13 abril 2026

Zanzul Pessoa opina

O novo capítulo de um legado: o PCdoB, de Luciano Siqueira a Victor Marques, no coração do Recife

Zanzul Pessoa*  


 

Em Pernambuco, a política com verdadeira vocação popular não apenas sobrevive, ela se reinventa, amadurece e floresce. 

Vivemos uma "era dos legados", na qual as heranças de lutas sociais se consolidam como o alicerce definitivo das políticas públicas. Neste cenário, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) assume um protagonismo inegável e emocionante, demonstrando na prática o resultado de sua lealdade, seriedade e compromisso inabalável com a cidade do Recife.

Hoje, a capital pernambucana vive um momento singular de colheita. Com a saída do prefeito João Campos para disputar o Governo do Estado, a cidade avança com segurança e continuidade. A condução de Victor Marques à prefeitura não é obra do acaso, é a materialização da confiança depositada em um projeto político vitorioso e o coroamento da dedicação histórica do PCdoB aos recifenses. Victor assume o mais alto posto do Executivo municipal representando essa unidade, provando que o partido está preparado para governar, inovar e cuidar das pessoas.

A história recifense, sempre viva e cíclica, é agora reescrita com a tinta da esperança renovada, mas sem esquecer as suas raízes. Para compreender o peso deste novo momento de Victor Marques, é preciso olhar para a bússola que pavimentou este caminho. É impossível falar do PCdoB no Executivo do Recife sem reverenciar a era transformadora liderada por Luciano Siqueira. 

Luciano, com sua estatura de estadista, intelectualidade ímpar e militância histórica, não foi apenas um vice-prefeito, mas o arquiteto de uma nova forma de enxergar a cidade. Sua contribuição se deu em diferentes momentos da história recente, atuando como o ponto de equilíbrio e o fiador das políticas sociais nas gestões de João Paulo (2001-2008) e, posteriormente, de Geraldo Júlio (2013-2020). Em ambos os períodos, a marca do PCdoB ajudou a instituir marcos que mudaram para sempre a gestão pública, como a participação na construção da política municipal da assistência social, no carnaval multicultural, na construção de políticas públicas voltadas para o esporte e, mais recentemente, na construção de políticas públicas voltadas para o meio ambiente e para as mulheres da cidade.

Esse vasto legado, contudo, não foi construído por um só homem. Sob a liderança aglutinadora de Luciano Siqueira, formou-se uma força coletiva. Foram os muitos militantes do PCdoB homens, mulheres, jovens e lideranças comunitárias que gastaram sola de sapato nas ruas, nos morros e nos conselhos municipais, defendendo e transformando o programa do partido em realidade transformadora.

A verdade incontestável é que a administração pública recifense mudou de patamar após essa experiência. A régua subiu. Desde então, a gestão se reformulou e veio se aperfeiçoando, tendo a escuta e a participação do povo como exigência inegociável.

A chegada de Victor Marques à Prefeitura é a prova viva de que o legado construído por Luciano Siqueira e por essa militância incansável, forjado à base de democracia, lealdade e trabalho árduo, frutificou. O partido demonstra, hoje e sempre, que carrega em suas bandeiras o compromisso definitivo com a valorização do Recife e, acima de tudo, com a dignidade do povo pernambucano.

*Ex-líder estudantil, assessora parlamentar.

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PCdoB: a luta política atual

Reeleger Lula, defender o Brasil e derrotar os traidores da pátria
www.pcdob.org.br 

O Comitê Central do PCdoB aprovou neste domingo (13) uma resolução política voltada às eleições 2026. De acordo com o texto, o Brasil é “é alvo central de uma ofensiva imperialista do governo Donald Trump”, com “possibilidade real de intervenção” dos Estados Unidos nos rumos e no resultado da disputa presidencial.

“Conclamamos o povo a se engajar na reeleição do presidente Lula para livrar o país dessa nova ameaça neocolonialista. Deve-se fazer ecoar pelo país afora o brado patriótico: O Brasil para os brasileiros!”, aponta a resolução. Também é preciso, segundo o Partido, “desmascarar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), que tenta se fantasiar de uma versão moderada do pai, mas é igual a ele, um neofascista e extremista de direita”.

