19 outubro 2026

Bom sinal

Pesquisa BTG/Nexus: empate e alta de Lula sinalizam virada na reta final. Presidente chega a 49,7% dos votos válidos e emparelha disputa com Flávio Bolsonaro a seis dias do segundo turno, impulsionado pelas mulheres, jovens e pela classe trabalhadora. (Portal ‘Vermelho’)

Às ruas, às redes, à virada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/o-fio-da-meada.html 

Relações suspeitas

O que apareceria no extrato de Flávio se ele aceitasse o desafio de Lula?
Da suspeita de cargo fantasma às rachadinhas, imóveis e negócios com Vorcaro, o histórico de Flávio voltou ao debate após Lula propor abrir seus sigilos bancário e telefônico
Lucas Toth/Vermelho    

Flávio Bolsonaro foi ao debate da Band com pose de fiscal da corrupção. Durante boa parte do programa, o candidato da extrema direita passou ao largo das perguntas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre os tantos casos que rondam o 01 do clã.

Lula, no entanto, dobrou a aposta. O presidente disse que aceitaria abrir seus sigilos bancário e telefônico caso Flávio Bolsonaro fizesse o mesmo. “Em vez de ficar falando que é honesto, prove que você é honesto”, cobrou o presidente.

“Eu sou presidente, por doze anos, eu tenho um apartamento de cento e noventa metros quadrados de um milhão e meio [reais]. Esse cidadão [Flávio], que ganha o mesmo salário que eu, comprou uma casa de dez milhões e pagou à vista uma parte dela com dinheiro do BRB, que está metido no caso do banco do Vorcaro”, relembrou Lula.

O candidato do Partido Liberal (PL) não aceitou o desafio. Nas redes sociais, os internautas também passaram a cobrar que Flávio abra os sigilos e mostre ao eleitor o que há por trás da pose de guardião da moralidade. 

E material para alimentar essa cobrança não falta: ao longo de décadas de vida pública do senador, a imprensa reuniu reportagens e documentos sobre negócios, patrimônio e relações políticas que fazem a imaginação do brasileiro correr.

A lista começa muito antes das rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde Flávio foi acusado de participar de um esquema de desvio de salários de assessores. Antes de chegar à Alerj, Flávio já havia ocupado um cargo público que levantou sérias suspeitas.

Em dezembro de 2000, aos 19 anos, o 01 foi nomeado assistente técnico na liderança do PPB na Câmara dos Deputados, em Brasília — o partido pelo qual Jair Bolsonaro, seu pai, ocupava uma cadeira —, com jornada de 40 horas semanais. 

Na mesma época, no entanto, ele cursava Direito presencialmente e fazia estágio voluntário na Defensoria Pública, ambos no Rio; antes dele, o posto na Câmara havia sido ocupado por Ana Cristina Siqueira Valle, então mulher de Jair. 

Como o cargo exigia expediente em Brasília, a rotina de Flávio — que cursava Direito e fazia estágio no Rio, a mais de mil quilômetros dali — levanta suspeitas até hoje de que o filho de Jair Bolsonaro fosse funcionário fantasma. 

Flávio deixou o cargo na Câmara em 2002 e, no ano seguinte, assumiu o primeiro mandato na Alerj. 

Foi no gabinete estadual que o Ministério Público do Rio identificou o esquema das rachadinhas: segundo a acusação, assessores devolviam parte dos salários, e Fabrício Queiroz recolhia e movimentava o dinheiro. A investigação seguiu esse caminho até os negócios imobiliários do senador. 

Os promotores apontaram R$638,4 mil em depósitos em dinheiro vivo na conta de um corretor ligados à compra de dois apartamentos e questionaram o lucro de 292% declarado por Flávio na revenda, muito acima dos 11% de valorização da região. A suspeita é de lavagem de dinheiro com o recolhimento dos salários dos servidores.

Em 2021, o STJ anulou quebras de sigilo usadas na investigação; no ano seguinte, a Justiça do Rio arquivou a denúncia. Mas a história dos imóveis não saiu do noticiário. 

Naquele mesmo ano, Flávio comprou uma mansão no Lago Sul em Brasília por quase R$6 milhões, dos quais R$3,1 milhões foram financiados pelo BRB em 360 prestações. O banco não informou as condições do contrato, alegando sigilo bancário — justamente o tipo de informação que o desafio de Lula poderia ajudar a esclarecer.

Rachadinha, imóveis, Banco Master, hospitais federais e relações com personagens de outros escândalos: esse foi o repertório que Flávio deixou fora do debate. A lista a seguir reúne os principais episódios que fazem a pose de guardião da moralidade desabar. 

Os casos e suspeitas que cercam Flávio

Rachadinha na Alerj: o Ministério Público do Rio apontou Flávio como figura central num esquema em que assessores devolveriam parte dos salários. Fabrício Queiroz, ex-chefe de gabinete, foi apontado como operador. Decisões judiciais anularam provas obtidas com quebras de sigilo, e Flávio não foi condenado.

