Blog de Luciano Siqueira
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
10 julho 2026
Palavra de Carlos Marinho
Faz escuro mas eu canto
Carlos Alberto Marinho*/Jornal O Poder
Como disse o poeta Thiago de Melo, “faz escuro, mas eu canto”. Foi sob esse espírito que evoquei a minha casa, adquirida há cerca de 46 anos no SHO, aprimorada, preservada e cuidadosamente conservada ao longo de toda essa trajetória. Escrevi textos sofridos sobre suas fechaduras, suas portas e suas janelas, em um canto triste e, ao mesmo tempo, resistente, diante da ausência de reconhecimento, pelos órgãos de preservação, do esforço exemplar empreendido para manter a salvo esse patrimônio e a história que ele abriga.
Entretanto
Apesar da escuridão a que ainda me vejo submetido, continuo a cantar. Canto não apenas pela casa e por sua memória, mas também pelo reconhecimento que recebo daqueles que me cercam, observam e admiram a dedicação, a perseverança e o compromisso com a preservação. Se o reconhecimento oficial tarda, permanece vivo o reconhecimento humano, cotidiano e sincero — e é nele que encontro a força para seguir cantando.
*Carlos Marinho é médico e morador de Olinda desde sempre.
NR - Carlos comprou uma casa em ruínas, há muitas décadas, restaurou com esmero. O imóvel foi elogiado nacionalmente e apontado pelo Iphan como referência para cidades históricas. Agora, coincidentemente após criticar as gestões Lupércio/ Mirella, que estão devastando a cidade histórica, vem enfrentando a má vontade absurda do órgão municipal que controla o patrimônio histórico. Uma pena que, enquanto casarões desabam por descuido, quem zela seja alvo de perseguições. Ao médico, a solidariedade de O Poder.
[Imagem: Dudo Gomes]
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Melo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/uma-cronica-de-celso-pinto-de-melo.html
Dica de leitura
Oliver Stone e A História não contada dos
Estados Unidos
Em 2015, o cineasta estadunidense, Oliver Stone,
escreveu um livro para contar a seus filhos a verdadeira história dos Estados
Unidos, de sua expansão imperial, das agressões, guerras e crimes contra os
outros povos e contra os próprios trabalhadores do país. Em fins de 2016, Stone
coroa essa denúncia lançando o filme Snowden, imperdível, porque desnuda
completamente a política de poder imperial dos Estados Unidos. Aqui, a resenha
do livro.
Carlos
Azevedo*/Vermelho
Autor de filmes emblemáticos sobre a história recente dos Estados
Unidos, como Nascido em 4 de julho, Platoon, JFK, Wall Street e outros, Oliver
Stone lutou na guerra do Vietnã. Diz que ficou espantado com o que os
professores estão contando para seus filhos na escola, que, aliás, continua a
ser o mesmo que ele havia aprendido em seu tempo de estudante: “Nós americanos
éramos o centro do mundo. Havia um destino manifesto e nós éramos os mocinhos”.
O cineasta juntou-se ao respeitado professor de História Peter Kuznick e, após
uma pesquisa de cinco anos, a dupla fez um documentário e um livro com esta
história não contada do seu país. Escrito em linguagem simples, tem como alvo
imediato o público jovem norte-americano.
O que os autores fazem é mostrar a distância entre os acontecimentos
relativos à política expansionista e hegemonista dos EUA e as fabulações
criadas para justificar e enquadrá-los dentro da ideologia da missão divina
concedida (sic) por Deus aos EUA para levar aos outros povos o cristianismo, a
democracia e o livre mercado.
No livro, retratam uma política de Estado que, desde as origens, orienta
e sustenta um empresariado sedento por concorrer com os impérios coloniais da
Grã Bretanha, da França, Alemanha etc. Depois de anexar metade do México,
inicia o século XX incorporando as Filipinas, Guam, Pago Pago, Ilha Wake, Atol
Midway, Havaí e Porto Rico e reivindicando o controle sobre Cuba. Participa da
1ª. Guerra Mundial para romper o protecionismo das grandes nações e abrir os
mercados para seus negócios enquanto impõe altas tarifas para importação. No
plano interno, esmaga o movimento operário e sindical com grande violência,
suborno e legislação restritiva e persegue ferozmente as associações e
aspirações socialistas até reduzi-las à insignificância.
