06 setembro 2026

Palavra de poeta

O tempo e seus suspiro
Mia Couto   

Deito-me
para desinflamar
a angústia.

Aos poucos,
meu cansaço
vai perdendo convicção.

A velhice é uma insónia:
deitamo-nos
e quem dorme é a cama.

[Ilustração: Amedeo Modigliani]

Leia também "Chuva e sol", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/palavra-de-poeta_0567998667.html 

Minha opinião

Fator subjetivo 
Luciano Siqueira    

Encontro velho militante de partido de esquerda aliado: 

— Então, venceremos?, pergunto.

— Claro! Lula e João Campos, assevera com cândida convicção.

— Na peleja em Pernambuco, nosso candidato continua em segundo lugar... O que falta?

— Falta apenas mais carga na Região Metropolitana. Quem ganhar aqui ganha também no conjunto do Estado. 

— Como o eleitor fará a diferença, se os discursos de João e Raquel são semelhantes? 

— !?

— O discurso de ambos, das "entregas" administrativas, gera gratidão, mas não eleva a consciência política do eleitorado — acrescento. Importa a diferenciação política aos olhos do eleitorado.

— Tem razão... precisamos explorar mais a aliança com Lula.

— Sim, sem dúvidas, dando nome aos bois.

— Como assim?

— É preciso tornar muito claro que João Campos está plenamente envolvido na batalha que Lula lidera em defesa da soberania nacional. 

— Ah, sim...

— Esse é um dever da esquerda na ampla coligação que apoia João para governador. Um passo adiante é necessário.

Despedimo-nos rapidamente, ambos tínhamos compromisso. Não sei se fui compreendido.

O selo do PCdoB na frente pró-Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/o-pcdob-e-lula.html 

Postei nas redes

Augusto Cury, nova esperança da mídia neoliberal, omitiu negócios nos EUA - três empresas na Flórida - em sua declaração à Justiça Eleitoral. Até tu, Brutus? 

André Mendonça incorreu em parcialidade para favorecer Flávio Bolsonaro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/editorial-do-vermelho.html 

Dica de leitura

Universidade & desenvolvimento regional
Luciano Siqueira     

Tema relevante, atual: a relação entre a interiorização da Universidade e o desenvolvimento regional. Presente inclusive no discurso do presidente Lula.

Vale conferir o artigo "A interiorização da universidade brasileira", de Renato Francisco dos Santos Paula, publicado no site A Terra é Redonda.

O autor parte de uma afirmação certeira: o verdadeiro impacto social da interiorização não decorre do local de moradia dos seus trabalhadores (docentes e técnicos), mas sim de quão integrada a instituição está ao território e aos problemas regionais.

Isto porque, historicamente, as universidades brasileiras concentraram-se nos grandes centros urbanos e capitais. Com o adventos dos governos Lula - anoto - a expansão e interiorização (como a promoção via REUNI e a expansão da rede federal) busca democratizar o acesso ao ensino superior e combater as desigualdades regionais.

Uma experiência relativamente recente, cujos frutos ainda estão por amadurecer plenamente, observo, porque em diversas situações a chegada súbita de novos campi a cidades de pequeno e médio porte frequentemente se deparou com a ausência de infraestrutura urbana básica: serviços especializados, transporte, moradia compatível e equipamentos culturais.

Entretanto, a circulação de docentes, a articulação em redes de pesquisa e as conexões interinstitucionais e entre diferentes territórios enriquecem o conhecimento científico e a própria ação da universidade. Variável a considerar no esforço de efetivamente interiorizar a universidade – que o autor considera que exige atuação comunitária, projetos de extensão de impacto, formação profissional alinhada à região e inserção no desenvolvimento territorial.

Confira https://aterraeredonda.com.br/a-interiorizacao-da-universidade-brasileira/

Leia também: Contra a plataformização e o ensino neoliberal https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/contra-plataformizacao-e-o-ensino.html 

Mídia x democracia

Da República de Weimar à imprensa brasileira
A imprensa tem o dever de não legitimar novamente forças antidemocráticas em nome de interesses políticos ou econômicos.
Luís Nassif/Jornal GGN    

O ponto central de Irresponsables: ¿Quién llevó a Hitler al poder?, do historiador francês Johann Chapoutot, é menos tranquilizador do que a explicação convencional segundo a qual Hitler teria conquistado democraticamente o poder pelo voto popular. Não conquistou. O Partido Nazista tornou-se uma força de massas e foi o mais votado em julho de 1932, com 37,4%, mas nunca obteve maioria absoluta em eleições livres. Em novembro daquele ano, caiu para 33,1% e dava sinais de declínio. Hitler chegou à chancelaria em 30 de janeiro de 1933 porque uma elite política, econômica, militar e midiática resolveu entregar-lhe o governo.