O Comitê Central pede, ainda, “empenho máximo” para “reeleger e ampliar a bancada comunista na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas. O país precisa de um Partido Comunista forte para impedir retrocessos e fazer avançar as mudanças”.

Confira, abaixo, a íntegra da resolução.

Reeleger Lula, defender o Brasil e derrotar os traidores da pátria 
Empenho máximo pela vitória do projeto eleitoral do PCdoB

O PCdoB alerta o povo brasileiro: o Brasil vive um momento grave, no qual novamente seus interesses nacionais e soberanos estão sob ameaça e ataque. O país é alvo central de uma ofensiva imperialista do governo Donald Trump, dos Estados Unidos. 

Essa ofensiva se torna mais perigosa, por contar com apoio interno de traidores da pátria, da extrema-direita e setores da direita. Isso se deve ao seu porte econômico e geopolítico, por suas riquezas, pela sua política de integração e equilíbrio da América do Sul e, especialmente, por integrar o BRICS e protagonizar o Sul Global em prol da paz e de um multilateralismo democrático. 

Em sua ofensiva, os Estados Unidos objetivam também se apossarem das riquezas nacionais, entre elas as terras raras e minerais críticos. Em última instância, o embate envolvendo o Brasil e a América Latina, na estratégia dos Estados Unidos, visam a enfrentar a China. 

Em razão disso, tal como já foi demonstrado pelo “tarifaço” e a aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades, há a possibilidade real de intervenção nas eleições brasileiras com objetivo de se impor um governo vassalo, títere, o que deve ser firmemente rechaçado. Diante de tudo isso, conclamamos o povo a se engajar na reeleição do presidente Lula para livrar o país dessa nova ameaça neocolonialista. Deve-se fazer ecoar pelo país afora o brado patriótico: O Brasil para os brasileiros!

A menos de seis meses das eleições de outubro, a disputa presidencial se configura acirrada e polarizada, com o país dividido entre duas candidaturas antagônicas que correspondem à encruzilhada na qual o Brasil se depara. Não há meio termo: ou o Brasil segue desbravando um caminho novo, capaz de conduzi-lo à prosperidade pela via do desenvolvimento soberano e sustentável, alicerçado na mais ampla democracia e direcionado para proporcionar vida digna ao povo, com a reeleição do presidente Lula; ou, com a eleição de Flávio Bolsonaro, serviçal de Trump, ser novamente levado à subjugação aos Estados Unidos, à regressão política, econômica e social, como foi no govern o de Jair Bolsonaro, seu pai, condenado e preso por tentativa de golpe de Estado.

Simultaneamente, o PCdoB, com mais de um século de lutas em defesa de um Brasil soberano, independente, democrático, socialista, convida o eleitorado popular progressista para participar da pré-campanha de suas candidaturas, engajando-se neste confronto histórico. É indispensável reeleger e ampliar a bancada comunista na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas. O país precisa de um Partido Comunista forte para impedir retrocessos e fazer avançar as mudanças.

Eleições sob impacto de uma realidade mundial conturbada

O mundo se encontra sob uma conjuntura beligerante e conflagrada, que provoca forte abalo na economia em decorrência da política de guerra e de agressões do governo Donald Trump. Para tentar reverter o declínio dos Estados Unidos, ele busca conter a República Popular da China e o poder nacional da Rússia e de outros países das articulações do Sul Global, expressas em inciativas como a do BRICS Plus. Com esse objetivo, pisoteia o direito internacional, rasga a Carta das Nações Unidas, ataca nações soberanas, recorre à política de força e saca da maior máquina de guerra do planeta.

Essa tática tem se revelado desastrosa, como é visto, até agora, em inúmeras ações, assim como na guerra movida pela Casa Branca e o Estado de Israel contra o Irã, na qual os Estados Unidos sofrem derrotas, não atingindo seus objetivos estratégicos. De conjunto, o efeito tem sido inverso: os Estados Unidos enfrentam contradições internas agudas, estão isolados internacionalmente e em conflito aberto com antigos aliados, como é o caso da Europa, enfraquecendo consideravelmente seu sistema de alianças.

