Fácil vitória contra o
Haiti
Brasil usou novo esquema tático na segunda
partida na Copa. Ancelotti já disse que a seleção não tem uma só identidade
Tostão/Folha
de S. Paulo
A seleção
iniciou o jogo contra o Haiti com uma nova formação tática,
com um trio no meio-campo (Casemiro pelo centro, Bruno Guimarães pela direita e
Paquetá pela esquerda), dois atacantes (Raphinha e Vini Jr), além de Matheus
Cunha centralizado, entre o meio-campo e os dois atacantes.
Vini pela
esquerda e Raphinha pela direita entravam em diagonal e recebiam a bola entre o
zagueiro e o lateral ou nas costas dos defensores bastantes adiantados. Assim
saíram os três gols. E a seleção poderia ter feito outros, facilitada pela
fragilidade do adversário.
Vini, mais uma
vez, foi brilhante. No segundo tempo, com a vitória garantida, a equipe
relaxou, mas mesmo assim criou mais umas três chances claras de gol. Entraram
vários jogadores e com isso mudou a maneira de jogar do time brasileiro.
A formação
tática foi a ideal para esse jogo. Provavelmente, Ancelotti viu as partidas do
Haiti e organizou a equipe de acordo com o momento. Em outras situações, ele
deverá mudar a escalação e a estratégia.
Essa
flexibilidade é um dos pontos positivos da carreira do técnico. Ele já disse
que a seleção não tem uma só identidade. Baseado nisso, contra os mais fortes
adversários penso que a melhor estrutura tática seria recuar um pouco a
marcação para contra-atacar e aproveitar a velocidade dos atacantes brasileiros
e os espaços aumentados na defesa do outro time.
O craque minimalista
Após a primeira rodada, a Argentina foi o time mais regular durante toda a
partida, repetindo a estrutura tática e quase a mesma escalação do time campeão
em 2022.
Messi atua livre, sem
precisar marcar, entre o trio de meio-campistas e o centroavante. Ele continua
preciso, conciso, minimalista. Bastam poucos movimentos para clarear e definir
as jogadas com belas e eficientes finalizações.
A Inglaterra,
como a Argentina, foi um time organizado e eficiente. Não tem um Messi, mas
possui um craque plural, Kane, ótimo no ataque, no meio-campo e até na marcação.
Thomas Tuchel é um treinador que define a estratégia para depois escolher os
jogadores. Prefiro o contrário, organizar a formação tática de acordo com a
qualidade e características dos jogadores.
A França
contra Senegal jogou muito mal o primeiro tempo e brilhantemente o segundo, com
belíssimos lances dos atacantes. Mbappé une muita velocidade, habilidade e
técnica, um craque explosivo.
Espanha e
Portugal decepcionaram pelo mesmo motivo. Faltaram qualidade individual e
coletiva aos dois ataques para ultrapassar as retrancas adversárias.
Muitas coisas vão mudar durante a Copa. O futebol é muito complexo, nós é que
tentamos simplificá-lo com nossas racionalizações e pretensiosas sabedorias.
Brasil 70
Nas minhas
caminhadas diárias, para fortalecer o corpo e a alma, um leitor perguntou se é
verdade que, durante a Copa de 1970, eu lia Machado de
Assis e me preparava para o vestibular, como mostrou o filme da
Netflix "A Saga do Tri".
Eu lia Machado de
Assis, o Shakespeare brasileiro, mas não é verdade que estudava para
o vestibular, pois queria jogar futebol por muito tempo.
Alguns anos
depois, tive que parar de jogar por orientação médica, fiz vestibular e me
tornei médico e professor de medicina. Após uns 20 anos, voltei ao futebol,
como comentarista e colunista, onde estou nos últimos 20 anos.
Tive várias
vidas. Gosto de todas. A vida pulsa.
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