11 outubro 2026

Pesquisa Vox Brasil

Empate técnico?
Luciano Siqueira  
 

Pesquisas eleitorais, ainda que em geral se aproximem dos resultados, são apenas uma referência momentânea; no máximo, revelam tendências que nem sempre se confirmam – dizem os próprios pesquisadores.

A metodologia de cada instituto varia, ainda que predominem semelhanças.

Dados da pesquisa do Instituto Vox Brasil, divulgados ontem, sábado 11,  os candidatos parecem tecnicamente empatados: Lula 44,2% contra 42,7% de Flávio Bolsonaro (diferença de 1,5 ponto percentual, dentro da margem de erro de 2,15 pontos). .

Em cálculos de votos válidos (excluindo brancos e nulos), a pesquisa aponta Lula com 50,86% contra 49,14% de Flávio Bolsonaro.

Lula é rejeitado por 45,2% dos eleitores, Flávio Bolsonaro 44,2%, enquanto 7% rejeitam ambos.

Demais, 76,2% dos eleitores já se consideraram decididos, enquanto os percentuais dos que pretendem votar em branco, nulo ou em nenhum somam 3,4%, e os que não souberam ou preferiram não responder representam 9,7%.

Divisor de águas e um passo adiante https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/fim-da-escala-6x1.html

Palavra de poeta

Confidência
Mia Couto   

Diz o meu nome
pronuncia-o
como se as sílabas te queimassem os lábios
sopra-o com a suavidade
de uma confidência
para que o escuro apeteça
para que se desatem os teus cabelos
para que aconteça

Porque eu cresço para ti

sou eu dentro de ti
que bebe a última gota
e te conduzo a um lugar
sem tempo nem retorno

Porque apenas para os teus olhos

sou gesto e cor
e dentro de ti
me recolho ferido
exausto dos combates
em que a mim próprio me venci

Porque a minha mão infatigável

procura o interior e o avesso
da aparência
porque o tempo em que vivo
morre de ser ontem
e é urgente inventar
outra maneira de navegar
outro rumo outro pulsar
para dar esperança aos portos
que aguardam pensativos

No húmido centro da noite

diz o meu nome
como se eu te fosse estranho
como se fosse intruso
para que eu mesmo me desconheça
e me sobressalte
quando suavemente
pronunciares o meu nome

[Ilustração: Marc Chagall]

Leia também: "Os Estatutos do Homem", poema de Thiago de Melo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/palavra-de-poeta_01969725833.html 

Editorial do 'Vermelho'

Segundo turno: o país atravessa dias que valem por anos
A partir de agora, cada hora é preciosa. Pôr em ação um vigoroso mutirão digital e presencial para conquistar votos, eleger Lula e salvar o Brasil da tragédia bolsonarista
Editorial do 'Vermelho'   

A partir desta sexta-feira, 9, o segundo turno das eleições presidenciais adentra-se aos intensos e cruciais dezesseis dias finais, quando, cada hora, cada lance, cada movimento, são decisivos. A campanha do presidente Lula fez com agilidade ajustes e mudanças para responder às múltiplas exigências do desafio de ganhar de virada o segundo turno.

Rapidamente, o impacto do resultado do primeiro turno foi absorvido, a torrente comunicacional da extrema-direita de um falso “já ganhou” foi repelida pelos fatos e pela poderosa força da base social e eleitoral do presidente Lula. O eixo político foi ajustado e as bases da campanha voltaram a se movimentar.

A possibilidade de vitória é o principal impulsionador dessa largada da campanha no segundo turno. A ordem é ter iniciativa. Conversar com o povo, despertar, alertar, pedir votos. As primeiras pesquisas eleitorais embora indiquem Flávio Bolsonaro à frente, apontaram que há um embate técnico.

A juventude estudantil, com a União Nacional dos Estudantes (UNE) na liderança, ocupou ruas e praças de dezenas de cidades do país, rechaçando o candidato da extrema-direita. No próximo domingo, 11, haverá uma nova carga de mobilizações. Elas conquistam votos dos jovens, mas transcendem.

Historicamente, a juventude tem sido a centelha que desperta outros setores do povo e dos trabalhadores. A vitória depende dessa convergência, da capacidade de unir forças mobilizando o povo e os trabalhadores. Que novas iniciativas floresçam nessa direção.

A campanha do presidente Lula, nas redes sociais, revigora-se visivelmente. Dezenas de milhares de ativistas digitais se engajam em vários coletivos liderados por influenciadores/as. Foram criadas plataformas que oferecem farta e criativa “munição” à verdadeira guerra digital em curso.

