09 maio 2026

Trump na encruzilhada

O duplo isolamento de Trump
Hubert Alquéres /Revista Será?      

A guerra com o Irã já não pode ser descrita apenas como um conflito aberto sem horizonte. Após semanas de escalada, entrou em uma fase de cessar-fogo precário e negociação inconclusa, sem que Donald Trump possa proclamar uma vitória. É nesse contexto que o fator tempo ganha importância e, nele, quem parece jogar sob maior pressão é o presidente americano. O calendário político interno, somado à necessidade de apresentar resultados concretos à opinião pública e às elites de Washington, encurta seu horizonte de ação e reduz sua margem de manobra.

Do outro lado, o Irã opera sob lógica distinta. Teerã aposta no prolongamento deliberado das tratativas como instrumento de desgaste. Ao estender o impasse, eleva o custo político de uma eventual frustração para os Estados Unidos, explora fissuras no debate interno americano e transforma a urgência de Trump em vantagem estratégica própria. A trégua existente não eliminou esse padrão: o Estreito de Ormuz continua sob tensão, e a incerteza sobre o fluxo de energia preserva o poder de barganha iraniano.

A história das guerras modernas ensina que derrotas raramente são decretadas por um único evento no campo de batalha. Elas se consolidam, sobretudo, quando se abre um descompasso entre os objetivos políticos e os resultados efetivamente alcançados. É sob essa lente que o conflito com o Irã vem se convertendo em um problema estratégico de grandes proporções para Donald Trump, marcado por um fenômeno particularmente corrosivo: o duplo isolamento, interno e externo.

A rigor, o presidente americano entrou em uma enrascada da qual ainda não delineou uma saída clara. Apostava em uma campanha rápida, de baixo custo e com desfecho politicamente administrável. Enganou-se. Segundo reportagem do New York Times, Trump foi exposto, na reunião com Benjamin Netanyahu realizada na Casa Branca em 26 de fevereiro, a uma leitura excessivamente otimista do cenário: o Irã não teria capacidade de fechar o Estreito de Ormuz e o regime dos aiatolás estaria próximo de um colapso precipitado por manifestações populares. Essa visão foi contestada por representantes das Forças Armadas, da comunidade de inteligência e por assessores próximos ao presidente. Trump decidiu avançar assim mesmo.

Em guerras assimétricas, o simples fato de o lado mais fraco sobreviver já altera a equação estratégica. É o que se observa. As previsões de um desfecho rápido não se confirmaram. A resiliência do regime iraniano e o grau de coesão interna da população surpreenderam Washington. A começar pelo próprio presidente, que passou a oscilar entre anúncios de paz iminente, ameaças de retomada de ações militares “com intensidade muito maior” e gestos de recuo operacional.

Mais grave, o conflito revelou-se muito mais custoso do que o previsto. Não em perdas humanas diretas para os Estados Unidos, mas em termos geopolíticos, econômicos e diplomáticos. A guerra dissemina tensões pelo Oriente Médio, pressiona a economia global e produz atritos com aliados históricos. Trump enfrenta, assim, um impasse clássico: uma guerra que não produz vitória clara e cujo custo aumenta à medida que se prolonga.

Esse impasse torna-se ainda mais delicado quando observado pelo prisma doméstico. Pesquisa Reuters/Ipsos do fim de abril mostrou aprovação de apenas 34%, o nível mais baixo do atual mandato, com queda na avaliação da condução da guerra e do custo de vida. Diferentemente de outros momentos, Trump já não enfrenta apenas a oposição tradicional, mas sinais consistentes de desgaste também no interior de sua própria base.

O movimento Make America Great Again, que sustentou sua ascensão política com forte discurso contrário a intervenções externas prolongadas, começa a apresentar fissuras. Setores mais identificados com o isolacionismo veem no conflito uma contradição direta com a promessa de evitar “guerras intermináveis”. Outros defendem a demonstração de força como parte da liderança americana. Essa divisão corrói o capital político do presidente e reduz sua capacidade de mobilização.

As mobilizações do movimento No Kings, por sua vez, deixaram de ser mera hipótese de descontentamento difuso e ganharam escala nacional, com mais de 3.200 atos planejados em todos os 50 estados no fim de março, em protestos contra políticas de Trump, inclusive a guerra com o Irã. A combinação entre desgaste com o conflito, aumento do custo de vida impulsionado pela instabilidade energética e ausência de resultados concretos cria um ambiente político adverso. A experiência americana mostra que conflitos longos e inconclusos tendem a se converter em passivos eleitorais difíceis de administrar.

