21 abril 2026

Distinção necessária

Antissemitismo e Antissionismo
Paulo Nogueira Batista Jr./Diário do Centro do Mundo     

“O povo israelense e seu exército converteram-se em rentistas do Holocausto”. José Saramago

Volto a um tema que tem dado panos para manga. Qual o ponto essencial do debate sobre antissemitismo e antissionismo no mundo? Talvez seja a confusão desonesta e perigosa que os sionistas – um poderoso lobby transnacional – tentam fazer entres os dois fenômenos. A confusão é grande e tem sido manipulada para perseguir e assediar juridicamente críticos do sionismo e de Israel. Abundam acusações falsas de antissemitismo, feitas com o propósito de blindar Israel e o sionismo contra críticas não só legítimas, como também necessárias. Saramago, para citar um exemplo ilustre, foi acusado de antissemitismo pela frase citada em epígrafe.

No Brasil, há muitos intelectuais que escrevem com grande competência sobre esse tema – entre outros, Paulo Sergio Pinheiro, Reginaldo Nasser, Cláudia Assaf, Arlene Clemesha, Breno Altman, Glenn Greenwald e  Bruno Huberman. Os três últimos são de origem judaica.

Apoiando-me em parte nas contribuições desses intelectuais, vou tentar esclarecer didaticamente a diferença entre antissemitismo e antissionismo, ainda que correndo o risco de resvalar para o óbvio ululante. Repisar o óbvio pode parecer desnecessário e ofensivo, reconheço. Mas, como dizia Nelson Rodrigues, o óbvio deve ser cultivado, pois ele sempre teve e terá inimigos implacáveis, refletindo uma mistura de burrice, ideologia e interesses escusos. 

O que é o antissemitismo? É uma das muitas formas de racismo ou discriminação, voltada contra o povo judeu, entendido como raça ou etnia. Condena-se um povo inteiro, apontando os vícios e as violências de uma parte. Ainda que essa parte seja numerosa e influente, a generalização pode ser injusta e até caracterizar crime.

Antissionismo é algo essencialmente diferente. Trata-se da condenação de um projeto político, o sionismo, originado na Europa no final do século XIX, com o judeu germânico Theodor Herzl, e que resultaria na implantação de Israel na Palestina, em 1948. Uma terra para os “judeus errantes”, pedia-se. Mesmo que isso significasse, como significou, roubar as terras dos palestinos e cometer contra eles, desde o início e mesmo antes de 1948, toda sorte de violência, terrorismo e discriminação. Observe-se, de passagem, que antes do sionismo e da criação do Estado de Israel, árabes e judeus conviviam em certa harmonia no Norte da África e no Oriente Médio. De uma maneira geral, os judeus foram mais bem tratados no mundo islâmico do que na Europa.

Certas distinções são importantes. Primeira: nem todo judeu é sionista. Há uma sobreposição muito importante entre judeus e sionistas, mas há  muitas exceções. Os três judeus brasileiros mencionados acima, por exemplo, que são visceralmente antissionistas.  No exterior, temos o cientista político Norman Finkelstein e o historiador Ilan Pappé, entre muitas outras pessoas de grande destaque, que também são judeus antissionistas. Finkelstein, por exemplo, tem ressaltado que o problema não é só o governo Netanyahu, nem mesmo só o Estado de Israel, mas a própria sociedade israelense – caracterizada por ele como doente e predominantemente comprometida, ou no mínimo omissa, diante dos crimes hediondos praticados contra palestinos, libaneses e outros povos.

Segunda distinção: muitos sionistas, às vezes influentes, não são judeus Por exemplo, os sionistas cristãos, em especial os pentecostais e neopentecostais, representados politicamente no Brasil pelas figuras deploráveis de Jair Bolsonaro, seus filhos e Tarcísio de Freitas, que não se envergonham de abraçar a bandeira de Israel e confraternizar com o genocida Benjamin Netanyahu. Esses políticos mantém proximidade com entidades judaicas sionistas localizadas em nosso país, algumas das quais são verdadeiros antros bolsonaristas.

