21 outubro 2026

A luta nas redes

Lula dispara nas redes após debate na Band e supera Flávio em 5 vezes

Presidente soma 25,5 milhões de interações contra 5 milhões do adversário, segundo a Agência Bites. Mobilização digital ganha força na reta final da disputa presidencial
Barbara Luz/Vermelho 

    

O presidente Lula (PT) registrou 25,5 milhões de interações nas redes sociais nas 24 horas seguintes ao debate presidencial da Band, realizado no domingo (18), cinco vezes mais que Flávio Bolsonaro (PL), que somou 5 milhões. O levantamento da Agência Bites, divulgado nesta segunda-feira (19), revela a dimensão da mobilização digital em torno do presidente na reta final de uma disputa marcada pelo confronto entre projetos políticos distintos.

A diferença de 20,5 milhões de interações evidencia a ampla circulação de conteúdos relacionados a Lula nas redes sociais. O presidente também conquistou 176 mil novos seguidores após o confronto, ampliando sua presença nas redes.

Segundo a Bites, foram identificadas 9,5 mil publicações entre memes e cortes relacionados a Lula, contra 7 mil envolvendo Flávio Bolsonaro. Até o meio-dia de segunda-feira, a agência contabilizou 1,7 milhão de citações sobre o debate, o equivalente a 20% do conteúdo digital produzido no Brasil no período monitorado.

Embora Flávio tenha registrado mais menções diretamente associadas ao confronto — 426 mil, contra 288 mil de Lula —, o presidente concentrou um volume muito maior de interações, demonstrando a diferença entre ser citado e mobilizar engajamento.

Debate bate recorde de interesse no Google

O confronto também despertou o maior interesse de buscas na série histórica de debates presidenciais acompanhada pela Agência Bites desde 2004, superando o recorde registrado no encontro entre Lula e Jair Bolsonaro, em 2022.

Entre os episódios de maior repercussão esteve o desafio lançado por Lula para que os candidatos e seus familiares abrissem os sigilos bancários e telefônicos. O tema ganhou força nas plataformas e acumulou 501 mil citações até a tarde de segunda-feira.

Além disso, as buscas também refletiram outras controvérsias do debate. Entre os assuntos associados a Flávio, destacou-se o caso de Ana Clara Gomes Machado, menina de 5 anos morta em 2021 por um policial militar que recebeu apoio jurídico do senador. Já entre os temas relacionados a Lula, ganhou destaque o nome de seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

O aumento do interesse pelo caso Ana Clara aconteceu por conta de uma forte mobilização digital organizada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pelo canal de WhatsApp Exército do Lula. Durante o debate, Janones orientava os seguidores do canal em tempo real a pesquisar termos negativos relacionados a Flávio Bolsonaro.

Às 22h do domingo (18), Janones pediu que os integrantes pesquisassem no Google as expressões “Flávio miliciano”, “Flávio Ana Clara” e “Flávio Comando Vermelho”.

Na ocasião, o deputado explicou que as “buscas sobem no Google Trends, e a Band tá anunciando quais são as principais buscas no Google”. Às 22h48, os três termos já estavam entre as principais tendências de pesquisa no Brasil. “Flávio miliciano” registrava mais de 500 mil buscas, enquanto “Flávio Comando Vermelho” e “Flávio Ana Clara” superavam 100 mil buscas cada. Juntas, as expressões apresentavam um crescimento superior a 1.000%.

Lula já avançava nas redes antes do debate

O crescimento digital do presidente não começou com o confronto televisivo. Outro levantamento da Agência Bites, realizado a pedido do Portal R7, já apontava uma mudança expressiva na dinâmica da campanha.

Entre 6 e 15 de outubro, Lula acumulou 97,5 milhões de interações, contra 26,9 milhões de Flávio Bolsonaro. Na comparação com os dez dias anteriores, as interações do presidente cresceram 167,61%, enquanto as do candidato do PL recuaram 11,03%.

O índice de tração digital, que mede a capacidade de um perfil de gerar repercussão e engajamento, também revelou uma diferença significativa: Lula alcançou 106,06 pontos, aproximadamente quatro vezes o resultado de Flávio, que registrou 26,18.

No período, Lula realizou 559 publicações, contra 121 do adversário. Entre os conteúdos de maior repercussão esteve uma postagem sobre o fim da escala de trabalho 6×1, divulgada em 14 de outubro, que ultrapassou 2,7 milhões de interações no Instagram. O desempenho evidencia a repercussão de pautas diretamente relacionadas aos direitos dos trabalhadores.

A pesquisa mostra o atual peso das redes sociais na campanha presidencial. Trechos das falas, vídeos curtos, memes e manifestações de apoiadores ampliaram o alcance do confronto para além da transmissão televisiva.

