17 outubro 2026

Editorial do 'Vermelho'

Fim da escala 6×1 é conquista histórica dos trabalhadores e do governo Lula

Pressão das ruas e a articulação de Lula derrotam sabotagens da extrema direita, aprovam redução da jornada e desmascaram oportunismo de Flávio Bolsonaro
Editorial do 'Vermelho' www.vermelho.org.br   



A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala 6×1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, consagra mais uma conquista histórica dos trabalhadores brasileiros.

Trata-se de uma antiga pauta dos trabalhadores, que agora avançou sob a força das grandes e numerosas mobilizações da juventude lideradas pela União Nacional dos Estudantes (UNE), da longa jornada de lutas das centrais sindicais e outros movimentos, e da ação política do presidente Lula, que levou o assunto ao centro das decisões do Congresso Nacional.

Ela proporciona mais dignidade e melhores condições sociais ao conjunto dos trabalhadores e do povo. É uma conquista de quem enfrenta jornadas exaustivas, dispõe de pouco tempo para a família e para o descanso, o lazer, o estudo e a convivência social.

Esse movimento, articulado à ação das bancadas progressistas e à decidida atitude do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de abraçar a causa e incorporá-la à agenda do governo, atuando para reunir as condições políticas à sua aprovação, teve papel decisivo para o êxito da proposta.

A interlocução do presidente com as centrais sindicais, a mobilização da base parlamentar e a articulação com as presidências da Câmara e do Senado e com diferentes segmentos parlamentares asseguraram a força necessária para derrotar a sabotagem do campo bolsonarista. Essas ações criaram o ambiente político que emparedou o bolsonarismo e seu candidato, Flávio Bolsonaro.

Ele, de mãos dadas com os grandes empresários, moveu céus e terra para que a proposta não fosse aprovada. O partido de Flávio, o PL, apresentou inclusive uma proposta alternativa de “livre negociação” que o presidente Lula chamou de “acordo leonino” por jogar os trabalhadores desarmados na jaula de seus oponentes, armados até os dentes para negar-lhes direitos. E agora, por puro oportunismo eleitoral, Flávio e demais senadores da extrema direita votaram a favor da PEC.

A decisão de última hora foi ditada pelo medo do povo, numa manobra casuística para que seus verdadeiros intentos não se revelassem de maneira escancarada. Jogaram para a plateia quando sentiram o peso da força popular ocupando posição central na campanha presidencial. Eles nada têm a ver com essa conquista, por estarem na outra margem da história do presidente Lula, desde sempre ligado às lutas dos trabalhadores e dos partidos políticos que defendem direitos, democracia e liberdade de organização para o povo.

Aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio de 2026, por ampla maioria, após intensa mobilização de trabalhadores e parlamentares, a PEC demorou para ser votada no Senado exatamente pela sabotagem do bolsonarismo. Em 2 de setembro, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), denunciou uma articulação bolsonarista para esvaziar o plenário e impedir a votação naquele dia, uma manobra comandada por Flávio Bolsonaro e pelo líder da oposição, Rogério Marinho.

O fato de Flávio Bolsonaro votar remotamente acrescenta um elemento simbólico ao episódio. Ele se ausentou do compromisso de defender seu cinismo publicamente e do enfrentamento no Senado com os óbvios questionamentos sobre essa repentina mudança de posição. Teria de expor o oportunismo de quem tentou vestir a roupa de defensor dos trabalhadores depois de todo o jogo sujo para sabotar a votação da PEC.

Já o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, um dos principais porta-vozes do partido de Flávio Bolsonaro, escancarou a manobra ao anunciar que, se a extrema direita vencer as eleições, apresentará, em 2027, o “acordo leonino” de Rogério Marinho, que, na prática, revogaria a conquista dessa PEC agora aprovada.

Seria, ademais, a retomada dos ataques dos governos do golpista e usurpador Michel Temer e do fascista Jair Bolsonaro — o primeiro com a famigerada “reforma trabalhista”, que ampliou a precarização das relações de trabalho e abriu caminho para a brutal e autoritária ofensiva contra a estrutura sindical, e o segundo com a perversa reforma da Previdência Social, igualmente desumana.