Em que pese essas distinções, os judeus sionistas constituem provavelmente a maior parte dos sionistas influentes e endinheirados no mundo, o que facilita a confusão que o lobby israelense quer promover entre antissionismo e antissemitismo. No Brasil, conseguiram, por exemplo, fazer com que a deputada Tabata Amaral apresentasse um projeto infame que tenta criminalizar como antissemitas as críticas a Israel e ao sionismo.

Vejam o paradoxo escandaloso. Quem é a principal força antissemita na atualidade? Ninguém menos que Israel! Por dois motivos, pelo menos. Primeiro, porque promove o maior genocídio contra semitas desde a Alemanha nazista. Não podemos esquecer que os palestinos e os árabes como um todo são povos semitas. Nesse sentido, Netanyahu é o maior genocida antissemita desde Hitler.

Segundo motivo: o comportamento criminoso de Israel, apoiado pelo lobby sionista no resto do mundo, deu nova vida ao antissemitismo, entendido como discriminação e até ódio contra os judeus. Os praticantes e defensores do assassinato em massa de crianças e mulheres na Palestina por Israel, transmitido em tempo real, tornaram-se ironicamente os principais propagadores do antissemitismo.

Israel, deve-se dizer, não é o único país, longe disso, a ter praticado sistematicamente o genocídio. Israel é na realidade a continuação tardia e o desdobramento de algo maior – o colonialismo genocida europeu, uma das piores pragas da humanidade. Nenhuma região do mundo escapou da sanha criminosa dos europeus. Nem a América do Norte, nem a Central, nem a do Sul, nem a África, nem a Austrália, nem a Ásia. E nem os próprios judeus. São tantos os exemplos que nem vou começar a mencioná-los. 

Israel dá continuidade a essa tradição tenebrosa. Não é por acaso que, em geral, os governos norte-americano e europeus deram e ainda dão tanto apoio ao projeto criminoso de Israel.

A verdade é que a história mundial teria sido muito melhor sem a expansão da civilização ocidental ou europeia, principalmente depois da Revolução Industrial, que colocou armas poderosas nas mãos de povos relativamente primitivos, a começar pelos ingleses.

Civilização? Quando perguntado certa vez o que achava, afinal, da civilização ocidental, Mahatma Gandhi respondeu: “Seria uma boa ideia”.

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Leia também:: No genocídio, uma civilização em colapso https://lucianosiqueira.blogspot.com/2024/04/implicados-no-horror-em-gaza.html 

Dica de leitura

Brics: para onde?
instagram.com/lucianosiqueira65

É um texto curto, mais instigante. No artigo "A hora da verdade do Brics", publicado na revista Liberta e transcrito aqui no blog, Jamil Chade analisa desafios do bloco diante das incertezas globais e das implicações da guerra Estados Unidos-Israel x Irã.

O autor destaca a tensão entre o propósito de criar uma alternativa ao domínio do G7 e do dólar e as realidades econômicas que ainda prendem esses países ao sistema financeiro ocidental.

O Brasil tem papel importante nesse contexto. Confira https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/brics-novos-desafios.html

(LS) 

Lula na Alemanha

Lula defende multilateralismo, soberania das nações e sustentabilidade
Reunido com o primeiro-ministro alemão Friedrich Merz, presidente fecha parcerias e defende o acordo Mercosul-UE, a diversificação energética e o desenvolvimento sustentável
Priscila Lobregatte/Vermelho    
 

Em visita à Alemanha nesta segunda-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o primeiro-ministro Friedrich Merz e assinou acordos de cooperação. Após o encontro, foi realizada uma entrevista coletiva com os dois líderes nos quais foram tratados temas relevantes da agenda global e entre os dois países.

O governo informou que foram fechados acordos nas áreas de defesa, inteligência artificial, tecnologias quânticas, infraestrutura, economia circular, eficiência energética, bioeconomia e pesquisa oceânica e climática.

