02 julho 2026

A questão nacional

A reinvenção da identidade nacional
A reinvenção do Brasil no século XXI demanda uma nova narrativa identitária que supere o consumo e a fragmentação digital em prol de um projeto coletivo de nação
Marcio Pochmann/A Terra é Redonda 

Toda grande transformação econômica altera também a forma como um povo se reconhece. As identidades coletivas não surgem no vazio, nem dependem apenas de símbolos, bandeiras ou discursos. Elas resultam do modo como a sociedade trabalha, produz, distribui riqueza e organiza a vida coletiva.

Neste primeiro terço do século XXI, o Brasil atravessa uma profunda mudança de época. A antiga sociedade urbana e industrial vem cedendo lugar a uma nova sociedade de serviços, hiperconectada, digitalizada e cada vez mais fragmentada. Nesse cenário, a pergunta central deixa de ser apenas como voltar e sustentar o crescimento. Passa a ser também sobre qual identidade nacional pode sustentar um novo projeto de país?

Essa não é a primeira vez que o Brasil enfrenta uma transformação dessa magnitude. A própria história nacional pode ser lida como a sucessão de três formas de capitalismo, três modos de inserção na economia mundial e três grandes identidades coletivas.

A nação inacabada e o capitalismo agrário-exportador da República Velha

Durante a República Velha (1889-1930), o Brasil estava profundamente integrado à ordem econômica liderada pela Inglaterra. O país ocupava uma posição subordinada na divisão internacional do trabalho, exportando produtos primários e importando bens manufaturados modernos.

O café, a borracha, o açúcar e outros produtos agrícolas financiavam a acumulação das oligarquias, enquanto as mercadorias industriais britânicas abasteciam o mercado interno. A dependência econômica produzia também fragilidade política e identitária.

O Brasil era um vasto território ainda pouco integrado, sem uma comunidade nacional plenamente constituída. O povo estava praticamente ausente do sistema político. O ex-escravizado, o trabalhador rural, o imigrante e as massas urbanas emergentes não eram reconhecidos como sujeitos da nação.

A identidade coletiva era fragmentada, regional e oligárquica. Não existia um “nós” nacional. Ele era bloqueado pelo domínio de interesses regionais, vínculos locais, relações familiares e práticas patrimonialistas. 

A invenção do trabalhador brasileiro pelo projeto nacional-desenvolvimentista

A Revolução de 1930 inaugurou uma nova fase histórica, marcada pela modernização, ainda que conservadora, do capitalismo brasileiro. A crise da ordem liberal, aberta desde a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), conviveu com a ascensão dos Estados Unidos à condição de principal potência econômica mundial. Esse novo contexto abriu outra possibilidade histórica para o Brasil.

Entre as décadas de 1930 e 1980, o país construiu uma das experiências mais bem-sucedidas de industrialização tardia do mundo. Sob a liderança estadunidense no segundo pós-guerra, o Brasil estruturou o Estado moderno e implementou a política de substituição de importações. Com isso, reduziu sua dependência de bens manufaturados externos e formou uma estrutura produtiva mais complexa.

A entrada de empresas estadunidenses e europeias não significou apenas desnacionalização da economia. Ela também permitiu a montagem de um sistema industrial integrado, envolvendo siderurgia, petróleo, química, máquinas, bens de capital, automóveis, infraestrutura e serviços modernos.

O Brasil urbano e industrial produziu, assim, uma nova identidade nacional, assentada numa narrativa poderosa de pertencimento. O trabalhador industrial, o servidor público, o professor, o técnico, o operário e o pequeno agricultor passaram a ser reconhecidos como parte de um projeto de país orientado pela industrialização, pela urbanização e pela modernização nacional.

Ainda que incompleta e desigual, havia uma ideia compartilhada de futuro. Com Getúlio Vargas (1930-1945 e 1951-1954), a industrialização era compreendida como a invenção de um novo povo. Daí sua afirmação histórica: “Hoje os trabalhadores estão comigo no poder; amanhã serão o próprio poder”.

Pela primeira vez, o trabalhador tornou-se sujeito político e símbolo da modernização nacional. Juscelino Kubitschek (1956-1961) transformou os candangos de Brasília em heróis de uma epopeia desenvolvimentista. João Goulart (1961-1964), por sua vez, acrescentou a defesa das reformas de base como obra do povo organizado, indicando que o trabalhador deixaria de ser apenas mão de obra para ser reconhecido como construtor do futuro.

Mesmo durante a ditadura dos governos militares (1964-1985), apesar do autoritarismo, a ideia de uma missão nacional foi mantida. Os discursos do “Brasil Grande” e da “potência emergente” reforçavam a perspectiva de um destino comum, associando a identidade nacional ao desenvolvimento do país.

Em síntese, por quase seis décadas, o brasileiro foi estimulado a se reconhecer pelo que produzia e pelo papel que exercia na construção das transformações nacionais. Havia um destino coletivo. Havia um projeto de país. Havia um “nós”.

Essa fase histórica, contudo, começou a ruir na década de 1980, com o ajuste dos Estados Unidos à globalização neoliberal e suas repercussões no Brasil (crise da dívida externa, inflação elevada e o impasse político nacional). Nesse contexto, ganhou força a mobilização pela redemocratização e emergiu o ciclo político da Nova República, originalmente assentado na esperança de mudança e na retomada das reformas interrompidas em 1964. 

A ruptura neoliberal e o retorno à especialização primário-exportadora

A transição conduzida pelo alto após 1985 acabou impossibilitando o reformismo nacional-desenvolvimentista. Com a vitória eleitoral de Fernando Collor de Mello (1990-1992) houve a consagração de uma nova maioria política nacional orientada pelo receituário neoliberal.

A partir de 1990, a abertura comercial e financeira, as privatizações e a desregulamentação econômica alteraram profundamente a estrutura do capitalismo brasileiro. A desindustrialização precoce enfraqueceu o sistema produtivo construído ao longo do século XX. O Brasil voltou a reforçar uma especialização baseada na exportação de produtos primários e recursos naturais, agora em um contexto geopolítico inteiramente distinto.

Se a Inglaterra havia sido a potência hegemônica da República Velha e os Estados Unidos o principal parceiro do ciclo nacional-desenvolvimentista, a ascensão da China deslocou o eixo dinâmico da economia mundial. Ao mesmo tempo, a China tornou-se o principal parceiro comercial do Brasil.

Essa nova relação econômica apresenta semelhanças com o passado, mas também diferenças profundas. De um lado, o Brasil volta a assumir a posição de grande exportador de commodities agrícolas e minerais. De outro, a China não exporta apenas bens manufaturados. Exporta também tecnologia, plataformas digitais, equipamentos de alta complexidade e serviços associados à economia digital, reforçando uma divisão internacional do trabalho cada vez mais assimétrica.

A reprimarização da pauta exportadora brasileira coincidiu com o ingresso na era da inteligência artificial, digitalização e economia do conhecimento pelo centro dinâmico do capitalismo mundial. Essas transformações econômicas produziram também uma profunda mutação social, uma vez que a sociedade urbana e industrial cedeu lugar a nova de serviços hiperconectada.

As antigas identidades coletivas do mundo do trabalho enfraqueceram, com o operário industrial, o sindicalismo de massa e as grandes organizações coletivas perdendo centralidade. Em seu lugar, surgem trabalhadores fragmentados, empreendedores de sobrevivência, prestadores de serviço, trabalhadores de plataformas e indivíduos permanentemente conectados.

A política tentou responder a essa transformação, em primeiro lugar, pela figura do consumidor. Cada governo democrático apostou, à sua maneira, apontou para a integração social pelo mercado. O acesso ao crédito e ao consumo tornou-se instrumento importante de inclusão. Mas consumir não é pertencer. O consumo pode melhorar as condições de vida, mas não oferece, por si só, uma narrativa de reconhecimento coletivo. Quando a crise econômica avança, a identidade do consumidor revela sua fragilidade.

E foi nesse vazio que a extrema direita cresceu. Ela compreendeu que as pessoas desejam algo mais profundo como o pertencimento, reconhecimento e sentido de comunidade. Por isso, passou a oferecer uma nova identidade baseada no patriotismo, religião e oposição a inimigos internos pelo ressentimento e ódio, transformando a nação, então, em campo permanente de guerra cultural.

Por isso, o desafio histórico do século XXI não seria apenas econômico, também civilizatório. Como se viu, em cada fase do capitalismo, o país produziu uma identidade coletiva. Na sociedade agrária, prevaleceu a nação inacabada, enquanto na urbano-industrial, afirmou-se a identidade do trabalhador e do desenvolvimentismo e na atualidade da sociedade de serviços hiperconectada, o consumidor passou a disputar espaço com o patriota digital.

Nenhuma dessas identidades hoje vigentes parecem capazes de responder sozinha aos desafios do primeiro terço do século XXI. O Brasil necessita de uma outra narrativa nacional, adequada à era digital, à transição ecológica e à economia do conhecimento e que seja capaz de reconhecer o brasileiro para além do que consome ou da comunidade virtual à qual pertence. Uma narrativa que o reconheça pelo que produz, cria, pesquisa, cuida, inova e constrói coletivamente.

Nesse sentido, a reconstrução de um projeto nacional de desenvolvimento depende, antes de tudo, da reconstrução de um novo “nós” brasileiro. Sem isso, o país poderá permanecer preso a uma condição paradoxal por ser uma das maiores economias do mundo e incapaz de produzir um sentimento comum para o destino nacional numa época de profundas transformações geoeconômicas e tecnológicas.

*Marcio Pochmann, professor titular de economia na Unicamp, é o atual presidente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Autor entre outros livros de Novo sujeito coletivo: a governança de populações em três tempos do capitalismo no Brasil (Editora da Unicamp). [https://amzn.to/40lMNWU]

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Palavra de poeta

Tu tens um medo
Cecília Meireles     

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.

[Ilustração: Andrzej Wróblewski]

O lugar da leitura https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-opiniao_0667045785.html 

Humor de resistência

 

Aroeira

O bolsonarismo e a lavada de roupa suja como espetáculo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/enio-lins-opina.html 

Fim da jornada 6×1

Debate no Senado sobre fim da escala 6×1 espelha a mais pura luta de classes
Patronato e direita tentam barrar PEC com o manjado discurso do terror econômico, enquanto governo e trabalhadores pressionam por avanço civilizatório
Priscila Lobregatte/Vermelho  

A audiência pública do Senado que debateu, nesta quarta-feira (1º), o fim da escala 6×1 remeteu à mais pura luta de classes. De um lado, estavam os patrões e seus defensores no Congresso colocando a economia (ou o lucro) acima de tudo; do outro, representantes dos trabalhadores e do governo defendendo o direito da grande maioria da população a ter mais tempo para viver.

O cerne da discussão é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, patrocinada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que prevê a redução da escala para a 5×2 e da jornada de trabalho para 40 horas semanais. Aprovada na Câmara, a matéria agora está em debate no Senado.

Pouco antes da audiência, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), se reuniu com lideranças das centrais sindicais e manifestou apoio à proposta. Além disso, acenou com a possibilidade de acabar com o período de transição de 60 dias após a promulgação, previsto no texto aprovado pela Câmara no final de maio.

Patronato x trabalhadores 

Como em outros debates envolvendo direitos da classe trabalhadora feitos ao longo da história, o patronato apelou ao terror para dizer que a implementação da nova escala e jornada afetaria a economia, a geração de empregos e até mesmo o equilíbrio fiscal.

No entanto, tal discurso tem sido confrontado por experiências que se mostraram bem-sucedidas dentro e fora do Brasil, assim como estudos de diferentes e respeitados institutos sobre a viabilidade e os ganhos que a mudança pode gerar, tanto do ponto de vista humano quanto econômico, para ambos os lados.

Essa foi a tônica da audiência. Em defesa dos empresários, participaram dirigentes de entidades representativas do comércio, da indústria e dos transportes, entre outros, além de senadores da direita e extrema direita alinhados ao ideário neoliberal de “quanto menos direitos, melhor”.

