08 agosto 2026

Fragmentos

Ariano e o PCdoB
Luciano Siqueira 

Debate no auditório de CFCH da UFPE, “Pernambuco tem cultura”, promovido pela Frente Popular. Nosso querido Ariano Suassuna me faz passar pelo embaraço (minha eterna timidez) de ser aplaudido como “lutador por um socialismo renovado”.

Significativa a simpatia de Ariano pelo PCdoB. Ainda haverá de nos ajudar muito, se repercutir na sociedade de alguma forma. Creio que reflete a sensibilidade dele ao que chamamos de socialismo com o cheiro do nosso barro e a cara da nossa gente, referindo-nos ao Programa Socialista do PCdoB. Ariano capta o traço nacional aí embutido. E mescla-o à ideia difusa que tem do que seja a sociedade socialista.

(Uma anotação minha de 21/08/98.)

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Pequenas grandes contribuições https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/pequenas-grandes-contribuicoes.html 

Postei nas redes

A Folha de S. Paulo, em editorial, admite que Lula se fortalece quando o Brasil é atacado pelos Estados Unidos. Mas lamenta conduta firme do governo brasileiro. Subestima a defesa da soberania nacional.

Estamos criando as bases para uma sociedade altamente civilizada, diz Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-de-lula_0102374859.html 

Editorial do 'Vermelho'

Defesa nacional é prioridade diante das ameaças imperialistas
Brasil precisa de uma política de afirmação da soberania nacional, em suas múltiplas faces, desafio que demanda concepção estratégica e ações concretas
Editorial do portal Vermelho www.vermelho.org.br    

A declaração do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, de que o Brasil não teria condições de enfrentar militarmente os Estados Unidos em um eventual cenário de invasão, sugerindo, em tom jocoso, a possibilidade de “abrir o portão”, tem enorme gravidade. De acordo com o ministro, a afirmação foi uma resposta a um jornalista sobre o que ele faria na hipotética invasão estadunidense. “Abrir o portão, porque a gente não tem equipamento para enfrentá-los nem tem dinheiro para consertar o portão. Eu prefiro abrir o portão”, disse.

A declaração é um desserviço à soberania nacional, totalmente imprópria, que deprecia e rebaixa as Forças Armadas, mesmo que tenha sido proferida enquanto se argumentava em prol da ampliação dos investimentos para garantir previsibilidade orçamentária ao setor. O ministro sustentou que o Brasil investe pouco em defesa quando comparado a outros países da região e destacou as dificuldades para ampliar os recursos para a defesa em um cenário de restrições orçamentárias e demandas sociais.

A declaração foi dada em um evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre a transporte marítimo e indústria brasileira, dias depois da fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na convenção que oficializou a sua candidatura à reeleição. “Eu quero estar preparado para a paz. Quero estar preparado para a paz, não é para a guerra. Quero estar preparado para ninguém ousar se fazer de besta conosco. Então é importante saber que nós precisamos investir na indústria da defesa”, afirmou o presidente.

Lula alertou que o Brasil “tem 16,8 mil quilômetros de fronteira seca, 8 mil quilômetros de fronteira marítima”. O país tem também uma extensa Zona Econômica Exclusiva no Atlântico Sul, faixa para além das águas territoriais, sobre a qual tem prioridade para a utilização dos recursos naturais, estabelecida pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, adotada em 10 de dezembro de 1982, além da grande região amazônica. “Esse país tem a maior floresta tropical do planeta. Esse país tem 12% da água doce do mundo”, enfatizou.

O Ministério da Defesa tem um orçamento para 2026 em torno de R$ 142 bilhões, equivalente a aproximadamente 1% do Produto Interno Bruto (PIB), insuficiente para o tamanho do país, para a necessidade de desenvolver capacidades de dissuasão compatíveis com o atual ambiente geopolítico, na prática um subfinanciamento do setor.

