01 junho 2026

Presente e futuro do Brasil

Fundação Grabois promove seminário sobre capitalismo e desafios do Brasil
Pesquisadores de diferentes áreas analisam mudanças estruturais da economia e seus impactos sobre desenvolvimento, indústria e projeto nacional
Leandro Melito/Portal Grabois 
 

A Fundação Maurício Grabois realiza durante o mês de junho o Seminário “Capitalismo no Brasil Contemporâneo”, com o objetivo de contribuir com o processo de atualização do Programa do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). O seminário integra um esforço político e intelectual de grande relevância, promovendo um diálogo aprofundado com pesquisadoras e pesquisadores de reconhecida contribuição nos temas estruturantes dos desafios brasileiros.

A proposta do seminário é promover um debate analítico dos temas, adicionando elementos empíricos e teóricos para enriquecer o debate com o objetivo de oferecer subsídios para a atualização programática do partido, por meio da Comissão constituída pelo Comitê Central do PCdoB para esse objetivo. Coordenada pelo presidente da Grabois, Walter Sorrentino, a Comissão é responsável por redigir a proposta e realizar seminários preparatórios para orientar os debates. 

A abertura do evento acontece na próxima segunda-feira (1) com a mesa Transformações no Capitalismo: a questão tecnológica e digital. Realizada de forma online com transmissão ao vivo pelo YouTube da TV Grabois, a mesa de abertura terá início às 18h.

Com mediação do economista Iago Montalvão, coordenador do Grupo de Pesquisa Desenvolvimento Nacional e Socialismo (GP 1) da Fundação Maurício Grabois, a mesa será integrada pelo médico e economista Aloísio Barroso, pelo diretor do Instituto de Economia da Unicamp, Celio Hiratuka, e pelo pesquisador de Redes Digitais  e professor da UFABC, Sérgio Amadeu.

As quatro mesas seguintes serão realizadas às terças-feiras ao longo do mês de junho, sempre às 19h. Os nomes das palestrantes e dos palestrantes convidados para as demais mesas ainda estão em fase de confirmação e serão divulgados oportunamente.

Programação

Seminário “Capitalismo no Brasil Contemporâneo”

Mesa 1 – 01 de junho de 2026 | segunda-feira – 18h

Transformações no Capitalismo: a questão tecnológica e digital 

Iago Montalvão é bacharel em Ciências Econômicas pela FEA-USP, mestre em Economia pelo IE-Unicamp e doutorando na mesma instituição. É Coordenador Executivo do Transforma-Unicamp , pesquisador no Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (Ineep) e coordenador do Grupo de Pesquisa Grupo de Pesquisa Desenvolvimento Nacional e Socialismo da Fundação Maurício Grabois. Foi presidente da União Nacional dos Estudantes (2019-2021).

Sérgio Amadeu da Silveira é professor da UFABC (Universidade Federal do ABC), pesquisador de Redes Digitais. Foi conselheiro do Comitê Gestor da Internet (CGI.br).

Aloísio Sérgio Rocha Barroso é médico, formado pela Escola de Ciências Médicas de Alagoas (1979). Pela Unicamp, fez especialização em Economia Sindical e do Trabalho (1998), mestrado em Economia Social e do Trabalho (2003) e doutorado em Desenvolvimento Econômico (2019).

Celio Hiratuka é diretor do Instituto de Economia da Unicamp e professor associado I da Universidade. Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Economia Internacional, Economia Industrial e Desenvolvimento Econômico, atuando principalmente nos seguintes temas: comércio internacional, empresas transnacionais, investimento direto estrangeiro, desenvolvimento industrial e relações Brasil-China. É pesquisador do Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia e Coordenador do Grupo de Estudos Brasil-China.

