30 abril 2026

Minha opinião

Crônica de uma vitória a conquistar*
Luciano Siqueira 
instagram.com/lucianosiqueira65  

Tão logo proclamada a rejeição de Jorge Messias, indicado pelo presidente da República ao STF, explodiu na mídia dominante uma espécie de comemoração do que se convencionou denominar "derrota histórica" de Lula.

Histórica sim, pois só no governo Floriano Peixoto, na República Velha, em 1894, cinco nomes foram barrados.

Porém não o fim da linha. 

Embora com pequena margem de flutuação (os que oscilam conforme as circunstâncias), é preciso considerar, grosso modo, que dos 81 senadores apenas 38 são considerados da base do governo; entre 14 a 15 se situam no Centrão conservador; e 29 se postam na oposição, dos quais 15 do PL bolsonarista.

Uma maioria que votou em Bolsonaro duas vezes.

Ou seja, uma correlação de forças abertamente adversa. Tanto que a cada matéria relevante, o governo precisa negociar pacientemente para obter maioria circunstancial.

Demais, pelo Regimento o presidente da Casa detém superpoderes, inclusive sobre a pauta dos trabalhos, ele próprio (David Alcolombre, União Brasil-Amapá) dúbio e chantagista.

E o ambiente de ontem, marcadamente influenciado pelas eleições de novembro e (para parcela dos senadores oposicionistas) sob tensão diante do rumoroso caso do Banco Master, objeto de uma emenda destinada a elevar a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, que beneficiaria diretamente os investidores em caso de quebra.

De quebra, a rejeição de Jorge Messias também tem como alvo o STF, ora em confronto aberto com o Senado.

Ou seja, ambiente maduro para uma derrota do governo.

Mas daí a avaliar que as possibilidades de reeleição do presidente estariam irremediavelmente comprometidas, como assinalam comentaristas da Globo News, entre outros, é de uma irresponsabilidade jornalística sem tamanho!

Terá sido o momento oportuno para a deliberação sobre a indicação de Jorge Messias? Parece que não, mas agora é tarde, Inês é morta...

Às forças que dão sustentação ao governo, por seu turno, cabe fortalecer a sua unidade em torno reeleição de Lula e por cadeiras no Senado (que poderá ser renovado em dois terços) e na Câmara dos Deputados (onde a base governista também é minoritária).

A empreitada é hercúlea. Como bem assinala a Resolução Política do XVI Congresso do PCdoB, duas grandes tarefas se impõem: batalhar por nova vitória da frente ampla democrática e lutar pela realização de mudanças estruturais, com um plano e um polo estratégicos, constituídos pela esquerda e por forças populares e patrióticas.

​​​​Não é fácil, mas é possível.

*Texto da minha coluna no portal Vermelho.

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O lugar do PCdoB na cena política https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/11/partido-renovado-e-influente.htm

Palavra de poeta

Poema XLIV*

Pablo Neruda    

Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.

Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desafortunado.

Meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.

*Excerto de Cem Sonetos de Amor”

[Ilustração: Edvard Munch]

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Leia também “Segunda-feira”, poema de Primo Levi https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/10/palavra-de-poeta_48.html 

29 abril 2026

Europa submissa

Europa transfere € 108 bilhões aos EUA e expõe dependência econômica
Dados do BCE e Eurostat mostram saída recorde de riqueza para Washington e apontam domínio norte-americano em setores estratégicos do continente
Davi Molinari/Vermelho   


A economia europeia vive um paradoxo crescente: mantém produção elevada e superávit comercial em bens, mas perde renda de forma consistente para os Estados Unidos. Em 2025, essa transferência atingiu € 108 bilhões, segundo dados do Banco Central Europeu (BCE), evidenciando um movimento estrutural de deslocamento de riqueza para fora do território europeu.

