11 agosto 2026

Minha opinião

Fadado ao fracasso
Luciano Siqueira   

Em toda e qualquer luta a boa escolha do alvo a atingir para derrotar o adversário é indispensável. Pré-condição para o êxito. Quando se atira a esmo, o barulho é grande e a eficácia é mínima. 

Isso acontece nas grandes batalhas eleitorais, como agora pela presidência da República.

Um dos contendores, o senador carioca dito filho 01 do ex-presidente encarcerado, Flávio Bolsonaro (PL), carece de precisão quanto à percepção do seu verdadeiro adversário. 

Se é óbvio que se trata do presidente Lula, para o candidato da extrema direita não é. Daí ataques diários ao STF e ao ministro Alexandre de Moraes em particular. Atira a esmo e em termos rebaixados.

Programa de governo? Deve ter registrado em cartório uma peça com esse nome, como exige a lei eleitoral. Mas do conteúdo pouco se sabe e o próprio candidato o mantém sob uma espécie de preguiçoso sigilo. 

Na verdade, falta conteúdo para além do ódio e da fúria neofascista.

O registro vale como dado de realidade. Às forças do campo popular e democrático reunidas em torno do presidente Lula melhor que seja assim. 

Mais ainda quando parece que a peroração odiosa do candidato do PL se acentua a cada pesquisa divulgada, confirmando tendências pró Lula e o enfraquecendo. 

É como se todas as fichas do candidato sejam jogadas numa desejada (por ele) intervenção norte-americana sobre o processo eleitoral brasileiro. Nada mais.

Entreguismo exacerbado, complexo de vira-latas elevado à enésima potência! 

Do lado de cá, na luta pela reeleição do presidente Lula, melhor deixar o bolsonarista vociferando sozinho e sustentar discurso propositivo, acentuando as conquistas alcançadas e indicando proposições essenciais constantes da plataforma para o provável próximo governo. A defesa da soberania nacional sobretudo.

Responder ao ódio e a provocações na mesma medida levaria a nada. 

Abordar problemas e soluções no sentido de manter a nação num trilho progressista, vale muito. Sobretudo se formos capazes de explicitar ao eleitorado quais os verdadeiros obstáculos aos propósitos do atual governo Lula e provavelmente do próximo. 

Cotidianamente, a elite financeira o grande agronegócio exportador e os monopólios do varejo valem-se do aparato midiático dominante para desinformar e confundir, em oposição sistemática ao governo Lula e às suas ideias mais avançadas. 

Responder de modo eficaz e competente impõe-se como condição para a vitória. Desafio que impõe combinação equilibrada e eficiente da batalha de ideias pelos meios digitais e também nos salões e na base da sociedade, tendo como intuito esclarecer e mobilizar a maioria do eleitorado.

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Com Lula rumo a um Brasil soberano e desenvolvido https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-do-pcdob.html 

Humor de resistência

 

Aroeira

Entreguismo e bolsonarismo são sinônimos https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/enio-lins-opina_01988265509.html 

Dica de leitura

Trump, qual a saída?
Luciano Siqueira 

Diariamente, pela sua própria rede social e com repercussão da mídia em geral, Donald Trump coleciona declarações contraditórias acerca da guerra que move contra Irã. Oscila entre ameaças apocalípticas e apelo a um acordo de paz.

Contribui para compreender a postura pendular do governante norte-americano a entrevista concedida por Alastair Crooke a Chris Hedges, publicada no site Outras Palavras  https://outraspalavras.net/geopoliticaeguerra/eua-ira-o-agressor-enrascado/ 

Anoto a ineficácia das ações militares e o esgotamento de recursos especificamente mobilizados pelos Estados Unidos para a agressão ao Irã. Em que pese o grande volume de mísseis e armamentos empregados nos ataques ao Irã, o impacto estratégico tem sido limitado. O arsenal de mísseis e a postura defensiva do Irã não foram significativamente alterados.

Na verdade, a descentralização defensiva promovida pelo Irã ao longo de décadas contrasta com a vulnerabilidade geopolítica e a concentração de infraestruturas estratégicas em Israel e nos países do Golfo.

