25 agosto 2026

Dica de leitura

Guerra híbrida midiática
Luciano Siqueira     

O papel nefasto do complexo midiático dominante é tema de oportuno e esclarecedor artigo de Luís Nassif - "A imprensa na guerra híbrida" - , publicado no Jornal GGN.

Nassif  afirma que o comportamento atual da imprensa é ainda mais grave do que no período da Lava Jato. Antes havia o pretexto de apuração de crimes reais;  explícita de guerra híbrida, sem a sustentação consistente nos fatos.

Ocorre uma “pressão extraterritorial” (especialmente vindos dos Estados Unidos) que subordinam a imprensa e a infraestrutura de comunicação nacional.

O direcionamento do conteúdo publicitário de grandes multinacionais americanas influencia a conduta editorial. Empresas evitam veicular anúncios em portais ou veículos que não sigam a linha de interesses geopolíticos de Washington.

Por outro lado, a aplicação da Lei Magnitsky/OFAC impõe avaliações individuais ou corporativas a executivos e grupos econômicos, operando como uma "arma nuclear financeira". A simples possibilidade de ser atingido por restrições do Departamento do Tesouro dos EUA impõe autocensura a grupos empresariais e de mídia.

Acresce dependência tecnológica e plataformas: o controle das Big Techs (mecanismos de busca, redes sociais e serviços de nuvem) constitui estrangulamento operacional e distribuição assimétrica de conteúdo e de receita.

Para Nassif, a insistência da grande imprensa em atuar como linha de frente de desgaste político e de soberania não deve ser interpretada apenas por viés ideológico local ou erro pontual de apuração. Ela é uma guerra híbrida ampla, na qual alavancas econômicas, judiciais, tecnológicas e publicitárias sob influência dos Estados Unidos constrangem o debate público e tensionam a soberania das instituições e da política brasileira. Confira https://jornalggn.com.br/destaque-capa/a-imprensa-na-guerra-hibrida-por-luis-nassif/

Leia também: "O Leviatã digital" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/poder-algoritmico.html

Humor de resistência

 

Miguel Paiva

Trump não gosta do Pix https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_02067967086.html 

Uma crônica de Abraham Sicsu

Tecnologia: não confunda a minha cabeça
Disputa entre modelos de inteligência artificial expõe questões sobre custos, privacidade e preconceitos em torno da origem das novas tecnologias.
Abraham B. Sicsu/Vermelho      

Sou um tradicionalista em termos de tecnologia. Mudanças me perturbam. Tenho um microcomputador de mais de dez anos e me serve muito bem. Como máquina para escrever e  apoio a poucas buscas na internet, mais que suficiente. Ainda assino a Microsoft e não quero mudar. Esse software eu domino.

Meu velho orientador de Mestrado, com quem tenho o privilégio de almoçar pelo menos uma vez por mês, sempre insiste nas maravilhas das plataformas abertas, na necessidade de se readequar. Para quê? Tenho tudo que quero na minha velha máquina, não acho ruim pagar quinhentos reais ao ano para manter-me na inércia de não mudar.

A onda agora são “Lives”. Em geral virtuais. Tive que me adequar. No início era o Zoom. Entrou o Meet e o Teams. Até aí tranqüilo, sem muita sofisticação.

Na semana passada me chamaram para uma apresentação virtual. Entrando vi ser outra plataforma da Rede Nacional de Pesquisa. Todos os meus colegas estão usando. Uma complicação para mim. Primeiro para o compartilhamento de voz, depois para o compartilhamento de tela. Fiquei uma meia hora me adequando. Daqui a pouco terei outra e, com minha aversão às mudanças, sei que terei problemas. Nada que não possa superar.

Esses são detalhes. Há algo na essência. A onda agora é inteligência artificial. Estou trabalhando numa pesquisa sobre digitalização na indústria regional. Algumas primeiras observações fazem-se necessárias.

Nas empresas, o uso começou com o famoso ChatGPT da OpenAI. A novidade pegou e os modelos Claude, da Anthropic, o Gemini, do Google, e o xAI, do Musk, também ganharam espaço.

Nos anos recentes nota-se uma mudança significativa. As empresas chinesas como a DeepSeek, Alibaba e Baidu passam a ganhar espaços muito significativos. Oferecem custos muito mais atrativos com características operacionais similares às empresas americanas.

Críticos dizem que elas foram financiadas pelo governo do grande país asiático e que deveria se tomar cuidado, pois tudo que se oferece de graça torna você o produto. Como?  Seus dados ficariam nas bases chinesas e facilmente manipuláveis.

O que não se diz é que no caso das nuvens, isso também pode acontecer com os modelos americanos ou europeus.

