07 novembro 2026

Soberania e desenvolvimento

“Exploração de minerais críticos será em benefício do povo”, afirma presidente Lula
Conselho para Industrialização de Minerais Críticos aprova relação de 27 minerais críticos ou estratégicos que poderão ser beneficiados com investimentos públicos
Iram Alfaia/Vermelho       

O presidente Lula disse que o povo brasileiro será o maior beneficiado pela exploração de minerais críticos no país. A fala foi feita nesta quinta-feira (5), no Palácio do Planalto, durante a primeira reunião do Conselho para Industrialização de Minerais Críticos (CIMCE).

Para justificar os investimentos, Lula disse que os brasileiros que foram às urnas escolheram o “lado dos que querem construir um Brasil não para poucos interesses econômicos, mas que explore todos os nossos minerais em benefício do povo brasileiro”.

“Nós não queremos deixar buracos nas cidades, queremos escolas, emprego de qualidade e universidades”, disse o presidente.

“E queremos deixar, sobretudo, dignidade para as pessoas que ainda não nasceram, mas que são filhos do Brasil. E cabe a nossa geração preparar para que eles tenham um futuro melhor do que aquele que nós recebemos dos nossos pais”, acrescenta.

O Conselho aprovou os 27 minerais considerados críticos ou estratégicos a serem priorizados pela política nacional sobre tema, que estimula investimentos públicos e privados e promove a agregação de valor no país.

Os minerais foram distribuídos em três classes, de acordo com a importância para o Brasil em termos de soberania e industrialização, e considerando os seguintes fatores: o risco geopolítico; a concentração geográfica da produção; o potencial de substituição; a posição brasileira na cadeia; e a dependência e vulnerabilidade do país.

As classes também sinalizam a prioridade no acesso aos instrumentos de fomento previstos na política.

Segundo a Casa Civil, somente os empreendimentos focados nesses 27 minerais, e inseridos no Cadastro Nacional de Projetos, poderão receber apoio governamental.

A prioridade é o que destrava, por exemplo, o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM), criado para compartilhar riscos, alavancar o crédito bancário e superar o desafio do financiamento nas fases iniciais de pesquisa e mineração.

O FGAM poderá receber aporte de até R$ 2 bilhões da União, além de recursos de estados, municípios e entes privados.

Já o Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE) terá limite fiscal de R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034 para que as empresas possam investir no beneficiamento, transformação e mineração urbana.

Confira a lista aprovada:

Classe I – Prioridade Alta

Terras Raras
Grafita
Lítio
Níquel
Cobalto
Cobre
Manganês
Silício
Urânio

Classe II – Prioridade Média

Tungstênio
Cromo
Vanádio
Tântalo
Titânio
Fosfato
Potássio
Enxofre

Classe III – Prioridade Baixa

Nióbio
Estanho
Ferro
Zinco
Ouro
Magnésio
Molibdênio
Tório
Alumínio
Grupo da Platina

Leia também: O Nordeste e a reindustrialização, artigo de Abraham B. Sicsu https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/11/desenvolvimento-regional.html

06 novembro 2026

Palavra de poeta

Sempre

Pablo Neruda       

Antes de mim
Não tenho ciúmes.

Vem com um homem
às tuas costas,
vem com cem homens entre os teus cabelos,
vem com mil homens entre teu peito e teus pés,
vem como um rio
cheio de afogados
que encontra o mar furioso,
a espuma eterna, o tempo!

Traz todos eles
para onde eu te espero:
sempre estaremos sós,
sempre seremos tu e eu
sozinhos sobre a terra
para começar a vida!

[Ilustração: Romero de Andrade Lima]

Leia também:"Instantâneo", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/palavra-de-poeta_9.html

Dica de leitura

Mundo do trabalho em questão


Tema atualíssimo, tem abordagem consistente no artigo  "Fim do mundo ou fim do trabalho? Causas da precarização e como superá-la" , de Cristhiano Duarte, no  Portal Grabois https://grabois.org.br/2026/11/05/fim-mundo-fim-trabalho-causas-precarizacao-como-superar/

O autor questiona a assertiva de que a inteligência artificial e os algoritmos de aprendizado de máquina seriam os grandes responsáveis ​​pelo fechamento generalizado de postos de trabalho na atualidade.

Como consequência dessa visão, uma solução ilusória por muitos defendida, a adoção de modalidades de renda básica ou a transição para uma economia de "pós-escassez", mascarando as verdadeiras origens sistêmicas da miséria laboral.

Para Duarte, focar exclusivamente a tecnologia é um equívoco, pois as causas da instabilidade das condições de vida e do mercado de trabalho são estruturais e ligadas às contradições do próprio sistema capitalista.

