22 setembro 2026

Dica de leitura

Condição para a soberania nacional

Luciano Siqueira     

 

O professor e pesquisador Celso Pinto de Melo, da Universidade Federal de Pernambuco, aborda elementos fundamentais para a soberania das nações em seu ensaio "Do Sputnik ao silício", publicado no Jornal GGN https://jornalggn.com.br/artigos/do-sputnik-ao-silicio-por-celso-p-de-melo/#goog_rewarded  

Destaca como a União Soviética exibiu enorme força tecnológica ao lançar o Sputnik e Yuri Gagarin no espaço, bem como ao alcançar a paridade nuclear com os EUA, mas falhou na revolução digital dos semicondutores. O erro foi concentrar nos "grandes projetos" fechados e na cópia de arquiteturas externas (como o IBM System/360 ), em vez de criar um ecossistema de inovação contínua e cumulativa.

Observa que diferente de grandes projetos estáticos (como bombardeiros ou programas espaciais), a indústria de semicondutores e silício exige inovação dinâmica e permanente.

Diferentemente, o modelo adotado pela China, que superou a fase de imitação ao estruturar um ecossistema tecnológico integrado entre Estado, mercado e universidades.

O Brasil, por seu turno, apesar de ter desenvolvido uma comunidade científica sólida e universidades de excelência, ainda enfrenta o desafio histórico de integrar a pesquisa científica ao setor industrial e de mercado.

Nesse desafiante contexto, o valor real de um ecossistema tecnológico não está em produzir isoladamente um produto (seja um chip, um avião ou um algoritmo), mas na capacidade institucional de "colocar o conhecimento em movimento" e gerar continuamente as próximas gerações de inovação.

Leia também: Marie Curie no Brasil e as contradições da modernidade https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/historia-ciencia.html 

Postei nas redes

Na Folha de S. Paulo: “Assessora de Flávio Bolsonaro negociou liberação de emendas com miliciano condenado no caso Marielle." 

O berço dos Bolsonaros https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/ruy-castro-opina.html 

21 setembro 2026

Minha opinião

Brasil na resistência à onda neofascista

Luciano Siqueira       

 

A disputa pela Presidência da República alcança a reta final em ambiente dramático. Tem valor estratégico para o subcontinente sul-americano a permanência do Brasil na resistência à onda neofascista.

Subjacente às atividades de campanha, nas redes digitais e nas ruas, cuja marca é a agitação em torno de ideias ao alcance imediato do eleitor comum, importa o desmascaramento da inconsequência retrógrada da extrema direita.

Em meio ao desgaste das instituições, a guerra cultural cujas referências fundamentais caminham distante da ideia de um desenvolvimento socioeconômico inclusivo.

Em meio à insatisfação popular em última instância decorrente do desengano (ainda que não plenamente consciente) em relação ao capitalismo dominante essencial exclusivo, a extrema direita prioriza alvos específicos — como movimentos feministas, pautas LGBTI+, populações indígenas, imigrantes e a população empobrecida em íntima articulação com agendas econômicas neoliberais.

Obviamente a ação da extrema direita não busca a resolução das causas estruturais da desigualdade regional, mas a entrega da economia às forças de mercado e a manutenção do poder pelo cultivo do medo e da divisão social.

Vencer as eleições é essencial para o Brasil e, em perspectiva, para o futuro do subcontinente.

Na reta final detalhes importam https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01182604884.html 

Arte é vida

 

Marcel Duchamp

Quadrinhos além do entretenimento https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/thiago-modenesi-opina.html 

Palavra de poeta

RANCHO DAS FLORES
Vinícius de Moraes    
 

Entre as prendas com que a natureza

Alegrou este mundo onde há tanta tristeza

A beleza das flores realça em primeiro lugar

É um milagre do aroma florido

Mais lindo que todas as graças do céu

E até mesmo do mar

Olhem bem para a rosa

Não há mais formosa

É flor dos amantes

É rosa-mulher

Que em perfume e em nobreza

Vem antes do cravo

E do lírio e da Hortência

E da dália e do bom crisântemo

E até mesmo do puro e gentil malmequer

E reparem no cravo o escravo da rosa

Que é flor mais cheirosa

De enfeite sutil

E no lírio que causa o delírio da rosa

O martírio da alma da rosa

Que é a flor mais vaidosa e mais prosa

Entre as flores do nosso Brasil

Abram alas pra dália garbosa

Da cor mais vistosa

Do grande jardim da existência das flores

Tão cheias de cores gentis

E também para a Hortência inocente

A flor mais contente

No azul do seu corpo macio e feliz

Satisfeita da vida

Vem a margarida

Que é a flor preferida dos que tem paixão

E agora é a vez da papoula vermelha

A que dá tanto mel pras abelhas

E alegra este mundo tão triste

No amor que é o meu coração

E agora que temos o bom crisântemo

Seu nome cantemos em verso e em prosa

Porém que não tem a beleza da rosa

Que uma rosa não é só uma flor

Uma rosa é uma rosa, é uma rosa

É a mulher rescendendo de amor.

