01 maio 2026

Dica de leitura

Trump tenta, mas não engana
instagram.com/lucianosiqueira65        

Em texto breve, mas convincente, Cezar Xavier abordou dias atrás (no ‘Vermelho’, que transcrevi aqui no blog) a tática de comunicação de Donald Trump conhecida como "inundação": o disparo de uma avalanche de informações, polêmicas e decisões simultâneas e contraditórias.

Tenta sobrecarregar a capacidade analítica da mídia e a velocidade de reação da oposição, gerando um estado de fadiga informativa.

Desse modo, em boa medida pauta o debate público e desvia a atenção de questões críticas ou investigações sensíveis. Essa fragmentação da realidade dificulta a distinção entre fatos e retórica, fortalecendo a base de apoio através do caos controlado.

A oposição, ao tentar responder a cada declaração do presidente vê-se na condição de reativa, prejudicando seu próprio posicionamento.

Trata-se de uma ferramenta de guerra psicológica que utiliza o excesso para produzir desorientação e paralisia no sistema democrático.

O enfrentamento dessa tática exige novas formas de resistência intelectual e organização política que não caiam na armadilha do imediatismo.

Confira https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/02/trump-pirotecnia-reacionaria.html  

(LS)  

Reconstruir a coletividade crítica

Além da regressão e ressentimento
Num país que se reprimarizou por décadas, até a ascensão social marcada por desigualdade refluiu. Sobrou a frustração dos empobrecidos e atomizados, ainda que em conexão. Reconstruir a coletividade crítica e transformadora: eis o desafio
Marcio Pochmann/Outras Palavras    


Há um equívoco na afirmação de que o Brasil vive hoje uma crise de engajamento sociopolítico. O que caracteriza o presente não é a apatia, mas uma nova forma de mobilização que se apresenta contínua, intensa e, ao mesmo tempo, incapaz de produzir transformação estrutural. Trata-se de uma mobilização politicamente estéril, marcada pelo ressentimento como afeto dominante e como base do novo sujeito coletivo que emerge da sociedade de serviços hiperconectada da era digital.

A tese é desconfortável, mas necessária, pois o sujeito coletivo não desapareceu. Ele se degradou e se reconfigurou negativamente, tornando-se expressão convergente de frustrações estruturais. Entre os anos de 1930 e 1980, o capitalismo industrial no Brasil organizou não apenas a produção, mas também as expectativas sociais. Mesmo de forma desigual, a promessa de mobilidade ascendente funcionava como eixo de integração. O conflito existia, mas era mediado por sindicatos, partidos e movimentos sociais. Havia antagonismo, mas também horizonte de transformação superior.

Neste início do século XXI, porém, não se assiste ao desaparecimento da coletividade, mas ao surgimento de sua forma negativa. Em vez de se estruturar em torno de projeto, organização e solidariedade, ela passa a se agregar pela convergência de frustrações produzidas pela realidade brasileira contemporânea. A mobilidade social, antes elemento estruturante, tornou-se exceção. Ainda assim, o desejo de ascensão contínua universalizado. É dessa contradição que nasce o ressentimento enquanto promessa operando subjetivamente sem que encontre a base material que a sustente. O ressentimento, assim, não é apenas reação, mas uma produção histórica.

Para compreender essa mutação, é útil contrastá-la com formulações clássicas do sujeito coletivo proveniente de países do Norte Global. Em Antonio Gramsci, por exemplo, o sujeito coletivo é uma construção política. Ele não surge espontaneamente, mas resulta de organização, dire&cc edil;ão e disputa de hegemonia. A classe só se torna sujeito quando é capaz de articular interesses particulares em um projeto universal. Sem mediação institucional e sem intelectuais orgânicos, há apenas dispersão social. Em Alain Touraine, o sujeito também é compreendido como ator consciente, embora o foco se desloque da classe para os movimentos sociais. O sujeito coletivo é aquele que intervém na historicidade, disputa o controle dos processos sociais e atua com identidade, conflito e orientação transformadora.

No Brasil, Éder Sader destacou a emergência concreta do sujeito nas práticas sociais, enfatizando sua constituição por meio da experiência compartilhada de luta entre trabalhadores, movimentos urbanos e comunidades em pleno auge da sociedade urbana e industrial na virada dos anos de 1970. Apesar de suas diferenças, essas três tradiç ;ões compartilham um ponto comum, pois o sujeito coletivo é estruturado, reconhecível e orientado por um horizonte de transformação.

