13 outubro 2026

Dica de leitura

Petrobras sob risco  

Até que desminta temporariamente, como tem feito em relação a outros propósitos questionáveis, o senador e candidato da extrema direita à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), propõe a privatização da Petrobras.

É o que comenta Iago Montalvão em artigo no Portal Grabois https://grabois.org.br/2026/10/09/flavio-bolsonaro-defendeu-privatizacao-da-petrobras-entenda-as-consequencias/

A hipótese, na prática, encareceria significativamente o custo de vida da população.

Demais, a Petrobras detém mais de 80% da oferta de compromissos e combustíveis no Brasil. Foi a mudança na política de preços adotada a partir de 2023 (no governo Lula) que permitiu amortecer choques internacionais do petróleo, protegendo parcialmente o mercado interno. (LS)

Divisor de águas e um passo adiante https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/fim-da-escala-6x1.html 

Minha opinião

Sinceridade tecnicamente imperfeita
Luciano Siqueira       

As imperfeições técnicas eu verifico na infinidade de vídeos que circulam nas redes sociais produzidas espontaneamente por militantes em campanha pela reeleição do presidente Lula.

E cá com meus botões de quem não conhece as técnicas e as leis específicas da comunicação digital, embora dela participe intensamente — tendo como principal instrumento o Blog de Luciano Siqueira —, prefiro as peças "artesanais" ao invés de apurada técnica.

O advento do celular tornou seus usuários todos potencialmente fotógrafos. Fazem-se fotos de tudo — bem feitas ou não.

Na sequência, as redes sociais de fácil manuseio nos tornaram a todos cinegrafistas amadores.

Então, há uma espécie de dupla intimidade — a do fácil contato pessoal à distância com centenas e até milhares de frequentadores das redes; e a do contato direto, olhos nos olhos, pessoal e insubstituível.

Nos meios digitais, óbvio que peças muito bem produzidas nos enchem os olhos e talvez nós convençam mais facilmente porque mexem com os nossos cinco sentidos.

Mas sem desprezá-las, sigamos na militância digital apoiada em peças improvisadas e imperfeitas, mas convincentes, com a regularidade que a vida permite.

Neste exato momento, dando prioridade absoluta a difusão de ideias e ao debate em favor da reeleição do presidente Lula.

Leia também Agiganta-se a campanha de Lula nas redes e nas ruas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/editorial-do-vermelho_0368111707.html

Editorial do 'Vermelho'

Militância e apoiadores de Lula agigantam campanha nas redes e ruas
Juventude promove, com adesão do povo, “uma enchente amazônica” nas avenidas; milhões engajam-se nas redes, cresce a pressão pelo fim da escala 6×1, e a campanha entra na etapa decisiva.
Editorial do 'Vermelho'    

As grandes mobilizações da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no domingo (11) atestam o espírito de luta que tomou conta da militância e de parcelas significativas do povo, com a juventude estudantil na linha de frente, para virar o jogo e derrotar a extrema direita e seu candidato, Flávio Bolsonaro. Na principal delas, a Avenida Paulista ficou totalmente lotada, numa mobilização extraordinária, num ato chamado de Marcha pela Democracia.

Essa mobilização de robusto impacto político-eleitoral demonstra a importância da militância e dos apoiadores de Lula nas redes sociais, capazes de ampliar o alcance do debate político, multiplicar a circulação de informações e responder à atuação da extrema direita e de seus robôs. A mobilização surpreendeu pela dimensão e eficácia, dando sentido concreto à ideia de articulação entre redes e ruas.

Lula convocou a militância e seus apoiadores a procurar os eleitores que não compareceram ao primeiro turno e a ampliar o diálogo para a votação de 25 de outubro. Ao abordar a abstenção, que atingiu aproximadamente 33,4 milhões de eleitores, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dirigiu um apelo especial às pessoas com mais de 70 anos, cujo voto é facultativo. “Se a pessoa não quer votar por ela, tem que ir pelo filho, neto, bisneto e pela pátria”, afirmou. O presidente também convocou os jovens a assumir responsabilidades na vida pública. “Ou vocês participam da vida política ou ela não tem conserto”, enfatizou.