O PCdoB ergue alto a bandeira da paz mundial e contra as guerras imperialistas. Condena, veementemente, a ofensiva guerreira de Donald Trump para suprimir a soberania dos países, saquear suas riquezas e oprimir os povos. Internacionalista, reforçará as ações de solidariedade aos países e aos povos agredidos, como Cuba, sob brutal bloqueio; o povo palestino, vítima de genocídio; a Venezuela, seu povo e seu governo, que teve seu presidente, Nicolás Maduro, e sua esposa, deputada Cilia Flores, sequestrados; o Irã, sob os bombardeios de uma guerra imperialista com recorrentes crimes de guerra; e o Líbano, com seu território em parte ocupado e o povo sob massacre perpetrado pelo genocida Estado de Israel.

Direita e extrema-direita se dividem, evaporou-se a pretensa candidatura de centro

O campo da direita e da extrema-direita se dividiu. Soma, neste momento, cinco pré-candidaturas, cenário que, até as convenções, pode se alterar. Além disso, vão se digladiar em disputas aos governos estaduais e ao Senado Federal.

A propalada terceira via inviabilizou-se. O PSD prometeu uma alternativa de “centro” e, ao final, o que oferece é a pré-candidatura de Ronaldo Caiado, um direitista declarado, que apesar dos atritos é figura cativa nos atos bolsonaristas, prestando o papel de linha auxiliar. De partida, subtrai de Flávio Bolsonaro o apoio de setores da burguesia agroindustrial.

Apresenta-se ainda a pré-candidatura de Romeu Zema, pelo Partido Novo, e surge uma variante do neofascismo: Renan Santos, do partido Missão.

A fragmentação da direita tem um duplo significado. Por um lado, as candidaturas da direita, para decolarem, ou mesmo para não serem rifadas, terão que arrancar votos de Flávio Bolsonaro, onerando-lhe. Por outro, tem o potencial de movimentar o eleitorado oposicionista de perfis variados, como foi feito nas últimas eleições no Chile, criando uma vazão que tende a desembocar em um leito único no segundo turno, contra a reeleição do presidente Lula.

As eleições serão acirradas, com um relativo equilíbrio de forças. Flávio Bolsonaro, impulsionado pelos algoritmos das big techs, definido pelo pai, rapidamente aglutinou a maioria do eleitorado de extrema direita, e mesmo da direita. De tal modo que a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro se apresenta muito competitiva e perigosa. A evolução da pré-campanha demonstrará melhor os efeitos da divisão da direita sobre ele.

Desmascarar Flávio Bolsonaro: traidor da pátria, inimigo do povo e da democracia

O PCdoB e as demais forças democráticas, patrióticas e populares precisam, desde já, realizar uma ampla campanha, visando a desmascarar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, que tenta se fantasiar de uma versão moderada do pai, mas é igual a ele, um neofascista e extremista de direita. O programa de sua pré-candidatura, se realizado por completo, transformaria o país numa espécie de neocolônia dos Estados Unidos.

Golpista, quer impor à nação um governo autoritário, o risco de um regime ditatorial. Para que não se tenha dúvida, declarou que, se eleito, vai anistiar a cúpula da organização criminosa que tentou o golpe de Estado, a começar por Jair Bolsonaro e os oficiais militares, segundo ele mesmo que seja “à força.”

Candidato dos rentistas da Faria Lima e dos super ricos, promete um “tesouraço” com o retorno do teto de gastos públicos, uma nova reforma trabalhista e da Previdência, com cortes de direitos econômicos e sociais, agravando as condições de vida do povo. Ou seja, trata-se de canalizar o grosso do orçamento federal para garantir os ganhos fabulosos do capital financeiro, cortando os investimentos em saúde, educação, moradia, segurança etc.

Propaga a violência, o ódio e a intolerância, e defende a liberação das armas de fogo. Carrega nos ombros investigações, realizadas por instituições do Estado, que apontam seus vínculos com as milícias.

