07 agosto 2026

Pequenas grandes contribuições

A vaquinha solidária da campanha de Cida
Luciano Siqueira   

Em recursos financeiros, campanhas de candidatos populares às Casas legislativas nem se comparam com as de representantes das elites dominantes. 

Não apenas porque o fundo eleitoral é distribuído proporcionalmente com ao tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados — maioria de extrema direita e do centrão, cujos parlamentares defendem com unhas, dentes e artificios impublicáveis os interesses do capital financeiro, do poderoso agro exportador e dos monopólios varejistas.

As correntes populares elegeram no pleito passado apenas 1/5 dos deputados federais. 

Daí decorre uma disputa desigual. 

A campanha de Cida Pedrosa à Assembleia Legislativa — genuinamente popular e empolgante sob todos os aspectos — carece de recursos assegurar todas as atividades planejadas.

Vem fazendo bom uso de um instrumento permitido pela Legislação Eleitoral: a vaquinha — de fácil acesso e manuseio muito simples.

O convite nos chega em mensagem pelo WhatsApp, com link para acesso e em não mais do 1 a 2 minutos é possível registrar o valor da doação e depositar via PIX, cartão ou boleto. 

A vaquinha da campanha de Cida arrecadou até agora pouco mais de r$ 60.000, fruto de contribuições de valores os mais diversos: 5, 10, 20, 30, 500 ou mais. 

Contabilizam-se largamente pequenas contribuições advindas da população que dispõe de poucos recursos, que se vê representada por Cida na Câmara Municipal e deseja vê-la deputada para levar a Pernambuco uma trajetória construída com presença, escuta e compromisso..

*

Tomo a liberdade de lhe convidar a fazer parte dessa corrente de solidariedade. Clique aqui https://apoiar.me/cida-pedrosa 

Palavra do PCdoB

PCdoB aprova manifesto por novo ciclo de desenvolvimento com Lula
Cezar Xavier/www.pcdob.org.br   

A Convenção Nacional do PCdoB aprovou nesta quinta-feira (30) um manifesto que oficializa o apoio à chapa Lula-Alckmin e apresenta as diretrizes políticas da legenda para as eleições de 2026. Sob o lema “Avançar no rumo de um Brasil soberano, desenvolvido e de valorização do trabalho”, o documento sustenta que o próximo mandato deve inaugurar um novo ciclo de desenvolvimento, superando a etapa de reconstrução iniciada após o governo anterior.

O texto afirma que o crescimento econômico deve estar associado à geração de empregos qualificados, à valorização dos salários e ao fortalecimento dos serviços públicos. Para o partido, a reindustrialização baseada em ciência, inovação e novas tecnologias é condição indispensável para reduzir desigualdades, agregar valor às riquezas nacionais e garantir soberania em áreas estratégicas, como transição energética, economia digital e minerais críticos.

O manifesto também defende um Estado forte, capaz de planejar investimentos, coordenar políticas públicas e induzir o desenvolvimento. O documento critica a predominância do rentismo, dos juros elevados e das políticas de austeridade, propondo reformas econômicas, tributárias e institucionais voltadas ao fortalecimento da produção e do mercado interno.

Na avaliação do PCdoB, a eleição de 2026 representa uma disputa entre projetos de país. De um lado, afirma o texto, estão forças identificadas com a extrema direita e o neoliberalismo; de outro, uma frente democrática comprometida com soberania, desenvolvimento, inclusão social e uma ordem internacional multipolar. O partido conclama a mobilização popular pela reeleição de Lula e pela ampliação de sua representação no Congresso como condição para viabilizar as mudanças defendidas no documento.

Leia a íntegra do manifesto:

PCdoB com Lula e Alckmin 
Avançar no rumo de um Brasil soberano, desenvolvido e de valorização do trabalho

O Brasil sempre foi maior do que os obstáculos que tentaram impor ao nosso povo. Foi assim quando conquistamos a democracia, enfrentamos a fome, ampliamos direitos, valorizamos o trabalho e fizemos milhões de brasileiros acreditarem novamente no futuro.

Agora chegou o momento de dar um passo adiante, de romper com as amarras do atraso e ir além da reconstrução do que foi destruído, empreendida com sucesso pelo atual governo do Presidente Lula. É preciso abrir um novo ciclo de desenvolvimento soberano capaz de transformar profundamente o país e assim também transformar a vida do nosso povo. É para cumprir essa missão que o Partido Comunista do Brasil compõe a frente democrática e popular por um novo mandato para o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula é o líder necessário que detém a experiência e a liderança nacional, o respeito internacional e o compromisso social para conduzir essa transição. 

