02 setembro 2026

Minha opinião

Especialíssimo especialista 
Luciano Siqueira      

Definitivamente, o século XXI é a era das especialidades! 

Quanto mais avança o conhecimento humano na onda da ciência ou da mais simples e pura imaginação, mais mentes especializadas se produzem.

É o que se vê na TV e nos mais diversos meios de comunicação, incluindo as inundantes redes digitais.

Na medicina, então, o generalista se sente obrigado a pedir desculpas quando insiste na compreensão holística do ser humano.

Há especialistas em tudo! 

Não há mais ortopedistas; há, sim, especialista em joelho, em articulação coxofemoral, em mão, em cotovelo, em pé e até em calcanhares! 

Saber muito virou motivo de inibição, quase vergonha. Cada um de nós é instado a compreender apenas um detalhe da natureza e da condição humana! 

Agora mesmo deparei-me com manchete de jornal referindo-se a algo supostamente importante anunciado por um tal "especialista em bem-estar".

Não li a matéria, porém sinto-me tomado pelo desejo irresistível de ver num debate as opiniões conflitantes de especialistas "em bem estar" e "em mal estar". Por que não? Se alguém se especializa e é tido como sábio numa faceta da condição humana, mais do que natural que haja também especialista no oposto. 

Ora, só se sabe que alguém é genial quando imerso em ambiente de mesmice e mediocridade! 

O grande erro do italiano Ancelotti, percebo agora com clareza solar, foi montar a seleção brasileira de 11 especialistas tidos como craques em suas funções e nenhum generalista feito Pelé, capaz de atuar em todas as posições e, assim, compreender na inteireza os movimentos táticos adversários. 

Fracassamos mais uma vez.

E comentaristas esportivos da nova geração se veem condenados à misera condição de especialistas em Copa do Mundo de futebol frustrada! 

Leia também: Tédio? Falta-me tempo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_0262906581.html 

Postei nas redes

Analistas da mídia neoliberal fazem todo tipo de especulação matemática para "demonstrar" que a direita poderá vencer as eleições, apesar do poço de areia movediça em que afunda Flávio Bolsonaro. 

Atenção ao conteúdo programático https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_02003961006.html 

Palavra de poeta

Aqui te amo
Pablo Neruda     

Aqui te amo.
Nos escuros pinheiros desenreda-se o vento.
Fosforescente a lua sobre as águas errantes.
Dias comuns costumam seguir-nos sempre.

Liberando-se a névoa em dançantes figuras.
Uma gaivota de prata desprende-se do entardecer.
Às vezes uma vela. Altas, altas estrelas.

Ou a cruz de um barco.
Só.
Às vezes amanheço, e até minha alma está úmida.
Soa, ressoa o mar distante.
Este é um porto.
Aqui te amo. 

Aqui te amo e em vão te oculta o horizonte.
Estou te amando ainda entre estas frias coisas.
Às vezes vão meus beijos nesses barcos graves,
que correm pelo mar até onde não chegam.

Já me sinto esquecido nessas velhas âncoras.
São mais tristes os portos quando chega a tarde.
Fatiga-se a minha vida inútil e faminta.
Eu amo o que não tenho. E tu estás distante.

Meu tédio forceja com os lentos crepúsculos.
Mas, ao chegar, a noite já começa a cantar.
A lua faz girar o seu círculo de sonho.

Olham-me com teus olhos as estrelas maiores.
E como eu te amo, os pinheiros, na ventania,
querem cantar teu nome com suas folhas de arame.


[Ilustração: Wellington Virgolino]

Leia também: "Passeio pelas ruas do espinheiro", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-de-poeta_0470369103.html 

Humor de resistência

Aroeira

01 setembro 2026

Dica de leitura

Revelações na piauí

Luciano Siqueira       


Ainda há muito que saber – e divulgar – sobre o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro e de aliados políticos em um esquema financeiro com o banqueiro Daniel Vorcaro (do Banco Master) para financiar o filme Dark Horse , uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.

É do que trata a reportagem "Em cartaz, a caixa-preta", assinado pelo jornalista Breno Pires, na edição 240 da revista piauí .  

O projeto do filme Dark Horse prevê contar a trajetória de Jair Bolsonaro com orçamento milionário estimado em mais de US$ 13 milhões.

