14 maio 2026

Palavra de poeta

chuva e sol
Cida Pedrosa    

quando chove
o verde em chamas
abala o mundo
 
o sol tímido
recua, dando lugar
à euforia dos viventes
 
gotas de terra
gotas de chuva
gotas de sol
 
tríade da luz
e do afazer.
o sertão descansa
apaziguado.

 
[Ilustração:
Marcos Guinoza]

Leia também "Todas as coisas cujos valores podem ser", poema de Manoel de Barros https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/palavra-de-poeta_5.html 

Postei nas redes

Donald Trump publica imagem contendo a Venezuela anexada aos Estados Unidos. Tresloucado governante de uma superpotência decadente. 

Trump segue errátil e inconsequente https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/o-no-cego-de-trump.html 

Arte é vida

 

Antonio Maia

Cotidianos sinais de vida https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

13 maio 2026

Palavra de Luciana

Infovias: Ciência e Tecnologia a serviço da inclusão e da soberania nacional
Programa amplia redes de fibra óptica no país, conecta universidades e hospitais e leva inovação, educação e inclusão digital às regiões mais afastadas.
Luciana Santos/Vermelho 
 

O Brasil que estamos reconstruindo passa, invariavelmente, pela inclusão digital. Em um mundo cada vez mais orientado pelo conhecimento, garantir acesso à internet de qualidade deixou de ser um diferencial e se tornou uma condição básica para o desenvolvimento social, econômico e científico. Por isso, no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, temos uma diretriz clara: conectar o Brasil para incluir pessoas.

As infovias representam um dos pilares dessa estratégia. São redes de fibra óptica de alta capacidade que estão sendo implantadas em diferentes regiões do país, conectando universidades, institutos de pesquisa, escolas, hospitais e centros de inovação. Mais do que infraestrutura tecnológica, estamos falando de uma política pública que leva oportunidades onde antes elas não chegavam.

Por meio do Programa Conecta, executado pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e financiado com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), o Governo do Brasil está estruturando uma verdadeira malha digital de alta velocidade no país.

Os resultados dessa estratégia já são concretos. No Acre, onde já investimos mais de R$ 109 milhões, a Infovia Acre está modernizando laboratórios da Universidade Federal (UFAC) e do Instituto Federal (IFAC), garantindo que a floresta e o conhecimento local estejam integrados à infraestrutura científica mais moderna do país.

Já na Bahia, estamos implementando quase 4 mil quilômetros de fibra óptica, criando um corredor digital de pesquisa que conecta Salvador a polos estratégicos como Barreiras, Irecê e Santo Antônio de Jesus. Com velocidades de até 100 Gbps, estamos garantindo que a inteligência artificial e a supercomputação cheguem aos rincões do nosso território.

Em Pernambuco também atuamos para ampliar a infraestrutura digital voltada à educação, pesquisa e inovação no estado. Entre 2025 e meados de 2026, estão previstas ou já realizadas 19 entregas, alcançando 19 municípios e beneficiando mais de 200 instituições, com destaque para a implantação de enlaces de alta capacidade, redes metropolitanas e trechos de longa distância que fortalecem a conectividade regional. 

Mas conectar o Brasil vai além de instalar cabos e equipamentos. É sobre garantir que essa infraestrutura se traduza em benefícios reais para a população. É permitir que um estudante do interior tenha acesso ao mesmo conteúdo que um aluno dos grandes centros. É possibilitar que pesquisadores desenvolvam soluções inovadoras a partir de suas realidades locais. É abrir caminho para que empreendedores transformem ideias em negócios e gerem renda em suas comunidades.

Essa estratégia está articulada a um conjunto mais amplo de políticas públicas. Ao mesmo tempo em que investimos em conectividade, ampliamos o acesso ao financiamento à inovação, com bilhões de reais disponíveis em editais e linhas de crédito. Programas como o Centelha incentivam o surgimento de startups em todas as regiões do país, enquanto iniciativas da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) levam recursos diretamente a empresas, cooperativas e instituições científicas.

