17 junho 2026

Buenos Aires, o filme

Quando Buenos Aires viu “Buenos Aires”, de Tuca Siqueira
Moradores da pequena cidade da zona da mata pernambucana ficaram exultantes ao se verem na tela na exibição especial do documentário de Tuca Siqueira no último domingo
Alexandre Figueirôa/O Grito 
 

Cidades pequenas do interior, em geral, são lugares muito simpáticos. Assim é Buenos Aires, município da Zona da Mata Norte em Pernambuco, a 78 km do Recife. Com seus 13.200 habitantes, cercada por canaviais, como outras localidades da região, é terra de maracatus e caboclos de lança. 

Mas Buenos Aires tem um aspecto pitoresco: por conta de ter o mesmo nome da capital da Argentina, os moradores da cidade – os buenairenses – têm um apreço especial pela sua homônima, principalmente quando o assunto é futebol. O estádio local se chama La Bombonera, o principal time da cidade se chama Boca Juniors e na Copa do Mundo muita gente torce pela Argentina.

E esse é o mote do documentário Buenos Aires, de Tuca Siqueira, que está em cartaz no Cinema da Fundação e que ganhou uma exibição apoteótica no último domingo na quadra de esportes do município. A sessão foi uma festa em grande estilo. Teve pipoca e algodão doce de graça, banda de música, prefeito feliz, homenagens e uma plateia mais que satisfeita em se ver na tela do cinema. O entusiasmo das palmas e gritos de alegria no final da sessão que o digam.

E justiça seja feita, o filme é generoso e carinhoso com o seu tema. A cidade retratada por Siqueira é um local pacato e feliz, como diz um dos personagens ao descrever, em um espanhol com sotaque pernambucano, o que sente pelo lugar onde nasceu. 

Semelhante a outras localidades que tiveram por muitas décadas a produção de açúcar dos engenhos como principal fonte de renda, a vida em Buenos Aires nem sempre foi fácil. Tuca Siqueira, no entanto, preferiu dirigir seu olhar para revelar uma cidade que hoje se diverte com o forró, o maracatu e brinca com a história de serem portenhos pernambucanos admiradores do jogador Lionel Messi. 

O filme tem o tom de uma crônica bem humorada que trata de temas como pertencimento, desejo e identidade coletiva, como afirma a cineasta. A decisão de realizá-lo surgiu quando ela viu um livro de fotografias de Josivan Rodrigues com imagens da cidade. Ao visitar Buenos Aires, ela conta ter ficado impressionada com a capacidade de sonhar de seus habitantes. “O que mais me chamou atenção foi a relação dos moradores com o imaginário argentino e como eles conseguem fabular para resistir e suportar o real”, diz.

A cineasta lembra que até mesmo a origem do nome da cidade tem várias versões, embora a mais corrente seja a referida pelo historiador Leonardo Dantas. Originalmente o lugar era conhecido como Jacu, mas em 1842 um padre que havia morado na Argentina chegou por lá e passou a chamar o engenho de Buenos Aires. Dali surgiu a vila que, ao ser elevada à categoria de município, em 1963, teve o nome Buenos Aires oficializado.

A intenção de Siqueira foi fazer o que ela mesmo define como “filme-paisagem”. Com uma narrativa leve, ela foca no cotidiano dos moradores mesclando suas histórias e as ações corriqueiras de suas vidas com esse desejo de estabelecer um vínculo imaginado com a capital argentina. “O nosso objetivo era fazer que o grande personagem da obra fosse essa atmosfera que a cidade carrega: a possibilidade de sonho”.   

Para conseguir compor essa atmosfera, a cineasta entregou aos personagens a conduta da trama, ou seja, são os seus feitos e depoimentos que constroem a narrativa de uma forma divertida e envolvente. É a partir das falas dos personagens que vamos descobrindo como eles se preparam para o carnaval, como e porque eles pintaram com cores vivas um conjunto de casas tentando reproduzir o Caminito – bairro de casas de madeiras coloridas na Buenos Aires argentina – e como duas mulheres decidem fazer empanadas a partir de uma receita que pegaram na internet.

Assim, é bom ressaltar que embora eles desfraldem bandeiras e usem camisas azul e branco ao assistirem jogos da seleção de futebol argentina na televisão, eles torcem de verdade, em primeiro lugar, pela seleção brasileira. Mas se essa sai de cena na disputa do título, como tem acontecido nas últimas copas, são “los hermanos” que ganham a preferência. Foi assim em 2022 e se esse ano acontecer de novo, eles não pensarão duas vezes.