Um dos pontos destacados da entrevista foi a entrada em vigor, a par5ir de 1º de maio, do acordo Mercosul-União Europeia. Na avaliação de Lula, trata-se de um passo importante para a diversificação das relações comerciais e para o fortalecimento da resiliência econômica, mas também do ponto de vista dos direitos humanos e do meio ambiente.

“Depois de 25 anos de negociações, nossas regiões disseram sim à integração para criar uma zona de livre comércio que reúne 720 milhões de pessoas e que soma um PIB de 22 trilhões de dólares”, declarou.

Saiba mais sobre a viagem de Lula à Europa:
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Lula acrescentou que o acordo “abre espaço para uma parceria abrangente, que vai muito além do livre comércio. Estamos falando de um modelo de cooperação que valoriza e protege os trabalhadores, os direitos humanos e o meio ambiente”.

Ao falar da parceria entre Brasil e Alemanha, Friedrich Merz ressaltou que tal relação ganha ainda mais importância em um contexto marcado por tantas transformações em nível global.

“Fico muito agradecido ao Brasil porque é um dos poucos países com quem temos esse status. Com o Brasil, temos uma parceria estratégica robusta e dinâmica e conseguimos fomentar essa parceria nesses últimos dias. Essa proximidade é mais importante do que nunca, nesses tempos de tanta mudança na ordem mundial”, afirmou.

Clima e energia

No que diz respeito à a agenda climática, o presidente brasileiro enfatizou o compromisso do País com a preservação ambiental e o combate ao desmatamento, com meta de zerar a prática até 2030, apresentando os resultados já alcançados e destacando a cooperação com a Alemanha nessa área.

“Até agora, já reduzimos em 50% os índices de desmatamento na Amazônia e em 32% no Cerrado. Restabelecemos e ampliamos nossa cooperação ambiental com a Alemanha no Fundo Amazônia, aliada desde sua constituição em 2008”, registrou Lula.

Quanto à questão energética, Lula defendeu a diversificação das matrizes e criticou as resistências ainda existentes na Europa ao uso de biocombustíveis.

“Não existe segurança energética sem diversificação. A recente alta nos preços do petróleo mostra que está mais do que na hora de a Europa superar sua resistência ideológica aos biocombustíveis”, disse, apontando-os como opção barata, confiável e eficiente para descarbonizar o setor de transportes.

Além disso, Lula enfatizou a experiência brasileira na produção de etanol e biodiesel: “Com conhecimento acumulado ao longo de cinco décadas, o Brasil é capaz de produzir etanol e biodiesel sem comprometer a produção de alimentos e as áreas de floresta”.

Ao tratar da exploração de minerais críticos, o presidente declarou que “nossas reservas também nos tornam atores incontornáveis no debate sobre minerais críticos. Queremos atrair cadeias de processamento para o território brasileiro, sem fazer opções excludentes. A colaboração em setores intensivos em tecnologia é uma prioridade para um país, que não quer se limitar a ser um mero exportador de commodities”.

Soberania digital

Na coletiva, o presidente também tratou da agenda digital, ressaltando a convergência entre Brasil e Alemanha na promoção da soberania tecnológica, no desenvolvimento de infraestrutura digital e na regulação de plataformas e da inteligência artificial.

“Estamos comprometidos com o desenvolvimento de infraestruturas digitais, como data centers, computadores de alto desempenho e semicondutores. Não queremos mais permanecer dependentes de empresas estrangeiras que enriquecem às custas dos dados de nossos cidadãos, sem garantias de privacidade e segurança”, disse Lula.

Ele defendeu a proteção de dados, a segurança digital e o equilíbrio entre liberdade de expressão e direitos humanos. “Há convergências entre as diretrizes do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial e a política alemã para o tema, como a ênfase no desenvolvimento de capacidades locais. Alemanha e Brasil são aliados na regulação das plataformas virtuais e do uso da inteligência artificial”, disse Lula.

Guerras e multilateralismo

A guerra no Oriente Médio e a inação da ONU frente aos vários conflitos e intervenções recentes também foram temas abordados durante a coletiva.

