Quando a
censura aponta para um perigo ainda maior
Enio Lins
MAS NÃO É QUE um ministro (Nunes, nomeado por Jair), atualmente na
presidência do Tribunal Superior Eleitoral, suspendeu a divulgação dos
resultados de uma pesquisa AtlasIntel que apontou o desabamento das intenções
de voto para o filho do Jair? Os dados da pesquisa são sobejamente conhecidos
desde 19 de maio. Devidamente registrada, a enquete ouviu 5.032 eleitores e
eleitoras entre 13 e 18 de maio, com o fito anunciado – óbvio – de aferir o
impacto da negociata gravada entre o banqueiro-presidiário Vorcaro e Flavito, o
candidato-filho do presidiário Jair. Nada mais acertado que proceder a medição
dos efeitos daquele torpedo no sentimento do eleitorado.
DURANTE 21 DIAS, os resultados dessa pesquisa – legal e legítima – foram
divulgados, pois existia permissão judicial para isso, posto todos os ritos
exigidos pela lei terem sido cumpridos. Os questionários comprovaram o previsto
pelo bom senso: um baque da peste na candidatura de Flávio B. Apontaram também
para um provável melhor desempenho no segundo turno de qualquer outro nome,
dentre as inexpressividades bolsonaristas, do que o filhinho de papai
presidiário. Como toda pesquisa, descortina apenas o momento no qual foi
aplicada, e a queda de Flavito pode ter sido eventual, e a comparação com as
futuras enquetes identificará se a rejeição à corrupção bolsonarista-Master foi
efêmera. Uma sondagem natural e lídima.
FOI UM TIRO NO
PRÓPRIO PÉ disparado pelo ministro nomeado por Bolsonaro.
Tiro duplo. Autotiro 1: A decisão do ministro nomeado por Bolsonaro em censurar
a quase-velha pesquisa chamou mais atenção sobre os resultados e sobre quanto
incomodaram ao bolsonarismo, provocando uma enxurrada de replicações dos dados
cuja divulgação esmaecia depois de 21 dias de abordagens. Autotiro 2: a decisão
do ministro nomeado por Bolsonaro expõe escandalosamente o magistrado e seus
próximos, escancarando as portas da corte, de banda a banda, para a
visualização de movimentos internos no TSE cuja máxima discrição seria o ideal
para os bolsonaristas.
VÊ-SE, COM NITIDEZ, pelo noticiário em todas os formatos de mídia, que o atual
presidente do TSE, um ministro do STF nomeado por Bolsonaro, trouxe o outro
ministro do STF nomeado por Bolsonaro (Mendonça), também integrando o Tribunal
Superior Eleitoral, para fazer dupla num colegiado de três que julgará uma
questão crucial: a propaganda eleitoral! Dois ministros identificados como
terrivelmente bolsonaristas num fórum de três é de lascar. As lupas focam
também no fato, quase despercebido, que duas outras ações, movidas contra o
galopar de Flavito B em torno do filme-crime Dark Horse, foram parar na mesa de
um mesmo ministro indicado por Bolsonaro (matéria no site https://valor.globo.com/).
Enxerga-se ainda mais – através de reportagem na direitista revista
Oeste, dentre outros veículos destros – que o indicado por
Bolsonaro teria nomeado uma juíza, apontada como namorada de um ministro
indicado por Lula (Toffoli), para um cargo comissionado especialmente criado no
TSE nessa gestão Nunes-Mendonça, induzindo – a Oeste e outras mídias de direita
– com esse gesto a suspeição de cooptação da autoridade indicada pelo petista
(em 2009) para decisões em 2026. Valei-nos Padim Pade Ciço!
NÃO É JUSTO ANTECIPAR julgamentos. A conduta geral – e não um fato isolado –
dos magistrados indicados pelo presidiário Jair é o que vai balizar as
avaliações sobre a atuação deles no Tribunal Superior Eleitoral. A coisa não
começa bem, é verdade, mas teremos muito chão (quente) pela frente, inclusive
várias pesquisas próximas. Toda vigilância será pouca, como já se percebe.
Vamos adiante, como dizia o slogan do saudoso Marcos Freire na campanha
vitoriosa ao Senado por Pernambuco, em 1974: sem ódio e sem medo.
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Por que os Estados Unidos querem atingir o Pix? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/trump-contra-o-pix.html

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