Também se frustra a intenção norte-americana de desestabilizar o regime iraniano. O que se vê é o fortalecimento do sentimento nacionalista e o desejo de retaliação e vingança, produzindo a coesão interna.

Concomitantemente, mostram-se ineficazes e frágeis simplificações acerca de grupos como as forças do Hashad al-Shaabi no Iraque e os Houthis no Iêmen, fortalecidos em suas agendas próprias e identidades nacionalistas locais.

Demais, os Estados Unidos são instados a sopesar o risco de agravamento do conflito, que pode tornar a situação regional imprevisível e sem solução rápida ou simples.

Iustração Fraga

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Trump com poucas cartas na mão https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/fragilidades-de-trump-contra-ira.html

IA x bibliotecas

Corrida por dados de IA ameaça livros raros e acende alerta mundial
Compras em massa de obras antigas e esgotadas levantam suspeitas de uso para treinar inteligência artificial; livreiros temem perda irreversível de patrimônio cultural
Cezar Xavier/Vermelho    

O avanço da inteligência artificial está criando uma demanda incomum no mercado de livros usados: empresas e intermediários passaram a adquirir grandes volumes de obras antigas, esgotadas e difíceis de encontrar. Em diferentes países, livreiros relatam pedidos que fogem completamente do padrão tradicional do comércio de livros.

A explicação está na busca por dados de treinamento considerados mais confiáveis. Livros publicados antes da explosão da IA generativa oferecem textos produzidos por humanos, revisados e organizados, em contraste com uma internet que vem sendo progressivamente inundada por conteúdo gerado artificialmente.

A preocupação é que parte desses exemplares tenha uma vida útil extremamente curta. Eles são comprados, enviados para centros de processamento, têm a lombada removida ou são desmontados, passam por scanners de alta velocidade e, em seguida, podem ser descartados ou transformados em polpa de papel. Uma investigação publicada em abril descreveu uma cadeia desse tipo envolvendo livrarias de diferentes países.

O caso Anthropic é o precedente documentado

O exemplo mais bem documentado é o da Anthropic, criadora do Claude. Documentos apresentados em processos judiciais revelaram o chamado Project Panama, iniciativa criada em 2024 para realizar o escaneamento destrutivo de livros.

A empresa gastou dezenas de milhões de dólares para comprar milhões de exemplares físicos. Para acelerar o processo, as lombadas eram cortadas e as páginas alimentadas em equipamentos industriais de digitalização. Depois, os livros eram descartados. Documentos internos revelados no processo chegaram a descrever o projeto como uma tentativa de escanear “todos os livros do mundo”.

O episódio ganhou importância também no campo jurídico. Em uma disputa envolvendo direitos autorais, um tribunal americano considerou que o uso de cópias adquiridas legalmente para treinamento de IA poderia ser considerado fair use quando a utilização fosse transformadora e o exemplar físico fosse destruído. A Anthropic, entretanto, enfrentou outra questão: o uso de livros obtidos ilegalmente de bibliotecas digitais piratas. A empresa posteriormente fechou um acordo de US$ 1,5 bilhão com autores.

A nova corrida é mais difícil de rastrear

O caso recente envolvendo a canadense Zoom Books é mais nebuloso. Desde o início de 2026, livreiros de antiguidades e de segunda mão na Europa, além de vendedores de outros países, relatam pedidos incomuns em grandes quantidades.

Entre os exemplares procurados aparecem livros de não-ficção, obras acadêmicas e títulos publicados décadas atrás, muitos deles fora de catálogo. Há relatos de pedidos automatizados realizados durante a madrugada e de compras de dezenas ou centenas de exemplares de uma só vez.

A Zoom Books afirma categoricamente que não digitaliza nem destrói livros para treinamento de IA. A empresa sustenta que os exemplares comprados são destinados ao mercado de revenda. A ausência de transparência sobre os compradores finais, contudo, dificulta verificar o destino de todos os livros.

Outro elo dessa cadeia é a ISBNdb, empresa de dados bibliográficos que chegou a oferecer publicamente serviços de aquisição de grandes quantidades de livros físicos para desenvolvedores de IA. A página mencionava compras de até 1 milhão de exemplares e descrevia a possibilidade de escanear os livros e descartá-los posteriormente. Depois da repercussão negativa, a empresa retirou o serviço do site e afirmou que se tratava de um teste de mercado que nunca chegou a ser efetivamente implementado.