A cinebiografia envolve o deputado federal Mario Frias e o ator americano Jim Caviezel, que interpreta Jair Bolsonaro.

A reportagem traz trocas de mensagens e áudios que revelam Flávio Bolsonaro participando diretamente junto a Daniel Vorcaro, pivô no caso do Banco Master, solicitando a liberação de parcelas de verbas para a produção.

O agora candidato à presidência da República diz ao banqueiro que "estou e estarei contigo sempre" ao solicitar a antecipação e continuidade dos depósitos para assegurar a produção do filme.

Como já se divulgou amplamente, o fluxo de dinheiro entre o financiador e a produtora do filme (a Go Up ) deu-se por meio de fundos no exterior (como o fundo Havengate ) e pela intermediação de operadoras e empresas financeiras.

A investigação aponta a coexistência de duas "caixas-pretas": a do fundo financeiro e a da produção do próprio filme, cuja prestação de contas foi questionada por falta de transparência sobre quem autorizava pagamentos e onde o dinheiro transitava de fato.

Revela-se também a captação de recursos via emendas parlamentares, inclusive por meio de ONGs ligadas a Karina Gama (produtora associada ao filme).

Como se sabe, quando o caso veio à tona o senador Flávio Bolsonaro negou o financiamento por parte de Vorcaro e acusou jornalistas de “militância” quando questionado sobre o assunto. Mas relatórios do Coaf e gravações de áudio demonstraram a continuidade dos repasses mesmo após o surgimento das denúncias.

Confira https://piaui.uol.com.br/revista/240/caixa-preta-flavio-bolsonaro-vorcaro-dark-horse/

Os Bolsonaros são antissistema? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/quem-e-antissistema.html

Uma crônica de Abraham Sicsu

Filósofos de botequim
Abraham B. Sicsu    

Chegam cedo, aposentados, se encontram pelo menos duas vezes por semana, nas quartas e nos sábados, sem marcar, sem agendar. Apenas aparecem.

Os pedidos são sempre os mesmos, cervejas e cuba libres. Um pratinho de mortadela e queijo em cubinhos. Mas esperam as dez da manhã. Não podem ser entendidos como alcoólatras.

Dizem-se pensadores, refletem sobre as venturas e desventuras da humanidade. Sempre têm soluções geniais. Se os escutassem, o mundo estaria salvo.

Seu Tom que a Deus tudo entrega, Sergito e seu ceticismo, Marcão e sua simpatia, as viagens de Clovinho, Leandro com a visão conciliadora, Tricolor que mais escuta do que fala. Junto-me ao “clube” trazendo questionamentos, tristeza e descrença que os jornais do dia me apresentam. Muito fácil minha posição.

Uma música de Chico Buarque, Roda Viva, aparece ao fundo. Faz parte do cenário:

“Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente ou foi o mundo então que cresceu

A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar
Mas,  eis que chega a roda-viva e carrega o destino para lá”.

O vazio nos apoquenta. Queremos muito mais do que acreditar no que vemos e ouvimos, queremos entender suas razões. E não é fácil, um mundo em que existe uma lógica, em que há uma natureza que se comporta de uma maneira que pode ser previsível e bela, sempre ameaçada por lunáticos tresloucados.

Surgem as interpretações. Começa-se pela Física e Matemática. Ex-professores se manifestam. Uma constatação nada trivial. Deus era perfeccionista. Uma linguagem que o homem aperfeiçoou, que tem suas bases no raciocínio humano, a Matemática, pode através de equações refletir com muita precisão os fenômenos físicos que ele desenhou.

As Leis da Física, em seus princípios gerais, acabam se enquadrando em sentenças matemáticas como se o Universo fosse calculado e organizado segundo uma lógica onde não há espaço para fenômenos disruptivos, fenômenos que mudam sua concepção.

Se isso parece pouco discutido, diz o grupo, por que o imprevisto, o não imaginado, não desestrutura a ordem universal e as leis do universo, não traz, de tempos em tempos, um mundo sob uma lógica completamente inimaginável e nada predizível? Para melhor ou pior. Muito complexo, melhor deixar no ar.

Mas, o homem tenta. Desestruturar o que parece bem bolado e bem estruturado, é sua vocação. Não se contenta com admirar o belo, com sentir a perfeição. Guerras, desastres ecológicos, aniquilação de povos seriam desafios humanos às leis divinas. E, segundo o colegiado da mesa, estaríamos vencendo.

