13 outubro 2026

Fim da escala 6x1

Chegou o dia: Senado vota fim da escala 6×1 em sessão histórica nesta quarta-feira (14)
O líder do governo ironizou a declaração de voto favorável à PEC do senador Flávio Bolsonaro (PL): “Pelo visto, o vira-voto do presidente Lula está funcionando”
Iram Alfaia/Vermelho    

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou para esta quarta-feira (14) a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho e acaba com a escala 6×1. Se for aprovada, a medida promoverá a mudança mais avançada na legislação do trabalho desde a Constituição de 1988.

Para aprovar a matéria, serão necessários ao menos 49 votos dos 81 senadores no primeiro e segundo turnos. Nesta terça-feira (13), a quarta sessão semipresencial obteve quórum de 71 parlamentares.

Alcolumbre anunciou que após quinta sessão nesta quarta-feira, conforme exige o regimento, a matéria estará pronta para ser votada em primeiro turno.

Além disso, informou que já “existe número regimental” para aprovar o calendário especial que vai permitir quebrar o interstício (intervalo de cinco sessões) para votar o segundo turno da PEC.

 “A matéria estará apta para deliberação amanhã. Vários senadores e senadoras assinaram um calendário especial. E quero informar a Vossas Excelências que já há número regimental para apreciar o calendário especial”, disse Alcolumbre sob aplausos dos colegas.

Encaminhada ao Congresso pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a PEC foi aprovada na Câmara dos Deputados no dia 27 de maio deste ano por ampla margem de votos (472 votos a favor e apenas 22 votos contrários).

No Senado, o texto passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e aguarda votação em dois turnos no plenário para ser encaminhada à promulgação do próprio Congresso.

A PEC propõe em nove artigos a adoção imediata do modelo 5×2 (cinco dias de trabalho na semana, com dois dias de folga). A redução da jornada será gradual, indo de 44 para 42 horas após 60 dias da promulgação e para 40 horas após 12 meses.

Está preservada a possibilidade de acordos e convenções coletivas, inclusive para regimes diferenciados de áreas essenciais como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana.

Vira-voto

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), ironizou a declaração de voto favorável à PEC do senador Flávio Bolsonaro (PL): “Pelo visto, o vira-voto do presidente Lula está funcionando, porque conseguiu já virar o voto do próprio senador”.

Randolfe disse ainda esperar que todos os que assinaram a PEC dos Patrões, proposta por Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de campanha de Flávio, tenham a mesma atitude.

“Vira-voto eficiente. Já virou o voto do próprio Flávio Bolsonaro. E olhem só: o senador antes era contra o Bolsa Família; depois, votou a favor. Ele antes era contra o Farmácia Popular; depois, virou a favor. Ele antes era contra o fim da 6×1; ficou a favor. Eu acho que, daqui para o domingo 25, ele faz o L”, provocou Randolfe.

Convocação

A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), convocou os colegas a votarem na matéria: “Quem votar favoravelmente a PEC estará escrevendo, na história de seu mandato, um processo tão importante quanto a Constituição (de 1988), quando a jornada diminuiu de 48h para 44h”, disse.

O senador Paulo Paim (PT-RS) voltou a defender que o texto seja aprovado sem alterações para reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais sem corte de salários. Paim argumentou que o “descanso não é luxo, é sagrado” e que a mudança deverá aumentar a oferta de empregos.

“Esta não é uma questão ideológica, partidária, de governo ou de oposição, é uma questão de Estado que tem como horizonte a melhoria da vida das pessoas. Estamos discutindo a dignidade das pessoas. Amanhã é o dia”, diz Paim.

Governo Lula já tem votos para aprovar fim da escala 6×1 https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/um-passo-adiante.html 

Palavra de poeta

Colheita
Graça Graúna      

Num pedaço de terra
encabulada, mambembe
o caminho de volta
a colheita, o ritmo
o rio, a semente

Planta-se o inhame
e nove meses esperar
o parto da terra.
Planta-se o caldo
e docemente esperar
a cana da terra

Palavra: eis minha safra
de mão em mão
de boca em boca
um porção Campestre
Potiguara ser.

[Ilustração: Candido Portinari]

Leia também: "Este é o prólogo", poema de Federico García Lorca https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/palavra-de-poeta_01668072613.html 

Fotografia

 

Luciano Siqueira

Ódio ao Nordeste explode nas redes https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/na-esteira-do-bolsonarismo.html 

Dica de leitura

Petrobras sob risco  

Até que desminta temporariamente, como tem feito em relação a outros propósitos questionáveis, o senador e candidato da extrema direita à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), propõe a privatização da Petrobras.

É o que comenta Iago Montalvão em artigo no Portal Grabois https://grabois.org.br/2026/10/09/flavio-bolsonaro-defendeu-privatizacao-da-petrobras-entenda-as-consequencias/

A hipótese, na prática, encareceria significativamente o custo de vida da população.

