25 agosto 2026

Palavra de poeta

Consolo na praiaaia
Carlos Drummond de Andrade        

Vamos, não chores...
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
 
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
 
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.
 
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?
 
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
 
Tudo somado, devias
precipitar-te — de vez — nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.

 
[Ilustração: Dionísio del Santo]
 
Leia também: O poeta negro Miró da Muribeca, voz antirracista https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/uma-cronica-de-urariano-mota.html 

Fotografia

 

Marie Adolphson 

"Somos todos Lula em torno de um cafezinho" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/convite-vamos-nessa.html 

Postei nas redes

Aumentar a representação popular e democrática no Senado e na Câmara é essencial ao êxito do próximo governo Lula. Implica atitude proativa na campanha e no voto. 

Qual é a da Faria Lima? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_068512590.html 

Dica de leitura

Guerra híbrida midiática
Luciano Siqueira     

O papel nefasto do complexo midiático dominante é tema de oportuno e esclarecedor artigo de Luís Nassif - "A imprensa na guerra híbrida" - , publicado no Jornal GGN.

Nassif  afirma que o comportamento atual da imprensa é ainda mais grave do que no período da Lava Jato. Antes havia o pretexto de apuração de crimes reais;  explícita de guerra híbrida, sem a sustentação consistente nos fatos.

Ocorre uma “pressão extraterritorial” (especialmente vindos dos Estados Unidos) que subordinam a imprensa e a infraestrutura de comunicação nacional.

O direcionamento do conteúdo publicitário de grandes multinacionais americanas influencia a conduta editorial. Empresas evitam veicular anúncios em portais ou veículos que não sigam a linha de interesses geopolíticos de Washington.

Por outro lado, a aplicação da Lei Magnitsky/OFAC impõe avaliações individuais ou corporativas a executivos e grupos econômicos, operando como uma "arma nuclear financeira". A simples possibilidade de ser atingido por restrições do Departamento do Tesouro dos EUA impõe autocensura a grupos empresariais e de mídia.

Acresce dependência tecnológica e plataformas: o controle das Big Techs (mecanismos de busca, redes sociais e serviços de nuvem) constitui estrangulamento operacional e distribuição assimétrica de conteúdo e de receita.

Para Nassif, a insistência da grande imprensa em atuar como linha de frente de desgaste político e de soberania não deve ser interpretada apenas por viés ideológico local ou erro pontual de apuração. Ela é uma guerra híbrida ampla, na qual alavancas econômicas, judiciais, tecnológicas e publicitárias sob influência dos Estados Unidos constrangem o debate público e tensionam a soberania das instituições e da política brasileira. Confira https://jornalggn.com.br/destaque-capa/a-imprensa-na-guerra-hibrida-por-luis-nassif/

Leia também: "O Leviatã digital" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/poder-algoritmico.html

Humor de resistência

 

Miguel Paiva

Trump não gosta do Pix https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_02067967086.html 

Uma crônica de Abraham Sicsu

Tecnologia: não confunda a minha cabeça
Disputa entre modelos de inteligência artificial expõe questões sobre custos, privacidade e preconceitos em torno da origem das novas tecnologias.
Abraham B. Sicsu/Vermelho      

Sou um tradicionalista em termos de tecnologia. Mudanças me perturbam. Tenho um microcomputador de mais de dez anos e me serve muito bem. Como máquina para escrever e  apoio a poucas buscas na internet, mais que suficiente. Ainda assino a Microsoft e não quero mudar. Esse software eu domino.

Meu velho orientador de Mestrado, com quem tenho o privilégio de almoçar pelo menos uma vez por mês, sempre insiste nas maravilhas das plataformas abertas, na necessidade de se readequar. Para quê? Tenho tudo que quero na minha velha máquina, não acho ruim pagar quinhentos reais ao ano para manter-me na inércia de não mudar.

A onda agora são “Lives”. Em geral virtuais. Tive que me adequar. No início era o Zoom. Entrou o Meet e o Teams. Até aí tranqüilo, sem muita sofisticação.

Na semana passada me chamaram para uma apresentação virtual. Entrando vi ser outra plataforma da Rede Nacional de Pesquisa. Todos os meus colegas estão usando. Uma complicação para mim. Primeiro para o compartilhamento de voz, depois para o compartilhamento de tela. Fiquei uma meia hora me adequando. Daqui a pouco terei outra e, com minha aversão às mudanças, sei que terei problemas. Nada que não possa superar.

Esses são detalhes. Há algo na essência. A onda agora é inteligência artificial. Estou trabalhando numa pesquisa sobre digitalização na indústria regional. Algumas primeiras observações fazem-se necessárias.

Nas empresas, o uso começou com o famoso ChatGPT da OpenAI. A novidade pegou e os modelos Claude, da Anthropic, o Gemini, do Google, e o xAI, do Musk, também ganharam espaço.

Nos anos recentes nota-se uma mudança significativa. As empresas chinesas como a DeepSeek, Alibaba e Baidu passam a ganhar espaços muito significativos. Oferecem custos muito mais atrativos com características operacionais similares às empresas americanas.

Críticos dizem que elas foram financiadas pelo governo do grande país asiático e que deveria se tomar cuidado, pois tudo que se oferece de graça torna você o produto. Como?  Seus dados ficariam nas bases chinesas e facilmente manipuláveis.

O que não se diz é que no caso das nuvens, isso também pode acontecer com os modelos americanos ou europeus.

Anos atrás, lembro de assistir uma palestra sobre a WEB no seu nascedouro, de um pesquisador pernambucano, em que ele dizia que nada que se coloca nas plataformas pode se manter segredo. Tudo passa a domínio público, quando é interessante fazê-lo.

Um especialista na área de inteligência artificial, com todos os “pedigrees” acadêmicos, consultado sobre o tema, afirma que “a segurança e privacidade um modelo de IA não dependem de sua origem, mas sim da arquitetura de implantação, conformidade jurídica e controles que são adotados. Modelos chineses ou americanos podem ter diferentes fontes de investimentos, mas isso não determina o nível de proteção de dados.”

Mais adiante diz, “softwares gratuitos podem ser seguros através de código aberto, enquanto serviços pagos podem coletar dados via telemetria”

E ressalta mais, “não é possível concluir que um modelo seja inseguro, apenas por ser chinês, indiano ou outro qualquer, nem que seja seguro por ser pago ou americano. A avaliação deve ser baseada em requisitos técnicos.”

Esse debate, evidentemente, tem aspectos ideológicos envolvidos e preconceitos já estabelecidos. No entanto, bom notar, para as médias e pequenas empresa que têm muito a ganhar com o uso da inteligência artificial e não têm tantos segredos que possam as tornar vulneráveis frente à concorrência, ter mecanismos a custos reduzidos e em condições de agilizar e reorientar suas atividades, é algo muito interessante. Isso vem sendo notado em escala mundial e no regional também.

Um ser criado na era analógica, vendo essas modificações, que se tornam querelas e embates por razões meramente ideológicas fica confuso.

Como gosto dos chineses, voltarei aos ábacos que eram muito mais seguros.

Ilustração: imagem produzida por IA

Anel pra quê? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_01116408591.html  

Postei nas redes

No debate da Band, enquanto Caiado falava, seu vice, Gilberto Kassab, cochilava. Retrato de uma extrema direita decadente. 

Debates eleitorais na TV esclarecem pouco https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_01011503777.html