Os pecados de Toffoli e a lógica da campanha contra
o Supremo
A intenção pode ser
deduzida com um pouco de raciocínio: abrir espaço para uma nova Lava Jato e
desestabilização das instituições
Luís Nassif/Jornal GGN
Sugiro aos leitores e amigos da mídia alternativa a releitura do meu
artigo “Xadrez da caixa de pandora do STF e da
mídia”. Pode ajudar a esclarecer a
discussão em torno de alimentar ou não a campanha contra o Supremo Tribunal
Federal.
No artigo procuro explicar o papel do escândalo para a mídia e a
conclusão final: o escândalo não é o fato, mas a decisão de como contar.
A lógica dos críticos é óbvia: há sinais de que Dias Toffoli prevaricou
e temos que ir até o fim. Era óbvio que o caso Master-Toffoli serviria
para deflagrar uma indignação crescente na opinião pública. A intenção final
nunca é explícita, mas pode ser deduzida com um pouco de raciocínio: abrir
espaço para uma nova Lava Jato e uma desestabilização final das instituições,
visando, em última instância, atingir a Presidência da República em um ano
eleitoral.
A partir da dimensão conquistada pela campanha, a velha mídia define os
alvos. Basta concentrar acusações ou insinuações em relação a quem quer
atingir, e deixar de noticiar aquelas que não interessam ao seu objetivo final.
Uma das armas da campanha é a chamada “serialização” do tema. Ou seja,
tratar de manter o tema diariamente no jornal. Basta conferir a home de “O
Globo”. As manchetes principais são notícias requentadas do escândalo
STF-Master. Mas a ênfase, agora, é sobre as relações do banco com membros do
governo Lula, antes de ocorrer o escândalo.
Assim, um banco metido até a tampa com o centrão, gradativamente passa a
ser mostrado, pela mídia, como banco envolvido com o governo Lula.
- Visita de Vorcaro a Lula,
conduzido por Guido Mantega, antes de se saber de suas manobras.
- Contrato com escritório da
família de Ricardo Lewandowski, antes de se saber de suas manobras.
- Relações com o governo
petista da Bahia, antes de se saber de suas manobras.
Pouco importa. O fato é criado pela decisão, da mídia, de como contar.
Por isso, quando se criticava a campanha da mídia, contra o Supremo, a intenção
não era passar pano para os malfeitos de Toffoli, mas alertar para o jogo que
viria pela frente. Mesmo porque o escândalo contra membros do STF depende
exclusivamente dos interesses da mídia. Durante toda a Lava Jato, apareceram
inúmeros episódios mal contados de vários ministros mas que foram escondidos
pela mídia porque, na ocasião, o STF era parceiro da Lava Jato e das campanhas
para destruir o PT, à custa de um estupro das regras jurídicas e
constitucionais do país.
Agora, com todos seus defeitos, o Supremo tornou-se um baluarte na
defesa da democracia. O caso Master está sendo utilizado com outros propósitos.
Em vez de denúncias pontuais, campanha sistemática para tirar toda a autoridade
do Supremo, em um ano decisivo para a luta democrática.
Aí os idiotas da objetividade dirão: mas como deixar passar os malfeitos de
Toffoli. Não se trata de deixar passar, mas de não alimentar uma campanha que
usa o tom moral para propósitos políticos, de desestabilização da democracia e
do governo.
Colaboração do colega Sérgio Buarque:
A campanha contra o STF em que prevalece a primeira lei da
dialética: tudo se relaciona.
Aguardemos as próximas notícias-bombas:
Tia da irmã da vizinha do cunhado de Toffoli tem conta no Master
Toffoli viu O agente secreto em cinema perto da sede do banco
Master
Mulher de Toffoli usou uma fita máster para gravar CD de pagode.
Leia também: O caso Master e a crise regulatória do mercado de capitais https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/a-cvm-e-o-caso-master.html

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