Pesam contra ele inquéritos de malversação do dinheiro público, a exemplo das “rachadinhas”.  A extrema-direita é responsável pela maior fraude bancária do país: o caso do Banco Master, gestado e robustecido quando Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, era o presidente do Banco Central. Fabiano Campos Zettel, cunhado e tesoureiro de Vorcaro, foi o maior doador da campanha de Jair Bolsonaro e do governador paulista Tarcísio de Freitas na campanha de 2022. Os governos de Claudio Castro, do Rio de Janeiro, e de Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, bolsonaristas de alta patente, despejaram bilhões de reais nos esquemas criminosos do Master.

Em suma: é uma ameaça real de regressão cultural e mesmo civilizacional, com a prática e a disseminação do racismo, da misoginia, da LGBTfobia, da violência contra as populações indígenas, do negacionismo climático e da destruição da biodiversidade brasileira. As universidades, a cultura e as ciências são tidas como inimigas e são alvos de ataques porque produzem pensamento transformador e crítico, e resistência.

Amplitude nas alianças, programa avançado, mobilização do povo

A eleição do presidente Lula é a alternativa para livrar o país do neofascismo e da entrega da soberania nacional ao imperialismo estadunidense. Lula parte das realizações e conquistas de seu governo de reconstrução nacional. Pegou um país arrasado e o pôs de pé. Sua estatura elevada, de liderança respeitada no Brasil e no mundo, escancara o contraste com seu opositor principal, um parlamentar medíocre, sem nenhuma experiência de gestão, cujo projeto de maior repercussão, rechaçado pela opinião pública, autorizava vendas de áreas à beira-mar, na prática privatizando praias.

Lula procura calcular bem a correlação de forças. Corretamente, definiu Geraldo Alckmin, mais uma vez, como vice, personalidade que tem sido leal e atuado com competência e patriotismo. O presidente busca ampliar e ir além da esquerda. Com a falência da chamada terceira via, há mais potencial para agregar setores e fatias do centro e da centro-direita, angariando apoios de partes do MDB, PSD, PP, do Republicanos e de outros partidos, dos quais, pela realidade presente, não terá apoio formal. Empenha-se para construir, em todas as regiões, palanques fortes, já tendo conseguido êxitos em vários estados. Lula e sua aliança política também precisam batalhar pela eleição de uma expressiva quantidade de parlamentares nas duas casas do Congresso, fator indispensável para apoiar e aprovar projetos e reformas estruturais necessários.

O PCdoB defende, como tática eleitoral, uma aliança mais ampla possível, com protagonismo da esquerda, embandeirada com um programa avançado, tendo como vértice a soberania nacional, entrelaçada com a defesa da democracia, o desenvolvimento e a valorização do trabalho. Um programa que indique o quarto mandato como marco desencadeador de um novo ciclo para o Brasil, que crie, a partir de um projeto de país, as condições para o desenvolvimento soberano. Julga necessário uma coordenação de campanha que reflita a amplitude da aliança.

O Partido aponta como indispensável dotar o país de um projeto nacional, que abarque as reformas estruturais democráticas. Sua elaboração tem como ponto de partida a construção de consensos mínimos em torno de políticas direcionadas a superar gargalos e travas do arcabouço fiscal e da política monetária. 

Romper com a política de juros altos para liberar e canalizar o orçamento federal aos investimentos públicos, como parte do esforço pelo desenvolvimento e defesa do interesse nacional, da democracia, da redução das desigualdades sociais e regionais e valorização do trabalho; ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e da educação pública g ratuita, como partes fundamentais de um projeto nacional de desenvolvimento; à industrialização em novas bases tecnológicas; à transição ecológica; à inserção soberana do Brasil no mundo, ajustando suas alianças prioritárias para promover a regulação soberana com base pública de ativos estratégicos como os minerais críticos; e ao programa de soberania digital, redes gov.br e às redes de dados críticos, em especial as relacionadas à defesa e à Amazônia para retomar a noção de Estratégia Nacional de Defesa com foco na dissuasão, equipando a defesa da pátria diante de inimigos muito mais fortes, sem relação de subordinação. Uma reforma política ampla e democráti ca que supere as distorções que dificultam a representação popular no Congresso Nacional e favorecem à hegemonia das forças reacionárias, o que impede, na prática, a realização do programa eleito e das reformas.

