Blog de Luciano Siqueira
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09 janeiro 2026
Arte é vida
"Água na fervura de quem já passou dos cinquenta" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/12/etarismo-em-laboratorio.html
Brasil+Colômbia+México+Canadá
Lula articula reação regional a ameaças de Trump e ofensiva na Venezuela
Presidente conversa com líderes da Colômbia, México e Canadá, condena uso da força, reage a ameaças militares dos EUA e defende soberania, multilateralismo e solução pacífica
Lucas Toth/Vermelho
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou nesta quinta-feira (8) a articulação com líderes da América Latina em reação à ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela e às novas ameaças de Washington à região, reafirmando a defesa da soberania, do multilateralismo e da solução pacífica de conflitos.
Ao longo do dia, o presidente brasileiro realizou ligações telefônicas com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, com a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, e com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
A articulação ocorre em meio à escalada de declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a ameaçar países da região com ações militares no México e na Colômbia, a defender a ampliação da presença e do controle norte-americano sobre a Groenlândia e a anunciar a imposição de uma tutela política sobre a Venezuela.
Na conversa com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, Lula criticou o uso da força contra um país sul-americano, apontado pelos dois governos como violação do direito internacional, da Carta da ONU e da soberania da Venezuela, e defendeu que a crise seja resolvida por meios pacíficos, com diálogo e respeito à vontade do povo venezuelano.
O presidente brasileiro também informou que o Brasil iniciou o envio de 40 toneladas de insumos e medicamentos para a Venezuela, parte de um total de 300 toneladas arrecadadas para recompor estoques de produtos e soluções para diálise atingidos pelos bombardeios.
Com a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, Lula reiterou o repúdio aos ataques contra a soberania venezuelana e à retomada de uma lógica de divisão do mundo em zonas de influência.
Os dois líderes reafirmaram a defesa do multilateralismo, do direito internacional e do livre-comércio, além do compromisso com a cooperação em favor da paz, do diálogo e da estabilidade regional.
Na ligação com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, os dois líderes condenaram o uso da força sem respaldo na Carta da ONU e defenderam que o futuro da Venezuela deve ser decidido soberanamente por seu povo.
Lula e Carney também concordaram sobre a necessidade de reformar as instituições de governança global e manifestaram interesse em avançar nas negociações de um acordo comercial entre o Mercosul e o Canadá.
As conversas ocorrem após Trump intensificar a retórica de confronto com países da América Latina e do Atlântico Norte, dias depois de os Estados Unidos executarem seu primeiro bombardeio na América do Sul.
Nesta quinta-feira (8), em entrevista ao The New York Times, Trump afirmou que as Forças Armadas dos EUA vão “começar agora a atacar em terra” o território do México, sob o argumento de combater cartéis de drogas.
Trump disse que apenas “sua própria moral” constitui um limite para as ações do governo norte-americano no exterior. Questionado sobre o respeito ao direito internacional, Trump declarou que “não precisa” dessas normas e que a única coisa capaz de freá-lo é “sua própria mente”.O presidente norte-americano afirmou ainda que o controle dos Estados Unidos sobre a Groenlândia seria “psicologicamente necessário para o sucesso” e admitiu que a escolha entre a estabilidade da Otan e a incorporação do território poderia se tornar um dilema para seu governo.
Paz e soberania na Venezuela! Sangue por petróleo, não! https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/editorial-do-vermelho_5.html
Postei nas redes
Absurdo afirmar que Lula joga para a plateia ao vetar a dosimetria porque a maioria reacionária na Câmara e no Senado pode derrubar o veto. O presidente cumpriu o seu dever com muita convicção, isto sim.
Leia: Palavra do PCdoB: defesa da democracia com Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/12/a-orientacao-do-pcdob.html
Urariano Mota opina
O filme que anunciou o golpe de 64 no Brasil
Publiquei o texto em 2015 no Portal Vermelho, mas diante da volta do imperialismo contra a Venezuela, vale a pena ver de novo.
Urariano Mota/Vermelho
“Meus amigos, aquela frase do personagem Corisco em Deus e o Diabo na Terra do Sol, quando ele grita: ‘Mais fortes são os poderes do povo’, eu posso agora adaptar para ‘Mais fortes são os poderes da pesquisa coletiva na internet’.
Chegou para mim, hoje, a revelação de que, finalmente, o Brasil pode ver o documentário que, há muitos anos, jornalistas brasileiros e pesquisadores desejavam ver.
