Leia: Genocídio: a mão oculta do sistema financeiro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/10/capital-financeiro-no-massacre-de-gaza.html
Blog de Luciano Siqueira
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
02 abril 2026
Ciência ou demagogia?
Trump e a lua
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
A BBC News carrega nas tintas ao
acentuar a relação entre o avanço tecnológico espacial norte-americano e supostos
dividendos políticos em favor de Donald Trump.
Segundo a BBC (“Como
a nova missão da Nasa à Lua pode beneficiar Trump”), a nova missão à lua seria motivada
não apenas por razões científicas, mas como forma de melhorar a imagem do
presidente norte-americano perante a opinião pública do seu país, ora esgarçada
pela sucessão de eventos negativos, sobretudo, neste exato momento, a agressão
ao Irã.
Nesse contexto, a nova missão à
lua também se prestaria ao fortalecimento da aliança de Trump com bilionários
da tecnologia, em razão da dependência da NASA em relação a foguetes produzidos
por empresas privadas.
De
quebra, novos investimentos no setor beneficiariam estados eleitoralmente
importantes, como Flórida, Alabama e Texas.
De
outra parte, inegável é o progresso da China em exploração espacial, inclusive
em relação à lua, onde se anotam importantes conquistas do programa
aeroespacial chinês.
De outra parte – a matéria da BBC
anota – há riscos de insucesso dessa missão norte-americana, expondo
negativamente o governo Trump.
Nesse contexto, a nova missão à lua
diz respeito muito mais a interesses político-eleitorais imediatos de Trump do
que propriamente a razões científicas.
Leia também: O sadismo digital da Casa Branca https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/o-espetaculo-da-guerra.html
'Vermelho' em cima do lance
Ponto de vista diferenciado
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
O portal Vermelho https://vermelho.org.br/ , site oficioso do PCdoB, acompanha os acontecimentos no mundo e no Brasil de um ponto de vista consciencioso e crítico. Caso do conflito entre os Estados Unidos e Israel versus Irã, em que tem demonstrado as contradições entre a retórica de Donald Trump e a situação fática na região conflagrada.
Caso da
contradição entre o propalado “fim iminente
da guerra” e a escalada militar. Enquanto Trump diz que "perto do
fim" e que seus objetivos estratégicos foram alcançados, o ‘Vermelho’
informa que, na realidade, há um aumento do contingente militar dos Estados Unidos na região e que o
conflito entrou em um "atoleiro estratégico", sem uma vitória clara
ou um plano de saída viável.
Também desfaz a falsidade
de Trump, que diz haverem "negociações seriais" e que o Irã estaria ansioso por um
acordo, com o desmentido oficial de Teerã. Enfatiza que não há diálogo direto e
que o Irã exige o fim dos ataques e reparações antes de qualquer conversa, o
que torna o discurso de "sucesso diplomático" de Trump mera peça de
propaganda interna.
Além disso, em sucessivas
matérias, o Vermelho denuncia que o sofrimento da população civil é obscurecida por
uma narrativa de “defesa da democracia” e “combate ao terrorismo”.
Destaca também
a persistente dificuldade do Estados
Unidos na busca de apoio de seus aliados no Oriente Médio e na Europa. O
portal aponta que a realidade desmonta a ideia de uma “coalizão global”
liderada pelos EUA. Países europeus e vizinhos do Golfo mostram-se reticentes
com a instabilidade no Estreito de Ormuz e com a crise do petróleo gerado pelo
conflito.
Para o
portal Vermelho, o discurso errátil e demagógico de Trump busca interromper a
queda de popularidade em território norte-americano, estimada em torno de 37%)
e justificar gastos militares desnecessários.
Acompanho
e aqui no blog frequentemente transcrevo as breves e incisivas matérias do
Vermelho sobre este tema e muitos outros destacados na atualidade, no mundo e
no Brasil.
Vida que segue https://lucianosiqueira.blogspot.com/
Postei nas redes
"Conquistar mil homens com uma estratégia é melhor do que conquistar cem mil com força bruta." (Sun Tzu, A arte da guerra)
À direita, todos brigam e ninguém tem razão https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/minha-opiniao_22.html
Minha opinião
Arriscada
aposta economicista*
Luciano
Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
Fala-se em inquietações no âmbito do governo Lula — externadas
pelo próprio presidente — quanto à discrepância entre o volume de ações
destinadas a suprir necessidades e reivindicações imediatas do povo e o
insuficiente desempenho do futuro candidato à reeleição nas pesquisas
eleitorais.
A julgar pelo que se houve e se lê, a questão está mal posta.
Outro dia escrevi sobre isso no Portal Grabois https://grabois.org.br/2025/07/24/guerra-tarifas-oportunidade-esquerda-alem-economicismo-governo/,
apontando a necessidade de se dar um passo além do "economicismo
governamental". Tanto na narrativa do próprio Lula, como das correntes
políticas que integram a frente ampla governista.
Verificou-se certo progresso nessa
matéria justamente com o advento do tarifaço desferido por Donald Trump,
que colocou em primeiro plano (momentaneamente) a defesa da soberania nacional
— elemento essencial e indissociável de qualquer programa progressista no
Brasil.
Na ocasião e durante algum tempo, o próprio
presidente Lula liderou um discurso ofensivo e esclarecedor nessa matéria,
indispensável à elevação do nível de consciência do povo e, por conseguinte, da
possibilidade do cidadão comum discernir o joio e o trigo na percepção da
dimensão e do êxito de políticas públicas sociais compensatórias.
A narrativa meramente repetitiva acerca de programas
como Bolsa Família, Pé de Meia, Minha casa, Minha vida" e outros já não
sensibiliza tanto como nos dois primeiros governos Lula e no primeiro governo
Dilma.
Então, o imbróglio da comunicação não se resume à
tecnologia publicitária nem aos esforços de superar quantitativamente
insuficiências nas redes sociais e demais mídias digitais.
A corrente comunista tem um papel irrecusável nisso,
tanto pela fala dos seus militantes presentes nas instituições governamentais,
como nos movimentos sociais, na academia e na veiculação de notícias e opiniões
nas diversas mídias.
A seu tempo, quando Lenin criticava duramente (em "O
que fazer", por exemplo) o economicismo predominante no movimento sindical
na velha Rússia se referia também à atuação dos organismos partidários e da
militância comunista e de esquerda.
Ouso acrescentar o meu testemunho de quando ainda
adolescente, mas dando os primeiros passos na militância no início dos anos
sessenta, acompanhava a luta por reformas de base e a rejeição à dominação
imperialista norte-americana que marcaram o governo João Goulart. O debate
esclarecia, politizava.
Em outras palavras, o desafio está posto tanto ao
governo, como aos partidos que o apoiam e a cada um de nós: a explicitação de
quem são os verdadeiros adversários da nação e do povo e da indissociável
relação entre as ações governamentais com a luta por um autêntico e atualizado
projeto nacional de desenvolvimento, para além plataforma atual.
*Texto da minha semanal no portal 'Vermelho'
O mundo gira. Saiba mais https://lucianosiqueira.blogspot.com/
Humor de resistência