Anos atrás, lembro de assistir uma palestra sobre a WEB no seu nascedouro, de um pesquisador pernambucano, em que ele dizia que nada que se coloca nas plataformas pode se manter segredo. Tudo passa a domínio público, quando é interessante fazê-lo.

Um especialista na área de inteligência artificial, com todos os “pedigrees” acadêmicos, consultado sobre o tema, afirma que “a segurança e privacidade um modelo de IA não dependem de sua origem, mas sim da arquitetura de implantação, conformidade jurídica e controles que são adotados. Modelos chineses ou americanos podem ter diferentes fontes de investimentos, mas isso não determina o nível de proteção de dados.”

Mais adiante diz, “softwares gratuitos podem ser seguros através de código aberto, enquanto serviços pagos podem coletar dados via telemetria”

E ressalta mais, “não é possível concluir que um modelo seja inseguro, apenas por ser chinês, indiano ou outro qualquer, nem que seja seguro por ser pago ou americano. A avaliação deve ser baseada em requisitos técnicos.”

Esse debate, evidentemente, tem aspectos ideológicos envolvidos e preconceitos já estabelecidos. No entanto, bom notar, para as médias e pequenas empresa que têm muito a ganhar com o uso da inteligência artificial e não têm tantos segredos que possam as tornar vulneráveis frente à concorrência, ter mecanismos a custos reduzidos e em condições de agilizar e reorientar suas atividades, é algo muito interessante. Isso vem sendo notado em escala mundial e no regional também.

Um ser criado na era analógica, vendo essas modificações, que se tornam querelas e embates por razões meramente ideológicas fica confuso.

Como gosto dos chineses, voltarei aos ábacos que eram muito mais seguros.

Ilustração: imagem produzida por IA

Anel pra quê? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_01116408591.html  

Postei nas redes

No debate da Band, enquanto Caiado falava, seu vice, Gilberto Kassab, cochilava. Retrato de uma extrema direita decadente. 

Debates eleitorais na TV esclarecem pouco https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_01011503777.html 

A força do diálogo

Que Brasil queremos? Democracia, civilização e dignidade
Padre Fábio/SaibaMais     

Era 1979. Eu tinha onze anos e começava a descobrir que o Brasil em que eu vivia carregava uma ferida chamada ditadura militar. Descobri que havia brasileiros exilados, presos políticos, homens e mulheres perseguidos e torturados por defenderem a liberdade e a democracia. Guardo na memória as imagens dos jornais mostrando a volta de Leonel Brizola, Miguel Arraes, Dulce Maia e de tantos outros homens e mulheres que haviam sido obrigados a deixar o país. Paulo Freire também voltava naquele tempo para rever e reaprender o Brasil, antes de seu retorno definitivo no ano seguinte. Fui conhecendo ainda histórias como a da Irmã Maurina Borges da Silveira, religiosa presa, torturada pela repressão e banida para o México.

Para aquele menino de onze anos, palavras como ditadura, exílio, tortura, presos políticos, anistia e democracia começavam a deixar de ser palavras abstratas e passavam a ter rostos. Talvez tenha nascido ali uma convicção que nunca mais me abandonou: a democracia não é um presente definitivo. É uma conquista que precisa ser cuidada e defendida todos os dias.

Em 1984, eu estava em Fortaleza com meu irmão gêmeo, Fabiano Piúba, e guardo especialmente a memória da praça do Teatro José de Alencar, tomada pela mobilização das Diretas Já. Ali, em meio à multidão que queria recuperar o direito de escolher pelo voto o presidente da República, estavam grandes nomes do campo democrático brasileiro: Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, Miguel Arraes, Leonel Brizola, Luiz Inácio Lula da Silva, Luís Carlos Prestes, Dante de Oliveira e Paes de Andrade, entre outras lideranças. Artistas, trabalhadores, estudantes e gente comum também enchiam a praça. O Brasil reaprendia a dizer em voz alta uma palavra que durante tantos anos havia sido sufocada: liberdade.

Depois da derrota da Emenda Dante de Oliveira, a eleição de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral também contou com a contribuição decisiva da Frente Liberal, formada por lideranças da direita que romperam com o campo governista e ajudaram a construir a Aliança Democrática. Nomes como José Sarney, Marco Maciel, Aureliano Chaves e Antônio Carlos Magalhães tiveram papel importante naquele processo. É uma lembrança necessária: a redemocratização brasileira também contou com a participação de uma direita democrática, capaz de colocar a defesa da democracia acima das diferenças partidárias.

Vieram depois a transição democrática, a Assembleia Nacional Constituinte e, em 1988, a Constituição que Ulysses Guimarães chamou de Constituição Cidadã.

