20 outubro 2026

Dispersão e fuga

A receita de Steve Bannon e o debate na Band
Uma fragilidade do formato: sem checagem em tempo real, afirmações falsas ou não comprovadas ficam no ar sem contestação imediata
Luís Nassif/Jornal GGN       

Steve Bannon, um dos principais estrategistas da extrema-direita nos Estados Unidos, tornou-se associado a um repertório para enfrentar denúncias e notícias adversas. A estratégia combina saturação do debate, velocidade e controle da pauta:

  1. Saturar, em vez de responder ponto a ponto. Em lugar de rebater cada denúncia, multiplicam-se fatos, acusações e controvérsias. O excesso disputa a atenção da imprensa, encurta a vida útil dos escândalos e dificulta que uma crítica se consolide como história. [1]
  2. Privilegiar velocidade e volume. Bannon usa a expressão “muzzle velocity” para se referir ao ritmo e ao volume dos “disparos”. Segundo estudiosos do autoritarismo, a lógica é criar acontecimentos em série, antes que a oposição consiga se organizar e a imprensa apure cada episódio. [2]
  3. Transformar a imprensa em adversária política. Ao apresentá-la como um “partido de oposição”, desloca-se o debate: em vez de discutir se a denúncia procede, questiona-se a intenção de quem a publicou. A acusação passa a ser tratada como ataque político, o que facilita ignorá-la.
  4. Controlar a pauta com um centro de gravidade. Em 2025, Bannon afirmou ao Frontline que Elon Musk e o DOGE foram eficazes do ponto de vista narrativo: concentraram a atenção enquanto diversas outras iniciativas avançavam. Um personagem ou episódio ruidoso pode, assim, funcionar como cortina de fumaça. [3]
  5. Evitar admitir erro ou derrota. Um colunista do Kansas Reflector descreve essa postura como a recusa sistemática em reconhecer erros ou aceitar uma derrota. É uma interpretação crítica do conselho associado a Bannon, não uma doutrina que ele tenha formulado exatamente nesses termos. [4]

Há, porém, uma diferença importante na comparação com os Estados Unidos. Por aqui, a grande imprensa não apenas cobre essas estratégias: parte dela também contribui para legitimá-las. O Globo, Estadão e Folha, em particular, ajudaram a normalizar acusações e suspeitas graves envolvendo Flávio Bolsonaro, ao mesmo tempo que amplificavam denúncias contra seus adversários. 

O debate de ontem, transmitido pela Band, mostrou como Flávio Bolsonaro incorporou esses expedientes. Do lado de Lula faltaram respostas capazes de desmontar, com rapidez e clareza, o festival de blefes e acusações. O episódio também expôs uma fragilidade do formato: sem checagem em tempo real, afirmações falsas ou não comprovadas podem permanecer no ar sem contestação imediata.

A atuação de Lula sugere que faltou preparação específica para esse tipo de confronto. Media training — treinamento para entrevistas e situações imprevisíveis — não substitui conteúdo nem experiência; ajuda a antecipar ataques e a formular respostas curtas e compreensíveis. Em debates assim, o domínio do assunto não basta. As regras existem, mas há espaço para manobras e provocações.

Se Pablo Marçal atuava como conselheiro de Flávio, a equipe de Lula deveria ter antecipado uma postura provocadora no palco — inclusive o uso da diferença de estatura física entre os dois. A cena pode ter surpreendido os adversários, mas o risco era previsível. Também era possível preparar respostas para expedientes recorrentes usados por Flávio ao enfrentar acusações mais graves.

Dois exemplos mostram o que poderia ter sido feito:

  1. A alegação sobre dinheiro de Daniel Vorcaro. Para responder às acusações de que teria recebido recursos de Vorcaro, Flávio invocou uma suposta gravação em que o banqueiro teria dito que financiou, às escondidas, um filme sobre Lula por meio do Instituto Lula. Uma resposta preparada poderia ter contraposto a essa alegação as declarações de Oliver Stone — que assinou o filme com Rob Wilson — e cobrado provas do suposto financiamento. Sem checagem e sem uma resposta imediata de Lula, a acusação ficou pairando no ar.
  2. As declarações da lobista Roberta Luchsinger. Segundo levantamento do Jornal GGN, a cronologia da licitação para uma empreiteira portuguesa junto ao DNIT contradiz a versão de que Fábio Luís Lula da Silva teria obtido esses contratos: o processo ocorreu durante o governo Tarcísio de Freitas. Apesar da proximidade planejada entre a entrevista da lobista e o debate, a assessoria de Lula não parece ter preparado uma resposta objetiva. Tampouco houve uma checagem da emissora que interrompesse a repetição da acusação.
  3. A estratégia para enfrentar um falsário em debate é tornar seus expedientes explícitos ao público: quando ele responde a uma pergunta com outra, apontar esse desvio na tréplica para dificultar que repita o recurso. 
  4. O mesmo método se aplica a acusações usadas para desviar o foco: comparar didaticamente uma gravação apresentada como autêntica e admitida pelo próprio acusado com uma alegação baseada em outra gravação sem comprovação independente, mostrando como ela serve de cortina de fumaça.
  5. Em suma, explicar os truques em tempo real cria cumplicidade com o espectador e reduz a eficácia de sua repetição pelo oponente.