Na reta final da disputa, os números da Agência Bites mostram que o debate da Band ultrapassou os limites da televisão e se transformou em um dos principais acontecimentos digitais da eleição, com Lula concentrando a maior parcela das interações monitoradas.

O mundo gira. Saiba mais  https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Minha opinião

Tristeza sem fim
Luciano Siqueira     

Essa turma que não desgruda do celular é mais alegre ou mais triste? Leio na Folha de S. Paulo que predomina a tristeza.

Os tais algoritmos, que em tudo aparece com superpoderes, captam momentos de tristeza do internauta e dá um jeito de piorar a situação

No Instagram e no TikTok, sobretudo.

Se você que me lê agora se encontrar numa situação difícil, fuja das redes!

Dificuldade atrai dificuldade e assim sucessivamente.

Se você estiver em baixo austral, como se dizia em décadas passadas, não se detenha num pôster agradável e acolhedor. Escape correndo!

É que o algoritmo “avalia” que a temática (ou situação, melhor dizendo) lhe desperta interesses e prazer. Daí em diante, tome postagens semelhantes até que você descobre, se ainda lhe restar um traço de lucidez, que caiu num poço sem fundo: quanto mais olha para a telinha, mais pra baixo fica.

Pior ainda se você cair num perfil aparentemente denso em considerações de ordem psicológica destinadas a “esclarecer” o que você sente. Não demora muito, “terapias espontâneas” lhe conduzem a auto diagnósticos certamente errados e a condutas que só pioram a situação.

Em suma se você estive emocionalmente pra baixo, fuja das redes!

Leia também: Tédio? Falta-me tempo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_0262906581.html 

Humor de resistência

 

Quinho

Agiganta-se a campanha de Lula nas redes e nas ruas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/editorial-do-vermelho_0368111707.html 

Sylvio: destinos opostos

A eleição  do próximo domingo é muito mais do que a definição de um mandato. É a decisão entre democracia e autoritarismo; entre obscurantismo e apoio à ciência; entre justiça social e concentração de renda. Enfim, uma decisão em busca de um País mais justo e menos desigual. Após assistir o debate na TV entre os candidatos, minha preocupação deu lugar ao medo de que um pretendente despreparado e com uma postura mesclada de gangster e malandro possa vir a ocupar o mais alto cargo da Nação. Todavia, acredito firmemente no discernimento, bom senso e vontade da maioria que definirão o rumo certo a ser tomado.

Sylvio Belém    

Debate na TV para quê? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0643838648.html 

Humor de resistência

Aroeira

Lula autoriza TSE a abrir sigilos bancário, fiscal e telefônico https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/nada-esconder.html   

Espaço digital manipulado

Quem controla as eleições na era digital
Internet libertou a circulação de ideias dos gastos e máquinas eleitorais. Mas as big techs fragmentaram espaço público e passaram a definir que grupos receberão quais mensagens. Só uma grande reforma do espaço digital resgatará a democracia
Marcio Pochmann/Outras Palavras  
   

A migração das campanhas eleitorais para as plataformas globais mudou o destino dos recursos eleitorais e concentrou, como nunca antes, o poder sobre a circulação da informação. Proteger a soberania democrática exige transparência sobre os algoritmos e garantias de que interesses privados não condicionem a disputa política.

Durante décadas, fazer campanha eleitoral no Brasil significava ocupar praças, percorrer bairros, organizar comícios, distribuir panfletos e conquistar espaço no rádio e na televisão. A política dependia da presença física, da mobilização territorial e da capacidade de organização. Hoje, a disputa também acontece nas telas dos celulares, nos vídeos curtos e nos aplicativos de mensagens.

Essa transformação vai além da tecnologia. Mudou a forma de construir lideranças, conquistar votos, distribuir recursos eleitorais e exercer poder. A questão já não é apenas quem consegue falar com mais eleitores, mas quem controla os canais de circulação da política, recebe o dinheiro das campanhas e define quais mensagens alcançam milhões de pessoas.

A internet abriu possibilidades antes impensáveis. Candidaturas com poucos recursos podem publicar vídeos e conversar diretamente com apoiadores. A popularidade digital tornou-se um ativo político, capaz de projetar lideranças e alterar o equilíbrio de forças nos partidos. Mas seguidores não são votos, nem visualizações significam necessariamente participação política. A audiência precisa se converter em confiança, identificação e mobilização.

Mesmo sem garantir vitórias eleitorais, o controle de grandes audiências amplia o poder das candidaturas e das empresas que organizam a circulação dessa atenção. A democracia ganhou novas vozes, mas a infraestrutura que as conecta à sociedade está concentrada em poucas empresas globais.

Para onde vai o dinheiro das campanhas?