A esse primeiro trunfo se soma a reformulação da comunicação, com mudança de mensagem, linguagem e de formato. O próprio presidente Lula passou a gravar vídeos em estilo selfie, convocando a militância para as ruas e, ao mesmo tempo, ampliando a mobilização nas redes.

A pauta do povo tende a ser eixo propulsor da campanha pela virada e pela vitória de Lula. É decisiva para ganhar e virar votos. Os direitos, as necessidades e os sonhos do povo elucidam o que está em jogo. Tocam no cerne das questões de interesse concreto da população, apontando o impacto destrutivo que a vitória da extrema direita produziria na vida das pessoas, eliminando direitos duramente conquistados.

Em contraposição, dá visibilidade, de forma direta, à verdade de que somente um novo governo do presidente Lula poderá assegurar um futuro de prosperidade ao povo, não somente preservando, mas criando uma geração de direitos para elevar a qualidade de vida da população.

Essa pauta não é tratada de forma abstrata ou doutrinária, mas sim pelo fluxo dos acontecimentos. Na próxima semana deverá ser votada a proposta sobre redução de jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. Lula encurrala e confronta Flávio Bolsonaro, jogando luzes sobre a nova sabotagem da extrema direita para tentar impedir que os/as trabalhadores/as tenham direito a dois dias de descanso, sem diminuir o salário.

Outro fato é o chamado “tesouraço” de Flávio Bolsonaro, garganteado por ele publicamente e pactuado por seus assessores com banqueiros e especuladores da Faria Lima. A equipe do candidato da extrema direita trabalha com uma tesourada equivalente a cerca de 2% do PIB, aproximadamente R$ 250 bilhões, recursos que atendem aos interesses do sistema financeiro, os rentistas detentores de títulos da dívida pública. “Vão tirar do povo e trabalhador”, sintetizou Lula.

A conta recairia sobre aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), especialmente os que recebem o salário mínimo, além de beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), trabalhadores e famílias que dependem da renda previdenciária. O efeito também alcançaria usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), atingindo consultas, exames, cirurgias, internações, vacinação, fornecimento de medicamentos, atendimento da atenção básica, saúde da família e tratamentos de alta complexidade, inclusive câncer.

Na educação, seriam atingidos estudantes beneficiários do Pé-de-Meia, alunos da rede pública dependentes de merenda escolar, transporte, bolsas e infraestrutura, além das universidades e institutos federais.

Sobre a grande necessidade e aspiração da população de ter direito à paz e à segurança, Lula foi direto. Flávio não vota e não quer apoiar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública por uma questão grave: “Porque ele faz parte desse crime organizado.”

A pauta do país também é relevante para a campanha de Lula. A defesa da democracia, da soberania nacional e das riquezas do país está no centro do enfrentamento com Flávio Bolsonaro, uma candidatura abertamente entreguista, submissa aos interesses do imperialismo estadunidense.

Além do “tesouraço” e da traição à pátria, Flávio Bolsonaro assumiu que mutilará a democracia ao dizer que pretende aproveitar a maioria de direita no Congresso para “mudar a Constituição e redemocratizar esse país”. No dia seguinte, tergiversou e, como sempre, mentiu. A declaração não passa de reiteração do que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, sempre anunciou como meta da extrema direita.

Mas não é só. Proclamou em alto e bom som um golpe contra a soberania do voto popular ao dizer que pretende, caso vença, aumentar o seu próprio mandato para cinco anos. Golpe que certamente aumentaria também os mandatos de parlamentares e governadores, à revelia do povo. Isto está sendo naturalizado pela mídia, mas é golpe.

Ou seja: ele se desmascara a cada fala quando é instado a se pronunciar sobre suas reais intenções. A pressão das pautas do povo e do país força a sua candidatura a sair das ambiguidades e apresentar ao eleitor não apenas o que promete fazer, mas também a quem pretende se associar e quais interesses defenderá.

Outro eixo da campanha é a necessidade de impulsionar um movimento de frente ampla que incorpore à batalha os segmentos que têm ressalvas e críticas ao governo e ao candidato Lula, mas que julgam ser imperativo livrar o país da regressão em toda linha que seria um governo da extrema-direita.

É hora de transformar disposição em organização, indignação em presença e conversa em voto. A campanha começa agora, em cada tela e onde houver alguém a ser alcançado, uma dúvida a ser enfrentada, uma consciência a ser despertada. É dessa corrente humana, multiplicada de pessoa em pessoa, que nascerá a virada e a vitória do presidente Lula.

