10 junho 2026

Palavra de poeta

Aqui eu te amo

Pablo Neruda   

Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento.
Fosforece a lua sobre as águas errantes.
Andam dias iguais a perseguir-se.

Descinge-se a névoa em dançantes figuras.
Uma gaivota de prata se desprende do ocaso.
As vezes uma vela. Altas, altas, estrelas.

Ou a cruz negra de um barco.
Só.
As vezes amanheço, e minha alma está úmida.
Soa, ressoa o mar distante.
Isto é um porto.
Aqui eu te amo.

Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte.
Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas.
As vezes vão meus beijos nesses barcos solenes,
que correm pelo mar rumo aonde não chegam.

Já me creio esquecido como estas velha âncoras.
São mais tristes os portos ao atracar da tarde.
Cansa-se minha vida inutilmente faminta..
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.

Meu tédio mede forças com os lentos crepúsculos.
Mas a noite enche e começa a cantar-me.
A lua faz girar sua arruela de sonho.

Olham-me com teus olhos as estrelas maiores.
E como eu te amo, os pinheiros no vento,
querem cantar o teu nome, com suas folhas de cobre.

[Ilustração: Jean François Millet]

O tempo nosso de cada instante https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/minha-opiniao_62.html 

Postei nas redes

Na grande mídia neoliberal, patéticos lamentos porque Ronaldo Caiado e Romeu Zema demonstram timidez em defender suas próprias ideias (quais?) para o país e, assim, não confrontem a decadente pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. 

A conta do crime https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-opiniao_0545037487.html 

Com que time?

A bola vai rolar
Qual será a escalação e a estratégia que Ancelotti vai usar na estreia? Fragilidade defensiva pelos lados pode ser um grande problema
Tostão/Folha de S. Paulo 

Quem vai ganhar o Mundial? Tudo é incerto. "Tudo parece fácil e concatenado quando ganhamos; tudo parece disperso e difícil quando perdemos. No entanto, é por tão pouco que se ganha ou se perde. O apito final estabiliza violentamente aquilo que, no transcorrer do jogo, parece um rio catastrófico de mil possibilidades, a nos arrastar com ele", escreveu o filósofo e artista plástico Nuno Ramos.

Qual será a escalação e a estratégia que Ancelotti vai usar na estreia? No jogo contra o Egito, além da eficiente marcação por pressão, Bruno Guimarães, Paquetá e Raphinha, amparados por Casemiro, trocaram belíssimos passes e deram ótimas enfiadas de bolas para os atacantes Vinicius Junior e Igor Thiago. O centroavante enrolou-se com a bola e perdeu duas claras chances de gols. Vini também finalizou mal.

Durante a partida, ao ver o quarteto formado por Casemiro, Bruno, Paquetá e Raphinha, lembrei-me de outro excepcional quarteto, o da Copa de 1982, com Cerezo, Falcão, Zico e Sócrates. Não havia também pontas abertos, pois Eder pela esquerda e Paulo Izidoro pela direita se deslocavam muito para o centro.

Por outro lado, ainda mais depois da contusão de Wesley, o Brasil, contra o Egito, não teve alguém pela direita para defender e atacar nem um jogador pela esquerda que voltasse para marcar, pois Vini e Raphinha atuaram próximos e no ataque. A fragilidade defensiva pelos lados pode ser um grande problema na estreia. Marrocos é muito forte pelas pontas.

Uma opção seria retornar à estratégia dos jogos anteriores, com Matheus Cunha mais recuado e marcando pela esquerda, além de um ponta pela direita (Rayan ou Luiz Henrique). Sairia o centroavante Igor Thiago e Vini e Raphinha fariam a dupla de ataque. Nessa formação, Raphinha não foi bem contra o Panamá, muito centralizado e de costas para o gol. Uma alternativa será a formação de um trio no meio campo, com Casemiro pelo centro, Bruno Guimarães de um lado e Paquetá de outro.

Endrick entrou no segundo tempo contra o Egito e fez um gol decisivo.

Um leitor, ao lembrar o personagem Zé da Galera, criado por Jô Soares durante a Copa de 1982, que ligava para o técnico Telê Santana de um orelhão para reclamar, "Bota ponta, Telê!", me disse que queria fazer algo parecido, telefonar para o técnico e falar: Ancelotti, coloca o Endrick!

