10 agosto 2026

Minha opinião

Campo de batalha preferencial 

Luciano Siqueira    


Muito se tem falado (e demonstrado) sobre os superpoderes do Congresso Nacional, fruto de distorções acumuladas na história recente, sobretudo no governo Bolsonaro, quando se adotou a aberração das emendas parlamentares acoitadas pela cumplicidade e pelo oportunismo.

A Folha de S. Paulo de hoje, em matéria assinada por Ana Luiza Albuquerque, traz à luz dados de pesquisa realizada pela Fundação FHC.

Nada de novo, mas oportunamente sublinhado.

Na prática, super poderes do parlamento, apoiados em normas informais e em crescente concentração de poder nas mãos dos presidentes das Casas, tornam crescentemente anêmico do chamado “presidencialismo de coalizão” pautado em relações harmônicas entre o Executivo e o Legislativo.

No próprio parlamento, há uma deterioração crescente das instâncias deliberativas, afetando negativamente as comissões temáticas e procedimentos equânimes de deliberação.

A exacerbação de procedimentos como a votação híbrida/remoto, o uso excessivo de urgência e compensação de projetos, inclusão de propostas relevantes (incluindo PECs) em tramitações conjuntas sem as etapas formais suficientes para debate consistente e esclarecedor.

Medidas Provisórias são condenadas à caducidade, privando a sociedade da necessária transparência quanto ao posicionamento do Congresso.

Não é sem razão que grandes legendas partidárias do Centrão e da Direita https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0658357328.html tenham optado pela neutralidade em relação ao pleito presidencial, liberando as seções estaduais para composições as mais diversas – inclusive com frentes comprometidas com a reeleição do presidente Lula -, no intuito de elegerem mais senadores e deputados federais.

Numa visão de médio e longo prazo e tendo em mira o desenvolvimento democrático e soberano do país, tais anomalias reforçam a necessidades de reformas estruturais a serem encetadas adiante, sob correlação de forças favorável.

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PCdoB aprova manifesto por novo ciclo de desenvolvimento com Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-do-pcdob_0907726579.html 

Sylvio: psicopata

 Ao tomar conhecimento dos primeiros insultos proferidos por Milei contra o presidente Lula, fiquei a imaginar qual a razão que teria levado o povo argentino a escolher um moleque despreparado para o mais alto cargo do país. Com a continuidade e maior contundência das agressões, a figura do moleque em minha imaginação é substituída por a de um psicopata, que põe em risco as relações entre os dois países parceiros econômicos e historicamente irmãos. Responder no mesmo nível não me parece a posição desejável, mas não dar nenhuma resposta é estimular a molecagem ou omissão diante da psicopatia.

Sylvio Belém

Charge: Quinho   

Com Lula rumo a um Brasil soberano e desenvolvido https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-do-pcdob.html

Uma crônica de Cícero Belmar

Pedra que canta e brilha
Cicero Belmar    

Cada lugar, por mais simples, tem um caráter que o torna único. O natural do Sertão do Araripe, por exemplo, é essa terra árida, plantas com espinho, beleza difícil. Na cidade onde nasci e vivi por alguns anos, Bodocó (PE), há uma pedra. De tão imensa, ela não está no meio do caminho, como no poema do itabirano Drummond.

É pedra que exige tempo para ser apreciada. Ninguém diz que passou por ela, mas que esteve nela. Está reclinada sobre largo trecho da Serra do Araripe e sua beleza é o tamanho gigantesco que está nele. Perguntem a Cida Pedrosa, que já escreveu um livro inteiro de versos metrificados sobre essa pedra, e a poeta responderá que a Claranã é feita de minérios e poesia.

E que ela é uma pedra que canta. Isso mesmo, dizem que canta. A verdade é que o som, vindo da pedra, em noites de ventos assustadores, é apenas reação. A pedra é chicoteada pelo vento, e a violência do choque produz um som.

O canto da pedra nada mais é do que o vento transgredindo a sua dimensão de potência invisível, a sua natureza passageira. É som intenso, com ressonância e eco, música de pedra, que não estamos acostumados a ouvir, linguagem própria.

Além de cantar, é pedra que reluz. O que não é muito difícil de acontecer, por causa do sol permanente do Sertão. O sol bate na pedra e a luz bate na gente. Sol ardente contrastando com a melancolia do tempo, a pedra reluz e canta. De minha parte, eu mesmo nunca vi nem ouvi. Os mais velhos dizem que sim.

