16 janeiro 2026

Palavra de poeta

Descrição de algo perdido
Charles Simic   

Nunca teve um nome
E não me lembro de como o encontrei.
Carregava-o no bolso
Como um botão perdido
Exceto por não ser um botão.

 

Filmes de terror
Lanchonetes 24 horas,
Botequins escuros
E casas de bilhar
Em ruas molhadas de chuva.

 

Levava uma existência quieta, inexpressiva,
Como uma sombra em um sonho,
Um anjo num alfinete,
E então sumiu.
Os anos passaram com sua fila

 

De estações sem nome,
Até que alguém anunciou é aqui!
E tolo que eu era
Desembarquei na plataforma vazia
Sem nenhuma cidade à vista.

 

[Ilustração: Gervane de Paula]

Leia também: "Soneto da busca", um poema de Carlos Pena Filho https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/palavra-de-poeta_40.html 

Nenhum comentário: