26 junho 2026

Palavra de poeta

Em violino fado
José Saramago    

Ponho as mãos no teu corpo musical
Onde esperam os sons adormecidos.
Em silêncio começo, que pressente
A brusca irrupção do tom real.
E quando a alma ascendendo canta
Ao percorrer a escala dos sentidos,
Não mente a alma nem o corpo mente.
Não é por culpa nossa se a garganta
Enrouquece e se cala de repente
Em cruas dissonâncias, em rangidos
Exasperantes de acorde errado.

Se no silêncio em que a canção esmorece
Outro tom se insinua, recordado,
Não tarda que se extinga, emudece: onsente em violino fado.

[Ilustração: Cícero Dias]

"Meus amigos na varanda" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/minha-opiniao_2.html 

Minha palavra

Duplo sentido
Luciano Siqueira 

Homens e mulheres de todas as etnias em todas as regiões e em todos os continentes se comunicam pelo olhar. Mas, desde que a linguagem surgiu nos primórdios do homo sapiens, homens e mulheres insistem em dizer o que pretendem dizer através da fala. 

Daí numa conversa a dois parecer que ambos falam em sentido duplo. O olhar nem sempre corresponde precisamente ao que é dito.

Inquieta-me a percepção de que há duas mensagens em paralelo que se cruzam: o que escuto e o que percebo nas entrelinhas. 

Esse duplo sentido comparece em todas as conversas entre todas as pessoas de todas as etnias que conversam entre si em todas as regiões e em todos os continentes.

[Ilustração: Luciano Pinheiro]

Uma crônica de João Cabral de Melo Neto https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/06/uma-cronica-para-descontrair.html 

Humor de resistência

 

Quinho

O selo do PCdoB na frente pró-Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/o-pcdob-e-lula.html  

Postei nas redes

 


A briga de foice no clã Bolsonaro esquenta. Sem projeto, sem perspectiva e sem razão. 

O Partido Digital Bolsonarista: síntese analítica, por Luís Nassif https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/por-fora-das-instituicoes.html 

Conspiração midiática

O silêncio seletivo da grande mídia e a blindagem de Flávio Bolsonaro na engrenagem da “Lava Jato 2.0”
Imprensa fragmenta denúncias contra Flávio Bolsonaro e Vorcaro, expondo o duplo padrão e a seletividade da Lava Jato 2.0
Ana Gabriela Sales/Jornal GGN   

A cobertura política e econômica dos principais veículos de comunicação do país expõe um silêncio seletivo diante de um dos maiores tremores do sistema financeiro recente. A divulgação de mensagens, áudios e negociações milionárias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, reacendeu uma discussão que ultrapassa os limites das investigações fiscais e alcança o papel da imprensa na disputa presidencial de 2026.

No centro do debate está a tese da chamada “Lava Jato 2.0”, exaustivamente defendida pelo jornalista Luís Nassif. O conceito descreve a atuação seletiva de instituições e da velha mídia diante de personagens estratégicos da extrema-direita, blindando-os do desgaste sistemático aplicado a lideranças de esquerda.

De acordo com a análise do GGN, as graves denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro até receberam divulgação pontual, mas foram deliberadamente barradas de se transformarem em uma pauta permanente de pressão política e editorial. Para os defensores da tese do “jornalismo de esgoto“, a cobertura dos grandes veículos domesticou o escândalo, tratando-o apenas como uma variável eleitoral ou institucional, sem atribuir às revelações o peso devastador conferido a episódios de corrupção do passado. 

O estopim: Os R$ 134 milhões do “Dark Horse”

O caso ganhou tração nacional após o The Intercept Brasil divulgar mensagens que revelaram negociações diretas entre Flávio e Vorcaro para o financiamento de “Dark Horse, um filme laudatório sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. As conversas envolviam valores estimados em R$ 134 milhões. Embora o senador tenha confirmado a busca pelo apoio financeiro, negando irregularidades, o episódio migrou rapidamente das manchetes principais para o rodapé do noticiário cotidiano.

Abaixo, o GGN mapeia como o consórcio da grande mídia operou o enquadramento do escândalo:

Folha de S.Paulo enfatizou os efeitos políticos da crise

A Folha de S.Paulo foi um dos veículos que mais geraram conteúdo factual sobre os desdobramentos, mas sob a ótica da sobrevivência política do clã. Em reportagem de 17 de maio, sob o título “Crises em série com Master interrompem maré positiva de Flávio e testam campanha bolsonarista”, o jornal analisou os impactos eleitorais sobre a candidatura do senador. 

Anteriormente, o jornal chegou a retomar o caso das rachadinhas na matéria “Caso da rachadinha de Flávio Bolsonaro foi encerrado com perguntas não respondidas, apontando que o uso de dinheiro em espécie na compra de imóveis continuava sem explicação.

Contudo, o enfoque permaneceu estritamente político-eleitoral, sem a mobilização investigativa ou o clamor moralista de outrora.

O Globo concentrou atenção nos aspectos institucionais

No caso de O Globo, a cobertura recente sobre Flávio limitou-se ao registro frio de fatos confirmados por órgãos oficiais. Historicamente, o grupo realizou reportagens de fôlego sobre as rachadinhas — incluindo denúncias no Jornal Nacional que mostraram o senador acionando a Receita Federal para abafar investigações.

Diante do escândalo do Banco Master, porém, a intensidade da cobertura despencou, evitando associar diretamente o parlamentar ao colapso financeiro.