Uma iniciativa importante para enfrentar o problema foi a Lei Complementar nº 221, sancionada em 18 de novembro de 2025, que autoriza o Poder Executivo a excluir até R$ 5 bilhões anuais do arcabouço fiscal para investimentos estratégicos em defesa, totalizando até R$ 30 bilhões em seis anos. O mecanismo permite maior estabilidade para programas de longo prazo, sobretudo para projetos estratégicos que exigem continuidade financeira.

São recursos destinados exclusivamente aos investimentos, embora sujeitos aos contingenciamentos anuais, o que mantém a incerteza para o planejamento das Forças Armadas e da Base Industrial de Defesa. Em julho de 2026, por exemplo, o Ministério da Defesa teve o maior contingenciamento entre todos os ministérios, com bloqueio de aproximadamente R$ 4,3 bilhões.

Outro mecanismo importante é a Base Industrial de Defesa, o conjunto das empresas estatais e privadas que participam de uma ou mais etapas de pesquisa, desenvolvimento, produção, distribuição e manutenção de produtos estratégicos, um setor responsável por algo entre 3% e 4% do PIB e emprega cerca de 3 milhões de pessoas em empresas de alta tecnologia, universidades, centros de pesquisa e fornecedores especializados, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde). O setor também exporta mais de US$ 3,5 bilhões anualmente, uma peça-chave da economia.

O cenário geopolítico global marcado por uma nova e perigosa corrida armamentista exige elevar a atenção para a defesa. Às chantagens econômicas, somam-se as agressões militares dos Estados Unidos à Venezuela e, em maior escala, ao Irã, além do criminoso bloqueio energético a Cuba e intimidações a outras nações. A Guerra da Ucrânia arrasta-se há quatro anos sem fim à vista, uma vez que a OTAN sabota as tentativas de cessar fogo.

O presidente estadunidense, Donald Trump, recorre à força sistemática para tentar reverter o declínio da principal potência imperialista, elegendo como um dos alvos principais a América Latina e o Caribe. O Brasil, com suas imensas riquezas, entrou em sua alça de mira, situação que implica a defesa da soberania nacional como questão central para o país.

É fundamental para o governo Lula a visão e a concepção sobre a importância da defesa nacional. Construir e assegurar a soberania nacional é uma premissa estratégica. É preciso superar a vulnerabilidade e a dependência do país, estabelecendo novos paradigmas tecnológicos para a sua reindustrialização, alicerçada numa política externa que afirme o interesse nacional, com parcerias regionais e mundiais estratégicas.

Como afirma o do documento do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) Subsídios à elaboração das reformas estruturais democráticas, indispensáveis ao desenvolvimento soberano e à luta pelo socialismo, se impõe, diante de um contexto internacional conturbado e perigoso, “fortalecer a autonomia estratégica e a capacidade soberana de defesa nacional e Forças Armadas à altura dessas responsabilidades e comprometidas com a ordem democrática.”

O documento defende que seja aprovada a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê 2% do PIB em defesa – direcionando ao incremento para investimentos – e unificar as compras de defesa, coordenando-as com investimentos em pesquisa e desenvolvimento e buscando o fortalecimento das empresas estratégicas de defesa de capital nacional”. O objetivo é dotar o país de instrumentos de dissuasão e superação da dependência de sistemas e materiais de emprego militar.

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PCdoB aprova manifesto por novo ciclo de desenvolvimento com Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-do-pcdob_0907726579.html 

Humor de resistência

 

Miguel Paiva

Trump com poucas cartas na mão https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/fragilidades-de-trump-contra-ira.html 

Palavra de poeta

A Pedra Lavrada
Marcus Acioly    

1 - A mão que lavra a pedra
A pedra a mão esgota,
No chão de pedra o grão
De pedra em pedra brota.
A mão sacode o grão
No chão de pedra morta,
De pedra em pedra o grão
Da própria pedra brota.

