25 maio 2026

Autocrítica da Igreja Católica

Em ato histórico, papa pede perdão pelo envolvimento da Igreja na escravidão
Séculos depois de fazer parte e até autorizar a coroa portuguesa a manter pessoas escravizadas, o líder da Igreja rompe um tabu e pede 'perdão'
Jamil Chade/ICL Notícias     

Pela primeira vez na história, um papa pede perdão pelo envolvimento da Igreja Católica na escravidão de milhões de pessoas. Num texto publicado nesta segunda-feira, como parte de sua argumentação sobre os riscos da Inteligência Artificial, Leão XIV surpreendeu ao citar a situação da colonização.

Não é a primeira vez que a Santa Sé condena a escravidão. Mas pontífices, ao longo de décadas, têm sido cuidadosos em evitar implicar a própria Igreja na indústria que transformou a história do mundo. Eles tampouco anularam bulas que permitiam aos portugueses agir em suas colônias, entre elas o Brasil.

Em 1452, por exemplo, o Papa Nicolau V emitiu uma bula que concedeu ao rei português e seus sucessores o direito de “invadir, conquistar, combater e subjugar” e tomar todas as posses — incluindo terras — de “sarracenos, pagãos e outros infiéis e inimigos do nome de Cristo” em qualquer lugar. A bula também deu permissão aos portugueses para “reduzir suas pessoas à escravidão perpétua”.

A lei foi reforçada em novas bulas e decisões em 1456, em 1481 e em 1514, já com os portugueses em solo brasileiro.

Agora, o papa americano rompe com esse tabu, justamente num momento em que o presidente Donald Trump desmonta qualquer ação de proteção às minorias ou de combate ao racismo. Num trecho histórico, ele anuncia:

“É impossível não sentir profunda tristeza ao contemplar o imenso sofrimento e a humilhação suportados por tantos, em nítido contraste com sua imensurável dignidade como pessoas infinitamente amadas pelo Senhor”, escreveu Leão XIV. “Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão.”

Ancestrais negros, vivência entre indígenas

No ano passado, um genealogista nos EUA descobriu que o primeiro papa americano — cujo nome é Robert Prevost — tinha ascendência crioula e que seus bisavós maternos eram descritos como pessoas de cor nos registros do censo da Louisiana. A pesquisa revelou que Leão XIV tinha ancestrais negros e brancos, incluindo tanto pessoas escravizadas quanto proprietários de escravos.

Se não bastasse, o novo papa viveu 18 anos no Peru e liderou igrejas que compartilhavam espaço e cultura com indígenas locais. Para a diplomacia brasileira, o americano passou a ser considerado como o primeiro “papa amazônico”.

A declaração desta segunda-feira ainda ocorre semanas depois de o papa retornar de uma viagem pela África. Em Angola, ele relembrou a “dor e o grande sofrimento” que os angolanos suportaram durante séculos.

As palavras foram emitidas enquanto rezava em um santuário católico localizado em um importante centro do comércio de escravos africanos durante o domínio colonial português.

Falando em português, ele lembrou que foi ali “onde, por séculos, muitos homens e mulheres rezaram em momentos de alegria e também em momentos de tristeza e grande sofrimento na história deste país”.

O que diz a encíclica

Sua primeira encíclica, “Magnifica Humanitas” (Magnífica Humanidade), foi lançada na segunda-feira. Segundo ele, ao longo da história, milhões de pessoas foram alvo de diferentes formas de escravidão. Hoje, as novas formas de escravidão e colonialismo estão sendo alimentadas pela revolução digital, pelo trabalho não regulamentado necessário para a obtenção de minerais raros indispensáveis ​​para chips de IA.

No texto, o papa lembrou que seu homônimo, o papa Leão XIII, foi o primeiro a condenar explicitamente a escravidão em 1888.

Mas não hesitou em denunciar o papel da Santa Sé e as bulas papais que autorizavam e promoviam a escravidão.

“Já no início da Idade Moderna, a Sé Apostólica de Roma, respondendo aos pedidos dos soberanos, interveio diversas vezes para regular e legitimar formas de subjugação e, em certos casos, incluindo a escravização de ‘infiéis’”, disse.

“Não podemos negar ou minimizar a demora com que tanto a sociedade quanto a Igreja vieram a denunciar o flagelo da escravidão”, disse ele.

