04 maio 2026

Onipotente capital financeiro

Capital fictício versus produtivo
A economia brasileira estrutura-se sobre uma forma dual de capital fictício — a dívida pública e a propriedade fundiária urbana — que capitaliza rendas futuras em riqueza presente
FERNANDO NOGUEIRA DA COSTA*/A Terra é Redonda 
 
  

1.

A ideia de “dupla forma de capital fictício” no Brasil – financeira e fundiária – pode ser entendida como dois mecanismos distintos de capitalização de rendas futuras. Eles se reforçam mutuamente. Ambos transformam fluxos esperados de renda em estoques de riqueza negociáveis no presente.

Essa noção deriva da crítica do “capital fictício”, elaborada por Karl Marx, mas assume uma configuração peculiar na economia brasileira. Nela, o capital fictício financeiro seria principalmente a dívida pública indexada.

Após as reformas financeiras de meados dos anos 1960, o Estado brasileiro estruturou um mercado sofisticado de títulos públicos. Esses títulos representam direito a fluxos futuros de juros pagos pelo Estado, ou seja, o título é um ativo financeiro capaz de capitalizar receitas futuras.

Matematicamente, o preço de um título pode ser representado como o valor presente de fluxos de juros pagos periodicamente. Incide sobre o valor de resgate uma taxa de desconto do custo de oportunidade: o juro de mercado deixado de ganhar por fazer outra opção de investimento.

Esse ativo é “fictício”, no sentido marxista, porque não corresponde diretamente a capital produtivo, mas a um direito sobre receitas futuras do Estado. Como instituições centrais desse sistema, garantidores do “risco soberano” em moeda nacional, estão o Tesouro Nacional e o Banco Central do Brasil.

Algo conceitualmente semelhante ocorre com a terra urbana. Há um capital fictício fundiário devido à sua valorização. O preço de um terreno ou imóvel também reflete a capitalização de rendas futuras esperadas, como aluguéis ou valorização urbana.

A lógica econômica pode ser representada pela fórmula clássica de capitalização da renda fundiária. O preço do terreno se relaciona com a renda anual esperada (aluguéis ou renda fundiária implícita) e tem como custo de oportunidade da taxa de juros de mercado. Assim, a terra urbana também se torna um ativo financeiro implícito, cujo valor depende da taxa de juros.

O elo entre os dois sistemas aparece em uma interligação estrutural. A taxa de juros definida no mercado de dívida pública funciona como taxa de desconto para todos os ativos da economia.

Logo, quando os juros sobem, os preços de imóveis tendem a cair. Quando os juros caem, os preços de imóveis tendem a subir. Assim, a riqueza fundiária é indiretamente ancorada na estrutura da dívida pública.

2.

A economia brasileira acabou estruturando um circuito macroeconômico de valorização patrimonial com dois polos. No polo financeiro, encontram-se títulos públicos, fundos de investimento e outros ativos indexados à taxa básica. No polo imobiliário, estão a terra urbana, os edifícios e a renda de aluguel, além da valorização.

Muitas famílias e investidores costumam transitar entre esses dois polos. Um exemplo típico é vender imóvel e aplicar em títulos, outro é acumular renda financeira para comprar imóveis.

Essa dupla forma de capital fictício gera três efeitos estruturais como consequência macroeconômica. O primeiro é a forte patrimonialização da economia. Grande parte da riqueza está em ativos que representam direitos sobre renda futura, não capital produtivo direto.

O segundo é a sensibilidade às taxas de juros Mudanças na taxa básica afetam simultaneamente preços de títulos e preços de imóveis.

O terceiro é a simplificação da desigualdade patrimonial. Quem já possui ativos financeiros ou imóveis captura juros do Estado e valorização urbana.

O caso brasileiro é peculiar porque combina simultaneamente um dos maiores mercados de dívida pública doméstica do mundo e grande valorização imobiliária urbana nas últimas décadas. Isso conecta dois sistemas de capitalização patrimonial normalmente aparecidos separadamente em outros países.

No Brasil formou-se um sistema patrimonial dual: capital fictício financeiro resultante de títulos da dívida pública e capital fictício fundiário como resultado de valorização de terra urbana e imóveis. Ambos derivam da capitalização de rendas futuras e são interligados pela taxa de juros da economia.

