01 outubro 2026

Igualdade de gênero

No ritmo atual, paridade de gênero levará 120 anos, aponta relatório
Global Gender Gap Report mostra que o mundo fechou 69,2% da lacuna de gênero, mas a dimensão política avançou apenas 22,1%
Natalia Padalko/Vermelho  

O mundo avançou na redução das desigualdades entre homens e mulheres, mas em velocidade insuficiente para produzir uma mudança estrutural. É o que mostra a edição de 2026 do Global Gender Gap Report, do Fórum Econômico Mundial. Segundo o levantamento, 69,2% da lacuna global de gênero já foi fechada. O problema é a velocidade: mantido o ritmo atual, a paridade ainda levaria 120 anos para ser alcançada.”

O maior descompasso aparece na dimensão política. O relatório analisa quatro eixos: participação econômica, educação, saúde e sobrevivência e empoderamento político. Entre eles, este último é o que mais se afasta da paridade: apenas 22,1% da diferença entre homens e mulheres foi eliminada.

O relatório acrescenta uma dimensão importante à análise ao observar não apenas quantas mulheres chegam aos governos, mas também quais posições ocupam dentro deles.

O avanço da representação feminina não se traduz na mesma medida em influência política

No cenário global, o número de ministérios comandados por mulheres cresceu 26% desde 2008. O avanço, porém, não alterou na mesma proporção a distribuição das áreas de maior influência. O Fórum considera critérios como visibilidade, orçamento, recursos e proximidade com o Executivo. Nesse recorte, apenas uma em cada dez pastas ocupadas por mulheres é classificada como de alta influência. Em 2026, os homens ocupam quase o dobro de ministérios nessa categoria.

Brasil avança em 20 anos, mas recua no último ano

O Brasil aparece em 72º lugar entre 145 economias, com 71,5% da lacuna de gênero fechada. O resultado representa uma queda de 0,4 ponto percentual em relação à edição anterior.

Na educação, o país mantém pelo segundo ano consecutivo a paridade completa. Na saúde e sobrevivência, fechou 97,7% da diferença. Na participação econômica, alcançou 66,6%, praticamente no mesmo nível do ano anterior.

É na política que a trajetória brasileira se torna mais contraditória. Em duas décadas, o indicador de empoderamento político avançou 15,8 pontos percentuais. A paridade no Parlamento passou de 9,4%, em 2006, para 20,7%, em 2026. Entre os ministros, o indicador de paridade subiu de 12,9% para 40,9%.

No último ano, porém, o movimento perdeu força. O indicador caiu 2,1 pontos percentuais, e o Brasil passou do 70º para o 72º lugar nessa dimensão. Em 2026, o país fechou 21,8% da lacuna de empoderamento político.

A tendência aparece também no cenário internacional. A representação feminina nos legislativos avançou de forma gradual desde os anos 1970, e mais de 80% das economias analisadas adotaram cotas de gênero desde 1995. Ainda assim, a presença das mulheres nos postos de maior influência política permanece limitada.

No setor privado, a diferença aparece ao longo da carreira. Dados analisados pelo Fórum em parceria com o LinkedIn mostram que as mulheres representam 46% das posições de entrada, mas apenas 23% dos cargos de nível C-suite (cargos corporativos elevados). A participação feminina também cai de 41,8% no mercado de trabalho para 29,6% nos postos de alta gestão.

É diante desse ritmo que o Fórum projeta 120 anos até a paridade. O prazo não decorre da ausência de avanços, mas do ritmo em que eles acontecem. O Brasil mostra que a estrutura pode se mover: em 20 anos, o indicador de paridade parlamentar mais que dobrou e o de paridade entre ministros mais que triplicou. Os dados mais recentes, porém, mostram que essa trajetória não é linear.

A paridade passa não apenas pela entrada de mais mulheres na política e no mercado de trabalho, mas também pelo acesso aos espaços de maior influência.

Brasil na resistência à onda neofascista https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_0863894061.html

Arte é vida

Sergio Vilanova

"Coração de Lona", de Tuca Siqueira, entra na disputa do Festival Biarritz https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/filme-de-tuca-siqueira-lancado-na-franca.html 

Minha opinião

Trump como realmente é

Luciano Siqueira    


Não somos nós, combatentes brasileiros de esquerda, que estamos dizendo. É o editor de política internacional do New York Times, Thomas L. Freidman: “Donald Trump é um ser humano horrível que viraliza das piores formas.

Está na Folha de S. Paulo, traduzido do jornal norte-americano.

Trump usa declarações provocativas, ataques pessoais e polêmicas servem como uma estratégia eficiente para dominar o ciclo de notícias e manter a atenção do público, independentemente da teoria moral da mensagem.

Esse estilo retórico erode as normas democráticas, polariza ainda mais a sociedade e degrada o nível do debate político.

