Língua ferina
Andréia Carvalho Gavita
os leões rugem
e me mergulho
na órbita daquele aviso
não entrarás
rugidos partem meu escafandro
e me sufoco
no sumo daquela euforia
e me debato
nos átomos de carbono
não acidificarás
e me respiro
entrando
sou um leão alado
no dorso
pelo cio de archotes
lança chama,
a cabeleira neutra
imersa no voo que me ruge
escrevo
uma vírgula
insurreta
pendente da boca do felino
[Iustração: Sofia Sant'Ana]
Leia também "Sou meu hóspede", poema de Mario Benedetti https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/palavra-de-poeta.html

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