No entanto, falta uma visão sistêmica ao afirmar “grande parte da riqueza está em ativos representativos direitos sobre renda futura, não capital produtivo direto”. Na realidade, ativos financeiros são fontes de financiamento ou funding, para bancos captarem, como passivos de novos financiamentos, inclusive imobiliários.

Esse é um limite analítico comum quando se usa a noção de capital fictício de maneira isolada. Uma abordagem sistêmica mostra os ativos financeiros não serem apenas direitos sobre renda futura, mas também componentes funcionais de um circuito de financiamento capaz de conectar balanços patrimoniais de diferentes agentes.

3.

O que é ativo para alguém é passivo para outro agente. Esse passivo acaba por financiar investimento real. Portanto, o princípio contábil sistêmico é: ativo de um, passivo de outro. Em qualquer sistema financeiro, um título público é ativo para o investidor, mas é passivo do Estado, inclusive para executar gastos públicos com pessoal e assistência social e previdenciária.

Da mesma forma, um depósito bancário é ativo para o depositante, mas passivo do banco. Esse passivo serve como funding para concessão de crédito. Assim, ativos financeiros fazem parte de um sistema interligado de balanços.

No Brasil, títulos da dívida pública cumprem funções centrais no sistema financeiro. Eles são usados para gestão de liquidez bancária, garantia em operações interbancárias, colateral em operações com o Banco Central do Brasil e lastro de fundos de investimento.

O Tesouro Nacional emite esses títulos e por seu risco soberano acabam estruturando a base segura do sistema financeiro. Assim, eles não são apenas riqueza patrimonial – são também infraestrutura do sistema de crédito.

Bancos realizam uma operação fundamental: transformação bancária de maturidade e risco transformação de passivos líquidos em ativos de crédito. Em exemplo simplificado, investidores compram títulos ou fazem depósitos, bancos captam esses recursos e concedem crédito. Esse crédito pode financiar consumo, investimento empresarial e financiamento imobiliário.

No caso do mercado imobiliário brasileiro, o financiamento depende fortemente do sistema financeiro. Por exemplo, famílias aplicam em fundos ou depósitos, bancos captam esses recursos e concedem crédito imobiliário para incorporadoras construírem edifícios. Instituições como a Caixa Econômica Federal desempenham papel importante nesse circuito financeiro-imobiliário.

O conceito marxista de capital fictício não nega essa intermediação. Ele enfatiza outro ponto: o valor de mercado dos ativos financeiros pode crescer independentemente da expansão do capital produtivo. Pode haver valorização patrimonial (estoque de riqueza) sem crescimento proporcional da produção (fluxo de renda). Mas isso não elimina o papel fundamental dos ativos financeiros na infraestrutura do crédito.

Uma leitura sistêmica mais adequada vê três níveis interligados: o nível patrimonial, no qual ativos representam direitos sobre renda futura.; o nível financeiro, onde esses ativos funcionam como funding e colateral; e o nível macroeconômico, quando o crédito financiado por esse sistema pode sustentar investimento produtivo, investimento imobiliário e consumo.

Como implicação analítica, não é adequado separar rigidamente o capital financeiro e o capital produtivo. Eles fazem parte de um circuito de financiamento interdependente.

O problema analítico surge quando, em certa fase recessiva, ocorre crescimento da riqueza financeira sem uma expansão correspondente da capacidade produtiva. Mas uma abordagem sistêmica mostra os ativos financeiros serem simultaneamente riqueza patrimonial e funding do sistema bancário, ou seja, essa forma de manutenção de riqueza atua na infraestrutura do crédito.

Portanto, a distinção entre capital fictício e capital produtivo não deve ser interpretada como separação absoluta, mas como níveis diferentes de análise dentro do mesmo circuito financeiro-produtivo.