O título do livro identifica essa elite: os irresponsáveis.

Eram conservadores que não gostavam da democracia de Weimar, temiam a esquerda e acreditavam poder usar o movimento de massas nazista para restaurar a hierarquia social, destruir os direitos trabalhistas e implantar um Executivo autoritário. Franz von Papen convenceu o presidente Paul von Hindenburg de que Hitler poderia ser cercado por ministros conservadores e mantido sob controle. Alfred Hugenberg, líder nacionalista e magnata de um império de jornais, agências de notícias e cinema, colocou sua máquina de comunicação a serviço da radicalização da direita. Grandes empresários, banqueiros e latifundiários viram nos nazistas uma barreira contra o movimento operário. 

A tragédia foi produzida por decisões concretas de homens poderosos que desprezavam a democracia, subestimavam Hitler e julgavam que os riscos seriam pagos pelos outros.

Hitler não “gabaritou” a legalidade

Depois do fracasso do golpe de Munique, em 1923, Hitler adotou uma estratégia legalista: chegaria ao Estado por eleições, nomeações e dispositivos constitucionais para, de dentro dele, destruir a própria Constituição.

A justiça conservadora já lhe dera uma demonstração de benevolência. Julgado por alta traição pelo golpe de 1923, Hitler recebeu a pena mínima de cinco anos, cumpriu apenas alguns meses em condições privilegiadas e transformou o tribunal em palanque. Os juízes aceitaram como nobres e patrióticas as motivações dos golpistas e não aplicaram rigorosamente nem sequer as regras que poderiam levar à deportação do réu austríaco. A tolerância institucional ensinou-lhe que a República era menos capaz de defender-se do que seus inimigos eram capazes de explorá-la. 

Nos anos seguintes, a erosão ocorreu sem revogação formal da Constituição. Os governos de Heinrich Brüning, Von Papen e Kurt von Schleicher ampliaram abusivamente o artigo 48, que autorizava decretos presidenciais de emergência. O Parlamento foi contornado; governar por exceção tornou-se rotina. A República continuava de pé no papel, enquanto seu conteúdo democrático era esvaziado.

Nomeado chanceler sem maioria parlamentar, Hitler recebeu as chaves de pontos decisivos do Estado. Hermann Göring passou a controlar a polícia da Prússia, o maior estado alemão. Depois do incêndio do Reichstag, o decreto de 28 de fevereiro de 1933 suspendeu liberdades civis e o devido processo. Comunistas e social-democratas foram presos, publicações foram fechadas e a oposição foi submetida ao terror das SA e da polícia. A Lei de Plenos Poderes, de março, foi votada com deputados perseguidos ou impedidos de exercer o mandato.

Portanto, não houve uma passagem limpa e democrática da legalidade à ditadura. Houve legalismo combinado com violência, interpretação abusiva da Constituição, captura policial, intimidação parlamentar e fabricação permanente da exceção. A forma jurídica não impediu a barbárie; em vários momentos, foi usada para dar aparência administrativa à destruição do direito. 

O jurista Carl Schmitt forneceu parte da gramática dessa mutação. Na fase final de Weimar, defendeu a primazia do presidente e da decisão soberana sobre o pluralismo parlamentar. Depois de 1933, aderiu ao nazismo e tornou-se seu “jurista da Coroa”. O perigo não estava apenas em juízes que descumpriam a lei, mas em juristas capazes de reinterpretá-la até que a exceção parecesse a verdadeira guardiã da ordem.

A função da imprensa na fabricação do “mal menor”

A contribuição mais atual de Chapoutot está na descrição do processo pelo qual uma elite transforma o extremista em solução aceitável. Hugenberg não precisava concordar com cada delírio nazista. Bastava-lhe acreditar que Hitler seria útil contra a esquerda, domesticável no governo e funcional aos interesses econômicos conservadores.

A imprensa não atuou apenas como mensageira dos fatos. Parte dela selecionou inimigos, construiu uma atmosfera de catástrofe, converteu conflitos sociais em ameaça existencial e apresentou o autoritarismo como remédio de emergência. A radicalização tornou-se razoável porque o adversário — marxistas, sindicatos, a República, a cultura cosmopolita — havia sido previamente apresentado como intolerável. 

É nesse mecanismo, e não numa equivalência histórica simplista, que surgem semelhanças com o Brasil.

O paralelo brasileiro

A imprensa brasileira não é um bloco único, assim como o Brasil contemporâneo não é a Alemanha de 1932. Não há aqui a derrota numa guerra mundial, o Tratado de Versalhes, a hiperinflação de Weimar, tropas paramilitares disputando as ruas na mesma escala, antissemitismo de Estado nem partido nazista prestes a instituir um regime totalitário e genocida. Comparar não é igualar.