Do lado dos trabalhadores, estavam o governo Lula, parlamentares de esquerda e representantes de centrais sindicais — entre as quais CTB, CUT, UGT e Força Sindical.

“O estudo mais robusto até o momento sobre o impacto econômico na produtividade e nos custos do trabalho com o fim da escala 6×1 foi feito pelo Ipea (…). O percentual a que chegou foi de 7,8%, algo equivalente ao aumento real do salário mínimo que tivemos nos últimos três anos (…). E todo o impacto que está sendo dito aqui não aconteceu”, argumentou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos. 

Boulos também rechaçou outro ponto usado pelo empresariado: o suposto impacto inflacionário. “O salário mínimo aumentou em termos reais num valor correspondente ao custo da escala 6×1 e nós temos a menor inflação acumulada em quatro anos desde a redemocratização”.

O ministro também ponderou que o aumento do salário não levou à quebra de empresas, nem ao desemprego. “Ao contrário: estamos com a menor taxa da série histórica” e “o PIB brasileiro está crescendo como não crescia há uma década”, afirmou.

Do ponto de vista humano, lembrou ainda que no ano passado, o Brasil bateu recorde de afastamentos de trabalhadores por burnout, depressão e ansiedade. “Isso é resultado da exaustão dos trabalhadores. Fala-se em perda de produtividade, mas em praticamente todas as experiências onde se reduziu a jornada de trabalho, houve aumento da produtividade por razões que deveriam ser óbvias: um trabalhador mais descansado é mais produtivo”.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, abordou experiências já implantadas no Brasil de redução da escala para mostrar sua viabilidade. “Empresas que tiveram dificuldade para o preenchimento das vagas existentes quando adotavam a escala 6×1 resolveram esse problema quando mudaram para a 5×2” e ainda “diminuíram drasticamente o absenteísmo”.

O ministro argumentou que pesquisa da Fundação Getúlio Vargas acompanhou 19 empresas que implantaram a escala 5×2 e constatou que “72% aumentaram suas receitas — ou seja, cresceu a produtividade e, portanto, aumentou seu resultado econômico efetivo — e 44% melhoraram o cumprimento de prazos operacionais — ou seja, tiveram melhora também em seu fluxo de trabalho”.

O peso da 6×1 sobre as mulheres 

Eutália Naves, secretária-executiva do Ministério das Mulheres, chamou atenção para o peso da escala 6×1 para a parcela feminina, que representa mais de 50% da população.

“Gostaria de fazer uma pergunta que me parece fundamental para este debate — e pergunto principalmente para o patronato: será que a gente já parou para somar quanto custa em tempo a preparação da força de trabalho para chegar até o local de trabalho? Porque ninguém trabalha sem se alimentar, sem vestir uma roupa, sem as condições essenciais”.

Se essa conta for feita, prosseguiu, “a gente chegará nas mulheres e vamos falar de um trabalho invisível, que é o trabalho de cuidado. As mulheres acordam mais cedo e gastam mais tempo com o trabalho invisível de cuidado para preparar a sua própria força de trabalho, mas também para reproduzir a futura força de trabalho e cuidar daquela que não está mais disponível ao mercado”.

Eutália também sublinhou que a escala 6×1 “é absolutamente cruel” para as mulheres que, devido a essa rotina, em geral não têm condições, nem tempo, de participar de outras atividades. “Por que será que o Congresso Nacional tem apenas 16% de mulheres parlamentares? Será que é por que as mulheres odeiam ou não se interessam pela política? Não: é porque elas estão exaustas e não conseguem participar de outros espaços sociais”, apontou.

Representação sindical

Um dos dirigentes sindicais a falar durante a audiência foi Rodrigo Calais, presidente da CTB-RS, que representou a entidade nacional e é oriundo do setor de serviços. 

“Uma das críticas que foram feitas repetidamente aqui diz respeito à celeridade do governo para que a PEC seja votada antes das eleições. Eu quero dizer que quem está impondo celeridade a esse processo é a classe trabalhadora e só não sabe disso quem não está lá na ponta, conversando nos locais de trabalho, para entender a realidade de quem faz a roda da economia girar. Deixar para depois das eleições é massacrar ainda mais a classe trabalhadora”.