*Fernando Nogueira da Costa é professor titular do Instituto de Economia da Unicamp. Autor, entre outros livros, de Brasil dos bancos (EDUSP). [https://amzn.to/4dvKtBb]

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Arte é vida

 

Luciano Pinheiro 

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Boa notícia

Lula lança Novo Desenrola com descontos de até 90% para renegociar dívidas
Programa estabelece novas condições para dívidas das famílias, Fies, microempresas e trabalhadores rurais; quem deve até R$ 100 será perdoado e terá nome limpo
Priscila Lobregatte/Vermelho       

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, nesta segunda-feira (4), em cerimônia no Palácio do Planalto, a medida provisória que cria o Novo Desenrola Brasil, programa voltado à renegociação de dívidas para diferentes segmentos da sociedade e dirigido à população que ganha até cinco salários mínimos (R$ 8.105).

Será possível negociar débitos do cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal com descontos especiais durante 90 dias, inclusive com o uso de parte do FGTS. Além do Desenrola Famílias, também foram anunciadas modalidades voltadas aos estudantes com dívidas no Fies, microempresas e trabalhadores rurais. Hoje, aproximadamente 82 milhões de brasileiros possuem dívidas.

No ato, Lula salientou a importância de as pessoas poderem consumir dentro de suas possibilidades e condenou as apostas on-line, que respondem por boa parte do endividamento dos brasileiros. Uma das medidas do pacote prevê a proibição do uso das bets e afins, por um ano.

Lula salientou que, com o Novo Desenrola, o governo está buscando uma fórmula para “tirar a corda do pescoço dessas pessoas, para elas voltarem a respirar normalmente e poder voltar a sonhar, a ter seu nome limpo na praça. Porque não é correto um cidadão brasileiro estar com o nome sujo por causa de uma dívida de 100, 200 reais. Não tem lógica”. Conforme anunciado, dívidas de até R$ 100 serão perdoadas e os devedores terão seu nome limpo.

Saiba mais: Com juros de 15% ao ano, inadimplência bate recorde no Brasil

O presidente completou dizendo que nessas situações, “o mercado transforma o cidadão num clandestino porque ele não pode comprar mais nada no crédito, ter conta em banco, ou seja, vira um freguês da agiotagem”.

Lula salientou que “o que estamos fazendo é dizer para o povo brasileiro: ‘olha, nós vamos fazer com que vocês voltem a respirar, vamos criar as condições para vocês diminuírem o endividamento de vocês para pagarem dívidas de muito tempo e que não podem pagar, para que se libertem um pouco da dívida do cartão de crédito e do cheque especial — vai ter um fundo garantidor para isso —, agora vocês não podem continuar jogando em bets’. Por isso estamos proibindo, durante um ano, das pessoas gastarem o pouco do seu recurso fazendo jogo”.

Dívida impagável

Ao explicar o Novo Desenrola, o ministro da Fazenda, Dario Duringan criticou a atual taxa de juros cobrada para operações de crédito, ressaltando que nesse círculo, torna-se impossível quitar uma pendência. “Uma dívida de R$ 10 mil que rode a 15%, no mês que vem será uma dívida de R$ 11,5 mil; no outro, R$ 13 mil. É uma dívida que, de fato, a realidade das pessoas mostra que é impagável”, afirmou.

Por isso, acrescentou, “estamos mobilizando os fundos de garantia do poder público, estabelecendo uma nova relação com os bancos para dizer o seguinte: ‘essas pessoas não vão pagar essa dívida com os juros nesse patamar’. Estamos partindo, portanto, de uma série de descontos que, na média, serão de 65%. Uma dívida de R$ 10 mil, por exemplo, passa a ser de R$ 4,5 mil e sobre ela vai incidir juro não de 15% como no cartão de crédito, mas de 1,99% ao mês e a dívida pode ser parcelada em até quatro anos”.

Desenrola Famílias

Também coube ao ministro da Fazenda detalhar como será o Novo Desenrola. “Começamos amanhã (5) uma mobilização de 90 dias para os brasileiros renegociarem suas dívidas. Isso permitirá que, do ponto de vista pessoal, essa angústia com o nome sujo seja retirada e, ao mesmo tempo, o crédito possa voltar a existir para essas pessoas, mas de maneira melhor, em outras condições”, disse Dario Durigan.

Ao todo, foram anunciadas quatro diferentes modalidades: o Desenrola Famílias, o Desenrola Fies, o Desenrola Empresas e o Desenrola Rural.

