O rombo criminoso do Master e o ataque da direita ao STF
A direita fez negociatas, deu suporte político a Daniel Vorcaro e, agora, em conluio com a grande mídia, ataca o STF, que cumpre papel decisivo na defesa da democracia
Editorial do 'Vermelho' www.vermelho.org.br
Foi correta a liquidação extrajudicial do Banco Master e de outras empresas de seu conglomerado, efetivada pelo Banco Central (BC) em razão de gestão fraudulenta e grave crise de liquidez. As investigações demonstraram que o Master vendeu ao Banco Regional de Brasília (BRB) carteiras fraudadas de crédito consignado no valor R$12,2 bilhões. Os depósitos dos clientes que sofreram calote somam R$ 41 bilhões, o que vai exigir o maior resgate do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
É o maior rombo, em 30 anos, no sistema bancário e financeiro do país. O esquema se gestou e adquiriu tal gigantismo sob a responsabilidade dos governos do consórcio da direita e da extrema direita e no âmbito do que reza e prega o neoliberalismo. Daniel Vorcaro adquiriu em 2017, no governo Temer, uma instituição financeira precária, que, quatro anos depois, já “vitaminada”, viria a ser o Banco Master.
Jair Bolsonaro, em 2019, entronizou Roberto Campos Neto na presidência do BC, da nata dos executivos de bancos, expoente do rentismo. Em 2021, o capital financeiro se apossa, formalmente, da “joia da coroa”. O BC passa a ser autônomo, leia-se, sob a tutela da oligarquia financeira.
É, sobretudo, sob a gestão de Campos Neto (2019-2024) que Daniel Vorcaro fermenta os negócios e negociatas do Master, apesar dos alertas de setores do próprio mercado financeiro, embora parte dele também se locuplete com os títulos podres do Master. Neste período, também foi criada uma miríade de empresas da esfera das finanças que, sem a fiscalização adequada, conforme revelou a Operação Carbono Oculto, permitiu o uso de parte delas pelo crime organizado.
Expoentes da direita no Congresso Nacional atuam como tropa de elite em prol desse esquema fraudulento. Entre os serviços prestados, barrou-se a instalação de uma CPI que investigaria as ações do Banco Master, deu-se cobertura à operação de união entre o BRB e o Master, tentou-se aprovar um projeto de lei que aumentaria de R$ 250 mil para um R$ 1 milhão a proteção do FGC.
E quando, agora em 2025, o BC, sob a presidência de Gabriel Galípolo, se opôs ao fechamento do negócio BRB-Master, a direita fez andar um projeto de lei que dá ao Congresso Nacional o poder de destituir os diretores do BC. Na esfera dos governos estaduais, de direita, além do já citado caso do governo do DF, o governo do Rio de Janeiro, através do RioPrevidência, aportou R$ 2,6 bilhões no referido banco, apesar de todas as recomendações em contrário.
Portanto, é fato inconteste que a direita neoliberal está no epicentro deste que o maior crime financeiro dos últimos tempos, mesmo que as relações e influências do conglomerado Master sejam, por óbvio, uma teia extensa.
O estouro desse rombo acontece quando a liderança do presidente do Luiz Inácio Lula da Silva se adentra ao ano novo, revigorada enquanto o consórcio da direita e da extrema direita se debate em divisões e desgastes.
Para tentar alterar esse cenário, a grande mídia monopolista ressuscita os surrados expedientes da Lava Jato e, valendo-se do caso Master, deturpa e manipula os fatos, com o objetivo de jogar gasolina na instabilidade institucional e agravar o conflito entre os três poderes. Busca turvar as águas, embaralhar a realidade, para tentar turbinar a direita e buscar impedir a reeleição do presidente Lula.
A extrema direita e a grande mídia, neste momento, se confluem no ataque ao Supremo Tribunal Federal, que vem desempenhando decisivo papel em defesa do regime democrático. O alvo é, exatamente, o ministro-relator Alexandre de Moraes, cujo trabalho resultou na inédita condenação por tentativa de golpe de Estado do ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, de generais e outros militares de alta patente.
Acusam Moraes, sem provas, de ter atuado junto ao BC para defender interesses do Banco Master. Tanto o presidente do BC quanto o ministro, em notas oficiais, já repeliram as acusações. A Procuradoria Geral da República (PGR), por não ter encontrado ilicitude, negou abertura de investigações contra o ministro.
O bolsonarismo e seus aliados prometem protocolar em fevereiro um novo pedido de impeachment contra Moraes. O tal pedido é, todo ele, embasado tão-somente nas especulações da mídia. O ataque ao STF se intensifica nas redes sociais. Isso se dá quando, em fevereiro, a direita buscará derrubar o veto do presidente Lula ao projeto de lei que premia com penas menores Bolsonaro e os demais golpistas.
O episódio Master está longe do fim. Novas investigações da esfera do BC ainda estão em andamento, podendo se acrescer mais crimes. Neste 30 de dezembro, a Polícia Federal, em ação conjunta com o STF, tomou depoimentos de Daniel Vorcaro, do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa e do diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino. Vorcaro e Paulo Henrique Costa foram acareados em razão de contradições entre seus depoimentos.
Ao campo democrático, patriótico e popular se impõe a tarefa de rechaçar os ataques ao STF pelo seu papel em defesa da democracia e de exigir que o BC prossiga com as investigações sobre as falcatruas do Master e cumpra integralmente seu papel de fiscalizar e regular o sistema financeiro.
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Banco ligado ao Master tem R$ 160 milhões em patrocínio na Globo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/12/ligacoes-suspeitas.html