Divisor de águas e um passo adiante https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/fim-da-escala-6x1.html

Uma crônica de Urariano Mota

Brasil Bom de Bozo – 4
Entre dólares, incêndios, bajulação e impunidade, o General Bozo explica sua cartilha de poder: os crimes são dos patriotas, as vítimas são culpadas e a culpa é sempre de Lula — até que a Polícia Federal bate à porta
Urariano Mota/Vermelho

Mesmo cenário de antes dos episódios anteriores. 

Escritório com imagens da Casa Branca. Bandeiras dos Estados Unidos e do Brasil

General Bozo com estrelas, boné e faixa verde-amarela onde se lê “Pátria da Milícia Ilimitada”. 

Personagens: General Bozo, Cavalo, Burro, Pessoas vestidas com fantasias de animais,  Repórter e Fotógrafo.

Repórter – General… Desculpe. Grande presidente: agora estão dizendo que o senhor mandou queimar a Universidade Federal de Pernambuco.

General Bozo – Eu?! Tudo que é bom agora dizem que fui eu. 

Burro – Não é, presidente?

Cavalo – Foram os responsáveis por sua vitória? 

General Bozo – O responsável por meus votos sou eu. Quase, porque sem a ajuda do meu presidente Trump eu estava fodido. Como ia conseguir tantos votos sem dólares? 

Repórter – Foram muitos dólares, presidente?

General Bozo – Sim. Mas pra quantidade de votos que eu tive, se fosse comprar um por um, só a maior fortuna do mundo podia pagar. 

Repórter – Quantos bilhões de dólares? Quantos trilhões? 

General Bozo – Tá querendo saber demais. Mas saiba que muita gente se vende baratinho. Aqui, quanto você recebeu por esta entrevista? 

Repórter – Eu? É o meu patrão quem me paga. 

General Bozo – Mas quem paga o seu patrão é Trump. Se ele fosse pagar tudo aqui, ele ia ter que parar a guerra no Irã. 

Repórter – Então, como se explica? 

General Bozo – Tem gente que se vende sem eu pagar. Muitos pobres votam em mim sem que eu pague a eles. 

Repórter – Como, Presidente?

General Bozo – Eles acreditam no que eu falo. O Brasil é terra de cabeça de escravo, sabia? Todo pobre pensa que vai virar Senhor. E Lula divulga que é a favor dos pobres… cagão. Ninguém quer ser pobre, ninguém se acha pobre. Logo, se Lula é a favor dos pobres, todos que se acham melhores que isso ficam comigo. Votam em mim os ricos de quem sabe um dia talvez. (Gargalha)  

Burro zurra. Cavalo relincha. 

Vozes – Que inteligência!

General Bozo – Eu sou modesto. Nem tudo que é bom foi feito por mim.

Repórter – Botar fogo nas universidades é uma coisa boa?

General Bozo – Claro! Mas eu não fui lá no Recife pra botar fogo na Universidade, entende? 

Repórter – O senhor não foi. Mandou seus terroristas tocarem fogo? 

General Bozo – Alto lá! Quem é você? 

Repórter – Perdão, General. Algum vírus comunista entrou na minha garganta. 

General Bozo – Ah, mate esse vírus ou mato você. O que aconteceu: os meus patriotas foram para a universidade e tocaram fogo.

Repórter – Então o senhor mandou os seus patriotas?

General Bozo – Claro! Claro como o fogo na noite. O fogo é belo. Eu mandei. Mas os meus patriotas têm liberdade de cometer qualquer coisa, qualquer crime. Eles ligam pra mim: “Presidente, fazemos?”. Eu respondo: “Façam agora mesmo”. Eles fazem. 

Burro e Cavalo juntos: – Autoridade é autoridade. 

General Bozo (orgulhoso) – Eu mando matar, eles matam. Eu mando incendiar, eles incendeiam. Mas não sou eu que boto o fogo e atiro. 

Repórter – São os patriotas. 

General Bozo – Olha, na verdade, não são nem os meus patriotas. São os que morrem e se queimam os culpados. 

Repórter – Os que morrem cometem suicídio, presidente?

General Bozo – Sim! O grande Cabo Anselmo, que entregou Soledad grávida para a morte, já respondeu por mim. E como ele, eu digo: não sou eu que mando matar. É a vida deles e delas que é culpada. Eles próprios são os culpados. Não provocam a nossa fúria? Não querem a igualdade social? Então não reclamem. Eles são os responsáveis pelo fim das suas vidas. 

