30 outubro 2026

Minha opinião

A Folha diante do espelho
Luciano Siqueira  

O complexo midiático neoliberal dominante tentou até quando pôde insuflar uma alternativa de direita ou centro-direita para tentar derrotar Lula nas urnas.

Era a tão desejada “terceira via”.

Não conseguiu.

Estabelecido o confronto Lula x Flávio Bolsonaro (os demais candidatos da direita minguando em intenções de voto), a opção foi apostar no filho do ex-presidente encarcerado.

Hoje, a Folha de S. Paulo, em editorial - "Golpismo nunca mais" - , chora suas pitangas. O tom é de lamento. Ou, melhor dizendo, de desavergonhada frustração.

Faz dura crítica às posturas antidemocráticas do clã Bolsonaro, qualificando como "patética" e "delirante" a carta divulgada pelo candidato derrotado após o pleito, em que se autoproclama líder e presidente legítimo e volta à cantilena da fraude nas urnas.

Tal pai tal filho: Flávio repete a conduta delituosa do pai, Jair, marcada pelo desmando, pela contestação violenta e pela tentativa constante de deslegitimar as instituições democráticas.

Quem te viu, quem te vê!

Às vésperas do segundo turno, a Folha destaca em manchetes a provável vitória do candidato que agora repudia, enaltecendo números das pesquisas Datafolha e Quest, sem qualquer comentário sobre as ameaças à nação e ao regime democrático.

De quebra, apoiado em articulistas de direita ou centro-direita até a medula, espinafrava o presidente Lula e sua suposta negligência em relação aos reclamos do sistema financeiro.

Luta que segue.

Vitória histórica abre nova fase para o Brasil  https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/editorial-do-vermelho_0444637687.html 

Sylvio: piada

A melhor piada do ano: após fuga, Flávio Bolsonaro se auto-proclama "presidente". Coitado, perdeu completamente o senso de ridículo.

Sylvio Belém 

Nota sobre a fuga e a carta de Flávio Bolsonaro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/palavra-do-pcdob_01902869678.html 

Palavra do PCdoB

Nota sobre a fuga e a carta de Flávio Bolsonaro  

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No último domingo, 25 de outubro, o Brasil foi às urnas e consagrou Luís Inácio Lula da Silva (PT) presidente do Brasil para um quarto mandato, numa virada histórica, acompanhada por toda a imprensa nacional e internacional, além de observadores estrangeiros. O resultado foi inconteste.

Apurados os votos, Flávio Bolsonaro (PL), o candidato derrotado, não reconheceu o resultado e buscou um caminho de contestação da legitimidade do pleito. Não contou o apoio nem de seus de aliados.

Por ser investigado no Supremo Tribunal Federal pelo cometimento de ao menos três crimes e diante de indícios de fuga, lhe foi solicitado a entrega dos passaportes.

Descumprindo essa determinação, Flávio Bolsonaro contou com o apoio de autoridades dos governos Milei e Trump e fugiu através da Argentina para os Estados Unidos. Numa clara demonstração de pequenez política e de traição aos seus eleitores.

Em solo estadunidense, soltou uma carta de aberto tom golpista, onde se autoproclama presidente eleito do Brasil e justifica sua fuga pela existência de um suposto regime de exceção. Minutos depois, edita o texto e troca o trecho de “presidente eleito” para “líder do Brasil”. Delírios de alguém que nunca teve apreço pela democracia.

O PCdoB repudia a atitude covarde de Flávio Bolsonaro e suas ilações sobre a legalidade do pleito que reelegeu Lula presidente.

Sua atitude merece ser firmemente denunciada em solo brasileiro e junto à toda a comunidade internacional.

Temos convicção de que a ordem democrática uma vez mais se manterá inabalável diante dessa ação covarde e traidora. E que essa tentativa de quebra da ordem democrática por Flávio Bolsonaro será julgada de maneira severa pelo povo brasileiro.

Viva a democracia brasileira!

Executiva Nacional do PCdoB

Leia também Vitória histórica abre nova fase para o Brasil  https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/editorial-do-vermelho_0444637687.html 

Arte é vida

 

Siron Franco

Mulheres, jovens e idosos nas redes e nas ruas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/a-forca-das-ruas-e-das-redes.html 

Escafedeu-se

Fugiu para não ser preso
Luciano Siqueira   

Medo de ser preso, eis a principal razão da fuga do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos.

Sobretudo a partir do início do ano que vem, quando encerrará o mandato e perderá a imunidade parlamentar.

E a encrenca não é pouca.

Suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e irregularidades financeiras em mais de um delito.

Fugiu pouco depois de se comprometer publicamente que organizaria a oposição ao novo governo do Presidente Lula. Ou seja, deixou ao relento os cerca de 60 milhões de eleitores que votaram na chapa da extrema direita.

