Agressões de Trump ao Irã e à Venezuela exigem rechaço dos povos
Para tentar conter declínio do imperialismo estadunidense, Donald Trump promove monstruosa escalada de agressões e pisoteia Carta das Nações Unidas
Editorial do 'Vermelho' www.vermelho.org.br
Os acontecimentos simultâneos no Irã e na Venezuela que se somam a um conjunto de outros países agredidos, são produtos do mesmo ato, a ofensiva belicosa e neocolonial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Não é mera coincidência que Irã e Venezuela, a agressão da vez, respectivamente, tenham a 3ª e a 1ª reserva de petróleo do mundo.
Trump age sem pudor e apostando na impunidade ao pisotear a Carta das Nações Unidas, elaborada sob os escombros da Segunda Guerra Mundial. E vai além ao passar por cima até de aliados históricos dos Estados Unidos, como a chamada Europa Ocidental, ameaçando se apossar da Groelândia de uma forma ou de outra, forçando, inusitadamente, Alemanha, França, Suécia, Noruega, Holanda e Inglaterra a enviarem tropas à região para se juntarem a efetivos da Dinamarca.
Investido de um imaginário poder ilimitado, à frente de uma grande potência em declínio, mas detentora de uma poderosa máquina de guerra, Trump não mede palavras para disparar ameaças e justificar sua truculência que remetem a lembranças das tragédias que marcaram o século XX, sobretudo a ascensão do nazifascismo, ou à política da canhoneira do século XIX.
No Irã, convulsionado por draconianas sanções que asfixiam sua economia, Trump insufla, por meios oficiais, ações para que as instituições sejam postas abaixo e que se efetive a mudança de “regime” do país persa, uma afronta descarada ao direito internacional. São agressões contra um Estado soberano que resultam em consequências cruéis.
O caso mais recente é a imposição de tarifas de 25% aos países que comercializam com o Irã, além de sanções a empresas e a membros da segurança do país. O objetivo é agravar a crise que levou a uma forte desvalorização do rial – a moeda iraniana –, resultado da política de pressão máxima de Trump. Os protestos se espalharam, pacíficos, com as pessoas manifestando-se contra a inflação e a perda do poder de compra, um problema considerado grave pelo próprio presidente Masoud Pezeshkian, potencializado por uma severa crise hídrica.
Mas apareceram, entre os manifestantes, terroristas atirando em policiais, de acordo o governo iraniano distúrbios orquestrados pelos Estados Unidos e por Israel, uma operação cuidadosamente planejada por seus serviços de inteligência, um contraste com manifestações populares de apoio ao governo.
São desdobramentos do que Trump chamou de “guerra dos doze dias” em junho de 2025, seguida de uma espécie de cessar-fogo temporário. As mortes relatadas em centenas são lastimáveis, as famílias iranianas enlutadas recebem do povo brasileiro e de outras nações do mundo as sentidas condolências. No Irã, há legítimas demandas democráticas, mas que jamais serão resolvidas com intervenção de potências que ambicionam, pela via da guerra, saquear as riquezas da nação persa.
A meta do governo Trump é impor um governo títere, se apossar do petróleo e assumir o controle total do Oriente Médio, projeto aliado ao Estado de Israel, empenhado em liquidar a causa palestina. “É necessário denunciar com clareza que a presença de agentes infiltrados da CIA e do Mossad alterou o caráter legítimo das reivindicações populares contra a alta do custo de vida”, diz uma nota do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz Cebrapaz). Segundo o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), em nota, “o povo iraniano tem direito à soberania e a resolver suas questões internas por meio de suas próprias instituições, sem interferência externa”.
Na Venezuela, alvo de agressões imperialistas desde a tentativa de golpe de Estado em abril de 2002, a intervenção militar para sequestrar o presidente Nicolás Maduro tem a finalidade, abertamente manifestada por Trump, de saque ao petróleo, ato bárbaro apoiado por seus aliados interessados na destruição do projeto bolivariano, como a União Europeia e a direita de países da região, a exemplo do desfile de cinismo dos setores entreguistas e antipatrióticos brasileiros.
Também explicitamente, o governo estadunidense proclama o ataque à Venezuela no contexto da definição da América Latina como seu “quintal”, seu hemisfério, a exaltação da contemporaneidade da Doutrina Monroe. As ameaças se estenderam para Cuba, Colômbia, México e Nicarágua.
São expressões da tentativa de Trump de reverter o declínio dos Estados Unidos com seu Make America great again (Tornar a América grande novamente) por meio de ameaças, chantagens e guerra contra os povos, uma clara intimidação global para impor a ideia de que nenhuma nação está a salvo de suas agressões, uma escalada que passou também pelo Panamá e o Canadá. Recentemente, interveio também na eleição presidencial de Honduras.
Essa espécie de terror imperial, que pisoteia povos, ateia fogo no direito internacional, afronta a soberania dos países, acumula sangue derramado e volume de saques, aumenta a euforia de Trump com a sensação de vitória. Todavia, de conjunto isto resulta em aguda corrosão da já declinante liderança dos Estados Unidos.
É mais um sintoma de decadência do que de demonstração de força, que se manifesta também em ações contra o próprio povo estadunidense, a exemplo de mortes pela polícia migratória de Trump, o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês).
Contra isto, o governo Lula tem corretamente se levantado e se manifestado. “Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo”, diz uma nota do Ministério das Relações Exteriores.
O Brasil, com seu peso geopolítico e sua influência sobretudo na América Latina, é uma força decisiva no enfrentamento a essa escalada neocolonial e belicosa trumpista. Os movimentos sociais, as centrais sindicais, em agendas unitárias de denúncia e mobilização, também estão em combate. A solidariedade aos povos vítimas dessa barbárie e a luta conjugada em defesa da soberania dos países e pela paz tornam-se imperativas.
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