19 abril 2026

Palavra de poeta

O Nosso Mundo

Florbela Espanca  

Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno!
Poisando em ti o meu amor eterno
Como poisam as folhas sobre os lagos...

O teu olhar em mim, hoje, é mais terno...
E a Vida já não é o rubro inferno
Todo fantasmas tristes e pressagos!

Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas hemos de bebê-la!

Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?...
O mundo, Amor?... As nossas bocas juntas!...

[Ilustração: Wellington Virgolino]

Escolhas e conflitos https://lucianosiqueira.blogspot.com/  

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Em resposta às provocações de Donald Trump, Papa Leão 14 critica 'tiranos' que gastam bilhões em guerras e contribui para o crescente isolamento internacional dos Estados Unidos.  

Mundo, complexo mundo https://lucianosiqueira.blogspot.com/

Editorial do 'Vermelho'

Tiradentes e a sucessão presidencial acirrada
Tiradentes versus Silvério dos Reis, Lula versus Flávio Bolsonaro, sintetizam simbolicamente o antagonismo que divide o país numa eleição disputadíssima
Editorial do 'Vermelho' 
   

Toda vez que o Brasil se encontra sob pesada ameaça à sua condição de país soberano, vem como luz a frase emblemática do jornalista Barbosa Lima Sobrinho, destacado brasileiro, que se reporta ao confronto recorrente entre os traidores da pátria e os verdadeiros patriotas, sintetizados nas figuras de Tiradentes e Silvério dos Reis. Em 1964, esse antagonismo se estampou na contenda entre o presidente João Goulart e os generais golpistas, em conluio com os Estados Unidos. Em 1984, na batalha final que pôs abaixo a ditadura militar, Tancredo Neves, da frente ampla democrática, versus Paulo Maluf, do decrépito regime entreguista e ditatorial.

Agora, o pré-candidato Flávio Bolsonaro, extremista de direita, neofacista, se apresenta de forma escancarada e abjeta como serviçal de Donald Trump, o que serve como uma luva para a ofensiva neocolonial e imperialista dos Estados Unidos, que ambiciona se apossar das imensas riquezas do Brasil. Eduardo Bolsonaro, seu irmão, abandonou o mandato de deputado federal para se alojar nos Estados Unidos e melhor atuar em conluio com o governo dessa potência estrangeira contra seu próprio país, como foi no caso do tarifaço. Bolsonaro filho disse que, se eleito, Eduardo será o ministro das Relações Exteriores.

O presidente Lula, pela liderança que construiu no Brasil e a respeitabilidade que adquiriu em âmbito mundial, em defesa firme dos interesses e da soberania nacional, é quem tem estatura para liderar uma aliança ampla que derrote a um só tempo o neofascismo e essa ameaça neocolonialista dos Estados Unidos. Uma vez eleito, terá a missão de conduzir o país por um caminho novo, apoiado num projeto de país que desencadeie a realização das reformas estruturais democráticas e que ataque as vulnerabilidades, entre elas a condição de um país dependente, descortinando um ciclo de desenvolvimento soberano.

Às vésperas da semana do 21 de abril, a seis meses das eleições, como se previa, o país se encontra dividido – um quadro de relativo equilíbrio de forças – entre as pré-candidaturas de Lula e de seu principal opositor.

A partir de leituras unilaterais das pesquisas de opinião, e deliberadamente ocultando um conjunto de fatores e variáveis, setores do monopólio midiático, em junção com a máquina de fake news da extrema direita, atuam para propagar uma falsa narrativa que atribui um pretenso favoritismo ao candidato oficial do neofascismo, enquanto depreciam a força e os trunfos da candidatura do presidente Lula.

Flávio Bolsonaro cresceu nas pesquisas agregando os votos do pai, Jair Bolsonaro, hoje preso por tentativa de golpe de Estado, no âmbito do eleitorado de extrema direita e da direita bolsonarista. Analistas de pesquisas prospectam que a velocidade desse crescimento perdeu tração e, daqui por diante, será mais difícil avançar, até pela fragmentação da direita.

