O
futuro da extrema direita sem Jair e a estupidez atroz do bolsonarismo
Cesar Calejon/Liberta
Nos
últimos seis anos, escrevi três livros sobre o bolsonarismo: A
ascensão do Bolsonarismo no Brasil do Século XXI, Tempestade
Perfeita: o Bolsonarismo e a Sindemia covid-19 no Brasil e Sobre
Perdas e Danos: Negacionismo, Lawfare e Neofascismo no Brasil.
Durante
esse processo, procurei pesquisar e refletir sobre a ascensão do bolsonarismo e
as suas consequências para o tecido social brasileiro. Agora, vamos olhar para
o futuro, mas, antes, uma breve e importante digressão.
Neste
período, procurei refletir sobre a essência do bolsonarismo enquanto movimento
social e político. Minha indagação girou ao redor de qual seria o elemento
central do bolsonarismo enquanto filosofia sociopolítica de massa.
Hoje,
estou convencido de que esse elemento está assentado sobre a crença falaciosa
de que existem seres humanos “inferiores” e “superiores” por “natureza”. O
objetivo deste artigo não é esmiuçar esse argumento, mas usá-lo para refletir
sobre o tema aqui proposto: o futuro do bolsonarismo sem Jair Bolsonaro.
Com
a prisão de Bolsonaro, o processo de reformulação da extrema direta sob a égide
do bolsonarismo ganhou um ponto de inflexão e esse torna-se uma questão ainda
mais premente.
Guerra
fratricida
Por
se tratar de um movimento organizado sobre as bases do elitismo acima
mencionado, o bolsonarismo tem uma dificuldade quase intransponível de aprender
com as suas próprias experiências, no sentido de realizar ajustes e correções
de rotas, e de fazer política para compor estratégias com possíveis aliados que
não tenham o sobrenome da família.
Neste
sentido, a derrocada de Jair Bolsonaro tende a catalisar uma espécie de guerra
fratricida entre os governadores de extrema direita e os filhos de Jair
Bolsonaro.
Existem
dois cenários mais prováveis sem Bolsonaro. No primeiro, Tarcísio de Freitas
entende que o jogo em 2026 contra Lula é pesado demais, decide tentar a
reeleição em São Paulo e deixa a disputa presidencial. Neste caso, o mais
provável é que Flávio Bolsonaro assuma a cabeça da chapa da candidatura da
extrema direita, com apoio do pai e de outros nomes do neofascismo nacional.
No
segundo, Tarcísio de Freitas se apresenta como candidato por entender que o
governo Lula está debilitado e que o atual mandatário não tem chances reais de
se reeleger, o que não parece ser a situação no momento. Dessa forma, a extrema
direita teria uma chapa mais competitiva e com um nível menor de rejeição por
parte da população.
O
principal problema para o segundo cenário e o ponto central dessa análise
caracteriza-se pela atuação de Eduardo Bolsonaro. Nos EUA há quase um ano, o
dito “03” vem alinhando o bolsonarismo com os ataques do trumpismo contra o
Brasil. O resultado tem sido desastroso, tanto para Eduardo quanto para o
bolsonarismo, como demonstram as últimas pesquisas de opinião.
Contudo,
apesar da estratégia fracassada, Eduardo é demasiadamente arrogante e
autossuficiente para promover mudanças na sua conduta. Por se entender
superior, ele deverá insistir na mesma direção até o pleito do ano que vem. Por
vezes, Flávio Bolsonaro também fez coro às alucinações do irmão Eduardo, o que
coloca em dúvida as análises que o classificam como um sujeito mais “moderado”
ou “político”.
No
limite, sem Jair Bolsonaro, o futuro do bolsonarismo será determinado por uma
tensão dinâmica ativa entre os filhos de Jair Bolsonaro e os governadores que
tentam assumir a posição do ex-capitão. A meu ver, me parece mais provável que
Flávio Bolsonaro receba o apoio da própria família e seja capaz de convencer
alguns dos principais nomes da direita a apoiar a sua candidatura. Trabalho bem
mais difícil será convencer a população brasileira a seguir neste mesmo
sentido.
Mais sobre o mundo da política https://lucianosiqueira.blogspot.com/

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