20 agosto 2026

Nivaldo Santana opina

Valorização do trabalho precisa de luta e da reeleição de Lula
Dados do emprego formal mostram avanços, mas baixos salários e precarização mantêm no centro do debate as reivindicações do movimento sindical.
Nivaldo Santana/Vermelho   

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou no fim de julho os dados do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) com base nos indicadores do primeiro semestre deste ano de 2026.

Os dados são positivos. No mês de junho, o saldo positivo dos empregos criados foi de exatos 145.161. Com isso, o mercado de trabalho formal no Brasil, no primeiro semestre, gerou 921.645 novos postos de trabalho.

Esses números apontam, sempre segundo o MTE, que o total de empregos com vínculos trabalhistas no país alcançou 48.032.308 no fim do semestre encerrado em junho.

Com exceção dos estados do Espírito Santo e Tocantins, por fatores sazonais, todas as outras 25 unidades da Federação apresentaram saldo positivo.

Esse incremento dos vínculos trabalhistas faz com que a taxa nacional de desemprego atinja os menores níveis históricos, um indicador importante para medir a mobilidade social e a desigualdade no país.

A esse respeito, vale citar análise do professor aposentado de Economia da Unicamp Waldir Quadros. Segundo ele, “todas as camadas foram beneficiadas pela mobilidade social no triênio 2023-2025”.

O professor Quadros mostra que a mobilidade social não é maior devido “à falta de um sistema de produção industrial moderno”. Segundo ele, a desindustrialização “resulta, entre outros malefícios, em atraso tecnológico, baixo crescimento, limitada geração de empregos qualificados e precárias oportunidades ao pequeno negócio”.

Corroborando a tese do professor, o Caged aponta que o recorde de empregos criados e o baixo desemprego, dados positivos, são atenuados pelo salário médio real de admissão em junho, de apenas R$ 2.404,34.

O Brasil, no entanto, melhorou – e muito – com o terceiro governo de Lula, depois da tragédia bolsonarista que havia jogado para baixo todos os indicadores econômicos e sociais.

Por isso, o movimento sindical brasileiro, após a realização da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, em abril deste ano, aprovou uma importante agenda para avançar nas conquistas.

A agenda unitária do Fórum das Centrais Sindicais defende um projeto nacional de desenvolvimento com soberania, democracia e valorização do trabalho. Para tanto, é essencial ter uma indústria forte, geradora de empregos de qualidade e com melhores salários.

Tudo isso precisa vir acompanhado da luta contra a precarização do trabalho, pela redução da jornada sem diminuição de salários, pela preservação da política de valorização do salário-mínimo.

Essa pauta, para se tornar vitoriosa, precisa, antes de tudo, da reeleição do presidente Lula em outubro. Por isso, a batalha para derrotar uma vez mais a extrema-direita deve estar no topo da agenda do sindicalismo classista.

Campo de batalha preferencial https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_0705469525.html

Postei nas redes

Por que grandes legendas do Centrão não apoiam Flávio Bolsonaro? Por pragmatismo político: com o andar da campanha o candidato do PL pesará uma tonelada para ser carregado. 

Pequenas grandes contribuições https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/pequenas-grandes-contribuicoes.html 

Palavra de poeta

passeio pelas ruas do espinheiro 
Cida Pedrosa 

quero 
pelos olhos da cidade 
apreciar papoulas 
abertas de par em par 
para deleite dos cãezinhos 
e colares de pérola de maiorca
 
(a pressão atropela a solidão do homem 
que vende pipoca na esquina 
 
o vento do carro 
levanta a saia da moça lilás 
para felicidade dos operários 
já libertos do andaime 
e da rigidez das horas)
 
quero
pelos olhos da cidade 
sentir cheiro de pão e de fuligem 
de brisa e de cimento 
e testemunhar o preciso instante 
em que o beija-flor afaga 
a papoula aberta de para em par
 
[Foto: LS]
 
Leia também: "Nossa marcha", poema de Vladímir Maiakóvski https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-de-poeta_01236454352.html 


19 agosto 2026

Submarino nuclear em destaque

Lula defende soberania nacional e garante recursos para submarino nuclear
Em visita ao Centro Industrial de Aramar, presidente destacou que soberania nacional exige investimentos concretos e tecnologia própria
Davi Dmolir/Vermelho   
 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou nesta quarta-feira (19) o Centro Industrial Nuclear de Aramar (CINA), em Iperó (SP), e acompanhou o início da montagem da seção nuclear do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (LABGENE). O laboratório consiste em um protótipo em escala real e em terra da planta de propulsão do futuro submarino nuclear Álvaro Alberto.

A etapa marca um avanço concreto do Programa Nuclear da Marinha na consolidação do projeto.

Acompanharam a comitiva o ministro da Defesa, José Múcio; o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Marcos Antonio Amaro; o comandante da Marinha, almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen; e a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos.