E, como diretriz estrutural, a realização de uma reforma que reconstrua e fortaleça o Estado nacional, superando sua disfuncionalidade e os ditames neoliberais, que foram institucionalizados, fortalecendo suas empresas estratégicas e os bancos públicos, democratizando-o e assegurando ampla liberdade ao povo. Medidas, enfim, para que o Estado cumpra o papel de planejamento e alavanca do desenvolvimento soberano e garantidor da defesa nacional.

Será determinante para a vitória a mobilização do povo, o engajamento na disputa do voto dos trabalhadores/as, da juventude, das mulheres, do mundo da cultura, das ciências, dos movimentos e das diferentes religiões. É preciso vincular a campanha eleitoral à agenda de lutas, a exemplo da luta pela redução da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6×1, que se apoia no Projeto de Lei (PL) 67/2025, de autoria da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), do combate ao feminicídio, da batalha pela redução dos juros, dos atos do 1º de maio, bem como o calendário de congressos e encontros das entidades e movimentos, entre eles a Marcha da Classe Trabalhadora em 15 de abril em Brasília.

Novas conquistas aos trabalhadores e ao povo e luta de ideias

Os comunistas consideram indispensável que o governo siga proporcionando conquistas aos trabalhadores, como é caso da regulamentação do trabalho mediado por aplicativos, programas que ajudem a minorar o endividamento das famílias, a aprovação da PEC da Segurança Pública, sinalizando com firmeza o compromisso de garantir paz e segurança ao povo e combate eficaz ao crime organizado, o esforço para atenuar os efeitos da política de guerra de Donald Trump, como é caso da contenção do aumento dos combustíveis, em especial do diesel, gás e querosene de aviação. O PCdoB defenderá que se inclua no programa da campanha pela reeleição do presidente Lula a adoção d a tarifa zero, em tempo integral, no transporte público. Essa pauta articula a disputa do voto, a vida concreta do povo e suas reivindicações mais sentidas, resultando numa campanha que seja expressão das aspirações populares.

A luta de ideias e o enfrentamento com a guerra cultural da extrema direita nas redes sociais é estruturalmente assimétrica. É indispensável regulamentar as big techs e batalhar pela soberania digital do país. É imperativo elevar as capacidades e meios para travar a batalha de ideias nos espaços digitais, arena que influencia enormemente o debate público, a formação de opinião e a conquista do voto.

Empenho máximo pela vitória do projeto eleitoral do PCdoB

Entrelaçado com seu grande esforço pela reeleição do presidente Lula e dos aliados nos estados e no Distrito Federal, o PCdoB busca, com empenho máximo, a vitória do seu projeto eleitoral, centrado na reeleição e ampliação da bancada na Câmara dos Deputados, hoje com dez deputados/as após a honrosa filiação do deputado federal Gervásio Maia, da Paraíba, e chegará a 11 com a posse de Inácio Arruda (PCdoB-CE), até então primeiro suplente. Outras lideranças também escolheram o PCdoB para disputar as eleições, fortalecendo a legenda comunista. A todos e a todas o Partido saúda e os acolhe com orgulho.

Realizar uma pré-campanha ampla, entusiástica, embandeirada com a defesa da soberania nacional, engajada na luta pela redução da jornada de trabalho, pelo fim da escala 6×1, na mobilização contra o feminicídio, pela redução dos juros e pela reindustrialização do país, por mais desenvolvimento, mais democracia, pela valorização do trabalho e mais direitos ao povo. Uma campanha também assertiva de combate ao neofascismo, com sagacidade e amplitude.

O Partido é chamado a ser a força dirigente e motriz da campanha, engajando o coletivo de militantes e filiados/as, os amigos/as, aliados/as, lideranças do povo e da sociedade. É fundamental fortalecer a pré-campanha, estruturando as diferentes dimensões, como comunicação, finanças, grupos de apoio etc.