Essa constatação demarca bem os dois campos em disputa nas eleições presidenciais. Enquanto Flávio Bolsonaro representa toda a história de retirada de direitos, de repressão e violência contra os trabalhadores, Lula garante conquistas e indica que pretende, em seu quarto mandato, implementar uma “nova geração” de direitos. Entre eles, estão a reindustrialização do país em novas bases tecnológicas, gerando empregos de qualidade e, consequentemente, melhores salários, além do fortalecimento dos sindicatos, com ampliação da negociação coletiva e regulamentação das relações de trabalho.

A aprovação da PEC coroa a primeira etapa do segundo turno, marcada pelas grandes mobilizações da juventude organizadas pela UNE e pelo engajamento de militantes e apoiadores de Lula nas redes sociais. A sinergia entre ruas e redes criou uma grande onda que não para de crescer.

A campanha do presidente Lula superou quase toda a desvantagem do primeiro turno, e os números das pesquisas já indicam empate técnico. Flávio Bolsonaro cantou vitória antes da hora e, agora, diante da força da campanha de Lula, sua campanha toma decisões que soam como sinais de certo desespero (a exemplo do voto na PEC). Chefões bolsonaristas fazem cobranças contra o “corpo mole” de senadores e deputados.

Outra face da exasperação (leia-se medo da derrota) é a Ação de Investigação Judicial Eleitoral da campanha de Flávio Bolsonaro, protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a chapa de Lula e Geraldo Alckmin e 53 dirigentes sindicais, estudantis e de movimentos sociais, alegando que entidades estariam utilizando estruturas, recursos e canais institucionais. Essa investida para criminalizar as lideranças dos movimentos sociais tem um caráter intimidatório e é uma tentativa inútil de conter a voz da juventude e do povo nas ruas.

Entre as organizações mencionadas estão a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União da Juventude Socialista (UJS), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Força Sindical, a União Geral dos Trabalhadores (UGT), a Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), a Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) e a Central de Movimentos Populares (CMP).

Por óbvio, a máquina bolsonarista será tensionada, a mídia monopolista tenderá a exacerbar sua parcialidade em favor da extrema direita, e as big techs intensificarão ações para favorecê-la, somando-se a outras investidas “invisíveis” do imperialismo. A Meta, por exemplo, acumula evidências e fatos que apontam para uma atuação em favor de Flávio Bolsonaro, já denunciada no TSE.

A campanha de Lula entra na reta final em ascensão e disputando, cabeça a cabeça, a vitória em 25 de outubro. Impulsionada pelo fim da escala 6×1, é preciso elevar a intensidade e o volume das ações pela disputa do voto.

Nesta etapa, quatro missões se destacam. A primeira: nas horas imediatas que se seguem, é preciso disseminar ao máximo o real significado da grande conquista do fim da escala 6×1. Dizer, às claras, que a nova escala 5×2, para perdurar, depende da vitória do presidente Lula, uma espécie de terceira votação. A segunda é reduzir a abstenção: o não comparecimento às urnas favorece a extrema direita. Pelas pesquisas, Lula tem vantagem entre os que se abstiveram.

A terceira é alertar o povo para a certeza trágica de que a vitória do bolsonarismo resultará em perdas de direitos nas esferas da educação, do Sistema Único de Saúde (SUS), da moradia popular, do aumento real do salário mínimo, das aposentadorias e dos benefícios, além do aumento da violência pela ação das milícias etc. A quarta missão é desmascarar Flávio Bolsonaro e revelar a verdade sobre ele: traidor da pátria, golpista, inimigo do povo, investigado por corrupção, “irmão” de Vorcaro, vinculado às milícias, desqualificado para governar.

Milhões, de um modo ou de outro, abraçaram a campanha de Lula. Entre eles, destaca-se a juventude, força motriz da vitória que vem sendo construída. Essa adesão do povo precisa crescer, impulsionada pelo trabalho da militância, pela eficácia das redes sociais e pela articulação da comunicação em todas as suas frentes. Personalidades da sociedade civil expressam apoio a Lula. É necessário que nenhum democrata se omita.

A vitória está no horizonte e não pode escapar das mãos da nação e da classe trabalhadora, dos democratas e patriotas. E, para tal, nenhum minuto de descanso: cada voto será decisivo.

Duas coisas da campanha de agora https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0613695841.html 

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