Fim
da escala 6×1 é conquista histórica dos trabalhadores e do governo Lula
Pressão das ruas e a articulação de
Lula derrotam sabotagens da extrema direita, aprovam redução da jornada e
desmascaram oportunismo de Flávio Bolsonaro
Editorial do 'Vermelho' www.vermelho.org.br
A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala 6×1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, consagra mais uma conquista histórica dos trabalhadores brasileiros.
Trata-se de uma antiga pauta dos
trabalhadores, que agora avançou sob a força das grandes e numerosas
mobilizações da juventude lideradas pela União Nacional dos Estudantes (UNE),
da longa jornada de lutas das centrais sindicais e outros movimentos, e da ação
política do presidente Lula, que levou o assunto ao centro das decisões do
Congresso Nacional.
Ela proporciona mais dignidade e
melhores condições sociais ao conjunto dos trabalhadores e do povo. É uma
conquista de quem enfrenta jornadas exaustivas, dispõe de pouco tempo para a
família e para o descanso, o lazer, o estudo e a convivência social.
Esse movimento, articulado à ação das
bancadas progressistas e à decidida atitude do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva de abraçar a causa e incorporá-la à agenda do governo, atuando para
reunir as condições políticas à sua aprovação, teve papel decisivo para o êxito
da proposta.
A interlocução do presidente com as
centrais sindicais, a mobilização da base parlamentar e a articulação com as
presidências da Câmara e do Senado e com diferentes segmentos parlamentares
asseguraram a força necessária para derrotar a sabotagem do campo bolsonarista.
Essas ações criaram o ambiente político que emparedou o bolsonarismo e seu
candidato, Flávio Bolsonaro.
Ele, de mãos dadas com os grandes
empresários, moveu céus e terra para que a proposta não fosse aprovada. O
partido de Flávio, o PL, apresentou inclusive uma proposta alternativa de
“livre negociação” que o presidente Lula chamou de “acordo leonino” por jogar
os trabalhadores desarmados na jaula de seus oponentes, armados até os dentes
para negar-lhes direitos. E agora, por puro oportunismo eleitoral, Flávio e
demais senadores da extrema direita votaram a favor da PEC.
A decisão de última hora foi ditada
pelo medo do povo, numa manobra casuística para que seus verdadeiros intentos
não se revelassem de maneira escancarada. Jogaram para a plateia quando
sentiram o peso da força popular ocupando posição central na campanha
presidencial. Eles nada têm a ver com essa conquista, por estarem na outra
margem da história do presidente Lula, desde sempre ligado às lutas dos
trabalhadores e dos partidos políticos que defendem direitos, democracia e
liberdade de organização para o povo.
Aprovada pela Câmara dos Deputados em
27 de maio de 2026, por ampla maioria, após intensa mobilização de
trabalhadores e parlamentares, a PEC demorou para ser votada no Senado
exatamente pela sabotagem do bolsonarismo. Em 2 de setembro, o líder do governo
no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), denunciou uma articulação
bolsonarista para esvaziar o plenário e impedir a votação naquele dia, uma
manobra comandada por Flávio Bolsonaro e pelo líder da oposição, Rogério
Marinho.
O fato de Flávio Bolsonaro votar
remotamente acrescenta um elemento simbólico ao episódio. Ele se ausentou do
compromisso de defender seu cinismo publicamente e do enfrentamento no Senado
com os óbvios questionamentos sobre essa repentina mudança de posição. Teria de
expor o oportunismo de quem tentou vestir a roupa de defensor dos trabalhadores
depois de todo o jogo sujo para sabotar a votação da PEC.
Já o líder do PL na Câmara dos
Deputados, Sóstenes Cavalcante, um dos principais porta-vozes do partido de
Flávio Bolsonaro, escancarou a manobra ao anunciar que, se a extrema direita
vencer as eleições, apresentará, em 2027, o “acordo leonino” de Rogério
Marinho, que, na prática, revogaria a conquista dessa PEC agora aprovada.
Seria, ademais, a retomada dos ataques
dos governos do golpista e usurpador Michel Temer e do fascista Jair Bolsonaro
— o primeiro com a famigerada “reforma trabalhista”, que ampliou a precarização
das relações de trabalho e abriu caminho para a brutal e autoritária ofensiva
contra a estrutura sindical, e o segundo com a perversa reforma da Previdência
Social, igualmente desumana.