Imóveis e dinheiro vivo: na mesma investigação, o MP suspeitou que Flávio e a mulher usaram dinheiro em espécie para ocultar valores em negócios imobiliários. Um relatório apontou R$638,4 mil em depósitos em dinheiro ligados à compra de dois apartamentos e questionou o lucro declarado na revenda. 

A compra de uma mansão de quase R$6 milhões em Brasília também chamou atenção, em 2021, porque o senador era investigado por suspeitas envolvendo imóveis.

Banco Master e o filme Dark Horse: Flávio mentiu sobre sua relação com Daniel Vorcaro: primeiro disse que não conhecia o ex-banqueiro; depois, quando questionado sobre o financiamento do filme, chamou a informação de “mentira”.

Mensagens divulgadas mais tarde mostraram o senador negociando US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões — e chamando Vorcaro de “irmão”. Ao menos US$ 12,3 milhões, mais de R$ 65 milhões, foram transferidos ao fundo que administrava os recursos do filme. 

Só depois da divulgação das conversas Flávio admitiu a negociação, que passou a chamar de patrocínio privado. A Polícia Federal investiga suspeitas ligadas à origem e ao caminho do dinheiro.

Careca do INSS: reportagem do ICL mostrou que uma empresa de capacetes ligada a Flávio funcionava no mesmo endereço e usava a mesma contabilidade de empresas associadas a Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso no caso dos descontos ilegais em aposentadorias. A coincidência levanta suspeitas de de ligação entre o Careca do INSS e o 01.

Hospitais federais no Rio: Durante o governo do pai, Flávio interferiu nas indicações e decisões dos seis hospitais federais do Rio, embora não ocupasse cargo na área da Saúde. 

Em 2019, contestou a nomeação de Paulo Cotrim para o Hospital de Bonsucesso; menos de um mês depois, Cotrim foi exonerado. Na pandemia, leitos ficaram fechados por falta de profissionais e, no fim de 2020, 3,5 mil contratos foram encerrados. 

Auditorias do TCU e da CGU identificaram editais com sobrepreço de R$69 milhões em insumos e R$18,1 milhões em medicamentos. 

No debate, Lula cobrou: “Eu queria fazer a pergunta, se ele tem noção da destruição que ele fez nos seis hospitais federais do Rio de Janeiro, que nós agora estamos recuperando”.

Willer Tomaz e a rede de relações de Flávio: A Polícia Federal investiga se Flávio atuou com o advogado Willer Tomaz em um suposto esquema de lavagem de dinheiro. O inquérito no STF surgiu de uma apuração sobre lavagem e evasão de divisas por meio de bets. Ao analisar os e-mails de Tomaz, a PF encontrou registros que apontam Flávio como “usuário master” de uma conta da empresa Alcazar Holdings, administrada pelo advogado, até maio de 2025.

A investigação também identificou ao menos cinco viagens internacionais feitas juntos em 2025; documentos indicam que Tomaz bancou viagens do senador e de familiares. 

Em uma delas, Flávio viajou num jato operado por uma empresa que tinha Daniel Vorcaro como sócio e Tomaz como cotista de uso. Flávio chamava o advogado de “meu amigo Willer Tomaz” e também atua ao lado dele em processos judiciais.

Apartamento usado na campanha: uma representação eleitoral questionou o uso de um imóvel ligado a Willer Tomaz durante a campanha e apontou possível despesa ou doação não declarada. A denúncia ainda não comprova irregularidade.

Kopenhagen e Alexandre Santini: Flávio foi sócio de Santini numa franquia da Kopenhagen na Barra da Tijuca. A loja entrou na investigação das rachadinhas porque, segundo o Ministério Público, movimentava dinheiro em espécie e registrava um faturamento incompatível com as transações.

Mergulhado em lama fétida https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/denuncia-grave.html 

Detalhe que importa

Lula venceu a do melhor do debate
“Até teu pai” foi o momento alto do enfrentamento na Band
Nesletter ‘Primeiro café’ 
       

Nem o mais otimista eleitor do Lula esperava que, diante de Flávio super treinado para a mentira, o octogenário vencesse a disputa pelo melhor corte do debate. Mas aconteceu, e logo no primeiro bloco. Quando Flávio, acuado e nervoso, questionou porque Lula recebeu voto de “75% dos presidiários”, o presidente respondeu que ele queria 100% dos votos, “até o teu pai”.

O corte de poucos segundos viralizou rapidamente nas redes sociais e está sendo visto por milhões de pessoas. Foi difundido inclusive pela imprensa do exterior. Este será, para a grande maioria da população brasileira, o resumo do primeiro debate entre os dois candidatos à presidência.

De resto, o debate foi excelente como entretenimento e vazio de conteúdo. O primeiro bloco se resumiu em Lula pressionando Flávio pelas muitas respostas que ele deve à população e o opositor fugindo e trazendo assuntos aleatórios para não responder. Flávio tem a seu favor apenas o fato de não ser Lula e insistiu no tradicional meme “e o Lula? E o PT?” em absolutamente todas as perguntas incômodas.

