05 junho 2026

Minha opinião

Donald Trump e sua tresloucada política externa
Luciano Siqueira 
instagram.com/lucianosiqueira65 
 

Quanto mais decresce nas pesquisas os índices de aprovação do governo Trump, mais pontificam na grande mídia norte-americana opiniões críticas ao presidente.

Trump é acusado de haver abandonado o compromisso dos Estados Unidos com a estrutura global de alianças e comércio. A políticas de imposição tarifas aos países com o qual transaciona só tem trazido desgastes no planos internacional e interno. A inoperância é evidente.

Mais do que mecanismo de proteção de mercado, essa tresloucada postura pretende retaliar política e ideologicamente contra nações que não aceitam passivamente abrir mão dos seus próprios interesses.

É o que ocorre em relação à pauta de transações comerciais com o Brasil, usando argumentos falaciosos como .o combate ao trabalho forçado, desmatamento e até rejeição a decisões do Poder Judiciário brasileiro relativas às big techs e plataformas como o X.

Alianças tradicionais na Europa, Ásia e Américas são praticamente desfeitas em razão das imposições tarifárias, abrindo espaço, inclusive, para mais adesões ao Programa Iniciativa e Rota (Nova Rota da Seda) encetado pela República Popular da China, que já envolve 150 países e dezenas de organizações internacionais.

Complexas e igualmente desgastantes (para os Estados Unidos) são as consequências quanto a rupturas em cadeias globais de suprimentos (como commodities e alimentos) e a insegurança jurídica internacional.

Na verdade, mesmo que Trump retroceda, como tem feito várias vezes, sua postura errática e inconsequente terá contribuido para a persistente decadência do império norte-americano.

Qual a sua opinião? Assine seu comentário para que possamos publicá-lo.

Trump contraditório e errátil https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/minha-opiniao_18.html 

Sylvio: jogo duplo

Os irmãos Bolsonaro fazem um jogo rasteiro e duplo: enquanto lá dos Estados Unidos, para onde fugiu, Eduardo defende o tarifaço adotado para o Brasil, aqui o mano Flávio diz que vai pedir a Trump que não aplique as tarifas contra nosso país. Como sempre, essa família tenta iludir nosso povo e trabalha contra os interesses nacionais.

Sylvio Belém   

Seleção: alternativas táticas

O corpo, a técnica e a alma no futebol
Seleção precisa pressionar mais a saída de bola do adversário e ser mais compacto. Dentro de certos limites, tensão dos jogadores é benéfica ao desempenho
Tostão/Folha de S. Paulo   

A goleada sobre o fraco Panamá serve para Carlo Ancelotti refletir sobre outras opções na escalação e formação tática da equipe. No primeiro tempo, a seleção repetiu a estratégia usada contra a Croácia com Matheus Cunha mais recuado, marcando pela esquerda, além de Luiz Henrique pela direita e a dupla de atacantes formada por Raphinha e Vinicius Junior.

No segundo tempo o time melhorou com os reservas. Os meio-campistas Paquetá e Danilo Santos formaram um trio no meio-campo. Paquetá é diferente de Matheus Cunha. O jogador do United (Matheus) é um meia-atacante que volta para receber a bola e marcar, enquanto Paquetá , assim como Danilo, é um meio-campista que joga de uma área a outra e que inicia as jogadas de frente para o campo adversário.

Raphinha ficou um pouco perdido pelo centro, pois no Barcelona atua do lado para o meio, se movimentando por todo o ataque. Danilo, Rayan, Endrick e Igor Thiago também mostraram novamente que podem ser boas alternativas.

Independentemente da escalação e da formação tática, o time precisa pressionar mais a saída de bola do adversário e ser mais compacto, defendendo e atacando em bloco. Quando o meio-campo se adiantava, os zagueiros ficavam muito atrás, deixando grandes espaços entre os dois setores para o Panamá trocar passes e chegar à área. Esse posicionamento do time brasileiro contra fortes seleções poderá ser um desastre.

Desde os 7 x 1 contra a Alemanha, em 2014, o recente 4 x 1 contra a Argentina e outros momentos ruins, critico o vazio que existe no meio-campo, com apenas dois jogadores para marcar, construir e avançar, além da pouca valorização do setor no controle da bola. Seria melhor formar um trio no meio-campo, desde que tenham pelo menos dois meio-campistas que marcam, constroem e avançam.

É necessário, em uma mesma partida, alternar a transição rápida da defesa para o ataque com a troca de passes e o domínio da bola e do jogo. Contra as seleções mais fortes será importante, em muitos momentos, recuar a marcação, atrair o outro time e contra-atacar para aproveitar os velozes atacantes brasileiros e os espaços deixados pelos adversários.

Além das qualidades individuais, coletivas e físicas, a seleção terá de estar bem emocionalmente na Copa. O grupo conta com a ajuda da psicóloga Marisa Santiago, especialista em terapia cognitivo-comportamental e mestre em ciências do esporte pela UFMG.

