07 agosto 2026

Minha opinião

Eleições criminalizadas

Luciano Siqueira 

 

Um dado de realidade que tende a se expressar de modo crescentemente complexo e ameaçador. A revista piauí publica matéria esclarecedora e preocupante: "Facções eleitorais: o crime organizado ameaça a integridade das eleições, de Norte a Sul do país", do repórter investigativo Allan de Abreu https://piaui.uol.com.br/revista/239/crime-organizado-ameaca-integridade-eleicoes/ dando conta da presença crescente de facções criminosas e milícias na política institucional brasileira.

Constata-se aumento expressivo de candidaturas ligadas ao crime: nas eleições legislativas: saltou de 40 candidatos em 2016 para 51 em 2020 e 62 em 2024; nas eleições estaduais e federais: concorreu de 8 candidaturas em 2018 a 14 em 2022.

As duas maiores organizações criminosas do país lideraram em vínculos: o Comando Vermelho (CV) com 17 candidatos e o Primeiro Comando da Capital (PCC) com 15.

Há uma base territorial e social para essa presença eleitoral. (ao dominar bairros e cidades inteiras, as facções impõem um “curral eleitoral” coercitivo, a exemplo dos municípios cearenses de Santa Quitéria e Choró; e Cabedelo, na Paraíba) onde os grupos criminosos ameaçam e expulsem cabos eleitorais e candidatos adversários sob pena de violência física ou morte; obriguem os moradores a votar nos candidatos apoiados ou indicados pela facção; provocam alta abstenção eleitoral devido ao medo impregnado na população.

Modus operandi

Segundo a reportagem, a estratégia do crime organizado deixou de ser apenas a facilitação do tráfico por suborno e passou a ser a tomada de controle da máquina pública mediante infiltração em secretarias municipais e cargos estratégicos para direcionar licitações de obras públicas e serviços terceirizados; uso e desvio de verbas de emendas parlamentares repassadas aos municípios sob controle.

Essa infiltração no processo eleitoral corresponde a uma transição do crime organizado no Brasil: de agentes à margem da lei para atores políticos de fato.

Estado disfuncional

O fenômeno há que ser considerado como parte da desfiguração crescente do Estado de direito democrático concebido na Constituição de 1988, fruto de Emendas Constitucionais e mesmo de legislação infraconstitucional que o torna disfuncional e inoperante.

Nessa mesma dimensão, porém obviamente distinta das facções ceruminosas, o mecanismo das emendas parlamentares discricionárias – produto do governo Bolsonaro – superdimensiona o Poder Legislativo e tolhe em certa medida o poder real do Executivo.

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Três "questões de ordem" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0658357328.html 

Arte é vida

 

Vilhelm Bjerke-Petersen

Competente, corajosa, múltipla https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/combativa-sem-perder-leveza-jamais.html 

Vazamentos suspeitos

Policiais traficantes de notícias
O vazamento permite publicar uma matéria por dia, até irrelevâncias e repetições, enquanto a crítica ao método não dura mais de um dia.
Luis Nassif/Jornal GGN   

Ontem, um manifesto assinado por 27 superintendentes regionais da Polícia Federal saiu em apoio ao diretor-geral Andrei Passos Rodrigues.

A nota veio em meio ao atrito com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator de dois dos três inquéritos que envolvem Fábio Luís Lula da Silva.

Se, por um lado, foi uma demonstração de coesão, por outro mostrou a necessidade de a PF ressaltar que não age por conveniência política. E aí se chega ao busílis da questão. Há vazamentos conduzidos por delegados lava-jatistas, que se valem dos mesmos dutos da Lava Jato: uma determinada repórter de O Globo. 

No período da relatoria de Dias Toffoli, saíam notícias diárias, vindas do mesmo duto lava-jatista, mencionando o “mal-estar” de delegados com Toffoli. Agora, há uma intromissão muito mais aguda de Mendonça, a ponto de provocar a manifestação dos superintendentes regionais da PF. Mas o duto de O Globo não traz nenhuma informação sobre “mal-estar” de delegados.