O dado — que mais que dobrou em relação aos € 49 bilhões registrados em 2024 — não se refere apenas ao intercâmbio comercial, mas ao fluxo de renda gerado por investimentos, lucros, dividendos e juros. Trata-se, na prática, de riqueza produzida na Europa que termina apropriada por empresas e investidores, majoritariamente estadunidenses. A tendência reforça o diagnóstico apresentado pela publicação The Economist, que classificou o fenômeno como uma forma de “vassalagem econômica” construída ao longo das últimas décadas.

Produção europeia, renda americana

A diferença entre a produção e a apropriação da riqueza aparece de forma clara na renda primária — indicador que mede o saldo entre o que um país recebe e paga ao exterior em lucros e investimentos. Segundo o BCE, a zona do euro passou de um superávit de € 54 bilhões em 2024 para um déficit global de € 44 bilhões em 2025. O principal fator desta inversão foi a relação com os Estados Unidos.

Dados do Eurostat mostram que, apenas no quarto trimestre de 2025, o déficit europeu em renda primária chegou a € 18 bilhões, confirmando a aceleração da saída líquida de recursos. Esse movimento significa que empresas estrangeiras — sobretudo norte-americanas — não apenas operam na Europa, mas capturam uma parcela crescente do valor gerado no continente.

EUA ampliam vantagem global

Enquanto a Europa registra saída líquida de renda, os Estados Unidos consolidam a posição inversa. Dados do Bureau of Economic Analysis indicam que a renda nacional estadunidense alcançou cerca de US$ 31,4 trilhões no final de 2025, sustentada por ganhos obtidos no exterior.

Este diferencial é estrutural: empresas dos EUA operam globalmente e repatriam lucros, enquanto economias europeias absorvem investimento estrangeiro sem reter integralmente os resultados. A transferência de renda acompanha a presença dominante de corporações norte-americanas em áreas centrais da economia europeia.

No sistema de pagamentos, Visa e Mastercard concentram a maior parte das transações. Na infraestrutura digital, Amazon (AWS) e Microsoft (Azure) lideram o mercado de nuvem e inteligência artificial. No setor energético, os EUA ampliaram sua participação como fornecedores de gás natural liquefeito. Na defesa, cresce a dependência de equipamentos militares adquiridos por meio de contratos com o Pentágono.

Vulnerabilidade e a armadilha tecnológica

A análise da The Economist sugere que o cenário de transferência de renda não é acidental. Segundo a publicação, a arquitetura regulatória europeia — com regras rigorosas em concorrência, dados e meio ambiente — teria limitado a expansão de empresas locais, abrindo espaço para as multinacionais estrangeiras. 

Entretanto, analistas ponderam que o argumento liberal ignora questões estruturais de soberania tecnológica. O domínio das corporações dos EUA não decorre apenas de normas flexíveis, mas de um vácuo de política industrial na Europa. Enquanto Washington utiliza massivos subsídios estatais para integrar seu setor de defesa às big techs, o mercado europeu, fragmentado e dependente de infraestruturas externas — como o mercado de nuvem, dominado em mais de 70% por empresas americanas —, tornou-se um exportador líquido de lucros.

Essa vulnerabilidade econômica já é reconhecida por lideranças do bloco. Em relatório recente sobre o futuro da competitividade do continente, o ex-presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, alertou para a necessidade de mudanças profundas. “A Europa está perdendo sua relevância no cenário global porque falhou em se tornar um polo de inovação tecnológica. Estamos financiando o crescimento de outros blocos enquanto nossas empresas ficam presas em um emaranhado burocrático que as impede de escalar”, afirmou Draghi.