Sob o neoliberalismo, contudo, essa base se altera profundamente. Como mostram Pierre Dardot e Christian Laval, a presença dominante do neoliberalismo não seria apenas um regime econômico, mas uma racionalidade que reorganiza a vida social pela concorrência generalizada e transforma cada indivíduo em empresa de si mesmo, responsável por administrar so zinho seus fracassos.

Por isso, o conceito de novo sujeito coletivo neste início do século XXI aponta para outra direção. Ele não nasce da organização, mas da desorganização social produzida pela regressão capitalista consolidada por décadas de neoliberalismo. Não se trata da expansão de uma classe social integrada pelo tr abalho industrial, mas da difusão de uma condição heterogênea e precária, marcada pela instabilidade no trabalho e pela dificuldade de reconhecimento comum. É exatamente esse núcleo de integração que se rompe na ruína da sociedade industrial.

O ciclo de mobilidade ascendente que marcou parte importante do século XX foi interrompido a partir dos anos 1990. A desindustrialização, a financeirização e a reprimarização corroeram os fundamentos da integração social em uma economia periférica como a brasileira. O trabalho assalariado com direitos deixou de ser eixo e struturador de identidades e expectativas. A promessa de ascensão, parcialmente sustentada por políticas públicas no ciclo da Nova República, pouco se realizou em uma economia de baixo dinamismo, marcada pela expansão de serviços hiperconectados na era digital.

Abriu-se, assim, um terreno fértil para a disseminação do ressentimento. A promessa continua viva no plano subjetivo, mas sem possibilidade concreta de realização. Em Byung-Chul Han, esse processo aparece na passagem para a sociedade do desempenho, em que o indivíduo se torna empreendedor de si e responsável exclusivo por seu sucesso ou fracasso. A exploração deixa de ser percebida como relação social e passa a ser vivida como insuficiência pessoal. O conflito não desaparece, uma vez que ele implode sob a forma do ressentimento.

Nesse contexto, o ressentimento assume a forma de uma consciência bloqueada. A injustiça é percebida, mas sua origem estrutural não é claramente identificada, nem convertida em ação coletiva organizada. A era digital não criou esse processo, mas o intensificou. As plataformas funcionam como infraestruturas de agregação afe tiva, conectando indivíduos não por posição social ou projeto político, mas por emoções compartilhadas, sobretudo negativas.

A comparação permanente, a exposição contínua e a visibilidade ampliada das desigualdades geram um ambiente de frustração crônica. Forma-se, assim, um novo sujeito coletivo ressentido, marcado pela máxima visibilidade da hierarquia social e pelo bloqueio estrutural da mobilidade ascendente em uma sociedade que individualiza respo nsabilidades. Esse é o ponto central da inflexão teórica: o ressentimento deixa de ser apenas efeito da crise e passa a funcionar como princípio organizador de uma nova forma de coletividade.

Diferentemente das concepções de Gramsci, Touraine e Sader, o novo sujeito coletivo não se constitui pela organização, mas pela conexão. Não se reconhece por identidade estável, mas por afetos compartilhados. Não age por projeto, mas por reação. Não constrói hegemonia duradoura, mas se expressa em ond as efêmeras de mobilização. Trata-se de um fluxo instável, intermitente, altamente mobilizável e profundamente desestruturado. Ainda assim, é capaz de redefinir agendas públicas, desestabilizar instituições e amplificar conflitos simbólicos.

Sua força, contudo, é inseparável de sua limitação. Sem mediações organizativas e sem horizonte estratégico, esse novo sujeito coletivo permanece preso a um circuito fechado de afetos, mobilizando-se sem se instituir, reage sem transformar. Por isso, torna-se particularmente vulnerável à captura por projetos populistas e autoritários, que oferecem aquilo que o ressentimento não consegue produzir por si só, com a nomeação de inimigos, simplificação da realidade e promessas ilusórias de recomposição simbólica.

A perda de expectativas para a ascensão social acompanhada da frustração de promessas nunca efetivamente realizadas produzem ressentimento que intensifica a formação de um novo sujeito coletivo profundamente instável, oscilando entre esperança e descrença, mobilização e paralisia. No início do século XXI, o novo sujeito coletivo já não é, predominantemente, aquele que se organiza para transformar o mundo, mas aquele que expressa, de forma difusa e contínua, as contradições de uma realidade incapaz de integrar socialmente seus próprios indivíduos.

