01 maio 2026

Editorial do 'Vermelho'

Unidade e luta são decisivas para o presente e o futuro dos trabalhadores
Para além da pauta dos direitos trabalhistas e sociais, a classe trabalhadora tem papel relevante na disputa pelo governo República
Editorial do 'Vermelho'   
 

Ao longo da história, o Dia Internacional dos Trabalhadores marca a luta por direitos e pela emancipação social, mas é também um momento de reflexão. A agenda patriótica e democrática não avança sem protagonismo dos trabalhadores. Tais avanços se realizam entrelaçados com a jornada contínua do trabalho contra a opressão do capital, a contradição antagônica básica da sociedade capitalista. Foram essas conquistas que deram instrumentos políticos para os trabalhadores enfrentarem a selvageria dessa relação.

Vladimir Lênin, o líder da Revolução Russa, que abriu caminho para a primeira grande experiência socialista, lembrava que Karl Marx atribuía grande importância à tarefa do movimento classista dos trabalhadores de forjar, no curso das lutas salariais e econômicas, a unidade e a consciência da classe. No curso dos movimentos reivindicatórios, deve-se elevar o grau de coesão e consciência política dos trabalhadores, lembrou Lênin. Ou seja: a preparação para batalhas futuras, o desafio da classe de, nas lutas econômicas e sociais, fazer a luta política pela conquista do poder. Sempre acumular forças nesta direção.

Os comunistas lutam “pela realização de objetivos e de interesses imediatos da classe operária, mas representam no movimento presente também o futuro do movimento”, escreveram Karl Marx e Friedrich Engels no Manifesto do Partido Comunista. Eles também deram fundamentação científica para a ideia do internacionalismo proletário, a base ideológica da Associação Internacional dos trabalhadores, a primeira Internacional, criada em 25 de setembro de 1864.

De uma perspectiva histórica, é possível perceber a evolução dessa formulação. Na Inglaterra do início do século 19, que emergia como a grande potência econômica do planeta, os trabalhadores – incluindo crianças – eram acorrentados às máquinas e trabalhavam 14, 16 horas por dia, condição superada essencialmente pelas ideias socialistas e pela pressão de suas experiências, em muitos aspectos legitimando valores igualitários como justiça social e solidariedade, que passaram a compor a agenda pública e impulsionam a luta pelo socialismo.

No Brasil, as conquistas trabalhistas, golpeadas pelo projeto neoliberal, são a síntese dessa luta que atravessou o século 20 e o início do século 21. São exemplos disso, na atualidade, a luta pelo fim da escala 6×1 e a redução da jornada, uma das reivindicações da marcha organizada pelas centrais sindicais em Brasil dia 15 de abril, precedida da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), e as mobilizações que cobraram, de forma enfática, a redução da taxa de juros Selic que o Banco Central, como aconteceu em sua última reunião, insiste em manter nas alturas.

Nas eleições presidenciais estão em jogo essa agenda, expressa pela candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contra o projeto entreguista, de traição nacional e opressão ao povo, com perspectivas de um regime ditatorial, de ódio, violência e regressão social, a negação das históricas conquistas sociais e democráticas, ideal do neoliberalismo exacerbado da extrema direita, que busca manter ganhos fabulosos do capital financeiro, canalizando as riquezas nacional para os seus interesses.

São explícitas as ameaças desse campo político e ideológico, como a imposição da volta do teto de gastos que arrocha os investimentos em políticas públicas e infraestrutura, as privatizações selvagens, abolições de benefícios sociais e o fim do aumento do salário-mínimo, que afeta de maneira cruel grande parte dos trabalhadores e os aposentados. Mais do nunca os trabalhadores devem estar na linha de frente do enfrentamento com essa agenda para derrotar Flávio Bolsonaro, o candidato de Trump, dos rentistas da Faria Lima.

Conclusão: este 1º de maio se reveste de importância de grande envergadura – assim como em todo o mundo, num momento de enfrentamento com a barbárie e ameaças do imperialismo –, uma típica inflexão da luta de classes. A unidade dos trabalhadores é a bandeira que confere força para a pauta dos trabalhadores, uma conclamação da realidade às centrais sindicais, aos partidos democráticos e progressistas e aos movimentos sociais para ocupar as ruas, as praças e as redes sociais com o espírito de combate e consciência de luta para derrotar a direita e a extrema direita e reeleger Lula.

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Leia também: Para além do “economicismo governamental” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/07/minha-opiniao_5.html

Fotografia


Selina de Maeyer

30 abril 2026

Palavra de poeta

AS CHAVES
Marcelo Mário de Melo     

Me tragam todas
as chaves
na concha do coração.
 
A chave da resistência
a chave da construção
a chave que abre a porta
a chave de ligação.
 
A chave do desapego
a chave da doação
a chave da amizade
a chave da comunhão.
 
A chave do bom humor
a chave da elevação
a chave da esperança
a chave da encantação.
 
E a chave da poesia
chave em quarta dimensão.
 
[Ilustração: 
Alexej von Jawlensky]

Leia também um poema de Pablo Neruda https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/02/palavra-de-poeta_26.html 

O que a IA não faz?

