30 setembro 2026

Palavra de poeta

ALMA MATER

Virginia Leal   


meu olhar sobre amor ao mar,

um denso e quente olhar
e(s)ntranhamente fecundo,
vem da mulher metamórfica,
amada e cantada pelo poeta
das cosmicidades órficas!

 

[Ilustração: José Luís Poveda]

Leia também: "Rainha dos degradados", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/palavra-de-poeta_22.html 

Uma crônica de Urariano Mota

O presidente Lula no Recife 
Entre soberania, memória e afeto pelo Recife, a passagem de Lula pela capital pernambucana evoca a defesa da democracia, da pátria e da liberdade.
Urariano Mota/Vermelho     

Diante da luminosa presença do nosso presidente nesta sexta-feira (25) no Recife, tenho que antecipar a minha coluna, pois não conseguirei estar na rua e em casa escrevendo ao mesmo tempo. Há quem escreva direto no celular, mas escrever com tamanha habilidade e talento jamais conseguirei. 

Então eu tento estar presente por antecipação, se é que é possível semelhante feitiçaria. Então eu busco uma saída, que pode estar a partir do histórico discurso de Lula na abertura da sessão da ONU no dia 22 desta semana. E relacionarei com o sentido de pátria dos brasileiros adiante. Do seu discurso histórico, que foi capa de jornais em todo o mundo, menos na mídia do capital do Brasil, destaco: 

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém.

Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro — e é em benefício dele que serão exploradas.

O acesso a nossos minerais terá como contrapartida obrigatória a geração de valor em nosso território, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais.

No dia quatro de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros vão às urnas para definir o seu destino.

Não vão apenas eleger o presidente da República, governadores estaduais e representantes do Poder Legislativo.

Vão decidir entre democracia e negacionismo.

Se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão.

O Brasil continuará sendo um país soberano.

Ninguém…!!! Ninguém nos afastará desse caminho”. 

Dele vou ao patriota de todos os tempos, o inesquecível Frei Caneca: 

“É possível que brasileiros, que homens reputados por patriotas, e que se mostravam tão interessados pelo bem do seu país, sejam agora os primeiros verdugos de seus compatriotas, os opressores de sua mesma nação, os tiranos de sua pátria?” 

A seguir, no Typhis Pernambucano, Frei Caneca escreveu: 

“Quando a nau da pátria se acha combatida por ventos embravecidos; quando, pelo furor das ondas, ela ora se sobe às nuvens, ora se submerge nos abismos; quando levada pelo furor dos euripos, feita o ludibrio dos mares, ela ameaça naufrágio e morte, todo cidadão é marinheiro; um dever sustentar o timão, outro pôr a cara ao astrolábio, ferrar o pano outro, outro alijar ao mar os fardos que a sobrecarregam e afundam, cada um prestar a diligência ao seu alcance, e sacrificar-se pelos cidadãos em perigo.

Firme neste princípio, eu levanto a voz do fundo da minha pequenez e te falo oh Pernambuco, pátria da liberdade, asilo da honra e alcance da virtude! (…) tu me deste o berço, tu ateaste no meu coração a chama celeste da liberdade, contigo ou descerei aos abismos da perdição e desonra, ou a par da tua glória voarei à eternidade”. 

Até os versos imortais: 

“Entre Marília e a pátria
Coloquei meu coração:
A pátria roubou-me todo;
Marília que chore em vão.

Quem passa a vida que eu passo,
Não deve a morte temer;
Com a morte não se assusta
Quem está sempre a morrer….”

Então ligo a presença de Lula no Recife neste 25 de setembro ao romance “A mais longa duração da juventude”, quando o personagem Vargas fala:

“Como é bonita a minha cidade. Só agora percebo. Me perdoa, Recife, por ter sido tão brutal. Tu és para mim o mundo, o lugar da fraternidade que ainda não temos. Mas um dia vamos ter, e tu serás a companheira e camarada da revolução. Eu te amo a ti, somente a ti, acima de todas as coisas. Eu te amo como o meu último afeto. Estás acima do que mais amo, a minha pátria”.

Por isso, por tanto e por tudo estaremos caminhando na multidão com o nosso maior presidente. E mais a doce lembrança de chuva e tanajura da infância no bairro de Água Fria.

Lula dá o tom da reta de chegada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/editorial-do-vermelho_089066419.html

Minha opinião

A boa notícia é a redução do desemprego
Luciano Siqueira     

Vi agora a notícia no Jornal Nacional, que noticia os dados e faz de contas de que o governo nada tem a ver com isso...

O fato é que o país criou 165,8 mil empregos formais em agosto, acumulando  1,14 milhão de novos postos de trabalho, notadamente nos setores de serviços , comércio e indústria, que mantiveram trajetória de expansão e contratações.

Sinal de revigoramento da atividade econômica, o aumento do consumo das famílias e o impacto direto dos investimentos públicos e dos programas de desenvolvimento do atual governo.

Simples assim.
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Solução para os juros altos https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/dica-de-leitura_0110212980.html 

Arte é vida

 

Candido Portinari

O selo do PCdoB na frente pró-Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/o-pcdob-e-lula.html 

Dica de leitura

Celso Pinto de Melo: que engenheiros estamos formando?
Luciano Siqueira     

No artigo "Estamos formando engenheiros para um mundo que já não existe?”, publicado no Jornal GGN, Celso Pinto de Melo, reflete comenta a defasagem entre o modelo de ensino da Engenharia e as rápidas transformações tecnológicas, produtivas e sociais do século XXI.

