23 outubro 2026

Minha opinião

Duvidosa precisão milimétrica 
Luciano Siqueira      

Tudo bem, pesquisas eleitorais são úteis — sobretudo quando realizadas por institutos especializados de comprovada credibilidade. 

Amostragens bem avaliadas revelam tendências. 

Mas não podem ser consideradas de precisão milimétrica, como certos analistas o fazem, sendo eles apenas observadores da cena política ou mesmo pesquisadores. 

Em outubro de 2024, confiado nas pesquisas, Aécio Neves convocou lideranças aliadas de todo o Brasil para acompanharem  com ele a apuração. 

Estava convicto da vitória.

Perdeu. 

Ou seja, entre a data da última pesquisa e a boca da urna fatores diversos levaram água para o moinho da presidenta Dilma Rousseff, reeleita na ocasião. 

Cá com meus modestíssimos botões, tenho a impressão de que nas pesquisas de agora, na reta final da peleja, as manifestações populares que pipocam em todo o país, nas capitais e pelo interior afora, não estão sendo devidamente captadas. 

É esperar o domingo para ver.

As ruas, as redes e o almoço do domingo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_02010278885.html 

No ring

O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), concedeu nesta sexta-feira (23) uma liminar que impede o presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, de determinar administrativamente uma nova suspensão do canal de WhatsApp “Exército do Lula”.   

Manifesto pró-Lula une centro e direita contra ameaças bolsonaristas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/em-defesa-da-democracia.html  

Dica de leitura

A mídia e Lula    

O experiente jornalista, crítico do monopólio midiático neoliberal, faz considerações válidas e oportunas acerca da relação mídia x Lula em artigo publicado no Jornal GGN https://jornalggn.com.br/coluna-economica/xadrez-da-grande-maratona-entre-a-midia-e-lula-por-luis-nassif/

Ele considera que a maxidesvalorização do real, em 1999, esgotou o modelo econômico neoliberal de Fernando Henrique Cardoso, gerando aumento da miséria e criando espaço para uma política alternativa sólida, consolidada na liderança de Lula.

Na mesma época, os grandes jornais e revistas viveram seu período de maior rentabilidade financeira e influência política, controlando o mercado publicitário tradicional. Mas com a consolidação das grandes plataformas digitais (Google, Meta, Amazon) e do e-commerce, o bolo publicitário migrou para as Big Techs e para influenciadores digitais.

Diante da fragilização financeira, a mídia corporativa desenvolveu uma postura de aberta oposição política para tentar manter sua influência.

Hoje, segundo Nassif, a grande imprensa tradicional "respira por aparelhos" porque perdeu a capacidade de entender seu público-alvo.

Em contraposição, a trajetória de Lula, que superou a prisão e os desgastes promovidos pelas articulações entre setores da mídia, do judiciário e do meio político, tornou-se símbolo global de resistência e reversão do autoritarismo no mundo, acompanhado com atenção por outros países.

(LS)

Subiu o sarrafo da luta política https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0999410531.html 

Fotografia

 

Luciano Siqueira

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Urariano Mota opina

A razão da vida de Lula e a idade
Ao ouvir a fala de Lula, ”o que faz a gente envelhecer é a falta de uma causa”, me lembrei de imediato das lutas dos socialistas, que não envelhecem
Urariano Mota/Vermelho    

Nestes dias que antecedem a mais histórica eleição presidencial do Brasil, a capacidade de concentração para escrever é muito baixa. Mas com esforço, prazer e sacrifício, vamos tentar.

Eu fui estimulado para estas linhas ao ver uma fala do nosso presidente em 22 de outubro. Olhem por favor Lula no vídeo com Janones, ontem à noite, quando o presidente falou à grande atriz Marieta Severo, a partir do instante 16:21 minutos, com a maior simplicidade: “O que faz a gente envelhecer é a falta de uma causa”.

Eu já havia observado antes que Lula era um gênio, um autêntico escritor oral, assim como foi o Gordo em nossa primeira juventude no Recife. Mas agora acrescento que Lula é um intelectual de novo gênero, um homem dotado de um saber de experiência feito, e que fala verdades à maneira destes versos de Camões:

“Metida tenho a mão na consciência,
e não falo senão verdades puras
que me ensinou a viva experiência”

Assim escrevo porque durante as suas falas, em mais de uma oportunidade, a verdade universal de Lula vem da sua experiência de migrante nordestino, de filho de mulher muito pobre, que ele não esquece, e do bravo sindicalista provado nas lutas dos metalúrgicos. Mas esta fala “o que faz a gente envelhecer é a falta de uma causa”, me fez pular da cadeira onde eu assistia ao vídeo da sua entrevista com Janones. Luis Buñuel certa vez contou que pulava da cadeira quando via Antonio das Mortes na tela do cinema, no filme de Glauber Rocha. Mas eu, que jamais poderia ser nem a galáxias de distância de Buñuel, posso dizer que pulei da cadeira ao ver um político de gênio semelhante ao de Glauber Rocha.