Clique aqui para participar 
https://www.youtube.com/watch?v=Nl8ez1T1bGA

Mesa 209 de junho de 2026 | terça-feira – 19h – A questão energética: disputas globais e soberania nacional

Mesa 316 de junho de 2026 | terça-feira – 19h – Capitalismo no Brasil: a questão industrial e tecnológica

Mesa 423 de junho de 2026 | terça-feira – 19h – Capitalismo no Brasil: a questão financeira e macroeconômica

Mesa 530 de junho de 2026 | terça-feira – 19h – Capitalismo no Brasil: a questão agropecuária

O mundo gira. Saiba mais  https://lucianosiqueira.blogspot.com/

Postei nas redes

Em pré-campanha no Rio de Janeiro, senador Flávio Bolsonaro (PL) recusou-se a dar entrevistas a jornalistas. Pouco a dizer e muito a esconder. 

Família Bolsonaro e Trump atacam, novamente, a soberania do Brasil https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/editorial-do-vermelho_0731946270.html 

Minha opinião

Movimentos contraditórios e incertos
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65 
 

Pouco a pouco, de contradição e contradição e a cada revelação de mal feitos do presente e do passado, a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) se vê exposta à luz do dia frágil e duvidosa.

Basta uma olhada no cotidiano da mídia neoliberal dominante, o Estadão por exemplo. A insatisfação face a escolha do pai ex-presidente presidiário a cada dia se faz mais nítida e até agressiva.

O senador, por seu turno, por suas próprias escolhas atrai mais críticas e dúvidas.

A pantomina da ida à Casa Branca simulando algo relevante na relação com o presidente Donald Trump e a exploração subsequente da inscrição, pelos Estados Unidos, das duas principais organizações criminosas brasileiras no rol terrorista.

Gradativamente, a pretensão do governo norte-americano mostra-se danosa à soberania brasileira e, pior para a extrema direita representada pelo senador dito filho 01, extremamente ameaçadora à nossa economia. Inclusive ao sistema financeiro líder da elite dominante em nosso país tropical.

Flávio Bolsonaro pratica uma inusitada "diplomata paralela", tentando se sobrepor ao Itamarati, para reivindicar diretamente medidas punitivas contra o próprio território brasileiro.

Subserviência desavergonhada. E tremenda incerteza sobre a almejada conquista de votos para além da bolha extremista de direita.

[Ilustração: imagem produzida por IA]

Qual a sua opinião? Assine seu comentário para que possamos publicá-lo. https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/sua-opiniao.html

EUA classificam PCC e CV como terroristas e tentam livrar clã Bolsonaro de crimes https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/trump-socorre-cla-bolsonaro.html 

Trambiqueiros sob tensão

Pânico na Faria Lima em razão da incerteza sobre novos alvos da PF
Operadores do mercado financeiro temem que investigadores estejam trilhando caminho traçado por João Carlos Mansur. Muitos já não dormem em paz
Liberta  
 

Benjamin Botelho, associado aos fundos Sefer, Renato Azevedo, do Latache Capital, Antônio Carlos Freixo, da fintech Entrepay e Sérgio Firmeza Machado, da ARC Capital, mantiveram relações com Daniel Vorcaro por meio do liquidado Banco Master e da extinta operadora Reag. Em associação com a distribuidora de títulos e valores mobiliários liderada por João Carlos Mansur, a própria Reag, também tiveram algum grau de relacionamento financeiro com Nélson Tanure e Maurício Quadrado. Na última quinta-feira, na esteira da Operação Fluxo Oculto, que conectou várias pontas do crime organizado, da máfia de falsificação e venda de combustíveis adulterados, da lavagem de dinheiro de diversas máfias e de investigados nas operações denominadas Tank, Carbono Oculto e Compliance Zero, todos surgiam interligados no “mapa operacional” da Polícia Federal – mesmo que não houvesse nenhuma ação ou mandado contra eles. Esse “mapa operacional”, uma espécie de “mind map” dos investigadores, faz com que não haja melatonina ou doses de Rivotril® ou Frontal® capazes de devolver a placidez e o sossego do sono à turma.