E, também, por outro fator: o combate sistemático para desmascarar Bolsonaro filho começou somente agora. Até então, movimenta-se em relativo céu de brigadeiro. Isso acabou. Além do que enfrentará refregas com as demais candidaturas da direita, que terão que se diferenciar dele para arrancar votos. Caiado e outros moveram-se um ou dois pontos, ao que parece conquistando intenção de votos dos que pretendiam anular ou votar em branco. Mas esse estoque é relativamente pequeno.

São seis meses até o confronto nas urnas — numa campanha que oficialmente começa em agosto —, é muito tempo. A última pesquisa divulgada, da Genial Quaest, mostra que 57% estão convictos de sua escolha, mas 43% admitem que até a eleição podem mudar. Infere-se, perfeitamente, por essa indicação, a possibilidade de alterações, para um lado e outro. Quanto à fidelidade, 65% dos que pretendem votar em Lula afirmam que estão decididos, enquanto 35% indicam que podem optar por outro. Já para Flávio Bolsonaro, as percentagens são 60% e 40%, respectivamente, menor fidelidade, portanto.

Além do que, os fatos do próprio curso político terão enorme efeito pedagógico, ajudando sobretudo o eleitorado indeciso, pendular, a separar o joio do trigo. A tramitação da redução da jornada e fim da escala 6×1 está se iniciando. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, prometeu aos empresários travar a votação ou desfigurar o projeto. Neste momento, vai partir para os Estados Unidos uma comitiva de senadores golpistas, bolsonaristas, para implorar a Trump que conceda asilo político a Alexandre Ramagem, que fugiu do país para não cumprir a pena na Papuda, condenado que foi por tentativa de golpe. Flávio Bolsonaro, num conclave da direita, realizado em solo estadunidense, ofereceu as reservas de terras raras e minerais estratégicos do Brasil ao governo Trump.

A pré-candidatura do presidente Lula segue resiliente, mesmo com o país sofrendo os efeitos das guerras de Trump. Até os donos dos institutos de pesquisa são impelidos a salientar esse fato. Na verdade, segue agregando força, robustecendo a competitividade, construindo, passo a passo, a dura, mas plenamente viável, quarta vitória. As CPIs, manipuladas pela maioria reacionária das duas casas do Congresso, foram encerradas sem aprovar relatórios e desmoralizadas pelo grau de parcialidade e manipulação. O nome indicado pelo governo, pela base aliada, foi aprovado para o Tribunal de Contas da União. O mesmo tende a acontecer com o nome indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF). Isto demonstra uma retomada eficaz da articulação política no Congresso, com a entrada direta do presidente nos diálogos e mediações.

Enquanto a direita e a extrema direita se apresentam fragmentadas, mesmo que se saiba que se unificarão no segundo turno, o presidente Lula, pela primeira vez, uniu todo o campo progressista, já de início. E, corretamente, como também sublinha o PCdoB, o presidente busca ampliar, indo além da esquerda, tendo já conquistado partes e frações importantes do centro e da centro-direita, resultando em palanques fortes em praticamente toda a região Nordeste e nos estados de maior eleitorado do Norte, Pará e Amazonas. No Rio Grande do Sul, avança a unidade do campo democrático e popular. Em Santa Catarina, formou-se uma aliança representativa da centro-esquerda, assim como no Paraná. No triângulo dos três maiores colégios eleitorais, Lula já construiu palanques sólidos em São Paulo e no Rio de Janeiro, faltando apenas oficializar o de Minas.

A Marcha das Centrais Sindicais em Brasília, na plenária da Conclat, pode representar o prenúncio do que está por vir: a mobilização do povo, o engajamento na campanha, fator indispensável à vitória.

Como bem indicou a resolução política do Comitê Central do PCdoB, é preciso fazer ecoar, pelo país inteiro, o brado: “O Brasil para os brasileiros”. E desmascarar Flávio Bolsonaro enquanto traidor da pátria e inimigo do povo e da democracia. Batalhar pela reeleição do presidente Lula é honrar a memória e o legado de Tiradentes e de milhares que, ao longo de mais de cinco séculos, lutaram para completar a obra da Independência e firmar a soberania nacional.