E para quem quiser conferir o documentário Buenos Aires e saber mais sobre a sua realização é só ir na sessão desta terça (16), às 19 horas no Cinema da Fundação do Derby, que vai ter debate com a diretora Tuca Siqueira. 

Veja o thriller no YouTube https://www.youtube.com/watch?v=7370QIONXFE 

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A Buenos Aires nordestina que admira e torce pela Argentina https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/surpreendente-emocionante.html 

Arte é vida

 

Toulouse-Lautrec

A Buenos Aires nordestina que admira e torce pela Argentina https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/surpreendente-emocionante.html     

Espaço & desenvolvimento

Território brasileiro como projeto nacional de desenvolvimento
Trata-se de uma mudança de perspectiva. Em vez de enxergar o território como uma simples soma de propriedades individuais, devemos compreendê-lo como um sistema integrado formado por cidades, áreas agrícolas, florestas, rios, infraestrutura, ecossistemas e populações humanas
Luciano Rezende Moreira/Portal Grabois   

O debate agrário brasileiro permanece preso a uma questão que, embora importante, já não é mais suficiente para responder aos desafios do século XXI: a propriedade da terra.

Durante décadas, a disputa política concentrou-se na oposição entre latifúndio e reforma agrária, entre concentração fundiária e distribuição da terra. Essa agenda desempenhou papel fundamental na história nacional e continua relevante em muitos aspectos. Entretanto, a crescente complexidade dos problemas econômicos, ambientais e territoriais do país exige que ampliemos o horizonte da discussão.

A pergunta decisiva para o Brasil contemporâneo não é apenas quem possui a terra. A pergunta decisiva é: como devemos organizar o território nacional?

Trata-se de uma mudança de perspectiva. Em vez de enxergar o território como uma simples soma de propriedades individuais, devemos compreendê-lo como um sistema integrado formado por cidades, áreas agrícolas, florestas, rios, infraestrutura, ecossistemas e populações humanas. A racionalidade desse conjunto não pode resultar exclusivamente da agregação de interesses privados. Ela exige planejamento.

Infelizmente, uma das ideias mais profundamente enraizadas na sociedade brasileira é a associação entre liberdade e propriedade privada. Esse imaginário não está presente apenas nos setores conservadores. Ele atravessa praticamente todo o espectro político.

No campo, manifesta-se frequentemente na idealização da pequena propriedade rural. O sonho do sítio próprio, da produção familiar e da autonomia econômica tornou-se um valor amplamente enraizado no imaginário. Em muitos casos, a democratização do acesso à terra deixou de ser concebida como instrumento de transformação social para se transformar em objetivo particular.

Entretanto, uma reflexão crítica precisa ser feita: será que a multiplicação da pequena propriedade privada representa necessariamente uma superação da lógica capitalista ou é apenas sua reprodução em escala reduzida?

Historicamente, a tradição socialista não teve como horizonte a constituição de uma sociedade formada por milhões de pequenos proprietários independentes. Seu objetivo sempre foi construir formas superiores de cooperação econômica, planejamento coletivo e socialização dos meios de produção.

A questão agrária não deveria ser reduzida à distribuição da terra, mas compreendida como parte de um projeto mais amplo de organização racional do território. Essa discussão adquire especial importância quando observamos os desafios ambientais contemporâneos. 

O debate ecológico dominante costuma associar degradação ambiental ao latifúndio e ao agronegócio. Embora os impactos desses setores sejam reais e devam ser enfrentados, existe uma dimensão menos discutida do problema, que é justamente a fragmentação da paisagem provocada pela multiplicação de pequenas unidades produtivas e residenciais dispersas pelo território.

A conservação da biodiversidade depende não apenas da quantidade de vegetação preservada, mas também da forma como essa vegetação está distribuída. Ecossistemas fragmentados tendem a perder conectividade, reduzir a circulação de espécies e aumentar sua vulnerabilidade. Cada estrada vicinal, cada cerca, cada residência isolada, cada nova ocupação dispersa produz impactos cumulativos sobre a fauna, os recursos hídricos e a dinâmica ecológica das paisagens.

Aquilo que parece ambientalmente desejável quando praticado por uma única família pode produzir resultados completamente diferentes quando reproduzido por milhões de pessoas.

