29 setembro 2026

Palavra de poeta

DESAFIO
Jaci Bezerra   

A palavra é uma onda
aguardando o massacre,
e, antes que se esconda,
além de áspera, acre..

Nessa forma de ser
é fruto para a fome,
doendo sobre a pedra
que é e faz o homem..

A palavra é um pássaro
trinando a dura mágoa
do homem que no sáfaro
verão é pedra e água.

Nessa forma, uma porta
para amplas paisagens,
ser que é mapa e que é rota
para a exata imagem.

A palavra é uma caixa
de pássaros ardendo,
ser que a si não se basta
se é um pássaro morrendo.

Nessa forma, a lembrança
do dia, não o dia,
ser que a mão não alcança,
frágil caixa vazia,.

A palavra é um peixe,
luz de luzida escama,
ardendo como um feixe
de trigo ou uma chama.

Nessa forma, a borracha
que o tempo não consome,
comida que não basta
à boca de quem come.

A palavra é uma pedra
sofrendo no deserto,
ser que nem sempre medra
mesmo quando está perto.

A palavra é um rio
correndo sem ter margens,
ser que é mais que um fio
de luz sobre a ramagem.

Nessa forma, um tecido
de estrelas sobre a noite,
ser que dói nos sentidos
como um soco e um açoite.

[Ilustração: Adjacy Gomes]

Leia também:"A palavra", poema de Carlos Pena Filho https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/palavra-de-poeta_0129625086.html 

28 setembro 2026

Boa notícia

Lula dá largada para 19 novas unidades de institutos federais em 12 estados
Instituições estão no AL, BA, DF, MA, MG, MS, MT, PB, PE, PR, RS, SC E SP. Ao todo, SP chegará a 58 unidades — destas, 48 foram criadas nos governos Lula e Dilma, 16 somente neste mandato
Priscila Lobregatte/Vermelho   

Em sua passagem pela Zona Leste de São Paulo neste sábado (26), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou portarias de autorização para a construção ou obras de 19 novas unidades de institutos federais em 12 estados.

O ato ocorreu durante sua visita ao Instituto Federal de São Paulo (IFSP) na Zona Leste. O presidente também visitou as obras e instalações de novos campi da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

As novas unidades prontas ou em construção incluem as cidades de em Girau do Ponciano (AL), Macaúbas (BA), Santa Maria (RS), Chapadinha (MA), Balsas (MA), Amarante (MA), Paranaíba (MS), Canarama (MT), Alagoa Grande (PB), Mamanguape (PB), Sapé (PB), Queimadas (PB), Bezerros (PE),Toledo (PR), Tijucas (SC), Franco da Rocha (SP), Jaçanã (DF), Serrana (SP) e Belo Horizonte (MG).

Durante a agenda, Lula foi recebido por estudantes e moradores da região, que há décadas lutam por mais oportunidades de educação técnica e universitária.

As novas instalações do IF da Cidade Tiradentes abrigará cursos de qualificação profissional de inglês, língua portuguesa e cultura brasileira para estrangeiros, e assistente de produção cultural — que iniciaram neste mês.

A oferta de cursos técnicos de ensino médio está prevista para o ano letivo de 2027, sendo eles: informática; programação de jogos; audiovisual digital; multimídia; e design gráfico. Além desta unidade, os IFs chegam ao Jaçanã (Zona Norte) e ao Jardim Ângela (Zona Sul).

A expansão da rede pelo estado de São Paulo também alcança Carapicuíba, Cotia, Diadema, Franco da Rocha, Guarujá, Mauá, Osasco, Ribeirão Preto, Santos, São Bernardo do Campo, São Vicente, Serrana e Sumaré. Ao todo, São Paulo chegará a 58 unidades, 48 delas criadas nos governos Lula e Dilma, 16 dos quais somente neste mandato.


O estado conta ainda com 14 campi de universidades federais, dos quais dez foram criados nessas gestões.No caso do Campus Zona Leste da Unifesp, conforme o governo, haverá três grandes estruturas. A maior terá salas de aulas, laboratórios, biblioteca, auditório, espaço expositivo e outros pontos de apoio.

A média é composta por áreas acadêmicas, biblioteca, laboratórios e auditórios multifuncionais, enquanto a menor terá os laboratórios dos cursos de engenharia e arquitetura. Além disso, estão sendo construídos edifício acadêmico e administrativo, quadras de areia, coberta e descoberta e refeitório.

Em caminhada por São Miguel, Lula salientou: “Quem é que já imaginou na vida que a Zona Leste ia ter universidade federal? Pois é, tem, porque a educação é nossa prioridade”.

"Dois trunfos em favor de João Campos" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao.html

Postei nas redes

Mesmo na reta final da campanha, pesquisas apenas revelam tendências. Mas vale destacar que na mais recente pesquisa Quest, Lula avança, abre vantagem sobre Flávio e vai a 39% no 1º turno. 

A força das ruas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/lula-no-recife-e-em-maceio.html 

Dica de leitura

As ideias em segundo plano
Luciano Siqueira  

Comento brevemente o bom artigo da jornalista Heloisa Villela "Sequência de distrações e escândalos abafa confronto de ideias", na revista Liberta.

No foco, a cobertura dominante na mídia a respeito das eleições presidenciais, privada do debate político substancial porque persiste como tema central a sucessão de escândalos e factoides.

Temas cruciais para o país — como projetos de desenvolvimento, políticas sociais e propostas de governo — não são debatidos em profundidade com a população.

