26 julho 2026

Minha opinião

Tendências favoráveis

Luciano Siqueira 


Pesquisas eleitorais apenas revelam tendências, que poderão se confirmar ou não. Sobretudo realizadas antes da campanha.

Entretanto, são um dado politico relevante.

A última pesquisa Datafolha revela que Lula lidera a disputa contra Flávio Bolsonaro tanto no primeiro quanto no segundo turno.

Num hipotético primeiro turno, o presidente aparece com 40% das intenções de voto contra 32% do senador do PL.

Em uma eventual disputa de segundo turno, Lula soma 48% da preferência do eleitorado, enquanto Flávio registra 43%.

Outro fator a considerar: no curso da campanha, prestes a se iniciar, Lula certamente se beneficiará dos êxitos do governo e da consistência da ampla frente política e social que o apoia.

Flavio Bolsonaro patina em escorregadio ambiente de dispersão da extrema direita e também do centro conservador.

Sem discurso convincente.

Mais: debaixo de um imenso telhado de vidro, vai à luta sob condições de muita vulnerabilidade.

"Toda sugestão vale a pena" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0217269134.html 

Palavra de poeta

Soneto da separação
Vinícius de Moraes      

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

[Ilustração: Almeida Júnior]

Leia também: “Vivos, lúcidos e ativos" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/04/minha-opiniao_18.html 

Uma crônica de Urariano Mota

Para um encontro de amigos
Eu sempre disse que não queria desfrutar o céu sozinho. Que eu sempre gostaria de levar comigo, para o céu, os amigos. Mas, o sentido mudou
Urariano Mota/Vermelho 

No sábado 25 de julho, os amigos de Hugo Cortez estaremos juntos para lembrar a sua querida presença entre nós. Como espero que estas linhas sejam lidas até depois desse sábado, corrijo: sempre estivemos com Hugo e continuamos juntos, agora na memória.

A oportuna sugestão desse encontro veio de Luciano Siqueira, que foi vice-prefeito do Recife em dois mandatos. É uma pena deixar de informar aqui o local e a hora, porque os inimigos da democracia podem querer estragar a nossa fraternidade.


Os manuais de jornalismo mandam que a notícia informe os 5 Ws: Who (quem), What (o quê), Where (onde, When (quando) e Why (por que).

Mas estas linhas não conseguem ser bem uma notícia. Tento explicar por quê. Perdoem, por favor, a autocitação, mas sinto que ela é necessária. Em 22 de março de 2024, esbocei esta homenagem:

“Se há um traço que define a pessoa de Hugo Cortez é a generosidade. É inesquecível para mim que num fim de ano, ele já doente e a falar com dificuldade, me deu de presente o volume da Poesia completa e Prosa de Joaquim Cardozo. Ele sabia que o bem seria precioso para mim, e que eu não estava tão bem de dinheiro para me dar tal preciosidade. Estou com o volume diante de mim, do qual não li tudo, e fastioso escolhi raros e belos poemas.

Hugo Cortez é filiado ao Partido Comunista do Brasil desde 1985. Mas eu o conheci na época de Ação Popular. Ele morava no Pina, em um prédio antigo e de paredes espessas, sem elevador. Eu morava perto, mas em Brasília Teimosa, que muitos diziam ser favela, mas que para mim era um lugar para estar ao lado do povo, naquele ideal de Ação Popular. Ali eu estava no entanto deslocado, porque era leitor de Proust, Joyce e Lukács, amante de música popular brasileira e de jazz. E só bebia cachaça com os pescadores, escondendo o que eu conhecia do mundo lá fora.

Então, nos sábados à tarde, eu subia, talvez fugisse para o apartamento de Hugo, onde os pais dele nos suportavam a ouvir os discos de jazz na sala. Alto. Mas como era bom o alimento do espírito regado a doses de uísque ótimo, que seu Nelson, pai de Hugo, guardava para as visitas. Percebem? Eu era um imortal naquele sentido do Barão de Itararé, pois não tinha onde cair morto. Mas Hugo me recebia como um ilustre a me dar lições de músicos que eu não podia ouvir nem sabia da existência. E com uísque e queijos finos até as sombras da noite. Acontecimentos assim, generosidade de tal altura, nunca esquecemos”. 