Considerado o carro-chefe do programa, o Desenrola Famílias é voltado para que quem tem renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105).

Esse público poderá pagar, com desconto, dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e cujo atraso esteja entre 90 dias e dois anos, com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC). Para participar, os interessados devem procurar os canais oficiais de seus bancos.

A dívida renegociada terá:

  • Descontos entre 30% e 90%;
  • Taxa de juros máxima de 1,99% ao mês;
  • Até 48 meses de prazo para pagar;
  • Prazo de até 35 dias para o pagamento da primeira parcela;
  • Limite da nova dívida (após descontos) de até R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira;
  • Garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO).

Como contrapartidas, será feito o bloqueio por um ano do CPF das pessoas que aderirem ao programa, em jogos e em casas de apostas, como as bets. Também fica proibido o envio de recursos a casas de apostas via cartão de crédito, crédito parcelado, pix crédito e pix parcelado.

Por outro lado, será limpo o nome de pessoas com dívidas de até R$ 100, bem como de quem tiver o crédito renegociado. Além disso, o equivalente a 1% do valor garantido pelo FGO será destinado à educação financeira.

“Dentro da nossa economia, é natural assumir dívida. O que é importante a gente não perder o pé é qual a sustentabilidade, como essa dívida poderá ser paga por mim mesmo, com a renda que tenho, com o que recebo de 13º, com outros rendimentos que eu tenha para que essa dívida não me enrole mais para a frente?”, argumentou Durigan.

De acordo com o governo, a participação do FGO se dará por meio de R$ 2 bilhões (parcela do saldo já disponível) e novos aportes de até R$ 5 bilhões já autorizados. Além disso, poderão ser utilizados recursos não resgatados disponíveis na tesouraria do sistema financeiro, o que pode mobilizar entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões.

Outro ponto anunciado pelo governo é que até 20% do saldo do FGTS (ou até R$ 1 mil, o que for maior) poderão ser usados para quitar os valores pendentes. O ministro explicou que primeiro, vai haver a redução de até 90% da dívida por parte dos bancos e somente depois, o trabalhador poderá usar o saque do FGTS para diminuir ainda mais a dívida.

O governo também a anunciou mudanças nos consignados do INSS e de servidores públicos.

Desenrola Fies

Outra modalidade anunciada é o Desenrola Fies, para estudantes que usaram esse tipo de financiamento para pagar sua faculdade. De acordo com o governo, mais de um milhão de pessoas serão beneficiadas.

Para dívidas vencidas e não pagas há mais de 90 dias, caso o pagamento seja à vista, será feito o desconto da totalidade dos juros e multas e de 12% do principal. Se parcelar o pagamento (em até 150 vezes), será aplicado o desconto da totalidade dos juros e multas.

No caso das dívidas vencidas e não pagas há mais de 360 dias de estudantes fora do CadÚnico, o desconto será de até 77% do valor total da dívida, incluindo o principal, juros e multa, com liquidação integral do saldo devedor.

Já as dívidas vencidas e não pagas há mais de 360 dias de estudantes do CadÚnico, o desconto será de até 99% do valor total da dívida, incluindo principal, juros e multa, com liquidação integral do saldo devedor.

Desenrola Microempresas

O terceiro tipo de Desensola lançado é voltado para as microempresas, com faturamento anual de até R$ 360 mil. Neste caso, a carência irá de no máximo 12 para até 24 meses e o prazo máximo da operação sobe de 72 para 96 meses, uma forma de diluir o peso do pagamento da dívida no caixa do microempreendedor.

A tolerância no atraso para a concessão de novos créditos subirá de 14 para 90 dias. O aumento do valor total do crédito de 30% do faturamento (com teto de R$ 150 mil) vai para 50%, com novo teto de R$ 180 mil. Para empresas lideradas por mulheres, o limite sobe de 50% do faturamento para 60%.

Para atender as micro e pequenas empresas, com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões, também foram estabelecidas alterações no Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte). Entre as mudanças estão o aumento do prazo de carência de 12 para 24 meses e o aumento do valor total de crédito de R$ 250 mil para R$ 500 mil, entre outras.