Concomitantemente, a "folha corrida" e o histórico de figuras políticas controversas — destacadamente o senador Flávio Bolsonaro — acabam passando quase despercebidos.

Para ler o artigo na íntegra clique aqui https://revistaliberta.com.br/digital/eleicoes-2026-escandalos-abafam-debate-de-ideias/

Leia também: A força das ruas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/lula-no-recife-e-em-maceio.html 

Humor de resistência

 

Miguel Paiva

A mídia flerta com o desastre https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/informacoes-distorcidas.html 

Soberania nacional

O Brasil não cabe no quintal de ninguém?
Caso Lula se eleja, o problema não estará resolvido; não estamos bem preparados para enfrentamentos militares
Paulo Nogueira Batista Jr./Vermelho      

No seu discurso na ONU, o presidente Lula soltou a frase: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém!” e foi interrompido por aplausos. Fiquei honrado com o fato de ele ter recorrido ao título de um livro meu, de 2019. A frase parece estar se tornando um slogan da campanha eleitoral. Quase desmaiei, cravejado de brilhantes, como diria Nelson Rodrigues.

Mas a frase é muito mais do que um slogan. Ela alude, primeiramente, às dimensões do nosso país, que é um dos gigantes do mundo. Temos o quinto maior território do planeta, a sétima maior população e o oitava economia do mundo. O Brasil faz parte de um grupo de apenas cinco países, juntamente com China, Índia, Rússia e Estados Unidos, que integram a lista das dez maiores nações em termos territoriais, demográficos e econômicos. Temos, também, imensas reservas de terras raras e minerais críticos, urânio, petróleo, minério de ferro, entre outros minerais. Temos a maior biodiversidade do mundo. Temos, além disso, uma belíssima tradição cultural nacional, que suscita a admiração de outros países. E, como se não bastasse, temos os brasileiros, um povo admirável em muitos sentidos, entre os quais humanidade, simpatia, cordialidade, criatividade e capacidade de trabalho. 

E, no entanto, o leitor ou leitora há de ter reparado que eu coloquei um ponto de interrogação no título deste artigo. Por quê? É que a soberania e a integridade nacionais estão ameaçadas como nunca. Por dois motivos interligados. Primeiro, porque concorre à Presidência um Flávio Bolsonaro, que cabe no quintal de qualquer um. E disputa com chance de vencer, a julgar pelas pesquisas. Trata-se de um político que, entre muitos defeitos graves, se apresenta, sem nenhuma vergonha, como candidato a vassalo dos EUA de Trump! Basta lembrar que ele ofereceu generosamente criar, em caso de vitória eleitoral, “uma equipe de transição à disposição do governo americano”! Por incrível que possa parecer, essas foram as palavras textuais de uma carta de agradecimento de Marco Rubio, ministro das relações exteriores de Trump.

Há um agravante – e este é o segundo motivo do ponto de interrogação –  a fase em que se encontram os EUA, que seguem um imperialismo agressivo e intervencionista, que tem sido referido por alguns analistas, entre eles Vijay Prashad, como hiperimperialismo. Basta lembrar o que aconteceu na Venezuela, transformada em protetorado dos EUA. O governo Trump não esconde, antes proclama, as suas intenções. Afirmou em documentos oficiais e diversos pronunciamentos do presidente e seus ministros que o Hemisfério Ocidental, da Groenlândia à Patagonia, é sua área de influência exclusiva. Essa hegemonia sobre o hemisfério não estará completa sem a submissão do Brasil, o maior país da América Latina. 

A forma mais fácil de alcançar esse objetivo é eleger um Flávio Bolsonaro. O Brasil será conquistado sem a necessidade de disparar um tiro sequer!

Caso Lula se eleja, o problema não estará resolvido. A verdade é que não estamos bem preparados para enfrentamentos militares. O problema é antigo. Escrevi a respeito em um dos capítulos de O Brasil não cabe no quintal de ninguém, sob o título “Um país desarmado”. Suponho que Lula e sua equipe estejam totalmente conscientes da urgência de reforçar a defesa nacional. Imagino que o esforço já tenha começado, ao menos em 2026, depois do que vimos na Venezuela, em Cuba e no Irã. Com base em nossos próprios recursos, reforçados por cooperação militar e tecnológica com países como França, Turquia, Irã, Rússia e China, e com um esforço concentrado do governo e do país, teremos condições de superar essa vulnerabilidade estratégica.

E retirar o ponto de interrogação da frase.

A força das ruas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/lula-no-recife-e-em-maceio.html

Minha opinião

Como o céu é do condor
Luciano Siqueira      

O gosto indescritível do calor do asfalto e do abraço suado de muitos amigos e amigas ou simplesmente militantes da mesma causa que nos identificamos por adesivos colados na blusa vermelha. 

Encontros e reencontros. 

Em mais uma campanha eleitoral marcada pelo sobrepeso da comunicação digital, reencontrar a multidão nas ruas é revisitar a História e a nossa própria militância ao longo de décadas. 

Sexta-feira última, no Recife, em torno de Lula e dos aliados locais João Campos, candidato a governador, postulantes ao Senado Humberto Costa e Marília Arraes e uma penca que peleja por um mandato de deputado federal ou estadual — na minha escolha, Renildo Calheiros 6513 e Cida Pedrosa 65113 —,  nossa luta ganhou impulso movida pela consciência e pelo afeto.

Sim, aludindo Castro Alves, a praça ainda é do povo!

Na reta final detalhes importam https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01182604884.html