Simpatia pelo nazismo
O livro descreve e apresenta documentos sobre a simpatia e a colaboração
dos grandes banqueiros e empresários norte-americanos com Hitler e o governo
nazista. Ford, GM,Standard Oil, Alcoa, ITT, GE, Dupont, Kodak, Westinghouse e
muitas outras empresas continuaram a fazer negócios com os nazistas até 1941.
Ford e GM até aceitaram converter suas fábricas instaladas na Alemanha para a
produção de armas. Banqueiros continuaram a negociar com os alemães durante
toda a guerra.
Inglaterra, França e EUA se faziam de surdos aos insistentes apelos da
URSS de Stalin para formarem uma aliança contra a Alemanha, e, ao mesmo tempo
apresentavam apenas débeis protestos aos avanços das tropas de Hitler e
Mussolini ocupando outros países (Etiópia, Austria, Thecoslovaquia, Sudetos
etc). E vendiam armas a Franco para esmagar o governo republicano espanhol.
Para os autores, EUA e seus aliados fizeram muito pouco para auxiliar “a
desesperada comunidade judaica-alemã quando em 1938 uma orgia de violência se
desencadeou.” Em 1939, quando Hitler descumpriu os acordos feitos com a França
e Inglaterra e invadiu a Thecoslovaquia sem qualquer reação, Stalin, certo de
que a URSS estaria sozinha na luta contra o nazismo, procurou ganhar tempo para
se armar, assinou o pacto de não agressão com a Alemanha, desviando o rumo da
guerra para o Oeste. Em seguida, numa rápida sucessão, o exército alemão
conquistou a Dinamarca, Noruega, Holanda e Bélgica. Em junho de 1940, a França
desmoronava, com a maior parte de sua classe dominante optando pela colaboração
com os nazistas.
Em 1941, diante dos apelos do primeiro-ministro da Inglaterra, Winston
Churchill, para os EUA entrarem na guerra contra a Alemanha, Franklin Roosevelt
declarou: “Acredito que falo como presidente dos Estados Unidos quando digo que
não ajudaremos a Inglaterra nessa guerra se for para eles continuarem a tratar
com arrogância os povos coloniais”. Suas palavras significavam que os EUA
queriam em troca ter livre acesso aos mercados até então sob o domínio imperial
inglês.
Mas Roosevelt havia prometido ao seu povo que não mandaria os jovens
norte-americanos para morrer na guerra europeia e precisava de um pretexto para
descumprir a promessa. Com o ataque do Japão à base norte-americana de Pearl
Harbor, no Havaí, o pretexto estava dado.
Heroísmo estóico da URSS derrotou Hitler
Atacada com ferocidade pelo exército alemão, a URSS clamou em vão pela
abertura de um segundo front na Europa durante três anos. Sob influência de
Churcill, as tropas aliadas foram desviadas para a África, frente secundária,
mas de interesse da Inglaterra para a defesa de seu império (e de seu petróleo
no Oriente Médio). A invasão da Normandia só aconteceu depois que o Exército da
URSS, numa façanha inacreditável, havia destroçado a até então invencível
máquina de guerra alemã, e marchava celeremente para Berlim. Ameaçava tomar
controle da segunda maior base industrial e tecnológica do planeta, o que seria
desastroso para os interesses dos capitalistas norte-americanos e ingleses. Os
autores dizem: “Ainda que susbsista o mito de que os Estados Unidos venceram a
2ª. Guerra Mundial, importantes historiadores concordam que foi a União
Soviética e toda sua sociedade, incluindo Josef Stalin, seu brutal ditador, que
por meio do absoluto desespero e do heroísmo incrivelmente estóico, forjaram a
grande narrativa da 2ª. Guerra Mundial: a derrota da monstruosa máquina de
guerra alemã”.
A economia dos EUA quase dobrou durante a guerra, apoiada na indústria
de armas. Como Franklin Roosevelt estava doente, sua terceira eleição à presidência
envolveu uma batalha e um golpe branco para a escolha do vice-presidente. O
progressista Wallace, que era o auxiliar mais próximo de Roosevelt, foi
afastado por uma manipulação dos grandes industriais em favor de um senador
provinciano e ignorante chamado Harry Truman. Meses depois, ao assumir a
presidência após a morte de Roosevelt, segundo os autores, Truman estava
“escandalosamente despreparado” para a função. Estimulado pelos representantes
dos grandes empresários da indústria do aço e de armamentos e altos
funcionários anticomunistas, rompeu unilateralmente os acordos estabelecidos
entre Roosevelt e Stalin, suspendeu ajuda prometida para a reconstrução da
economia da URSS.