O problema teórico e político torna-se, então, decisivo: como transformar um sujeito coletivo constituído pelo ressentimento em um sujeito capaz de ação histórica? Sem a reconstrução de mediações, sem a rearticulação de interesses materiais e sem a reabertura de horizontes de futuro, essa transforma&c cedil;ão tende a permanecer bloqueada. É nesse cerco que o ressentimento se consolida como principal vínculo social do nosso tempo. Não se trata do fim da política, mas de sua forma mais empobrecida e, talvez por isso mesmo, mais instável e perigosa.

Referências


DARDOT, P. ; LAVAL, C. A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. São Paulo: Boitempo, 2016.
GRAMSCI, A. Cadernos do cárcere. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.
HAN, B. A sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015.
POCHMANN, M. O novo sujeito coletivo. Campinas. Ed. Unicamp, 2025.
SADER, E. Quando novos personagens entraram em cena. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
TOURAINE, A. Crítica da modernidade. Petrópolis: Vozes, 1994.

Assine seu comentário para que possamos publicá-lo.

Uma espiral de declínio das redes sociais acelerada pela IA https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/baixo-nivel-nas-redes.html

Primeiro de Maio: palavra de Lula

Dia do Trabalhador: Lula mira combate ao endividamento e fim da escala 6×1 
Em pronunciamento, presidente destaca que Novo Desenrola Brasil terá juros de 1,99%, uso de até 20% do FGTS e veto a bets; ele também se posicionou pela redução da jornada de trabalho
Murilo da Silva/Vermelho   
      

O presidente Lula anunciou em rede nacional de rádio e televisão, na noite de quinta-feira (30), véspera do Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, celebrado neste 1º de maio, duas importantes medidas: o Novo Desenrola Brasil e a luta pelo fim da escala 6×1 com redução de jornada de trabalho para 40 horas semanais.

O Novo Desenrola Brasil dá sequência ao programa lançado em 2023, que visa combater o endividamento da população. De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 80,4% das famílias brasileiras estão endividadas.

Diante disso, o governo deverá lançar a nova fase do programa na segunda-feira (3), de acordo com o presidente, em vista de que as dívidas da população voltaram a crescer.

As novidades no que tange ao programa são a possibilidade de utilização de até 20% do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para o pagamento das dívidas, que terão juros mais baixos, de no máximo 1,99%, e descontos de 30% a 90%.

“As trabalhadoras e os trabalhadores poderão negociar dívidas do cartão de crédito, do cheque especial, do rotativo, do crédito pessoal e até do FIES”, disse Lula.

Outro ponto fundamental será a proibição de apostas em bets para quem aderir ao programa. Quem renegociar a dívida ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas on-line.

“Não é justo que as mulheres tenham que trabalhar ainda mais para pagar as dívidas de jogo dos maridos. Não foi nosso governo que deixou as bets entrarem no Brasil, mas é o nosso governo que vai colocar um limite à destruição que elas vêm causando”, salientou o presidente.

Leia mais: Redução da jornada na Europa não afetou PIB nem nível de emprego

Em deferência direta à classe trabalhadora, que neste 1º de maio está nas ruas em luta pelo fim da escala 6×1, o presidente destacou que neste ano a data tem significado especial, pois o governo encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei que limita em 40 horas semanais a jornada de trabalho.

A iniciativa, que pretende acabar com a escala 6×1, “vai garantir mais tempo com a família. Mais tempo para acompanhar o crescimento dos filhos, estudar, cuidar da saúde, ir à igreja, viver além do trabalho. Mais tempo para descansar, porque eu sei o quanto o trabalhador brasileiro está cansado”, afirmou Lula.

Apesar do reforço à pauta, o líder nacional fez um alerta sobre os que jogam contra o projeto, que já correm para as redes sociais para pintar um cenário infundado de caos.

“A elite brasileira sempre foi contra melhorias para o trabalhador: o salário mínimo, as férias remuneradas, o 13º salário. A turma do andar de cima disse que cada uma dessas conquistas ia quebrar o Brasil. E o Brasil nunca quebrou por dar direito aos trabalhadores. Sempre ficou mais forte. Porque toda vez que a vida do trabalhador melhora, a roda da economia gira com mais força, e todo mundo acaba ganhando. É isso que vai acontecer com o fim da escala 6×1 no Brasil”, garantiu.

