Sem IA, por favor
Luciano Siqueira
Não sou saudosista, na acepção precisa do termo; apenas preservo a boa memória de fatos e gentes que de alguma forma me emocionaram e contribuíram para minha trajetória de vida.
Pegar a estrada dirigindo o próprio veículo apenas com o destino final em mente, aberto a paradas várias conforme o interesse despertado por ambientes, pessoas, coisas e animais sempre foi meu programa de férias predileto.
Álbuns de fotografia acumulados numa das estantes em nossa biblioteca aqui em casa preservam a memória de momentos assim. Também arquivos digitais conservados na nuvem.
Outro dia encontrei inclusive um exemplar do Guia Quatro Rodas, que nem sei se ainda existe.
Daí a minha resistência a assimilar o que leio agora nos jornais: a possibilidade de escolher mediante a IA, dentre tantas praias paradisíacas do litoral brasileiro, qual a mais bonita e menos poluída.
Uma espécie de ruído que fere o prazer alimentado ao longo da vida de me aventurar por praias diversas predisposto ao encanto ou à frustração — tudo no melhor "espírito de férias", como costuma dizer velho amigo sergipano.
Pelo visto, a ferramenta de IA nos entrega a escolha feita e nos tira o prazer da dúvida.
Com todo respeito ao progresso científico e à fabulosa e incessante evolução da tecnologia digital, dispenso os préstimos da IA nesse tipo de escolha.
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Leia também: "Amor e ódio ao smartphone" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/09/minha-opiniao_21.html

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