Leia também: Debate na TV para quê? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0643838648.html

Fotografia

 

Alan Bouti

Releio e anoto https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/teoria-pratica.html 

Dica de leitura

Sem limites   

O ministro diz-se isento cumpridor da legislação, mas à frente do TSE age como ativista em favor do candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro (PL).

Só isso?

Muito mais! A reportagem "Os vestígios da noite: as 125 mensagens que reconstituem a noitada patrocinada por Daniel Vorcaro para o ministro Kassio Nunes Marques", publicada pela revista piauí https://piaui.uol.com.br/web/kassio-vorcaro-triplex-noite/ , detalha os bastidores de um encontro regado a luxo organizado pelo banqueiro (então dono do Banco Master) para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques.

Lavagem de ácido sulfúrico na imagem pública do ministro.

A denúncia baseia-se na extração de 125 mensagens do celular de Vorcaro apreendidas pela Polícia Federal, trocadas entre o banqueiro e sua equipe de apoio (mordomo, motoristas, chef de cozinha, uma agenciadora de acompanhantes, uma faxineira e um arquiteto).

A festa ocorreu em um tríplex no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo. Os preparativos envolveram ordens estritas de Vorcaro para todo conforto ao magistrado.

Uma agenciadora cuidou da seleção de mulheres ao local, com aval de Vorcaro.

Ao mordomo dito Michael coube informar o patrão de às 20h56, emprestou um ao ministro com cinco meninas. Os convidados frequentaram a piscina sem roupas.

Enquanto a festa ocorria, o celular de Vorcaro também registrava o avanço de uma grave crise financeira no Banco – cujos desdobramentos têm sido exaustivamente noticiados.

Assim mesmo, foram feitos repasses de uma consultoria ligada a Vorcaro para o filho do ministro, Kevin Marques, além de menções a um salário mensal expressivo.

O ministro Kassio Nunes Marques nega relações com o banqueiro. Em nota oficial, afirmou que nunca votou a favor de interesses de Vorcaro, nunca trocou mensagens com ele, jamais pediu favores e não registrou ou autorizou terceiros a falarem em seu nome, pontuando não ter responsabilidade sobre conversas ou ações de terceiros.

Ponto final? Coisa nenhuma! Após as eleições o caso certamente virá à luz em todas as suas nuances. Espera-se.

(LS)

Manifesto pró-Lula une centro e direita contra ameaças bolsonaristas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/em-defesa-da-democracia.html 

Capital & mídia

O complexo midiático e seus patrocinadores    

No Le Monde Diplomatique, "A mídia privada, os anunciantes e a independência editorial", texto assinado por Pedro Rafael Vilela e Akemi Nitahara https://diplomatique.org.br/a-midia-privada-os-anunciantes-e-a-independencia-editorial/ aborda recentes revelações sobre o envolvimento de executivos e profissionais de veículos de imprensa (como o portal Metrópoles e o Grupo Globo, além de outros portais e revistas) com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no escândalo envolvendo o Banco Master .

Fatos que sugerem relações espúrias entre imprensa e patrocinadores individuais, materializam comprometedora dependência comercial e levam a que se borre a fronteira entre a propalada isenção jornalística e os interesses financeiros de seus grandes anunciantes e patrocinadores.

Nesse contexto, o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros (FENAJ), que estabelece que o compromisso com a informação deve prevalecer sobre os interesses econômicos faz-se raquítico.

Demais, o complexo midiático brasileiro é concentrado em poucos conglomerados empresariais privados, numa mescla de poder e vulnerabilidade à pressão econômica (interesses de classe, sublinho).

Os autores, entretanto, resvalam para “soluções” puramente idealistas, distante da realidade concreta na sociedade de classes, como uma pretendida “pluralidade de modelos” e a sempre aspirada - pelos que se batem pela democracia – existência de uma mídia pública “forte e autônoma”.

Vilela e Nitahara concluem que a garantia da liberdade de imprensa não deve se restringir às empresas jornalísticas. O Estado democrático tem o dever de garantir condições materiais para que a informação circule com independência, pois não há democracia plena sem um ambiente midiático desconcentrado, descentralizado e verdadeiramente livre dos poderes econômicos e políticos.