“A prevalência das forças sobre o direito é a mais grave ameaça à paz e à segurança internacional. Estamos profundamente preocupados com os riscos da retomada do conflito no Irã e da escalada no Líbano. A sobrevivência do Estado Palestino e do seu povo segue ameaçada”, opinou Lula.

Além disso, o presidente brasileiro afirmou que “entre a ação dos que provocam guerra e a omissão dos que preferem se calar, a ONU está mais uma vez paralisada. Brasil e Alemanha defendem há décadas uma reforma que recupere a legitimidade do Conselho de Segurança”.

Lula reafirmou sua posição contrária à sanção dos EUA a Cuba, bem como a intervenções unilaterais, prática que tem sido rotineira durante o mandato de Donald Trump. “Sou contra a falta de respeito à integridade territorial das nações. Eu sou contra qualquer país do mundo se meter a ter ingerência política sobre como uma sociedade deve se organizar ou não”, disse.

Ele também criticou o bloqueio econômico imposto pelos EUA a Cuba há quase 70 anos. “Se a gente continuar a acreditar que deve prevalecer a lei do mais forte, isso já aconteceu outras vezes no mundo e não deu certo”, completou.

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"Arriscada aposta economicista" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/minha-opiniao_2.html 

Sylvio Belém opina

Pesquisas: como compreendê-las?
Sylvio Belém      

A leitura das contínuas pesquisas de opinião divulgadas pela mídia, medindo a aprovação e a desaprovação do governo Lula me deixa sem entender e pensando que algo precisa ser feito para que a comunicação cheque melhor à população.

Um governo que conseguiu controlar a inflação, derrubar o desemprego para patamar nunca antes alcançado, promover substanciais melhorias na Educação, criando vários Institutos federais e programa como o pé de meia e principalmente na área da Saúde com ampliação do atendimento por especialistas e distribuição gratuita de medicamentos de uso contínuo e fraldas geriátricas, deve merecer índices de aprovação bem superiores aos que se apresentam. Além disso, no atual governo, o Brasil voltou a ser respeitado internacionalmente e a ocupar um lugar de destaque no cenário mundial. Deve ser salientado, no entanto, que entre os que desaprovam está a parcela de extrema direita partidária do governo anterior, cuja gestão foi altamente prejudicial ao País e que será sempre do contra.

Leia também "Arriscada aposta economicista" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/minha-opiniao_2.html 

Palavra de poeta

Das utopias
Mário Quintana  

Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não querê-las.
Que tristes os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas!

[Ilustração: Waldomiro Sant'Anna]

Para além da superfície https://lucianosiqueira.blogspot.com/

China: redução da pobreza

Afinal, o que é uma democracia?  
China provou-se democrática ao reduzir a pobreza em proporção sem precedentes na história
César Calejon/Liberta   

Desde o final da Segunda Guerra Mundial, o Ocidente – sobretudo, a máquina de propaganda estadunidense e os seus puxadinhos – foi extremamente eficaz no sentido de introjetar e solidificar uma ideia determinante para fazer a manutenção das suas propriedades hegêmonicas: as democracias liberais burguesas, a despeito dos seus problemas, conformam a única disposição de arranjo social coletivo capaz de superar o autoritarismo e representar os interesses dos povos do mundo.

Particularmente, estou convencido de que tal raciocínio não é somente impreciso, mas, em última análise, falso.

Vejamos: etimologicamente, como todas e todos sabemos, demos (povo) e kratos (poder ou governo) expressam a dimensão de “governo popular” ou algo como o “governo do povo”, o que nenhuma democracia formal chegou sequer perto de oferecer. Muito pelo contrário, aliás. Mas, afinal, a China pode ser considerada uma democracia então? O debate é imenso e cada um oferece a sua própria resposta para essa pergunta.

Poder e economia

A meu ver, estou alinhado com alguns dos principais estudiosos e especialistas com os quais conversei e/ou li sobre o tema durante os últimos anos: a China é uma democracia não liberal. Ou seja, um governo popular não submetido aos vícios do capital como processo, o que, nesse artigo, defino como Capital, em caixa alta.