O PCdoB conclama a sociedade brasileira para participar desse processo. O desafio é simples de compreender e grandioso de realizar: adotar um caminho próprio para um salto civilizacional que nos torne uma nação soberana, forte e influente, mais desenvolvida e, sobretudo, mais próspera e justa para nossa gente.

O caminho para isso está apontado no Plano de Governo Participativo da campanha de Lula, com a contribuição do PCdoB (PCdoB lança contribuições ao programa da campanha de Lula à presidência). Esse Plano expressa a confiança que temos de que a nova vitória em outubro pode realizar tais objetivos. 

Alicerçados no apoio e na mobilização popular e com direção estratégica do novo governo construiremos um país com uma verdadeira mobilidade social ascendente, em que o crescimento econômico valorize o trabalho com empregos de qualidade em larga escala e salários melhores, a educação pública de excelência seja prioridade permanente, onde a defesa da vida tenha no SUS fortalecido um fator decisivo, garantindo o direito à saúde acessível e sem filas de espera, com cidades mais humanas e segurança para viver, com oportunidades para a juventude e dignidade para quem envelhece, onde a cultura ocupe seu lugar na consolidação de nossa nacionalidade e a ciência seja reconhecida como patrimônio estratégico do nosso povo.

Neste país a riqueza produzida precisa estar a serviço de elevar o bem-estar do nosso povo, assegurar amplos direitos sociais e civis a mulheres e homens, independentes de cor da pele, de gênero, de orientação sexual e opção religiosa.

Para isso, é preciso realizar uma grande e intensiva etapa de industrialização em novas bases tecnológicas. Nenhuma nação alcançou alto nível de desenvolvimento e de qualidade de vida abrindo mão das suas indústrias, capacidade científica e soberania. Uma indústria moderna, inovadora, digital, ambientalmente sustentável, integrada à revolução científica e tecnológica do nosso tempo e voltada à superação dos grandes desafios nacionais é imprescindível para garantir nossa soberania e superar a elevada desigualdade social que marca nossa história.

Tal desafio nos exige dominar tecnologias estratégicas, ampliar os investimentos em pesquisa, inovação, educação e saúde, agregar valor às nossas riquezas naturais e criar milhões de empregos qualificados com melhores salários para as próximas gerações, elaborar marcos regulatórios soberanos para a transição digital, energética, exploração da cadeia das terras raras e enfrentamento das mudanças climáticas. Esse é o caminho para romper os limites do atual modelo de décadas de baixo crescimento e desigualdade.

O povo brasileiro quer e merece mais! O Brasil tem pressa. Isso requer mudanças para superar o desalento e o rebaixamento cultural imposto pelas forças dominantes. E temos todas as condições para isso, proporcionando cidadania plena a milhões de pessoas excluídas. 

Somos uma potência agrícola, energética, mineral, científica, ambiental e cultural. Possuímos um dos maiores mercados internos do planeta. Dispomos de universidades, institutos de pesquisa, trabalhadores qualificados e uma juventude criativa. Precisamos de decisão política e de um plano nacional de desenvolvimento para colocar nossas capacidades em movimento.

Esse projeto exige um Estado forte, democrático e eficiente. Capaz de planejar o futuro, induzir e coordenar investimentos públicos e privados, fortalecer a infraestrutura, impulsionar a inovação, apoiar quem produz, garantir serviços públicos de excelência e reduzir as carências regionais e sociais que ainda dividem nosso país. A política econômica deve servir às pessoas, e não submeter a sociedade aos interesses do capital financeiro e dos rentistas. O Estado e seu orçamento devem contemplar quem trabalha e produz.

São objetivos que exigem colocar em marcha um plano de desenvolvimento com metas nítidas e coordenação de todo o governo. Nossa soberania começa pela capacidade de defesa nacional, de produzir conhecimento, energia, alimentos, tecnologia, medicamentos e soluções para nossos próprios desafios. Soberania também se conquista quando o Brasil atua no mundo com independência, cooperação, parcerias e alianças condizentes aos seus interesses, defesa da paz e compromisso com um desenvolvimento sustentável, solidário e multipolar.

Mas nenhuma dessas transformações acontecerá espontaneamente. Aqueles que lucram com o atraso continuarão defendendo um país dependente, desindustrializado, desigual e subordinado aos privilégios de poucos e das grandes potências estrangeiras. Suas armas são a imposição de juros altos e austeridade fiscal para assegurar extraordinários rendimentos financeiros, próprias do sacrossanto receituário neoliberal.