Destaco ainda que Lula conseguiu extrair do adversário a confissão do desastre que foi o governo do pai dele durante a pandemia. E ainda respondeu muito bem à proposta de Flávio de trazer um administrador do sistema privado para o SUS plantando a dúvida sobre se o candidato da extrema direita pretende privatizar a saúde pública.

Em geral, Flávio adotou uma postura arrogante no comportamento e no discurso, o que não passará batido pela opinião pública. Lula, por sua vez, cometeu alguns tropeços de fala, se apegou a assuntos pouco relevantes nesta altura, mas respondeu e perguntou de forma incisiva.

Quem viu o debate saiu com a certeza de que Flávio é mentiroso, despreparado e moleque e que Lula está nervoso com a possibilidade de derrota e que já dá sinais de cansaço.

Ilustração: charge de Gilmar

Gastando muito? Corra ao endocrinologista! https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_01136127338.html 

BBC: empatados

O candidato Flávio Bolsonaro aparece empatado com o presidente Lula nas intenções de voto para presidente no segundo turno, de acordo com o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil. Com um detalhe: Lula em ascensão.  

Debate na TV para quê? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0643838648.html 

Minha opinião

Debate na TV para quê?
Luciano Siqueira   

Colunistas de diversos matizes e diferentes órgãos de imprensa — mesmo alguns de viés direitoso — opinam que no debate da Band, ontem à noite, o candidato Flávio Bolsonaro, da extrema direita, recusou-se a responder a todas as perguntas que o presidente Lula ele fez e se esmerou em provocações de baixíssimo nível. 

Regras permissivas deram margem ao deplorável espetáculo. 

Para que servem mesmo esses debates?

Se a intenção fosse cotejar diferentes proposições entre os candidatos oponentes, as regras seriam certamente outras. 

Por que não o espaço para que jornalistas fizessem perguntas aos candidatos? 

O fato é que chegamos à reta final da campanha no segundo turno com Lula em ascensão, apoiado em manifestações públicas de centenas de milhares que ultrapassam milhões, pelo Brasil afora, incluindo cidades do interior.

Em contraposição, a campanha do candidato do PL apela a factoides e provocações absolutamente contrastantes com a postura de um pretendente ao mais alto cargo da República.

Para além da minha posição política e ideológica, cá com meus botões, sinceramente, acredito que já viramos a peleja e são reais as possibilidades de reeleição do Presidente Lula.

Agiganta-se a campanha de Lula nas redes e nas ruas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/editorial-do-vermelho_0368111707.html  

Humor de resistência

Miguel Paiva

Negócio suspeito

Lula enquadra Flávio Bolsonaro, que não explica como comprou mansão de R$ 10 milhões
No debate da Band, o presidente Lula questionou como o senador conseguiu comprar um imóvel tão caro em Brasília, sendo a maior parte do valor à vista
Murilo da Silva/Vermelho  

Durante o debate realizado na Band neste domingo (18), o presidente Lula enquadrou Flávio Bolsonaro (PL) para que explique como ele comprou a mansão em que mora em Brasília (DF). Com valor divulgado de R$ 6 milhões, mas com suspeita de que o valor real seja muito superior, na casa de R$ 10 milhões, Flávio fugiu da resposta.

“Eu sou presidente, por doze anos, eu tenho um apartamento de cento e noventa metros quadrados de um milhão e meio [reais]. Esse cidadão [Flávio], que ganha o mesmo salário que eu, comprou uma casa de dez milhões e pagou à vista uma parte dela com dinheiro do BRB, que está metido no caso do banco do Vorcaro”, disse Lula.

O presidente, nesse momento, estava encurralando o senador para que explicasse o áudio em que é flagrado pedindo R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master. Flávio não respondeu às perguntas e se limitou a dizer que era para o filme do pai, Jair Bolsonaro. Porém, é sabido que mesmo produções de Hollywood não chegam a custar esse valor. Lula estava questionando se este dinheiro não estava sendo para financiar a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, de onde trama ações lesa-pátria contra o Brasil.

Como já noticiado pelo Portal Vermelho, a mansão de Flávio tem cerca de 1.100 m² de área construída em um terreno de 2.400 m², com pisos e acabamentos em mármore de Carrara e Crema Marfil. O imóvel possui espaço gourmet com ampla varanda, churrasqueira e forno de pizza, academia, spa com aquecimento solar, sauna integrada à piscina, brinquedoteca e paisagismo com irrigação artificial. São quatro suítes, uma delas com banheira de hidromassagem, além de oito vagas de garagem, quatro cobertas e quatro descobertas.

Nas últimas semanas, a Polícia Federal começou a investigar o caso, pois há suspeita de que parte do valor financiado por Flávio tenha sido obtido sob privilégios junto ao banco BRB (Banco de Brasília), que está ligado aos esquemas de corrupção de Vorcaro.

Esclarecer é preciso https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/esclarecer-e-preciso.html