À direita, todos brigam e ninguém tem
razão*
Luciano
Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
Não se pode subestimar o potencial da polarização entre Lula e um candidato da direita, seja qual for, na disputa pela presidência da República. Uma batalha sob todos os aspectos difícil.
Isto porque a população segue dividida basicamente em dois extremos: os
que apoiam Lula e se sentem em parte atraídos pela esquerda versus o imenso
contingente conservador, eventualmente sensibilizado por uma alternativa situada
no extremo oposto.
Praticamente todas as pesquisas até agora confirmam esse cenário.
Daí porque tanto Lula como quem o enfrente terá o desafio de atrair
parcela expressiva do eleitorado passivo de oscilação para um lado ou para o
outro.
No terreno da extrema direita e do centro mais conservador segue a
arenga em torno do melhor nome que os represente. Por enquanto, nem é o senador
Flávio Bolsonaro (PL), lançado pelo pai presidiário, nem o governador de São
Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que segue oscilante como vara verde
na definição entre a tentativa de reeleição para o cargo que ocupa ou se
arriscar no confronto com Lula.
Outros governadores que pretendem o posto — Romeu Zema, de Minas Gerais
(Partido Novo), Ratinho Júnior (PSD), do Paraná, Ronaldo Caiado (União Brasil),
de Goiás e Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul — carecem de lastro
político desde o ponto de partida.
Mais: que projeto apresentam ao país além da retomada do desastre de
Jair Bolsonaro?
Aí reside outro dilema: a defesa do legado do capitão teria viabilidade
eleitoral hoje? Como adequar a base bolsonarista insana a um esforço de
ampliação para outros segmentos da sociedade?
No outro lado da ponta, o projeto de reeleição de Lula se assenta em
êxitos progressivos do governo e na possibilidade de atrair para a ampla
coalizão mais segmentos situados ao centro.
Óbvio que nos próximos meses muito ainda há a acontecer. A instabilidade
é a marca do mundo ocidental em crise e o impacto da ganância exacerbada do
capital financeiro e da agressividade de seus representantes mais salientes
contribui para o acentuado grau de imprevisibilidade no desenrolar da cena
política. O Brasil faz parte.
*Texto da minha semanal no portal Vermelho
As duas cabeças do monstro que assombra o Brasil https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/bastioes-da-direita.html