Estadão blindou o caso como mera “variável eleitoral”

O Estadão preferiu diluir o peso das denúncias na corrida presidencial de 2026. O jornal focou em pesquisas de intenção de voto, reações de adversários e nos impactos do Banco Master sobre o mercado financeiro. Para os analistas da mídia independente, essa escolha editorial cumpre a função de desidratar a gravidade do crime, transformando suspeitas de corrupção em mero debate de tática partidária.

CNN e UOL: Ampla repercussão sob o viés da polarização

A CNN Brasil e o UOL deram espaço às revelações do Intercept sobre os R$ 134 milhões negociados com Vorcaro. No entanto, o enquadramento frequentemente reduziu o escândalo à tradicional fricção entre governo e oposição. A centralidade que o caso merecia no debate econômico e moral do país foi asfixiada pelo mote da disputa de narrativas. 

Metrópoles foi agressivo nos bastidores, mas sem criar clamor público

O portal Metrópoles destacou-se pela publicação de bastidores e documentos exclusivos da relação de Vorcaro com lideranças de Brasília. Embora tenha pautado concorrentes, a cobertura não produziu o ambiente de indignação permanente que caracterizou a Lava Jato original ou que se repete quando o alvo pertence à esquerda — a exemplo do massacre midiático recente envolvendo suspeitas no INSS, onde o nome de “Lulinha” foi exaustivamente explorado.

O duplo padrão da “Lava Jato 2.0”

Como aponta Luís Nassif, a engrenagem da “Lava Jato 2.0” não se baseia na censura completa dos fatos, mas sim na sua fragmentação. Ao dar menor permanência às manchetes contra a família Bolsonaro, a imprensa tradicional dita o que deve ou não indignar a opinião pública.

O duplo padrão fica evidente quando se compara o tratamento dado a Flávio com o recebido pelo senador Jaques Wagner (PT-BA), também mencionado na Operação Compliance Zero. No caso do petista, a cobertura gerou manchetes garrafais, atualizações em tempo real e forte repercussão moralista nos portais.
Em ano de definição política, a grande imprensa deixa claro que sua prioridade não é a higidez do sistema financeiro, mas a calibração das narrativas que moldam a corrida rumo ao Palácio do Planalto.

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O Partido Digital Bolsonarista: síntese analítica, por Luís Nassif https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/por-fora-das-instituicoes.html 

Sylvio: entreguismo

Em resposta ao senador Flávio Bolsonaro, o secretário americano Marco Rubio reforça a postura de aplicar as absurdas tarifas de Trump contra o Brasil. Essa troca de ideias evidencia a participação e comprometimento cada vez maior da família do ex-presidente em ações contra nossos interesses.

Sylvio Belém 
[Imagem produzida por IA]

Diplomacia altiva e propositiva https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/lula-no-g7.html 

Boa notícia

Melhora socioeconômica reduz população nas classes D e E
Baixo desemprego e programas sociais fizeram com que as classes D e E encolhessem a menos de 20%, o menor nível da série histórica da consultoria 4Intelligence
Murilo da Silva/Vermelho    

Levantamento da consultoria 4Intelligence mostra que as classes D e E diminuíram no Brasil com a melhora no cenário econômico-social nos últimos anos.

O estudo revela que as classes D e E chegaram ao menor nível em 2025 e agora correspondem a 19,4% da população brasileira. Isso equivale a cerca de 41 milhões de pessoas que vivem em domicílios com renda de até R$ 760 por pessoa.

A série histórica do estudo analisa dados desde 2012, quando as classes D e E, as mais humildes da sociedade, representavam 31,6%. Essas classes chegaram a ser 34% da sociedade durante a pandemia de covid-19, em 2021.

A diminuição das classes D e E reflete a ascensão social propiciada desde 2023 pelo governo Lula.

Ao Valor, o economista Bruno Imaizumi, líder do estudo, indica que o resultado é motivado pela melhora do mercado de trabalho e programas de transferência de renda. Nesse sentido, destacam-se os menores índices de desemprego da história e o aperfeiçoamento do Bolsa Família, chegando a quem mais precisa.

No entanto, o pesquisador pondera que as famílias que ascenderam ainda dependem de que este bom cenário permaneça para se manterem nas classes acima, pois as reservas que fizeram ainda não são suficientes. Isso demonstra que, apesar do quadro favorável, as vulnerabilidades financeiras ainda demandam atenção.

A classe A, por sua vez, passou de 2,7% em 2012 para 3,8% em 2025 (mais de 8 milhões de pessoas). Ela representa brasileiros que vivem em domicílios com renda pessoal acima de R$ 7.989.

Já as classes B1 (13,9 milhões de pessoas) e B2 (30,2 milhões) correspondem a 20,8% da população, sendo que a primeira tem renda per capita até R$ 7.989 e a segunda até R$ 5.123.

Com a mobilidade das classes D e E, a classe C cresceu e alcança 56% dos brasileiros, somando as classes C1, com rendimento até R$ 2.825 (43,8 milhões de pessoas), e C2, com rendimento até R$ 1.852 (75,3 milhões de pessoas).

Apesar da diminuição das pessoas nas classes mais baixas (D e E), a diferença de renda média ainda chama a atenção para o nível de desigualdade que ainda persiste. Conforme a consultoria, o rendimento domiciliar per capita médio das classes D e E ficou apenas em R$ 453. No entanto, a classe A tem uma renda média por pessoa de R$ 14.214, quase 31 vezes maior em relação aos mais pobres. (*Com informações Valor)

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Duas faces da cena pré-eleitoral https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-opiniao_01490491014.html