Na mesma linha, o chanceler alemão destacou a urgência de uma maior autonomia financeira. Durante um fórum econômico em Berlim, realizado na última quinta-feira (16) de abril de 2026, declarou: “Não podemos ser apenas um mercado consumidor para as big techs americanas. A soberania europeia depende da nossa capacidade de manter os lucros e a inovação dentro de nossas fronteiras”.  Uma crise que ja havia sido antecipada pela própria presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em setembro do ano passado. “A União Europeia deve reduzir sua dependência econômica dos Estados Unidos e diversificar suas parcerias estratégicas”, afirmou

Superávit comercial não impede perda de riqueza

Mesmo com um superávit de € 199,6 bilhões em bens em 2025, a Europa não consegue reter plenamente a riqueza gerada. O motivo reside na combinação do déficit em serviços, dominado por empresas estrangeiras; na saída de renda primária (lucros e dividendos) e na dependência tecnológica e financeira. O resultado é um equilíbrio externo mais frágil do que sugerem os dados comerciais isolados.

A relação entre Europa e Estados Unidos deixou de ser apenas comercial e passou a envolver um fluxo contínuo de transferência de renda. Mais do que produzir, o ponto central da economia global contemporânea é a capacidade de capturar valor. Nesse aspecto, os Estados Unidos operam em posição vantajosa, enquanto a Europa enfrenta dificuldades para reter os ganhos gerados dentro de seu próprio território.

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Europa, a capitulação permanente https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/europa-submissa.html

Humor de resistência

 

Aroeira

Acima do nível do mar https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Minha opinião

Milei num poço de areia movediça
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65      

É o que se depreende do noticiário no complexo midiático dominante que, a contragosto, noticia o agravamento da situação econômica e social na Argentina e a consequente perda de popularidade do presidente Javier Milei.

Registra-se que o governo do ultraliberal argentino atravessa forte turbulência interna. Além da crise econômica, graves contradições no núcleo dirigente.

Figuras de destaque na equipe do presidente, como o ex-chefe de gabinete Nicolás Posse saem do governo sob acusação de irregularidades, incluindo espionagem interna contra outros ministros.

Apesar de algumas vitórias em matérias sensíveis, o governo continua enfrentando uma barreira gigantesca no Congresso: a Lei Bases (o pacote de reformas ultraliberais), por exemplo, sofreu desidratações e atrasos significativos).

Registra-se um ambiente de tensão e vigilância na equipe de governo. Quem não se alinha 100% ao "estilo Milei" termina defenestrado.

O grande trunfo do governo, segundo o próprio Milei, o superávit fiscal sofre o contraponto da recessão econômica profunda, queda brutal do consumo e quase falência da atividade industrial.

Apesar de manter parcela do apoio popular, o governo segue em ambiente corrosivo.

Ponto negativo para a extrema direita do subcontinente sul-americano.

Leia também: “Milei: hipóteses sobre uma derrota catastrófica” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/09/sinais-de-mudanca-na-argentina.html

Sylvio: Insensatez

Trump já gastou mais de 100 bilhões em dois meses, só de mísseis, nesta absurda e irresponsável guerra contra o Irã. Até quando o mundo vai tolerar que a violência e a insensatez perdurem contra o bom senso e a vida?

Sylvio Belém   

Marcelo Barros: O imperador e o Papa  https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/visoes-de-mundo-dispares.html

Poderio comercial chinês

Xing-Ling, os chineses estão chegando!
A transição da hegemonia global para o Oriente revela o triunfo da mercadoria chinesa, que converteu o antigo estigma da descartabilidade em uma sofisticada rede de dominação tecnológica e industrial
SAMUEL KILSZTAJN*/A Terra é Redonda     

O fetichismo da mercadoria

Antes da Revolução Industrial, a divisão social do trabalho era muito limitada e as trocas eram marginais. Mesmo no período do chamado “capitalismo mercantil”, a quantidade e o valor dos produtos comercializados eram muito pouco expressivos na estrutura de produção e consumo das nações. A relação entre senhores e trabalhadores (escravos, servos etc.) também não era comercial, era em espécie. Foi só a partir do capitalismo industrial que a mercadoria se generalizou, converteu o processo de produção e consumo em sistema e transformou todo mundo (trabalhadores, capitalistas etc.) em agentes econômicos, ou seja, prolongamentos da mercadoria.

