Desmorona o castelo de crimes erguido pelo bolsonarismo
Uma teia de ilícitos, falcatruas, corrupção, milícias e crime organizado começa a ser desbaratada. No centro está o clã Bolsonaro e a extrema-direita
Editorial do 'Vermelho' www.vermelho.org.br
A teia de escândalos envolvendo o candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro, parece não ter fim. Além dos R$ 134 milhões negociados com o criminoso Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para supostamente financiar o filme biográfico Dark Horse sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, surgiram evidências de falcatruas e ilicitudes em série na seara do candidato. Na base original do bolsonarismo, o Rio de Janeiro, o clã de Flávio ergueu um arranjo de poder à base de condutas criminosas, conforme tipificação da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário.
A série atual começou com a crise que levou ao seu rompimento com o ex-governador Wilson Witzel, eleito em 2018 apoiado no bolsonarismo, com acusações mútuas de “rachadinhas”. O caso de Witzel envolvia verbas da saúde e tentativas de enterrar as investigações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre movimentações estranhas na conta de Fabrício Queiroz, então assessor de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa. Seu irmão, Carlos Bolsonaro, então vereador, também foi investigado.
Witzel foi cassado em 30 de abril de 2021 e o vice, Cláudio Castro, igualmente bolsonarista, assumiu o cargo de governador e, em 2022, se elegeu pelo Partido Liberal (PL), que abriga os Bolsonaro. Também acusado de corrupção, ele renunciou em março de 2026 para tentar evitar que seu mandato fosse cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que declararia sua inelegibilidade por oito anos.
O ex-presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar (União Brasil), foi preso, após também ser condenação no TSE por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, junto com Cláudio Castro. Ele foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por obstrução de investigação policial, acusado de vazar informações sigilosas sobre uma operação contra o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva (TH Joias), apontado como aliado da organização criminosa Comando Vermelho.
O caso mais recente foi a prisão de Márcio Canella, pré-candidato ao Senado. A polícia encontrou um fuzil em seu carro durante uma investigação sobre seu envolvimento com a máfia dos combustíveis. Quatro dias antes, ele apresentou a mãe de Flávio Bolsonaro, Rogéria Bolsonaro, como sua suplente. Em fevereiro, o pré-candidato da extrema direita anunciou, em Brasília, o presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas (PL), como candidato a governador, numa chapa com Cláudio Castro e Márcio Canella na disputa pelo Senado.
Para completar o cenário, a Polícia Federal investiga se o presidente do partido de Flávio Bolsonaro, o PL, Valdemar Costa Neto, desviou R$ 119 milhões em emendas parlamentares. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão das emendas que teriam sido indicadas por ele irregularmente. O ex-deputado Eduardo Cunha também teve R$ 6 milhões bloqueados, acusado de atuar nos bastidores com mais influência do que deputados em exercício.
Valdemar é suspeito dos crimes de desvio de dinheiro e de associação criminosa. São pelo menos 21 emendas. A maioria já foi paga. A Polícia Federal pediu ao Supremo a suspensão dos pagamentos que ainda não foram feitos e o bloqueio de bens do presidente do PL no mesmo valor, para ressarcimento dos cofres públicos, caso a irregularidade seja confirmada.
O ministro Flávio Dino, relator de ações sobre o pagamento de emendas, autorizou as medidas. “O encaminhamento direcionava essas emendas alocando, falsamente, deputados federais como ‘solicitantes’ das indicações, a fim de conferir ares de legalidade às indicações formalizadas conforme diretrizes de um não parlamentar”, diz um trecho da sua decisão.
Há uma teia de ilícitos, falcatruas, corrupção, milícias, crime organizado e, no seu centro, reina o clã Bolsonaro, a extrema-direita. A célere sucessão de acontecimentos no Rio de Janeiro foi um castelo de cartas que se desmontou, deixando a nu, mais uma vez, a essência da candidatura de Flávio Bolsonaro e do bolsonarismo. Assim como a queda da máscara de patriota, após as suas vexatórias bajulações a Donald Trump em busca de ações contra o Brasil, sua pregação moralista está definitivamente desmascarada
Fica demonstrado que esses traidores da pátria se projetaram na vida política e fermentaram a força da extrema-direita por intermédio de métodos e ações ilícitas de toda espécie. Eles criaram um império da gambiarra para burlar as regras do Estado Democrático de Direito, inclusive com sua trama golpista, com a finalidade única de obter privilégios e poder.
Inclua-se a violência como método político, a exemplo da tentativa de golpe de Estado. Mas não só. Flávio Bolsonaro condecorou Adriano da Nóbrega na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro nos anos de 2003 e 2005. Nóbrega foi expulso da Polícia Militar e apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como líder do grupo de matadores de aluguel conhecido como “Escritório do Crime”, além de envolvimento com milícias.
Fica patente que uma figura que ostenta um currículo tão sinistro quanto esse não deve e não pode ser presidente do Brasil. Seria abrir às portas do Palácio do Planalto à delinquência e à traição ao país.
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Lula lidera 1º e 2º turnos e Flávio Bolsonaro tem maior rejeição https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/lula-avanca.html

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