(LS)

Leia também: A mídia flerta com o desastre https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/informacoes-distorcidas.html 

Editorial do 'Vermelho'

Uma semana que vale uma década
Campanha de Lula chega à reta final em forte ascensão. Dias decisivos de uma disputa acirradíssima exigem mobilização ainda mais vigorosa para garantir a virada
Editorial do 'Vermelho' www.vermelho.org.br     

A campanha presidencial entra na última semana com dois debates decisivos na televisão. Depois do confronto entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, realizado pela Band em 18 de outubro, os candidatos voltam a se enfrentar na TV Globo, na sexta-feira, 23, após o Jornal Nacional. Na Band, Lula confrontou as acusações de corrupção lançadas pela extrema direita e desafiou os dois candidatos a abrirem os sigilos bancários e telefônicos, inclusive os de seus familiares, para que as acusações sejam examinadas.

Flávio, óbvio, fugiu da raia porque se viu em um beco sem saída. Ele teria de explicar a sua longa lista de investigações e processos de corrupção, justamente quando, pela segunda vez, passa a ser investigado no âmbito do Supremo Tribunal Superior (STF) sobre relações financeiras e acesso a uma conta bancária vinculada a uma empresa offshore, Alcazar Holdings, e pagamentos de viagens em jatos executivos por uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro relacionada a fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A semana começa também com uma demonstração expressiva de mobilização em torno da candidatura de Lula, com grandes manifestações em dezenas de cidades, em todas as regiões do país. É uma onda que não para de crescer e se espraia pelo Brasil, a exemplo de Brasília, que reuniu uma multidão na Esplanada dos Ministérios no domingo, dia 18. No Rio de Janeiro, o Ato Musical pela Democracia ocupou a orla de Copacabana. Outras cidades, como Salvador, Recife, Belo Horizonte, Goiânia, Curitiba e Porto Alegre, realizaram grandes concentrações. Em São Paulo, atos descentralizados mobilizaram apoiadores em diferentes localidades.

Também merece destaque a manifestação de setores da sociedade civil, do centro e da centro-direita, que se posicionam em defesa da democracia e contra a candidatura da extrema direita. Nesse movimento, ganha relevância o manifesto articulado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que reuniu intelectuais, economistas, acadêmicos e ex-integrantes de governos, entre eles Rubens Ricupero, Miguel Reale Júnior e Aloysio Nunes Ferreira. O documento defende a democracia, a estabilidade institucional e a justiça social e alerta para os riscos representados por Flávio Bolsonaro. Esse movimento de frente ampla também começa a se realizar nos estados.

Outro fator relevante está no desempenho da campanha de Lula na comunicação digital. O presidente ultrapassou Flávio Bolsonaro no Índice de Popularidade Digital (IPD), calculado pela consultoria Quaest. Entre 4 e 15 de outubro, a pontuação de Lula subiu de 70,7 para 82,6, enquanto a do candidato da extrema direita recuou de 80 para 76,4 pontos. Milhões de ativistas e eleitores/as de Lula engajaram-se no front da guerra digital.

Entre os fatores que impulsionam a expansão da presença digital de Lula está a mobilização e o protagonismo da juventude, que ganhou as ruas e ampliou sua atuação nas redes sociais. Levantamento do Instituto Democracia em Xeque registrou, entre 5 e 8 de outubro, cerca de 383 mil publicações e 8,2 milhões de interações digitais relacionadas às manifestações estudantis. A mobilização tem à frente União Nacional dos Estudantes (UNE) e sua rede de entidades em todo país e envolve organizações como a União da Juventude Socialista (UJS) e a Juventude Pátria Livre (JPL).

Esses dados são promissores para a reta final da campanha eleitoral. A tendência é que deem um necessário novo impulso que resulte mobilizações ainda mais vigorosas, em um crescendo capaz de levar verdadeiras multidões às ruas no país inteiro, numa grande manifestação patriótica, popular e cívica. A gravidade da situação motivou democratas e patriotas a participar de mobilizações que já são um marco na história do país, defendendo seu futuro e lutando para impedir que a soberania nacional e a democracia sejam usurpadas por forças entreguistas, subordinadas a interesses estrangeiros, verdadeiros traidores da pátria.

Essa discrepância se manifestou com nitidez no debate da Band. Lula, um estadista de reputação internacional, enfrentou um desqualificado, mentiroso, agressivo, inapto para o debate democrático. “Foi um comportamento de moleque. Desrespeitoso, agressivo, desqualificado, fazendo acusações completamente sem dados”, disse a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ). Quando questões essenciais para o país e para o povo foram escrutinadas, Flávio Bolsonaro voltou a se mostrar por inteiro. Lula expôs, mais uma vez, o vínculo estreito do candidato da extrema direita com o crime organizado e sua prática contumaz de disseminar ódio e cultuar a violência.