A ansiedade é uma reação emocional quando se percebe uma situação ameaçadora, com ou sem a presença de um perigo real, objetivo. O receio é o fracasso na Copa. A tensão é benéfica, dentro de certos limites, pois ela estimula a produção de substâncias químicas, melhora a concentração, a capacidade muscular e aumenta o entusiasmo. Se a ansiedade for excessiva, o corpo não obedece ao comando do cérebro e passa a ter ações inadequadas, impulsivas e, às vezes, violentas, que podem resultar em expulsões e derrotas.

Os jogadores, antes das partidas, criam hábitos, rituais para conviver melhor com a tensão emocional. Pelé chegava ao vestiário, deitava e fechava os olhos. Não sei se dormia e se sonhava com os lances magistrais que executaria em campo. Ele foi o maior de todos porque possuía, no mais alto nível, todas as qualidades técnicas, físicas e emocionais.

[Ilustração: imagem produzida em IA]

Qual a sua opinião? Assine seu comentário para que possamos publicá-lo.

A arte, a técnica e a objetividade no futebol https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/02/futebol-aparencia-e-essencia.html 

Palavra de poeta

Poema sujo
Ferreira Gullar 

Que importa um nome a esta hora do anoitecer em São Luís
do Maranhão à mesa do jantar sob uma luz de febre entre irmãos
e pais dentro de um enigma?
mas que importa um nome
debaixo deste teto de telhas encardidas vigas à mostra entre
cadeiras e mesa entre uma cristaleira e um armário diante de
garfos e facas e pratos de louças que se quebraram já

um prato de louça ordinária não dura tanto
e as facas se perdem e os garfos
se perdem pela vida caem pelas falhas do assoalho e vão conviver com ratos
e baratas ou enferrujam no quintal esquecidos entre os pés de erva-cidreira

[Ilustração: Pablo Picasso]

Leia também: "Amor e ódio ao smartphone" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/09/minha-opiniao_21.html

04 junho 2026

Felipe Sarinho opina

Orçamento público e desequilíbrio da competição democrática
Felipe Sarinho*     

Há processos de deterioração institucional que não se anunciam por rupturas dramáticas nem pela supressão explícita de direitos. Desenvolvem-se silenciosamente, por meio de alterações graduais na arquitetura do poder que, aos poucos, transformam o funcionamento da democracia sem modificar formalmente a Constituição. O Brasil parece atravessar precisamente um desses momentos.

A recente derrubada, pelo Congresso Nacional, dos vetos presidenciais que impediam a liberação de recursos federais a municípios em período vedado pela legislação eleitoral simboliza essa transformação. O episódio ultrapassa a discussão sobre transferências voluntárias ou execução orçamentária. Revela uma mudança mais profunda na distribuição do poder político.

O problema não está na legítima participação do Parlamento na elaboração e fiscalização do orçamento público, função inerente às democracias constitucionais. A questão é outra: observa-se a progressiva substituição da racionalidade governamental por uma lógica de fragmentação político-eleitoral do gasto público.

O orçamento, que deveria expressar prioridades nacionais e viabilizar a execução do programa legitimado pelas urnas, converteu-se no principal espaço de disputa entre Executivo e Legislativo. Já não se discutem apenas políticas públicas, mas a própria capacidade estatal de governar. O planejamento cede espaço à pulverização de interesses locais, frequentemente vinculados a incentivos eleitorais.

O presidencialismo brasileiro foi concebido sob a premissa de que compete ao Executivo formular políticas públicas nacionais, coordenar prioridades administrativas e conduzir estratégias de desenvolvimento. Governar pressupõe capacidade de definir prioridades e ordenar investimentos. Quando parcelas crescentes do orçamento passam a ser controladas por mecanismos de execução parlamentar impositiva, essa capacidade é reduzida.

Cria-se, assim, uma distorção institucional relevante: transfere-se poder político sem a correspondente transferência de responsabilidade. O Congresso amplia sua capacidade de distribuir recursos e acumular dividendos políticos locais, enquanto o Executivo permanece responsável perante a sociedade pelos resultados da gestão pública. O bônus político da despesa descentraliza-se; o ônus da governabilidade permanece concentrado na Presidência da República.

Em ano eleitoral, os efeitos dessa dinâmica tornam-se ainda mais sensíveis. Ao afastar restrições destinadas a preservar a igualdade da disputa política e evitar o uso promocional da máquina pública, deputados e senadores autorizaram a continuidade de repasses federais às vésperas das eleições de 2026.

O problema democrático talvez seja ainda mais grave. O orçamento passa a funcionar como instrumento de fortalecimento político dos próprios parlamentares. A capacidade de direcionar recursos para municípios estrategicamente relevantes transforma investimentos públicos em ativos eleitorais associados aos responsáveis por sua destinação. Forma-se uma espécie de capital político financiado pelo Estado.

