Competente, corajosa, múltipla https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/combativa-sem-perder-leveza-jamais.html
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
Competente, corajosa, múltipla https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/combativa-sem-perder-leveza-jamais.html
Dois amigos coincidentemente distantes me perguntam por que não sou rigorosamente fiel às estrofes que publico no story do Instagram. Ao produzir o card com link para o texto completo em meu blog, frequentemente “acomodo” os versos ao espaço disponível.
Como hoje sobre o poema “Renúncia”, de Manuel Bandeira.
Respondo que importa atrair leitores – missão honrosa para quem gosta de poesia e se depara com a parca audiência dos poetas daqui e de longe.
No Brasil se lê pouco. Menos ainda poesia.
Na mesma proporção se compram livros.
Faço o arranjo possível no espaço disponível na tela do celular, combinando versos e imagens, quase sempre uma obra de arte – tela ou foto.
Essa “licença poética”, permitam-me a expressão, a pratico com razoável êxito, pois creio que poemas bem ilustrados estão entre os conteúdos mais vistos do blog, hoje oscilante entre pouco mais de 20 mil a 40 mil ou mais acessos diários.
Dizem-me que esta é uma boa audiência, considerando a natureza explicitamente amadora e improvisada do blog.
Quem edita? Eu mesmo, ora! Conteúdo e ilustrações.
E assim caminha a nossa cumplicidade...
"Leitura do não escrito" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-palavra.html
“Hoje, ninguém dirá que os quatro filmes a serem apresentados constituem uma mostra exaustiva. Ela comemora datas redondas —’Baile Perfumado’ completa 30 anos; ‘Baixio das Bestas’, de Cláudio Assis, e ‘Cinema, Aspirinas e Urubus’, 20 anos; enquanto ‘Boi Neon’, de Gabriel Mascaro, chega à primeira década…
Samuel Paiva, professor de cinema na Universidade Federal de São Carlos, esteve na equipe do filme (Baile Perfumado) e situa a origem do movimento recifense nos anos 1980, quando grupos de estudantes que se interessavam pela arte se juntaram para ver filmes, estudá-los e fazer seus primeiros curtas.
No mais, estavam em sintonia com a nova visada trazida pelo movimento manguebeat, de Chico Science e Fred Zero Quatro, e, ao mesmo tempo, sentiam-se ligados à tradição cultural do estado. Para o crítico Luiz Joaquim, ‘no grupo, eram solidários entre si. Coisa típica de uma pequena grande cidade. E isso ajudava a protegê-los de excessivas influências sudestinas’”.
Mas aqui, uma vez mais, há uma mistura de pessoas com a história da cidade. Um encontro de união indissolúvel, podemos dizer. Os grupos de estudantes que se juntaram nos cineclubes estavam inscritos na crítica de cinema de Celso Marconi e Fernando Spencer nos jornais Diário de Pernambuco e Jornal do Commercio, além do embate diário desses críticos recifenses, quando criaram cinemas de arte, incentivaram cineclubes, realizaram filmes super-8 e festivais de cinema. Quem era no Recife que gostasse de cultura poderia ficar imune a tão alta prática? Recomendo os textos de Celso Marconi que foram republicados no Portal Vermelho, quando os jornais da terra, muitos anos depois, achavam que o genial crítico já não valia a pena. Quanta incompreensão de quem via o moderno como o mais recente. Olhem por favor este link Arquivos Celso Marconi – Vermelho. Em especial, o texto “O cinema do presente e do passado” aqui O cinema do presente e do passado – 1 – Vermelho. Que critico maravilhoso com as armas da filosofia e da sensibilidade!
É claro que a própria prática de cineastas e críticos vinha da cidade anterior, presente já no Ciclo do Recife, de 1923 a 1931. E reverberou sempre nas conversas, nos bares, nas escolas, em todos os ambientes. Mas por que essa mania de cinema, digamos assim? Antes que a mania se tornasse mana, ou manas e manos, esses hábitos culturais estavam nas ruas e teatros. E por falar em teatro, nada mais próprio e histórico que o Teatro de Santa Isabel, onde Castro Alves cresceu para plateias do Brasil. Nele, Castro Alves foi o homem mais feliz. Ali, no Santa Isabel, ele se ergueu condoreiro quando no palco declamou poemas abolicionistas. E no Teatro, a partir do Teatro amou para o mundo a bela atriz Eugênia Câmara.