A exposição chegou ao caso concreto da menina Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, morta por um disparo de fuzil em fevereiro de 2021, em Niterói (RJ). Um policial acusado de efetuar o disparo foi defendido por Flávio Bolsonaro, que assinou um recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão que encaminhou o acusado a julgamento popular. No debate, Lula cobrou de Flávio Bolsonaro uma explicação sobre sua posição diante de um caso que envolve a morte de uma criança. Ele, mais uma vez, tergiversou e não respondeu.

Indagado por Lula sobre a contratação, em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), de familiares de Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) apontado pelo Ministério Público como ligado ao Escritório do Crime, Flávio Bolsonaro mais uma vez se omitiu.

O mesmo ocorreu no tema dos direitos trabalhistas. Lula indagou Flávio Bolsonaro sobre o fim da escala 6×1 e lembrou seu histórico de apoio à “flexibilização” das relações de trabalho. O candidato voltou a tergiversar, sem se dar à honestidade de dizer que, em um eventual governo sob sua liderança, pretende liquidar a conquista da PEC que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho, substituindo-a por um modelo que lança os trabalhadores à sanha da exploração assalariada, com a proposta de pagamento proporcional às horas trabalhadas, acabando, na prática, com garantias salariais, férias, 13º salário e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Na saúde pública, Lula perguntou se a promessa surreal de levar ao Sistema Único de Saúde (SUS) o padrão de atendimento do Hospital Israelita Albert Einstein significaria privatizar o sistema. Mais uma vez, Flávio Bolsonaro se esquivou. Na prática, a proposta em estudo na campanha prevê desvincular as verbas destinadas à saúde, medida que pode comprometer o financiamento de consultas, exames, cirurgias, distribuição de medicamentos e programas de prevenção e assistência. A mesma receita está sendo estudada para a educação, com riscos para o financiamento das escolas públicas, a valorização dos profissionais e a manutenção e expansão dos programas educacionais.

Lula também questionou Flávio Bolsonaro sobre a adesão do Brasil ao Escudo das Américas, projeto intervencionista dos Estados Unidos na América Latina, apresentado sob o pretexto de combater o crime organizado. O candidato ignorou solenemente as implicações dessa aliança e sua subserviência ao governo de Donald Trump. Ele chegou a oferecer sua equipe de transição, em caso de eleição, a Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano. Flávio Bolsonaro também prometeu entregar aos Estados Unidos as terras raras brasileiras.

Esta é a semana de decidir os rumos do Brasil. Aproveitar cada hora desses dias preciosos. A palavra de ordem é executar com total intensidade as missões direcionadas a pedir e virar votos, com atenção especial aos que seguem indecisos ou que tendem a se abster. Fazer vibrar e brilhar com mais força as ideias da campanha de Lula nas redes e seguir tirando a máscara de Flávio Bolsonaro. Com mais volume e mais espírito de luta, continuar construindo a vitória nas ruas, enchendo praças e avenidas, de gente e de alegria. Conversar com os/as eleitores/as, pessoa a pessoa, por meios diversos.

Os brasileiros e brasileiras se veem diante da responsabilidade histórica de salvar o Brasil do flagelo bolsonarista e assegurar, com a reeleição do presidente Lula, um futuro de desenvolvimento soberano e democrático para o país e prosperidade para o povo. Cada democrata, cada patriota, cada trabalhador, estudante, mulher, jovem, cidadão, cidadã comprometidos com o futuro do país tem um papel a cumprir.

Duas coisas da campanha de agora https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0613695841.html 

Palavra de poeta

Língua ferina
Andréia Carvalho Gavita       

os leões rugem
e me mergulho
na órbita daquele aviso

não entrarás
rugidos partem meu escafandro
e me sufoco
no sumo daquela euforia

e me debato
nos átomos de carbono

não acidificarás

e me respiro
entrando

sou um leão alado
no dorso
pelo cio de archotes
lança chama,
a cabeleira neutra

imersa no voo que me ruge
escrevo
uma vírgula
insurreta

pendente da boca do felino

[Iustração: Sofia Sant'Ana]

Leia também "Sou meu hóspede", poema de Mario Benedetti https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/palavra-de-poeta.html 

19 outubro 2026

Bom sinal

Pesquisa BTG/Nexus: empate e alta de Lula sinalizam virada na reta final. Presidente chega a 49,7% dos votos válidos e emparelha disputa com Flávio Bolsonaro a seis dias do segundo turno, impulsionado pelas mulheres, jovens e pela classe trabalhadora. (Portal ‘Vermelho’)

Às ruas, às redes, à virada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/o-fio-da-meada.html