As bombas nucleares sobre Hiroshima e Nagasaki foram jogadas sobre um país
que já havia assumido a derrota, desnecessárias, dizem os autores. Depois de
ter suas cidades severamente bombardeadas pela aviação norte-americana, e na
iminência de a URSS entrar na guerra contra eles, os japoneses estavam buscando
ativamente negociações para sua rendição. Na verdade, as bombas foram
utilizadas para intimidar a União Soviética e conquistar vantagens nas
negociações para o pós-guerra, ainda mais que o exército soviético estava em
vias de derrotar a Alemanha e conquistar Berlim e todo o aparato industrial e
tecnológico alemão.
A mais polêmica decisão da 2ª. Guerra Mundial foi tomada apesar das
fortes restrições internas, mesmo entre os principais generais
norte-americanos. O general Dwight Eisenhower, por exemplo, disse que era
contra sua utilização porque “os japoneses estavam próximos a se render e não
era necessário atingi-los com aquela coisa horrível”.
Os autores descrevem com detalhes o horror das consequências das bombas
nucleares sobre a população japonesa e a euforia do presidente Truman ao
receber a notícia.
Os EUA no topo do mundo
Ao final da guerra, os EUA ocupavam sozinhos o topo do mundo. O império
britânico se desmantelava e a Inglaterra se tornava um estado-cliente dos EUA.
A União Soviética estava devastadoramente pobre, mas tinha o maior exército de
todos, e os partidos comunistas desfrutavam de crescente influência na Europa,
o que causava calafrios na diplomacia norte-americana. Com sua economia
florescente, produzindo 50% dos bens industriais do planeta, e detentores do
monopólio da arma nuclear, ainda assim os EUA acusavam a URSS de estar prestes
a conquistar o mundo. E ameaçavam de usar a bomba contra ela. Com a brutal
repressão aos comunistas na Grécia, os EUA inauguraram a Guerra Fria.
Internamente, iniciou-se a “caça às bruxas”, as investigações para descobrir
comunistas “infiltrados” entre funcionários do governo, artistas, intelectuais.
Alguns delatores de seus colegas destacaram-se: Ronald Reagan, Robert Taylor,
Gary Cooper e Walt Disney. O grande jornalista I.F. Stone declarou que estavam
tentando converter “toda uma geração de americanos em dedo-duros”.
No plano externo, a CIA (Central Intelligence Agency) passou a promover
“guerras secretas”, centenas de operações em todo o mundo (mais de oitenta
durante o segundo mandato do presidente Truman). Chamada de “exército invisível
do capitalismo” a CIA cresceria “exponencialmente nas décadas vindouras”, dizem
os autores (o que, aliás, foi completamente confirmado por Snowden, como mostra
o filme). Grandes somas do Plano Marshall, destinado à recuperação da Europa,
foram desviadas à CIA.
Em 1949, a explosão da bomba atômica soviética e a vitória da revolução
comunista na China foram motivo para criar um clima de vulnerabilidade nos EUA.
A revista Time deu manchete: “A onda vermelha que ameaça engolfar o mundo”. A
guerra da Coréia, em 1950-53, “foi a pior derrota que os norte-americanos já sofreram”,
escreveu a revista.
Outro grande abalo para os americanos foi o lançamento do Sputnik pela
URSS em 1957, que lançou os EUA numa frenética escalada armamentista. Mas as
autoridades sabiam que a vantagem bélica americana era abissal. O arsenal norte-americano
chegava a 22 mil bombas nucleares. Através dos aviões espiões U-2 “era possível
ver cada folha de grama da URSS”, vangloriou-se Allen Dulles, diretor da CIA. O
poder da CIA se estendia: assassinou Patrice Lumumba, líder do Congo e tentou
inúmeras vezes assassinar o dirigente cubano Fidel Castro.
A tensão era muito grande em relação à Alemanha, os soviéticos temiam que os
EUA cedessem armas nucleares aos alemães. A propaganda anticomunista visando
conduzir a opinião pública norte-americana a aceitar a corrida armamentista
acabou por criar uma histeria coletiva com a criação de um programa nacional de
construção de abrigos atômicos nas casas das pessoas e o direito de matar os
vizinhos que quisessem invadir seu abrigo.
