08 fevereiro 2026

Marcas urbanas

Trajetórias interrompidas
Luciano Siqueira  
instagram.com/lucianosiqueira65  

Agrada-me observar as múltiplas manifestações da vida na fisionomia urbana. Toda cidade exibe a beleza construída ao longo dos anos, os sinais das novas experiências humanas e também expressões de decadência. 

É inevitável. A vida não segue em linha reta. Emoções, conquistas e êxtases convivem com fracassos.

Imóveis abandonados, por exemplo. 

Alguns simplesmente semidestruídos, outros nem tanto e até postos à venda ou oferecidos para aluguel.

Estima-se que até dezembro do ano passado, 2025, no Recife havia 95 mil imóveis considerados sem uso: habitações e prédios vazios ou completamente ao léu. 

Famílias inteiras que se findaram ou se transferiram para outros lugares em busca de nova chance, empreendimentos fracassados, edificações interrompidas.

Daí o laivo de esperança que experimento diante de toscas placas "alugo", "vendo", "troco", "negocio"... como que percebendo ali, para além da trajetória interrompida, o propósito da resistência. Ainda que frágil.

[Foto: LS]

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