Renato Rabelo e Márcio Cabreira, presentes, sempre!

Durante sua terceira reunião plenária, realizada em Brasília, o Comitê Central do PCdoB, homenageia a memória e o exemplo de militância revolucionária de Renato Rabelo, histórico e grande dirigente do Partido, e de Márcio Cabreira, dirigente oriundo do MR 8 e do PPL, ambos da direção nacional, falecidos em fevereiro último.  O rico legado desses dois destacados camaradas alimentará o ânimo da atual e das novas gerações. Pela grandeza do que foram, pela riqueza revolucionária que nos deixaram, parafraseando o poeta Thiago de Melo, se despediram para permanecer.

Brasília, 12 de abril de 2026

Comitê Central do Partido Comunista do Brasil-PCdoB

Foto: Murilo Nascimento

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Leia também: PCdoB alerta para desafios eleitorais e ofensiva imperialista https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/palavra-do-pcdob.html 

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EUA x Irã: a guerra segue

EUA escalam tensão no Golfo e ampliam risco de guerra regional
Ameaça de bloquear o Estreito de Ormuz expõe contradições de Donald Trump e reforça a desconfiança do Irã diante de uma estratégia considerada agressiva e unilateral
Cezar Xavier/Vermelho 

Após o fracasso das negociações de cessar-fogo realizadas em Islamabad, no Paquistão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que a Marinha americana iniciará o bloqueio de todos os navios que tentarem entrar ou sair do Estreito de Ormuz. A declaração foi feita em publicação nas redes sociais, na qual Trump afirmou que a medida entra em vigor “com efeito imediato”.

A declaração de Donald Trump sobre um possível bloqueio do Estreito de Ormuz representa um salto qualitativo na crise. Trata-se de uma medida que, além de carecer de respaldo no direito internacional, implicaria na interrupção de uma das rotas energéticas mais importantes do planeta — por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial.

Ao propor impedir a circulação de navios, Washington assume uma postura de coerção global, afetando não apenas o Irã, mas toda a economia internacional. A medida, na prática, configura uma forma de bloqueio econômico com potencial de desencadear confronto direto.

Contradições na narrativa dos EUA

O discurso norte-americano revela inconsistências evidentes. Ao mesmo tempo em que afirma buscar a “liberdade de navegação”, o governo dos EUA propõe justamente restringi-la. A retórica de combate a uma suposta “extorsão iraniana” contrasta com a própria iniciativa de controle militar de uma via internacional.

Além disso, a insistência no tema nuclear aparece dissociada das negociações concretas. Embora Washington aponte o programa iraniano como foco central, suas ações recentes priorizam pressão militar e econômica, deslocando o eixo diplomático.

China, Rússia e a disputa pela multipolaridade

A ameaça de bloquear o Estreito de Ormuz não é uma medida isolada, mas parte de uma ofensiva para reconfigurar o mapa de poder no Golfo Pérsico. Ao tentar impedir que o Irã “pedagie” ou condicione o trânsito de embarcações, os EUA buscam, na verdade, garantir que nenhuma potência rival — especialmente China e Rússia — possa usar a rota como instrumento de influência geopolítica.

A presença da China e da Rússia no Oriente Médio tem crescido de forma consistente. Pequim é o maior comprador de petróleo iraniano e firmou acordos de cooperação de 25 anos com Teerã, incluindo investimentos em infraestrutura e energia. Moscou, por sua vez, mantém parcerias militares e tecnológicas com o Irã, além de coordenar posições em fóruns como os BRICS e a Organização de Cooperação de Xangai.

Irã reforça soberania e desconfiança

Do lado iraniano, a resposta é marcada pela reafirmação da soberania e pela rejeição a qualquer ingerência externa. Autoridades como Mohammad Bagher Ghalibaf destacaram que a confiança nos Estados Unidos foi definitivamente rompida após sucessivas tentativas frustradas de negociação.