De acordo com a presidente em exercício do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Nádia Campeão, a primeira semana do segundo turno mostrou a força das mobilizações de rua, puxadas principalmente pela juventude, com adesão de outros segmentos sociais. Segundo ela, a campanha também ganhou intensidade nas redes sociais, envolvendo milhões de pessoas, enquanto a tentativa de retirar do ar o canal Exército do Lula foi derrotada. Nádia convocou a militância para se empenhar na mobilização digital e no trabalho de convencimento dos eleitores ainda indecisos. “Com garra e combatividade é possível reeleger o presidente Lula”, afirmou.

O PCdoB, em todo país, está firmemente engajado na preparação e realização da agenda das manifestações, contribuindo de modo relevante com o êxito alcançado. A militância comunista, com criatividade e entusiasmo, além de atuação própria, articula à atuação nas diferentes entidades estudantis e movimentos sociais, ampliando o alcance da mobilização e o diálogo com parcelas da população que ainda precisam ser convencidas.

É nesse contexto que ganha relevo o papel organizador e de liderança da União Nacional dos Estudantes (UNE). Reunida no dia 6 de outubro, sua diretoria decidiu lançar a campanha Estudantes com Lula, com um calendário nacional de assembleias, plenárias, panfletagens e manifestações até a véspera do segundo turno, definindo tarefas concretas de mobilização, conectando o movimento estudantil à campanha eleitoral e ao debate sobre o futuro da educação pública, da ciência e dos direitos sociais. A presidente da UNE, Bianca Borges, sintetizou o sentido dessa convocação: “A partir de agora é estado permanente de mobilização. Os estudantes serão decisivos para reeleger Lula. Não sairemos das ruas!”

A União da Juventude Socialista (UJS) e a Juventude Pátria Livre (JPL), forças destacadas dos estudantes, cumprem papel decisivo nesta jornada vitoriosa da UNE.

A dimensão das manifestações foi omitida pela mídia hegemônica, com a evidente intenção de reduzir o seu papel no clima de virada que toma conta do país. Com isso, ela assume uma linha pró-Flávio Bolsonaro e, como fez no primeiro turno, procura interditar o debate programático, uma tentativa de bloquear o acesso do eleitorado aos temas que são decisivos para a sua tomada de decisão na hora do voto. A legislação eleitoral proíbe o favorecimento indevido de candidaturas e estabelece regras para impedir o uso dos meios de comunicação como instrumento de desequilíbrio.

A campanha de Lula levou à Justiça Eleitoral uma denúncia contra a Meta – controladora do Instagram, Facebook e WhatsApp –, denunciando a empresa de restringir seletivamente o alcance de publicações favoráveis ao presidente. O caso ganhou dimensão judicial quando foi determinada a prestação de esclarecimentos sobre possíveis reduções de alcance, limitações nas recomendações de conteúdo, queda nas visualizações e desativação da conta de anúncios da campanha.

A denúncia revela o papel das plataformas digitais no cerceamento de informações sobre a campanha e mostra a interferência das big techs no processo eleitoral. Vem à tona a ingerência dos Estados Unidos para favorecer Flávio Bolsonaro, diante do total alinhamento desses monopólios com o governo Trump.

A campanha entra na segunda semana com a exigência de intensificação das mobilizações, sobretudo porque está pautada pelo Senado a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 para quarta-feira (14). Para a campanha de Lula, essa PEC tem grande importância porque ela é um dos principais demarcadores dos campos que estão na disputa pela sucessão presidencial.

O candidato da extrema direita classificou a proposta como oportunista e apresentou uma alternativa formulada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN): contratação por hora e negociação entre patrões e trabalhadores, em vez de uma redução geral da carga horária, com salários e benefícios proporcionais às horas trabalhadas, sem garantia universal de dois dias de descanso remunerado.