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Soberania digital como missão nacional https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/autonomia-tecnologica-brasileira.html 

18 abril 2026

Brics: novos desafios

A hora da verdade do Brics
Guerra coloca bloco emergente em encruzilhada e dá razão aos alertas emitidos pelo Brasil
Jamil Chade/Liberta  


 

Há poucos meses, Donald Trump gerou uma onda de críticas ao dizer que o Brics já não existia mais. Segundo ele, havia sido sua pressão que obrigara o bloco a desfazer suas ambições de ser um ator internacional e um freio à hegemonia da Casa Branca e seus aliados.

Desde o dia 28 de fevereiro deste ano, a péssima notícia é a de que o bloco, de fato, está em silêncio. Mas os motivos são outros. A guerra que eclodiu no Oriente Médio colocou, de forma inesperada, diferentes membros do Brics em lados opostos do conflito.

E escancarou o que muitos na diplomacia brasileira já alertavam: um Brics ampliado teria seus limites e poderia, inclusive, viver abalos.

Sob ataque, a resposta do governo do Irã – um novo membro do Brics – foi lançar mísseis não apenas contra Israel. Mas também no Golfo Pérsico, com ataques contra interesses americanos nos Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita – dois membros que, recentemente, também aderiram ao bloco.

Divergências internas

A realidade é que, se a crise já seria grave por si só, ela ganhou um contorno inesperado: colocou em trincheiras opostas países que fazem parte mesmo do bloco das economias emergentes e que eram a aposta de muitos para conter o avanço americano pelo mundo.

A reportagem apurou que, hoje, diante da guerra entre seus próprios membros, o Brics sequer conseguiu um consenso para convocar uma reunião de emergência. O imobilismo inédito contrasta com a atitude adotada pelo bloco aos longo dos últimos anos em diversos temas internacionais.

Quando a guerra de 12 dias entre Israel e Irã eclodiu, em junho de 2025, o bloco, então presidido pelo Brasil, rapidamente declarou que os ataques conjuntos EUA-Israel contra o Irã constituíam uma “violação do direito internacional”.

Mesmo diante da invasão russa contra a Ucrânia, o bloco reconheceu a divergência entre seus membros. Ainda, o tema chegou a ser tratado em reuniões de chanceleres.

Mas nada se compara a uma crise que envolve um membro do Brics bombardeando outro. Os Emirados Árabes Unidos anunciaram, ainda em março deste ano, que também poderiam lançar mísseis contra o Irã, como resposta aos ataques que vinham sofrendo. Os sauditas alertaram que reservavam o direito de retaliar o Irã, diante dos ataques contra suas refinarias.

Entre diplomatas, porém, o problema não se limita ao enfrentamento entre iranianos e os países do Golfo. Em 2026, a presidência do bloco está com os indianos, um aliado dos EUA e com relações cordiais com Israel.

O tom usado por Nova Delhi, portanto, foi de cautela. “A Índia reitera veementemente seu apelo ao diálogo e à diplomacia. Compartilhamos claramente nossa voz a favor de um fim rápido ao conflito”, se limitou a dizer o ministério de Relações Exteriores da Índia, acrescentando que a guerra coloca em risco a estabilidade regional e a segurança de milhares de cidadãos indianos que vivem e trabalham na região do Golfo.

O primeiro-ministro Narendra Modi também saiu em defesa dos países do Golfo e criticou os ataques retaliatórios contra seus territórios.

No Conselho de Segurança da ONU, China e Rússia – dois membros do Brics – votaram contra uma resolução que havia sido apoiada pelos Emirados Árabes e pelos sauditas, pedindo uma ação para abrir o Estreito de Ormuz.

Expansão polêmica

Parte dos diplomatas, hoje, culpa a expansão do bloco por sua fragilidade.

Originalmente com quatro membros, o Brics teve uma primeira ampliação em 2009 com a adesão da África do Sul. Mas foi a partir de 2023 que a China passou a pressionar os demais membros para que uma nova expansão fosse realizada.

Brasil e Índia eram contrários à movimentação de Pequim. O temor era o de que, diverso, o grupo pudesse perder sua força como ator internacional. O chanceler Mauro Vieira chegou a alertar que os ativos conquistados pelo Brics ao longo de mais de dez anos deveriam ser “preservados”.