[Ilustração: Amedeo Modigliani]

Leia também "Eu era apenas quanto", poema de Joseph Brodsky https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/palavra-de-poeta_6.html 

Com os pés na lama

Vorcaro temia que jantar com Flávio e Jair Bolsonaro fosse revelado

Revista mostra diálogo sobre encontro combinado no final de 2024. “Cara. Não fala dessa reunião bolso pra ninguém”, diz Vorcaro a Carneiro, suspeito de ser seu sócio oculto
Priscila Lobregatte/Vermelho    



No emaranhado de mensagens contidas no celular de Daniel Vorcaro, relativas ao caso Master, um novo diálogo foi tornado público nesta segunda-feira (21). A conversa indica que o ex-banqueiro temia que um possível encontro entre ele, Jair e Flávio Bolsonaro (PL), no final de 2024, fosse vazado. “Cara. Não fala dessa reunião bolso pra ninguém”, diz ao seu interlocutor Flávio Carneiro, empresário suspeito de ser sócio oculto de Vorcaro.

As mensagens foram obtidas pela revista CartaCapital. Os prints mostram que Carneiro parece tentar não tocar diretamente nos nomes do pai e do filho ao lembrar o ex-banqueiro sobre o encontro. E, num primeiro momento, Vorcaro reage como se não tivesse se dado conta do que se tratava.

“Thiago está cobrando se você vai num jantar com meu xará e com o pai dele, pelo que entendi, você está ciente disso?”, diz Carneiro, em possível referência a Thiago Miranda, lobista e então sócio do site Léo Dias, braço-direito de Vorcaro.

Em seguida, o ex-banqueiro responde: “Não sei do que você está falando”. Depois, frente à insistência de Carneiro, Vorcaro parece se recordar: “Temos que pensar nisso. Vamos nos falar primeiro”.

Saiba mais: Flávio Bolsonaro fez safári na África com investigados na fraude do INSS

O assunto é retomado no dia seguinte, conforme informação da revista, quando o próprio Vorcaro o aborda, dizendo: “Cara. Não fala dessa reunião bolso pra ninguém”. Ele prosseguiu afirmando: “Esse negócio acaba comigo. Fábio já veio falar”.

Segundo a reportagem, não fica claro se o jantar aconteceu. Além disso, afirma que a desconfiança de que o Jair e o Flávio citados sejam o ex-presidente e seu filho senador parte dos próprios investigadores a cargo das apurações. Naquele momento, em 2024, Jair Bolsonaro ainda não cumpria sua pena por tentativa de golpe, apenas medidas cautelares, com a entrega do passaporte e a proibição de falar com outros investigados na trama.

Relações perigosas

Embora tente se desvencilhar de Vorcaro, a cada dia novos fatos mostram que a relação entre Flávio e o ex-banqueiro não foi pontual ou esporádica. As investigações apontam para diálogos entre os dois e referências que indicam bastante proximidade. E, para além da troca de mensagens instantâneas, eles também estiveram juntos presencialmente.

Conforme as apurações, a relação direta entre o senador e o banqueiro intensificou-se no segundo semestre de 2025. O material colhido e que consta das investigações indica possível encontro entre os dois no dia 20 de agosto de 2025. Pouco depois, houve a cobrança de dinheiro por Flávio para, supostamente, financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Em maio, o site Intercept Brasil revelou essa relação e o pedido de R$ 134 milhões pelo senador, dos quais, até agora, sabe-se do pagamento de mais de R$ 60 milhões.

Depois dessas, uma série de outras mensagens foi trocada. Na véspera da primeira prisão de Vorcaro — ocorrida em 17 de novembro do ano passado —, Flávio enviou uma das que mais simbolizam a proximidade entre ambos. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, diz o senador, ao que o ex-banqueiro reage com imagem de visualização única. E Flávio conclui com um “Amém”.

Na semana passada, outro elemento a reforçar o grau da relação entre os dois foi publicado pela revista piauí: o uso por Flávio, durante alguns dias no início de agosto, de apartamento num dos bairros mais caros de São Paulo pertencente a Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro.

O imóvel também está envolto em fatos estranhos: poucos meses antes, segundo a revista, Zettel o comprara por R$ 5,5 milhões – um valor que seria condizente com o de mercado. E dez meses depois, o vendeu por R$ 3,5 milhões à WT Administração de Imóveis e Bens, empresa do advogado Willer Tomaz, tratado por Flávio como seu amigo.

Entre os muitos pontos nebulosos envolvendo também essa relação está, além do apartamento em questão, um safári na África do Sul que Flávio fez em companhia de Tomaz e do senador Weverton Rocha (PDT-MA) em março do ano passado. O advogado e o parlamentar maranhense são investigados pela mega-fraude do INSS, iniciada no governo de Jair Bolsonaro e desbaratada somente durante o governo Lula. Suspeita-se que Tomaz lavasse dinheiro do esquema para Rocha.

O golpe por dentro do TSE https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/golpismo.html 

Arte é vida

 

Josef Herman