorioso cantante latino-estadunidense (sim, Porto Rico é um protetorado dos
Estados Unidos) entrou em campo puxando um
espetáculo de grande beleza artística e enorme impacto político. Trechos
foram imediatamente replicados pelas redes sociais. Assisti vários, todos
infelizmente em tempo reduzido para se adequarem às normas dos aplicativos, mas
todas essas inserções-relâmpago foram importantes e cumpriram a missão de
chamar a atenção para o feito.
TRUMP DETESTOU O SHOW NO
BOLW, valorizando ainda mais o triunfo latino-americano, descrito
por O Globo, como “Bad Bunny agita
intervalo com show de valorização à cultura latino-americana – Performance em
língua espanhola celebrou raízes latinas, com hits e participações de Ricky
Martin e Lady Gaga”. Segue a reportagem, “o ápice do show ficou para
a parte final. Bad Bunny entregou a uma criança seu troféu do Grammy, recebido
na última semana, em uma cena que simbolizou a entrega da premiação ao menino
que ele foi. Como uma representação final, figurantes entraram em cena
hasteando bandeiras de todos os países das Américas, enquanto o cantor pronunciou
o nome de diversas nações, incluindo o Brasil (...)”. Vários sites, como o sportingnews.com.br, têm informado que a criança presenteada com
o troféu seria Liam Ramos, de cinco anos de idade, célebre “por sido detida pelo ICE -
a polícia anti-imigração de Donald Trump, em 23 de janeiro, em Minneapolis” - se não confirmada a identidade do garoto, vale o
simbolismo. Por tudo isso e mais alguma coisa, sobre o show, Donald postou em
suas redes antissociais: “Absolutamente
terrível, um dos piores de todos os tempos! Não faz sentido nenhum, é uma
afronta à grandeza da América e não representa nossos padrões de sucesso,
criatividade ou excelência”.
APLAUSOS ENTUSIASMADOS para Benito Antonio Martinez Ocasio, mais conhecido como Bad
Bunny, nascido em Veja Baja, Porto Rico, em 1994. Rapper, cantor, ator e
produtor musical genuinamente latino-americano, em toda essência que esse
vocábulo possa ter. Ah, sim: o novo arcebispo de Nova Iorque, Dom Ronald Hicks, em sua primeira missa no posto, no dia 6, já
havia antecipado uma homenagem a Bad Bunny, citando em sua homilia uma seleção
de versos do artista, certamente irritando idólatras de outro Donald. Dicas para
seguir o portoriquenho: @badbunny, @badbunny.brasil.
Gente, coisas e animais https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/minha-opiniao_66.html

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