Faltou assinalar que o fenômeno Trump reflete a decadência dos Estados Unidos.

Trump: megalomania e crueldade https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/trump-megalomania-e-crueldade.html

Postei nas redes

Mensagens revelam que Luciano Huck foi sócio, amigo e conselheiro de Vorcaro (Brasil 247). Até tu, Brutus? 

Na reta final detalhes importam https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01182604884.html 

Fotografia

 

Beatriz Diez

Meu gosto pelo chocolate não chega a tanto https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_01622868984.html 

Futebol brasileiro: para onde?

Filosofia do óbvio
O futebol brasileiro precisa evoluir na maneira de jogar e na formação de jogadores. País não sabe se valoriza mais o individual ou o coletivo, o craque ou a estratégia de jogo
Tostão/Folha de S. Paulo 

 

Houve progressos na seleção brasileira na vitória por 4 x 2 contra a Austrália, nesta terça (29).

Além de pressionar mais na marcação, Carlo Ancelotti mudou o desenho tático com a escalação de um trio no meio-campo, formado por Bruno Guimarães mais centralizado, Gabriel Bontempo pela direita e Danilo pela esquerda. Ficou ainda melhor no segundo tempo com a entrada de Andrey pelo centro, Bruno pela direita no lugar de Bontempo, além de Danilo.

É preciso separar essa formação do meio-campo, que é o posicionamento de que mais gosto, da maneira habitual de jogar dos times brasileiros com uma dupla de volantes em linha e mais um meia ofensivo à frente dos dois, que não participa da marcação e que joga entre o meio-campo e a zaga adversária, a espera de receber uma bola livre para criar uma jogada ofensiva.

Se não há um típico craque camisa 10, a maneira de jogar com um trio de meio-campistas é mais eficiente, porque o time marca com três em vez de dois no meio-campo e possui dois meias ofensivos em vez de um. Dessa maneira, Ancelotti teve seus melhores momentos no Real Madrid, que atuava com Casemiro pelo centro, Modric pela direita e Kross pela esquerda.

O futebol brasileiro precisa evoluir na maneira de jogar e na formação de jogadores. Nos anos 70, Chico Buarque, que entende muito de música e de futebol, escreveu que os europeus eram os donos do campo, pela maneira organizada que ocupavam os espaços, e os brasileiros eram os donos da bola, por causa da improvisação, inventividade e fantasia dos craques.

Isso mudou. Os europeus evoluíram na estratégia, na intensidade, no jogo coletivo e, ao mesmo tempo, passaram, progressivamente, a formar jogadores hábeis, rápidos, dribladores, talentosos, parecidos com os craques brasileiros. Já o Brasil não acompanhou tanto a evolução tática, além de ficar perdido, sem saber se valoriza mais o individual ou o coletivo, o craque ou a estratégia de jogo. Os dois são essenciais e um precisa do outro. É a filosofia do óbvio.

Enquanto o Brasil enfrenta a fraca seleção da Austrália e, muito pior ainda, a da Índia, os europeus realizam ótimos e intensos jogos pela Liga das Nações, como a vitória da Espanha por 3 x 2 contra a Inglaterra. O time espanhol jogou ainda melhor do que atuou na Copa, com Lamine Yamal novamente em forma.

Na vitória de Portugal por 2 x 1 sobre a Noruega, em um jogo equilibrado, os brasileiros viram novamente uma excepcional atuação de Odegaard, que brilhou contra o Brasil na Copa. Odegaard costuma receber a bola dos zagueiros para iniciar as jogadas, trocando passes até a área adversária. Ele é muito mais que um típico camisa 10. É um meio-campista que joga de uma intermediária à outra.

Lembrei-me de Gerson, o da Copa de 70. Usava a camisa 8, mas, como Odegaard, gostava de receber a bola dos zagueiros e do goleiro. Com troca curta de passes e espetaculares e precisos passes longos, encantava a todos. Na primeira vez que joguei ao lado de Gerson e de Pelé, os três juntos, em um amistoso na Suécia, antes da Copa de 1966, Gerson, já experiente, sentou-se ao meu lado no intervalo e perguntou: "Dá pra você jogar com dois toques em vez de um para dar tempo de eu chegar próximo de você e de Pelé?".

Foi o que fiz. Foi bom pra mim, para ele e para o time.

Futebol brasileiro: nada se cria, tudo se repete https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/futebol-brasileiro-apenas-burocratico.html 

Postei nas redes

O que acontece na "sala de lanches" dos ministros do STF - você quer saber? Não me interessa. Mas é assunto de reportagem do Estadão praticamente às vésperas de uma eleição em que se disputam os rumos do país. Quanto diversionismo!

A mídia flerta com o desastre https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/informacoes-distorcidas.html