Outro temor de Brasil e Índia era o de que o bloco se transformasse numa espécie de estrutura para legitimar as ambições de política externa da China.

Numa reunião a portas fechadas, apenas com Luiz Inácio Lula da Silva, Xi Jinping, Narendra Modi, Vladimir Putin por vídeo conferência e Cyril Ramaphosa, foi negociado o destino do bloco, num retiro na África do Sul em 2023 e sob enorme pressão por parte de Pequim.

Aos poucos, a resistência indiana se desfez e o Brasil acabou ficando sozinho numa posição contrária à expansão. Sem alternativas, Brasília acabou cedendo.

O governo Lula tentou convencer aliados sul-americanos a aderir, numa esperança de equilibrar o jogo com a China. Brasília tentou costurar a entrada de Colômbia e Argentina. Bogotá optou por declinar o convite e, quando assumiu o governo argentino, Javier Milei rejeitou a proposta de fazer parte do bloco dos emergentes.

Pequim tentou garantir que seu aliado na região latino-americana – a Venezuela – fosse aceita. Mas, neste caso, foi o veto do Brasil que fez implodir a adesão de Caracas.

Alguns critérios, ainda assim, foram mantidos no acordo final. O primeiro deles era a exigência de que qualquer decisão continuasse sendo tomada por consenso.

Outra reivindicação de Brasil, África do Sul e Índia era a de que os novos membros se comprometeriam em apoiar o pleito dos três por uma vaga no Conselho de Segurança da ONU.

No momento da expansão, entre 2023 e 2024, o convite incluía sauditas e os Emirados. Uma proposta foi feita para a Indonésia, mas acabou sendo declinado por Jacarta, sob forte pressão dos EUA. E, como alternativa, o Irã foi convidado para fazer parte do bloco.

Atores rivais

Naquele momento, a presença na mesma sala de atores rivais no Golfo foi vendida como uma sinalização de que o Brics poderia ser, até mesmo nesse caso, uma ponte entre autoridades de vários países. O Brasil tinha sérias dúvidas se esse seria o caso, enquanto negociadores alertavam sobre o risco de ter no Brics países que tinham entregue parte de sua soberania com a instalação de bases militares americanas.

O que poucos imaginavam é que, menos de dois anos depois, uma guerra eclodiria entre eles. Hoje, um dos legados do conflito é a demonstração das limitações de um bloco que representava a esperança para uma frente de países emergentes.

Entre negociadores de outros países, a incapacidade de uma ação do Brics neste momento reforça a influência do Brasil como um ator que pensa de forma estratégica o destino do bloco emergente. “Ainda que ninguém reconheça publicamente o erro, quem sai mais influente dessa crise é o Brasil”, admitiu um funcionário de uma chancelaria estrangeira.

Entre diplomatas brasileiros, os comentários reservados são claros: “nós avisamos”.

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Brics sob fogo cruzado https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/mundo-papel-mais-do-que-relevante.html 

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O desemprego é o menor de toda a série histórica, iniciada em 2012; a recuperação da renda é constante — "mas Lula precisa dizer ao eleitor porque merece ser reeleito presidente", diz colunista de 'O Globo'. Parece análise, mas é mesmo campanha contra. 

Angu de caroço https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Arte é vida

 

Paul Klee

O jogador, sua aposta e a desordem mundial https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/eua-e-ordem-mundial-fissurada.html 

Combustível mais caro

Privatização gerou aumento de até 88% em combustíveis
Refinarias privatizadas cobram maiores valores pelo diesel; debate também questiona diferença entre custo de produção e valor de venda.
Aepet   
 

A privatização na área de combustíveis, especialmente após a venda das refinarias, da BR Distribuidora e da Liquigás, impactou os preços e prejudica a população, segundo especialistas reunidos em audiência pública, em Brasília, nesta quinta-feira. Dados apresentados pelo economista do Dieese/FUP Cloviomar Cararine reforçam esse cenário, mostrando aumento e maior volatilidade nos preços praticados pela Acelen, refinaria baiana privatizada em 2021.

