Quando o Poder
Judiciário se recusa a ser banana
Enio Lins
DUDU
BANANINHA, marginal milionário homiziado nos Estados Unidos,
foi condenado a uma pena de quatro anos e dois meses de prisão por tentar
sabotar o julgamento do derrotado golpe de Estado em 2023, e ficará inelegível
por 12 anos, sem poder ser votado até 2038. O meliante não foi julgado ainda
pelas ações de traição nacional feitas junto ao governo dos Estados Unidos, e
que provocaram tremendos prejuízos à economia brasileira com a imposição de
taxas pela administração Trump.
APESAR DE MODERADAS, essas penalidades são um alento para a Democracia, pois
sinalizam às milícias golpistas que tentativas de golpes de Estado deixaram de
ter a cumplicidade da Justiça. Ao longo de toda história brasileira, a
impunidade era uma garantia para qualquer poderoso que quisesse tentar destruir
o sistema democrático vigente. Sistema que nunca foi perfeito, mas os
reacionários sempre procuraram eliminar todas as chances de evolução e
consolidação do Estado Democrático de Direito. Com os julgamentos dos
criminosos que se expuseram à luz do dia em 8 de janeiro de 2023, está em curso
a mais importante mudança de atitude – constitucional – no Poder Judiciário
brasileiro desde seus primórdios. Assim, são de enorme importância as
penalidades impostas ao fugitivo Dudu.
ALIMENTADO A
PÃO-DE-LÓ numa mansão americana, o condenado desdenhou do processo
desde antes, inclusive não nomeando advogado de defesa, posição que teve de ser
ocupada por um defensor público pago com recursos públicos. Como publicou o
jornal carioca Extra, “com bens e contas bloqueados pela Justiça e no meio de
uma polêmica sobre um expressivo montante de dinheiro entregue a ele,
proveniente de contas atribuídas a Daniel Vorcaro para um suposto financiamento
do filme ‘Dark Horse’, sobre o pai, Jair, Eduardo Bolsonaro, não pode se
queixar da vida que leva nos Estados Unidos. O ex-deputado federal e escrivão
afastado da Polícia Federal vive numa mansão em Southlake, no Texas, numa vila
de imóveis bem parecidos, com aqueles jardins bem-cuidados e sem muro que se vê
nos filmes”.
VIVER COMO UM MARAJÁ sem dispor de fontes de recursos identificáveis é evidência
de financiamento escuso. Isso é óbvio. E se essa vida luxuosa, de inexplicável
fartura, for no exterior, aumentam as suspeitas de dinheiro movimentado pelo
crime organizado internacional, pois circular cotidianamente grandes somas sem
deixar rastro é coisa para profissionais. Mas não apenas Little Banana curte
existência de parasita rico em território americano, sem dar um dia de serviço
para ninguém, nem ser herdeiro de algum milionário. Três dos mais conhecidos
integrantes dessa lista de privilegiados fora-da-lei acolhidos pelos Estados
Unidos, são cúmplices de Dudu e figurinhas carimbadas: o deputado cassado
Alexandre Ramagem (mais recente “refugiado”), o blogueiro Allan dos Santos, e
um neto do último ditador brasileiro, chamado Paulo Figueiredo.
CONFRONTAR A
JUSTIÇA, entretanto, segue sendo um mantra dos golpistas.
Assim que foi anunciada a condenação de Dudu, o PL (Partido Liberal) divulgou –
segundo a jornalista Camila Bezerra, no site Jornal GGN – que pretende manter a
candidatura do apenado como suplente de senador por São Paulo: “Segundo
integrantes do partido, a intenção é sustentar a candidatura pelo maior tempo
possível, ainda que a tendência seja de que a Justiça Eleitoral a barre em
decorrência da condenação”. Essa turma não consegue aceitar que a
impunibilidade não mais lhes cobre os malfeitos, e se esmera em defender o
retorno da criminalidade sem ônus como se isso lhes fosse um direito
inalienável. É hora, portanto, do Ministério Público e do Poder Judiciário manterem
a firmeza do cumprimento da Lei, e dar sequência às investigações ainda em
curso, encaminhando exemplarmente os muitos processos pendentes. Eles merecem.
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