Seus interesses pessoais pesam muito mais do que compromissos públicos – como sempre aconteceu desde que há vinte há vinte e três anos iniciou sua carreira parlamentar, ocupando uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Triste fim para o candidato que enfrentou Lula em debates na TV com arrogância e presunção.

Esclarecer é preciso https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/esclarecer-e-preciso.html  

29 outubro 2026

Quem deve, teme

Razão da fuga: medo de cadeia por corrupção
A extrema direita, depois de derrotada nas urnas, encontra-se sob nova carga de desgaste com a fuga vexatória do golpista e corrupto Flávio Bolsonaro
Editorial do Vermelho www.vermelho.org.br

A narrativa de que Flávio Bolsonaro fugiu do país por ser alvo de perseguição política tem a mesma solidez de uma estaca fincada no brejo. Não há explicação, fora da fuga pura e simples da Justiça, para esse gesto de quem representa o Partido Liberal (PL), que elegeu a maior bancada da Câmara dos Deputados e do Senado, além de contar com grande número de governadores aliados, abandonando o posto de líder da oposição para fugir às pressas, deixando o pai preso, mandando às favas o eleitorado que lhe confiou o voto.

Com este episódio, além de traidor da pátria, inimigo do povo e da democracia, revela-se, também, um covarde. E o bolsonarismo se reafirma como sinônimo de golpismo.

A razão da fuga é cristalina. Flávio Bolsonaro é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). Um investiga o financiamento do filme Dark Horse, sobre seu pai, com recursos atribuídos ao ex-banqueiro criminoso Daniel Vorcaro; o outro apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo sua relação com o advogado Willer Tomaz. Sua fuga ocorre em meio ao avanço dessas apurações e à determinação judicial de entrega dos passaportes.

Na última semana, vieram à tona documentos obtidos pela Polícia Federal (PF) que indicam Flávio Bolsonaro como usuário master de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa ligada a Willer Tomaz. O cadastro lhe permite poderes relevantes de acesso e gerenciamento da conta, segundo as investigações que apuram indícios de participação econômica ou societária indireta de Flávio Bolsonaro em negócios relacionados ao setor de apostas.

Para se ter uma dimensão do que pode envolver essa conta, basta observar que Willer Tomaz movimentou cerca de R$ 5 bilhões em apostas on-line, segundo as investigações. O que torna o caso explosivo é a combinação dessas movimentações bilionárias com suspeitas de lavagem de dinheiro.

A PF investiga as conexões financeiras entre empresas do setor e o papel de Flávio Bolsonaro nessa estrutura. O rastreamento das transferências bancárias, a identificação dos beneficiários dos recursos e o cruzamento dos vínculos empresariais podem revelar se Flávio Bolsonaro exercia papel efetivo na estrutura financeira investigada.

Diante da dimensão dessas movimentações, o caso Dark Horse se reduz a trocados, uma cifra irrisória diante do vulto que assume a conta master da Alcazar Holdings e da rede de negócios que a investigação procura desvendar.

O destino de Flávio Bolsonaro não poderia ser outro senão os braços de Donald Trump, que acolhe seu lacaio embora tenha fracassado na missão recebida de ganhar as eleições e incluir o Brasil no chamado Escudo das Américas, junção de países subordinados ao imperialismo estadunidense. Já sem a participação do México, e, agora, com a reeleição do presidente Lula esse “Escudo” se apresenta com um considerável rombo no casco.

Flávio foi se juntar ao irmão, Eduardo Bolsonaro, e a outros aliados bolsonaristas para fazer com mais propriedade o que tem feito sistematicamente: trair a pátria.

A união desses foragidos da Justiça brasileira com o governo dos Estados Unidos forma uma espécie de comando político a serviço dessa potência estrangeira para atacar o Brasil. Precisam ser continuamente desmascarados e denunciados como traidores da pátria, inimigos do povo brasileiro e sabotadores da democracia.

A sua dita carta com duas versões e uma só essência é uma peça autodefinidora: bolsonarismo é sinônimo de golpismo e se alimenta de corrupção. Na primeira versão, Flávio Bolsonaro se proclama “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, reivindicando para si uma legitimidade que as urnas lhe negaram e afrontando diretamente o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral.

Na segunda, recua para a expressão “líder do Brasil”, numa tentativa vã de atenuar a reivindicação explícita sem abandonar a proclamação golpista. Também corrigiu o brasão com a grafia “Estados Unidos do Brazil”.

A primeira versão – a verdadeira de fato – expõe com nitidez a pretensão de sepultar a soberania do voto e suprimir a vontade popular. A correção do texto não apaga a gravidade do gesto. “Ele já virou a cabeça, achando que Estados Unidos é que vão mandar aqui. Era tudo o que ele queria”, diz a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ). “Ele expressa, nesse brasão, o seu pensamento”, declara.

Fica patente que ele tenta fazer soar o golpismo, sinalizando uma tentativa de, novamente, mobilizar o bolsonarismo para mais uma vez atentar contra o Estado Democrático de Direito. A fuga covarde de Flávio Bolsonaro e o patético manifesto golpista rapidamente vão se mostrando um desastre para a extrema-direita, em particular para o clã fascista.