Por essa razão, o Brasil precisa superar tanto o culto ao latifúndio quanto o culto ao minifúndio. Ou seja, a questão central não é o tamanho da propriedade. A questão central é a racionalidade territorial.

Nesse aspecto, o país dispõe de experiências valiosas que apontam caminhos promissores. Um exemplo é o trabalho desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) por meio do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).

O princípio do zoneamento é simples: diferentes regiões apresentam diferentes aptidões produtivas e diferentes limitações ambientais. Solo, clima, disponibilidade hídrica, relevo e riscos climáticos variam enormemente ao longo do território nacional. Ignorar essas diferenças significa aumentar custos econômicos e riscos ambientais.

O que o ZARC demonstra para a agricultura poderia inspirar uma visão mais abrangente para o conjunto do território brasileiro.

Se é possível identificar cientificamente as áreas mais adequadas para determinadas culturas agrícolas, também é possível planejar de forma integrada a localização das atividades produtivas, das áreas urbanas, dos corredores ecológicos, da infraestrutura logística e das regiões prioritárias para conservação ambiental. 

Em vez de um mosaico desordenado de decisões individuais, o país necessita de um verdadeiro Zoneamento Territorial Nacional.

Esse planejamento não deve ser confundido com restrições ao desenvolvimento. Pelo contrário. Seu objetivo é tornar o desenvolvimento mais eficiente.

Uma política territorial moderna deve reconhecer que diferentes regiões cumprem diferentes funções estratégicas. Algumas possuem excepcional aptidão agrícola. Outras desempenham papel fundamental na proteção dos recursos hídricos. Outras são indispensáveis para a conservação da biodiversidade ou para a integração logística nacional.

O desafio consiste em harmonizar essas funções.

Nesse contexto, a urbanização deve ser compreendida como parte da solução e não como um problema. A experiência histórica demonstra que os países que alcançaram elevados níveis de desenvolvimento econômico concentraram progressivamente sua população em cidades capazes de oferecer educação, saúde, cultura, saneamento, transporte e oportunidades de trabalho.

A dispersão excessiva da população pelo território impõe elevados custos econômicos e ambientais. Levar infraestrutura, serviços públicos e equipamentos sociais a milhões de residências isoladas é significativamente mais oneroso do que organizá-los em núcleos urbanos bem estruturados.

Ao mesmo tempo, uma população mais urbanizada permite que a produção agrícola seja conduzida de forma mais eficiente, tecnificada e ambientalmente planejada.

A experiência recente da China ilustra esse processo. Nas últimas décadas, o país promoveu uma intensa urbanização, ampliou sua capacidade industrial e científica e, simultaneamente, preservou sua capacidade de produção agrícola. A lição fundamental não está nos detalhes institucionais do modelo chinês, mas na compreensão de que urbanização, planejamento territorial e segurança alimentar podem caminhar juntos.

O Brasil possui todas as condições necessárias para construir uma estratégia semelhante. Dispõe de vasta extensão territorial, enorme diversidade biológica, instituições científicas consolidadas, capacidade agrícola reconhecida internacionalmente e uma rede urbana abrangente.

O que falta é um projeto nacional.

Um projeto que substitua a lógica da ocupação espontânea pela lógica do planejamento estratégico. Um projeto que articule produção agrícola, conservação ambiental, infraestrutura, urbanização e desenvolvimento regional. Um projeto que reconheça que a terra não é apenas um patrimônio privado, mas um recurso estratégico para toda a sociedade.

O século XXI exige que abandonemos a visão fragmentada do território.

Mais importante do que discutir apenas quem possui a terra é discutir como organizar racionalmente o espaço nacional.

A verdadeira questão agrária brasileira talvez já não seja apenas uma questão agrária. Ela é, cada vez mais, uma questão territorial.

E o futuro do país dependerá de nossa capacidade de construir um projeto nacional de ocupação racional do território brasileiro.


Luciano Rezende Moreira é professor titular do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ). Doutor e mestre em Ciências Agrárias é graduado em Agronomia, Geografia, Administração Pública e Letras.