Vozes – Que inteligência!  

Repórter – Mas se uma denúncia contra o senhor cair no Supremo Tribunal Federal ou no  Tribunal Superior Eleitoral? 

General Bozo (gargalha) – Contra mim? 

Vozes – Esse repórter é do contra? 

General Bozo – Eu tenho os meus cupinchas lá. Eles não deixam qualquer denúncia contra mim avançar. ( E se vira exibindo o traseiro) Em mim nada pega!

Repórter – Presidente, e se a imprensa de esquerda denunciar um crime patriota, isso não pode ir longe? 

General Bozo – Essa imprensa de esquerda não é a Rede Globo. Ela não é O Globo, a Folha de São Paulo. A grande que é grande está ao meu lado. E a televisão, que faz a cabeça do povo, é nossa. 

Repórter – Presidente, de vez em quando, uma denúncia consegue aparecer na televisão…

General Bozo – Quando cresce alguma coisa contra mim, eu respondo torcendo a acusação para o outro lado. Me acusam de roubo? Respondo, Lula é ladrão! Nem preciso provar, acreditam de primeira. A televisão exibe um tempo maior para o meu ataque. É bem simples.    

Repórter – O senhor não tem medo de nada, não é? 

General Bozo – Não. Sou valente.

Burro – Que homem!

General Bozo – E vou lhe dar uma lição. Eu vou lhe contar uma coisa que não lhe disseram no curso de jornalismo. 

Repórter – Fale, presidente. Eu sou todo ouvidos. 

Burro ergue as orelhas – Eu também. 

General Bozo – Olhe as prisões. Olhe os presídios. Quem está lá? São os negros, os pobres e os miseráveis. (E vira o traseiro e passeia soberbo com as pernas a balançar) Em mim, nada pega! Eu jamais serei preso. A minha herança de sangue é de elite. 

Vozes – Que inteligência!

Repórter – Perdão, senhor presidente. Mas existem hoje alguns militares presos. 

General Bozo – Isso vai acabar quando eu tomar posse. Ou talvez até antes, os meus ministros na justiça já estão agindo. O repórter sabe qual é a regra de pensamento no Exército? Esta aqui: “Faça-se um rigoroso inquérito e puna-se o soldado”. (Gargalha)

Vozes – Que inteligência!

General Bozo – Eu não sou soldado. Eu sou o comando. Eu tenho a força de Trump! O Brasil para os Estados Unidos!

Animais urram e batem as patas. 

Súbito, batem à porta. 

Burro – Quem é?

Voz – É a Polícia Federal!

General Bozo – E eu perdi a eleição? Eu vou prender a polícia!

Zurros, relinchos, agitação. 

(Final da peça, por enquanto)  

[Ilustração produzida por IA/Vermelho]

As ruas, as redes e o almoço do domingo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_02010278885.html 

10 outubro 2026

Cortes aonde?

Em Natal, Lula alerta que proposta de Flávio Bolsonaro de 250 bilhões em cortes nas despesas públicas significa ameaça a programas sociais. 

Esclarecer é preciso https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/esclarecer-e-preciso.html  

Fim da escala 6x1

Divisor de águas e um passo adiante
Luciano Siqueira  

Quarta-feira próxima (14), deve acontecer a votação em primeiro turno da PEC do fim da escala 6x1, que prevê a transição da jornada de trabalho para até 5 dias de trabalho por 2 de descanso e a redução progressiva do limite semanal de 44 para 40 horas sem perda salarial.

Pode ser um divisor de águas no atribulado quadro político do país, com repercussões sobre o segundo turno das eleição presidencial.

Liderados pelo senador Flávio Bolsonaro tentam obstruir, adiar ou negociar o fatiamento da votação.

O próprio candidato da extrema direita tem dito na TV que prefere modelo de jornada flexível, onde e3npregados e patrões possam pactuar horas de trabalho semanal.

Uma falácia! Onde que patrões e pregados estabelecem pactos minimamente razoáveis? Prevalece o interesse do capital e o empregado, que precisa sobreviver pelo trabalho, é constrangido a condições desvantajosas.

A votação no Senado corre em paralelo à disputa eleitoral – mas se cruzam. Tanto quanto nas eleições, interesses fundamentais do povo estão em jogo.

Leia: As ruas, as redes e o almoço do domingo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_02010278885.html 

Palavra de Mandela

“Eu aprendi que a coragem não é a ausência do medo, mas o triunfo sobre ele." (Nelson Mandela) 

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