Para o papa, a Igreja levou “dezoito séculos para que sua plena incompatibilidade com a escravidão fosse explicitamente reconhecida”.

“Isso constitui uma ferida na memória cristã, da qual não podemos nos considerar alheios”, concluiu.

Hoje, ele pede que se condenem todas as formas de tráfico relacionadas à revolução tecnológica digital “se quisermos evitar a necessidade de pedir perdão novamente no futuro por termos falhado em respeitar o tesouro da dignidade humana que é exigido por nossa fé”.

Qual a sua opinião? Assine seu comentário para que possamos publicá-lo. https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/sua-opiniao.html

Leia também: "Guernica e Gaza: a barbárie fascista de ontem e de hoje" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/08/barbarie-fascista.html 

Minha opinião

Atenção (correta) às pesquisas
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65  

Pesquisas eleitorais casam perfeitamente com previsões precipitadas. Sobretudo quando os números correspondem ao período pré-eleitoral, em que a grande maioria do eleitorado não está atenta às eleições e às pré-candidaturas.

Campo aberto a distorções intencionais, principalmente pela brande mídia neoliberal de olho no que considera fatores que poderão contribuir para a derrota do candidato indesejado, o presidente Lula.

Algo semelhante acontece na província, palco de disputas pelos governos estaduais.

Mas as pesquisas apreendem com precisão matemática a opinião pública no instante exato em que os entrevistadores vão às ruas. Aferem possibilidades e não tendências propriamente.

Adiante, o início da propaganda eleitoral na TV e no rádio, o engajamento nas redes sociais, a movimentação nas ruas e o desempenho efetivo dos candidatos propiciarão, adiante, aferições mais próximas da realidade.

É quando será possível identificar uma verdadeira tendência de crescimento ou de queda das candidaturas em confronto através de uma série histórica de sondagens realizadas com a mesma metodologia.

Mas as manchetes atuais na grande mídia dominante contrariam essa consideração técnica. A vontade subjetiva se sobrepõe aos dados de realidade.

Às forças do campo popular e progressista cabe usar pesquisas como instrumento auxiliar de análise da correlação de forças em presença. Um dado auxiliar na formulação da orientação tática.

Qual a sua opinião? Assine seu comentário para que possamos publicá-lo. https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/sua-opiniao.html

Crônica de uma vitória a conquistar https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/minha-opiniao_30.html 

Postei nas redes

Impressionante como a falange midiática anti-Lula "analisa" dados atuais de pesquisa carregando nas tintas para depreciar a possibilidade de reeleição do presidente! Antigamente isso tinha o nome de "imprensa marrom". Hoje chamamos "mídia neoliberal".  

Enrolados e hipócritas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/minha-opiniao_0898482679.html

Para onde?