Há mais de 5 anos, desde 2010, que o procurava. Em registro público, em agosto de 2012 publiquei um texto sobre a minha busca pelo documentário ‘Brazil: The Troubled Land’. Esse é um filme que narra a luta pela terra em Pernambuco, realizado para a rede de televisão norte-americana ABC, com imagens de 1961. Mas ninguém sabia informar, até parecia uma lenda. Ao fim de muitas buscas, descobri que o filme existia na Universidade Indiana. Agora seria fácil, pensei. Mas a resposta não tardou, no inglês que traduzo aqui livre e mal:
‘Agradeço pelo contato para a pesquisa do filme Brazil: The Troubled Land. Ele pertence ao arquivo da coleção da Biblioteca da Universidade de Indiana. Reenvio para a arquivista responsável’, que me respondeu:
‘Para o acesso ao filme que você pesquisa, o ‘Brazil: The Troubled Land’, nós não o temos digitalizado ou em cópia para ser visto. No momento, o filme está disponível somente nesta biblioteca, ou então, se você desejar obter permissão do proprietário dos direitos autorais, nós poderíamos fazer uma cópia em DVD para você emprestar ao escritor brasileiro. (Eu!, acrescento em 2026). A McGraw Hill é a editora dona do filme’.
Mas a poderosa McGraw Hill, apesar dos meus pedidos, nada me respondeu para a liberação de uma cópia. Em desespero de causa, cheguei a solicitar até mesmo a compra de um exemplar, com a ajuda, é claro, de muitos outros jornalistas brasileiros, que também o procuravam. Nada. Mais uma vez, por razões de Estado primeiro, depois por razões do capital, o Brasil deixava de ver a própria cara, num flagrante das relações históricas de opressão em 1961.
The Troubled Land havia sido visto nos Estados Unidos, onde alcançara grande repercussão, mas nunca passou nos cinemas ou na televisão brasileira. O Conselho de Segurança Nacional o julgara inconveniente para os padrões nacionais.
Mas não desisti. Quase um ano depois, em março de 2013, publiquei um texto cuja introdução observava que a melhor diferença da imprensa na web sobre a do grande capital era a liberdade de pensamento. E que havia um valor a mais de um texto na internet, maior que publicado em papel: era a sua permanência, com acessos infinitos no tempo e espaço para a leitura. Assim havia sido com a coluna ‘Procura-se um documentário sobre o Brasil’, publicada em agosto de 2012. Ela me fizera receber um presente que eu não imaginava.
Recebi então fotos históricas do filme, e a revelação (perdoem a palavra) de um fotógrafo de 76 anos, em 2013, que os estudiosos do cinema não sabiam existir. Era o espanhol Fernando Martinez Lopez, que me enviara fotos maravilhosas em preto e branco do documentário ‘Brazil, the troubled land’. Fernando Martinez, a partir das perguntas feitas por este curioso, assim se apresentou:
‘Após busca entre 4.000 negativos, encontrei as fotos, algumas estragadas pelo tempo. Sou espanhol, casado com brasileira e filhos e netos brasileiros. Trabalhei no filme como Still fotógrafo e também como cinematographer….
Helen (Helen Rogers, a diretora do documentário) era uma americana bonita e muito inteligente, casada com um cineasta, eles deixaram dois filhos. Para mim, ela era pró-Estados Unidos, pois este filme foi feito justamente para que o Brasil não se tornasse uma nova Cuba. (Negrito do colunista) Foi filmado na Zona da Mata de Pernambuco, para filmar a vida de um camponês. Na feira de Carpina encontrou um Severino, cortador de cana, que trabalhava para Constâncio Maranhão. A filmagem demorou aproximadamente 25 dias, tendo a contribuição da Sudene para transporte etc.’.
Então vinham raridades nas fotos: Helen Rogers, Francisco Julião, Eva (tradutora) e Bill Hartigan. Era um flagrante da política traiçoeira dos Estados Unidos, que enviara uma bem-intencionada cineasta ao Nordeste do Brasil, para que documentasse uma nova Cuba em território pernambucano. Mas o filme que era bom, mesmo, nada. E assim se passaram mais de dois anos depois da mensagem do fotógrafo.
Hoje, me chega pelo Face um recado, postado pelo jovem historiador Felipe Genú, com estas palavras:
‘Senhor Urariano, li um texto seu de 2012, onde o senhor estava à procura do documentário The Troubled Land, da ABC. O senhor já o encontrou?’
Respondo:
‘Não, Felipe, ainda não. Eu desejava mais esse documentário quando escrevia o meu romance ‘O filho renegado de Deus’. Mas o meu interesse continua.’