No pronunciamento, também houve espaço para destacar as medidas do governo que atenuam os efeitos da guerra do Oriente Médio no Brasil, em especial para garantir o abastecimento e preços acessíveis dos combustíveis, aspecto que reforça a soberania nacional.

“Em um mundo cada vez mais instável, com guerras e incertezas se espalhando, é fundamental que o governo do Brasil esteja do lado do povo. Nossa nação precisa ser protegida. Nossa soberania e nossas riquezas têm que ser defendidas. O Brasil é grande demais para baixar a cabeça. O Brasil não aceita ser quintal de ninguém”.

Por fim, Lula celebrou medidas e programas importantes construídos no seu governo, como o Gás do Povo, a retomada da valorização do salário mínimo, a antecipação do 13º salário dos aposentados, a ampliação da licença-paternidade e, principalmente, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a diminuição para quem ganha até R$ 7.350.
Confira a seguir o discurso do presidente na íntegra:
 

Minhas amigas e meus amigos.

Amanhã, 1º de Maio, é o Dia do Trabalhador e da Trabalhadora. Eu quero falar com você, que trabalha duro durante cinco, seis, até sete dias na semana e vê o fruto do seu esforço ir embora para pagar as dívidas da sua família.

Nós encontramos o Brasil e os brasileiros endividados. A dívida das famílias cresceu por anos e agora está sufocando uma parte da sociedade brasileira. Por isso, vamos lançar, na próxima segunda-feira, o Novo Desenrola Brasil, um conjunto de medidas para ajudar a resolver a vida financeira das famílias endividadas.

As trabalhadoras e os trabalhadores poderão negociar dívidas do cartão de crédito, do cheque especial, do rotativo, do crédito pessoal e até do FIES.

Os brasileiros endividados terão juros mais baixos, de no máximo 1,99%, e descontos de 30% até 90% no valor da dívida. Assim, você vai ter uma parcela bem menor e mais tempo para pagar sua dívida. E cada pessoa poderá sacar até 20% do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço.

Agora, o que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet. Por isso, quem aderir ao Novo Desenrola Brasil ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas on-line. Não é justo que as mulheres tenham que trabalhar ainda mais para pagar as dívidas de jogo dos maridos.

Não foi nosso governo que deixou as bets entrarem no Brasil, mas é o nosso governo que vai colocar um limite à destruição que elas vêm causando.

Minhas amigas e meus amigos.

O 1º de Maio é uma data que homenageia a luta de mulheres e homens do mundo inteiro por melhores condições de trabalho. E que, este ano, aqui no Brasil, tem um significado especial. Porque nós demos, neste mês de abril, um passo histórico para o nosso país.

Encaminhei ao Congresso Nacional um projeto de lei para reduzir a jornada de trabalho, que passará a ser de, no máximo, 40 horas semanais, com dois dias livres por semana, sem redução de salário.

Não faz sentido que, em pleno século 21, com toda a evolução tecnológica, milhões de brasileiros e brasileiras tenham que trabalhar seis dias por semana para descansar apenas um dia. Para as mulheres, a situação é muito mais difícil. Elas chegam cansadas do trabalho e, na maioria das vezes, ainda precisam cuidar da casa e dos filhos.

O fim da escala 6×1 vai garantir mais tempo com a família. Mais tempo para acompanhar o crescimento dos filhos, estudar, cuidar da saúde, ir à igreja, viver além do trabalho. Mais tempo para descansar, porque eu sei o quanto o trabalhador brasileiro está cansado.

Eu sei muito bem que todos os direitos dos trabalhadores foram conquistados com muita luta.

A elite brasileira sempre foi contra melhorias para o trabalhador: o salário mínimo, as férias remuneradas, o 13º salário. A turma do andar de cima disse que cada uma dessas conquistas ia quebrar o Brasil. E o Brasil nunca quebrou por dar direito aos trabalhadores. Sempre ficou mais forte. Porque toda vez que a vida do trabalhador melhora, a roda da economia gira com mais força, e todo mundo acaba ganhando. É isso que vai acontecer com o fim da escala 6×1 no Brasil.