Um exemplo que talvez possa ajudar: antes da Revolução Industrial, poderia haver crises climáticas, sociais, políticas, militares etc.; mas crise econômica é uma categoria específica do capitalismo industrial, em que o sistema trava, desocupando tanto os trabalhadores como os meios de produção (o capital), porque o que se procura não é o produto em si (valor de uso), mas sim a rentabilidade do investimento, com lucro e capital mensurados em dinheiro (equivalente geral) – num sistema não mercantil, o que se procura não é o valor (de troca) do produto, mas sim o produto em si.

No início do século XX, o parque industrial da Inglaterra era robusto, as máquinas duravam em média 25 anos. Nos Estados Unidos as máquinas duravam em média 15 anos. Se o progresso técnico vai tornar obsoleto o seu parque industrial em pouco tempo, para que investir em máquinas sólidas que vão parar no ferro velho? O numerador da rentabilidade é o lucro e o denominador é o valor do capital; máquinas com menor vida útil são de baixo valor; quanto menor o valor do capital, maior é a taxa de lucro (vá desculpando o economês). Além disso, sob o Império Americano, o sistema alastrou-se para o setor terciário da economia, ampliando o espaço da acumulação do capital.

Nota de rodapé: no extremo oposto, a União Soviética, que era contra o consumismo, produzia máquinas (e produtos) que poderiam durar (tecnicamente obsoletos) uma eternidade.

A Rússia derrotou Napoleão em 1812, teve que esperar um século para se livrar de sua monarquia absolutista e, fazendo uso do socialismo real (o ritmo de trabalho imposto na União Soviética deixaria Taylor e Ford encabulados), se transformou em uma potência internacional da noite para o dia. A comédia Os Russos estão chegando! Os Russos estão chegando! foi produzida durante a Guerra Fria e, apesar da paranoia existente, conseguiu agradar a gregos e goianos. Nos anos 1970, os Estados Unidos reataram relações diplomáticas e comerciais com a China como forma de isolar a União Soviética.

Nota de rodapé: em sua concepção, o “socialismo científico” nunca havia sido pensado como um modelo para industrializar economias “atrasadas”; muito pelo contrário, foi pensado como um modelo para a superação do sistema capitalista de ponta (destinado ao colapso, a tal “crise geral do capitalismo”).

A passagem do império norte-americano para o império chinês

A industrialização chinesa, mais tardia ainda do que a industrialização russa, também fez uso do socialismo real (os direitos trabalhistas em vigor na China deixariam qualquer sindicalista ocidental boquiaberto).

Nos anos 1980, para dizer que um produto era de má qualidade, você dizia que ele era xing-ling, ou seja, Made in China (leia-se meid in tchaina). E a China conquistou o mercado mundial fabricando produtos descartáveis a baixo preço. Se o negócio é ficar comprando, comprando, para que investir em um produto que vai durar para sempre?

Amigos me perguntam qual é o segredo na administração de meu fluxo de caixa. Ao que respondo que nunca tive televisão, nem celular, e não participo de redes sociais. Mas outro dia fui comprar um aparelho para cortar cabelo, perguntei a origem de um dos modelos e o vendedor disse: “meu senhor, são todos chineses”.

Outra experiência mercantil: fui comprar um monitor de pressão arterial numa farmácia e o funcionário falou que o valor do produto era 250 reais. Aí eu perguntei por que na Internet tinha aparelhos semelhantes por 40 reais. E o funcionário, rindo, disse que os da Internet eram xing-ling. Fazia muito tempo que eu não ouvia essa expressão e falei: “meu senhor, mas o seu produto também é xing-ling, são todos chineses”.

A mercadoria se generalizou pela Europa, atravessou o Atlântico e ocupou o mundo, inclusive a Rússia e a China. A Inglaterra deteve a hegemonia inconteste do capitalismo internacional no século XIX, a ponto do inglês se transformar em língua franca universal. No século XX, os Estados Unidos herdaram a hegemonia capitalista, com a União Soviética saindo do “atraso de vida” para ocupar o posto de segunda potência internacional.