Por que recordar tudo isso agora? Porque estamos novamente em um ano eleitoral, e há momentos em que uma eleição significa mais do que escolher nomes, partidos ou administradores. Escolhemos também projetos de sociedade, maneiras de compreender a democracia, a economia, os direitos, a convivência entre os diferentes e a própria dignidade da pessoa humana.

Anos depois, já adulto, essa memória deixou de ser apenas aquilo que eu havia visto pelos jornais e passou a ganhar ainda mais rosto e voz. Ao lado de Roberto Monte, no Centro de Direitos Humanos e Memória Popular, em Natal, pude conviver, ouvir e entrevistar antigos presos e perseguidos políticos, homens e mulheres cujas histórias atravessavam diferentes momentos de violência política no Brasil: a Insurreição de 1935, a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas e a ditadura civil-militar iniciada em 1964. Esse contato, vivido ao longo de vários anos, entre o final da década de 1990 e os anos 2000, aproximou-me ainda mais da memória viva daqueles que conheceram a prisão, a perseguição, a tortura e a supressão das liberdades. Não eram mais apenas capítulos de livros de História. Eram pessoas diante de mim, contando o que viveram.

Talvez por isso eu não consiga olhar com indiferença quando os sinais do autoritarismo voltam a aparecer. Vivemos uma quadra mundial marcada pelo crescimento da extrema-direita, de discursos autoritários, da intolerância e de formas de fazer política que transformam o adversário em inimigo.

E aqui faço uma ressalva indispensável: não estou me referindo à direita democrática. Ser de direita não significa ser fascista, autoritário, intolerante ou inimigo dos direitos humanos. A direita democrática pertence legitimamente ao campo da democracia, assim como a esquerda e o centro. Democracia é pluralidade, divergência, alternância de poder, respeito à Constituição e às instituições.

Eu acredito no diálogo. Quero dialogar com quem pensa como eu e também com quem pensa diferente de mim. Minha crítica, portanto, não é à direita. Refiro-me à extrema-direita, sobretudo quando ela ultrapassa os limites do conservadorismo democrático e assume características neonazifascistas: desprezo pelas instituições, culto à força, fabricação de inimigos, violência política, racismo, misoginia, homofobia, intolerância religiosa e ódio ao diferente.

Há também uma escolha econômica. Podemos construir uma sociedade em que o mercado e a iniciativa privada estejam a serviço da vida e do bem comum, garantindo direitos sociais e trabalhistas, combatendo a fome e a desigualdade, fortalecendo educação, saúde e proteção social. Ou podemos aceitar um ultraliberalismo econômico exclusivista e excludente, no qual direitos são tratados como obstáculos, a desigualdade é naturalizada e a dignidade humana acaba submetida à lógica ilimitada do lucro.

Não se trata de negar o mercado ou a iniciativa privada. Trata-se de afirmar algo elementar: a economia deve servir à pessoa humana, e não a pessoa humana servir à economia.

Quando o lucro perde seus limites éticos, sofre o trabalhador, sofre o pobre e sofre também a natureza. A mesma lógica que descarta pessoas transforma rios, florestas, mares e territórios em simples mercadorias. Não existe verdadeira justiça social sem justiça ambiental. O grito dos pobres e o gemido da criação nascem, muitas vezes, da mesma lógica de exploração.

Mais perigoso ainda é quando a exclusão econômica se encontra com a cultura do ódio. O pobre é desprezado; a mulher, diminuída; o negro, discriminado; pessoas LGBT, transformadas em alvo; religiões diferentes, hostilizadas. A misoginia, o machismo, o racismo, a homofobia e a intolerância religiosa se espalham intensamente pelas redes sociais e já atravessam as telas para atingir pessoas concretas nas ruas, nos locais de trabalho, nas comunidades e até nos espaços religiosos.

A palavra que desumaniza pode preparar o terreno para a violência que fere.

É nesse sentido que falo em dois projetos e uso uma expressão forte: civilização ou barbárie. Não como ataque à direita democrática. Não como demonização de quem pensa diferente. Não como slogan partidário. Mas como uma pergunta ética.

Civilização é reconhecer o outro como pessoa. Barbárie é transformar o diferente em inimigo. Civilização é garantir direitos. Barbárie é naturalizar a exclusão. Civilização é conviver com as diferenças. Barbárie é alimentar o ódio. Civilização é submeter a economia à dignidade humana. Barbárie é sacrificar pessoas e natureza no altar da ganância. Civilização é democracia. Barbárie é flertar com o autoritarismo.

Tenho hoje cinquenta e oito anos. Aquele menino de onze anos que viu pela televisão os exilados retornarem ao Brasil ainda vive em mim. E aquele adolescente que, ao lado do meu irmão gêmeo, Fabiano, viu uma praça de Fortaleza tomada pela esperança democrática também continua aqui.