No modelo tradicional, as campanhas combinavam comunicação de massa e mobilização territorial. Gráficas, transportadores, profissionais de comunicação, trabalhadores de rua e pequenos fornecedores recebiam parte dos recursos eleitorais. Esse dinheiro circulava na economia local, remunerava trabalhadores, movimentava pequenos negócios e sustentava atividades temporárias.

O modelo nunca foi perfeitamente igualitário, pois havia concentração de recursos e desigualdade entre candidaturas. Ainda assim, o trabalho presencial permitia que parte do dinheiro chegasse diretamente a trabalhadores e comunidades.

Com as plataformas digitais, esse circuito se transforma. Publicar um vídeo pode custar pouco, mas conquistar grande visibilidade pode exigir publicidade paga, impulsionamento e serviços especializados. O custo de produzir mensagens diminui, enquanto a disputa pela atenção pode absorver recursos cada vez maiores.

As prestações de contas à Justiça Eleitoral mostram que empresas como as big techs estrangeiras passaram a receber recursos crescentes que evidenciam a relevância econômica desse mercado. Parte do dinheiro antes destinada a trabalhadores de campanha, gráficas, transportadores e pequenos fornecedores passa a remunerar plataformas globais.

Muda, assim, o destino de uma parcela dos recursos eleitorais. Alguns pagamentos beneficiam empresas transnacionais e integram seus resultados internacionais, com efeitos sobre a economia local diferentes daqueles gerados pela contratação direta de trabalhadores e pequenos negócios.

Isso não significa que o trabalho presencial tenha desaparecido ou que todo pagamento digital seja remetido ao exterior. As contas eleitorais, isoladamente, não permitem calcular o fluxo líquido de divisas. Para isso, são necessários dados contábeis e fiscais sobre os destinatários efetivos dos pagamentos, a tributação e as operações internacionais.

Precisamos de informações que permitam avaliar se, e em que proporção, o dinheiro eleitoral fortalece o trabalho e a economia nacionais ou remunera infraestruturas empresariais globais.

Os algoritmos também disputam a política

As plataformas digitais não são espelhos neutros da sociedade. Seus sistemas selecionam, ordenam, recomendam e distribuem conteúdos segundo critérios definidos pelas empresas. Esses mecanismos combinam interesses comerciais, engajamento, características dos usuários, políticas de moderação e decisões automatizadas.

Isso não prova que toda diferença de alcance decorra de favorecimento partidário deliberado. Mas também não é razoável presumir que infraestruturas capazes de influenciar a visibilidade de milhões de pessoas sejam neutras em seus efeitos políticos.

As grandes empresas de tecnologia têm estratégias comerciais, interesses econômicos e escolhas sobre a organização de seus serviços. Decisões sobre publicidade, moderação, recomendação e acesso afetam a circulação de ideias. Mesmo sem uma ordem explícita para favorecer um partido, essas empresas podem distribuir, recomendar, restringir ou remover conteúdos.

Quem verifica se conteúdos equivalentes recebem tratamento equivalente? Quem fiscaliza mudanças nos sistemas durante uma campanha? Como contestar uma restrição de alcance quando seus critérios não são conhecidos?

Uma empresa não precisa controlar diretamente um partido para influenciar uma eleição. Basta que suas decisões sobre a distribuição da informação afetem, de forma relevante e pouco transparente, as condições em que candidatos e ideias chegam aos cidadãos.

Soberania digital é soberania democrática

A soberania de um país não se resume ao controle do território e à autonomia de suas instituições. Em uma sociedade conectada, depende também da capacidade de compreender e fiscalizar as infraestruturas que organizam a informação, os dados e a comunicação pública.

Um país pode realizar eleições formalmente livres e, ao mesmo tempo, depender de empresas estrangeiras para distribuir parcela expressiva das mensagens que alimentam o debate eleitoral. Quando essas empresas controlam sistemas, dados e critérios de visibilidade, sem que as instituições nacionais disponham de meios suficientes para auditá-los, surge uma assimetria de poder que precisa ser enfrentada.

Soberania digital não significa fechar as fronteiras à tecnologia nem entregar ao governo o controle das opiniões na internet. Significa submeter decisões privadas que afetam a democracia à transparência, à fiscalização independente e às leis nacionais.

A regulamentação eleitoral brasileira já estabelece obrigações para a propaganda digital e para conteúdos produzidos ou alterados com inteligência artificial. A fiscalização, porém, precisa acompanhar a complexidade desse ambiente. Não basta saber quanto foi gasto em anúncios, pois é necessário compreender os sistemas de recomendação, as práticas de moderação e as mudanças que podem afetar a circulação de conteúdos políticos.

A dependência tecnológica torna-se um problema de soberania quando o país não consegue avaliar autonomamente as infraestruturas que influenciam a vida pública. A democracia não pode depender exclusivamente das informações que as próprias empresas fiscalizadas decidem divulgar.

