Sem aliados, sem vice, Flávio Bolsonaro oficializa candidatura
Em queda nas pesquisas, a testa grafada “traidor da pátria”, atolado em denúncias de corrupção, o candidato da extrema direita é isolado pela direita e pelo Centrão
Editorial do 'Vermelho'
A convenção do Partido Liberal (PL) confirmou o isolamento político de Flávio Bolsonaro. A oficialização de sua candidatura presidencial se deu sem apoio de partidos da direita e do Centrão, sem nome definido para a vice-presidência e com a ausência presencial de aliados estratégicos e familiares. Preso por tentativa de golpe de Estado, o pai, Jair Bolsonaro se fez “presente” por um vídeo gerado por inteligência artificial com a imagem e a voz do ex-presidente transmitiu seu apoio ao filho, dizendo que ele é “a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue”. “Eu posso ser mais calmo, sorridente, tranquilo e moderado, mas aqui tem sangue de Bolsonaro”, confirmou o candidato
A madrasta Michelle Bolsonaro também não foi. Flávio teve que se contentar com um tímido apoio em vídeo arrancado por uma força-tarefa.
A exposição de mulheres na convenção, no palco e nos discursos, foi uma tentativa de amenizar a imagem de Flávio Bolsonaro diante do eleitorado feminino, sabidamente com grande rejeição à sua candidatura, pela misoginia, marca registrada do clã. Mas a cena soou falso, vez que sua própria madrasta denunciou que o enteado a “humilhou” e a “apunhalou”. As mulheres representam 52,8% do eleitorado. A pesquisa Datafolha divulgada no dia anterior à convenção mostrou que no segundo turno o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem 47% dos votos, contra 43% de Flávio Bolsonaro, mas no eleitorado feminino a diferença é de 52% a 37%.
Flávio tentou preencher o imenso vazio da ausência da direita e do Centrão com uma espécie de “socorro” internacional”. O presidente da Argentina, Javier Milei, responsável pelo perverso governo de extrema direita que castiga o povo portenho e destrói o país. O primeiro-ministro israelense, o carniceiro Benjamin Netanyahu, enviou um vídeo apoiando a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Houve um momento de ópera-bufa. A caricata dupla Milei e Flávio Bolsonaro pateticamente cantaram e dançaram rock, após o que Milei fez um longo discurso de conteúdo neofascista contra o “socialismo” e de ataque ao presidente Lula e ao ministro do STF, Alexandre de Moraes.
O isolamento de Flávio Bolsonaro contrasta com a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que uniu o campo progressista e estruturou apoios em todas as unidades da federação. Participam dessa estrutura, de forma declarada, PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL, REDE e, também, setores do PSD, do MDB, do PP, do União Brasil e Republicanos.
Pode-se dizer que esse isolamento tem como uma das causas a sequência de entreguismo, traição à pátria e subserviência ao presidente estadunidense Donald Trump, como negociações e apoios à sequência de tarifaços contra o Brasil, as ameaças ao Pix, os ataques à regulamentação das big techs, ao Judiciário e a autoridades brasileiras, com gestão de seu irmão Eduardo Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e foragido da Justiça brasileira.
Soma-se a lista de escândalos que lhe acompanha, como relações com o crime organizado, e uma réstia de investigações, denúncias, por parte da Polícia Federal, do Ministério Público, de casos de corrupção. Para citar somente a duas mais recentes: o repasse pelo ex-banqueiro corrupto Daniel Vorcaro a pretexto de financiar o filme sobre seu pai e emissão de R$ 1,5 milhão em notas por seu escritório de advocacia para empresas da estrutura de Vorcaro.
No episódio mais recente, Flávio Bolsonaro divulgou informação falsa sobre as urnas eletrônicas, associando-as à empresa venezuelana Smartmatic, citando um suposto relatório da CIA, desmentido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É uma manifestação de que ele está pressentindo a derrota e já ensaia, novamente, uma farsa para questionar a soberania do voto popular, mais uma de suas atitudes irresponsáveis de traição nacional, que se liga ao pedido para que dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos se reunissem com autoridades eleitorais brasileiras, negado Ministério das Relações Exteriores.
Ao passar o recibo de “derrota à vista”, Flávio se distancia ainda mais de eventuais aliados.
A Federação Brasil da Esperança (Fé Brasil), composta pelo PT, PV e PCdoB, entrou com representação no TSE contra ele. “Não há nenhuma referência ao sistema eleitoral brasileiro. O documento estadunidense e suas conclusões, sejam lá quais forem, não dizem respeito ao Brasil em nenhum aspecto”, afirma
Com esse histórico de corrupção e conspiração contra o país, comprometendo a economia e do emprego dos brasileiros, além de sabotar a soberania nacional e a democracia, com o pai e outros aliados presos por tentativa de golpe de Estado e outros delitos, com o irmão foragido e protegido pelo regime de Donald Trump, com o caso Master-Dark Horse inexplicado e a marca de antipatriota, incapaz de defender o país e o povo brasileiro, Flávio Bolsonaro se revela por inteiro. Fica nítido o contraste entre a sua candidatura, ao rés do chão, e a do presidente Lula, grande liderança nacional e popular respeitada no mundo.
Qual a sua opinião? Assine seu comentário para que possamos publicá-lo. https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/sua-opiniao.html
É a incompetência, ora! https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0540868348.html