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PCdoB lança programa de reformas para romper com o neoliberalismo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/pcdob-atualiza-rumos.html

16 junho 2026

Palavra de poeta

rainha dos degredados 
Cida Pedrosa    

salve-me rainha 
pois a vida não é doce 
nem misericordiosa 
 
hoje só tem panela 
e um pouco de maçunim
 
o marido se foi para as bandas 
do beberibe e vende caranguejo 
na feira de peixinhos 
 
salve-me rainha 
antes que os de eva morram 
sem direito a maçãs ou coisa assim 
 
o gás acabou 
os jambeiros do cemitério de santo amaro desde ontem não safrejam 
e minha filha menstruada 
não pode frequentar o ponto hoje à noite 
 
salve-me rainha 
e desterre 
esta vontade de incendiar a vida 
e a dor que assola as mãos


[Ilustração: Cândido Portinari]


Leia também: Primórdios do cinema: Lumière – a aventura continua! https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/12/primordios-do-cinema.html 

Editorial do 'Vermelho'

Presidente Lula avança e candidato de Donald Trump recua
Rompeu-se o empate técnico no segundo turno, com o candidato da extrema direita enroscado na corrupção do Master e na subserviência aos Estados Unidos
Editorial do 'Vermelho'   

A pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira (10) mostra com nitidez os fatores que contribuíram para a tendência de crescimento da preferência dos eleitores pela candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de queda de Flavio Bolsonaro. A sondagem mostra que Lula lidera com 44% no 2º turno, contra 38% do candidato da extrema direita. Um crescimento fora da margem de erro. Levantamentos de outros institutos e agregadores de pesquisas confirmam essa inflexão.

Lula assume a liderança da disputa presidencial, com destaque para a migração que recebeu de eleitores/as classificados pela Quaest de “independentes”, abrindo, neste seguimento, 13 pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro, passando de 29% em maio para 37% em junho, enquanto o candidato da extrema direita foi de 31% para 24%, uma queda de sete pontos.

Os percentuais gerais perdidos por Flávio Bolsonaro em parte foram para Lula. Outra parte se posicionou como indecisos, ou com intenção de anular o voto. Resultado: os candidatos da direita Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) auferiram irrisória pontuação, entre 3% e 2% das intenções de votos.

Caiado e Zema atuam, até aqui, como linha auxiliar do bolsonarismo, o que não os credencia como alternativa ao eleitorado da direita, além de serem desconhecidos pela maioria do eleitorado. Renan Santos se apresenta como variante do neofascismo, demarcando com Flávio Bolsonaro, o que o fez empatar com Zema e Caiado. Vale ressaltar que o eleitorado bolsonarista prossegue convicto no apoio ao seu candidato.

Outros dados relevantes são os índices de preferência pela candidatura de Lula entre as mulheres, os jovens e os idosos. Ele aparece com 41% das intenções de voto das mulheres, contra 24% de Flávio Bolsonaro. Entre os jovens, Lula conta com 36%, contra 30% de Flávio Bolsonaro. Pesquisas qualitativas da Quaest sugerem que o crescimento de Lula na juventude está se operando pela bandeira do fim da escala 6×1, com redução da jornada de trabalho. Nos idosos, Lula aparece com 41% entre eleitores com 60 anos ou mais no primeiro turno, contra 29% de Flávio Bolsonaro. Dois outros dados também merecem destaque: Lula diminuiu a rejeição entre os evangélicos e melhorou a pontuação na estratégica região do Sudeste.

Os flagrantes do candidato da extrema direita com o áudio do pagamento de R$ 134 milhões pelo ex-banqueiro corrupto Daniel Vorcaro a pretexto de financiar o filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulado Dark Horse (O Azarão), são um importante fator para a sua queda. Os dados mostram que 65% reprovam a sua conduta, contra 17% que não veem indícios de ilícitos. O envolvimento do candidato com corrupção foi reforçado por 62%.

Esses números indicam a percepção da maioria dos/as brasileiros/as de que os sobrenomes Bolsonaro e Vorcaro estão definitivamente atados, laços inquebrantáveis ungidos por dezenas de milhões reais, fruto podre da corrupção. Aliás, uma relação bem caracterizada pelo candidato da extrema direita como de “irmãozão”.

Acossado pelo escândalo do Master, Flavio Bolsonaro foi buscar uma boia de salvação no presidente estadunidense Donald Trump, mas o que fez, segundo as pesquisas, foi amarrar uma âncora ao tornozelo de sua candidatura.