O paradoxo de Ormuz
Desfecho da guerra é incerto. Mas fracasso inicial dos EUA e Israel já produz terremoto geopolítico – que vai muito além do Oriente Médio. Começa a surgir uma ordem multipolar . E Trump, o cínico, pode ser (quem diria?) o primeiro a aceitá-la
José Luis Fiori/Outras Palavras 
Fazem três décadas, pelo menos, que Benjamin Netanyahu conspira continuamente para convencer o governo norte-americano a participar de um ataque conjunto, massivo, relâmpago, e devastador, contra o Irã. E acabou conseguindo persuadir o presidente Donald Trump de que obteria uma vit ória rápida e uma mudança quase instantânea do regime iraniano depois que a aviação israelense assassinasse – nos primeiros minutos do combate – as principais lideranças religiosas, civis e militares do povo persa. Promovendo a instalação de um governo títere que destruísse o programa nuclear e o sistema de defesa balístico iraniano, e que suspendesse seu apoio ao “eixo da re sistência” à Israel, no Líbano, no Iraque e no Yemen. 
Mas nada disto aconteceu depois do ataque surpresa do dia 28 de fevereiro de 2026.. Pelo contrário, passados quase três meses do início do conflito, pode-se dizer – do ponto de vista dos objetivos decl arados pelas potências agressoras – que Israel e Estados Unidos sofreram uma grande derrota estratégica. As autoridades assassinadas foram substituídas rapidamente, o programa nuclear iraniano não foi desativado, seu sistema de produção e defesa balístico não foi destruído, as suas reservas de uranio enriquecido não foram localizadas, e o Irã segue apoiando seus aliados do “eixo da resistência”. Além disto, os mísseis e drones iranianos ating iram, destruíram ou danificaram pesadamente todas as bases americanas ao redor do Golfo Pérsico, além de terem “vazado” o sistema de defesa aérea de Israel – o Iron Dome, que era considerado indevassável.
Por outro lado. apesar do bombardeio, massivo e contínuo do território iraniano, durante mais de um mês de combate o Irã ainda mantém – segundo a inteligência americana – 70% de seus lançadores móveis em todo o país, e conserva cerca d e 70% do seu arsenal do pré-guerra. E além disto, conseguiu restabelecer o acesso operacional de 30 de seus 33 locais de mísseis ao longo do Estreito de Ormuz, tendo recuperado o acesso a 90% de suas instalações militares subterrâneas. E apesar da destruição causada pelos bombardeios, o Irã conquistou uma vitória extraordinária ao assumir o controle militar e a sobera nia econômica sobre o Estreito de Ormuz. Por tudo isto, os norte-americanos, mais do que os israelenses, encontram-se neste momento num “beco sem saída”, sem o apoio de sua própria população e divididos entre a alternativa de prosseguir indefinidamente uma guerra impopular, ou aceitar uma retirada e um acordo de paz que eles consideram humilhante. Uma posição estratégica extremamente desconfortável, agravada pelo fato que neste momento é o Irã que está “dando as cartas” nas negociações de paz intermediadas pelo Paquistão, e sustentadas pela China.
Neste momento paira no ar uma enorme incerteza com relação ao desfecho desse conflito, mas o mais provável é que a guerra prossiga por tempo indeterminado. Assim mesmo, o terremoto mundial provocado pela vitória estratégica do Ira, e sobretudo pelo seu controle do Estreito de Ormuz, produziu três sequelas, pelo menos, que já são irreversíveis. A primeira, é que ficaram explícitos os limites do poder militar norte-americano, mesmo no caso de uma guerra assimétrica, o que atinge em cheio o projeto de supremacia militar global de Donald Trump. A segunda, é que Israel perdeu a aura de sua invencibilidade, depois que sua estratégia dos assassinatos seletivos fracassou, e depois que seu sistema de defesa foi vazado, e depois que suas bases militares foram atingidas, dentro do próprio território israelense. E a terceira é que o Irã já conquistou uma nova posição hierárquica dentro do mapa geopolítico do Oriente Médio que nascerá desta guerra, com relação aos países árabes, e com relação a Israel.
Mais além destas consequências imediatas, os efeitos em cadeia desse grande erro estratégico norte-americano foram bem além do Oriente Médio. Parece não haver dúvida, por exemplo, que cresceu em todo mundo a desconfiança dos países que dependem da “proteção militar’ dos EUA, como é o caso exemplar de Taiwan. Haja vista que durante a guerra, a líder do principal partido de oposição de Taiwan, (o partido nacionalista Kuomitang (KMT) fundado por Sun Yat-sen, em 1912) a senhora Cheng Li-Un fez uma visita oficial de cinco dias – absolutamente inusitada – à Pequin onde discutiu pessoalmente com o presidente Xi Jinping a possibilidade de uma reaproximação pacífica entre o continente chinês e sua “ilha rebelde”. Um acontecimento difícil de ser imaginado sem ter em conta a fragilização americana frente aos seus “protetorados militares”.
E o mesmo pode ser dito com relação à posição do presidente Donald Trump, durante sua visita oficial de dois dias à Pequim, quando foi obrigado a tratar a China de igual para igual e te ve que ouvir em silencio a ameaça do presidente Xi Jinping de que haverá guerra se os EUA intervierem a favor da independência de Taiwan. Neste sentido, não há dúvida que a impotência dos EUA frente ao fechamento iraniano do Estreito de Ormuz acelerou o processo em curso de deslocamento do centro do poder político e econômico do Sistema Mundial, na direção da Ásia, em particular na direção da China.
Mas isto não significa, de forma alguma, o fim do “poder americano”, nem muito menos que os EUA deixarão de ser uma grande potência durante o Século XXI. Mesmo derrotados no Vietnã, no Afeganistão e agora no Irã, os EUA mantêm sua capacidade global de atacar, punir e destruir seus “desafetos”, e isto lhe assegura lugar central dentro da ordem multipolar que estará sendo construída ao longo deste novo século. Além disto, apesar do panorama geral ser extremamente sombrio, não é impossível que as negociações em torno à “Paz de Ormuz” possam se transformar na primeira grande negociaç&a tilde;o da nova era multipolar do sistema mundial.
Neste ponto não cabe dúvida sobre a posição belicista dos europeus que se preparam atualmente para uma grande guerra contra a Rússia. E não se deve esperar que Israel abdique de sua est ratégia de “guerra permanente’ contra os povos islâmicos e contra o Irã em particular. E portanto, todas a questão é saber se os EUA acabarão aceitando sua nova posição como uma entre outras potencias equivalentes. E neste ponto, apesar de todos os sinais contrários, Donald Trump talvez ainda seja o líder norte-americano com maior possibilidade de dar este passo rumo a um novo equilíbrio mundo de poder. Neste momento, o Partido Democra ta está sem nenhum projeto alternativo, e se voltarem, ao poder o mais provável é que se alinhem com os europeus numa guerra geral com os russos. E dentro do Partido Republicano, se Donald Trump for sucedido por David Vance ou por Marco Rubio, o que se deve esperar é um a estratégia internacional igualmente agressiva e baseada na força, mas complementada por uma visão ideológico-religiosa fundamentalista de def esa da civilização ocidental, branca e cristã, e de promoção de uma “guerra entre civilizações”, como foi antecipado por Samuel Huntington, na década de 90 do século passado, e que agora aparece defendida de forma explícita, no manifesto de 22 pontos publicado no jornal New York Times, no dia 18 de abril de 2026, por Alex Karp, CEO da Empresa Palantir, estreitamente associada ao Pentágono e muito próxima do vice-presidente nor te- americano, e David Vence.
Neste contexto, paradoxalmente o realismo pragmático, quase cínico e sem pretensões catequéticas, próprias de um jogador e negocista, admirador da força e do dinheiro representa uma rar a “janela de oportunidade” (por curto espaço de tempo), para uma negociação com a China e com a Rússia, inicialmente, das bases estratégicas deste novo mundo multipolar, começando pela definição de algumas de suas linhas vermelhas intransponíveis comumente aceitas, no Oriente Médio, no Pacífico, no Atlântico, e na própria Europa. Mas nesse momento, esta possibilidade depende quase inteiramente da capacidade do presidente norte-americano se impor frente à figura conspiratória, fanática e belicista do seu sócio Benjamin Netanyahu. Isto será possível? Sim, é possível, ainda que seja pouco provável.
Qual a sua opinião? Assine seu comentário para que possamos publicá-lo. https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/sua-opiniao.html
O crepúsculo do império norte-americano https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/11/eua-em-decadencia.html 

