27 junho 2026

Minha palavra

Subir no vaso para quê?
Luciano Siqueira 

Um hábito desde a adolescência: prestar atenção aos avisos afixados nas paredes dos sanitários públicos. Prédios administrativos, restaurantes, supermercados e quejandos.

Não aquelas inscrições feitas à mão com pincel atômico ou giz, em geral pornográficas. Essas não têm graça, pois se repetem ao longo de décadas!

Olho as, digamos, oficiais: devidamente postas pela administração. Incrível, contêm respingos de cultura.

Em Portugal, por exemplo: "favor colocar o papel higiênico usado no vaso sanitário".

No Brasil, como bem sabemos, é o contrário: "favor NÃO colocar papel higiênico usado no vaso sanitário, use o cesto".

Lá o sistema de esgotos funciona, aqui não.

Há apelos tão veementes quanto contraditórios: "mantenha o sanitário limpo, pois você poderá utilizá-lo novamente", mas invariavelmente o tal sanitário, naquela rede de supermercados, está sempre imundo. Clientes sujam e a manutenção é falha.

Há os prolixos: "em prol da higiene do ambiente, solicitamos aos caros usuários jogarem o papel no cesto e darem descarga ao saírem". A gente gasta tanto tempo na leitura que até dá vontade de fazer o contrário!

Numa grande loja de utilidades, o apelo: "favor não subir no vaso sanitário".

Subir pra quê?

Para evitar que usuário, quem sabe, que o abelhudo espione o que anda fazendo o usuário do vaso ao lado?

E do alto das minhas sete décadas de vida constato que sei muito pouco dos hábitos humanos quando resolvem suas necessidades mais íntimas...

O melhor aviso? Sem dúvida o de uma rede de hortifrútis no Recife: ‘É proibido ter maus pensamentos”.

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Intolerável vício de linguagem https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/07/minha-opiniao_29.html   

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