Demais, a Petrobras detém mais de 80% da oferta de compromissos e combustíveis no Brasil. Foi a mudança na política de preços adotada a partir de 2023 (no governo Lula) que permitiu amortecer choques internacionais do petróleo, protegendo parcialmente o mercado interno. (LS)

Divisor de águas e um passo adiante https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/fim-da-escala-6x1.html 

Minha opinião

Sinceridade tecnicamente imperfeita
Luciano Siqueira       

As imperfeições técnicas eu verifico na infinidade de vídeos que circulam nas redes sociais produzidas espontaneamente por militantes em campanha pela reeleição do presidente Lula.

E cá com meus botões de quem não conhece as técnicas e as leis específicas da comunicação digital, embora dela participe intensamente — tendo como principal instrumento o Blog de Luciano Siqueira —, prefiro as peças "artesanais" ao invés de apurada técnica.

O advento do celular tornou seus usuários todos potencialmente fotógrafos. Fazem-se fotos de tudo — bem feitas ou não.

Na sequência, as redes sociais de fácil manuseio nos tornaram a todos cinegrafistas amadores.

Então, há uma espécie de dupla intimidade — a do fácil contato pessoal à distância com centenas e até milhares de frequentadores das redes; e a do contato direto, olhos nos olhos, pessoal e insubstituível.

Nos meios digitais, óbvio que peças muito bem produzidas nos enchem os olhos e talvez nós convençam mais facilmente porque mexem com os nossos cinco sentidos.

Mas sem desprezá-las, sigamos na militância digital apoiada em peças improvisadas e imperfeitas, mas convincentes, com a regularidade que a vida permite.

Neste exato momento, dando prioridade absoluta a difusão de ideias e ao debate em favor da reeleição do presidente Lula.

Leia também Agiganta-se a campanha de Lula nas redes e nas ruas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/editorial-do-vermelho_0368111707.html

Editorial do 'Vermelho'

Militância e apoiadores de Lula agigantam campanha nas redes e ruas
Juventude promove, com adesão do povo, “uma enchente amazônica” nas avenidas; milhões engajam-se nas redes, cresce a pressão pelo fim da escala 6×1, e a campanha entra na etapa decisiva.
Editorial do 'Vermelho'    

As grandes mobilizações da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no domingo (11) atestam o espírito de luta que tomou conta da militância e de parcelas significativas do povo, com a juventude estudantil na linha de frente, para virar o jogo e derrotar a extrema direita e seu candidato, Flávio Bolsonaro. Na principal delas, a Avenida Paulista ficou totalmente lotada, numa mobilização extraordinária, num ato chamado de Marcha pela Democracia.

Essa mobilização de robusto impacto político-eleitoral demonstra a importância da militância e dos apoiadores de Lula nas redes sociais, capazes de ampliar o alcance do debate político, multiplicar a circulação de informações e responder à atuação da extrema direita e de seus robôs. A mobilização surpreendeu pela dimensão e eficácia, dando sentido concreto à ideia de articulação entre redes e ruas.

Lula convocou a militância e seus apoiadores a procurar os eleitores que não compareceram ao primeiro turno e a ampliar o diálogo para a votação de 25 de outubro. Ao abordar a abstenção, que atingiu aproximadamente 33,4 milhões de eleitores, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dirigiu um apelo especial às pessoas com mais de 70 anos, cujo voto é facultativo. “Se a pessoa não quer votar por ela, tem que ir pelo filho, neto, bisneto e pela pátria”, afirmou. O presidente também convocou os jovens a assumir responsabilidades na vida pública. “Ou vocês participam da vida política ou ela não tem conserto”, enfatizou.

De acordo com a presidente em exercício do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Nádia Campeão, a primeira semana do segundo turno mostrou a força das mobilizações de rua, puxadas principalmente pela juventude, com adesão de outros segmentos sociais. Segundo ela, a campanha também ganhou intensidade nas redes sociais, envolvendo milhões de pessoas, enquanto a tentativa de retirar do ar o canal Exército do Lula foi derrotada. Nádia convocou a militância para se empenhar na mobilização digital e no trabalho de convencimento dos eleitores ainda indecisos. “Com garra e combatividade é possível reeleger o presidente Lula”, afirmou.

O PCdoB, em todo país, está firmemente engajado na preparação e realização da agenda das manifestações, contribuindo de modo relevante com o êxito alcançado. A militância comunista, com criatividade e entusiasmo, além de atuação própria, articula à atuação nas diferentes entidades estudantis e movimentos sociais, ampliando o alcance da mobilização e o diálogo com parcelas da população que ainda precisam ser convencidas.