Mas alguns mecanismos de irresponsabilidade são reconhecíveis. 

1. A criação prévia de um ambiente antipolítico

Durante anos, os grandes meios de comunicação apresentaram a política quase exclusivamente pela linguagem da corrupção, do escândalo e da incompetência do Estado. Quando ilegalidades de atores distintos recebem pesos radicalmente diferentes, a denúncia deixa de ser controle democrático e passa a reorganizar o campo político.

A criminalização generalizada da política abriu espaço para o “outsider” que prometia limpar o sistema pela força. O candidato que exaltava a ditadura, homenageava torturadores e tratava adversários como inimigos foi recebido muitas vezes como uma resposta, ainda que grosseira, a um sistema considerado apodrecido. 

2. A falsa simetria

Em 2018, parte importante da cobertura tratou a eleição como confronto entre “dois extremos”. De um lado estava um partido constitucional, sujeito à alternância de poder e às regras eleitorais. Do outro, um candidato que nunca escondeu sua admiração pela ditadura, atacava direitos de minorias e já colocava sob suspeita o sistema de votação.

Ao chamar de polarização o conflito entre democracia e ameaça autoritária, o jornalismo produz uma neutralidade enganosa. A obrigação de ouvir lados diferentes não exige atribuir o mesmo valor factual e democrático a todos eles. Equidistância entre o incêndio e o bombeiro não é imparcialidade. 

3. A preferência de classe convertida em critério de normalidade

Assim como os conservadores de Weimar enxergaram nos nazistas uma força útil contra sindicatos e a esquerda, parcelas do establishment brasileiro viram em Bolsonaro o veículo eleitoral de uma agenda econômica que desejavam: redução de direitos trabalhistas, privatizações, austeridade e enfraquecimento da capacidade reguladora do Estado.

As grosserias são lamentáveis, mas a equipe econômica é confiável. O autoritarismo foi rebaixado a problema de estilo; o programa econômico, elevado a certificado de racionalidade. O mercado funcionou como salvo-conduto moral. 

4. A legitimação pelo procedimento

O argumento “foi eleito, portanto é democrático” repete o erro de confundir origem eleitoral com prática democrática. Eleições conferem mandato, não autorização para destruir controles institucionais. Um governo pode nascer das urnas e trabalhar diariamente contra o pluralismo, a liberdade de imprensa, a ciência, o sistema eleitoral e a separação de Poderes.

Em Weimar, a legalidade formal foi manipulada para normalizar a exceção. No Brasil, o risco apareceu quando ataques às urnas, ameaças ao Supremo, celebrações do golpe de 1964 e pressões sobre as Forças Armadas eram tratados como bravatas destinadas apenas a mobilizar a base. A tentativa de golpe revelada depois mostrou que a retórica não era mero teatro. 

5. A ilusão de que o extremista será controlado

Von Papen acreditava que, cercado por conservadores, Hitler ficaria “encurralado”. Empresários e dirigentes brasileiros imaginaram que Congresso, militares, mercado e imprensa conteriam Bolsonaro, aproveitando sua popularidade para executar uma agenda convencional. Em ambos os casos, o cálculo transfere à sociedade o risco de uma aventura decidida no andar de cima.

O extremista, porém, não entra no sistema para ser educado por ele. Entra para capturar seus recursos, degradar seus freios e tornar cada reação institucional prova de que existe uma conspiração contra o “povo verdadeiro”. 

6. O jornalismo de declaração como correia de transmissão

Movimentos autoritários aprenderam a produzir acontecimentos pela fala. Cada provocação garante manchetes, mobiliza seguidores e desloca a pauta. Quando a imprensa apenas reproduz a frase e registra a reação do adversário, transforma mentira em controvérsia e ameaça em espetáculo.

O dever jornalístico não é esconder a declaração, mas enquadrá-la desde o título: dizer o que é falso, qual regra está sendo atacada, quem se beneficia e qual sequência estratégica aquela fala integra. Sem contexto, a cobertura multiplica gratuitamente a propaganda que pretende fiscalizar. 

Os novos irresponsáveis

A semelhança decisiva entre a Alemanha nazista e o Brasil pré-eleições está no método de normalização.

Primeiro, escolhe-se um inimigo absoluto. Depois, todo abuso cometido contra ele parece tolerável. Nenhuma crítica à manipulação das investigações do Master por André Mendonça, nenhuma palavra sobre sua decisão de implodir o sistema, denunciando um Ministro do Supremo, o Procurador Geral da República e o Delegado Geral da Polícia Federal. Nem aos seus negócios, montados à sombra da influência de seus votos no STF e no Tribunal Superior Eleitoral.