Lula pôs a soberania nacional no centro do discurso e prometeu garantir os recursos para concluir o projeto.“Nós vamos arrumar os recursos para que a gente termine de uma vez por todas esse submarino. Um submarino é importante para o Brasil, para a nossa soberania, para o nosso desenvolvimento tecnológico e para gerar emprego”, afirmou o presidente.

Ele criticou a falta de continuidade de projetos estratégicos das Forças Armadas, defendendo tratamento diferenciado para investimentos de defesa. “A gente não tem soberania nacional porque a gente faz discurso. O discurso é só palavra e o adversário às vezes nem escuta. A gente tem que estar preparado para eles saberem que a gente vai ter força para poder dizer não, dizer que vamos competir. O que não pode é ser cabeça baixa a vida inteira”, afirmou. Lula também defendeu o enriquecimento de urânio para fins pacíficos, conforme determina a Constituição, e associou o domínio da tecnologia à capacidade de desenvolver e exportar conhecimento.

A ministra Luciana Santos destacou o caráter estratégico da embarcação. Segundo ela, o submarino nuclear é um “instrumento de dissuasão” e uma “ferramenta importante para protegermos nosso mar em contexto de agravamento de tensões geopolíticas”.

O comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen, ressaltou a importância estratégica do programa e a necessidade de continuidade orçamentária. O ministro da Defesa, José Múcio, acompanhou a agenda e reforçou o apoio do governo ao projeto.

O LABGENE funciona como um “submarino em terra” para simular e testar, sob condições controladas de segurança, o reator e os sistemas eletromecânicos integrados antes da instalação definitiva na embarcação. Em plena operação, o reator de 48 megawatts de potência térmica gerará energia equivalente ao consumo de uma cidade de 20 mil habitantes.

O projeto tem caráter dual: capacita a proteção das águas territoriais e habilita o Brasil no desenvolvimento futuro de pequenos reatores modulares de energia elétrica, com benefícios para a medicina e a agricultura.

Aramar reúne infraestrutura que garante a autonomia tecnológica nacional, incluindo o Laboratório de Enriquecimento Isotópico (LEI), a Usina Piloto de Produção de Hexafluoreto de Urânio (USEXA) e o Laboratório de Materiais Nucleares (LABMAT). O programa conta com aporte da Finep para a produção do gás UF6, usado no enriquecimento do urânio, e de combustíveis para reatores navais.

A formação de pessoal é realizada pelo Centro de Instrução e Adestramento Nuclear (CIANA), enquanto a segurança radiológica é auditada pelo Laboratório Radioecológico (LARE). Ao unir defesa e uso civil, o governo reafirma o domínio nuclear como eixo de desenvolvimento e soberania.

Três "questões de ordem" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0658357328.html

Minha opinião

Samba de um mercado só
Luciano Siqueira    

Não uso a expressão “de uma nota...” em respeito a Tom Jobim e porque “mercado” sintetiza tudo.

Ou quase tudo, quando se lê e se escuta o que dizem os responsáveis pelo programa de governo dos candidatos da direita à presidência da República.

O compromisso de todos é antes de tudo com o chamado mercado financeiro, a força hegemônica da elite dominante, de braços dados com o grande agro exportador e os monopólios varejistas.

Cada um ao seu estilo, concentram suas proposições na substituição ou reformulação de regras fiscais com foco na contenção do crescimento dos gastos públicos, redução do déficit e estabilização do endividamento em relação ao PIB. Associado a isso, redução drástica dos gastos com politicas sociais compensatórias, principalmente com a Bolsa Família, que odeiam.

Defendem a retomada e a ampliação de programas de desestatização, concessões e parcerias público-privadas (PPPs) para atração de capital privado em projetos de infraestrutura.

Muita demagogia com promessas de simplificação tributária, desoneração, incentivo ao empreendedorismo, ampliação de crédito para pequenos negócios e facilitação da produtividade.

E quando falam os próprios candidatos, saiam de baixo: a superficialidade, o improviso e a demagogia dão o tom do discurso.

Pelo capital financeiro, tudo!

Vale acompanhar o confronto de ideias durante a campanha e valorizar, mais do que nunca!, o programa da chapa Lula-Alkmin cujo fio condutor está no desenvolvimento soberano e socialmente democrático.

Soberania nacional é o pilar do Programa de governo de Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/editorial-do-vermelho_01066033204.html

Postei nas redes

Recentemente, a Thopen Energy, empresa de energia renovável, proclamava aos quatro ventos que esperava faturamento de R$ 1 bilhão em 2026, crescimento de 100% em relação ao ano passado. Agora, afundada em R$ 4,5 bilhões em dívidas, pediu recuperação judicial. No capitalismo, todos mentem e muita gente ainda acredita. 

Soberania e autonomia tecnológica https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/estado-soberania-nacional.html 

Arte é vida

 

Sophia Tassinari

Diretrizes do Programa Lula e a agenda trabalhista https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/nivaldo-santana-opina.html