Descortino
tático na disputa eleitoral*
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
Muitas vezes parece, ao olhar desavisado, que
a disputa eleitoral implica apenas medição de forças, com reduzido espaço para
a astúcia tática.
Na próxima peleja pelos governos
estaduais, por exemplo.
Entretanto, não é bem assim.
Inúmeros são os casos em que candidaturas inicialmente fortíssimas, porque
estribadas em arco de forças econômica e politicamente mais denso, vieram a
naufragar em razão da má conduta tática. A começar pela escolha do
conteúdo principal do discurso – tanto frente aos adversários, quando mais de
um; como nas próprias proposições.
Parece mera divagação, mas não
é.
A observação procede, ainda que em
tese, no instante em que o cenário das eleições gerais deste ano começa a
se desenhar também em âmbito estadual, em que a disputa por governos se fará
entremeada com a presidência da República.
Na tradição brasileira, o desenho
das alianças em âmbito nacional necessariamente não se reflete na província. A
quase inexistência de partidos programáticos e nacionalmente unos e a
permissividade da legislação eleitoral possibilitam feição furta-cor das coalizões
locais.
Na história recente,
pós-redemocratização, vários são os casos de candidaturas a governador muito
fortes que não lograram êxito em razão de erros táticos cometidos, no discurso
e na costura das alianças.
E o inverso também acontece. Candidatura que
parte numa correlação de forças adversa e se vê quase que inexoravelmente
derrotada, tende a experimentar alternativas táticas inventivas e hábeis, até
em aparente desacordo com a estratégia inicialmente concebida, que ao final e
ao cabo mostram-se satisfatórias.
Mais agora que, com muita antecedência, se
fazem pesquisas reveladoras de tendências, mas não raro interpretadas de modo
esquemático e mecânico, conforme os interesses em jogo.
Em Pernambuco, por exemplo, todos os
institutos revelam números muito favoráveis ao pré-candidato a governador João
Campos (PSB), recém-reeleito prefeito do Recife com 78,11% dos votos válidos. A governadora Raquel Lyra
(PSD), que tentará a reeleição, tenderia a perder.
Isto se a
eleição fosse agora, mas não é. Fatores outros ainda ausentes no quadro
pré-eleitoral poderão provocar alterações - a existência de dois palanques em
apoio a Lula, para presidente, por exemplo. Também o comportamento da direita
bolsonarista, que mira o Senado como prioridade.
Em todos os
cenários, aos que partem em vantagem cabe a pergunta: quais os fatores de risco?
Por enquanto, o jogo de alianças avança, mas
segue em aberto. Após a quarta-feira de cinzas, findo o reinado de Momo, as
coisas acontecerão pra valer.
O projeto eleitoral do PCdoB não inclui
candidaturas próprias aos governos estaduais, mas o Partido pode e deve cumprir
papel ativo no jogo tático das coligações de que fará parte.
*Texto da minha coluna semanal no 'Vermelho' www.vermelho.org.br
A democracia sob ameaça de ser hackeada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/eleicoes-ia-ameaca.html

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