Agora, penso que se conseguirmos um encontro ideal no sábado, depois poderemos caminhar pelo Recife, o lugar mais materno que pátrio. Então poderemos percorrer, habitar mais uma vez o Pátio de São Pedro, revê-lo como o lugar de fundamentais encontros nas páginas de “Soledad no Recife” e “A mais longa duração da juventude”. Como escritor, não devo chorar. Mas posso dizer que o Recife, tanto quanto Roma, é uma cidade aberta.

Neste momento, sinto que a morte dá uma dimensão à pessoa que antes não tínhamos. Não é bem aquilo que o povo diz: “Quer virar santo? Morra!”. O povo tem muita razão, mas o que observo para a fraternidade não é um elogio seletivo e hipócrita. É coisa mais séria. A marca de uma pessoa em nossas vidas cresce com a sua ausência, com aviso e sem aviso, mas sempre repentina.

Eu sempre disse que não queria desfrutar o céu sozinho. Que eu sempre gostaria de levar comigo, para o céu, os amigos. O sentido era o da felicidade na terra. Mas agora, com o cerco implacável da idade, não desejo mais o céu para os amigos. O sentido mudou. Então eu quero um reencontro em vida, com vida, pela vida, vale dizer: também pela memória.

Se comentar, identifique-se. https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/06/participe.html

Leia também Urariano Mota, "A vitória contra os nazistas" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/urariano-mota-opina.html 

Fotografia

 


Luciano Siqueira

Cidadania de onde? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/de-evora-ao-imenso-brasil.html 

Brasil Soberano 3

Governo Lula lança Brasil Soberano 3 contra novo tarifaço de Trump
Com R$ 18,5 bilhões, plano protege empresas e empregos diante das sobretaxas americanas. Crédito atende indústria, agronegócio e mineração
Davi Dmolir/Vermelho   

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quarta-feira (22) o Plano Brasil Soberano 3, editado por Medida Provisória, com aporte de R$ 18,5 bilhões em crédito e apoio a empresas brasileiras afetadas pelo novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos e por instabilidades geopolíticas internacionais. O anúncio ocorreu no Palácio do Planalto no mesmo dia em que entrou em vigor a sobretaxa de 25% determinada pelo governo estadunidense sobre parte das exportações nacionais.

Do montante total liberado, R$ 13,5 bilhões são provenientes do Tesouro Nacional, compostos por recursos não utilizados de linhas anteriores, enquanto os R$ 5 bilhões restantes derivam de fundos próprios do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os valores serão distribuídos por um comitê interministerial de forma customizada, avaliando o impacto financeiro específico sofrido por cada setor da economia.

A nova etapa amplia significativamente o alcance do programa. Além da indústria de transformação, passam a ser contemplados exportadores do agronegócio, incluindo agricultura, pecuária, pesca, aquicultura e florestas plantadas, bem como cooperativas, associações, mineração e o setor de fertilizantes. Este último é considerado estratégico para a segurança produtiva do país. Os recursos disponibilizados poderão ser utilizados pelas empresas para capital de giro, aquisição de bens de capital, investimentos produtivos, inovação, adaptação de processos e prospecção de novos mercados globais.

Respostas sob medida

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou todas as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos como injustas e injustificadas. Segundo ele, o governo federal está estruturando respostas sob medida e rigorosamente proporcionais às necessidades de cada cadeia produtiva afetada, buscando evitar a desindustrialização.

Na mesma linha, o vice-presidente Geraldo Alckmin, ressaltou que o Brasil agiu rápido para minimizar os efeitos do tarifaço. Alckmin informou que o plano cria um seguro-garantia específico voltado para micro e pequenas empresas, elo mais vulnerável da cadeia. O vice-presidente também enfatizou os resultados positivos da diversificação comercial brasileira, citando que o recente acordo entre Mercosul e União Europeia já elevou as exportações do país em US$ 2 bilhões apenas nos primeiros sessenta dias de vigência.