Por isso, o desafio de nosso tempo é construir uma nova mobilização política, social e cultural para abrir caminho para a transformação!

É preciso uma nova maioria na sociedade e no parlamento formada por trabalhadores e trabalhadoras, pela juventude, pela comunidade científica, pelos setores produtivos, pelos sindicatos e movimentos sociais, pela cultura, pelos empresários comprometidos com o desenvolvimento nacional e por todos aqueles que acreditam na democracia e na soberania.

Uma maioria capaz de colocar os interesses nacionais e populares acima dos lucros do rentismo, da atual composição do Congresso Nacional, do atraso e da intolerância. Maioria para produzir mudanças com reformas estruturais no país, no campo político e institucional, da política econômica, macroeconômica e tributária.

Nesse sentido, as eleições de 2026 serão uma escolha entre dois projetos de país.

De um lado, a extrema direita e os setores que apostam na divisão do povo, no negacionismo, na violência política, na destruição de direitos e na submissão do país aos interesses estrangeiros. Aqueles que querem destruir a democracia e atar o Brasil a reboque dos interesses dos países imperialistas.

De outro, estamos com Lula para inaugurar um novo ciclo histórico de desenvolvimento soberano, democrático e inclusivo por uma vida melhor para os brasileiros e brasileiras. Aqueles que situam o nosso país em alianças internacionais em prol do seu Projeto Nacional e por uma ordem mundial mais justa e democrática.

É essa escolha que está diante de nós. É esse o chamado que o PCdoB faz à sociedade brasileira. Avançar na elaboração de um novo Projeto Nacional de Desenvolvimento para fazer do Brasil uma nação que transforme as riquezas em prosperidade compartilhada, crescimento econômico em oportunidades e desenvolvimento em qualidade de vida.

O futuro não será obra do acaso. Será resultado da vontade organizada de um povo que decide acreditar novamente em si mesmo. Envolve estimular uma consciência nacional vocacionada a um país plenamente desenvolvido e senhor do seu destino. Para os comunistas, essas conquistas que as forças progressistas são chamadas a realizar nesse futuro imediato desbravam caminho e acumulam forças para a jornada de lutas pelo socialismo em nossa pátria.    

É tempo de dar um passo adiante e fazer do próximo governo Lula o vetor de referência e mobilizador do país, com rumos soberanos para uma arrancada do desenvolvimento, na busca da construção de uma grande nação, para uma vida melhor a todos os brasileiros e brasileiras.

Nós brasileiros e brasileiras, temos, nesta hora, o privilégio e a responsabilidade de sermos decisivos para assegurarmos a reeleição do presidente Lula, condição imperativa para o futuro promissor que almejamos. Igualmente, nosso voto e nossa mobilização são imprescindíveis para que tenhamos uma forte bancada de parlamentares no Congresso Nacional sem a qual é impossível a realização das mudanças. Venham e juntem-se à campanha eleitoral alegre, criativa e combativa do PCdoB, pela vitória de Lula, pela eleição de deputados/as de nossa legenda e também de deputados/as estaduais, além de nossos aliados.

Brasília, 30 de julho de 2026

Documento aprovado pela Convenção Eleitoral Nacional
do Partido Comunista do Brasil-PCdoB

O mundo gira. Saiba mais  https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

06 agosto 2026

Palavra de poeta

No vidro baço dos dias
Carla Montanha  

Abriu-se um clarão fechado
na tarde
deitada ao vento.

Os dedos
corridos de terra
não contavam
o tempo.

Nem eu
aprendi
o ofício da noite,
nem as horas
que se gastavam
na cal do dia.

Mas o céu
esculpia linhas.

Bastava
fechar os olhos
para ver
um rosto fino,
sem sorriso,
gasto
no vidro baço
dos dias.

[Ilustração: Humberto da Costa]

Publicado na revista Araçá

Leia também "Retorno", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-de-poeta_0433487496.html 

Humor de resistência

Enio

Debates eleitorais na TV esclarecem pouco https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_01011503777.html



 

Minha opinião

Tudo muda
Luciano Siqueira 

Prestes a concluir a sétima década de vida, tenho a impressão de que muita coisa já não é como antes. 

Coisas simples da vida.

Sempre fui reconhecido aqui em casa como excelente lavador de pratos. E de panelas também. É a minha especialidade, já que a incompetência no fogão é total e absurda e a limpeza da casa a realizo apenas o suficiente, com a ajuda de um aspirador de pó. 

