Acabar com as bets! Pauta do povo ocupa centro da campanha de Lula
Ao tempo em que ocupa as ruas e redes, a campanha de Lula foca a vida
concreta da população, demonstra que Flávio Bolsonaro está do lado dos ricaços
e contra o povo
Editorial do 'Vermelho'
A
campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição entrou numa fase
de maior conteúdo voltado para o povo, depois de um período em que a crise no
Supremo Tribunal Federal (STF) interditou o debate de temas que afetam
diretamente o povo e o país. A campanha trouxe ao debate público o que é
essencial: renda, trabalho, saúde, educação, direitos sociais, redução do
endividamento, o direito do povo à paz e à segurança, fim do feminicídio, entre
outras bandeiras.
É nesse
terreno concreto, no eixo da vida real, que a campanha de Lula ganhou impulso,
abordando temas como o reajuste do Bolsa Família, o anúncio, em breve, de
medidas contra as bets, as chamadas canetas emagrecedoras no Sistema
Único de Saúde (SUS) e o problema do endividamento. São questões que falam
diretamente ao cotidiano popular e recolocam a eleição diante daquilo que
realmente importa para a vida das pessoas.
O
reajuste do Bolsa Família já é fato. A partir de outubro, o benefício mínimo
passará de R$ 600 para R$ 691, uma recomposição de 15,04%, enquanto o benefício
médio estimado subirá de R$ 675 para R$ 777. O benefício por pessoa aumentará
de R$ 142 para R$ 164, o Benefício Primeira Infância passará de R$ 150 para R$
173 por criança e o Benefício Variável Familiar subirá de R$ 50 para R$ 58.
O Bolsa
Família está presente nos 5.570 municípios brasileiros e alcança 19,29 milhões
de famílias, com benefício médio de R$ 678,18 e repasses de aproximadamente R$
13 bilhões no mês. Isso significa que a transferência de renda entra
simultaneamente em milhares de cidades, bairros, pequenos estabelecimentos,
supermercados, farmácias, feiras, padarias, transportes e serviços, circulando
rapidamente em economias municipais nas quais uma parcela significativa do
consumo depende da renda das famílias mais pobres.
Estudo do
Banco Mundial divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento Social mostrou que a
expansão do programa produz efeitos positivos sobre o consumo, o emprego, a
bancarização e a arrecadação tributária. A estimativa é de que R$ 5,8 bilhões
serão injetados na economia em 2026 e cerca de R$ 22 bilhões a R$ 22,7 bilhões
por ano em 2027 e 2028.
As
medidas contra as bets completam esse movimento pelo outro
lado. Se o Bolsa Família coloca dinheiro no bolso, a luta contra a disseminação
das apostas pretende impedir que esse dinheiro seja drenado por uma perversa
engrenagem associada ao endividamento e à vulnerabilidade financeira. Lula foi
direto e inequívoco: “Se depender de mim, a gente fecha as bets.”
Em outra passagem, questionou: “Se as bets causam o mal que a
gente acha que causam, por que a gente não acaba com as bets?” “O
lucro não pode estar acima da vida das pessoas”, resumiu a deputada Jandira
Feghali (PCdoB-RJ).
Nádia
Campeão, presidente em exercício do PCdoB, aplaude a decisão do presidente Lula
de alertar o povo e mobilizar a sociedade brasileira contra as bets,
asseverando que elas estão afetando gravemente as famílias brasileiras, em
especial as mais carentes. “As apostas retiraram quase R$ 140 bilhões da
economia do país e levaram o SUS a gastar mais de R$ 30 bilhões para cuidar de
doenças como depressão e ansiedade”, afirmou.
O governo
também estuda novas medidas para ajudar as famílias a sair do endividamento. A iniciativa
dá continuidade ao Novo Desenrola Brasil, criado por Lula em maio. Essa nova
fase, em elaboração, objetiva em vez de renegociar, quitar dívidas antigas,
possivelmente, via Tesouro Nacional. Embora, ainda, sem data definida sinaliza
o compromisso do presidente Lula de oferecer máxima ajuda para as famílias
saírem do tormento das dívidas.
Sobre a
disponibilização gratuita no SUS das chamadas canetas utilizadas no tratamento
da obesidade, o governo prepara protocolo para utilização responsável dos medicamentos
e trabalha também com a expansão da produção nacional, concorrência e redução
dos preços, facilitando o acesso à saúde e potencializando a capacidade
tecnológica do país.
Flávio
Bolsonaro representa a negação dessa agenda. Ele, por exemplo, realiza uma
verdadeira cruzada contra a redução da jornada de trabalho e o fim da escala
6×1. Opõe-se, ferrenhamente, a que o/a trabalhador/a tenha mais um dia de
descanso. O partido dele, o PL, entrou na Justiça para derrubar o reajuste do
Bolsa Família. Seu programa de governo não garante o aumento real do
salário-mínimo, tampouco das aposentadorias. Deve ser desmascarado: se eleito,
será o governo dos banqueiros e dos ricaços, contra o povo e os trabalhadores,
isto é a essência de sua agenda neoliberal.
Integra a
pauta do povo a defesa da soberania nacional, que hoje significa impedir que o
Brasil e suas riquezas caiam nas garras de Donald Trump, pois Flávio Bolsonaro
é um sabujo do presidente dos Estados Unidos, um traidor da pátria. Igualmente,
o regime democrático é bandeira do povo. É na democracia que os trabalhadores e
as forças populares usufruem das condições para se organizarem, reivindicar
direitos, defender políticas públicas e decidir os rumos do país. Se eleito,
Flávio Bolsonaro, tal e qual seu pai, que se encontra preso por tentativa de
golpe, já explicitou que irá atacar as liberdades para impor um regime
autoritário-ditatorial.
Nesta reta final do primeiro turno, a frente
democrática e popular, em especial, as forças progressistas, devem ocupar com
intensidade crescente, dia a dia, até quatro de outubro, as ruas e as redes,
disseminando os compromissos de Lula, a pauta do Brasil e do povo para o futuro
e desmascarando, num combate sem tréguas, Flávio Bolsonaro. A campanha deve,
ainda, ter especial direcionamento ao eleitorado que oscila entre as duas
principais candidaturas. A mobilização nacional marcada para o próximo domingo,
dia 27, tem a importância de criar nas ruas e praças e nas redes um clima de
vibração e entusiasmo que sinalize a possibilidade concreta de vitória. E que
vá convocando, desde já, a necessidade de comparecimento maciço às urnas.
Brasil na resistência à onda neofascista https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_0863894061.html