"Conquistar mil homens com uma estratégia é melhor do que conquistar cem mil com força bruta." (Sun Tzu, A arte da guerra)
À direita, todos brigam e ninguém tem razão https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/minha-opiniao_22.html
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
"Conquistar mil homens com uma estratégia é melhor do que conquistar cem mil com força bruta." (Sun Tzu, A arte da guerra)
À direita, todos brigam e ninguém tem razão https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/minha-opiniao_22.html
Fala-se em inquietações no âmbito do governo Lula — externadas
pelo próprio presidente — quanto à discrepância entre o volume de ações
destinadas a suprir necessidades e reivindicações imediatas do povo e o
insuficiente desempenho do futuro candidato à reeleição nas pesquisas
eleitorais.
A julgar pelo que se houve e se lê, a questão está mal posta.
Outro dia escrevi sobre isso no Portal Grabois https://grabois.org.br/2025/07/24/guerra-tarifas-oportunidade-esquerda-alem-economicismo-governo/,
apontando a necessidade de se dar um passo além do "economicismo
governamental". Tanto na narrativa do próprio Lula, como das correntes
políticas que integram a frente ampla governista.
Verificou-se certo progresso nessa
matéria justamente com o advento do tarifaço desferido por Donald Trump,
que colocou em primeiro plano (momentaneamente) a defesa da soberania nacional
— elemento essencial e indissociável de qualquer programa progressista no
Brasil.
Na ocasião e durante algum tempo, o próprio
presidente Lula liderou um discurso ofensivo e esclarecedor nessa matéria,
indispensável à elevação do nível de consciência do povo e, por conseguinte, da
possibilidade do cidadão comum discernir o joio e o trigo na percepção da
dimensão e do êxito de políticas públicas sociais compensatórias.
A narrativa meramente repetitiva acerca de programas
como Bolsa Família, Pé de Meia, Minha casa, Minha vida" e outros já não
sensibiliza tanto como nos dois primeiros governos Lula e no primeiro governo
Dilma.
Então, o imbróglio da comunicação não se resume à
tecnologia publicitária nem aos esforços de superar quantitativamente
insuficiências nas redes sociais e demais mídias digitais.
A corrente comunista tem um papel irrecusável nisso,
tanto pela fala dos seus militantes presentes nas instituições governamentais,
como nos movimentos sociais, na academia e na veiculação de notícias e opiniões
nas diversas mídias.
A seu tempo, quando Lenin criticava duramente (em "O
que fazer", por exemplo) o economicismo predominante no movimento sindical
na velha Rússia se referia também à atuação dos organismos partidários e da
militância comunista e de esquerda.
Ouso acrescentar o meu testemunho de quando ainda
adolescente, mas dando os primeiros passos na militância no início dos anos
sessenta, acompanhava a luta por reformas de base e a rejeição à dominação
imperialista norte-americana que marcaram o governo João Goulart. O debate
esclarecia, politizava.
Em outras palavras, o desafio está posto tanto ao
governo, como aos partidos que o apoiam e a cada um de nós: a explicitação de
quem são os verdadeiros adversários da nação e do povo e da indissociável
relação entre as ações governamentais com a luta por um autêntico e atualizado
projeto nacional de desenvolvimento, para além plataforma atual.
*Texto da minha semanal no portal 'Vermelho'
O mundo gira. Saiba mais https://lucianosiqueira.blogspot.com/
Na política, muitas vezes o gesto vale mais do que mil palavras.
Sobretudo quando acontece sobre os holofotes da mídia e com peso político
relevante.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), e é o seguidor do receituário
neofascista do pai ex-presidente presidiário, prática gesto supostamente
relevante em sua pré-campanha como possível candidato à presidência da
República, justamente indo aos Estados Unidos em busca de apoio de Donald Trump
e seus seguidores.
Prenúncio de que se o Brasil viesse a sofrer a desgraça da eleição do
senador, retornaria de malas e cuia a posição de subserviência aos Estados
Unidos.
Exercício explícito do complexo de vira-latas!
Em reunião da Conservative Political Action Conferente (CEPAC), em
Dallas no Texas, explícito com todas as letras seu alinhamento a corrente
reacionária que vê a essência da situação internacional traduzida na batalha
entre conservadorismo e "globalismo".
Em seu pronunciamento, prometeu o alinhamento incondicional ao governo
dos Estados Unidos na competição com a República Popular da China.
Assim, o Brasil voltaria a condição de pária na cena internacional,
precisamente o oposto da presença relevante que hoje ostenta em razão da
política externa altiva e propositiva encetada pelo governo Lula.
Vade retro, vira-latas!
Leia também: Jamil Chhade: "Quando não confiamos mais em nossos olhos" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/deformacao-midiatica.html
O Brasil registrou em 2024 o menor nível de insegurança alimentar grave entre crianças e adolescentes desde o início da série histórica do IBGE, em 2004. Segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), a fome infantil recuou quase 30% em apenas um ano, passando de 4,8% para 3,6% entre crianças e adolescentes de 0 a 17 anos.
Na prática, cerca de 700 mil crianças e adolescentes saíram da fome grave: o número caiu de 2,5 milhões, em 2023, para 1,8 milhão, em 2024. O resultado acompanha uma melhora mais ampla nos indicadores de saúde alimentar e nutricional da infância. Entre 2022 e 2025, o acompanhamento nutricional na Atenção Primária à Saúde saltou de 6,2 milhões para 7,9 milhões de crianças menores de cinco anos, enquanto a magreza acentuada caiu de 2,8% para 1,8% e a obesidade infantil recuou de 6,4% para 5,7%.