Conforme explica o professor Elias Jabbour, autor do livro China: O Socialismo do Século XXI e profundo estudioso do tema: “A China é uma democracia não liberal, na qual o poder se exercita de baixo para cima e sem mediação do dinheiro. O deputado federal, na China, é eleito na base e tem que dar satisfações para essa base o tempo inteiro. Ele pode ser cassado por essa mesma base e não pelos seus pares”.

Essa dinâmica evita uma série de vícios que, invariavelmente, são muito deletérios aos interesses das camadas mais empobrecidas da população. Tais como: populismo eleitoral, corporativismo, corrupção, patrimonialismo etc.

Dados compilados pelo economista francês Thomas Piketty, no livro O Capital no Século XXI, vão ao encontro deste entendimento, quando demonstram que a participação do capital público no capital nacional era de cerca de 70% na China, em 1978, e se estabilizou em torno de 30% desde meados dos anos 2000. Nos países capitalistas, essa relação passou de 15%–30%, na década de 1970, e está próxima de zero ou negativa na década de 2020.

Intelectual e empresário chinês, Eric Li sintetiza essa relação entre poder e economia da forma mais elucidativa com a qual eu me deparei considerando esse debate. O trecho, publicado no meu último livro em coautoria com o economista André Roncaglia, explica o seguinte:

“Nos Estados Unidos, você pode mudar o partido político que está no poder, mas não pode mudar as políticas. Na China, você não pode trocar o partido, mas pode mudar as políticas. Em mais de 60 anos, a China tem sido governada por um único partido e, mesmo assim, as mudanças políticas que se viram nestas décadas foram mais amplas do que em qualquer outro país na história moderna. […] A China é uma vibrante economia de mercado, mas não é um país capitalista. Aqui está o porquê: é impossível que um grupo de bilionários controle o núcleo do Partido Comunista Chinês como os bilionários norte-americanos controlam as políticas públicas nos EUA. Então, na China há uma vibrante economia de mercado, mas o Capital não impõe seu domínio à autoridade política. O Capital não tem direitos sagrados. Nos EUA, os interesses do Capital e o próprio Capital têm precedência sobre a nação. A autoridade política não consegue conter o poder do Capital. Por isso, os Estados Unidos são um país capitalista e a China, não.”

Arranjo formal

Notem aqui, o cerne do debate: ao contrário do que o Ocidente nos disse por quase cem anos, capitalismo e democracia não combinam para além de um arranjo formal, que cria uma falsa ilusão de “eleições livres” e “mercados livres”. Livres? Para quem?

No Brasil, 49 milhões de pessoas não têm acesso a esgotamento sanitário adequado em suas casas (Censo 2022) e cerca de 90% dos brasileiros têm rendimento mensal inferior a R$ 3,5 mil (PNAD Contínua/IBGE). Isso é o que qualificamos como “democracia”.

Evidentemente, isso não significa que a China não tenha os seus próprios problemas e contradições, bem como todos os arranjos sociais humanos. Contudo, assim como um autocrata não se caracteriza somente pela forma como o indivíduo ascende ao poder, mas, primariamente, pela maneira como exerce o poder uma vez estabelecido(a) no cargo, a legitimidade democrática também não vem só do voto, mas, principalmente, dos resultados entregues à população.

Neste contexto, a China provou-se um país muito mais democrático do que as democracias liberais, pois reduziu a pobreza, nas últimas décadas, em proporção massiva e sem precedentes na história humana, enquanto foi capaz de promover um acelerado crescimento econômico.

Além disso, conduziu a expansão da infraestrutura dos seus serviços públicos e alcançou a fronteira tecnológica global para rivalizar com os EUA o posto de principal superpotência do planeta. 

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IA: Como a China está vencendo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/ia-china-vence-eua.html

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Segunda dose da vacina contra Herpes zoster. Como da primeira, um dia inteiro de astenia, dores musculares, inapetência, náusea, sonolência. Incomoda, mas é necessária. 

O sentido dos fatos em poucas palavras https://lucianosiqueira.blogspot.com/