Se o front interno já apresenta sinais de deterioração, o cenário internacional amplia ainda mais o isolamento. A dificuldade em construir ou preservar uma coalizão robusta evidencia a perda de legitimidade da ação americana. Aliados tradicionais demonstram crescente resistência, e o distanciamento de algumas lideranças europeias simboliza um problema mais amplo: a dificuldade de Washington de alinhar interesses mesmo entre parceiros historicamente próximos. As tensões em torno da OTAN e da segurança marítima no Golfo reforçam essa percepção.

Nesse contexto, a estratégia de intensificar a pressão sobre o Irã e reagir com mais dureza a tentativas de contornar sanções produziu efeitos colaterais importantes. O mais significativo foi o endurecimento da China, que passou a adotar discurso mais assertivo contra o unilateralismo americano e a sinalizar disposição para proteger seus interesses na região. De maneira silenciosa, Pequim amplia seu espaço de influência no Oriente Médio.

Paradoxalmente, um dos maiores beneficiários desse processo pode ter sido o próprio Irã. Ao explorar sua posição estratégica e sua capacidade de influenciar o fluxo de energia global por meio do Estreito de Ormuz, o país transformou vulnerabilidade em poder de barganha. Mesmo após o cessar-fogo, a simples possibilidade de restrição ao tráfego de petróleo continua suficiente para impactar mercados e impor custos indiretos aos adversários.

O conjunto desses fatores revela uma inversão clássica: uma potência que inicia um conflito para demonstrar força termina confrontada com os limites de sua capacidade de impor resultados políticos. Mesmo eventuais sucessos militares pontuais tornam-se insuficientes diante do desgaste acumulado em múltiplas frentes. A distância entre vitória tática e fracasso estratégico aumenta à medida que o tempo joga contra quem apostava em rapidez e controle.

Não por acaso, a Casa Branca procura preservar frentes diplomáticas em outras áreas. O encontro de Trump com Lula, em Washington, ajuda a compor uma imagem de interlocução e normalidade, mas não altera o dado central: a política externa americana segue condicionada pelo desgaste produzido pelo impasse com o Irã.

É nesse cenário que emerge o elemento mais delicado para a Casa Branca: a busca por uma saída. Toda guerra exige, em algum momento, uma solução que permita encerrá-la com algum grau de legitimidade e preservação de poder. No caso de Trump, essa saída torna-se cada vez mais difícil de delinear. Encerrar o conflito sem resultados claros pode ser interpretado como recuo; prolongá-lo implica aprofundar custos e desgaste.

A própria oscilação operacional americana ilustra esse problema. Trump chegou a pausar a operação destinada a reabrir a navegação em Ormuz, alegando “grande progresso” rumo a um acordo abrangente com o Irã. O gesto mostra menos uma estratégia consolidada do que a dificuldade de sustentar simultaneamente a pressão militar e a busca de acomodação diplomática.

A retórica do presidente, longe de facilitar esse caminho, tende a agravá-lo. Ameaças de retomada da guerra com intensidade ampliada ou formulações grandiloquentes não apenas elevam a tensão, como reforçam a percepção de imprevisibilidade e afastam potenciais mediadores. Em vez de construir pontes para a negociação, esse discurso estreita a margem para uma saída politicamente administrável.

O problema deixa, assim, de ser apenas militar e passa a ser essencialmente político: como sair de um conflito que não entregou os resultados prometidos sem transformar seu desfecho em símbolo de fracasso. Até o momento, essa resposta não se apresenta. E, na ausência dela, o duplo isolamento, interno e externo, deixa de ser apenas um sintoma e passa a funcionar como sinal de alerta de uma possível derrota estratégica.