Nossa geração viu este país reaprender a votar. Viu multidões pedirem eleições diretas. Viu nascer uma Constituição que colocou a cidadania no coração da República.

Depois de tudo isso, não podemos tratar a democracia com indiferença.

A democracia é imperfeita. Precisa ser criticada, corrigida e aprofundada. Mas é dentro dela que podemos lutar por mais justiça, mais liberdade, mais igualdade, mais direitos e mais dignidade. Fora dela, cresce a noite.

Neste ano eleitoral, portanto, talvez antes de perguntarmos em quem votar, devêssemos fazer uma pergunta ainda mais profunda:

Que Brasil queremos?

Um Brasil do medo ou da esperança? Do ódio ou da fraternidade? Da exclusão ou da justiça social? Da intolerância ou do diálogo? Da devastação ou do cuidado com a Casa Comum? Da barbárie ou da civilização?

Eu faço a minha escolha: democracia, dignidade humana, justiça social, liberdade, diálogo e fraternidade. Sempre.

Imagem produida por IA

A soberania em destaque https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_01847079127.html 

Minha opinião

Prazeroso diálogo na telinha
Luciano Siqueira    

Estou entre os que se rebelam contra o exagero da comunicação digital, praga das piores nos novos tempos em que vivemos. 

Mas uso o celular, é o jeito. 

Inclusive para me comunicar com muitos amigos e amigas que fiz ao longo do tempo. 

Alguns poucos milhares dentre os números constantes do meu WhatsApp. 

Conversamos sobre tudo, numa certa medida. Mais nem sempre é possível porque são inúmeras as mensagens diárias e eu sigo com uma agenda de trabalho cheia. 

Daí me atrasar muito em responder. 

Respondo por escrito ou de viva voz ou ligação em vídeo. No desdobramento da conversa sempre conto a compreensão e a paciência dos amigos e amigas porque frequentemente demoro a prosseguir o diálogo iniciado. 

Agora mesmo, a campanha eleitoral torna-se tema principal de nossas conversas — para entendermos o sentido dos fatos, nos alimentarmos mutuamente de argumentos para a defesa do presidente Lula e dos nossos candidatos e candidatas ao governo do Estado, ao Senado e à Câmara e à Assembleia Legislativa

A chapa completa: Lula, João Campos, Humberto Costa, Marília Arraes, Renildo Calheiros e Cida Pedrosa. 

Também colaboro, na medida do possível, com os demais candidatos e candidatas a deputado federal e a deputado estadual do meu partido, o PCdoB.

A campanha de Cida é a minha trincheira cotidiana. Com honra e prazer, pelo perfil da candidata e pela fusão permanente entre a consciência e o afeto. 

O tempo de campanha é relativamente curto e é preciso intensificar as atividades, inclusive através do WhatsApp e do Instagram. 

No meu blog também. 

Nossa campanha sofre de uma desigualdade absurda em termos financeiros e materiais, em que os candidatos das grandes legendas e representantes das elites dominantes gozam de muita vantagem. 

Daí combinamos o tempo todo a difusão e o debate das ideias e da prática de Cida Pedrosa com o apelo solidário a que cada um contribua com a "vaquinha" dentro das suas possibilidades, fazendo o depósito via Pix 68.258.332/0001-04

Me entusiasma saber que muitas são as contribuições de pequenos valores — 10, 15, 50 reais — advindos da população mais pobre da cidade, que vive cotidianamente o mandato de Cida na Câmara Municipal, colado na luta do povo. 

Você pode contribuir com um pouquinho mais? Ótimo! Pois faça isso agora. 

E a gente segue conversando e ampliando, pela consciência e pela iniciativa de cada um de nós, a campanha de Lula presidente e pela nossa chapa completa.

Em tempo: quer conversar pessoalmente, olhos nos olhos e em torno de um cafezinho? Topo. Podemos combinar por aqui mesmo. 

"Somos todos Lula em torno de um cafezinho" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/convite-vamos-nessa.html 

Palavra de poeta

Homem comum
Ferreira Gullar     

Sou um homem comum
de carne e de memória
de osso e esquecimento.
Ando a pé, de ônibus, de táxi, de avião
e a vida sopra dentro de mim
pânica
feito a chama de um maçarico
e pode
subitamente
cessar.

Sou como você
feito de coisas lembradas
e esquecidas
rostos e
mãos, o guarda-sol vermelho ao meio-dia
em Pastos-Bons,
defuntas alegrias flores passarinhos
facho de tarde luminosa
nomes que já nem sei

[Ilustração: Dick Sargent]

Leia também: "a parede e a flor", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/palavra-de-poeta_01116453344.html