27 setembro 2026

Futebol brasileiro apenas burocrático

Nada se cria, tudo se repete
Mesmo após troca no comando, seleção mantém problemas de compactação, pressão e criação. Mudança passa por melhorar jogadores e aproximar o time do futebol de intensidade e pressão
Tostão/Folha de S. Paulo     

Neste reinício da seleção após o fracasso no Mundial, pensei que veria algo novo, uma ideia diferente. Tudo continua na mesma. Nada se cria, tudo se repete.

Além das carências individuais no meio-campo, o problema não é jogar com apenas dois no meio e quatro no ataque. É a falta de compactação, com enormes distâncias entre a defesa, o meio-campo e o ataque. Isso dificulta bastante a pressão para recuperar a bola, a troca de passes e a criação de jogadas ofensivas, além de facilitar demais para os adversários, mesmo com pouca qualidade, como a Austrália, trocarem passes de uma intermediária a outra.

Assim como a corrupção no Brasil, as seguidas eliminações da seleção brasileira nos Mundiais para seleções médias (Bélgica, Croácia e Noruega) e outras atuações e resultados ruins contra seleções pequenas, como a Austrália, estão cada dia mais normalizadas. Receio que, em um futuro cada dia mais próximo, a glória e a magia do futebol brasileiro sejam apenas uma foto no celular, sem lamentações.

O desejo move o mundo.

Enfim, os treinadores de mais prestígio no futebol mundial estão dirigindo grandes seleções. Depois que Ancelotti se tornou treinador da seleção brasileira, o alemão Klopp assumiu a seleção alemã, Zidane, a francesa, Jorge Jesus, a portuguesa, Mancini, a italiana. Já Guardiola continua no seu descanso. O milionário salário que Ancelotti recebe da CBF deve ter sido a chama que mudou os parâmetros financeiros das federações dos outros países e que despertou o interesse dos treinadores mais famosos, pois havia um consenso de que os principais técnicos ganhavam nos clubes muito mais do que recebiam nas seleções.

Por outro lado, a Espanha, campeã e que joga o melhor futebol do mundo, é dirigida por um treinador espanhol vindo da base, que nunca tinha comandado uma equipe principal, o discreto Luís De La Fuente.

Xavi, um dos grandes jogadores da história do futebol e que está no início de carreira de treinador, comanda a seleção da Holanda. É uma contratação técnica e afetiva. Xavi era um dos craques do Barcelona, dirigido por Guardiola, que revolucionou o futebol mundial, influenciado pelo holandês Cruyff, eterno jogador, treinador e pensador.

Para melhorar o futebol brasileiro e a seleção, é preciso ter ótimos gramados, um bom calendário, jogos menos tumultuados e clubes bem administrados, que não gastem mais do que podem e que paguem o que devem.

Além de evoluir na formação de jogadores, é necessário unir a compactação, a pressão para recuperar rapidamente a bola, a intensidade, com a capacidade de alternar, no mesmo jogo, o domínio da bola, a troca curta de passes com a transição rápida da defesa para o ataque.

Precisamos formar goleiros que joguem bem com as mãos e com os pés, zagueiros que defendam bem e que tenham bons passes, laterais que marquem e apoiem bem, pontas que driblem para fora e para dentro e que cruzem e finalizem bem, centroavantes que participem do jogo coletivo e que sejam bons finalizadores e meio-campistas que atuem de uma intermediária a outra, que marquem, construam e avancem.

Além de tudo isso, é essencial ter uma consciência coletiva do jogo, sem abandonar a capacidade criativa e a ambição individual. É o desejo que move o mundo.

Leia também: A subversão da ordem no futebol https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/futebol-evolucao-tatica.html

Humor de resistência

 

Gilmar

Flávio Bolsonaro quer entregar terras raras aos Estados Unidos https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/entreguismo-sem-limites.html 

Lula & empresários

Lula cobra ação de empresários em projeto de país
Em jantar com empresários, presidente destaca que crescimento, política industrial, responsabilidade e soberania devem integrar mesmo projeto
Tatiane Correia/Jornal GGN   

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que o Brasil precisa definir que país pretende construir e cobrou do setor empresarial participação nesse projeto. O pronunciamento foi feito nesta sexta-feira (25/09), durante jantar com empresários realizado em São Paulo.

Em discurso, Lula associou desenvolvimento econômico à inclusão social, responsabilidade fiscal, política industrial, soberania nacional e fortalecimento da democracia.

Ao falar para empresários e profissionais liberais, o presidente apresentou um balanço de governos anteriores e de seu atual mandato, além de defender a necessidade de investimentos em indústria, infraestrutura, educação e tecnologia.

Lula afirmou que a estabilidade fiscal deve ser tratada como uma obrigação de qualquer governo e não como um mérito. Segundo ele, o equilíbrio das contas públicas é necessário para evitar que os custos dos desequilíbrios recaiam sobre a população mais pobre.

O presidente também defendeu que a responsabilidade fiscal seja acompanhada de responsabilidade social. Em sua avaliação, políticas de redução de gastos que atinjam a Previdência ou programas de inclusão social podem ampliar a pobreza.

“Eu não me conformo com salário mínimo de R$ 2.000 ou R$ 3.000”, afirmou, ao defender o aumento da renda dos trabalhadores. Para Lula, a elevação dos salários também amplia o mercado consumidor e, consequentemente, pode estimular a produção empresarial.

Ao tratar de seu histórico político, o presidente citou Getúlio Vargas e seus próprios governos como momentos de ampliação de políticas de inclusão social no país. Também afirmou que o Brasil precisa combinar crescimento econômico com redução da pobreza.

