Brasil tem 103 milhões de pessoas trabalhando, maior nível da série histórica
Dado considera série dessazonalizada dos 12 meses encerrados em fevereiro. Naquele mês, desemprego foi de 6,2%, 0,9 p.p. abaixo do mesmo período de 2025, segundo o Ipea
Priscila Lobregatte/Vermelho
O mercado de trabalho brasileiro vem se mantendo em trajetória favorável, com taxas de desemprego em patamar historicamente baixos, índice elevado de ocupação e aumentos dos rendimentos reais. O contingente pessoas trabalhando atingiu 103,4 milhões em fevereiro, o maior nível da série histórica.
Em fevereiro, a taxa de desemprego foi de 6,2%, 0,9 pontos percentuais (p.p.) abaixo da observada no mesmo período de 2025, quando foi de 7,1%.
É o que demonstra a Carta de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que abarca o primeiro trimestre de 2026 e compara com períodos anteriores.
O documento destaca que esse movimento positivo de deu mesmo com o esfriamento da atividade econômica brasileira, o que levou a certa perda de fôlego no mercado de trabalho.
“Na comparação com janeiro, a dessazonalização mostra que, em fevereiro, a desocupação ficou estável em 5,6%. De fato, desde abril de 2025, a taxa de desocupação mantém-se abaixo de 6%”, aponta o levantamento, que se baseia em informações da Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE.
De acordo com a Carta, “embora parte da redução da taxa de desemprego esteja parcialmente influenciada por fatores estruturais como menor crescimento da força de trabalho e mudanças demográficas, mantendo a taxa de participação em níveis reduzidos, o ritmo de crescimento da população ocupada ainda surpreende positivamente, contribuindo para a manutenção deste cenário virtuoso do mercado de trabalho no país”.
Os dados mostram, ainda, que na análise do período de março de 2025 a fevereiro deste ano, a força de trabalho avançou, em média, 0,7%.
Em fevereiro, segundo a Pnad Contínua, o total de ocupados alcançou 102,3 milhões de pessoas, o que representa alta de 1,6% na comparação interanual. “No acumulado dos 12 meses encerrados em fevereiro de 2026, a população ocupada cresceu, em média, 1,7%, evidenciando desaceleração diante dos 2,9% registrados nos doze meses anteriores. Ainda assim, na série dessazonalizada, o contingente de ocupados atingiu 103,4 milhões em fevereiro, configurando o maior nível da série histórica”, explica o boletim.
Emprego formal
Outro dado importante revelado pelo levantamento é que a maior parte do crescimento do emprego vem ocorrendo em segmentos formais da economia brasileira. “Os dados extraídos da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, enquanto a população ocupada formal cresce a uma taxa média de 3,6%, nos últimos 12 meses, a expansão da ocupação informal é de 0,5%. Desta maneira, a taxa de formalidade no mercado de trabalho brasileiro avançou de 61,2% para 62,5% nos últimos dois anos”.
O desempenho apontado converge com os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), “em fevereiro de 2026, foram criados 255,3 mil postos líquidos de trabalho, volume bem inferior ao registrado no mesmo mês de 2025 (440,4 mil). Já no acumulado dos últimos 12 meses, o setor privado gerou 1,05 milhão de vagas com carteira assinada, o que representa uma queda de 46% em relação ao observado em fevereiro do ano anterior (1,79 milhão)”.
Quando o cenário é avaliado do ponto de vista setorial, o boletim informa que mesmo com todos os segmentos registrando expansão do emprego, “o dinamismo segue concentrado no setor de serviços, principal motor do mercado de trabalho brasileiro”.
Em termos relativos ao estoque de trabalhadores, destacam-se os serviços domésticos (16,6%); as atividades de arte, cultura, esporte e recreação (7,7%) e os serviços profissionais, científicos e técnicos (5,0%).
Já no caso dos setores mais intensivos em capital, como a construção civil e a indústria de transformação, o crescimento foi mais moderado, com altas de 3% e 0,7%, respectivamente.
Rendimentos
Conforme o documento, o bom desempenho do mercado de trabalho brasileiro também é evidenciado pela alta dos rendimentos reais. “De fato, mesmo que a taxas de crescimento mais amenas, os salários reais ainda mostram trajetória bastante favorável”, salienta.
No último trimestre, os rendimentos médios habitual e efetivamente recebidos apontam aumentos de 5,3% e 4,3%, respectivamente. “Logo, a combinação entre expansão da ocupação e rendimentos reais crescentes vem gerando altas sucessivas da massa salarial real habitual e efetiva, cujas taxas de crescimento de 6,9% e 5,9%, no último trimestre, vêm contribuindo positivamente para a manutenção do consumo das famílias”.
Segundo o Ipea, as perspectivas para o restante de 2026 são de continuidade do “bom comportamento do mercado de trabalho, porém em ritmo mais moderado”. Com efeito, acrescenta, “diante das estimativas de um crescimento do produto interno bruto (PIB) próximo a 1,8%, ainda há espaço suficiente para sustentar um mercado de trabalho relativamente aquecido” e “espera-se manutenção de taxas de desemprego em níveis historicamente baixos”.
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