A “Fluxo Oculto” começou a trazer para a superfície toda a profundidade do mergulho investigatório dos agentes da PF, dos auditores do Banco Central, dos procuradores da República e dos auditores da Receita Federal a partir do desentranhamento dos mecanismos de lavagem de dinheiro do crime usando as chamadas “contas bolsões” e “contras gráficas” das fintechs. No meio do processo de lavagem – que também é chamado de “branqueamento de capitais” e de “ocultação de patrimônio” – entram os fundos de controladores finais desconhecidos da autoridade monetária brasileira, o Banco Central. A operação da última quinta-feira revelou que os investigadores sabem o caminho que estão fazendo no submundo do crime. Os alvos eram o BK Bank, Smart Solution Group, Ceopag, Sispay, VPayr, Iaw e CGXGlobal. No trajeto da pirambeira dessa turma do mercado financeiro, a Avenida Faria Lima e o Itaim Bibi, bairro sofisticado de São Paulo, são os pontos nevrálgicos das ações.

[Ilustração: imagem produzida por IA]

EUA classificam PCC e CV como terroristas e tentam livrar clã Bolsonaro de crimes https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/trump-socorre-cla-bolsonaro.html 

Humor de resistência

Aroeira

Cachorro que muito late não morde https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Uma crônica de Urariano Mota

A crítica de Tolstói a Shakespeare
Tolstói tem razão ao escrever esse princípio para toda obra de arte? Será mesmo assim?
Urarianio Mota/Vermelho    

Nesta semana, reli páginas de Tolstói selecionadas de seus textos no livro “Os últimos dias”. De passagem, anoto que a releitura de autores clássicos é ainda melhor que a leitura, porque descobrimos realidades que antes nem sonhávamos. O que copio agora vem do seu longo ensaio “Sobre Shakespeare e o teatro”:

“(Nas peças de Shakespeare) continuei sentindo invariavelmente a mesma coisa: aversão, tédio e incredulidade. Ausência de sentido dos discursos das personagens.”  

No Rei Lear, “esse sentimento verdadeiro, expresso em palavras simples, poderia suscitar compaixão, mas em meio ao delírio pomposo, incessante, de Lear, fica difícil notá-lo e ele perde seu significado. Shakespeare não tem capacidade para delinear um personagem ou fazer palavras e ações brotarem com naturalidade de situações; a linguagem é uniformemente exagerada e ridícula; ele com frequência coloca os próprios pensamentos aleatórios na boca de qualquer personagem conveniente; mostra uma ‘ausência total de sentimento estético’; e as palavras ‘nada têm em comum com arte e poesia’”.

Na crítica a esse texto de Tolstói, George Orwell usou de veneno e mentira quando escreveu que nademolição do gênio russo ao Rei Lear, a peça foi escolhida entre todas as obras de Shakespeare por este motivo: “Não seria possível que alimentasse um ódio em relação a essa peça por ser sabedor, consciente ou inconscientemente, da semelhança entre a história de Lear e sua própria história?”. Primeiro, não é verdade: Tolstói escolhe o Rei Lear por ser essa a peça mais elogiada do dramaturgo. Em segundo lugar, ou primeiro, Tolstói terminou os seus dias amado por todo o mundo, menos pela Igreja Ortodoxa Russa, que o excomungou. E terceiro, mais: poucos autores se mantiveram tão criadores e cri ativos quanto ele na velhice… Velhice de Tolstói, o que digo? Em resumo, ele nada tinha do Rei Lear. A razão da sua escolha, podemos ver aqui: 

“Esperei receber o grande prazer estético. Mas ao ler, uma após outra, aquelas consideradas as melhores dentre suas obras, ‘Rei Lear’, ‘Romeu e Julieta’, ‘Hamlet’ e ‘Macbeth’, não só não senti prazer como experimentei a repugnância irresistível, o tédio e o receio de estar louco por achar insignificantes e francamente ruins obras consideradas o auge de perfeição por todo o mundo erudito”. 