Minhas amigas e meus amigos.

Países do mundo inteiro estão sentindo os efeitos da guerra do Oriente Médio. O petróleo ficou mais caro, e isso vem pressionando os preços dos combustíveis em todo o planeta. Quando os combustíveis sobem, o custo do transporte cresce, o preço dos alimentos aumenta e o custo de vida fica mais caro para o povo. Mas o nosso governo agiu rapidamente.

Com muito esforço, tiramos os impostos dos combustíveis, tomamos uma série de medidas urgentes para conter o aumento dos preços, garantir o abastecimento e aliviar o peso da guerra sobre as famílias brasileiras. Graças a essas ações, o Brasil tem sido um dos países menos afetados pela crise global.

Em um mundo cada vez mais instável, com guerras e incertezas se espalhando, é fundamental que o Governo do Brasil esteja do lado do povo. Nossa nação precisa ser protegida. Nossa soberania e nossas riquezas têm que ser defendidas. O Brasil é grande demais para baixar a cabeça. O Brasil não aceita ser quintal de ninguém.

Minhas amigas e meus amigos.

Este 1º de Maio é também o momento de olhar o que construímos juntos.

Temos a menor inflação acumulada em quatro anos da história do Brasil, a menor taxa de desemprego, e o rendimento médio dos trabalhadores é o maior da história do Brasil.

Retomamos a valorização do salário mínimo. Zeramos o Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e diminuímos para quem ganha até R$ 7.350. Antecipamos o 13º salário dos aposentados em todos os anos do nosso governo. Aprovamos a ampliação da licença-paternidade para que os homens tenham mais tempo para cuidar dos filhos recém-nascidos.

Além disso, zeramos a conta de luz para famílias que consomem até 80 quilowatts e concedemos desconto para quem consome 120 quilowatts por mês. Lançamos o Gás do Povo, que triplicou o número de beneficiários do gás de cozinha.

Mas tudo isso ainda é pouco diante das necessidades das famílias brasileiras.

Minhas amigas e meus amigos.

Os obstáculos que temos pela frente são enormes. Cada vez que damos um passo adiante para melhorar a vida do povo brasileiro, o sistema joga contra. O andar de cima, os bilionários, a elite que só pensa em manter privilégios às custas do povo. Se dependesse do sistema, nem a escravidão teria sido abolida no Brasil.

Mas todo dia eu renovo minha fé em Deus e no povo brasileiro, na força de quem levanta cedo, enfrenta dificuldades, cultiva esperança e nunca desiste dos seus sonhos.

Você que tem carteira assinada, que é MEI, que trabalha por aplicativo, que faz bico, que vende pela internet. Você que cuida, que ensina, que pega ônibus cheio, você que planta, colhe, cozinha e constrói. Você que é uma pessoa honesta e batalhadora, você que vive do próprio trabalho, seja ele qual for, tenha uma certeza neste 1º de maio: o Governo do Brasil está do seu lado.

Um grande abraço e viva o Dia do Trabalhador e da Trabalhadora.

Assine seu comentário para que possamos publicá-lo.

Leia também: Para além do “economicismo governamental” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/07/minha-opiniao_5.html

Postei nas redes

Na mídia neoliberal a cantilena de que derrotas na Câmara e no Senado seriam "o fim do governo Lula". Eita exagero! O governo é minoria no parlamento desde o começo e assim mesmo realizou tanto que se credencia a continuar por mais quatro anos.  

As voltas que o mundo dá https://lucianosiqueira.blogspot.com/

Editorial do 'Vermelho'

Unidade e luta são decisivas para o presente e o futuro dos trabalhadores
Para além da pauta dos direitos trabalhistas e sociais, a classe trabalhadora tem papel relevante na disputa pelo governo República
Editorial do 'Vermelho'   
 

Ao longo da história, o Dia Internacional dos Trabalhadores marca a luta por direitos e pela emancipação social, mas é também um momento de reflexão. A agenda patriótica e democrática não avança sem protagonismo dos trabalhadores. Tais avanços se realizam entrelaçados com a jornada contínua do trabalho contra a opressão do capital, a contradição antagônica básica da sociedade capitalista. Foram essas conquistas que deram instrumentos políticos para os trabalhadores enfrentarem a selvageria dessa relação.