Sobre a comprometedora conversa com Trump, a pesquisa indica que 47% consideram que o candidato influenciou o presidente estadunidense na decisão de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como “organizações terroristas”, contra 37%, com 60% apoiando a decisão, enquanto 53% afirmaram temer as consequências, com prejuízos para bancos e empresas brasileiras.

Sobre o novo tarifaço de Trump, a pesquisa indicou que 47% concordam com Lula quando ele diz que Flávio Bolsonaro pediu a medida, contra 35%. Para 47%, Lula representa melhor o espírito patriota brasileiro, contra 37% de Flávio Bolsonaro. A pesquisa mostra que 46% concordam com a afirmação de Lula de que as novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos são uma retaliação ao Pix, incluído em uma investigação comercial sob a alegação de que o sistema gratuito de pagamentos gera uma “concorrência desleal”.

Enquanto Flávio Bolsonaro cai pelo envolvimento em casos de corrupção e de traição à pátria, Lula cresce por seu mérito de governar com a defesa da soberania nacional de forma altiva e assertiva, vincando a convicção em largas camadas do povo de um presidente que defende o Brasil e proporciona mais direitos, repelindo os ataques de Trump e enfrentando a subserviência do clã Bolsonaro.

Começa a aparecer também a percepção popular sobre medidas como a isenção de Imposto de Renda para as camadas de baixa renda e para setores médios e o Desenrola 2.0, além da significativa vitória na Câmara dos Deputados com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6×1 e a redução da jornada máxima de trabalho, razão pela qual a extrema direita e a direita estão bloqueando sua tramitação no Senado Federal. No âmbito dos direitos, é importante reduzir ao máximo ou zerar a fila dos pedidos de benefícios do INSS.

O presidente Lula, os partidos e a base social que o apoiam devem aproveitar esse que é melhor momento da pré-campanha para avançar no conjunto das exigências à construção da vitória. Antes de tudo, conter qualquer euforia que ofusque a consciência de que a disputa segue dura e acirrada.

A perspectiva de poder avivada cria maiores possibilidades para ampliar os apoios, alargar ao máximo a aliança e reforçar a composição dos palanques estaduais. Com criatividade, associar a Copa do Mundo com a pré-campanha, com a mobilização do povo, em especial sobre o fim da escala 6×1. Na esfera do governo, prosseguir com novas conquistas ao povo. Entre elas, sustentar o duro combate às organizações criminosas, persistir em garantir a paz e a segurança, em especial, às pessoas que vivem em territórios dominados pelas facções. E cuidar para que o programa de reeleição do presidente tenha um conteúdo avançado, apontando um futuro de forte soberania e mais democracia, desenvolvimento acelerado e prosperidade para o povo.

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Pressões externas sobre a economia brasileira https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/eonomia-em-questao.html 

Sylvio: extremos opostos

A polarização entre Lula e Bolsonaro reflete uma situação real e perigosa para o Brasil, pois de um lado se acham os que apoiam a luta por um País menos desigual e buscam melhor justiça social, enquanto no outro extremo se colocam os defensores das vantagens e privilégios das elites. É preciso consolidar e aumentar o apoio ao governo atual que muito tem feito pela diminuição da pobreza, do desemprego e melhoria de vida da população.

Sylvio Belém   

"Em maus lençóis" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-opiniao_01637939089.html 

Minha opinião

Quem ganha o quê?
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65 

O que Donald Trump diz nunca se deve escrever. Muda de ideia como quem muda de camisa – e diz o que não deve através de redes sociais, atropelando inclusive as relações diplomáticas.

Anuncia mais uma vez um pacto entre os Estados Unidos e o Irã para por fim à guerra. Parece que desta vez é verdade. Só que mesmo analistas ianques o consideram uma solução frágil que não garante a paz a longo prazo. O desenho da trégua imediata não soluciona as causas profundas dos conflitos regionais e específicos territoriais históricos.

Quem ganha e quem perde? Críticos norte-americanos de Trump dizem que a trégua está concebida de modo a dar uma vitória estratégica ao Irã e à sua rede de aliados e milícias guerrilheiras.

O Irã segue, assim, uma potência média influente dotada de considerável capacidade operacional. Um ator central no tabuleiro geopolítico regional.

Além disso, revelam-se os limites da capacidade de dissuasão dos Estados Unidos em relação aos seus aliados na região.

Coisa de superpotência em declínio.

[Ilustração: Iván Lira]

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Trump em seu poço de areia movediça https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-opiniao_01344647485.html