O Brasil é um dos candidatos ao título porque possui alguns jogadores que estão entre os melhores da posição do mundo e porque tem um técnico excelente e experiente. Não é por causa do penta nem por ser conhecido como um país que joga um futebol bonito.

Antes da estreia da seleção brasileira na Copa de 1970, Pelé e todos os jogadores, sem relação comercial, usavam, por ser a melhor, a mesma chuteira de uma marca de material esportivo. Aí surgiu um grande problema. Pelé fez um contrato com outra empresa, que tinha uma chuteira que não era tão confortável quanto a outra. O roupeiro da seleção encontrou uma ótima solução: tirou a marca que identificava a chuteira que Pelé costumava usar e colocou a marca da empresa com a qual ele tinha feito o contrato.

Todos gostaram. Pelé e todos nós jogamos com a chuteira que preferíamos, o Brasil foi campeão e as duas empresas ficaram satisfeitas.

Qual a sua opinião? Assine seu comentário para que possamos publicá-lo.

A postura coletiva dos campeões https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/selecao-quem-vai-copa.html 

Minha opinião

Por enquanto, a Copa não emociona
Luciano Siqueira   
instagram.com/lucianosiqueira65   

Os apaixonados pelo futebol, que torcem e se emocionam em qualquer circunstância, certamente dirão que ainda é cedo. Quando a Copa efetivamente começar, na próxima quinta-feira, o clima em relação ao evento mudará.

Será?

Não sou ignorante nem noviço na matéria. Guardo na memória a Copa do Mundo de 1954, transmitida pelas ondas do rádio em autofalante que meu pai instalou na esquina da Mercearia Natalense, cruzamento das ruas Alberto Silva e São João, na Lagoa Seca, Natal.

Depois, a Copa de 1958 e as tantas outras que se seguiram, cercada de um clima de expectativa generalizada - inclusive entre os que de futebol apenas sabem que a bola é esférica -, torcendo pelo time e dando palpite sobre a escalação.

Havia uma intimidade coletiva entre grande parte dos brasileiros e brasileiras a ponto de Nelson Rodrigues asseverar que a seleção canarinho seria, comprovadamente, “a Pátria de chuteiras”.

Era. Hoje nem tanto.

Começa pelo tamanho da competição - 48 seleções em três países – e por uma particularidade de nosso selecionado: a maioria dos torcedores, mesmo os mais atentos, conhece pouco ou nada de uma parcela dos atletas convocados. Boa parte do elenco faz sua carreira na Europa e até na Ásia, tendo saído daqui no iniciozinho da carreira.

O fato é que a cidade ainda não exibe o brilho verde-amarelo, para elem. das lojas especializadas e bancas de vendedores ambulantes.

Há exceções, como a padaria aqui da esquina, ornamentada de verde-amarelo mesclado com motivos juninos, mas de um mau gosto tamanho que in cômoda, não entusiasma.

Talvez até pouco consciente seja também certa repulsa disseminada mundo afora, inclusive em nosso país tropical, a figura de Donald Trump e a verdadeira guerra em que está empenhado o departamento de imigração, constrangendo muita gente que dessem barca nos Estados Unidos para participar do evento.

Tem mais: se na estreia contra o Marrocos o Brasil não for bem, será difícil superar, pelo menos por enquanto, esse estranho clima morno.

[Ilustração: Maria Lassnig]

Qual a sua opinião? Assine seu comentário para que possamos publicá-lo.

O corpo, a técnica e a alma no futebol https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/selecao-alternativas-taticas.html 

Sylvio: como assim?

O deputado Nicolas ultrapassou todos os limites externando sua preferência pelos políticos de direita. Segundo ele, são mais bonitos e cheirosos. Afinal, qual é a tua Nicolas ?

Sylvio Belém 

Sem eira nem beira. Será? https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Enio Lins opina

Quando a censura aponta para um perigo ainda maior
Enio Lins     

MAS NÃO É QUE um ministro (Nunes, nomeado por Jair), atualmente na presidência do Tribunal Superior Eleitoral, suspendeu a divulgação dos resultados de uma pesquisa AtlasIntel que apontou o desabamento das intenções de voto para o filho do Jair? Os dados da pesquisa são sobejamente conhecidos desde 19 de maio. Devidamente registrada, a enquete ouviu 5.032 eleitores e eleitoras entre 13 e 18 de maio, com o fito anunciado – óbvio – de aferir o impacto da negociata gravada entre o banqueiro-presidiário Vorcaro e Flavito, o candidato-filho do presidiário Jair. Nada mais acertado que proceder a medição dos efeitos daquele torpedo no sentimento do eleitorado.