Vladimir Lênin, o líder da Revolução Russa, que abriu caminho para a primeira grande experiência socialista, lembrava que Karl Marx atribuía grande importância à tarefa do movimento classista dos trabalhadores de forjar, no curso das lutas salariais e econômicas, a unidade e a consciência da classe. No curso dos movimentos reivindicatórios, deve-se elevar o grau de coesão e consciência política dos trabalhadores, lembrou Lênin. Ou seja: a preparação para batalhas futuras, o desafio da classe de, nas lutas econômicas e sociais, fazer a luta política pela conquista do poder. Sempre acumular forças nesta direção.

Os comunistas lutam “pela realização de objetivos e de interesses imediatos da classe operária, mas representam no movimento presente também o futuro do movimento”, escreveram Karl Marx e Friedrich Engels no Manifesto do Partido Comunista. Eles também deram fundamentação científica para a ideia do internacionalismo proletário, a base ideológica da Associação Internacional dos trabalhadores, a primeira Internacional, criada em 25 de setembro de 1864.

De uma perspectiva histórica, é possível perceber a evolução dessa formulação. Na Inglaterra do início do século 19, que emergia como a grande potência econômica do planeta, os trabalhadores – incluindo crianças – eram acorrentados às máquinas e trabalhavam 14, 16 horas por dia, condição superada essencialmente pelas ideias socialistas e pela pressão de suas experiências, em muitos aspectos legitimando valores igualitários como justiça social e solidariedade, que passaram a compor a agenda pública e impulsionam a luta pelo socialismo.

No Brasil, as conquistas trabalhistas, golpeadas pelo projeto neoliberal, são a síntese dessa luta que atravessou o século 20 e o início do século 21. São exemplos disso, na atualidade, a luta pelo fim da escala 6×1 e a redução da jornada, uma das reivindicações da marcha organizada pelas centrais sindicais em Brasil dia 15 de abril, precedida da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), e as mobilizações que cobraram, de forma enfática, a redução da taxa de juros Selic que o Banco Central, como aconteceu em sua última reunião, insiste em manter nas alturas.

Nas eleições presidenciais estão em jogo essa agenda, expressa pela candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contra o projeto entreguista, de traição nacional e opressão ao povo, com perspectivas de um regime ditatorial, de ódio, violência e regressão social, a negação das históricas conquistas sociais e democráticas, ideal do neoliberalismo exacerbado da extrema direita, que busca manter ganhos fabulosos do capital financeiro, canalizando as riquezas nacional para os seus interesses.

São explícitas as ameaças desse campo político e ideológico, como a imposição da volta do teto de gastos que arrocha os investimentos em políticas públicas e infraestrutura, as privatizações selvagens, abolições de benefícios sociais e o fim do aumento do salário-mínimo, que afeta de maneira cruel grande parte dos trabalhadores e os aposentados. Mais do nunca os trabalhadores devem estar na linha de frente do enfrentamento com essa agenda para derrotar Flávio Bolsonaro, o candidato de Trump, dos rentistas da Faria Lima.

Conclusão: este 1º de maio se reveste de importância de grande envergadura – assim como em todo o mundo, num momento de enfrentamento com a barbárie e ameaças do imperialismo –, uma típica inflexão da luta de classes. A unidade dos trabalhadores é a bandeira que confere força para a pauta dos trabalhadores, uma conclamação da realidade às centrais sindicais, aos partidos democráticos e progressistas e aos movimentos sociais para ocupar as ruas, as praças e as redes sociais com o espírito de combate e consciência de luta para derrotar a direita e a extrema direita e reeleger Lula.

Assine seu comentário para que possamos publicá-lo.

Leia também: Para além do “economicismo governamental” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/07/minha-opiniao_5.html

Fotografia


Selina de Maeyer

30 abril 2026

Palavra de poeta

AS CHAVES
Marcelo Mário de Melo     

Me tragam todas
as chaves
na concha do coração.
 
A chave da resistência
a chave da construção
a chave que abre a porta
a chave de ligação.
 
A chave do desapego
a chave da doação
a chave da amizade
a chave da comunhão.
 
A chave do bom humor
a chave da elevação
a chave da esperança
a chave da encantação.
 
E a chave da poesia
chave em quarta dimensão.
 
[Ilustração: 
Alexej von Jawlensky]

Leia também um poema de Pablo Neruda https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/02/palavra-de-poeta_26.html