Quando a atenção vale mais que o debate

A comunicação digital amplia as oportunidades de participação, mas também acelera a disseminação de informações enganosas. A inteligência artificial permite produzir imagens, áudios e vídeos sintéticos capazes de simular acontecimentos e declarações. Identificar conteúdos manipulados e responsabilizar abusos são medidas importantes para proteger a integridade eleitoral.

Outro problema é a segmentação das mensagens políticas. Diferentes grupos podem receber conteúdos distintos, selecionados conforme seus perfis e interesses. Uma promessa feita a determinado público pode não ser confrontada com outra divulgada a um grupo diferente. A segmentação aproxima candidatos de preocupações específicas, mas também pode fragmentar o debate público.

Quando a atenção se torna mercadoria e os algoritmos organizam sua distribuição, a democracia fica exposta a incentivos comerciais que nem sempre favorecem uma discussão plural e informada. O desafio não é condenar a tecnologia, mas impedir que a lógica comercial se sobreponha às condições necessárias para uma escolha eleitoral livre e consciente.

Democratizar os recursos e fiscalizar o poder

Enfrentar esses desafios exige uma agenda de soberania digital democrática. O primeiro passo é ampliar a transparência sobre os gastos eleitorais e os fornecedores beneficiados. É necessário distinguir os recursos destinados à contratação de trabalhadores e fornecedores locais daqueles pagos por serviços digitais, além de investigar, com dados fiscais e contábeis, os fluxos financeiros internacionais.

O segundo é fortalecer a auditoria independente dos sistemas que distribuem conteúdos políticos. Isso requer acesso regulado a dados relevantes, critérios claros de recomendação, mecanismos de contestação e informações sobre mudanças capazes de afetar o alcance das mensagens. A fiscalização deve seguir regras objetivas para todas as candidaturas, sem transformar o Estado em árbitro discricionário das opiniões políticas.

O terceiro é ampliar a capacidade nacional de produzir conhecimento sobre a sociedade digital. Sem dados confiáveis sobre a circulação de informações, a concentração econômica e os efeitos das novas tecnologias, o país continuará dependente das explicações fornecidas pelas próprias empresas que precisam ser fiscalizadas.

O futuro da democracia não pode pertencer aos algoritmos

A passagem das praças às redes não tornou a política menos material. Por trás de cada publicação há trabalho, infraestrutura, recursos financeiros e interesses econômicos. Por trás dos algoritmos, há escolhas de projeto, critérios operacionais e decisões empresariais com consequências sociais e políticas.

A comunicação eleitoral tradicional tinha barreiras de acesso e mecanismos de concentração. A comunicação digital ampliou as possibilidades de expressão, mas criou novas dependências. O desafio não é restaurar o passado nem rejeitar a inovação, mas garantir que o avanço tecnológico não reduza a autonomia da sociedade para decidir seu próprio futuro.

A disputa eleitoral já não ocorre apenas entre candidatos. Envolve também a infraestrutura que distribui as mensagens, o dinheiro que a financia e os critérios que determinam sua visibilidade.

Defender a soberania democrática significa impedir que empresas, por maior que seja seu poder tecnológico ou econômico, influenciem opacamente a disputa eleitoral sem transparência e responsabilização. Significa também analisar os recursos de campanha não apenas como despesas contábeis, mas por sua capacidade de gerar trabalho, distribuir renda e fortalecer a economia nacional.

Democratizar as campanhas do século XXI é assegurar não apenas o direito de falar. Mas também o de conhecer, fiscalizar e contestar as estruturas que decidem quem será ouvido e compreender quem recebe os recursos destinados a essa nova arena pública.

Leia também - Marcio Pochmann: "O Estado do século XXI" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/soberania-fragiliada.html

20 outubro 2026

Palavra de poeta

Soneto 18
William Shakespeare   


Devo eu comparar-te a um dia de verão?

Tu és mais doce e mais fresca:

Agrestes ventos derrubam os tenros botões de Maio,

E o esplendor do verão é de curta duração:

Algumas vezes demasiado quente o olho do céu brilha,

E muitas vezes é a sua doirada compleição obscurecida,

E a plenitude da sua beleza algumas vezes declina

No mutável curso da natureza não ajustado;

Mas o teu eterno verão não murchará

Nem perderá a posse dessa beleza que tu possuis;

Nem deve o invejoso olhar da morte te encontrar,

Pois tu vives na minha canção imortal:

Enquanto os homens possam respirar ou os olhos ver,

Assim vives tu, como o meu canto, sem perecer.

 

[Ilustração: Tsuguharu Foujita]

Leia também: "Reinvenção", poema de Cecília Meireles https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/palavra-de-poeta_0525510308.html