Ele questiona a ideia de um avanço tecnológico avassalador e contínuo que estaria elevando a produtividade a patamares inéditos. Mais do que isso, há historicamente períodos de platô e desaceleração no crescimento econômico global (como a queda nas taxas médias de crescimento do PIB e da indústria desde os anos 1970). Fenômeno inerente ao sistema capitalista.

É preciso considerar que a precarização do trabalho (refletida em altas taxas de informalidade e subutilização da força de trabalho) é fruto de décadas de políticas de austeridade fiscal e desregulamentação neoliberal, e não um mero subproduto neutro da automação.

Para o autor, medidas puramente contracíclicas ou paliativas são insuficientes para resolver as contradições fundamentais do sistema.

Daí conclui que superação da crise do trabalho exige ir além do fetichismo tecnológico, enfrentar as estruturas econômicas vigentes, resgatando o planejamento democrático da produção e compreendendo que a superação da miséria contemporânea passa necessariamente por transformações estruturais profundas.

(LS)

Leia também: Para além da sociedade do desempenho https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/ecossistema-sociotecnico.html 

Lula mais próximo

Lula manterá comunicação digital direta com o povo – mesmo quando em viagem para fora do país. Correto e oportuno.

Vencemos. E agora? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/11/minha-opiniao.html 

Ebulição na Europa

Greves na França
Luciano Siqueira    

O movimento segue. Todos os seus significados parecem ainda insuficientemente explícitos. Mais uma rodada de greve e manifestações de rua na França reuniu entre 600 mil pessoas a 1,6 milhão, conforme diferentes estimativas.

Trabalhadores e estudantes protestam contra o alto custo de vida, a queda no poder de compra (agravada pelo aumento de preços e combustíveis), a precarização do trabalho e o corte de investimentos em serviços públicos.

O governo mobilizou cerca de 70 mil policiais em todo o território nacional para conter eventuais distúrbios. ocorreram confrontos isolados com forças de segurança e incidentes pontuais em cidades como Toulouse e Lille.

Parece um ciclo não esgotado. A França pode ser o epicentro, mas novas mabifestações certamente se repetirão em vários países da Europa. As sementes ainda germinam.

O mundo gira https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Enio Lins opina

Voou a galinha amarela pelas rotas do crime organizado
Enio Lins        

Grande é o esforço para lubrificar a pílula gigante representada pela fuga escandalosa de Flávio, o derrotado. Para usar linguagem armamentista ao gosto do fugitivo, diz a internet que o maior calibre de uso pessoal tem 24,1 mm, utilizado pelo fuzil SSK .950 JDJ, o “Fat Mac”. Pois as explicações midiáticas sobre a escapada do Zero-Um é um balaço muito maior, impossível de descer goela abaixo.

Tenta-se politizar a fuga de um bandido com medo de processos por crimes comuns. Nesse esforço, a mídia amiga age em uníssono: ampliam a participação do governo Trump, e chegam a acrescentar “um agente do Mossad” etc. Besteiras. Evadiu-se o Rachadinha no modus operandi e pela ponte aérea que – cotidianamente – leva o pó para os Estados Unidos, e de lá traz armas e coisas outras na viagem de volta.

Prestando atenção às matérias mui discretamente editadas, se lê que “o jato executivo Gulfstream G400, de matrícula argentina LV-JQW, pertence à operadora Baires Fly S.A.” cujo “controle efetivo e a rede comercial dessa empresa são atribuídos pela Justiça argentina ao empresário Sergio Daniel Mastropietro”. E que “Mastropietro manteve uma longa relação comercial e pessoal com Federico ‘Fred’ Machado. Machado é um empresário argentino que foi extraditado para os Estados Unidos, acusado de utilizar uma empresa de aviação na Flórida (South Aviation) para adquirir aeronaves de forma fraudulenta e ocultar a propriedade de aviões usados para transportar grandes carregamentos de cocaína para território norte-americano”. Essa é a praia de Flávio, de seu pai, e dos seus manos. Nela eles nadam de braçada, ou voam em céu de brigadeiro.

Marco Rúbio & CIA, sob a complacência de Trump, entraram nessa fuga após o fato consumado tão-somente para dourar a pílula, literalmente “endireitar” uma ação totalmente, e tranquilamente, executada pelo alto comando do tráfico internacional.

Vencemos. E agora? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/11/minha-opiniao.html   

Choque de realidade

Extrema direita na América do Sul, abalada com a derrota de Trump, descobre que nem tudo o que reluz é ouro. 

Derrotado além do previsto https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/11/trump-na-lona.html