Crônica de uma vitória a conquistar https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/minha-opiniao_30.html
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
Crônica de uma vitória a conquistar https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/minha-opiniao_30.html
O velho amigo Epaminondas já me criticou mais de uma vez pelo o que ele considera incoerência minha rejeitar conselhos e hipotéticas “descobertas” científicas destinadas a melhorar a vida do cidadão no cotidiano e ao mesmo tempo escrever ironicamente sobre elas.
Faz sentido.
Entretanto, como leio os jornais e sites noticiosos diariamente, natural
que a minha atenção seja despertada, ainda que por alguns segundos, para
manchetes e lides redigidos precisamente para atrair o leitor.
Pois a minha "incoerência" se repete ao perceber o destaque do
Estadão para a prática milenar da sauna: "Descubra como as saunas, usadas
há séculos, podem contribuir para o relaxamento, sono e saúde cardiovascular;
entenda ainda as contraindicações".
Não li o texto completo porque não tinha tempo nem interesse.
Mas minutos depois, dirigindo o carro até a loja de utilidades onde fui
em busca da resistência de um dos chuveiros daqui de casa, que se queimou, não
resisti a especular sobre o banho morno, predileto aqui em casa, e as tais
saunas.
Imaginei me vendo coberto apenas com uma toalha em ambiente tomado por
um vapor, se não muito quente, pelo menos morno.
Por quanto tempo? Qual a temperatura ideal? Como conciliar a preferência
de mais de um frequentador (tão comum em cenas vistas em filmes)?
Já as contraindicações mencionadas na matéria, mesmo ignorando-as,
consola-me imaginar uma hipotética convergência entre o meu preconceito e uma
oportuna proibição, quem sabe do meu cardiologista.
Resistências pessoais eu carrego ao longo dessas quase completas sete
décadas de vida.
Outra: frequentar academia para exercícios aeróbicos e de musculação.
Simplesmente não me vejo nelas e compenso o preconceito com o prazer da
caminhada.
Afinal, caminhar também é um exercício aeróbico, ou não? Meus médicos
dizem que sim.
O fato é que chego ao final da vida, ou mais ou menos próximo, sem
jamais ter entrado numa sauna.
Se eu merecesse um troféu por essa "proeza", seria por cautela
e ou preconceito? Pegaria melhor a primeira alternativa. Ou não?
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Lamento do 'Estadão': "Enquanto a direita briga e o centro cala, Lula pauta o País com sua versão dos fatos". Acrescento: para o bem do Brasil!
"Em maus lençóis" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-opiniao_01637939089.html
A dura realidade do comércio
civilizador
A disputa entre Estados Unidos e China em
torno das sanções econômicas revela transformações profundas na ordem
internacional. Ao desafiar medidas impostas por Washington contra refinarias
chinesas ligadas ao petróleo iraniano, Pequim sinaliza não apenas uma
resistência inédita ao poder norte-americano, mas também sua disposição de
sustentar uma arquitetura econômica menos dependente do dólar
Benoît Bréville*/Le Monde Diplomatique
Depois de acusar cinco refinarias chinesas de se abastecerem de petróleo
iraniano, o Tesouro norte-americano as acrescentou, em 24 de abril passado, à
sua interminável lista de empresas sancionadas. Uma rotina, aparentemente. Há
décadas, Washington se arroga o poder de determinar quem pode comercializar com
o resto do mundo, e todos se curvam a seus ditames por medo de serem excluídos
de um sistema financeiro internacional atrelado ao dólar.
No entanto, as coisas não aconteceram como previsto. A China, que até
então se contentava com protestos verbais e formas discretas de drible,
anunciou que não se submeteria a essas sanções e que levaria aos seus tribunais
qualquer empresa chinesa que lhes obedecesse. A decisão é justificada pela
necessidade de “preservar a soberania, a segurança e os interesses de
desenvolvimento do país”. Em outras palavras: impedir que as sanções
norte-americanas desorganizem fluxos energéticos que se tornaram essenciais para
a economia regional.
As refinarias visadas abastecem vários países com gasolina e querosene,
e sua inclusão na lista de proscritos fragilizaria o conjunto das cadeias de
suprimento de um continente que funciona como um vasto sistema de produção
integrada: hidrocarbonetos do Golfo, componentes chineses ou coreanos, montagem
no Vietnã ou em Bangladesh… Nesse conjunto interdependente, uma ruptura
duradoura dos fluxos energéticos – já fragilizados pelas tensões em torno do
Estreito de Ormuz – poderia rapidamente desorganizar todo o aparelho produtivo.