Humor de resistência

 

Miguel Paiva

Nada é por acaso https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Minha opinião

Com as costas nuas
Luciano Siqueira  
instagram.com/lucianosiqueira65    

Não foi uma escolha consensual, mas indicação do pai ex-presidente encarcerado. Daí ter sido acolhido com reservas, explícitas ou implícitas, por parte de segmentos da extrema direita e do centrão.

O bom desempenho nas pesquisas – apenas um retrato do momento -, todos dizem, se dá em razão do recall do sobrenome

Agora, mesmo articulistas da mídia dominante simpáticos à pré-candidatura em favor do mercado financeiro, repisam de muitas formas o incômodo que são as relações financeiras e pessoais com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

É a situação do senador Flávio Bolsonaro (PL), por enquanto pré-candidato à presidência da República.

O discurso anticorrupção sai pelo ralo. As justificativas frágeis e claudicantes revelam fragilidade moral e política.  

Daí a movimentação de outros pré-candidatos do mesmo campo político – Caiado e Zema, sobretudo – em busca de espaço.

Uma guerra particular na extrema direita. Tomara que dure e ultrapasse as convenções partidárias eleitorais.

O lado de cá, perfilado em apoio a Lula, ganha pontos.

Qual a sua opinião? Assine seu comentário para que possamos publicá-lo. https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/sua-opiniao.html

Leia também "Esticando a corda" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/minha-opiniao_01971886741.html 

Sylvio: maracutaias

As denúncias de maracutaias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Vorcaro  indicam que será necessário muitas fraldas para garantir a participação do senador nos debates da próxima campanha eleitoral. 

Sylvio Belém   

Leia também: Neofascista "antissistema" só pode ser piada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/02/minha-opiniao_44.html