Minha opinião
Já registrei noutra oportunidade o conceito emitido por
Tostão (Eduardo Gonçalves de Andrade), médico e colunista esportivo da Folha de S. Paulo, destacado
integrante da seleção brasileira campeã mundial em 1970:
— “O grande jogador tem a
capacidade de inventar o momento. E tem a antevisão do lance: quando recebe a
bola, ele já sabe tudo o que vai acontecer dali pra frente. Chega sempre
primeiro que o outro”.
Tudo a ver com o que dizia Nilton
Santos, outra legenda do nosso futebol, que se tornara excelente marcador de
Pelé, desde que, em final de carreira, deixara a lateral esquerda e se
convertera em quarto zagueiro:
— "Eu me antecipo. Dou
combate antes do 'negão' pegar a bola, pois se ele a domina não há quem o
impeça de fazer uma jogada genial."
É como devem proceder dirigentes
partidários em relação às eleições gerais deste ano – não apenas em nível
nacional, mas igualmente em plano estadual.
É preciso se antecipar ao
desenrolar dos acontecimentos.
Mas o voluntarismo e a
superficialidade na abordagem do ambiente pré-eleitoral frequentemente é o que
predomina.
Então, no caso específico do
PCdoB, uma Comissão Política (instância de controle e de decisão do Comitê
Estadual, quando não em reunião plenária), realiza bom debate a propósito das
tendências conjunturais no mundo e no Brasil, mas carente de uma abordagem
precisa do ambiente econômico e social local..
É o distanciamento da realidade
concreta e uma boa dose de subjetivismo e improvisação na compreensão da vida
real.
A montagem da chapa majoritária,
por exemplo. Que interesses de classe representam candidaturas ao governo
estadual, idem os postulantes ao Senado, por exemplo. Como é possível
influenciá-los com proposições mais avançadas? Como tais candidaturas dialogam com
o projeto nacional que dá conteúdo à frente ampla liderada por Lula?
Desse modo, ainda lembrando
Tostão e Nilton Santos, os fatos comandam as atitudes, sem que as direções
estaduais exercitem a capacidade de a eles se anteciparem.
E se intervém na peleja eleitoral
a reboque dos acontecimentos, comprometendo em boa parte o poder de fogo de
corrente política potencialmente capaz de “ler” a evolução dos acontecimentos e,
assim, potencializar iniciativas e superar em boa medida suas limitações
orgânicas e materiais.
Tudo a ver como o distanciamento
da realidade viva na qual se desenrola a cena política, que hoje acomete
partidos de esquerda no Brasil, mais afeitos a proclamações gerais do que à
inserção real na vida e na luta das massas trabalhadores e demais camadas
populares.
Nesse contexto, vale a consigna
“menos proclamações gerais, mais apego à realidade dos fatos”.
*Texto da minha coluna semanal no
portal ‘Vermelho’
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