Para o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a segunda fase do Brasil Soberano foi de absoluto sucesso e serviu de base para a atual formulação. Ele avalia que o montante de R$ 18,5 bilhões disponibilizado agora é suficiente para atender integralmente todos os setores atingidos pelas medidas tarifárias americanas.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços,  Márcio Elias Rosa reforçou a orientação central do presidente Lula diante da crise diplomática e comercial, que é manter o diálogo aberto e negociar constantemente. Ele destacou que 73% das 2.400 empresas que hoje exportam para os Estados Unidos já acessam outros mercados internacionais, um caminho de diversificação que o governo considera sem volta e fundamental para a blindagem da economia.

Histórico do programa

O programa Brasil Soberano foi instituído originalmente em agosto de 2025 como uma resposta imediata ao primeiro tarifaço estadunidense, que aplicou taxas abusivas de até 50% sobre produtos nacionais. A primeira fase utilizou R$ 19,5 bilhões para mitigar os danos ao parque fabril. A segunda etapa, lançada em março de 2026, mobilizou R$ 15 bilhões e ampliou o escopo para atender também empresas impactadas pelo prolongamento do conflito no Oriente Médio. A terceira fase, anunciada nesta quarta-feira (22), consolida a estratégia estatal de proteger a capacidade produtiva nacional e os empregos diante de medidas unilaterais estrangeiras.

‘Ninguém vai ganhar do Brasil mentindo’

Durante a cerimônia no Planalto, o presidente Lula ressaltou que momentos de crise geopolítica exigem coragem para buscar novas rotas comerciais e fortalecer a presença internacional do país. “Há males que vêm para o bem. Toda vez que tem uma crise, a sociedade sempre encontra um jeito de sair mais forte. Na economia, ao invés de chorar a crise, é preciso encontrar saídas”, afirmou.

Lula apontou que o Brasil Soberano 3 demonstra a resiliência da economia nacional. “Não há crise que impeça o Brasil de seguir crescendo. Mesmo com a decisão abrupta do governo americano, a gente tem condição de sair mais fortalecido. Saímos da mesmice. As pessoas estão aprendendo a conversar, estão vendo que existem outras moedas e outros idiomas, dando exemplo de um mundo multilateral”, declarou.

O presidente reforçou que o país continuará aberto ao diálogo, mas sem se submeter a imposições ou discursos falsos. “Ninguém vai ganhar do Brasil mentindo. Nós estamos na mesa de negociação, já mandamos vários documentos, mas nunca encontramos reciprocidade na conversa. Isso vai aumentar nosso antagonismo? Não, porque não vamos sair da mesa. Mas não vamos ficar passíveis de quem fica mentindo sobre nós”, pontuou.

Ao concluir, Lula reafirmou a estratégia pragmática de soberania e busca por novos parceiros comerciais. “Não tem veto, vamos procurar outros mercados. É assim que o Brasil vai negociar: vendendo e comprando de quem quer vender e comprar com a gente”, arrematou.

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Competente, corajosa, múltipla https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/combativa-sem-perder-leveza-jamais.html 

25 julho 2026

Minha opinião

O voto híbrido ameaça Raquel 
Luciano Siqueira   

A montagem definitiva da chapa majoritária - os dois candidatos ao Senado e o lugar de vice — não é exatamente um problema para a governadora Raquel Lyra, candidata à reeleição.

Sempre foi assim, aqui e alhures: negociações se concluem às portas da Convenção.

A novidade este ano foi o acerto da chapa liderada pelo ex-prefeito João Campos (PSB) com surpreendente antecedência. 

Os nomes ventilados para completar em a chapa do governadora todos têm força política e eleitoral. No ponto de partida, mas no transcorrer da disputa ninguém sabe. 

Sempre se disse que mais fascinante do que o poder é a expectativa de poder. Se João Campos retomar dianteira nas pesquisas e se a sua campanha ganhar a dimensão que promete, ninguém pode garantir que prefeitos, vereadores e ativistas apoiadores dos candidatos ao Senado fechem a chapa incluindo Raquel. 

A legislação permite e a tradição sugere: pelo interior afora, o voto híbrido pode contribuir para a consolidação de uma possível Vitória de João Campos.

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Humor de resistência

 

Miguel Paiva

Governo Lula defende o Brasil contra o tarifaço Trump-Bolsonaro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/editorial-do-vermelho_025789528.html