No aprofundar de tema tão significativo, verifica-se que somos diferentes dos outros seres vivos do planeta. Esses seguem apenas a lei fisiológica e biológica. Seus instintos direcionados pela necessidade de sobrevivência e tentativa de preservação das espécies.

Os humanos vão além. Tem o psicológico, o cognitivo e o livre arbítrio. Escolher, é a lei da vida. Aprendem com a memória, com o passado, mas facilmente o esquecem.

Além da consciência e do raciocínio, algo os motiva. Também são dirigidos por emoções. E essas são perigosas. Ansiedade, medo e raiva os atormentam. Fazem com que saiam das reações naturais e engendrem um mundo cruel, onde desprezam o semelhante.

Nesse ponto mais uma rodada. Uma parada para dizer que não somos iguais aos detratores da natureza e da civilização humana. Para aplacar as angústias com uma gelada no ponto, para pedir uns pratinhos de carne de panela e de charque ao molho.

Voltamos ao trabalho. Sim, trabalho, é o nosso compromisso com o mundo que ali praticamos. Além, é claro do de torcer pelos nossos times de futebol favoritos e nos digladiarmos pelas paixões que representam .

O problema está na necessidade imperiosa do homem se relacionar. Não há quem viva isolado, evidentemente ignorando os ermitões que são poucos no mundo. E o relacionamento sempre traz conflitos divergências e mágoas.

Conviver com essas mágoas não é fácil, traz rancor, a necessidade de revidar e, o pior, um remorso posterior pelo que fizemos que angustie por muito tempo.  Qualquer interação é difícil, saber o certo ou o errado depende não só de você, mas também daqueles com quem convivemos.

Lembra sábio da mesa.

“Eleição, uma época em que os conflitos se exacerbam. Não se fala livremente nem em família, imaginem com os desconhecidos. Por exemplo, nesta mesa se for posto em discussão, semana que vem teremos menos participantes. Melhor voltar à humanidade no geral.”

No mundo há o inusitado, o inesperado. Como conviver com ele? Traz situações em que se entra em verdadeiro litígio com o semelhante. Se isso é verdade, como devemos nos comportar.

Vêm os exemplos rasteiros, mas muito verdadeiros.

“Não se imaginava um Trump com sua filosofia: “Farinha pouca, meu pirão primeiro.”Só quer tudo para si, bigtechsa e família” Traz um tarifaço que acaba com muitos sonhos, com muitas firmas, diz um ex-empresário.

“Pois é, quem poderia adivinhar que o efeito estufa causaria tantos estragos. Primeiros terremotos na Venezuela, Colômbia e Peru, agora essa enxurrada de lama e mortes no Nepal e China.”

“E os imigrantes africanos. Morrendo de fome se arriscam a perder a vida. Uma desgraça, um horror humanitário. Sem empatia, sem compaixão dos mais ricos.”

Todos concordam que o “Caos foi estabelecido”. Que a esperança de um mundo melhor passa por um olhar diferente, menos egoísta, menos individualizado.

Lembra um parceiro. A escolha do certo e do errado, nunca é fácil, nunca é algo que não se sabe a priori. Tem que se ter um princípio que deve ser respeitado e propõe:

“A humanidade só melhorará se, ao resolver o que o mundo deve fazer, nos colocarmos na posição dos outros, os oprimidos, para fazer nossas escolhas. Se não gostássemos do que aconteceria conosco, não devíamos fazer. ”

Há certa concordância, com algumas discordâncias, é claro.

A hora do almoço se aproxima e ninguém quer contrariar as parceiras que nos esperam e prepararam um lauto manjar. Uma última golada e a filosofia de bar é interrompida até o próximo encontro.

Lembra-se Carlos Pena filho:

São trinta copos de chope, são trinta homens sentados, trezentos desejos presos, trinta mil sonhos frustrados”

Leia também "Tecnologia: não confunda a minha cabeça" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/uma-cronica-de-abraham-sicsu.html

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Para contornar a sua visível incompetência, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) anuncia a banqueiros e empresários a redução da Esplanada a 25 ministérios, mas não diz quais. 

Samba de um mercado só https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_067932584.html