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Trump 2, a política externa da tensão permanente 
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Fotografia

 

Evandro Teixeira

Luzes da ribalta https://lucianosiqueira.blogspot.com/  

Editorial do 'Vermelho'

Pelo desenvolvimento soberano, PCdoB vota contrário ao projeto das terras raras
Mesmo sublinhando avanços no projeto e méritos do governo e do relator na busca da melhor lei, bancada do PCdoB aponta ausência estrutural no quesito soberania e vota não
Editorial do 'Vermelho'
  

Apesar de reconhecidos avanços, o substitutivo ao projeto de lei Nº2780, de 2024 que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), aprovado pela Câmara dos Deputados na noite deste 6 de maio, não resguarda, com os fundamentos e a segurança necessários, a soberania nacional sobre essa riqueza estratégica. Esses minerais, como se sabe, são recursos indispensáveis às inovações tecnológicas que estão revolucionando a economia mundial – entre outros ramos –, a transição energética, a Defesa e a economia digital. Daí uma verdadeira guerra geopolítica que se trava em torno de suas reservas e processamento.

O Brasil, com 23% das reservas de terras raras, detém a segunda maior reserva global, superado apenas pela China, que possui 49%. Essa riqueza mineral, portanto, tem alta concentração de disponibilidade. E o domínio da tecnologia de transformação desses minerais é mais concêntrica ainda. Por isto, o Brasil é alvo de grande investida dos Estados Unidos para se apossar desse precioso patrimônio nacional. Fato que ficou patente na compra da empresa Serra Verde, que opera a mina Pela Ema de terras raras, em Minaçu, Goiás, pela mineradora estadunidense USA Rare Earth, com financiamento do governo Trump.

Mas não é só. A maioria dos projetos que já estão em andamento para explorar outras minas de minerais críticos está sob o controle societário de empresas dos Estados Unidos e de outros países como Canadá, Reino Unido e Austrália.

O principal avanço do Projeto de Lei – aprovado com apoio do governo Lula, fruto de esforços, a começar pelo relator, deputado federal Arnaldo Jardim – é a criação do Conselho Especial de Minerais Críticos e Estratégicos. Sob o controle do governo federal, o Conselho possui um conjunto de prerrogativas e atribuições que se reportam a questões chaves, tais como análise e aprovação de projetos, aprovação prévia de mudança de controle societário (vide o caso de Serra Verde), elaboração do Plano Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, definição de projetos considerados prioritários com prevalência para minerais críticos e estratégicos, essenciais para produtos e processos de alta tecnologia, e habilitação dos projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnol& oacute;gico, entre outros.

O Projeto também afirma, com ênfase, que todo processo envolvendo extração, cadeias de produção, beneficiamento, transformação dos minerais críticos, busca de autonomia tecnológica, deve ser regido pelo princípio da soberania nacional.

Todavia, o conteúdo em si, seu rol de artigos, parágrafos e incisos, não resultam em concretude do princípio da soberania nacional. Tampouco dão cobertura às importantes prerrogativas do Conselho Especial de Minerais Críticos.

Em razão dessa lacuna, dessa falha substancial, a bancada do PCdoB na Câmara dos Deputados, mesmo sublinhando seu reconhecimento pelos esforços do governo Lula, do relator, e de líderes de várias bancadas na construção do melhor texto, votou não. E mesmo divergindo até o último prazo, buscou dar uma qualidade superior ao texto, dialogando com as legendas da Federação Brasil da Esperança e outros partidos da base aliada. Apresentou, por exemplo, uma emenda que propunha restringir a participação do capital estrangeiro nos segmentos econômicos dos minerais críticos e, ainda, uma outra, que de forma patente fixava a cadeia desses minerais, da extração, passando pela transformação e até a industrialização, de interesse nacional e relevante interesse público, todavia não acatadas. Na votação dos destaques, somou votos com a base do governo, derrotando emendas da extrema direita.

A líder da bancada, deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), justificou: “Faltou no texto questões estruturantes, fundamentais, para de fato garantir um projeto nacional de desenvolvimento, de agregação de valor, de industrialização e de soberania nacional. Evitar qualquer predomínio do capital estrangeiro dentro desse processo dos minerais críticos, de terras raras.”

E argumentou que o voto do PCdoB não é apenas principista, “mas por compreender o que deve ser o Brasil de hoje. O que é estratégico para o Brasil e a disputa geopolítica mundial. Não podemos permitir que o imperialismo norte-americano, ou qualquer outro, tente vir aqui explorar as nossas riquezas estratégicas. Temos um quarto da reserva mundial e não podemos negociar isso na defensiva. Ou não afirmar a potência brasileira nesse processo. Por isso, o PCdoB, em nome da soberania nacional, em nome de um projeto nacional de desenvolvimento, de agregação de valor, nós orientamos o voto não.”