Estamos, assim, construindo um ecossistema completo: infraestrutura digital, fomento à inovação e formação de pessoas. Porque não basta conectar, é preciso capacitar, incluir e gerar oportunidades.

O Brasil é um país de dimensões continentais e de desigualdades regionais. Justamente por isso, nossa política de Ciência, Tecnologia e Inovação precisa ser territorialmente equilibrada. Levar conectividade de alta capacidade para o Norte, Nordeste e interior do país é uma escolha estratégica e também um compromisso com o desenvolvimento e a justiça social.

No Governo do presidente Lula, trabalhamos para que cada nova infovia represente mais do que quilômetros de fibra óptica. Que represente acesso, inclusão e desenvolvimento. Que leve conhecimento, serviços e oportunidades a quem mais precisa.

Essa é a ciência que entrega resultados e resolve problemas concretos da nossa sociedade. Ao conectarmos nossas universidades e institutos ao setor produtivo e aos hospitais, estamos viabilizando a telemedicina, a educação à distância de qualidade e a inovação industrial.

Ao acender cada novo quilômetro de fibra óptica, o Brasil reafirma que o conhecimento é um direito de todos e que a inovação é o motor de uma nação mais justa, conectada e verdadeiramente democrática.

Porque, no fim das contas, conectar o Brasil é, acima de tudo, incluir pessoas.

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Leia também: Para além do “economicismo governamental” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/07/minha-opiniao_5.html

Entraves a superar

Por que a economia brasileira tem voo de galinha?
O custo do dinheiro e o Brasil que poderia ter sido
Luís Nassif/Jornal GGN   

O ponto de partida: a diferença de spread

O spread médio brasileiro em crédito livre para pessoas físicas e empresas ficou, nos últimos anos, frequentemente entre 25 e 35 pontos percentuais. Na França, o spread típico ficou perto de 2 a 4 pontos. A diferença estrutural é de aproximadamente 27 pontos percentuais — não é um pedágio, é um tributo imperial sobre toda atividade econômica.

O que vamos fazer é imaginar o que o Brasil poderia ter sido se o sistema bancário brasileiro tivesse um spread francês. 

Peça 1 — Sistema bancário

Os cinco maiores bancos brasileiros somaram cerca de R$ 150 bilhões de lucro líquido em 2023–2024. Seus ROEs ficam entre 16% e 25%, bem acima dos europeus, que operam entre 6% e 12%. Em relação ao PIB, o lucro do sistema bancário brasileiro representa 1,3% a 1,7% — contra 0,3% a 0,6% na França.

Se operassem com spread francês e mesmo volume de crédito, o lucro cairia para R$ 35–60 bilhões — redução de 60% a 75%. O que os bancos recusam considerar é o ganho de escala: com spread menor, o volume de crédito cresceria substancialmente, moderando a queda para um intervalo de R$ 80–110 bilhões.

Peça 2 — Indústria

O estoque de crédito para a indústria oscilou entre R$ 600 bilhões e R$ 1,5 trilhão na última década. O spread industrial brasileiro ficou entre 8% e 15%; o francês, entre 1% e 3%. A diferença estrutural média é de 8 a 10 pontos percentuais.

O excesso de spread drenou da indústria aproximadamente R$ 90 bilhões por ano. Em dez anos, R$ 900 bilhões a R$ 1,2 trilhão. Para efeito de comparação: o investimento industrial total no período foi de aproximadamente R$ 1,7 trilhão. Ou seja, para cada R$ 10 investidos pela indústria, entre R$ 5 e R$ 7 foram drenados em custo financeiro extraordinário. 

O investimento industrial teria sido 50% a 70% maior. A indústria de transformação, que chegou a 27% do PIB nos anos 1980 e hoje gira em torno de 10%, poderia estar 20% a 30% maior do que está. 