Em 1962, a guerra nuclear por um triz
Em 1962, a crise dos misseis soviéticos instalados em Cuba levou ao
paroxismo a tensão e houve uma grave ameaça de deflagração da guerra nuclear. O
generais queriam atacar Cuba, mas Kennedy resistiu: “se nós os escutarmos e
fizermos o que eles querem, nenhum de nós sobreviverá para dizer a eles que
estavam errados”, disse. O livro relata o episódio de modo emocionante. Foi o
momento em que as duas máquinas militares estiveram a pique de deflagrar a
guerra escapando do controle dos seus governantes.
Os autores dão indicações de que a morte do presidente John Kenney de
alguma forma se deveu à insatisfação dos “altos escalões das comunidades de
inteligência, das forças armadas e dos negócios, sem falar na Máfia, nos
segregacionistas e nos cubanos a favor e contra Castro (…) a raiva contra ele
era visceral.”
Com Lyndon Johnson na presidência, a guerra do Vietnã se ampliaria, se
dariam a instalação de ditaduras militares na América do Sul, novo golpe na
Grécia. Na Indonésia, obra da CIA, o banho de sangue só foi menor que o do
Vietnã. Aliás, um dos capítulos do livro mais ricos em detalhes trata da guerra
do Vietnã, do presidente Richard Nixon e de seu assessor Henry Kissinger. Um
exemplo de sua política: segundo Le Duan, dirigente norte-vietnamita, os EUA
ameaçaram usar armas nucleares treze vezes. Os autores também mostram a
indústria bélica que se desenvolveu para sustentar a guerra.
A criação dos mujahedins, um tiro no pé
Em 1979, dois acontecimentos teriam repercussão histórica de longo
prazo. A revolução dos aiatolás no Irã; e, com apoio das ditaduras da Arabia
Saudita e do Paquistão, a formação, pelos EUA, de grupos armados
fundamentalistas islâmicos para combater o governo pró-soviético do
Afeganistão. Nos anos futuros os EUA teriam motivos para se lamentar diante do
crescimento exponencial do movimento islâmico radical e em especial pelo ataque
às torres gêmeas, em Nova Iorque, em 11 de setembro de 2001.
A partir dali, os Estados Unidos caminhariam para a direita talvez mais
que em qualquer outro momento, mergulhando nas guerras fracassadas no
Afeganistão e no Iraque, com apoio entusiástico da mídia, praticando a tortura
e o assassinato em nome da defesa da democracia e dos direitos humanos.
Os autores perguntam: “quem foi o vencedor real? Depois de trilhões de
dólares gastos, duas guerras, centenas de milhares de mortos no mundo todo, uma
interminável guerra contra o terror, a perda das liberdades civis, uma
presidência fracassada e uma extremamente maculada e o quase colapso da
estrutura financeira do império, pode-se dizer que os EUA tiveram uma vitória
de Pirro, em que suas perdas tornaram inútil a vitória”.
(Atualização de Resenha publicada em 2015 na revista Retrato do Brasil,
da Editora Manifesto).
Livro
A HISTÓRIA NÃO CONTADA DOS ESTADOS UNIDOS
Por Oliver Stone e Peter Kuznick
355 páginas
Faro Editorial, 2015.
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Palavra do PCdoB
PCdoB defende novo ciclo de desenvolvimento soberano em programa de Lula
Walter Sorrentino detalha a contribuição ao plano de Lula. Documento aponta CT&I, reindustrialização e planejamento como eixos para um novo ciclo histórico
Cezar Xavier/Portal Vermelho
A poucos meses das eleições que definirão os rumos do país para o próximo mandato, o debate sobre o programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganha contornos estratégicos. Na mais recente edição do programa Entrelinhas Vermelhas, do Portal Vermelho, Walter Sorrentino, presidente da Fundação Maurício Grabois, detalhou a contribuição do PCdoB para o plano participativo da coligação. Sob o título “Rumos Soberanos para uma Nova Arrancada do Desenvolvimento”, o documento coloca a soberania nacional não apenas como uma bandeira, mas como a condição sine qua non para a democracia e a justiça social.
Para Sorrentino, o mundo vive uma desordem multipolar e uma nova fase de agressividade imperialista, o que exige do Brasil um projeto nacional maduro. “Não há como atender aos anseios do povo sem um forte desenvolvimento, e ele depende do papel do Estado Nacional”, afirmou, destacando que a soberania é o “sobrenome da nossa causa” neste momento histórico.
