15 junho 2026

Palavra de poeta

O amor e a rosa
Antônio Maria 

Guarda a rosa
Que eu te dei
Esquece os males que eu te fiz
A rosa vale mais que a tua dor.
Se tudo passou

Se o amor acabou
A rosa deve ficar
Num canto qualquer
Do teu coração
O amor revivará.


[Ilustração: Henri Lebasque]

Dica de leitura

Neutralidade inexistente
Luciano Siqueira  

Em consistente artigo – “Como plataformas digitais transformam política em comportamento de enxame” -, Celso Pinto de Melo argumenta que as plataformas digitais deixaram de ser meios neutros de comunicação para se tornarem “sistemas ativos de modulação comportamental”.

Em função de um modelo econômico baseado na “atenção contínua”, as redes priorizam algoritmicamente conteúdos com maior carga emocional, que geram reações rápidas e mimetismo coletivo. Em consequência, enfraquece a reflexão consciente e transforma a política — antes vista como um espaço de deliberação racional — em um circuito fechado de estímulos afetivos sincronizados em tempo real.

O debate tão necessário fragmenta-se num universo virtual em que influenciadores, pastores e militantes diversos se convertem em castas especializadas, diluindo a individualidade e a pluralidade em identidades coletivas totalizantes.

Nesse ambiente, as big techs passam a fomentar direcionada radicalização. A sociedade passa a operar por meio de estruturas distribuídas que funcionam de maneira autorregulada e contínua.

Ao final, o autor alerta que a grande questão contemporânea não reside apenas no fato de estarmos nos organizando como colmeias humanas, mas sim em desvendar quem detém o controle desses novos "fenomênicos digitais". Leia aqui https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/celso-pinto-de-melo-opina_0232354324.html

Postei nas redes

Leio agora n'O Globo: "Lideranças do PL relataram que Michelle Bolsonaro tem colocado uma condição para entrar na campanha de Flávio Bolsonaro. A ex-primeira-dama quer um gesto público dos filhos do ex-presidente com um pedido de desculpas." O clã Bolsonaro segue dividido e a anos luz dos interesses do povo e da nação. 

"Em maus lençóis" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-opiniao_01637939089.html 

Uma crônica de Abraham Sicsu

Crendices: em junho se resolve
Abraham B. Sicsu 

Crer no sobrenatural, no “divino” como solução dos problemas terrenos, fé que dá esperança frente à impotência humana, frente a um mundo muito complexo e muitas vezes adverso, a tradição popular assim é movida.

Lembro de uma viagem pelo rio São Francisco, em Bom Jesus da Lapa, salas cheias de ex-votos me impressionaram, fizeram-me pensar em milhares de pessoas que entregaram seus destinos ao além, às forças do desconhecido.

Mês de junho, mês dos Santos Padroeiros. Santo Antônio, São João, São Pedro. A devoção é exposta. Superstições e crendices juninas.

É o mês para resolver as coisas. Coisas do coração, de proteção do patrimônio, de prosperidade na vida. Pular fogueira, escrever bilhetes, colocar as imagens do santo em posição de plantar bananeira, tudo para atingir a graça almejada.

Tem que ser neste mês, não pode se deixar passar, as forças extraterrenas nos resolverão os problemas.

São Pedro traz prosperidade. O sucesso profissional e financeiro. Para ele se deve orar.

Detentor das chaves do reino do céu. Sete chaves de ferro. Ele é o Príncipe dos Apóstolos. A ele foram dadas as chaves para superar as dificuldades na vida. Diz a oração:

"Glorioso São Pedro, que tendes as chaves do céu e da terra, eu vos peço, vos rogo e vos imploro que abrais as portas dos meus caminhos que se fecharam diante de mim, atrás de mim, à minha direita e à minha esquerda. Abri para mim os caminhos da felicidade, os caminhos profissionais, os caminhos financeiros e os caminhos amorosos. Livrai-me dos obstáculos, das demandas, das invejas e de todos os inimigos visíveis e invisíveis. Vós, que conheceis todos os segredos do céu e da terra, ouvi a minha prece e atendei o meu pedido.”

As tradições católicas e pagãs se misturam. Fazem um embaralhar de tradições e ritos no pedir a São João. Prosperidade, simpatias para amor, prosperidade. Não se deixa de pular a fogueira. Representa coragem, purificação e, principalmente, renovação de energia.

O santo precisa ser acordado com fogos. Não se esqueça da clara de ovo. Na noite de São João, um copo com água e uma clara. Dia seguinte, como ela se expuser, será seu futuro, nela poderá se ver seu casamento, seus caminhos, os rumos de vida que tomará.

Tem também os dentes de alho. Plante três dentes meses antes e veja no dia quantas cabeças brotaram. Indicará os anos até seu casamento. Previsão na certa, veja, não passa de três anos.