A imprensa se torna irresponsável quando troca a apuração pela campanha, a pluralidade pela uniformidade de classe e a defesa das regras democráticas pela conveniência do momento. Torna-se ainda mais perigosa quando imagina que poderá apoiar a demolição seletiva das garantias — desde que contra o adversário certo — e recuperá-las intactas depois. 

A lição de Chapoutot não é que toda crise atual terminará em fascismo. É que nenhuma democracia possui seguro contra a estupidez, a soberba e o oportunismo de suas elites. Hitler não caiu do céu nem foi irresistivelmente empurrado ao poder por uma maioria nacional. Foi conduzido até a porta por homens que tinham informação suficiente para conhecer o risco e poder suficiente para escolher outro caminho.

A responsabilidade histórica da imprensa brasileira começa exatamente aí: não transformar novamente o inimigo da democracia em alternativa legítima apenas porque ele promete derrotar seus adversários, proteger seus interesses ou cumprir sua agenda econômica.

Ilustração: imagem produzida por IA

Leia também: Guerra híbrida midiática https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/dica-de-leitura_0865126294.html    

Humor de resistência

Miguel Paiva

Crimes financeiros do clã Bolsonaro no caso “Dark Horse” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/poco-de-lama.html 

Trabalho & vida

Pesquisa aponta apoio de 78% dos brasileiros ao fim da escala 6×1
Levantamento do Instituto Locomotiva aponta que a escala 6×1 prejudica o convívio familiar, o sono e a saúde mental dos trabalhadores submetidos a essa jornada
Lucas Toth/Vermelho 

Uma pesquisa nacional do Instituto Locomotiva aponta que 78% dos brasileiros defendem a substituição da escala 6×1 — seis dias de trabalho para um de folga — pela jornada 5×2, com 40 horas semanais. O índice equivale a cerca de 128 milhões de pessoas.

O apoio à mudança atravessa diferentes grupos políticos e camadas sociais. Segundo o levantamento, 96% dos eleitores que se identificam com a esquerda são favoráveis ao fim da escala, assim como 61% dos que se declaram de direita. Entre integrantes da geração Z, o percentual chega a 86%; entre as mulheres, a 83%.

A pesquisa foi divulgada enquanto o Congresso discute a proposta de emenda à Constituição que reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial, e garante dois dias de descanso remunerado. 

A PEC foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e aguarda votação em plenário, prevista para depois das eleições.

Para os trabalhadores submetidos à escala 6×1, os efeitos da jornada se estendem à vida fora do emprego. Entre eles, 69% dizem que ela prejudica o convívio familiar; 67% relatam piora na saúde mental; 62% associam o regime a problemas físicos; e 61% apontam prejuízos ao sono.

Para 81% dos entrevistados, o descanso se tornou um privilégio para poucos. Outros 72% consideram que a escala prejudica o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, enquanto 78% afirmam que quem trabalha seis dias por semana têm menos tempo para familiares e amigos.

O presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, afirma que os dados revelam uma mudança na forma como a população avalia as condições de trabalho. 

“Quando a gente pergunta para quem vive a escala 6×1, o problema não aparece primeiro no salário. Aparece no tamanho da vida que sobra depois do trabalho”, disse.

A falta de folgas também afeta a possibilidade de formação profissional. Segundo a pesquisa, 47% das pessoas submetidas à escala afirmam que a jornada dificulta estudar ou se qualificar. 

Para Meirelles, o dado também desmonta o argumento de que a manutenção do modelo 6×1 seria necessária para assegurar produtividade.

A percepção sobre os ganhos tecnológicos reforça esse debate. Para 74% dos brasileiros, a tecnologia elevou a produtividade, mas os benefícios ficaram concentrados nos lucros das empresas, sem melhorar a vida de quem trabalha. Sete em cada dez entrevistados concordam que, se a produtividade aumentou, os trabalhadores deveriam trabalhar menos.

O levantamento também relativiza um dos principais argumentos dos empresários contra a redução da jornada. Apenas 48% acreditam que a passagem da escala 6×1 para a 5×2 levaria empresas a repassar custos trabalhistas aos consumidores.

A PEC em análise no Senado prevê uma transição gradual: a jornada máxima cairia inicialmente para 42 horas semanais e, após um ano e meio, chegaria a 40 horas. Para entrar em vigor, o texto ainda precisa ser aprovado em dois turnos pelo plenário, com o voto favorável de pelo menos 49 senadores.

O golpe por dentro do TSE https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/golpismo.html