E sobre o Hamlet, uma das peças máximas do teatro, eis o que fala o maior romancista da literatura russa: “Mas, por ser ponto pacífico que o genial Shakespeare não pode escrever nada ruim, os eruditos direcionam todos os esforços da mente para encontrar a extraordinária beleza naquilo que é um defeito óbvio e salta à vista, que se expressa de forma especialmente aguda em Hamlet, isto é, que o protagonista não tem nenhum caráter. E então os críticos compenetrados declaram que nessa peça, na pessoa de Hamlet, está expresso um caráter completamente novo e profundo, que consiste exatamente no fato de esse personagem não ter caráter, e que nessa ausência está genialidade da criação de um caráter profundo!”.

Mas sem demora, vamos ao cerne da questão, que pude ver na releitura. Aqui é o lugar onde a crítica de um dos maiores escritores que já houve se engana de gênero:    

“Assim é o segundo ato, pleno de acontecimentos artificiais e de falas mais artificiais ainda, que, não provindo das circunstâncias em que estão envolvidas as personagens, terminam com a cena de Lear e suas filhas, que poderia ser forte se não fosse intercalada pelos discursos de Lear, ridiculamente pomposos, artificiais e, acima de tudo, sem nenhuma relação com a ação. As oscilações de Lear entre orgulho, raiva e esperança por concessões das filhas poderiam ser bastante comoventes se não tivessem sido arruinadas por aqueles absurdos prolixos que pronuncia o rei”.

Ou aqui, mais uma vez direto no Rei Lear: 

“Em primeiro lugar, seria necessário fazer o pai (Gloucester) verbalizar esse desprezo, e em segundo lugar Edmond, no monólogo sobre a injustiça das pessoas que o desprezam por ser filho ilegítimo, deveria mencionar essas palavras do pai. Mas isso não acontece”. 

Então pude ver: é claro que Tolstói exige para o teatro (o que o fez inclusive cometer engano em relação às peças de Tchekhov), ele chega a exigir e recomendar para o palco o que não cabe no gênero. O melhor dessa crítica equivocada de Tolstói ao Rei Lear é que ela é genial como crítica a personagens…. de um romance! É reveladora do seu próprio método de criar na literatura. E nesse engano contra Shakespeare ocorre, contraditoriamente, uma sábia lição sobre os personagens no seu próprio romance e em toda obra de ficção em prosa. Em Shakespeare faltaria sinceridade, que em Tolstói não falta, fala:

“sinceridade, isto é, o próprio autor deve sentir de forma aguçada o que está sendo representado por ele. Sem essa condição não pode haver nenhuma obra de arte, pois a essência da arte consiste no contágio daquele que percebe uma obra com sentimentos do autor. Se o autor não sentiu aquilo que representa, o receptor não experimenta nenhum sentimento do autor, e a obra já não pode ser considerada uma criação artística”.      

Isso deixa a gente a pensar. Tolstói tem razão ao escrever esse princípio para toda obra de arte? Será mesmo assim? O parágrafo acima lembra Goethe: “Tudo quanto se destina a surtir efeito nos corações, do coração deve sair”. O que Goethe escreveu de forma poética, Tolstói escreveu de modo contundente, como um juiz supremo de causa julgada que não admite recurso.   

Por fim, notamos que as exigências de Tolstói para o teatro e para toda arte são muito altas. Segundo ele, o autor deve ser um criador “que possui algo extremamente importante para dizer às pessoas sobre a relação dos homens com Deus, com o mundo e com tudo o que é eterno e infinito”. Sem dúvida, ele é alto, perturbador e comovente. Penso que uma exigência tão grande somente pode ter sido realizada por raros: Bach, Cervantes e Homero. Além de Tolstói, é claro.

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Fotografia

 

Marilia Correa