13 março 2026

Postei nas redes

EUA sob o trumpismo sinalizam que a influência americana já não se impõe apenas pelo poderio militar, mas pela erosão de sua previsibilidade diplomática frente a um mundo que aprendeu a buscar alternativas no Oriente.

Planos a longo prazo, sim https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/minha-opiniao_4.html 

Dica de leitura


Neste livro o general prussiano Carl von Clausewitz apresenta o seu tratado de arte militar publicado em 1832-1837, após sua morte. Clausewitz se mostra um fervoroso defensor da concepção que colocava os valores morais bem acima das forças materiais. Para ele, os meios materiais têm sua importância durante um conflito armado, mas não são decisivos porque a guerra não pode ser considerada como um episódio isolado na história, uma vez que ela está estreitamente ligada à consciência do povo.

A Guerra EUA x Irã e Clausewitz https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/minha-opiniao_5.html

Luta contra escala 6 x 1

No Brasil, 72% das empresas que adotaram escala 5×2 tiveram aumento de receita
Modelo já é usado por 67% dos trabalhadores com carteira assinada e 44% dos empregadores relataram melhoria no cumprimento de prazos, segundo relatório do Ministério do Trabalho
Pricila Lobregatte/Vermelho 

Uma nova pesquisa sobre o regime de trabalho no Brasil reforça que a choradeira do patronato contra os impactos negativos do fim da escala 6×1 não se sustenta em dados da própria realidade do país. Atualmente, 66,8% dos vínculos trabalhistas (29,7 milhões de trabalhadores) já cumprem o modelo 5×2. Essa redução foi acompanhada pelo aumento direto sobre as receitas em 72% das empresas que a adotaram.

É o que revela o relatório “O futuro do trabalho no Brasil: viabilidade e impactos da redução da jornada e fim da escala 6×1”, elaborado pela Subsecretaria de Estudos do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O levantamento reúne dados do eSocial e de pesquisa de produtividade da Fundação Getulio Vargas (FGV). 

De acordo com o estudo, o impacto da adoção dessa escala sobre a folha de pagamento foi de apenas de 4,7%, com uma variação entre 1,6% a 10,5% para setores como alimentos e transporte aeroviários. Segundo o MTE, esse custo é considerado “perfeitamente absorvível pelas empresas, visto que é amplamente compensado por ganhos de produtividade e pela redução de custos indiretos, como rotatividade (turnover) e absenteísmo”.

Nesse sentido, vale destacar que o relatório ainda indica que 44% das empresas relataram melhoria significativa no cumprimento de prazos operacionais. 

Segundo o MTE, isso demonstra que “a modernização da jornada não é um custo, mas um investimento estratégico na sustentabilidade do negócio e na saúde da força de trabalho brasileira”.

Espaço natural de transição

O relatório também indica que apesar de 74% dos vínculos com carteira assinada (37,2 milhões de pessoas) serem formalmente contratados para o teto de 44 horas semanais, nem todos esses empregados cumprem efetivamente seis dias de trabalho. Para o MTE, isso sinaliza “um espaço natural de transição para modelos mais flexíveis”.

Além dos ganhos para a classe trabalhadora e do baixo impacto para o empresariado, o cenário atual da economia favorece a redução dos dias trabalhados, na avaliação do ministro do MTE, Luiz Marinho. “Nesse exato momento, a economia brasileira está pronta para suportar 40 horas semanais. É uma escala possível e coerente com o que a sociedade está pedindo”, explicou o titular da pasta em audiência pública dedicada ao tema, realizada na terça-feira (10) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

Autora do Projeto de Lei 67/25 (estabelece que a duração da jornada não poderá exceder 40 horas semanais e ao menos dois dias semanais de repouso, sem redução salarial), a deputada federal Daiana Santos (PCdoB-RS) diz que a proposta “nasceu justamente da urgência histórica de avançarmos nessa luta por uma jornada de trabalho que garanta dignidade, saúde e qualidade de vida”. Ela concorda que a medida é “viável e madura”. A matéria deverá ser votada na próxima semana na Comissão do Trabalho da Câmara.

A disputa em torno da escala 6×1 https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/escala-6x1.html

Humor de resistência

 

Jota Camelo

Leia: Quase tudo é inovação tecnológica https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/01/minha-opiniao_45.html 

Enio Lins opina

Quando a História é agredida pelos mitos mais toscos
Enio Lins     

UMA ASNEIRA GALOPA pelos escaninhos da Câmara dos Deputados, em Brasília. Trata-se do Projeto de Lei 1007/2026, assinado por um certo capitão eleito por São Paulo. A parvoíce do desilustre parlamentar propõe a extinção do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN.

CRIADO EM 1937, O IPHAN está a um ano de comemorar seus 90 anos de vida e de defesa do patrimônio histórico. Não por acaso, surgiu no momento da imposição do Estado Novo, sistema ditatorial que elegia o nacionalismo como um fator aglutinador de massas. Embora a valorização do patrimônio histórico nunca ter sido exclusividade do conservadorismo, deve-se levar em consideração que a extrema-direita já foi culta e sabia formular políticas culturais. Embora batizado pela ditadura varguista, o órgão nacional de proteção do patrimônio histórico foi produto de uma luta suprapartidária que começou muito antes de Getúlio Vargas e seu time entrarem em campo.