No século XXI, ao que tudo indica, a China está fadada a herdar a hegemonia internacional do capitalismo, isto é, personificar a mercadoria globalmente. O governo chinês, extremamente centralizado, desenvolveu uma economia totalmente descentralizada – uma economia “socialista” de mercado, ou melhor, uma economia paternalista de mercado. Ajustada pelo custo de vida interno, a China já é a maior economia do mundo, 40% maior que a economia dos Estados Unidos.

Por acaso, a minha cultura é russa. Minha família atravessou gerações vivendo em território do Império Czarista e Alexandre Pushkin e Liev Tolstói são os meus autores de cabeceira. Mesmo não falando russo, entendo tudo o que eles dizem, principalmente quando estão bêbados.

Por algum outro acaso, sou terapeuta chinês, adepto das religiões orientais, mas quanto mais vou à China, menos entendo o país. Só sei que a China já era civilizada quando o ocidente vivia na barbárie (ainda vive), que foi submetida nas Guerras do Ópio em meados do século XIX e que está usando o padrão ocidental mercantil para se vingar do ocidente, ou melhor, está sendo usada pela mercadoria em seu processo de dominação.

De acordo com Keyu Jin, a aparente submissão cega da população às autoridades reflete a deferência a um governo paternalista que lhe garante estabilidade, segurança, paz, esperança e prosperidade. Keyu Jin enfatiza que esta característica do povo chinês é cultural, é milenar, ou seja, data do Império. O apoio popular ao governo (90%) está entre os mais elevados do mundo.

Também, por acaso, sou palestino e entendo que os árabes muçulmanos, mesmo sendo conhecidos como exímios negociantes, não se sujeitam à mercadoria. Contudo, sendo brasileiro, fecho mesmo é com o Ailton Krenak, o nosso filósofo discípulo de Baruch Spinoza em busca de um futuro ancestral.

Post Scriptum

Em 2024, a empresa chinesa de biotecnologia MGITech inaugurou em São Paulo o Customer Experience Center (CEC), projetado para oferecer tecnologia avançada a laboratórios clínicos, hospitais e universidades, com objetivo de impulsionar avanços na saúde, agricultura e sustentabilidade ambiental. A MGITech já construiu parcerias com o Grupo Oncoclínicas, Eva Holding Group, Grupo Sabin, Unidade de Apoio ao Diagnóstico (UNADIG) e laboratórios da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Também uniu esforços com a Universidade Federal do Pará –UFPA para enfrentar desafios ligados à biodiversidade amazônica por meio de tecnologias avançadas de sequenciamento.

Em 2026, a empresa chinesa de transporte ferroviário CRRC vai implantar uma unidade industrial em Araraquara, São Paulo. Além de tecnologia, os chineses já estão exportando até rappers. Apesar do mandarim ser uma língua tonal, com uma variação de sons não absorvíveis após os sete anos de idade, muitos jovens ocidentais estão se esforçando para aprender chinês. E alguns até já estão se submetendo a cirurgias que os transformam em “chineses natos”.

No início de 2026, por acaso, como sempre, eu estava na Amazônia, ao lado da Venezuela, e recebi um recado de Donald Trump para lembrar que, até prova em contrário, a América Latina ainda era o seu quintal. Em 28 de fevereiro, ao lado do Estado de Israel, Donald Trump resolveu também investir no Irã. América primeiro? Se as manobras e maquinações de Donald Trump tornaram alguma nação grande, foi a China, não os Estados Unidos. Make China Great Again! Enquanto a política norte-americana – literalmente bombástica – degringola, a China, decididamente, avança na liderança internacional.

Xing-ling, os chineses estão chegando!

*Samuel Kilsztajn é professor titular em economia política. Autor, entre outros livros, de 1968, sonhos e pesadelos. [https://amzn.to/4cKKvX1]

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China reduziu a pobreza em proporção sem precedentes na história https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/china-reducao-da-pobreza.html