Lula chamou a ideia de “acordo leonino”, no qual o trabalhador não dispõe de força suficiente para defender seus interesses. “Nada de aceitar barganha. É reduzir a jornada de trabalho para cinco dias de trabalho e dois de descanso”, declarou. A campanha do presidente associou a manutenção da escala aos prejuízos para a convivência familiar, especialmente para mães que têm pouco tempo para acompanhar os filhos.

A semana começa com esse grande desafio: aumentar a pressão sobre Senado Federal pelo fim da escala 6×1. Desmascarar Flávio Bolsonaro que move céus e terra para que tenha continuidade a jornada escravizante.

O setor jurídico da campanha do presidente Lula, juristas e advogados progressistas, o campo democrático como um todo, aumentam a vigilância e a pressão sobre decisões do TSE, notadamente do presidente da corte, Kassio Nunes Marques, e do vice, André Mendonça, nitidamente para favorecer a candidatura da extrema direita. Tal como está patente no episódio de tentar censurar o canal “Exército do Lula”, batalha ainda pendente de veredicto definitivo.

Nesta etapa decisiva, é preciso conversar, persuadir os/as eleitores/as. Cuidar, também, de outras frentes de trabalho, a exemplo da ampliação dos apoios, dar concretude a movimentos de frente ampla, nacionalmente e nos estados, no sentido de atrair eleitores/as que relutam em votar no presidente, mas que precisam ser persuadidos/as de que o país não pode retroagir ao passado de destruição do bolsonarismo.

As ruas, as redes e o almoço do domingo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_02010278885.html 

Dica de leitura

Vale ler n'O Globo de hoje o artigo  "Não é opinião, são os fatos - País pode optar por ignorar o histórico familiar e levar Flávio Bolsonaro ao Planalto. Mas os fatos até aqui permitem dizer que a democracia correrá riscos", de Miriam Leitão https://oglobo.globo.com/blogs/miriam-leitao/coluna/2026/10/nao-e-opiniao-sao-os-fatos.ghtml Dá a medida das ameaças antidemocráticas do candidato da extrema direita. (LS)

Palavra de poeta

bolas de vidro 
Cida Pedrosa    

sob as patas dos cavalos 
o asfalto de vidro 
derrapa a farda 
 
os meninos brincam 
com bolas de gude 
 
os soldados de chumbo 
em posição de ataque 
empinam cachorros 
e sacam baionetas 
 
as meninas escondem a bailarina 
da caixinha de música 
 
os teus olhos encontram os meus 
entre nós: lágrimas e caos 
 
chove chuva de sal no sol 
é o casamento da raposa 
 
as pernas se movem 
em direção ao mar 
 
nos ouvidos 
latidos sirenes solidão 
 
asas nos transportam para a aurora 
 
o capibaribe é ponto de esconder 
as pontes são pontes de arribação
 
[Ilustração: David Alfaro Siqueiros]
 
Leia também: Tática e estratégia", poema de Mario Benedetti https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/palavra-de-poeta_01981889074.html 

12 outubro 2026

O parlamento e as ruas

Faz campanha e governa
Luciano Siqueira    

Um presidente em campanha pela reeleição, governante que segue trabalhando. Assim faz Lula, de olhos atentos sobre a tramitação de duas matérias da maior importância no Congresso Nacional: a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) pelo fim da escala de trabalho 6×1 e o avanço da PEC da Segurança Pública.

A expectativa dominante é de que o Senado aprovará o fim da escala (que prevê dois dias de descanso semanais sem redução salarial).

A votação separará o joio e o trigo: qual será a posição do candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro, e seus aliados?

Também PEC da Segurança Pública, que também pode avançar na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, propiciará o fortalecimento da atuação do governo federal e da cooperação de inteligência contra o crime organizado e as facções que controlam territórios e presídios, respeitando as autonomias estaduais.

Sigamos o presidente Lula – com um olhar nas ruas e nas redes, avançando na campanha; e o outro na batalha parlamentar.

Os dados da pesquisa Ipespe: empate técnico? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/mais-uma-pesquisa-empate-tecnico.html  

Humor de resistência

 

Miguel Paiva

Divisor de águas e um passo adiante https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/fim-da-escala-6x1.html