Diante desse risco, Pequim endurece o tom, ainda mais porque agora
dispõe de instrumentos que lhe permitem atenuar o efeito das sanções
financeiras norte-americanas: sistema de pagamentos transfronteiriços e liquidação
crescente do comércio de petróleo em yuan, acordos entre bancos centrais ou
ainda projetos de moedas digitais interoperáveis. Assim, o cálculo chinês se
alterou: uma queda de braço com os Estados Unidos passou a ser menos custosa do
que uma perturbação prolongada dos fluxos comerciais.
O episódio dá mais um golpe em um sistema de sanções cada vez mais usado
e cada vez menos eficaz. Ele poderia abrir caminho para estratégias mais
sistemáticas de driblar as sanções, facilitadas pelo surgimento de alternativas
apoiadas pela China. “A época em que Washington ditava sozinho com quem o mundo
podia comercializar e via suas decisões se imporem chegou ao fim”, comemora,
talvez com alguma pressa, um analista crítico dos Estados Unidos (The
Morning Star, 16 maio 2026). Resta saber que ordem econômica a China
pretende, por sua vez, consolidar.
Sua reação à lei de aceleração industrial apresentada no início de março
por Bruxelas oferece um vislumbre disso. Promovido pela Comissão Europeia como
um antídoto à desindustrialização, esse plano visa condicionar os apoios
públicos a exigências de conteúdo local e de transferência de tecnologia,
sobretudo no setor de baterias, de veículos elétricos e de painéis solares.
Pequim denunciou imediatamente uma guinada “protecionista”, contrária às regras
da Organização Mundial do Comércio. “Se a União Europeia adotar essa legislação
e prejudicar os interesses das empresas chinesas, a China não terá outra
escolha senão tomar medidas de retaliação”, advertiu o governo. Esses instrumentos,
porém, são da mesma natureza daqueles que o país mobilizou por muito tempo para
estruturar sua própria ascensão industrial e que os Estados Unidos vêm
colocando em prática com zelo crescente há cerca de dez anos.
Ao contestar a hegemonia norte-americana, Pequim defende a continuidade
de uma ordem livre-cambista cujos contornos Washington por muito tempo definiu.
Ela retoma sua lógica: no comércio mundial, as regras importam menos do que a
força de quem as impõe.
*Benoît Bréville é diretor do Le Monde Diplomatique
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EUA: Os bilionários pedem mais guerra https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/multimilionarios-senhores-da-guerra.html
Leia também: “Catabil sobre o Índico” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2024/04/minha-opiniao_13.html
Parece um choro antecipado: aqui e acolá, na grande mídia neoliberal dominante, a queixa de que a direita segue envolta em suas próprias contradições – desconfianças e indefinições em tono da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, sobretudo – e o centro se mantém passivo.
Na verdade, Estadão, Rede Globo e assemelhados lamentam o fracasso da tática de uma “terceira via”, ou seja, uma candidatura mais palatável, com ares de “civilizada”, capaz de enfrentar Lula.
Entrementes, posicionando-se sobre questões cruciais postas à mesa, relacionadas com a defesa da soberania nacional e alternativas, ainda que parciais, de melhora no panorama econômico e redução das carências da maioria da população, o presidente Lula tende a se fortalecer enquanto candidato à reeleição.
No momento, Lula tem a iniciativa na cena política.
Quanto ao chamado Centrão, conforme seu pragmatismo “fisiológico”, parte se manter em silêncio e aguardando oportunidades, nenhuma novidade. Como é natural (e necessário) que a ampla frente democrática e popular liderada por Lula procure atrair parte desse segmento oscilante. Quanto mais larga a frente, maior a possibilidade de vitória.
No Estadão, lê-se que a combinação entre a agressividade política de Lula, a desorganização da direita e a omissão do centro resulta em um debate público desequilibrado: o governo pauta a imprensa, o Congresso e a opinião pública com sua própria agenda, consolidando sua versão dos fatos históricos e políticos recentes.
Ótimo! Nada mais justo, oportuno e necessário.
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Leia também: "Em maus lençóis" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-opiniao_01637939089.html
EUA: Os bilionários pedem mais guerra https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/multimilionarios-senhores-da-guerra.html