A consequência é o aprofundamento da desigualdade entre candidatos com mandato e aqueles que buscam ingressar na vida pública. O incumbente atua simultaneamente como legislador, articulador regional, distribuidor de recursos e agente permanente de visibilidade institucional. O acesso privilegiado ao orçamento fortalece redes locais de apoio e dificulta a renovação política.

A democracia constitucional repousa sobre um delicado equilíbrio entre representação, competição e alternância de poder. Quando o orçamento deixa de funcionar prioritariamente como instrumento de planejamento nacional e passa a operar como mecanismo de consolidação dos detentores de mandato, instala-se um risco silencioso: a transformação da democracia em um sistema formalmente competitivo, mas materialmente desigual.

Democracias não se degradam apenas quando eleições deixam de existir. Também se deterioram quando passam a ocorrer em condições estruturalmente desequilibradas. As instituições permanecem em funcionamento e o calendário eleitoral é preservado. Mas as condições reais da competição política tornam-se progressivamente menos equitativas.

*Doutor em Direito pela Universidade de Lisboa (Portugal) e professor de Teoria do Estado e Direito Constitucional da UNICAP e UPE

Qual a sua opinião? Assine seu comentário para que possamos publicá-lo.

Leia também - Celso Pinto de Melo: A terceira onda brasileira https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/celso-pinto-de-melo-opina_0166768148.html 

Postei nas redes

O secretário de Estado do governo Trump, Marco Rubio, tem tudo para passar à História como uma espécie de bobo da corte moderno. Deixa seus tenebrosos afazeres para cuidar das diatribes articuladas pelo bolsonarismo contra a soberania do Brasil.  

Lula desmascara extrema direita https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/palavra-de-lula.html 

Minha opinião

Adversário oportuno*
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65     

Campanhas eleitorais são uma espécie de arena onde gladiadores disputam o pódio com todas as armas disponíveis.

Em princípio, seria o confronto de atributos positivos, de diversas naturezas, que uma vez assimilados pela grande plateia - o eleitorado -, propiciaria a vitória ao melhor dos contendores.

Mas não é bem assim. Ou é, porém numa complexidade em boa parte determinada pelas circunstâncias da luta e pela “bagagem” exibida por cada gladiador.

O presidente Lula disputará o pleito contra mais de um oponente, mas dentre eles, pelos menos por enquanto, o senador Flávio Bolsonaro (PL), dito filho 01 do ex-presidente encarcerado Jair, se destaca.

Um adversário oportuno. Vulnerável, ainda que arrogante e predisposto a toda sorte de manobras distantes anos luz de qualquer consideração de ordem ética.

Um candidato em ascensão? Longe disso. Desde que reveladas suas relações comprometedores com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, o senador dedica parte substancial do seu tempo a se explicar diante da opinião pública e mesmo dos próprios correligionários. O que se reforça agora com a retomada do “tarifaço” de Donald Trump contra a economia brasileira, onde estão nítidas as digitais do bolsonarismo.

Na correspondência enviada por Trump a Lula, são mencionadas supostas fragilidades no combate à corrupção e questionamentos ao sistema Pix para justificar as barreiras protecionistas. Tudo a ver com a retórica enviesada do clã Bolsonaro, tornando justa a alcunha de "Tariflávio" que agonia o senador nas redes sociais.

Num ambiente político minimamente sério e sujeito a normas jurídicas aplicáveis e diante de uma opinião pública atenta e crítica, o candidato bolsonarista raiz já teria desistido ou afastado pelo próprio partido.

Ao contrário, esperneia como pode e aciona o arsenal de comunicação digital pautado pelo conceito de “pós-verdade”, em que a fronteira entre o acontecido e o inventado é tão tênue quanto um fio dental.

Nessas circunstâncias, avulta um paradoxo: o principal candidato da extrema direita, herdeiro direto de minoritário, porém consistente naco do eleitorado de todo o país é também o melhor adversário a ser enfrentado pela ampla coalização democrática e popular liderada pelo presidente Lula.

Antes de tudo porque, em razão das diatribes do senador junto ao governo norte-americano, com o qual se relaciona de forma subserviente, a defesa da soberania nacional avulta como destaque na cena eleitoral, bandeira capaz, a um só tempo, de demarcar campos e elevar o nível de consciência da população.

Politiza a disputa, para além do confronto entre as chamadas “entregas”, quase sempre referidas a politicas e programas socialmente compensatórios que, embora importantes, não podem nem devem se sobrepor à questão nacional e à defesa da democracia.

O discurso das “entregas” gera gratidão, mas não a consciência política necessária.

Mas quando se relacionam as “entregas” com a soberania nacional e a defesa e o aprimoramento do regime democrático, à gratidão se acrescenta a consciência política que esclarece, organiza e mobiliza.

Sim, o senador bolsonarista raiz é o melhor adversário a enfrentar nas atuais circunstâncias.

*Texto da minha coluna semanal no portal ‘Vermelho’

[Ilustração: imagem produzida por IA]

Qual a sua opinião? Assine seu comentário para que possamos publicá-lo.

Lula desmascara extrema direita https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/palavra-de-lula.html