Os Bolsonaros estão se lixando para Jair
Incapaz de ser leal com quem quer que seja, Messias paga o preço do exemplo dado aos seus
Juca Kfouri/Liberta
Entre tantas teorias da conspiração ridículas que envolveram o atentado contra o então candidato Jair Bolsonaro, uma tem defensores de postura mais equilibrada e quase silenciosa: a facada teria sido planejada dentro da família para que, pai morto, filho posto – como sucessor em eleição no papo.
O escolhido para cometer o crime, louco de pedra, Adélio Bispo, foi colega de Eduardo e Carlos Bolsonaro em um clube de tiro em Santa Catarina e, de tão incompetente, apenas feriu a vítima.
O resto da história é conhecido: o pai dos 01, 02, 03 e 04, além da fraquejada, achou bom argumento para fugir dos debates na campanha, encontrou proteção em emissoras de televisão que lhe davam visibilidade, acabou eleito e atormentou o Brasil por quatro longos anos.
Frustrada no plano inicial, restou à família resignar-se e colher os generosos frutos de ser abrigada pela proteção presidencial e se lambuzar entre chocolates, rachadinhas, mansões na capital federal pagas com dinheiro vivo, vereâncias, deputâncias e senadoriansias.
Parceiros do Tio Sam
Dito isso, não é segredo para ninguém minimamente informado que os Bolsonaros jamais viveram em paz, com filho concorrendo com a mãe para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro, irmão disposto a dar rasteira em irmão, disputas em torno de espaço nas milícias e tudo mais que o submundo oferece a seus associados.
Daí não surpreender os novos rolos que envolvem os Bolsonaros, seja no Brasil, seja nos Estados Unidos. Eduardo e seus parceiros na terra de Tio Sam, a cada vez que abrem a boca, complicam ainda mais a vida do presidiário em domicílio, que não lê um livro, nem de colorir, para diminuir a pena, e ainda a vê agravada pelas diabruras dos peraltas fugitivos.
Um deles, histérico, é até capaz de dizer que a ex-primeira dama está cagando para o marido.
Flávio, o pré-candidato à revelia de mercadores ensandecidos, imaginou que tornar pública uma carta do pai fortaleceria a campanha, e deu mais um tiro no pé – ainda bem que tem quatro, porque, nesse ritmo, daqui a pouco, faltarão novos a serem alvejados.
Agora está proibido por 90 dias de ver o pai e deixará terreno mais livre para a madrasta mover seus pauzinhos e, quem sabe, gravar novos vídeos pelas costas do galego, tratamento que causa engulhos no elefante em loja de louças e neto do ditador João Figueiredo, o que preferia cheiro de cavalo e tinha de porco.
De norte a sul, de leste a oeste, o povo todo pergunta de onde veio semelhante peste.
Incapaz de ser leal com quem quer que seja, descomprometido com a cláusula pétrea das relações humanas, a que determina ser imperdoável deixar um camarada no meio do caminho, Messias paga o preço do exemplo dado aos seus.
E aí só lhe resta ouvir a canção que Beth Carvalho imortalizou: Você pagou com traição/A quem sempre lhe deu a mão/Vou festejar, vou festejar/O teu sofrer, o teu penar.
A menos, é claro, que o STF o proíba também de tal privilégio.
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