Fica nítido que se defende a autonomia da PF diante das intromissões de Mendonça, mas continua alimentando a mídia com impressões, informações — ou com o desejo de induzir as investigações — sempre para o mesmo lado: Fábio Luí Lula da Silva.

É sabido que corre, na PF, um inquérito contra Flávio Bolsonaro, por envolvimento direto com Daniel Vorcaro, na casa dos R$ 120 milhões. Mas o tema da semana é o empréstimo feito por Roberta Luchsinger ao secretário de Lula, em valor mil vezes menor. 

É curioso esse jogo. O Globo fez uma retificação de rumo depois de cair de cabeça na Lava Jato 2. Agora, permite dissidências internas. A colunista Miriam Leitão produziu um artigo crítico a André Mendonça, comparando a diferença de tratamento entre os casos ligados ao bolsonarismo e a Lula. Na outra ponta, os jornalistas que cobrem a Operação Master trazem a informação de que a PF vai requerer o depoimento presencial de Fábio Luís para agilizar o inquérito. É óbvio que a intenção é a exposição pública, as manchetes dos jornais.

O que fica claro é que, mesmo com essas divergências editoriais, ganha quem tem acesso aos vazamentos. O vazamento permite publicar uma matéria por dia, ainda que sobre irrelevâncias e repetições, enquanto a crítica ao método não dura mais de um dia.

A questão é que, mesmo sem a unanimidade dos tempos da Lava Jato, policiais desonestos continuam se comportando como contrabandistas, traficando informações sigilosas sem serem detidos.

Imagem produzida por IA

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André Mendonça pisoteia a Constituição https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/sem-limites.html

Postei nas redes

Manchete da Folha de S. Paulo: "Banco Central preserva flexibilidade ao evitar sinalizar rumo dos juros, dizem analistas". Que analistas? Todos agentes do sistema financeiro!

"O foco das grandes legendas e os desafios de João" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_01939828218.html

Palavra de poeta

A FESTA DE SÃO SEBASTIÃO
Maurílio Rodrigues  

Hoje tem algo diferente
No pátio da feira
E na Rua da Matriz.
O que é que você me diz
Disso tudo, tão festivo?
Luzes por todo canto,
Alegria por toda parte.
Bandeirolas enfeitando a rua
Que, antes era do povo,
E, agora, é inteiramente sua.
 
Meu amor, eu não sei,
Por onde devemos começar,
Porém já estou a escutar,
A voz do locutor ao microfone,
Recitando mensagens
Anônimas de amor:
“de um coração apaixonado,
que não tem coragem de te falar,
Mas, que te ama para sempre,
Até o mundo acabar“.
 
Essa não foi eu que pedi,
Pois, tenho você, aqui do lado,
Vivendo um sonho dourado,
E embalado por uma canção,
Que diz, exatamente,
O que digo ao teu coração.
 
Continuemos a caminhada,
Sempre de mãos dadas,
Para não se perder.
Ainda temos muito o que ver,
Entre balanços, carroceis,
Bêbados, pedintes e menestréis.
Cada um a seu modo,
Desfrutando desta noitada,
Quando uma cidade apertada,
Entre um rio e uma serra,
Torna- se, do dia pra noite,
Uma viagem encantada.
 
Entre os ruídos das girândolas,
Dos artistas e seus cantores,
Os casais cheios de amores,
Trocam carícias, sem pudores,
Nas esquinas escuras.
Meu amor, você quer
Alfenim ou algodão doce?
O pé de moleque, acabou-se.
O que nós vamos comer?
 
O mundo, nesse lugar,
É uma alegria só,
Tem gente de fazer dó.
Todos de roupas novas,
E sapatos brilhantes,
Homens extravagantes,
De gravata e paletó.
Mulher de vestido rendado,
E blusa de filó.
 
Mas, vamos saindo daqui,
Caminhando para a Rua da Matriz,
Pois, quero chegar na igreja,
Para pedir perdão,
A Nossa Senhora da Apresentação,
Pelos pecados que cometi,
Aliás, pelos que já cometemos.
 