Moro ao lado do Sítio da Trindade em Recife. A procissão das bandeiras, o levantar dos mastros, a busca da fertilidade como símbolo dos Santos do mês. Todos torcem para que apontem os mastros para sua residência, trará sorte na certa e muita fartura.

Lembrem de queimar ramos de arruda e um galho de manjericão. Renovam as energias, trazem bons ares. Afastam o maldoso olhar e os espíritos do mal.

Santo Antônio, o santo casamenteiro. As simpatias marcam seu reino. Colocar a imagem de cabeça para baixo e mantê-la assim, até que se consiga o parceiro desejado. Se quiser reforçar, com uma fita vermelha a enlaçá-lo, se busca o amor verdadeiro, a felicidade terrena de alguém que lhe complete e lhe faça feliz.

Uma traquinice. Retire o Menino Deus dos braços do santo e prometa que só vai devolver quando casar. Acelera o processo.

Outra, colocar a imagem dentro de um copo de cachaça, só tirar quando o amor e a paixão incendiar seu interior.

Muitas são as outras versões desses rituais do bem. A impotência frente à complexidade da vida, do cotidiano sufocador, faz com que se busquem caminhos fora de nosso controle.

Não faz mal, torna a vida menos sofrida, traz o mais importante para o ser humano. Acreditar que as coisas vão melhorar. Sem isso, nada é possível, tudo é sufocante.

Por isso, sou apaixonada pelas tradições populares, não como fugas, mas como caminho que dá sentido à vida. Dá razão para se continuar na luta. Salve o mês de junho!!!

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Leia também: "No São João não sou ex" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2023/06/minha-opiniaocronica_23.html

Fotografia

Luciano Siqueira 



 

História segundo Enio Lins

Há 821 anos, a primeira Constituição nascia na Europa
Enio Lins 
 

15 DE MARÇO DE 1215: JOÃO SEM TERRA, rei da Inglaterra, assina a Carta Magna. JST, como não era conhecido (inexistia o vício de resumir os nomes de celebridades às iniciais), estava vulnerável em seu reinado, peitado pela base da pirâmide aristocrática inglesa; e se viu forçado a abrir mão de poderes típicos da autocracia monárquica em toda Europa. Como se dizia antanho, entregou os anéis para preservar os dedos.

DIZ-NOS A DITA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL 
do Google que João tinha esse apelido porque sendo “o filho mais novo do Rei Henrique II, na divisão das terras do reino, como caçula, seu pai não separou nenhum grande território para ele governar (...). A fama se consolidou no final de seu reinado, quando ele entrou em guerra contra a França e perdeu a maior parte dos territórios que a coroa inglesa possuía no continente europeu.

DEPOIS DA DERROTA CONTRA A FRANÇA,
 com o reino inglês cheio de dívidas e com os cofres vazios, JST arrochou mais impostos sobre a nobreza e isso gerou uma enorme revolta nos barões (incrível como no passado os ricos não gostavam de pagar tributos) que se levantaram a armas contra o rei.

EXPLICA A WIKIPÉDIA:
 a “Magna Carta Libertatum” ou “Concordiam inter regem Johannen at barones pro concessione libertatum ecclesiae et regni angliae” (Grande Carta das Liberdades, ou Concordata entre o rei João e os barões para a outorga das liberdades da igreja e do reino da Inglaterra) limitou o poder dos monarcas da Inglaterra, especialmente o do rei João, que o assinou, impedindo assim o exercício do poder absoluto. Resultou de desentendimentos entre João, o Papa e e os barões ingleses acerca das prerrogativas do soberano. Segundo os termos da Magna Carta, João deveria renunciar a certos direitos e respeitar determinados procedimentos legais, bem como reconhecer que a vontade do Rei estaria sujeita à Lei. Considera-se a Magna Carta o primeiro capítulo de um longo processo histórico que levaria ao surgimento do Constitucionalismo.

JST entrou para a história como o JCC (João Com Constituição) mas nunca se livrou do apelido de João Sem Terra.

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"A pulga, a ciência e a paz mundial" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/a-pulga-quem-diria.html

Sylvio: parcialidade

O mínimo que se poderia exigir de ministros do Supremo, além do saber jurídico, é a isenção em seus julgamentos, que não devem ter conotação ou influência política. Lamentavelmente, em recente decisão do STF, os ministros André Mendonça e Kassio Nunes divergiram de seus pares, preferindo votar em obediência ao grupo político que os indicou para cargo tão relevante. Assim, apesar da robustez de provas contra o acusado, ex-governador Cláudio Castro, o consideraram inocente. As vezes, a Justiça além de cega tem partido.

Sylvio Belém