Há uma lenda de que a pedra brilhava. É história de antigamente, apenas repasso. Dizem que, quando o sol refletia na pedra, nas primeiras horas do dia, de longe se via o clarão cor de prata. Clarão claranã, daí o nome da pedra. É preciso aprender poesia com aqueles que sabem olhar: essa melancolia sob o sol inspira as palavras.

Os mais antigos eram povos originários que habitavam a Pedra do Claranã. Existem registros de séculos passados dizendo que havia uma tribo nômade, a Kariri, que percorria quatro “grandes pedras encantadas” sobre a Serra do Araripe. Elas se localizam entre os atuais estados de Pernambuco e do Ceará. Os sertanejos ancestrais migravam conforme as secas e os períodos de colheitas.

Entre as encantadas, estava e está a Pedra do Claranã. Ela teria sido batizada por aqueles povos, que viam o clarão à distância. Viam a Claranã no seu prateado. O clarão era a bússola do trajeto. Repito, é preciso aprender a ver para saber contar.

Não digo que a pedra é encantada. Mas reconheço que tenha lá os seus mistérios. Na semana passada, por exemplo, uma amiga da religião da Jurema esteve na pedra, onde nunca havia estado antes. Disse sentir energias de espíritos de caboclos e de indígenas ao percorrer as cavernas que existem por lá. Detalhe, a minha amiga não sabia que a pedra foi morada dos povos originários nômades.

Algumas lendas ainda habitam a pedra. Uma delas é a do arco do desejo. É uma formação natural, um marco de passagem, que tem esse apelido porque, segundo os mais românticos, quem passar sob ele, e fizer um pedido, o amor acontece.

Outra lenda relata um amor impossível. Abaixo da pedra, segundo a crença, há um reino que foi extinto por castigo dos céus. A princesa do reino teria se apaixonado por um plebeu. Para impedir o romance, um rei autoritário, preconceituoso e infeliz, mandou matar o rapaz. A princesa caiu em depressão profunda e também morreu.

Como castigo ao ditador, os deuses do amor resolveram destruir o reino do mal. Jogaram uma imensa pedra, lá dos astros, que hoje seria a Claranã. Ao cair na terra, destruiu o reino. O espírito dos dois amantes flutuou, transformando-se em imensos gaviões que ainda hoje habitam o alto da pedra. Entre lendas, mistérios e poesia, a pedra existe. E não seria a mesma se fosse apenas minério.

[Ilustração: Manabu Mabe]

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Leia também "Retorno", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-de-poeta_0433487496.html

Postei nas redes

Colunistas da mídia neoliberal "lamentam" ausência de compromissos programáticos da parte dos candidatos à presidência da República. Botar Lula no mesmo saco é um erro. Estamos concluindo fundamentos programáticos do próximo governo, crendo na reeleição do presidente. 

"O foco das grandes legendas e os desafios de João" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_01939828218.html 

Humor de resistência

 

Guto Respi

"Dois trunfos em favor de João Campos" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao.html 

Minha opinião

A soberania em destaque
Luciano Siqueira     

Rápida olhada no Programa registrado no TSE pela chapa Lula-Alckimim permite destacar a defesa da soberania nacional como um dos principais vetpres.

O fortalecimento do BRICS, a integração sul-americana e reforçar o posicionamento do Sul Global sublinham a política externa ativa, altiva e soberana.

Nessa linha, a ampliação de laços com países em desenvolvimento na Ásia, África e América Latina, concomitantemente com a revitalização do Mercosul.

A reafirmação do multilateralismo associada a reforma de instituições internacionais possibilitando maior representatividade dos países do Sul Global no Conselho de Segurança da ONU e em organismos financeiros como o FMI e o Banco Mundial.

Também se destaca a participação ativa do Brasil na elaboração de regras internacionais que efetivamente regulem tecnologia e inteligência artificial, permitindo a proteção de dados e transferência de tecnologia.  

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PCdoB aprova manifesto por novo ciclo de desenvolvimento com Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-do-pcdob_0907726579.html 

Postei nas redes

Pesquisa Genial/Quaest revela que 34% do eleitorado tende a votar em Lula em razão do apoio de Milei a Flávio Bolsonaro. 

"O foco das grandes legendas e os desafios de João" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_01939828218.html