Onde Trump não deve se meter
Luciano Siqueira
Se já está ruim, mexer demais pior fica. É o que ocorre em relação à
especulada (e reivindicada pelos bolsonaristas) intervenção de Donald Trump nas
eleições brasileiras.
O candidato ungido pelo pai presidiário ex-presidente, senador Flávio
Bolsonaro (PL), não une a extrema direita nem segmentos do centro conservador
que se opõem a Lula. E suscita todo tipo de desconfiança, especialmente quanto
ao provável desempenho eleitoral abaixo do desejado. Um imenso telhado de
vidro.
Nessas circunstâncias, qualquer interferência de Donald Trump poderia, paradoxalmente,
beneficiar o presidente Lula. A defesa da soberania nacional a um só tempo
esclarece, emociona e mobiliza.
Demais, a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros adotada por
Trump (que os bolsonaristas assumem como reivindicação apresentada ao
presidente dos Estados Unidos), prejudica a economia, afetando diretamente as exportações
e a oferta de empregos.
Ambiente assim polarizado oferece diminuta margem a outras candidaturas
Também favoreceria a ampliação da frente democrática que respalda a
candidatura do presidente Lula, como já ocorreu em outras ocasiões.
[Ilustração: imagem gerada por IA]
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Leia também “O Partido Digital Bolsonarista: síntese analítica, por Luís Nassif” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/por-fora-das-instituicoes.html

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