O que se perde quando o livro desaparece

A controvérsia não se limita aos direitos autorais. Para livreiros e especialistas em preservação, um livro físico não é apenas um recipiente de texto.

Uma edição antiga pode conter traduções, prefácios, anotações, ilustrações, escolhas editoriais, características tipográficas e informações materiais que não são necessariamente capturadas por um modelo de IA. Quando um exemplar raro é destruído, também desaparece um objeto histórico que poderia ser consultado, restaurado, emprestado, vendido ou digitalizado novamente no futuro.

O risco é particularmente grande quando a tecnologia transforma o mercado de usados em uma espécie de mineração de dados: o livro deixa de ser tratado como patrimônio cultural e passa a ter valor principalmente pelo conteúdo textual que pode ser extraído dele.

Na Austrália, livreiros especializados também manifestaram preocupação com a destruição de exemplares raros. Alguns passaram a selecionar compradores e questionar pedidos suspeitos, justamente para evitar que obras difíceis de substituir desapareçam do acervo físico.

A contradição da era da IA

Há uma ironia no fenômeno. Durante anos, empresas de tecnologia exploraram a internet como uma fonte praticamente inesgotável de textos. Agora, à medida que a rede é contaminada por conteúdo produzido pelas próprias máquinas, cresce o valor de materiais anteriores à popularização da IA generativa.

Livros antigos oferecem aquilo que os modelos precisam: texto humano, relativamente limpo, estruturado e produzido antes da contaminação em massa da internet por conteúdo sintético. A corrida por esse material transforma sebos, livrarias e estoques esquecidos em uma nova fronteira da indústria de IA.

A digitalização, por si só, poderia representar uma forma de preservação. O problema começa quando a preservação digital exige a destruição do original — sobretudo quando se trata de obras para as quais existem poucos exemplares.

O debate, portanto, ultrapassa a pergunta sobre quem pode utilizar um livro para treinar uma máquina. A questão passa a ser quem controla a memória que está sendo digitalizada, sob quais regras e o que acontece com os originais depois que seu conteúdo é absorvido por sistemas privados.

Se a atual corrida por dados continuar em escala crescente, bibliotecas e sebos poderão enfrentar uma situação paradoxal: justamente quando a tecnologia torna possível preservar praticamente todo o conhecimento humano, a busca por alimentar as máquinas poderá eliminar fisicamente parte dos objetos que carregam essa memória.

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Celso Pinto de Melo: "Quando a vida ganhou um terceiro domínio" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/celso-pinto-de-melo-evolucao-da-ciencia.html

Arte é vida

 

Fernando Botero

Debates eleitorais na TV esclarecem pouco https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_01011503777.html 

Palavra de poeta

Desejar
Jorge de Lima  

Desejar é a contínua impulsão de mudar...
- Desfazer e fazer - que jamais se termina...
Sonhar tudo, ser tudo e de novo aspirar
A primeira ilusão que se crê e imagina...

Carne ter outra carne a sentir e apalpar,
E ser beijo que mata e gozo que assasina...
E ao ser tudo, oh! tortura, outra vez desejar
A pureza d'outrora e os tempos de menina...

O desejo do tronco é ter verdura um dia,
E ao ter verdura vir de novo a ser desnudo,
E ser tronco outra vez e não ramaria...

Desejar oh! meu Deus, nada ser e ser tudo...
Não querer e querer... Estupenda agonia:
Mudo que quer ter voz e ao ter voz quer ser mudo!

[Iustração: Gustav Klimt]

Enfim, o silêncio https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/anotacoes_01619744217.html 

10 agosto 2026

Postei nas redes

A Folha de S. Paulo, em editorial, admite que Lula se fortalece quando o Brasil é atacado pelos Estados Unidos. Mas lamenta conduta firme do governo brasileiro. Subestima a defesa da soberania nacional. 

Leia também: "A soberania nacional, por exemplo" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0138497997.html