Indústria, tecnologia e soberania

Outro eixo do discurso foi a defesa de uma política industrial voltada à agregação de valor no Brasil. Lula afirmou que a exploração de minerais críticos e terras raras deve estar associada à transformação e industrialização desses recursos no país, em vez de limitar o Brasil à exportação de matérias-primas.

O presidente disse que não é contrário à participação de empresas estrangeiras, mas defendeu que os investimentos externos estejam vinculados à transferência de conhecimento e ao desenvolvimento tecnológico brasileiro.

“A gente não pode permitir que a energia que é produzida pro consumo da sociedade seja utilizada para data center”, afirmou, ao tratar da expansão dos centros de processamento de dados. Ao mesmo tempo, defendeu que o país desenvolva sua própria infraestrutura de dados e inteligência artificial.

Lula também relacionou esse projeto ao investimento em educação e à formação de jovens para o setor digital. Citou como exemplo um estudante brasileiro que, segundo ele, venceu uma competição internacional de engenharia digital realizada na China.

O presidente afirmou que o país precisa de empresários dispostos a investir em setores considerados estratégicos para o desenvolvimento nacional e mencionou áreas como indústria, siderurgia, construção, setor automotivo, indústria naval e tecnologia.

Eleição, democracia e reforma política

Ao final do discurso, o presidente transformou a definição do projeto econômico em uma questão eleitoral, destacando que não se tratava apenas da escolha entre candidatos, mas de decidir entre diferentes projetos para o país.

Lula defendeu estabilidade política e jurídica como condições para o desenvolvimento e criticou o que chamou de perda da capacidade de argumentação no debate público, em referência ao ambiente político e às redes sociais.

Lula também voltou a defender uma reforma política e afirmou que o Congresso Nacional não deveria concentrar parcela tão grande do orçamento da União. Segundo ele, a sociedade precisa discutir mudanças no sistema político e na escolha dos integrantes da Suprema Corte.

Ao abordar a política externa, o presidente defendeu que o Brasil mantenha autonomia diante das grandes potências e citou a disputa internacional por minerais críticos e terras raras. “Enquanto eu for presidente, o dono disso aqui chama-se povo brasileiro”, afirmou.

A íntegra do discurso pode ser vista aqui https://www.youtube.com/watch?v=u4OMLF6n4CM

Desempatar é urgente! https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_02008909635.html 

Sylvio: soberania

Democratas norte-americanos acusam Trump de tentar interferir no Brasil, minando as próximas eleições. Fique fora e cuide de seus problemas Mr. Donald, pois como afirmou Lula, nosso País é livre, democrático e não  cabe em nenhum quintal.

Sylvio Belém  

A força das ruas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/lula-no-recife-e-em-maceio.html 

26 setembro 2026

Dica de leitura

Bets: interesses em jogo
Luciano Siqueira    

O complexo midiático dominante, em relação à proibição das bets por Medida Provisória do presidente Lula, em sua hipocrisia crônica, tem dado ênfase à proximidade das eleições e subestimado ou omitido dados essenciais sobre a questão.

A reportagem "Como o Brasil foi engolido pelas apostas", na revista piauí https://piaui.uol.com.br/web/como-o-brasil-foi-engolido-pelas-bets/ faz o contraponto, analisando as causas e as consequências socioeconômicas da explosão das apostas e jogos de azar virtuais no Brasil.

Durante o governo Jair Bolsonaro, prevaleceu a omissão no detalhamento das regras das apostas esportivas legalizadas em 2018, no governo Temer, criando quatro anos de limbo jurídico em que as plataformas se multiplicaram sem fiscalização.

Sob o governo Lula, sancionou-se no final de 2023 a Lei das Apostas, legalizando de fato cassinos virtuais e gerando críticas tanto da oposição quanto da base governista.

Enquanto isso, proliferaram campanhas publicitárias agressivas para popularizar jogos de cassino e apostas rápidas ( como o "Jogo do Tigrinho" ou "Aviador" ). Faturando caches multimilionários, figuras públicas e criadores de conteúdo atuaram para convencer a população de que os jogos eram formas rápidas e acessíveis de renda, minando a percepção do risco de perda financeira.

A publicidade transformou o jogo em hábito cotidiano para milhões de pessoas de diferentes classes sociais.

Em consequência, instalou-se verdadeira de epidemia em parcela expressiva da população.

Apostadores viciados acumularam perdas milionárias, esgotando economias pessoais, contraindo empréstimos bancários e recorrendo a agiotas, destacando-se parcela expressiva de mulheres.

Poderosos, empresários da jogatina estabeleceram vínculos políticos, assim como cumplicidade com a mídia dominante, que aferia lucros astronômicos com publicidade.

Aí está o nó da questão e não se a proibição estabelecida pelo presidente Lula se deu próximo ou não do episódio eleitoral.

Lula anuncia o fim das bets https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/mp-das-bets.html 


Arte é vida

Piet Mondrian

Palavra de poeta

Soneto das metamorfoses

Carlos Pena Filho     

Carolina, a cansada, fez-se espera
e nunca se entregou ao mar antigo.
Não por temor ao mar, mas ao perigo
de com ela incendiar-se a primavera.

Carolina, a cansada que então era,
despiu, humildemente, as vestes pretas
e incendiou navios e corvetas
já cansada, por fim, de tanta espera.


E cinza fez-se. E teve o corpo implume
escandalosamente penetrado
de imprevistos azuis e claro lume.

Foi quando se lembrou de ser esquife:
abandonou seu corpo incendiado
e adormeceu nas brumas do Recife.

[Ilustração: João Câmara]

Leia também: "Passeio pelas ruas do espinheiro", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-de-poeta_0470369103.html