Salvador é a capital brasileira que registra os maiores preços do diesel S10 ao consumidor final, atingindo em média R$ 8,20 por litro, na semana de 5 a 11 de abril. Em 12 meses, a variação de preço foi de 27,33%. O mesmo comportamento é observado em Manaus, onde a refinaria foi privatizada em 2022. Com isso, a cesta básica na capital amazonense teve alta de 7,42% em março, e de 7,15% em Salvador, no mesmo mês.

A diretora da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), Bárbara Bezerra, fez críticas ao modelo adotado após a privatização, destacando distorções que afetam diretamente a percepção da população.

Ela chamou atenção para a falta de controle na ponta final da cadeia. “A Petrobras segura o preço nas refinarias, os postos aumentam. A população não consegue entender. Tem algo aí que a gente ainda precisa corrigir.” Com a guerra no Oriente Médio, vimos aumentos de até 88% nas refinarias privatizadas, afirmou.

A diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), Ticiana Alvares, destacou o papel estratégico que a BR Distribuidora exercia antes da privatização, atuando como referência para o mercado e protegendo o consumidor contra abusos.

“Com essa fatia de mercado, a BR Distribuidora tinha um papel na formação de preços. Se o consumidor via o preço num posto BR a R$ 5, e no outro posto a R$ 7, ficava claro que o que cobrava R$ 7 estava com um preço abusivo”, afirmou.

Bezerra ainda destacou que o debate sobre preços precisa considerar toda a cadeia produtiva do petróleo, desde a extração. “O ciclo não começa na refinaria, começa no poço. No pré-sal, o custo do barril é de cerca de US$ 8. Quando se vende a US$ 120, é preciso discutir como essa riqueza está sendo utilizada e por que não está sendo revertida para garantir autossuficiência em derivados.”

“Na privatização da BR Distribuidora, a gente tem um verdadeiro crime quando se aceita que os postos continuem usando a marca Petrobras. Isso confunde a população e faz parecer que a Petrobras é responsável pelo aumento dos preços”, afirmou a diretora da FUP.

Privatização gera ameaça de desabastecimento de combustíveis no Norte

Paulo Neves, diretor da FUP e do Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM), destacou que, em regiões como o Norte do país, a privatização criou situações ainda mais críticas, com concentração de mercado e risco de desabastecimento. “Quando a gente olha para a região do Amazonas, onde há apenas uma refinaria, isso configura um monopólio privado regional fortíssimo”, afirmou.

Neves também alertou para os efeitos concretos sobre a população. “Nos rincões do Amazonas, o combustível é vendido a preços absurdos. Já temos desabastecimento acontecendo.” O dirigente defendeu a retomada do papel da Petrobras também como garantia de acesso universal ao combustível. “A gente precisa garantir que o abastecimento chegue não só às grandes capitais, mas também aos lugares mais distantes, sob condições justas.”

Na mesma linha, Deyvid Bacelar, petroleiro, ex-coordenador da FUP, reforçou o caráter estratégico e a necessidade de controle público sobre os combustíveis. “Combustível não é uma mercadoria qualquer. Ele impacta toda a economia. Sem controle público, o resultado é aumento de preços e mais desigualdade”.

Ao final da audiência, os participantes convergiram na avaliação de que a retomada de uma Petrobras integrada, “do poço ao posto”, é fundamental para garantir soberania energética e estabilidade de preços, protegendo a população das oscilações do mercado internacional. Bárbara Bezerra destacou os efeitos diretos da privatização sobre os preços e a vida da população.

“Precisamos lembrar que, em 2019, a BR Distribuidora foi vendida e o grupo comprador manteve o direito de usar a marca Petrobras. Hoje, não existe nenhum posto da Petrobrás, apesar de o nome continuar sendo usado comercialmente. Em 2020, foi vendida a Liquigás, e vimos o preço do botijão disparar. Sai da distribuição a cerca de R$ 37 e chega, em alguns lugares, a R$ 155 para a população”, protesta.

Fonte(s) / Referência(s): Monitor Mercantil

Nada é por acaso https://lucianosiqueira.blogspot.com