Enquanto os fundamentos das ciências exatas mudam lentamente, as tecnologias e critérios do mundo real evoluem em ritmo acelerado. Por isso, a Universidade corre o risco de formação de profissionais com um "mapa mental" ou uma visão industrial ultrapassada.

Tomando como referência o estatístico Hans Rosling — que demonstrou como as pessoas analisam problemas modernos com visões de mundo obsoletas —, o autor observa que alunos que entram hoje na faculdade exercem a profissão até 2060 ou 2070.

Ou seja, tecnologias como gêmeos digitais, inteligência artificial e manutenção preditiva redefinem o que é possível na engenharia.

Daí, mais do que ensinar apenas ferramentas técnicas do momento, a Universidade precisa ensinar o estudante a aprender, já que nenhuma matriz curricular conseguirá cobrir todas as tecnologias das próximas quatro décadas.

Nesse sentido, o autor identifica três gargalos críticos na trajetória de formação: a desconexão entre a teoria abstrata (cálculo, física e química) e a prática da engenharia; a transição de problemas acadêmicos "bem formulados" para a bagunça do mundo real, onde os dados são incompletos, há restrições de custo e as soluções teóricas nem sempre funcionam na prática; e o "vale da morte", a transição entre o protótipo de laboratório e a produção em escala industrial, onde por tentativas se acumula o verdadeiro conhecimento tecnológico.

O Brasil não faz parte do zero e possui exemplos marcantes de liderança e inovação baseados na integração entre ciência e produção, tais como o setor aeronáutico (Embraer); a exploração de petróleo em águas profundas (Petrobras) e o agronegócio e a agricultura tropical.

Entretanto, o país convive com disparidades: produtores obsoletos e setores de fronteira tecnológica.

Postas essas questões, o Brasil não precisa escolher entre formar o engenheiro apenas para a "fábrica do futuro" ou para a "fábrica do presente". O desafio nacional é formar profissionais capazes de fazer a transição, conectando a universidade, o setor produtivo e os centros tecnológicos para resolver problemas complexos e promover a inovação sustentável no país.

Para ler o artigo clique aqui https://jornalggn.com.br/artigos/estamos-formando-engenheiros-para-um-mundo-que-ja-nao-existe-por-celso-p-de-melo/

Leia também "Quando o futuro deixa de ser promessa" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/desenvolvimento-soberano.html 

Uma crônica de Ruy Castro

Deus, cabo eleitoral com exclusividade
Por suas declarações em palanques, é como se Flávio Bolsonaro estivesse fazendo negócios com Deus. Um deles é o de que vai terceirizar seu mandato, entregando-o às mãos de Jesus; pode isso, Arnaldo?
Ruy Castro/Folha de S. Paulo  

Vivendo e aprendendo. Sempre ouvimos dizer que cargos políticos eram laicos e que Deus nunca se rebaixaria a se misturar com gente que pede votos a quem no fundo despreza. Mas, pelo visto, não é mais assim. Flávio Bolsonaro contratou Deus como cabo eleitoral e usa seu santo nome em comícios, passeatas e sabe-se mais por onde anda como candidato à Presidência. E, ao que parece, é um contrato de exclusividade. Só ele pode invocar Deus e, se quiser, até prometer-lhe um ministério. Eis alguns exemplos.

"Deus está me preparando há 24 anos para ser presidente do Brasil." É um de seus motes favoritos. Significa que foi Deus quem o ensinou a extorquir servidores, condecorar milicianos, mentir como quem respira e suplicar dinheiro a Daniel Vorcaro. "Acredito que Deus colocou uma ‘missão’ em minha vida." Deixa implícito que sua candidatura atende a um chamado de ordem espiritual e que Deus viu nele um novo Cristo, quem sabe até com uma midiática crucificação.

"Deus vai me honrar [com a vitória na eleição]." Pela frequência com que Flávio repete isso, parece que a vitória está incluída no pacote de seus negócios com Deus. Resta ver se um dia prestará contas sobre esses negócios, ao contrário das contas que continua devendo sobre o filme "Dark Horse". "Se Deus me honrar, vamos poder colocar mais ministros [no STF]." E, com isso, obrigará Deus a se misturar com um tribunal tão desmoralizado.

"Vou fazer uma oração antes de ler o termo de posse, entregando o Brasil nas mãos de Jesus." Epa! Significa que quem vai governar é Jesus? Pode isso, Arnaldo —o fulano ser eleito e terceirizar o mandato? E sabe-se lá se Jesus não tem mais o que fazer?

Afinal, sua jurisdição abrange toda a humanidade, o que inclui os Estados Unidos. O patrão Donald Trump se contentará com sublocar Deus em vez de tê-lo todo para si?

"Não debato com quem não acredita em Deus." Afinal, Flávio é candidato a presidente ou a pastor? Resta ver se ele, notório evangélico de última hora, aguentaria cinco minutos de debate com um pastor de verdade.

Na reta final detalhes importam https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01182604884.html  

Postei nas redes

Isso não me interessa, mas vale o registro: essa gente brinca com fogo o tempo todo! Diz a Folha de S. Paulo: "Flávio e Michelle se aproximaram de bispo que defendeu retirar título de padroeira de Nossa Senhora." 

Lula dá o tom da reta de chegada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/editorial-do-vermelho_089066419.html