2 - A mão fecunda a pedra
Nos ossos do seu ventre,
O grão nasce do chão
Da pedra em seu deventre.
A mão conhece o chão
Onde desceu por entre
O grão que vem da pedra
Aberta, do seu ventre.

3 - Se a chuva molha não
O grão na pedra, ovo
No ninho, pedra aberta
Que se fecha de novo.
A mão que sabe o grão
Que falta à mão do povo,
Espera o sol, a ave,
Que choca o grão, o ovo.

4 - O sol, ave-de-fogo,
Não queima o grão que choca,
Porém nascido ao sol
O grão já nasce soca.
Mas, sim ou não, o grão
Da pedra se desloca
Chocado pelo chão
Depois que a mão o choca.

5 - O grão não sabe o chão
Por isso a mão prepara
O grão para viver
Na pedra que escancara.
Se mesmo farto o grão
A safra é sempre avara,
Na pedra, o grão em flor
E fruto se escancara.

(...)

Poema integrante da série A Pedra Lavrada - Canto I


[Ilustração: Arshile Gorky]

Leia também "Retorno", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-de-poeta_0433487496.html 
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07 agosto 2026

Minha opinião

Eleições criminalizadas

Luciano Siqueira 

 

Um dado de realidade que tende a se expressar de modo crescentemente complexo e ameaçador. A revista piauí publica matéria esclarecedora e preocupante: "Facções eleitorais: o crime organizado ameaça a integridade das eleições, de Norte a Sul do país", do repórter investigativo Allan de Abreu https://piaui.uol.com.br/revista/239/crime-organizado-ameaca-integridade-eleicoes/ dando conta da presença crescente de facções criminosas e milícias na política institucional brasileira.

Constata-se aumento expressivo de candidaturas ligadas ao crime: nas eleições legislativas: saltou de 40 candidatos em 2016 para 51 em 2020 e 62 em 2024; nas eleições estaduais e federais: concorreu de 8 candidaturas em 2018 a 14 em 2022.

As duas maiores organizações criminosas do país lideraram em vínculos: o Comando Vermelho (CV) com 17 candidatos e o Primeiro Comando da Capital (PCC) com 15.

Há uma base territorial e social para essa presença eleitoral. (ao dominar bairros e cidades inteiras, as facções impõem um “curral eleitoral” coercitivo, a exemplo dos municípios cearenses de Santa Quitéria e Choró; e Cabedelo, na Paraíba) onde os grupos criminosos ameaçam e expulsem cabos eleitorais e candidatos adversários sob pena de violência física ou morte; obriguem os moradores a votar nos candidatos apoiados ou indicados pela facção; provocam alta abstenção eleitoral devido ao medo impregnado na população.

Modus operandi

Segundo a reportagem, a estratégia do crime organizado deixou de ser apenas a facilitação do tráfico por suborno e passou a ser a tomada de controle da máquina pública mediante infiltração em secretarias municipais e cargos estratégicos para direcionar licitações de obras públicas e serviços terceirizados; uso e desvio de verbas de emendas parlamentares repassadas aos municípios sob controle.

Essa infiltração no processo eleitoral corresponde a uma transição do crime organizado no Brasil: de agentes à margem da lei para atores políticos de fato.

Estado disfuncional

O fenômeno há que ser considerado como parte da desfiguração crescente do Estado de direito democrático concebido na Constituição de 1988, fruto de Emendas Constitucionais e mesmo de legislação infraconstitucional que o torna disfuncional e inoperante.

Nessa mesma dimensão, porém obviamente distinta das facções ceruminosas, o mecanismo das emendas parlamentares discricionárias – produto do governo Bolsonaro – superdimensiona o Poder Legislativo e tolhe em certa medida o poder real do Executivo.

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Três "questões de ordem" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0658357328.html 

Arte é vida

 

Vilhelm Bjerke-Petersen

Competente, corajosa, múltipla https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/combativa-sem-perder-leveza-jamais.html