EXPLICA A WIKIPÉDIA: 
“A movimentação para a criação de órgãos de proteção ao patrimônio no Brasil se iniciou na década de 1920, com propostas de lei no âmbito de diversos estados; incluindo a criação das Inspetorias Estaduais de Monumentos em Minas Gerais, Bahia e Pernambuco entre os anos de 1926 e 1928. Mas o primeiro órgão voltado para a preservação do patrimônio em âmbito nacional foi criado em 1933, como uma entidade vinculada ao Museu Histórico Nacional (MHN). Era a Inspetoria de Monumentos Nacionais (IMN), instituída pelo Decreto n° 24 735 de 14 de julho de 1934. E tinha como principais finalidades impedir que objetos antigos, referentes à história nacional, fossem retirados do país em virtude do comércio de antiguidades, e que as edificações monumentais fossem destruídas por conta das reformas urbanas, a pretexto de modernização das cidades”.

É O IPHAN, POR SI SÓ, 
patrimônio histórico. Um órgão vivo, dinâmico – principal responsável pela preservação de bens materiais e imateriais brasileiros cuja relevância ultrapassa nossas fronteiras. Graças a esse trabalho, o Brasil possui hoje 23 bens reconhecidos pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade, como o conjunto urbanístico de Brasília, Ouro Preto, Olinda, São Luís, Diamantina, Goiás, o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, o Conjunto Moderno da Pampulha, o Cais do Valongo, as Ruínas de São Miguel das Missões etc. O IPHAN reúne experiências de gerações, saberes acumulados ao longo de mais de um século de trabalho duro. Já se passavam duas décadas de lutas, quando, em 1936, começou a funcionar o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), como repartição do Ministério da Educação e Saúde, pasta então sob a batuta de Gustavo Capanema.

GUSTAVO CAPANEMA 
foi um exemplo de político de direita, intelectual, amplo, com visão de futuro, sem radicalismos ideológicos. Sim, gente assim já existiu, não é mito. Capanema é, até hoje, o ministro da Educação com mais tempo na pasta, 11 anos. Teve como chefe de gabinete Carlos Drummond de Andrade. De sua equipe fizeram parte Mário de Andrade, Portinari, Manuel Bandeira, Villa-Lobos, Cecília Meireles, Lúcio Costa, Vinícius de Morares... O IPHAN é produto dessa compreensão, onde Cultura estaria acima dos perfis políticos. Isto a extrema-direita beócia jamais aceitou.

ENQUANTO ESSAS LINHAS
 estão sendo digitadas, o IHPAN, ignorando a ameaça de morte em tramitação, enviou da Bahia para Alagoas o seu principal engenheiro especialista em estruturas de madeira e de pedra, Bruno Tavares; veio para vistoriar as instalações do Complexo Conventual Santa Maria Madalena, em Marechal Deodoro, que apresentam problemas depois de anos das obras de restauração (custeadas pelo IPHAN). É zelo, cuidado, investimento, amor e verdadeira dedicação ao patrimônio histórico. Sem vezos ideológicos. Mitos não suportam isso.

Leia também: O mundo cabe numa Organização de Base https://lucianosiqueira.blogspot.com/2023/05/minha-opiniao_18.html

Palavra de poeta

Aprendamos, amor
José Saramago   

Aprendamos, amor, com estes montes
Que, tão longe do mar, sabem o jeito
De banhar no azul dos horizontes.

Façamos o que é certo e de direito:
Dos desejos ocultos outras fontes

E desçamos ao mar do nosso leito.

[Ilustração: Andrey Remnev]

Leia também: "Vinil", um poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/02/palavra-de-poeta_19.html  

Irritante insistência

Não desejo, nem preciso 
Luciano Siqueira 
instagram.com/lucianosiqueira65   

Há mais ou menos 7 anos troquei de carro: tinha um Fiat Grand Siena e passei a um HB20 Hyundai. 

Estacionei na garagem da prefeitura. Foi o suficiente para ganhar da minha equipe, reproduzidas em papel A4, cópias de fotos de surfistas conduzindo num carrinho semelhante ao meu a sua prancha, seguindo estrada afora. 

Eu nem sabia que se tratava de um modelo prestigiado pelos surfistas. Pesaram o preço, o valor das prestações a prazo e a simplicidade do veículo. 

Até hoje foram 54 mil km rodados, mais ou menos. Ando pouco na cidade e foram raras as viagens para fora de Pernambuco. 

Por duas vezes tive que substituir velas e bobinas, que o mecânico garante não ser nada estranhho: partes das instalações elétricas, impossível prever se falharão ou não. 

Chego até a pensar que será o último veículo que compro para uso pessoal, pois já estou concluindo a sétima década de vida... 

Pois bem. Tem quase um mês que uma concessionária da Hyundai me manda por e-mail mensagens persistentes, mais de uma ao dia, insistindo que eu deva trocar o carro por um modelo atual, zero km. 

Comecei respondendo com o meu desinteresse pela proposta. Parece que os algoritmos entenderam o contrário: as mensagens se intensificaram. 

A partir da última segunda-feira, toda vez que vou verificar meus e-mails me deparo com a mensagem da dita concessionária: "Luciano, o que falta para você adquirir um HB20 zero km?"

Sou tentado a responder: faltam-me a necessidade, o dinheiro e a vontade, ora!

Mas fico quieto, pois bem sei que os algoritmos se sentirão estimulados a me enviarem mais mensagens ainda! Um inferno. 

Opto pela indiferença. Espero que dê certo, pois tem funcionado em relação a outras ofertas impertinentes. 

Vade retro, santanás!

Leia também: “O fascinio da lata de sardinhas” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/08/minha-opiniao_2.html