Desenrola Rural

A quarta modalidade do Novo Desenrola é voltado aos agricultores familiares, inclusive assentados da reforma agrária. O objetivo é atender 1,3 milhão de pessoas com esse perfil.

Dentre as novidades está a ampliação do prazo até 20 de dezembro, permitido que mais agricultores familiares renegociem e liquidem suas dívidas antigas.

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Dois projetos e dois Brasis em disputa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/financas-publicas.html

Sylvio: oportunismo

A política brasileira percorre caminhos insondáveis. Atualmente, uma figura até pouco tempo obscura e desconhecida, como David Alcolumbre, por conta de oportunismo e matreirice, se destaca e passa a dar as cartas indicando o caminho a seguir após infligir uma derrota ao Governo de mãos dadas com o famigerado Centrão. Na verdade, a derrota me parece mais da Suprema Corte, que perde de ter em seus quadros um dos juristas mais bem preparados do Brasil. 

Sylvio Belém 

Sistema partidário “tipo isopor” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/minha-opiniao_9.html

O nó cego de Trump

Trump segue errátil e inconsequente
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65  

Donald Trump alterna anúncios vagos de paz com pressão máxima contra o Irã. O foco é Estreito de Ormuz com todas as suas implicações, tendo-se em conta que por ele transita 20% do petróleo líquido consumido no mundo.

Trump alardeia superioridade a todo instante, tendo como foco um possível cedência do Irã quanto ao programa nuclear.

Na prática, dizem analistas mais rigorosos, as manobras arráteis de Trump podem provocar uma escalada militar perversa, disparando mais ainda o preço do barril de petróleo e agravando o desequilíbrio da economia global.

Para o Irã, o fechamento do Estreito segue como sua principal ferramenta de dissuasão.

Por outro lado, países não envolvidos no conflito também são afetados, a exemplo da China, Índia e as nações europeias dependem da estabilidade daquela rota. Quer dizer, maior isolamento dos Estados Unidos.

Portanto, a manobra de Trump coloca os aliados de Washington em uma posição desconfortável, equilibrando o apoio diplomático aos EUA com a necessidade de segurança energética.

É o retrato do momento.

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Guerra no Irã, petróleo e crise energética https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/eua-x-ira-crise-energetica.html

Humor de resistência

 

André Dahmer

PCdoB alerta para desafios eleitorais e ofensiva imperialista https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/palavra-do-pcdob.html 

Dica de leitura

Novo sistema monetário?    

Uma conversa puxa outra, diz a sabedoria popular. Tudo se relaciona, aprendemos com a dialética.

Satisfaz-me muito saber que esse blog assim artesanal, editado por mim mesmo e repositório do que leio, vejo e penso tem alguma utilidade para quem quer acompanhar o que acontece em nossa terra e na cena mundial.

E aquela sensação de que um texto transcrito (ou escrito) hoje permanecerá interessante lá adiante. Aqui nada é absolutamente datado – mesmo nesse tempo de transe que atravessamos.

Um artigo de Luiz Antônio Paulino (O crepúsculo de Bretton Woods) de junho de 2025 tem tudo a ver com o momento presente.

Merece atenção agora quando um solavanco de grandes proporções parece envolver a cena internacional sob provocações diárias de Donald Trump. E uma das variáveis em presença é a crise do sistema financeiro global financeiro global estabelecido em 1944, agora que a hegemonia do dólar enfrenta um declínio talvez irreversível.

O autor argumenta que as sanções econômicas impostas pelos EUA e o uso da moeda como arma política aceleraram a busca por alternativas internacionais.

Países do Sul Global, liderados pela ascensão da China e o fortalecimento dos BRICS, buscam desvincular suas transações da arquitetura financeira baseada em Washington. O modelo de Bretton Woods já não reflete a realidade multipolar do século XXI, gerando mais instabilidade e desigualdade.

Parece o fim de uma era de dominância absoluta do Ocidente sobre as regras do comércio mundial.

E o Brasil nisso? Cuidemos de nossa soberania monetária!

Confira o artigo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/06/padrao-dolar-em-decadencia.html

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(LS)