Peça 3 — Mercado de capitais

A capitalização via mercado de ações depende diretamente do custo do dinheiro. Quando a Selic despencou no período Dilma, os fundos de pensão montaram mesas específicas para renda variável. Com o retorno às taxas estratosféricas após 2016, o capital estrangeiro voltou a se concentrar em títulos públicos — que praticamente dobraram de US$ 105,7 bilhões para US$ 234,9 bilhões entre 2015 e 2024 — enquanto a posição em ações estagnou entre US$ 62 e US$ 88 bilhões. A razão ações/títulos caiu de 55% para 27% em dez anos: o capital especulativo prefere a renda garantida da Selic ao risco produtivo. 



Peça 4 — Comércio e consumo

Com spread francês no crédito ao consumidor, o alívio anual de juros seria de R$ 250 a R$ 450 bilhões. Aplicando a propensão a consumir de 65% a 80%, a injeção anual no varejo seria de R$ 160 a R$ 360 bilhões — o equivalente a um aumento de vendas de 6% a 8% ao ano sobre uma base de R$ 3,5 a R$ 4,5 trilhões de receita do varejo ampliado. 

Peça 5 — O impacto no PIB

Conta estática — somando os ganhos setoriais com ajuste por importações, poupança e vazamentos (eficiência líquida de 50% a 80%): 
Conta dinâmica — o dinheiro não entra uma vez; ele gira. Consumidor paga menos juros → sobra renda → comércio vende mais → indústria produz e investe mais → emprego e salários sobem → arrecadação cresce sem elevação de alíquota. Cinco rodadas de multiplicação:

Em valores atuais, com PIB de R$ 12 trilhões, o cenário central representa R$ 3 a R$ 4,2 trilhões a mais de produto anual ao fim do período.

Síntese

O spread alto é uma trava dupla: reduz a demanda hoje e impede o investimento que aumentaria a oferta amanhã. Os dois movimentos — bancos entre os mais rentáveis do mundo e indústria com participação no PIB pela metade em quarenta anos — não são coincidência estatística. São dois lados da mesma transferência estrutural de renda.

Com spread francês, o Brasil não teria apenas consumido mais. Teria reconstruído parte de sua base produtiva.

Nos próximos dias, vamos mostrar as razões que levaram a Selic a se amarrar ao câmbio e os spreads bancários baterem todos os recordes mundiais. E qual o caminho para romper com essa amarra.

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PCdoB lança programa de reformas para romper com o neoliberalismo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/pcdob-atualiza-rumos.html

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Editorial do 'Vermelho'

Inconstitucional, Lei da Dosimetria premia o golpismo. STF deve impugná-la
Abrandamento da pena a Jair Bolsonaro e demais criminosos fragiliza defesa da democracia e incentiva novas tentativas de golpes
Editorial do 'Vermelho'     

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) deverá julgar, em breve, as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) que propõem impugnar a Lei da Dosimetria promulgada pelo presidente do Congresso Nacional após a derrubada do veto do presidente Lula que anulava essa afronta à Constituição Federal.

O veredicto do STF terá consequências relevantes para o presente e o futuro da luta pela democracia e pelo Estado Democrático de Direito. Os benefícios aos condenados, além de violar a legalidade democrática, afrontam a soberania popular, que tem demonstrado amplamente opinião contrária às manobras favoráveis aos golpistas.

Em defesa do regime democrático foram apresentadas ações pelos partidos PCdoB, PT, PV, da Federação Brasil da Esperança, pelo PSOL e Rede Sustentabilidade, também federados, pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e pelo PDT.  A ADI protocolada pelos partidos da Federação Brasil da Esperança sustenta que há normas que ferem diretamente a Constituição e procedimentos de elaboração da lei, que resultam em inconstitucionalidade.