A razão foi que ao ouvir e registrar a fala de Lula “o que faz a gente envelhecer é a falta de uma causa”, me lembrei de imediato das lutas dos socialistas, que não envelhecem porque mantêm aceso o projeto de mudança até o fim dos seus dias. E a razão mais íntima, quase pessoal, foi que a fala do nosso presidente me levou a meu romance “A mais longa duração da juventude”, quando o narrador fala ao personagem Luiz do Carmo:

“- Eu não sou um velho. Aliás, nós não somos velhos”. E Luiz do Carmo responde, magistral:

“- Eu sei. O tesão de mudar o mundo continua”.

Percebem assim o sentido mais íntimo e universal que me estimulou a estas linhas de hoje. Estamos na luta da esperança para o Brasil e desse modo não perdemos o tesão de mudar o mundo.

Às vésperas dos 81 anos de idade, que Lula completa em 27 de outubro, depois das eleições do dia 25 deste mês, vamos ter o presente da reeleição. Mas presente para quem mesmo? – Um presente para o Brasil. Nós é que mais precisamos desse nosso espelho mais alto, do lutador Lula em sua mais longa duração da juventude.

Queremos de novo a sua virada como em 2022, que vimos em Olinda. Na multidão pulando ao som de frevo.

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Editorial do 'Vermelho'

A virada ao alcance da mão: intensificar a batalha nas ruas e redes
A disputa está empatada, porém Flávio Bolsonaro perde fôlego, Lula ganha força e está prestes a ultrapassá-lo. É imperativo, nesta hora crucial, empenho total pela conquista do voto
Editorial do 'Vermelho' 
www.vermelho.org.br    

O Brasil está diante de uma encruzilhada e as próximas horas são decisivas para o destino do país. Lula está em ascensão e o candidato da extrema-direita perde fôlego, como mostrou o Datafolha de 22 de outubro. Lula e Flávio estão empatados em 50% nos votos válidos. A rejeição ao candidato da extrema-direita sobe de 44% para 46%, enquanto a do presidente recua de 46% para 45% e aumenta o nível de aprovação de seu governo.

O que antes fora alardeado pela mídia monopolista como impossível está prestes a acontecer. Já se ouve o trovejar da virada. Porém, a virada ainda não aconteceu; ela se materializa na urna.

Daí que, de agora até domingo, dia 25, se impõe um arranque, um movimento ainda mais intenso nas ruas e redes, conquistando e virando votos. Requer também o diálogo, pessoa a pessoa, por meios diversos, focando os indecisos e aqueles que votaram nulo e branco no primeiro turno. Nenhum minuto de descanso até domingo, até o anúncio da vitória.

É preciso explicar que estão em confronto dois projetos de país, dois caminhos para os destinos do Brasil. De um lado está a candidatura do presidente Lula, compromissada com um futuro de prosperidade para o povo, com mais direitos e melhor qualidade de vida, mais democracia e abertura de um ciclo arrojado de desenvolvimento soberano. De outro, Flávio Bolsonaro, um miliciano que prega a violência, atolado numa miríade de escândalos de corrupção, expoente do entreguismo e da traição à pátria, ameaça real à democracia e que expressa a certeza de que os direitos do povo serão esmagados.

Lula representa o campo democrático, uma das principais lideranças populares da história brasileira, um estadista reconhecido internacionalmente por sua atuação em defesa da paz, do diálogo entre as nações e da soberania dos povos.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, encarna a vertente autoritária-ditatorial da política, de perfil fascista, serviçal do governo dos Estados Unidos de Donald Trump, figura degenerada e desclassificada, a personificação de um projeto de poder à base de práticas que degradam a vida pública, centrado em utilizar o Estado para favorecer os super-ricos e garantir os ganhos gigantescos do capital financeiro e dos rentistas.

Essa diferença ficou nítida na campanha do segundo turno. Lula é o grande líder e o fator decisivo da viragem em curso. Empenhou-se para demarcar bem os campos, demonstrando por que conquistou, honrosamente, o conceito de uma das mais destacadas lideranças populares brasileiras, encarnando as esperanças da nação e dos trabalhadores.

Ele se desdobrou em uma agenda intensa por todo o país, colocou-se à frente das articulações para a aprovação do fim da escala 6×1, com redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, e da ampliação dos benefícios aos microempreendedores individuais (MEIs).