À sua imagem e semelhança
No futuro, cada um poderá ser o deusinho de seu próprio mundo. Graças ao 'prompt' a minha amiga pode se vestir como quiser
Antonio Prata/Folha de S. Paulo 

Uma amiga manda três fotos, com três roupas, "qual você sugere pro meu LinkedIn?". Antes de reparar nas roupas, respondo impressionado: "Como você conseguiu exatamente o mesmo ângulo e a mesma cara nas três fotos?". "É IA." Ela pegou uma foto em que estava bonita e pediu: "Um vestido preto básico, braços à mostra". "Camiseta branca, gola rulê." "Uma blusinha bege, colar verde com pingentes."

Essas ordens, eu não sabia, se chamam "prompt". "Prompt" é o pedido que você faz pra inteligência artificial criar algo. "Quero um urso azul com cara de bonzinho dançando lambada e comendo um cachorro-quente na quadra da Portela." "Quero Einstein lutando MMA com Leonardo da Vinci na praça Benedito Calixto."

A máquina faz. Faz tudo errado no começo, porque ela ainda é mais artificial do que inteligente, mas quanto mais você afina o "prompt", mais ela afina a resposta. Minha amiga, depois de alguns "prompts" tava pronta nas três fotos —embora na última estivesse com três orelhas. Bugs que logo serão consertados.

Fiquei pensando: hoje minha amiga pode se vestir como quiser numa foto pro LinkedIn. Daqui a pouco, quando todos usarem óculos ou lentes de contato da Meta ou da Open IA, não será apenas nas fotos que nos vestiremos como quisermos, mas aos olhos (ou às lentes) dos outros. Imagino um casamento.

Tem que ir de terno. Detesto vestir terno. Vou de bermuda, regata e pantufas. Mas programo minha IA para emitir pras IAs alheias um terno muito chique –e é assim que todos me verão no casamento.

A não ser, é claro, que algumas pessoas tenham filtros em suas IAs visuais. Digamos que meu amigo Rodriguêra, com quem eu andava de skate na adolescência, se recuse a ver qualquer pessoa de terno. Ele é contra terno. Odeia terno. Tem "skate or die" tatuado no peito. Decidiu viver num mundo sem ternos. Suas lentes mudarão as roupas de todos que ele cruzar para as que mais lhe agradarem.

Rodriguêra é palmeirense roxo. (Verde, no caso). Pode programar a ferramenta para, em dias de jogos do Palestra, ver todo mundo que olhar com roupas do Palmeiras. O papa com camisa do Palmeiras.

A Monalisa com a camisa do Palmeiras. Jesus, na cruz, com uma tanguinha do Palmeiras. E pode ver todos os são-paulinos (sua IA saberá quem é são-paulino, a não ser que a IA dos são-paulinos tenham filtros) com focinhos e chifres de Bambi.

Talvez haja um filtro nos óculos e lentes da IA, lei do país, que proíba a programação para ver todos os são-paulinos de Bambi, pois seria considerado homofobia. Talvez este filtro converta automaticamente todos os são-paulinos que o Rodriguêra quisesse ver transformados em Bambi numa mensagem "A homofobia é crime hediondo, procure ajuda".

Pode ser que as lentes da IA puxem, a partir desse alerta anti-homofobia, vários stand-ups homofóbicos ou anti-woke. Pode ser que a pessoa seja processada pelo que os algoritmos a fizeram ver, afinal, os algoritmos são um chorume de tudo o que ela pensa.

Conto pro Márcio, meu amigo, essa visão de futuro. Ele discorda. As pessoas não quererão ver todo mundo numa festa com as roupas que ela gosta. As pessoas querem ser surpreendidas, ver coisas diferentes, aprender. Infelizmente, discordo. O primeiro "prompt", o "prompt" mais eficiente da história da humanidade, dizia que Deus nos fez à sua imagem e semelhança.

Com nossos óculos ou lentes "inteligentes", poderemos enxergar o mundo à nossa "imagem e semelhança". Cada um pode ser o deusinho de seu próprio mundo. Enxergar só o que quiser. Da forma que quiser. Igualzinho a si. Pensando bem, é exatamente como já é. Só com melhor tecnologia.

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O cigarro que não fumo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/o-cigarro-que-nao-fumo.html

Humor de resistência

Enio

 

O lugar do PCdoB na cena política https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/11/partido-renovado-e-influente.html 

Dica de leitura

Terras raras   

O tema segue em destaque – sobretudo na mídia de esquerda e progressista, atenta à preeervação da sobenaria nacional.

O portal Vermelho, em editorial recente, critica firmememnte a venda da mina de Serra Verde, em Goiás, para os Estados Unidos. A entrega desses recursos estratégicos representa uma grave afronta aos interesses do país, uma vez que tais minerais são essenciais para tecnologias de ponta e para a transição energética global.

O Brasil não pode seguir como mero exportador de matéria-prima, enquanto o valor agregado e o domínio tecnológico permanecem com potências estrangeiras.

A riqueza de Serra Verde deve ser integrada a um projeto de reindustrialização nacional, servindo ao desenvolvimento da indústria brasileira em vez de abastecer cadeias produtivas externas, pois fragiliza a capacidade de planejamento estratégico do Estado brasileiro diante das disputas globais por recursos finitos.

Confira https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/editorial-do-vermelho_28.html

(LS)

Sylvio: palhaço

O deputado Sostenes Cavalcanti parece um animador de festas. Em todas derrotas do Governo ele aparece pulando, festejando e rebolando como se estivesse num baile carnavalesco. 

Sylvio Belém  

Jacaré e porco espinho não combinam https://lucianosiqueira.blogspot.com/