11 fevereiro 2026

Lula & o salário mínimo

Sem reajustes de Lula, salário mínimo valeria quase metade do atual
Ato celebra 90 anos do salário mínimo e destaca que a política de ganhos reais é a maior ferramenta de distribuição de renda e dignidade do país
Davi Molinari/Vermelho  

O ministro do Trabalho e Emprego (MTE), Luiz Marinho, apresentou um dado impactante sobre o que seria do país sem a intervenção do Estado na economia: “Se não fosse a política de valorização implementada nas gestões do presidente Lula, com aumentos acima da inflação, o valor do piso nacional hoje seria de apenas R$ 852,00”, afirmou Marinho.

O alerta foi feito em um evento de comemoração aos 90 anos do salário mínimo e aos 20 anos da Política de Valorização dos governos Lula, na sede do MTE, em Brasília, nesta terça-feira (10), onde foi lançado o livro Salário Mínimo no Brasil: 90 anos de Histórias, Lutas e Transformações, produzido em parceria com o Dieese.

Marinho enfatizou que o salário mínimo é um “símbolo de dignidade e distribuição de renda”, mas ressaltou que avançar nessa pauta exige enfrentar resistências históricas. “Toda política de distribuição de renda enfrenta reações negativas, com argumentos de que pode gerar desemprego e afetar a economia. Foi assim também quando Getúlio Vargas instituiu o salário mínimo”, relembrou.

Leia mais: Lula defende valorização contínua do salário mínimo nos 90 anos de sua criação

O ministro também demonstrou preocupação com as novas formas de precarização do trabalho. Segundo ele, embora o MEI (Microempreendedor Individual) tenha seu papel, não pode servir de fachada para fraudar relações trabalhistas. Marinho defendeu a urgência da regulamentação do trabalho por aplicativos no Congresso. “O trabalhador não é um algoritmo”, pontuou.

O motor da economia real

O impacto do salário mínimo na estrutura social do Brasil é profundo e abrange diversos setores. A legislação atinge mais de 63 milhões de brasileiros que dependem do piso (entre trabalhadores da ativa, aposentados e beneficiários do BPC). O Dieese estima uma injeção de R$ 120 bilhões na economia nacional, em 2025, quando o piso estava em R$ 1.582,00. Com o valor atual de R$ 1.621,00, o mínimo deve injetar R$ 135 bilhões na economia, em 2026.

A visão de que o salário mínimo beneficia toda a sociedade foi reforçada por Antonio Fernandes dos Santos Neto, presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB). Ele lembrou que o trabalhador que recebe o piso não especula no mercado financeiro; ele consome no comércio local, fazendo a roda da economia girar.

Esse impacto é sentido diretamente no prato dos brasileiros. A trabalhadora Vânia Rodrigues de Souza, presente no evento, testemunhou a mudança: “O aumento acima da inflação garante mais dignidade. Assim, conseguimos ter uma mesa mais farta de alimentos”.

Para Sônia Zerino, presidenta da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), “Celebrar os 90 anos do salário mínimo é reafirmar a importância da luta sindical na construção de direitos e na valorização do trabalho. Essa história mostra que nenhuma conquista veio sem organização, diálogo e mobilização da classe trabalhadora”.

Retomada após o retrocesso

Instituído por Getúlio Vargas em 1936, o salário mínimo sofreu duros golpes durante a ditadura militar (perda de 57% do valor real) e, mais recentemente, entre 2019 e 2022, quando a política de valorização foi descontinuada. Por isso, para Marinho, o cenário atual ainda exige vigilância.

A retomada da política em 2023, que garante a recomposição da inflação somada ao crescimento do PIB, marca o retorno do Estado ao seu papel de garantidor de bem-estar. O valor do mínimo conseguia comprar, em janeiro de 2025, 1,79 cestas básicas em São Paulo, um avanço significativo, mas que o governo reconhece: “ainda está distante do ideal constitucional”.

Desemprego atinge menor patamar no Brasil https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/boa-noticia_30.html

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