Também sancionou medidas de apoio aos pequenos negócios e encaminhou ao Congresso uma proposta de transporte público gratuito aos fins de semana. Lula também participa ativamente da batalha digital. Publica vídeos, convoca a militância para a mobilização nas ruas e nas redes.

O Exército do Lula, organizado por André Janones, tornou-se uma das principais estruturas de mobilização digital da campanha, com mais de 8 milhões de pessoas, uma força de combate permanente, 24 horas por dia. Somam-se a ele um potente elenco de outros influenciadores e também milhões de pessoas antes sem ativismo digital e que agora se engajaram.

Trata-se de um poderoso instrumento para romper o cerco da mídia hegemônica e das big techs e enfrentar a máquina de desinformação da extrema-direita para levar a mensagem de Lula a milhões de brasileiros, informar sobre os perigos representados pela candidatura de Flávio Bolsonaro e a importância da vitória do projeto democrático, patriótico e popular. Todavia, o ministro Kássio Nunes Marques, que já excluiu o canal do WhatsApp, ameaça, ilegalmente, fazê-lo novamente.

A campanha de Lula, com forte contribuição do vice-presidente Geraldo Alckmin, ganha amplitude e chega a setores do centro, personalidades historicamente ligadas ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e também da centro-direita.

A essa frente soma-se o representativo ato do movimento Direitos Já! em São Paulo. Um conjunto de bispos católicos de todas as regiões do país divulgou um manifesto contra a candidatura de Flávio. Pastores evangélicos, na contracorrente, saem em defesa da candidatura de Lula. Expoentes de outras tradições religiosas, como as de matriz africana, também fazem o mesmo.

Com essa força acumulada, Lula se encaminha para o debate na TV Globo nesta sexta-feira, 23, preparado para ter bom desempenho e desmascarar Flávio Bolsonaro. O encontro terá relevância na reta final da campanha, com os dois candidatos diante de milhões de telespectadores e sob a tensão de uma disputa acirrada.

Flávio Bolsonaro chega ao debate pressionado por uma teia de escândalos e uma sucessão de denúncias que não para de crescer. A cada dia, novos episódios ampliam o cerco da Polícia Federal e da Justiça, uma sequência de episódios que se somam, entre outros, ao caso Master, aos recursos obtidos criminosamente do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente financiar o filme Dark Horse, com repasses superiores a R$ 134 milhões.

É o caso das holdings Cathedral e Alcazar, sediadas na Ilha da Madeira, Portugal, e ligadas à Best Bet e ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio. Soma-se a esse conjunto o faturamento de R$ 13,7 milhões em notas fiscais emitidas pelo escritório de advocacia do candidato entre 2023 e 2026.

Outro caso gravíssimo é a revelação, pela revista Piauí, de que Flávio Bolsonaro participou, em 17 de julho de 2020, durante a pandemia de Covid-19, quando morriam mil pessoas por dia, de um churrasco em uma lancha no Lago Paranoá, em Brasília. Segundo a reportagem, o encontro reuniu lobistas e três prostitutas.

O debate da Globo se realizará sob ofensiva do presidente para que se abram os sigilos dos dois candidatos e de seus familiares. Que fique claro quem é ladrão, quem é corrupto. Lula, demonstrando que nada teme, às 21 horas desta quinta-feira, 22, entregou no TSE tudo o que é necessário ao exame de suas contas pessoais e das de seus familiares, além do que foi exigido pelo candidato da extrema-direita.

Flávio enrolou, demorou dias para se pronunciar e somente na madrugada desta sexta-feira, 23, entregou os dados referentes à quebra de seu sigilo. Agora, agarra-se à toga do ministro André Mendonça, que, em socorro a Flávio Bolsonaro, se esquivou de cumprir o papel de executar o acordo entre as campanhas, como “um terceiro imparcial”. A campanha do fujão Flávio endossa, obviamente, Mendonça. Por sua vez, a campanha de Lula fez uma petição para que o ministro reveja a posição em benefício da transparência que merece o eleitor brasileiro.

É nesse clima de batalha decisiva que a campanha chega às horas finais. A juventude, liderada pela União Nacional dos Estudantes (UNE), dá seguimento à vitoriosa jornada de atos de rua, com grande participação do povo. Agora, é carga total nas ruas e nas redes, mobilização permanente, conversa olho no olho, convencimento, organização e ação até o último minuto na batalha pelo voto.

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Cretinice

Denominar "psicose eleitoral" as crescentes manifestações públicas que acontecem neste segundo turno em favor de Lula é de uma cretinice sem limites. E há quem escreva isso em jornal de circulação nacional sem o menor constrangimento! 

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