E por falar em poesia, há um quê no Recife que se revela nos poetas, se não os melhores do Brasil, pelo menos alguns dos melhores, sem qualquer cabotinismo. Isso porque invocamos os nomes de Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Joaquim Cardozo, Carlos Pena Filho, Ascenso Ferreira, Mauro Mota, Alberto da Cunha Melo, e que nos perdoem os lapsos de nomes de poetas nesta hora.
Mas essa história do cinema, da poesia, vem de mais longe. A história não é um animal mumificado. Ela é viva. Queremos dizer, para que não se busque o mais longe. Frei Caneca no Recife. A frase anterior mereceria uma torrente de exclamações.
O Typhis Pernambucano foi um jornal fundado e editado por Frei Caneca, no contexto da Confederação do Equador. O seu primeiro número circulou em 25 de dezembro de 1823, encerrando a sua publicação em agosto de 1824. Olhem só o nível da altura, da escrita e do valor político do jornal redigido por Frei Caneca:
“Quando a nau da pátria se acha combatida por ventos embravecidos; quando, pelo furor das ondas, ela ora se sobe às nuvens, ora se submerge nos abismos; quando levada pelo furor dos euripos, feita o ludibrio dos mares, ela ameaça naufrágio e morte, todo cidadão é marinheiro; um dever sustentar o timão, outro pôr a cara ao astrolábio, ferrar o pano outro, outro alijar ao mar os fardos que a sobrecarregam e afundam, cada um prestar a diligência ao seu alcance, e sacrificar-se pelos cidadãos em perigo”.
Frei Caneca, ele, que também escreveu e publicou esta beleza de amor à terra e à política:
“ENTRE MARÍLIA E A PÁTRIA
Entre Marília e a pátria
Coloquei meu coração:
A pátria roubou-me todo;
Marília que chore em vão.
Quem passa a vida que eu passo,
Não deve a morte temer;
Com a morte não se assusta
Quem está sempre a morrer….”
Melhor parar por aqui.
[Ilustração: Cavani Rosas]
Leia também: O poeta negro Miró da Muribeca, voz antirracista https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/uma-cronica-de-urariano-mota.html
Chora de manso e no íntimo... Procura
Curtir sem queixa o mal que te crucia:
O mundo é sem piedade e até riria
Da tua inconsolável amargura.
Só a dor enobrece e é grande e é pura.
Aprende a amá-la que a amarás um dia.
Então ela será tua alegria,
E será, ela só, tua ventura...
A vida é vã como a sombra que passa...
Sofre sereno e de alma sobranceira,
Sem um grito sequer, tua desgraça.
Encerra em ti tua tristeza inteira.
E pede humildemente a Deus que a faça
Tua doce e constante companheira...
[Ilustração:
Leia também: "Guarda-me em ti", poema de Raúl Zurita https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/palavra-de-poeta_02016478250.html
Nossa corrente revolucionária não pode se diluir, há sempre que perseguir a própria visibilidade aos olhos dos trabalhadores e do povo.
(Anotação minha de 20.3.16)
"Somos todos Lula em torno de um cafezinho" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/convite-vamos-nessa.html
"Somos todos Lula em torno de um cafezinho" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/convite-vamos-nessa.html
A República Popular da China segue no pódio do noticiário internacional, em todas as mídias. Por um milhão de motivos, sobretudo o fantástico progresso de uma nação movida pela peculiar transição ao socialismo “características chinesas”.
Em artigo recente no Global Times ("Para compreender corretamente a China, é preciso começar por entender as 'características chinesas'" ), Hai Feng observa que para o Ocidente compreender a China de forma objetiva e realista, é fundamental abandonar a arrogância geopolítica, os preconceitos ideológicos e a mentalidade arraigada de que o modelo de governança e desenvolvimento ocidental é a única via correta.
O caminho percorrido pela China moderna — a partir do conceito de Socialismo com Características Chinesas — não deve ser sob normas e teorias políticas ocidentais. A trajetória chinesa é moldada por suas próprias condições históricas, culturais, sociais e pela busca contínua por estabilidade e bem-estar para sua população.
Nesse sentido, a modernização não é sinônimo de ocidentalização. A Cbhina exerve o direito de escolher seu próprio modelo político e socioeconômico com base em suas particularidades e contexto nacional.
Confira https://www.globaltimes.cn/page/202608/1368279.shtml