Sauna? Estou fora
Luciano
Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
O velho amigo Epaminondas já me criticou mais de uma vez pelo o que ele considera incoerência minha rejeitar conselhos e hipotéticas “descobertas” científicas destinadas a melhorar a vida do cidadão no cotidiano e ao mesmo tempo escrever ironicamente sobre elas.
Faz sentido.
Entretanto, como leio os jornais e sites noticiosos diariamente, natural
que a minha atenção seja despertada, ainda que por alguns segundos, para
manchetes e lides redigidos precisamente para atrair o leitor.
Pois a minha "incoerência" se repete ao perceber o destaque do
Estadão para a prática milenar da sauna: "Descubra como as saunas, usadas
há séculos, podem contribuir para o relaxamento, sono e saúde cardiovascular;
entenda ainda as contraindicações".
Não li o texto completo porque não tinha tempo nem interesse.
Mas minutos depois, dirigindo o carro até a loja de utilidades onde fui
em busca da resistência de um dos chuveiros daqui de casa, que se queimou, não
resisti a especular sobre o banho morno, predileto aqui em casa, e as tais
saunas.
Imaginei me vendo coberto apenas com uma toalha em ambiente tomado por
um vapor, se não muito quente, pelo menos morno.
Por quanto tempo? Qual a temperatura ideal? Como conciliar a preferência
de mais de um frequentador (tão comum em cenas vistas em filmes)?
Já as contraindicações mencionadas na matéria, mesmo ignorando-as,
consola-me imaginar uma hipotética convergência entre o meu preconceito e uma
oportuna proibição, quem sabe do meu cardiologista.
Resistências pessoais eu carrego ao longo dessas quase completas sete
décadas de vida.
Outra: frequentar academia para exercícios aeróbicos e de musculação.
Simplesmente não me vejo nelas e compenso o preconceito com o prazer da
caminhada.
Afinal, caminhar também é um exercício aeróbico, ou não? Meus médicos
dizem que sim.
O fato é que chego ao final da vida, ou mais ou menos próximo, sem
jamais ter entrado numa sauna.
Se eu merecesse um troféu por essa "proeza", seria por cautela
e ou preconceito? Pegaria melhor a primeira alternativa. Ou não?
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