As alterações na Lei de Execução Penal excluem os crimes contra o Estado Democrático de Direito das normas mais severas para progressão de regime penitenciário, mesmo quando praticados com violência ou grave ameaça. Também foram acrescentados artigos no Código Penal determinando que, em caso de condenação simultânea por crimes de tipologias diferentes contra o Estado Democrático de Direito (como abolição violenta e golpe de Estado), não haverá soma, com a pena do crime mais grave absorvendo a do menos grave.

Outra mudança refere-se à diminuição de pena para os delitos contra o Estado Democrático de Direito cometidos em “contexto de multidão”, determinando que nesses casos não haverá a soma das penas de diferentes crimes cometidos no mesmo evento. A medida beneficia os réus ao impedir o acúmulo de condenações, reduzindo a pena final e facilitando a progressão de regime prisional.

Quanto aos procedimentos, houve a violação do princípio do bicameralismo pela decisão do Senado de promover alteração substancial no texto originalmente aprovado pela Câmara dos Deputados, sem devolver o Projeto de Lei para nova deliberação dos deputados. O Senado também, ao apreciar o veto integral do presidente da República, fez uma manobra, fatiando a votação, acarretando a conversão do veto integral em veto parcial.

Por não existir previsão constitucional para que um veto presidencial seja modificado pelo Congresso, a deliberação sobre o veto é nula. Quanto a esse último aspecto, vale lembrar que desde a origem do Projeto a extrema-direita e seus aliados pretendiam beneficiar tanto os golpistas quantos bandidos do pior naipe, como é caso de integrantes de facções criminosas. Devido à pressão da opinião pública, na última hora tiveram que recuar.

A resultante é que se fragiliza a defesa da democracia, pois se institui um regime que agracia com penas brandas crimes contra o Estado Democrático de Direito. Passa-se a mensagem de que o golpismo compensa.

O ministro Alexandre de Moraes decidiu não examinar o pleito dos condenados para imediata redução penal, até que o STF delibere sobre as ADIs. A oposição bolsonarista reagiu com ameaças. O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), busca coletar assinaturas para a apresentação de uma PEC da Anistia.

Por sua vez, o senador Carlos Viana (PSD-MG) protocolou um pedido de urgência para acelerar a tramitação de um projeto que elimina do Código Penal os crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Flávio Bolsonaro já prometeu, caso eleito, subir a rampa do Palácio do Planalto ladeado pelo pai e demais comparsas da organização criminosa. Segundo declarou à imprensa, nem que tenha que recorrer à “força”.

É importante salientar que essas chicanas ocorrem no transcorrer do processo eleitoral, em pleno auge da pré-campanha da corrida pela sucessão presidencial. São artifícios para impulsionar sobretudo Flávio Bolsonaro, o ungido pelo pai para ser o candidato do clã, que tenta viabilizar-se como representante de setores da direita e da extrema direita, casuísmos que miram em especial beneficiar o principal criminoso condenado, o ex-presidente Jair Bolsonaro, além de sua cúpula golpista.

Fica bem demonstrado, portanto, que as manobras contra a decisão do STF não passam de oportunismo na busca de caminhos para a volta ao governo dos que ousaram se levantar contra a soberania popular e o arcabouço da legalidade democrática do país. Não há nada do que alegam como medidas para apaziguar e pacificar o país. A adoção das medidas contra a decisão da Justiça seria, ademais, um incentivo para aventureiros se lançarem contra a democracia quando bem entenderem, certos de que contam com a impunidade.

É dever constitucional e democrático do STF manter a diretriz que resultou na condenação inédita dos golpistas, em julgamento histórico. A pressão é grande, as ameaças são ostensivas, mas o que está em questão tem enorme relevância. Todas as forças políticas e sociais e personalidades que prezam a democracia devem se movimentar e se pronunciar pela impugnação da Lei da Dosimetria, contra o abrandamento da pena ou o perdão aos golpistas.

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A política de alianças do PCdoB:
a água e o óleo https://bit.ly/3EonuYC