Militância e apoiadores de Lula agigantam campanha nas redes e ruas
Juventude promove, com adesão do povo, “uma enchente amazônica” nas
avenidas; milhões engajam-se nas redes, cresce a pressão pelo fim da escala
6×1, e a campanha entra na etapa decisiva.
Editorial do 'Vermelho'
As
grandes mobilizações da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva no domingo (11) atestam o espírito de luta que tomou conta da militância
e de parcelas significativas do povo, com a juventude estudantil na linha de
frente, para virar o jogo e derrotar a extrema direita e seu candidato, Flávio
Bolsonaro. Na principal delas, a Avenida Paulista ficou totalmente lotada, numa
mobilização extraordinária, num ato chamado de Marcha pela Democracia.
Essa
mobilização de robusto impacto político-eleitoral demonstra a importância da
militância e dos apoiadores de Lula nas redes sociais, capazes de ampliar o
alcance do debate político, multiplicar a circulação de informações e responder
à atuação da extrema direita e de seus robôs. A mobilização surpreendeu pela
dimensão e eficácia, dando sentido concreto à ideia de articulação entre redes
e ruas.
Lula
convocou a militância e seus apoiadores a procurar os eleitores que não
compareceram ao primeiro turno e a ampliar o diálogo para a votação de 25 de
outubro. Ao abordar a abstenção, que atingiu aproximadamente 33,4 milhões de
eleitores, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dirigiu um apelo
especial às pessoas com mais de 70 anos, cujo voto é facultativo. “Se a pessoa
não quer votar por ela, tem que ir pelo filho, neto, bisneto e pela pátria”,
afirmou. O presidente também convocou os jovens a assumir responsabilidades na
vida pública. “Ou vocês participam da vida política ou ela não tem conserto”,
enfatizou.
De acordo
com a presidente em exercício do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Nádia
Campeão, a primeira semana do segundo turno mostrou a força das mobilizações de
rua, puxadas principalmente pela juventude, com adesão de outros segmentos
sociais. Segundo ela, a campanha também ganhou intensidade nas redes sociais,
envolvendo milhões de pessoas, enquanto a tentativa de retirar do ar o canal Exército
do Lula foi derrotada. Nádia convocou a militância para se empenhar na
mobilização digital e no trabalho de convencimento dos eleitores ainda
indecisos. “Com garra e combatividade é possível reeleger o presidente Lula”,
afirmou.
O PCdoB,
em todo país, está firmemente engajado na preparação e realização da agenda das
manifestações, contribuindo de modo relevante com o êxito alcançado. A
militância comunista, com criatividade e entusiasmo, além de atuação própria,
articula à atuação nas diferentes entidades estudantis e movimentos sociais,
ampliando o alcance da mobilização e o diálogo com parcelas da população que
ainda precisam ser convencidas.
É nesse
contexto que ganha relevo o papel organizador e de liderança da União Nacional
dos Estudantes (UNE). Reunida no dia 6 de outubro, sua diretoria decidiu lançar
a campanha Estudantes com Lula, com um calendário nacional de assembleias,
plenárias, panfletagens e manifestações até a véspera do segundo turno,
definindo tarefas concretas de mobilização, conectando o movimento estudantil à
campanha eleitoral e ao debate sobre o futuro da educação pública, da ciência e
dos direitos sociais. A presidente da UNE, Bianca Borges, sintetizou o sentido
dessa convocação: “A partir de agora é estado permanente de mobilização. Os
estudantes serão decisivos para reeleger Lula. Não sairemos das ruas!”
A União
da Juventude Socialista (UJS) e a Juventude Pátria Livre (JPL), forças
destacadas dos estudantes, cumprem papel decisivo nesta jornada vitoriosa da
UNE.
A
dimensão das manifestações foi omitida pela mídia hegemônica, com a evidente
intenção de reduzir o seu papel no clima de virada que toma conta do país. Com
isso, ela assume uma linha pró-Flávio Bolsonaro e, como fez no primeiro turno,
procura interditar o debate programático, uma tentativa de bloquear o acesso do
eleitorado aos temas que são decisivos para a sua tomada de decisão na hora do
voto. A legislação eleitoral proíbe o favorecimento indevido de candidaturas e
estabelece regras para impedir o uso dos meios de comunicação como instrumento
de desequilíbrio.
A
campanha de Lula levou à Justiça Eleitoral uma denúncia contra a Meta – controladora
do Instagram, Facebook e WhatsApp –, denunciando a empresa de restringir
seletivamente o alcance de publicações favoráveis ao presidente. O caso ganhou
dimensão judicial quando foi determinada a prestação de esclarecimentos sobre
possíveis reduções de alcance, limitações nas recomendações de conteúdo, queda
nas visualizações e desativação da conta de anúncios da campanha.
A
denúncia revela o papel das plataformas digitais no cerceamento de informações
sobre a campanha e mostra a interferência das big techs no processo
eleitoral. Vem à tona a ingerência dos Estados Unidos para favorecer Flávio
Bolsonaro, diante do total alinhamento desses monopólios com o governo Trump.
A
campanha entra na segunda semana com a exigência de intensificação das
mobilizações, sobretudo porque está pautada pelo Senado a votação da Proposta
de Emenda à Constituição (PEC) da redução da jornada de trabalho e o fim da
escala 6×1 para quarta-feira (14). Para a campanha de Lula, essa PEC tem grande
importância porque ela é um dos principais demarcadores dos campos que estão na
disputa pela sucessão presidencial.
O
candidato da extrema direita classificou a proposta como oportunista e
apresentou uma alternativa formulada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN):
contratação por hora e negociação entre patrões e trabalhadores, em vez de uma
redução geral da carga horária, com salários e benefícios proporcionais às
horas trabalhadas, sem garantia universal de dois dias de descanso remunerado.
Lula
chamou a ideia de “acordo leonino”, no qual o trabalhador não dispõe de força
suficiente para defender seus interesses. “Nada de aceitar barganha. É reduzir
a jornada de trabalho para cinco dias de trabalho e dois de descanso”,
declarou. A campanha do presidente associou a manutenção da escala aos prejuízos
para a convivência familiar, especialmente para mães que têm pouco tempo para
acompanhar os filhos.
A semana
começa com esse grande desafio: aumentar a pressão sobre Senado Federal pelo
fim da escala 6×1. Desmascarar Flávio Bolsonaro que move céus e terra para que
tenha continuidade a jornada escravizante.
O setor
jurídico da campanha do presidente Lula, juristas e advogados progressistas, o
campo democrático como um todo, aumentam a vigilância e a pressão sobre
decisões do TSE, notadamente do presidente da corte, Kassio Nunes Marques, e do
vice, André Mendonça, nitidamente para favorecer a candidatura da extrema
direita. Tal como está patente no episódio de tentar censurar o canal “Exército
do Lula”, batalha ainda pendente de veredicto definitivo.
Nesta
etapa decisiva, é preciso conversar, persuadir os/as eleitores/as. Cuidar,
também, de outras frentes de trabalho, a exemplo da ampliação dos apoios, dar
concretude a movimentos de frente ampla, nacionalmente e nos estados, no
sentido de atrair eleitores/as que relutam em votar no presidente, mas que
precisam ser persuadidos/as de que o país não pode retroagir ao passado de
destruição do bolsonarismo.
As ruas, as redes e o almoço do domingo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_02010278885.html