19 janeiro 2026

Enio Lins opina

Enfim, o mito migra para mais próximo de seu devido lugar
Enio Lins   

ATENDENDO AO MIMIMI incessante do presidiário Zero-zero, e de seus familiares e idólatras, sobre as instalações da cela que o abrigava na sede da Polícia Federal, o ministro Alexandre de Moraes achou melhor jair transferindo o condenado para a Papudinha. Mais uma decisão correta em essência – embora moderada e condescendente, considerando a alta periculosidade do apenado.

JAIR B, DITO MITO, é o bandido mais perigoso do País. Nenhum outro delinquente, esteja preso ou foragido da justiça, dentre as principais lideranças de facção, tem dezenas de milhões de votos cativos, quase metade do eleitorado brasileiro (!). Isso é uma tragédia nacional sem precedentes. Para manter refém esse impressionante sequestro, dentre outras malandragens, o vagabundo ex-capitão teatraliza um personagem diferente que lhe seja mais favorável a cada momento. Numa hora é destemperado, agressivo, fala grosso – noutro minuto aparece fragilizado, choroso, soluçante, falando fininho. Num dia, ataca os Direitos Humanos, no outro dia é defensor intransigente do humanismo. E invariavelmente, tenta golpes de estado, rouba joias, amealha mais de 100 imóveis num passe de mágica, financia (a peso de ouro) um filho nos Estad os Unidos para trair o Brasil. Etc. etc.

TRANSFERIR ESSE CRIMINOSO para a Papudinha é coisa certa, mas moderada; a Papuda sem diminutivos é o local ideal para um facínora com tantos aumentativos como Jair B. Mas o malfeitor passou pela cadeira presidencial, e isso lhe confere condições legais que o regime democrático não pode ignorar. Daí essa condescendência do STF é consideração à Constituição, e não conciliação com o crime organizado representado pelo citado condenado. Se o regime brasileiro fosse outro, seria o caso de aplicar ao mitológico quadrilheiro tudo o que ele próprio defendeu, durante toda sua vida, como o tratamento mais adequado a ser dado aos presidiários. Afinal, ele e seus áulicos sempre clamaram – e até estamparam em camisetas – “Ustra vive!”. Mas não. Nunca mais.

USTRA ESTÁ MORTO, mas a alma sebosa do torturador mais covarde e canalha da história do país ronda corações e mentes, encarnado em gentalha como o presidiário Jair, seus filhos, e incontáveis defensores do fascismo. Meter esse fantasma – junto com seu cavalo – na Papuda, ou na Papudinha, é descarrego. É puro exorcismo. Não podemos esquecer que, quando presidente, o dito mito ousou promover postumamente a “marechal” o ultra sádico Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra (1932/2015), militar que cometeu as maiores atrocidades nos porões da ditadura, com tamanha abominação que os então comandantes da finada ditadura tomaram todo cuidado para não promover a general. Hoje, ao choramingar sobre um longínquo barulho de um aparelho de ar-condicionado, classificando isso como “tortura”, o mito presidiário merecer ia ser encaminhado aos métodos do “Doutor Tibiriçá”, tão amado e idolatrado por ele, para sentir o sentido da palavra adorada. Mas não. Tortura nunca mais.

NUNCA MAIS PERDÃO A GOLPISTAS: esta é questão vital para a sobrevivência da Democracia. Doutor Tibiriçá, Delegado Fleury, e outros tantos perpetradores de crimes contra a humanidade, entre 1964 e 1985, foram criminosamente protegidos pela anistia de 1979. E seus admiradores trabalham incansavelmente para que essa condição de impunidade seja perene, buscando autoproteção. Querem que o criminoso Jair seja perdoado, liberado da pena à qual fez jus, para que todos possam voltar a tentar os mesmos crimes sem risco de condenação. Entram em pânico quando a prisão do mito se revela como realidade. Soluçam horrores, choram, descabelam-se, inventam dosimetrias e novas anistias. Almejam a inimputabilidade. Mas a Papudinha é uma palmadinha de realidade: lugar de criminoso é na cadeia, talkey?

As duas cabeças do monstro que assombra o Brasil https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/bastioes-da-direita.html

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