De acordo com o MDS, o resultado está ligado à retomada e ampliação de políticas públicas voltadas à renda, à alimentação e ao cuidado com a infância, como o Bolsa Família — onde o Benefício Primeira Infância garante R$ 150 por mês a famílias com cerca de 9 milhões de crianças de zero a seis anos. Há ainda o adicional de R$ 50 mensais para crianças e adolescentes de 7 a 18 anos, alcançando cerca de 15 milhões de beneficiários nessa faixa etária. O conjunto dessas ações integra o Plano Brasil Sem Fome.
Secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, Valéria Burity resume o impacto da combinação dessas políticas: “Os dados mostram que garantir renda, alimentação e acompanhamento de saúde faz diferença concreta na vida das crianças”. Segundo ela, quando a família consegue colocar comida na mesa e a criança é acompanhada pelos serviços de saúde e pela escola, “melhora o estado nutricional, diminui a fome e contribui para o desenvolvimento”.
O avanço, porém, não elimina as desigualdades. Dados do módulo de Segurança Alimentar da PNAD Contínua, do IBGE, mostram que a insegurança alimentar segue mais presente no Norte (37,7%) e no Nordeste (34,8%), e pesa mais sobre lares chefiados por mulheres e por pessoas pardas e pretas. A pesquisa também indica maior vulnerabilidade entre famílias de baixa renda e em domicílios com crianças e adolescentes.
Outro dado que reforça o papel do Estado é a alimentação escolar: em 2026, o Pnae teve reajuste médio de 14% e hoje atende 38 milhões de estudantes, reafirmando que alimentação adequada é direito — e política pública.
Desigualdades regionais no tempo presente https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/02/meu-artigo-no-portal-grabois-3.html
Falar, falar
Alberto da Cunha Melo
Se conviver é conversar,
esse falatório sem pausa,
onde o silêncio é mais temido
que palavrão dentro de casa,
faz da vida inteira um entulho
de vozes de bar, de barulho;
neste metralhado lugar
tão atulhado de palavras
que não se pode caminhar,
onde do corpo só a paz
do amor calado satisfaz.
[Ilustração:
Leia também "Talvez", poema de Pablo Neruda https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/palavra-de-poeta_10.html
A seleção alternou
bons e maus momentos na vitória contra a Croácia por 3 x 1. O segundo gol, de
pênalti, teve a colaboração do árbitro. A novidade tática foi a presença de
Vinicius Junior pela esquerda, mas sem voltar para marcar. Quem teve essa
função foi Matheus Cunha, que costuma jogar dessa maneira no Manchester United.
O primeiro gol saiu
de um passe longo e preciso de Matheus Cunha para Vini, que driblou o marcador
e tocou para Danilo Santos marcar. Endrick, que entrou no meio do segundo
tempo, participou de dois gols. Luiz Henrique e Matheus Cunha atuaram com
regularidade e foram os destaques do time brasileiro.
Quero ver a seleção
novamente campeã do mundo. Em 1958, com 11 anos, escutei pelo rádio em um bar
do bairro onde morava, junto com meus irmãos, a conquista do Brasil. Em 1962,
vibrei com o título, escutando em casa pelo rádio. Em 1970, estava emocionado
dentro do gramado. Depois que o Brasil fez 4 x 1 contra a Itália, joguei todo o
restante da partida com lágrimas nos olhos.
Em 1994, vi pela
televisão a final no centro de imprensa da Copa, em Dallas, nos EUA. Era médico
e fui convidado para ir ao Mundial pela TV Bandeirantes. Em 2002, dentro do
estádio, no Japão, trabalhando como colunista pela Folha, vi de perto o Brasil
conquistar o penta. Tive vontade de entrar no campo para comemorar, mas
precisava, rapidamente, escrever a minha coluna sobre o jogo e enviá-la para a
redação no Brasil.
Depois dos dois
amistosos, Ancelotti, os torcedores e nós, analistas, continuamos com algumas
dúvidas sobre a seleção brasileira. O ideal, repito, seria o time, em uma mesma
partida, de acordo com o momento, alternar o domínio da bola no meio-campo e a
troca de passes antes de chegar ao gol, com a transição rápida da bola da
defesa para o ataque para aproveitar a velocidade, a habilidade e os talentos
dos pontas e atacantes. Seria querer demais? Não temos um meio-campo com tanta
qualidade.
Será que, contra as
mais fortes seleções, a melhor solução seria o Brasil reconhecer suas
limitações, marcar mais atrás, formar um time compacto e contra-atacar para
aproveitar a velocidade dos atacantes e a marcação mais alta dos adversários?
Assim jogava a seleção campeã do mundo em 1994, com dois atacantes velozes e
talentosos (Romário e Bebeto). Na época, o jovem Ancelotti era auxiliar do
treinador da equipe italiana.
Há várias formações
táticas para ganhar um Mundial.
Em 2002, o Brasil
atuou com três zagueiros, dois alas, um volante (Gilberto Silva), um
meio-campista que atuava de uma intermediaria a outra (Kleberson) e um trio de
atacantes (Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo).
Em 1970, o time jogou
com quatro defensores, um trio no meio-campo (Clodoaldo, Gerson e Rivellino) e
um trio no ataque (Pelé, Jairzinho e Tostão).
A mesma estrutura
tática teve o Brasil nas Copas de 1958 e 1962, com Zagallo formando um trio no
meio-campo ao lado de Zito e Didi.
Outras dúvidas
poderão surgir até o Mundial ou durante ele. As dúvidas enriquecem o trabalho
de uma equipe. Uma das virtudes de Ancelotti na sua carreira vitoriosa tem sido
saber conviver com as dúvidas e ter a capacidade de tornar simples o que é
complexo.
Seleção brasileira: "Tempos vividos e perdidos" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/selecao-brasileira-para-onde.html