Teerã sustenta que o controle do estreito é uma questão estratégica nacional e rejeita propostas de administração conjunta com potências estrangeiras. A posição iraniana se ancora no argumento de defesa territorial e no histórico de intervenções externas na região.

Apoio internacional e rearranjo geopolítico

A crise também acelera movimentos no tabuleiro internacional. O contato entre Vladimir Putin e o presidente iraniano sinaliza um estreitamento de relações, com Moscou defendendo um cessar-fogo sob termos mais próximos aos interesses de Teerã.

A alegação de que o Irã não teria legitimidade para controlar ou condicionar o fluxo de navios no Estreito de Ormuz ignora elementos fundamentais do direito internacional:

Esse alinhamento indica que a escalada promovida pelos EUA pode fortalecer blocos alternativos, aprofundando divisões geopolíticas e reduzindo o espaço para soluções multilaterais.

Legitimidade do Irã: soberania, defesa e direito internacional

  • Soberania territorial: O Estreito de Ormuz é formado por águas territoriais e zonas econômicas exclusivas do Irã e de Omã. Segundo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), Estados costeiros exercem soberania sobre suas águas territoriais, podendo regular a passagem de embarcações, desde que respeitado o direito de passagem inocente.
  • Medida defensiva legítima: O fechamento do estreito pelo Irã foi uma resposta a mais de 40 dias de ataques militares dos EUA e Israel, que incluíram bombardeios a infraestrutura civil, assassinato de autoridades e tentativa de desestabilização do regime. Trata-se, portanto, de medida de autodefesa perante agressão armada, amparada pelo Artigo 51 da Carta da ONU.
  • Ilegalidade do bloqueio estadunidense: Ao contrário da ação iraniana, o bloqueio econômico e energético imposto pelos EUA ao Irã viola frontalmente o direito internacional. Sanções unilaterais com efeito extraterritorial, ameaças de uso da força e interceptação de navios em águas internacionais configuram atos de agressão, não de legítima defesa.
  • Proporcionalidade e seletividade: O Irã não interditou indiscriminadamente o estreito, mas condicionou a passagem ao pagamento de “pedágios” ou ao respeito a regras de segurança — prática comum em rotas marítimas sob jurisdição nacional. Já os EUA anunciam interceptar “todas as embarcações que tenham pago pedágio ao Irã”, criminalizando atos legítimos de comércio e navegação.

Resistência soberana contra cerco imperialista

A disputa pelo Estreito de Ormuz não é, portanto, uma questão técnica de liberdade de navegação, mas um capítulo central da luta pela reconfiguração da ordem mundial. De um lado, o imperialismo estadunidense, em declínio relativo, recorre à força militar e ao controle de rotas energéticas para conter rivais e manter hegemonia. De outro, o Irã — aliado estratégico de China e Rússia — exerce seu direito soberano de defender seu território e seus interesses nacionais.

A legitimidade da ação iraniana reside precisamente nisso: não se trata de “extorsão”, como alega Trump, mas de resistência legítima a um cerco ilegal. Enquanto os EUA ameaçam bloquear uma rota vital para o comércio global, o Irã reafirma que a soberania sobre suas águas não é negociável sob coerção.

Risco de guerra ampliada

A ameaça de bloqueio do Estreito de Ormuz não apenas intensifica a crise atual, mas eleva o risco de um conflito de maiores proporções. Ao optar por medidas de força em detrimento da diplomacia, Washington contribui para um cenário de instabilidade prolongada.

Nesse contexto, a postura iraniana — centrada na defesa de sua autonomia e na resistência à pressão externa — ganha respaldo entre países que veem na ação dos EUA uma repetição de padrões intervencionistas. O impasse, longe de se resolver, aponta para uma escalada cujas consequências podem ultrapassar a região do Golfo.

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Irã usa satélite chinês e desafia hegemonia dos EUA https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/poderio-belico-digital.html 

Humor de resistência

Miguel Paiva 

Sylvio: voz altiva

Afinal, uma voz se levanta e se impõe diante de Trump. O Papa Leão IV o enfrenta dizendo que não o teme. É muito bom ver isso.

Sylvio Belém  

Humor de resistência

D. Ladino