É nesse contexto que ganha relevo o papel organizador e de liderança da União Nacional dos Estudantes (UNE). Reunida no dia 6 de outubro, sua diretoria decidiu lançar a campanha Estudantes com Lula, com um calendário nacional de assembleias, plenárias, panfletagens e manifestações até a véspera do segundo turno, definindo tarefas concretas de mobilização, conectando o movimento estudantil à campanha eleitoral e ao debate sobre o futuro da educação pública, da ciência e dos direitos sociais. A presidente da UNE, Bianca Borges, sintetizou o sentido dessa convocação: “A partir de agora é estado permanente de mobilização. Os estudantes serão decisivos para reeleger Lula. Não sairemos das ruas!”

A União da Juventude Socialista (UJS) e a Juventude Pátria Livre (JPL), forças destacadas dos estudantes, cumprem papel decisivo nesta jornada vitoriosa da UNE.

A dimensão das manifestações foi omitida pela mídia hegemônica, com a evidente intenção de reduzir o seu papel no clima de virada que toma conta do país. Com isso, ela assume uma linha pró-Flávio Bolsonaro e, como fez no primeiro turno, procura interditar o debate programático, uma tentativa de bloquear o acesso do eleitorado aos temas que são decisivos para a sua tomada de decisão na hora do voto. A legislação eleitoral proíbe o favorecimento indevido de candidaturas e estabelece regras para impedir o uso dos meios de comunicação como instrumento de desequilíbrio.

A campanha de Lula levou à Justiça Eleitoral uma denúncia contra a Meta – controladora do Instagram, Facebook e WhatsApp –, denunciando a empresa de restringir seletivamente o alcance de publicações favoráveis ao presidente. O caso ganhou dimensão judicial quando foi determinada a prestação de esclarecimentos sobre possíveis reduções de alcance, limitações nas recomendações de conteúdo, queda nas visualizações e desativação da conta de anúncios da campanha.

A denúncia revela o papel das plataformas digitais no cerceamento de informações sobre a campanha e mostra a interferência das big techs no processo eleitoral. Vem à tona a ingerência dos Estados Unidos para favorecer Flávio Bolsonaro, diante do total alinhamento desses monopólios com o governo Trump.

A campanha entra na segunda semana com a exigência de intensificação das mobilizações, sobretudo porque está pautada pelo Senado a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 para quarta-feira (14). Para a campanha de Lula, essa PEC tem grande importância porque ela é um dos principais demarcadores dos campos que estão na disputa pela sucessão presidencial.

O candidato da extrema direita classificou a proposta como oportunista e apresentou uma alternativa formulada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN): contratação por hora e negociação entre patrões e trabalhadores, em vez de uma redução geral da carga horária, com salários e benefícios proporcionais às horas trabalhadas, sem garantia universal de dois dias de descanso remunerado.

Lula chamou a ideia de “acordo leonino”, no qual o trabalhador não dispõe de força suficiente para defender seus interesses. “Nada de aceitar barganha. É reduzir a jornada de trabalho para cinco dias de trabalho e dois de descanso”, declarou. A campanha do presidente associou a manutenção da escala aos prejuízos para a convivência familiar, especialmente para mães que têm pouco tempo para acompanhar os filhos.

A semana começa com esse grande desafio: aumentar a pressão sobre Senado Federal pelo fim da escala 6×1. Desmascarar Flávio Bolsonaro que move céus e terra para que tenha continuidade a jornada escravizante.

O setor jurídico da campanha do presidente Lula, juristas e advogados progressistas, o campo democrático como um todo, aumentam a vigilância e a pressão sobre decisões do TSE, notadamente do presidente da corte, Kassio Nunes Marques, e do vice, André Mendonça, nitidamente para favorecer a candidatura da extrema direita. Tal como está patente no episódio de tentar censurar o canal “Exército do Lula”, batalha ainda pendente de veredicto definitivo.

Nesta etapa decisiva, é preciso conversar, persuadir os/as eleitores/as. Cuidar, também, de outras frentes de trabalho, a exemplo da ampliação dos apoios, dar concretude a movimentos de frente ampla, nacionalmente e nos estados, no sentido de atrair eleitores/as que relutam em votar no presidente, mas que precisam ser persuadidos/as de que o país não pode retroagir ao passado de destruição do bolsonarismo.

As ruas, as redes e o almoço do domingo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_02010278885.html 

Dica de leitura

Vale ler n'O Globo de hoje o artigo  "Não é opinião, são os fatos - País pode optar por ignorar o histórico familiar e levar Flávio Bolsonaro ao Planalto. Mas os fatos até aqui permitem dizer que a democracia correrá riscos", de Miriam Leitão https://oglobo.globo.com/blogs/miriam-leitao/coluna/2026/10/nao-e-opiniao-sao-os-fatos.ghtml Dá a medida das ameaças antidemocráticas do candidato da extrema direita. (LS)