Qual a novidade entre esponjas, detergentes e panelas? 

Juro que até um dia desses eu acertava na mosca ao friccionar as panelas com a firmeza e a acuidade suficientes para deixá-las como se fossem genuinamente inoxidáveis. Mas de certo tempo para cá percebo o quanto é difícil deixar rigorosamente nos trinques aquelas reentrâncias e riscos que surgem com o uso, em lugares os mais inconvenientes porque de difícil acesso. 

Ali próximo ao cabo, por exemplo.  

As panelas se tornam esquivas e ainda por cima me enganam. Ao colocá-las para enxugar passo em revista todas com o olhar atento. Mas não basta.

Agora mesmo, discretamente, vi que duas delas que lavei após o almoço ainda exibem resíduos de gordura. Tive que fazer o serviço novamente até que as minúsculas manchas impregnadas no alumínio lustroso desaparecessem. 

A experiência não é de todo ruim, funciona como advertência: o mesmo rigor vale para tudo o que me resta na vida, as tarefas políticas em especial.

Identifique-se ao comentar.

Quando Buenos Aires viu “Buenos Aires”, de Tuca Siqueira https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/buenos-aires-o-filme.html 

Postei nas redes

Colunista do Globo tem a petulância de afirmar que "mesmo com interferência estrangeira (sic), disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro cheira a mofo". Zero atenção às propostas de Lula para o próximo governo e tratamento leviano das atitudes de Trump e Milei.

Com Lula rumo a um Brasil soberano e desenvolvido https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-do-pcdob.html

Sem limites

André Mendonça pisoteia a Constituição
A coluna da Daniela Lima descreve Mendonça assumindo controle direto e informal sobre a PF nos casos Master e INSS
Luís Nassif/Jornal GGN 

Há algo de profundamente errado no modelo institucional brasileiro.

Tem-se um Ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, atropelando todos os princípios de justiça, influenciando de forma escancarada as eleições, interferindo na autonomia de outros poderes. E o máximo que se consegue de reação é a informação sobre o “desconforto” de seus colegas.

A jornalista Daniela Lima, da UOL, trouxe um levantamento preocupante sobre a atuação de Mendonça, uma volta escancarada às piores arbitrariedades da Lava Jato. 

A coluna da Daniela Lima descreve Mendonça assumindo controle direto e informal sobre a PF nos casos Master e INSS — reuniões presenciais com delegados, determinações fora da pauta corporativa, despacho travando remanejamento na direção-geral. Isso é uma escalada em relação ao que já estava documentado: em fevereiro ele já havia revertido decisões de Toffoli e “empoderado” a PF; agora o relato é de que ele foi além — de árbitro processual para gestor operacional da investigação.

Se ele está de fato dando ordens diretas a delegados sobre prioridades de apuração — “escapando à agenda da corporação e às funções de praxe de relator”, como diz a coluna — isso dá sustentação factual adicional à tese de que o enquadramento “Lava Jato 2” envolve uso direcionado do aparato investigativo, não descoberta orgânica.

O despacho proibindo a direção-geral da PF de remanejar equipe. Isso é mais forte que os episódios anteriores (troca de peritos, restrição de acesso) porque tira do comando institucional da PF qualquer margem de resistência — fica sem “defesa”. 

O problema não se esgota na arbitrariedade processual. Mendonça quebrou o sigilo de Fábio Luís sem qualquer indicação pública, até agora, de vínculo com o caso Master. Houve vazamento de informações envolvendo a lobista Roberta Luchsinger. Já no caso de Flávio Bolsonaro — mesmo após o áudio em que pede R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro vir a público em maio —, o inquérito só foi solicitado pela PF em julho e autorizado por Mendonça em 23/07, mais de dois meses depois. É esse descompasso de ritmo, e o absoluto sigilo das investigações sobre Flávio, que faz a diferença. Mendonça interfere diretamente no processo eleitoral.

Ou seja, não é uma arbitrariedade que se esgota em si, um abuso contra a ordem institucional, mas algo que mexe com o futuro do país. E como fica? A ordem institucional no país depende de uma série de tribunais, de instituições, do trabalho da mídia, como defensora da democracia, da independência entre os poderes, dos freios e contrapesos. Mendonça pisoteia todos esses princípios, humilha a Nação, e o máximo que se ouve são muxoxos de Ministros do STF.

Identifique-se ao comentar.

É criminoso o mito bolsonarista sobre a segurança pública https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/enio-lins-opina_0913668491.html