Os três vértices da transformação produtiva
Para organizar o pensamento estratégico e evitar a dispersão de políticas públicas, a contribuição do PCdoB estrutura-se em três vértices fundamentais. O primeiro é a elaboração de um Plano Nacional de Desenvolvimento com metas claras, modelos de financiamento e missões definidas, capaz de galvanizar todo o governo e criar um controle social sobre sua execução.
O segundo vértice é a reindustrialização em novas bases tecnológicas. Sorrentino alerta que o Brasil não pode tentar recuperar o tempo perdido apenas repetindo o passado; é preciso “queimar etapas” na dimensão tecnológica, aprofundando a Nova Indústria Brasil (NIB) com financiamento à altura.
O coração desse processo, e terceiro vértice, é a Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I). Para o dirigente, a CT&I é a principal força produtiva da contemporaneidade. O desafio brasileiro é transformar ciência em inovação e garantir acordos internacionais soberanos — especialmente no âmbito dos Brics e com a China — que assegurem a transferência de tecnologia e a proteção dos dados nacionais.
Meio ambiente como ativo e a vida do povo
A reportagem também abordou a interseção entre desenvolvimento e questão ambiental. Rompendo com a visão reducionista de que a preservação é um ônus, Sorrentino defende uma “perspectiva ecológica”, em que o meio ambiente é um ativo político, econômico e social. A transição energética e o combate às mudanças climáticas estão no centro do projeto, transformando a Amazônia e a matriz energética limpa do Brasil em fronteiras de inovação e bem-estar.
Tudo isso, contudo, está subordinado a uma “cláusula fundamental”: a construção de uma vida melhor para o povo trabalhador. Para o presidente da Fundação Grabois, isso exige enfrentamento direto ao regime macroeconômico vigente. Ele criticou a política de juros, que drena quase 9% do PIB para o sistema financeiro, engessando o orçamento e impedindo investimentos em áreas vitais, como a segurança pública.
Segurança, feminicídio e ameaças externas
A segurança pública foi apontada como uma das principais demandas da população e um tema de soberania. Sorrentino defendeu a criação de um Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), com ministério próprio e integração entre União, estados e municípios.
O dirigente fez um alerta grave sobre as ameaças externas. Ele repudiou a postura do governo de Donald Trump e de setores imperialistas que buscam classificar o crime organizado no Brasil como “terrorismo”. Segundo Sorrentino, essa manobra é um expediente unilateral para justificar a extraterritorialidade de leis americanas e abrir portas para intervenções estrangeiras na soberania nacional, criando um “cinturão reacionário” na América do Sul. O enfrentamento ao crime, reforçou, deve ser feito de forma soberana, sem aumentar a violência contra as periferias.
A luta contra o feminicídio e a violência de gênero também foi destacada como um indicador civilizatório inegociável, reafirmando o papel histórico da bancada feminina do PCdoB e do partido na defesa dos direitos das mulheres e da saúde pública.
A disputa política e o novo ciclo
Ao traçar o horizonte para o próximo mandato, Sorrentino foi enfático ao defender a elevação da consciência política. Ele criticou o atual Congresso Nacional, transformado em uma “oligarquia política” com orçamento próprio via emendas, e defendeu que as reformas estruturais — como a reforma política e a revisão da autonomia do Banco Central — devem ser levadas à população, inclusive via plebiscitos.
“O último governo Lula tem que ser o inaugurador de um novo ciclo que dure 20, 30, 40 anos”, concluiu Sorrentino. Para ele, a vitória nas urnas em outubro dependerá da capacidade da esquerda em vocalizar as insatisfações populares, enfrentar o neoliberalismo e apresentar um projeto de nação que resgate o Brasil de sua condição semiperiférica, colocando-o no rumo do pleno desenvolvimento soberano.
Veja aqui a entrevista https://www.youtube.com/watch?v=Gz1EjJBDuh8
Sylvio: tarifaço
Durante o processo de definição do tarifaço imposto por Trump ao Brasil, o senador Flávio Bolsonaro e seu irmão Eduardo, fugitivo nos Estados Unidos, não disseram uma só palavra de desaprovação ao mesmo. Agora, temendo o efeito negativo que vai causar nas eleições, pede o adiamento de sua vigência. Se pensasse no interesse nacional, ao invés de adiamento pediria a extinção dessa medida altamente prejudicial à nossa economia. Francamente, essa família pensa o quê e o que quer para o Brasil e seu povo?
"Somos todos Lula em
torno de um cafezinho" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/convite-vamos-nessa.html






