No São João não sou ex*
Luciano Siqueira
Encontro casualmente o amigo que não vejo há anos:
— E aí doutor Luciano, pronto para dançar muito forró?
— Nada...
— Então é um ex-forrozeiro?
Na verdade, a essa altura do campeonato, a idade avançada, sou ex muita coisa —
artesão, médico, deputado, vereador, vice-prefeito, presidente do PCdoB —, mas
ex-forrozeiro, não.
Creio que por duas razões, digamos, viscerais. Não sou dado a dançar e sofro
com incômoda alergia à fumaça das fogueiras. Durante toda a festa lacrimejo e
espirro, continuamente.
O fato que estarei no animadíssimo forró familiar, disciplinadamente.
Só isso.
No máximo tomarei umas boas lapadas de cachaça ou uísque e farei fotos da
festança.
E confesso que se me jogasse pra valer na festa deixaria de lado essas
quadrilhas estilizadas, hoje lamentavelmente majoritárias em toda parte.
A quadrilha típica, tradicional, cede espaço para essa que parece muito
influenciada pelo country norte-americano — e que em nada combina com pamonha,
canjica, bolo de milho, pé de moleque e quejandos.
Prefiro cantarolar (lembrando a voz de Silvio Caldas) "é noite de Sáo
João/o meu balão vou soltar/balão que fiz com as cartas/daquela que não me quis
amar..."
*Essa crônica é reprise aqui no blog
[Ilustração: Alfredo Volpi]
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Leia também: São João repleto de foguetes no ar e fogueiras na terra https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/06/enio-lins-opina_24.html

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