E o imprescindível pesquisador Felipe Genú:
‘Senhor Urariano, eu sou historiador, e no momento estou escrevendo uma dissertação sobre o Teatro de Cultura Popular do MCP, do governo Arraes. Depois de ouvir falar no The troubled land, fiquei muito interessado, e pesquisando encontrei uma versão dele posta na internet pela School of Cinematic Arts. Eles o postaram num site chamado Vimeo. Basta o senhor se cadastrar e buscar ‘Brazil The troubled land’, que vai aparecer o documentário’.
Tudo que pude responder foi:
‘Genial, Felipe. Muito obrigado, rapaz’.
E agora, amigos, para todo o Brasil, o vídeo que o grande público não podia ver, que era uma verdadeira lenda de pé de cobra. Vejam Francisco Julião em 1961, Celso Furtado na Sudene em entrevista, o latifundiário Constâncio Maranhão a se exibir dando tiros para mostrar qual era a sua lei para os camponeses sem terra.
Paz e soberania na Venezuela!
Sangue por petróleo, não! https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/editorial-do-vermelho_5.html
Postei nas redes
Influenciadores suspeitos de ataque ao Banco Central no caso do Banco
Master publicaram conteúdos semelhantes de modo orquestrado nas redes sociais.
Banditismo digital sem limites.
A adesão popular
às ideias neoliberais e de extrema direita https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/09/guerra-cultural.html
Palavra de Nádia
8 de janeiro: defesa da soberania na AL deve integrar celebração da democracia, diz Nádia Campeão
Presidente interina do PCdoB participou da celebração no Palácio do Planalto, onde Lula anunciou veto ao PL da Dosimetria, que reduz penas de condenados pela tentativa de golpe
Portal Grabois www.grabois.org.br
A presidente interina do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Nádia Campeão, esteve presente na cerimônia no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (8) para celebrar a vitória da democracia brasileira na tentativa de golpe do 8 de janeiro de 2023.”Nós impedimos que esse golpe se efetivasse e hoje nós temos os principais responsáveis pelo golpe, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro, julgados, condenados e presos, uma vitória da democracia brasileira, do respeito à Constituição e ao Estado de Direito no Brasil”, celebrou.
Nádia Campeão fez questão de lembrar que o mesmo não ocorreu nos Estados Unidos, quando os partidários de Donald Trump invadiram o Capitólio na tentativa de impedir a posse do democrata Joe Biden no dia 6 de janeiro de 2021.
“Tivessem eles feito o mesmo com o então presidente Donald Trump, quando da invasão do Capitólio, talvez nós não estivéssemos vivendo agora esses ataques trágicos e criminosos contra a Venezuela. Essa vitória, essa comemoração da democracia brasileira, ela não pode estar dissociada de elevar também a bandeira de defesa na soberania nacional, da soberania brasileira, mas também da soberania do nosso continente sul-americano”, defendeu.
A Fundação Maurício Grabois e a Comissão Executiva Nacional do PCdoB se posicionaram contra os ataques dos EUA e o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que classificaram como atos de “terrorismo internacional” que atingem toda a América Latina. As manifestações defendem a urgência de defender a Venezuela, exigindo o pleno respeito à sua independência.
“É impensável que isso esteja acontecendo no século XXI, o retorno à política do neocolonialismo, do imperialismo norte-americano no continente sul-americano. Então, a certeza da nossa democracia se associa fortemente à democracia soberana nacional”, destacou a presidente interina do PCdoB.
Lula veta PL da Dosimetria
Durante a celebração no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou o projeto de Lei 2.162/2023, conhecido como PL Dosimetria, que reduz as penas dos condenados pelo golpe de 8 de janeiro de 2023. O texto de autoria do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RS) foi aprovado em dezembro de 2025 na última sessão Legislativa do ano pelo Senado Federal, depois de passar pela Câmara dos Deputados por meio de uma manobra do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Lula destacou que a data está marcada na história como o dia da vitória da democracia no país. “Vitória sobre os que tentaram tomar o poder pela força, desprezando a vontade popular expressa nas urnas; sobre os que sempre defenderam a ditadura, a tortura e o extermínio de adversários e pretendiam submeter o Brasil a um regime de exceção; sobre os que planejaram o assassinato do presidente, do vice e do então presidente do Superior Tribunal Eleitoral; sobre os que exigem cada vez mais privilégios para os super-ricos e menos direitos para quem constrói a riqueza do Brasil com o suor de seu trabalho”, discursou.
“Em nome do futuro, não temos o direito de esquecer o passado. Por isso, não aceitamos nem ditadura civil, nem ditadura militar. O que nós queremos é democracia emanada do povo e para ser exercida em nome do povo. Viva a democracia brasileira!”, comemorou o presidente ao final do discurso.
Luciana Santos: “PCdoB mais organizado para intervir nos próximos anos” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/12/palavra-de-luciana.html