Jandira também destacou que o PCdoB segue defendendo e continuará lutando, em conjunto com o campo democrático, popular e patriótico, pela criação de uma empresa estatal, a Terrabras, jornada de lutas que guarda semelhança com o grande movimento cívico, patriótico e popular que resultou, no passado, na criação da Petrobras.

Para Nádia Campeão, presidente em exercício do PCdoB, o voto do PCdoB reconhece, na adversa correlação de forças do Congresso do Nacional, os méritos dos esforços do governo Lula.

Mas destaca que, diante da ausência de elementos indispensáveis no Projeto para dar materialidade e garantias à soberania nacional sobre os minerais críticos, o Partido entendeu que, por coerência, o voto contrário se impôs. “Nosso voto tem também sentido político, de que é preciso avançar, ir além, para grafar na lei, e da lei para vida real, o domínio do Brasil sobre suas próprias riquezas, e estas a serviço do desenvolvimento soberano e do bem-estar de nosso povo”, asseverou.

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Leia também: Para além do “economicismo governamental” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/07/minha-opiniao_5.html

Humor de resistência

 

Fraga

Capital fictício versus produtivo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/onipotente-capital-financeiro.html 

Postei nas redes

O equilíbrio do tempo de televisão entre João Campos e Raquel Lyra na campanha eleitoral importa, mas não é decisivo. O confronto de ideias e a capacidade de mobilização popular farão a diferença. 

Crônica de uma vitória a conquistar https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/minha-opiniao_30.html 

IA no mundo em transição

Governança da IA ​​uma nova "interseção" para a cooperação global
Global Times 

Recentemente, em um auditório na sede da ONU em Nova York, uma discussão sobre o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) foi além de algoritmos e modelos, focando-se na ideia de "um futuro compartilhado". O encontro temático do Grupo de Amigos para a Cooperação Internacional em Capacitação em IA, copresidido por representantes da China e da Zâmbia, reuniu mais de 120 representantes de mais de 50 países e organizações internacionais. Da capacidade computacional fundamental aos avanços algorítmicos, e das aplicações de engenharia à computação espacial, a tecnologia de IA está avançando rapidamente, ao mesmo tempo que cria um significativo vácuo de governança. Garantir que o princípio da IA ​​para o bem e para todos seja efetivamente implementado tornou-se, portanto, uma tarefa urgente para a comunidade internacional.

À medida que o mundo entra na era da IA, os riscos de segurança não estão mais confinados à ficção científica. Por um lado, existem oportunidades sem precedentes; por outro, surgem riscos imprevisíveis. Modelos avançados de IA podem resolver problemas complexos e detectar vulnerabilidades em uma velocidade e escala muito além da capacidade humana, mas também reduzem o limiar para o uso malicioso. Seja em comunidades de código aberto ou sistemas de código fechado, todos enfrentam o desafio assustador de alcançar uma governança eficaz e prevenir a disseminação global de riscos. O colunista do The New York Times, Thomas L. Friedman, certa vez ofereceu uma analogia vívida: dois homens em uma caverna com um laptop, acesso aos modelos de IA mais recentes e um terminal Starlink poderiam atacar a infraestrutura crítica de qualquer sociedade. Isso não é alarmismo. Especialistas em segurança cibernética alertaram que os modelos de IA de ponta reduziram o tempo necessário para identificar vulnerabilidades do sistema de semanas ou até meses para apenas minutos. Os atacantes precisam encontrar apenas uma vulnerabilidade, enquanto os defensores devem protegê-las todas.

Quando a "governança não consegue acompanhar o rápido desenvolvimento da IA" se torna um desafio compartilhado por todos os países, a necessidade de construir uma estrutura global de governança de IA baseada em ampla consulta, contribuição conjunta e benefícios compartilhados torna-se ainda mais urgente. 