Essa constatação demarca bem os dois
campos em disputa nas eleições presidenciais. Enquanto Flávio Bolsonaro
representa toda a história de retirada de direitos, de repressão e violência
contra os trabalhadores, Lula garante conquistas e indica que pretende, em seu
quarto mandato, implementar uma “nova geração” de direitos. Entre eles, estão a
reindustrialização do país em novas bases tecnológicas, gerando empregos de
qualidade e, consequentemente, melhores salários, além do fortalecimento dos
sindicatos, com ampliação da negociação coletiva e regulamentação das relações
de trabalho.
A aprovação da PEC coroa a primeira
etapa do segundo turno, marcada pelas grandes mobilizações da juventude
organizadas pela UNE e pelo engajamento de militantes e apoiadores de Lula nas
redes sociais. A sinergia entre ruas e redes criou uma grande onda que não para
de crescer.
A campanha do presidente Lula superou
quase toda a desvantagem do primeiro turno, e os números das pesquisas já indicam
empate técnico. Flávio Bolsonaro cantou vitória antes da hora e, agora, diante
da força da campanha de Lula, sua campanha toma decisões que soam como sinais
de certo desespero (a exemplo do voto na PEC). Chefões bolsonaristas fazem
cobranças contra o “corpo mole” de senadores e deputados.
Outra face da exasperação (leia-se
medo da derrota) é a Ação de Investigação Judicial Eleitoral da campanha de
Flávio Bolsonaro, protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a
chapa de Lula e Geraldo Alckmin e 53 dirigentes sindicais, estudantis e de
movimentos sociais, alegando que entidades estariam utilizando estruturas,
recursos e canais institucionais. Essa investida para criminalizar as
lideranças dos movimentos sociais tem um caráter intimidatório e é uma
tentativa inútil de conter a voz da juventude e do povo nas ruas.
Entre as organizações mencionadas
estão a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União da Juventude Socialista
(UJS), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Central dos Trabalhadores
e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a
Força Sindical, a União Geral dos Trabalhadores (UGT), a Central dos Sindicatos
Brasileiros (CSB), a Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), o Centro
Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) e a Central de
Movimentos Populares (CMP).
Por óbvio, a máquina bolsonarista será
tensionada, a mídia monopolista tenderá a exacerbar sua parcialidade em favor
da extrema direita, e as big
techs intensificarão ações para favorecê-la, somando-se a outras
investidas “invisíveis” do imperialismo. A Meta, por exemplo, acumula
evidências e fatos que apontam para uma atuação em favor de Flávio Bolsonaro,
já denunciada no TSE.
A campanha de Lula entra na reta final
em ascensão e disputando, cabeça a cabeça, a vitória em 25 de outubro.
Impulsionada pelo fim da escala 6×1, é preciso elevar a intensidade e o volume
das ações pela disputa do voto.
Nesta etapa, quatro missões se
destacam. A primeira: nas horas imediatas que se seguem, é preciso disseminar
ao máximo o real significado da grande conquista do fim da escala 6×1. Dizer,
às claras, que a nova escala 5×2, para perdurar, depende da vitória do
presidente Lula, uma espécie de terceira votação. A segunda é reduzir a
abstenção: o não comparecimento às urnas favorece a extrema direita. Pelas
pesquisas, Lula tem vantagem entre os que se abstiveram.
A terceira é alertar o povo para a
certeza trágica de que a vitória do bolsonarismo resultará em perdas de
direitos nas esferas da educação, do Sistema Único de Saúde (SUS), da moradia
popular, do aumento real do salário mínimo, das aposentadorias e dos
benefícios, além do aumento da violência pela ação das milícias etc. A quarta
missão é desmascarar Flávio Bolsonaro e revelar a verdade sobre ele: traidor da
pátria, golpista, inimigo do povo, investigado por corrupção, “irmão” de
Vorcaro, vinculado às milícias, desqualificado para governar.
Milhões, de um modo ou de outro,
abraçaram a campanha de Lula. Entre eles, destaca-se a juventude, força motriz
da vitória que vem sendo construída. Essa adesão do povo precisa crescer,
impulsionada pelo trabalho da militância, pela eficácia das redes sociais e
pela articulação da comunicação em todas as suas frentes. Personalidades da
sociedade civil expressam apoio a Lula. É necessário que nenhum democrata se
omita.
A vitória está no horizonte e não pode
escapar das mãos da nação e da classe trabalhadora, dos democratas e patriotas.
E, para tal, nenhum minuto de descanso: cada voto será decisivo.