Mais adiante, Calais chamou atenção para a contradição de outro argumento usado pelo setor patronal de que os trabalhadores usariam a nova folga para ter ganhos extras. “Se os trabalhadores conquistarem mais um dia de folga e optarem por fazer bicos, é sinal de que paga-se muito pouco à classe trabalhadora neste país”, alfinetou.

Ricardo Patah, comerciário e presidente da UGT, salientou: “O conceito que trazemos é o da valorização do ser humano, do indivíduo”. Ele lembrou, ainda, que na área do comércio, 340 mil vagas não foram preenchidas em 2025. “Isso acontece porque o jovem não quer mais se submeter a um trabalho em que ganha pouco e trabalha excessivamente, como é o caso dos supermercados, por exemplo”.

Patah também defendeu que os mais ricos paguem a conta dos custos que a mudança da escala pode trazer. “No ano passado, os 10% mais ricos tiveram acréscimo (de renda) de 9% e os 40% mais pobres, de 3%. Esses 10% dos mais ricos detêm 70% do patrimônio do Brasil. Será que não está na hora de iniciarmos um processo da valorização da igualdade e da oportunidade?”, questionou.

Sérgio Nobre, presidente da CUT e de origem metalúrgica, enfatizou que “a bandeira da redução da jornada sempre representou muito mais do que diminuir as horas de trabalho; significa repartir os ganhos do desenvolvimento entre aqueles e aquelas que produzem a riqueza do país”.

Ele também rebateu o argumento de que o processo para o fim da escala 6×1 estaria se desenvolvendo de forma abrupta. “Mudança abrupta e sem debate foi feita na reforma trabalhista de 2016 — lá sim fizeram uma mudança profunda na organização do trabalho, da noite para o dia, e sem ouvir sequer uma organização de trabalhadores”.

Nobre reforçou que a PEC “propõe uma transição responsável e estabelece um tempo para as empresas se adaptarem, definindo um calendário gradual para a redução das jornadas até as 40 horas semanais. Ao mesmo tempo, garante imediatamente os dois dias de descanso semanal e preserva o que sempre defendemos, que é a negociação coletiva como instrumento para organizar as diferentes escalas de trabalho”. 

Nesse mesmo sentido se manifestou o deputado federal Inácio Arruda (PCdoB-CE), cuja trajetória é marcada pela luta em defesa dos trabalhadores. “Este não é um debate novo, vem desde a Constituinte (…). Não é preciso mais tempo para discutir, o que precisamos é de compreensão para o que acontece desde aquela época”, ressaltou.

Ele pontuou que nas últimas décadas “assistimos a uma transformação brutal com a automação, a robótica e a inteligência artificial; mas, os ganhos do aumento de produtividade advindos dessa evolução tecnológica não foram transferidos aos trabalhadores, ficaram com o capital. E uma maneira de abrir esses ganhos para o trabalhador é diminuir a jornada de trabalho. Esta é a hora para que a gente possa consagrar essa vitória dos trabalhadores e trabalhadoras que, na verdade, é a vitória dos que produzem a riqueza brasileira”.

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O selo do PCdoB na frente pró-Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/o-pcdob-e-lula.html 

01 julho 2026

Arte é vida

 

Luciano Pinheiro 

A morte e a morte do amigo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-palavra.html 

Minha palavra

Leitura do não escrito
Luciano Siqueira 

Ali onde ninguém conversa sobre literatura e mesmo sobre livros de outra natureza, surpreendeu-me: 

— Um cara que lê muito, a gente sabe pelo que você escreve...

— Verdade. Leio muito, talvez menos do que necessito.

— Já experimentou ler um conto ou uma crônica ou mesmo um artigo que jamais foi escrito? 

— Como assim!?

— Imaginando...

— !?

— Sem ter nem pra quê me pego "lendo" textos não escritos.

— Se não foram escritos, como consegue?

— Na rede do meu quarto não tenho cama, nem mesa, nem cadeira, apenas a rede. Penso, imagino, arrumo na mente e depois "releio" tudo.  

[Ilustração: Emirhan Yazıcı]

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