De deepfakes e ataques cibernéticos ao recente uso de IA em aplicações militares em conflitos no Oriente Médio, o mau uso da tecnologia soou o alarme para a humanidade. Nenhum país pode permanecer imune, e as lacunas regulatórias em qualquer país podem se tornar fontes de risco global. Todas as partes precisam urgentemente adotar uma perspectiva mais ampla, fundamentada na construção de uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade, dialogar sobre seus respectivos marcos regulatórios e legislativos e padrões de governança, e buscar um amplo consenso, ao mesmo tempo que fortalecem a coordenação de políticas em questões-chave, como a segurança da IA ​​e os fluxos de dados.

Em relação à governança global da IA, a postura da China tem sido consistentemente proativa, responsável, aberta e coerente. Guiada pela visão de um futuro compartilhado para a humanidade, a China implementou ativamente a Iniciativa de Governança Global (GGI) e a Iniciativa de Governança Global da IA, propostas pelo Presidente Xi Jinping, e manteve seu compromisso de contribuir para o desenvolvimento global e fornecer bens públicos. O país propôs e impulsionou sucessivamente iniciativas como o Plano de Ação para o Fortalecimento das Capacidades em IA para o Bem e para Todos, o Plano de Ação para a Governança Global da IA ​​e a Iniciativa de Cooperação Internacional em IA+, transformando essas visões em ações concretas. Em julho de 2024, a 78ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas adotou por consenso uma resolução proposta pela China sobre o Fortalecimento da Cooperação Internacional no Fortalecimento das Capacidades em Inteligência Artificial, que foi prontamente copatrocinada por mais de 140 países. Este é um exemplo típico da contribuição da China com sua sabedoria e soluções para a governança global da IA.

Na prática, a China já assumiu a liderança. Por meio de um planejamento estratégico responsável, o governo chinês garante que modelos de código aberto de grande porte, como o DeepSeek e o MiniMax M2.5, sejam utilizados para impulsionar uma ampla gama de indústrias, aumentar o bem-estar público e promover a cooperação internacional. 

De universidades no Brasil a instituições financeiras na África do Sul, da ajuda na construção de pontes de resgate após um grande terremoto em Mianmar ao apoio à transição do setor pesqueiro do Camboja para práticas menos intensivas, a IA chinesa, além de contribuir para o seu próprio desenvolvimento de alta qualidade, também beneficiou o mundo por meio da abertura tecnológica e da construção conjunta de ecossistemas.

Transformar a "IA para o bem" em realidade é responsabilidade e obrigação de todos os países. Nenhuma nação, por mais poderosa que seja, pode monopolizar esse vasto campo da IA, nem pode arcar sozinha com os riscos globais associados à tecnologia. Desde o início deste ano, vozes mais racionais têm surgido nos EUA, defendendo a cooperação sino-americana em IA. Em 6 de maio, o Wall Street Journal citou fontes afirmando que a China e os EUA estão considerando realizar um diálogo mais amplo e formal sobre a governança da IA. Esta é uma boa notícia para o mundo. De fato, os dois países têm mantido a coordenação na governança da IA ​​por meio de diálogos oficiais e informais nos últimos anos. No entanto, para alcançar mais progressos, a chave está em os EUA trabalharem com a China, abandonando suas restrições e medidas repressivas contra a China no campo da IA, bem como suas tentativas negativas de construir blocos exclusivos internacionalmente.

Claramente, o pensamento de soma zero e a rivalidade geopolítica tornaram-se os maiores obstáculos à governança global da IA. A IA não deve se tornar propriedade privada monopolizada por nenhum poder individual, nem uma ferramenta para clubes fechados de países selecionados, e certamente não uma espada sobre as costas da humanidade. 

Construir um sistema de governança global da IA ​​que seja inclusivo, equitativo e sustentável é vital para o futuro e o destino da humanidade. Todas as partes devem defender o multilateralismo genuíno e unir esforços no âmbito da ONU para alcançar um desenvolvimento de alta qualidade. A troca de experiências e o aprendizado mútuo são essenciais para superar os dilemas de governança. Espera-se que todas as partes demonstrem maior sinceridade em abertura e cooperação, para que a IA possa se tornar uma ponte que conecta o mundo e beneficia a sociedade.

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Comandos e desmandos da inteligência artificial https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/ia-condicao-humana.html

Sylvio: altivez

Lula conversa com quem quer que seja em pé de igualdade e sem abrir um centímetro da defesa de nossa soberania. 

Sylvio Belém  

Luciana Santos: Tecnologia e inovação na prevenção de desastres climáticos https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/luciana-santos-opina.html