Por mais que rezemos,
Não sei se teremos perdão
Por termos feito aquela jura,
De trocar de coração,
Eu com o seu e você com o meu.
Isso, você se comprometeu!
Aos pés da nossa padroeira,
Será ela a pessoa derradeira,
Que aprovará nossa união.
 
[Ilustração: imagem produzida por IA]
 
Leia também "Retorno", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-de-poeta_0433487496.html 

Boa notícia

Brasil acumula superávit de US$ 49 bi e minimiza impacto de tarifas dos EUA
Resultado impulsionado pelo comércio com a China reforça resiliência do comércio exterior e compensa retração das vendas para os Estados Unidos
Davi Dmolir/Vermelho  
 

O Brasil registrou um superávit comercial de US$ 49,04 bilhões entre janeiro e julho deste ano, o que representa um crescimento de 31,9% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados consolidados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O resultado reforça a resiliência da balança comercial brasileira diante das medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos e consolida a China como o principal destino das exportações nacionais.

De acordo com os números oficiais, as exportações brasileiras somaram US$ 218,55 bilhões no período, com alta de 10,5%, enquanto as importações alcançaram US$ 169,51 bilhões, avanço de 5,5%. A corrente de comércio totalizou US$ 388,06 bilhões, crescendo 8,2%. Apenas no mês de julho, o saldo positivo foi de US$ 7,07 bilhões, fruto de exportações da ordem de US$ 34,12 bilhões e importações de US$ 27,05 bilhões.

A China manteve a liderança isolada entre os parceiros comerciais do país. As vendas brasileiras ao mercado chinês atingiram US$ 69,03 bilhões nos sete primeiros meses do ano, uma expansão de 19,7%, garantindo uma participação de 31,58% no total exportado pelo Brasil. O superávit bilateral com os chineses somou US$ 24,06 bilhões. Em julho, os embarques para o país asiático alcançaram US$ 10,67 bilhões, alta de 8,6%, gerando um saldo favorável de US$ 4,26 bilhões.

Entre os principais produtos exportados para a China destacam-se a soja, o petróleo bruto e o minério de ferro, confirmando a relevância estratégica dessa parceria comercial.Por outro lado, os dados mostram que as exportações para os Estados Unidos recuaram cerca de 12% no acumulado até julho, totalizando aproximadamente US$ 20,95 bilhões, o que gerou um déficit bilateral de US$ 2,27 bilhões. A participação norte-americana na pauta de exportações brasileiras caiu para o patamar de 9,5% a 10%.

Apesar da retração no comércio com os norte-americanos, os dados do MDIC revelam que o impacto do chamado “tarifaço” sobre o resultado geral da balança comercial brasileira tem sido limitado. A estratégia de diversificação de mercados, somada ao fortalecimento das vendas para a Ásia, compensou as perdas no mercado dos EUA.

As medidas tarifárias da administração norte-americana, com sobretaxas de 25% e 12,5% em determinados itens (chegando a 37,5% em casos específicos), atingiram uma parcela restrita de produtos. Itens de grande peso econômico, como petróleo, café, carne bovina, suco de laranja e minérios, permaneceram isentos ou resguardados por listas de exceções. O diretor de Estatísticas do MDIC, Herlon Brandão, observou que a queda das exportações para os EUA em julho não pode ser atribuída diretamente ao novo pacote tarifário, já que a medida passou a vigorar plenamente no fim do mês.No recorte por setores, a indústria extrativa liderou a expansão das vendas externas no ano (+21,3%), puxada por petróleo e minérios. A agropecuária cresceu 9,2%, e a indústria de transformação avançou 6,3%. Diante dos dados sólidos, o MDIC já havia projetado que o superávit anual pode alcançar a marca de US$ 90 bilhões.

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Entreguismo e bolsonarismo são sinônimos 
https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/enio-lins-opina_01988265509.html 

Fotografia

 

Dusan Milosic

Competente, corajosa, múltipla https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/combativa-sem-perder-leveza-jamais.html