Nada se cria, tudo se repete
Mesmo após troca no comando, seleção mantém
problemas de compactação, pressão e criação. Mudança passa por melhorar
jogadores e aproximar o time do futebol de intensidade e pressão
Tostão/Folha
de S. Paulo
Neste reinício da seleção após o fracasso no Mundial, pensei que veria algo novo, uma ideia diferente. Tudo continua na mesma. Nada se cria, tudo se repete.
Além das
carências individuais no meio-campo, o problema não é jogar com apenas dois no
meio e quatro no ataque. É a falta de compactação, com enormes distâncias entre
a defesa, o meio-campo e o ataque. Isso dificulta bastante a pressão para
recuperar a bola, a troca de passes e a criação de jogadas ofensivas, além de
facilitar demais para os adversários, mesmo com pouca qualidade, como a
Austrália, trocarem passes de uma intermediária a outra.
Assim como a
corrupção no Brasil, as seguidas eliminações da seleção
brasileira nos Mundiais para seleções médias (Bélgica,
Croácia
e Noruega)
e outras atuações e resultados ruins contra seleções pequenas, como a
Austrália, estão cada dia mais normalizadas. Receio que, em um futuro cada dia
mais próximo, a glória e a magia do futebol brasileiro sejam apenas uma foto no
celular, sem lamentações.
O desejo move
o mundo.
Enfim, os
treinadores de mais prestígio no futebol mundial estão dirigindo grandes
seleções. Depois que Ancelotti
se tornou treinador da seleção brasileira, o alemão Klopp
assumiu a seleção alemã, Zidane,
a francesa, Jorge Jesus,
a portuguesa, Mancini,
a italiana. Já Guardiola
continua no seu descanso. O milionário salário que Ancelotti recebe da CBF deve ter sido a chama que mudou os
parâmetros financeiros das federações dos outros países e que despertou o
interesse dos treinadores mais famosos, pois havia um consenso de que os principais
técnicos ganhavam nos clubes muito mais do que recebiam nas seleções.
Por outro
lado, a Espanha,
campeã e que joga o melhor futebol do mundo, é dirigida por um
treinador espanhol vindo da base, que nunca tinha comandado uma equipe
principal, o discreto Luís De La
Fuente.
Xavi, um dos grandes jogadores da história
do futebol e que está no início de carreira de treinador, comanda a seleção da
Holanda. É uma contratação técnica e afetiva. Xavi era um dos craques do
Barcelona, dirigido por Guardiola, que revolucionou o futebol mundial,
influenciado pelo holandês Cruyff, eterno jogador, treinador e pensador.
Para melhorar
o futebol brasileiro e a seleção, é preciso ter ótimos gramados, um bom
calendário, jogos menos tumultuados e clubes bem administrados, que não gastem
mais do que podem e que paguem o que devem.
Além de
evoluir na formação de jogadores, é necessário unir a compactação, a pressão
para recuperar rapidamente a bola, a intensidade, com a capacidade de alternar,
no mesmo jogo, o domínio da bola, a troca curta de passes com a transição
rápida da defesa para o ataque.
Precisamos
formar goleiros que joguem bem com as mãos e com os pés, zagueiros que defendam
bem e que tenham bons passes, laterais que marquem e apoiem bem, pontas que
driblem para fora e para dentro e que cruzem e finalizem bem, centroavantes que
participem do jogo coletivo e que sejam bons finalizadores e meio-campistas que
atuem de uma intermediária a outra, que marquem, construam e avancem.
Além
de tudo isso, é essencial ter uma consciência coletiva do jogo, sem abandonar a
capacidade criativa e a ambição individual. É o desejo que move o mundo.
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