20 outubro 2026

Palavra de poeta

Língua ferina
Andréia Carvalho Gavita       

os leões rugem
e me mergulho
na órbita daquele aviso

não entrarás
rugidos partem meu escafandro
e me sufoco
no sumo daquela euforia

e me debato
nos átomos de carbono

não acidificarás

e me respiro
entrando

sou um leão alado
no dorso
pelo cio de archotes
lança chama,
a cabeleira neutra

imersa no voo que me ruge
escrevo
uma vírgula
insurreta

pendente da boca do felino

[Iustração: Sofia Sant'Ana]

Leia também "Sou meu hóspede", poema de Mario Benedetti https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/palavra-de-poeta.html 

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