A dita carta foi rechaçada por partidos políticos de matrizes ideológicas da esquerda à direita, passando pelo centro. O PL, encurralado, negou que houve fraude e já apresenta rachaduras. O TSE sublinhou a lisura da apuração. A carga de reprovação é potente e vem de amplos setores, do conjunto dos movimentos sociais, de personalidades da sociedade civil, de setores da mídia.

A estrutura de comando da extrema-direita perde nitidez e eficácia. Mesmo as ordens do fujão, em Washington ou numa praia da Flórida, tendem a ter efeito relativo. Parte da direita, diante desse cenário, dá sinais que buscará autonomia. E, ainda, há as conhecidas disputas e intrigas no âmbito do clã. O bolsonarismo tende a se isolar. Paga o preço de sua indigência política.

De conjunto, mesmo considerando as turbulências e ressaltando que a vigilância contra o golpismo não pode ser negligenciada, do quadro exposto emerge um momento político favorável à realização das tarefas imediatas para o sucesso do quarto mandato do presidente Lula.

O presidente sai das eleições com a liderança reforçada no Brasil e com um resultado de forte repercussão positiva no mundo. É preciso ter como bússola a tática de frente ampla para isolar a extrema-direita, desgastando ao máximo o clã Bolsonaro. Atrair o centro, a centro-direita e setores da direita. Essa tática deve reger a composição do novo governo, sem cedência programática e com firmeza na defesa da democracia, da soberania nacional e dos compromissos assumidos com o povo.

Um bom exemplo é a rápida articulação em torno da reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados, construída sobre uma base ampla de apoio parlamentar que exclui o PL. A bancada do PCdoB participa dessa articulação e apoia Motta com base em compromissos tendo como eixo a defesa da democracia, a governabilidade e estabilidade institucional e o diálogo com os movimentos sociais. O movimento demonstra a possibilidade de isolar o bolsonarismo.

Neste ano ainda, o governo e sua base parlamentar devem acelerar a aprovação de projetos importantes, entre eles, a PEC da Segurança Pública e, em sequência, criar o Ministério da Segurança Pública.

A fórmula decisiva à vitória, a mobilização nas ruas e redes, deve ser mantida e reforçada. Os estudantes liderados pela UNE, pela Ubes, pela ANPG já estão de volta às ruas, com suas bandeiras de direitos, denunciando o golpismo do fujão Flávio Bolsonaro e comemorando o triunfo histórico para o qual cumpriram papel decisivo.

Além da fuga vergonhosa de Bolsonaro, outro fato relevante foi a reação do mercado financeiro, no dia seguinte ao segundo turno das eleições, que derrubou a Bolsa de Valores e provocou uma disparada artificial do dólar, em um movimento de pressão sobre o governo. A chantagem do capital financeiro rentista busca impor sua agenda de austeridade, um “ajuste fiscal” brutal que compromete as políticas públicas. São os primeiros sinais do que está por vir.

Amplitude política, firmeza para realizar o programa eleito nas urnas, mobilização do povo e da juventude nas ruas e redes compõem a tática capaz de isolar o golpismo da extrema-direita, repelir as pressões do imperialismo e do capital financeiro e assegurar a jornada vitoriosa do quarto mandato do presidente Lula.

A vitória épica de Lula e a necessidade de disputar o futuro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/elias-jabbour-opina.html 




Palavra de poeta

Tea For Two
Júlia de Carvalho Hansen       

Tanto faz parte do destino
das mesas estarem entre nós
que sem fazer alarde
uma agulha enovela
zonzos de calor
a ternura e o risco
de uma criança que enfia o dedo no bolo
como você encaixa o dedo
no anel da xícara
enquanto retiro lentamente
do seu papel
um canudinho pra sugar a vida
este saquinho
de açúcar
pesando na mão
rasgo com os dentes
pondero, mas não sei calcular
nem ponho no suco demais
pois pode explodir
um coração
estou evitando
mas agora consigo ouvir
meu corpo
é capaz de quebrar
um copo atrás do balcão
farejar o gás vazando
abrir a porta e sair correndo
pelo tempo que nunca houve
mandar, quem sabe?, pedir
evacuar a área planetária
uma brecha na agenda
o gás alcança onde o ar atinge
se propaga a população mundial
nos níveis em que andam
as chuvas é um perigo
os postes as árvores caindo
as luzes todas piscando
que sorte com os ventos ter
esta conexão sem fios
atravessando os dias
crescendo como morangos
de sobremesa
que eu peço mas não sei se
tão doces como comer
com garfo ou colher
eu sou cheia de dedos.

[Ilustração: Arshile Gorki]

Leia também "A palavra", poema de Carlos Pena Filho https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/palavra-de-poeta_0129625086.html