DURANTE 21 DIAS,
 os resultados dessa pesquisa – legal e legítima – foram divulgados, pois existia permissão judicial para isso, posto todos os ritos exigidos pela lei terem sido cumpridos. Os questionários comprovaram o previsto pelo bom senso: um baque da peste na candidatura de Flávio B. Apontaram também para um provável melhor desempenho no segundo turno de qualquer outro nome, dentre as inexpressividades bolsonaristas, do que o filhinho de papai presidiário. Como toda pesquisa, descortina apenas o momento no qual foi aplicada, e a queda de Flavito pode ter sido eventual, e a comparação com as futuras enquetes identificará se a rejeição à corrupção bolsonarista-Master foi efêmera. Uma sondagem natural e lídima.

FOI UM TIRO NO PRÓPRIO PÉ 
disparado pelo ministro nomeado por Bolsonaro. Tiro duplo. Autotiro 1: A decisão do ministro nomeado por Bolsonaro em censurar a quase-velha pesquisa chamou mais atenção sobre os resultados e sobre quanto incomodaram ao bolsonarismo, provocando uma enxurrada de replicações dos dados cuja divulgação esmaecia depois de 21 dias de abordagens. Autotiro 2: a decisão do ministro nomeado por Bolsonaro expõe escandalosamente o magistrado e seus próximos, escancarando as portas da corte, de banda a banda, para a visualização de movimentos internos no TSE cuja máxima discrição seria o ideal para os bolsonaristas.

VÊ-SE, COM NITIDEZ, 
pelo noticiário em todas os formatos de mídia, que o atual presidente do TSE, um ministro do STF nomeado por Bolsonaro, trouxe o outro ministro do STF nomeado por Bolsonaro (Mendonça), também integrando o Tribunal Superior Eleitoral, para fazer dupla num colegiado de três que julgará uma questão crucial: a propaganda eleitoral! Dois ministros identificados como terrivelmente bolsonaristas num fórum de três é de lascar. As lupas focam também no fato, quase despercebido, que duas outras ações, movidas contra o galopar de Flavito B em torno do filme-crime Dark Horse, foram parar na mesa de um mesmo ministro indicado por Bolsonaro (matéria no site https://valor.globo.com/). Enxerga-se ainda mais – através de reportagem na direitista 
revista Oeste, dentre outros veículos destros – que o indicado por Bolsonaro teria nomeado uma juíza, apontada como namorada de um ministro indicado por Lula (Toffoli), para um cargo comissionado especialmente criado no TSE nessa gestão Nunes-Mendonça, induzindo – a Oeste e outras mídias de direita – com esse gesto a suspeição de cooptação da autoridade indicada pelo petista (em 2009) para decisões em 2026. Valei-nos Padim Pade Ciço!

NÃO É JUSTO ANTECIPAR
 julgamentos. A conduta geral – e não um fato isolado – dos magistrados indicados pelo presidiário Jair é o que vai balizar as avaliações sobre a atuação deles no Tribunal Superior Eleitoral. A coisa não começa bem, é verdade, mas teremos muito chão (quente) pela frente, inclusive várias pesquisas próximas. Toda vigilância será pouca, como já se percebe. Vamos adiante, como dizia o slogan do saudoso Marcos Freire na campanha vitoriosa ao Senado por Pernambuco, em 1974: sem ódio e sem medo.

Qual a sua opinião? Assine seu comentário para que possamos publicá-lo.

Por que os Estados Unidos querem atingir o Pix? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/trump-contra-o-pix.html

Dica de leitura

Tecnologias quânticas 

Em sua coluna no portal Vermelho, que reproduzimos aqui no blog, a ministra Luciana Santos destaca o impacto estratégico da física quântica no cenário global: computação, criptografia e sensores quânticos estão redefinindo a segurança nacional e a economia mundial. Um desafio para o Brasil, que há que encarar o desafio atento à soberania nacional, apoiando-se em base científica sólida, com pesquisadores de excelência e institutos de ponta dedicados ao tema. Isto significa a ampliação de investimentos públicos e privados destinados a transformar o conhecimento científico em soluções industriais concretas. Isto mediante eficiente articulação entre governo, academia e empresas. Leia aqui https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/palavra-de-luciana_0673507353.html

[LS]