27 janeiro 2026

Mídia tendenciosa

Os pecados de Toffoli e a lógica da campanha contra o Supremo
A intenção pode ser deduzida com um pouco de raciocínio: abrir espaço para uma nova Lava Jato e desestabilização das instituições
Luís Nassif/Jornal GGN   

Sugiro aos leitores e amigos da mídia alternativa a releitura do meu artigo “Xadrez da caixa de pandora do STF e da mídia”. Pode ajudar a esclarecer a discussão em torno de alimentar ou não a campanha contra o Supremo Tribunal Federal.

No artigo procuro explicar o papel do escândalo para a mídia e a conclusão final: o escândalo não é o fato, mas a decisão de como contar. 

A lógica dos críticos é óbvia: há sinais de que Dias Toffoli prevaricou e temos que ir até o fim.  Era óbvio que o caso Master-Toffoli serviria para deflagrar uma indignação crescente na opinião pública. A intenção final nunca é explícita, mas pode ser deduzida com um pouco de raciocínio: abrir espaço para uma nova Lava Jato e uma desestabilização final das instituições, visando, em última instância, atingir a Presidência da República em um ano eleitoral. 

A partir da dimensão conquistada pela campanha, a velha mídia define os alvos. Basta concentrar acusações ou insinuações em relação a quem quer atingir, e deixar de noticiar aquelas que não interessam ao seu objetivo final.

Uma das armas da campanha é a chamada “serialização” do tema. Ou seja, tratar de manter o tema diariamente no jornal. Basta conferir a home de “O Globo”. As manchetes principais são notícias requentadas do escândalo STF-Master. Mas a ênfase, agora, é sobre as relações do banco com membros do governo Lula, antes de ocorrer o escândalo.

Assim, um banco metido até a tampa com o centrão, gradativamente passa a ser mostrado, pela mídia, como banco envolvido com o governo Lula.
 

  • Visita de Vorcaro a Lula, conduzido por Guido Mantega, antes de se saber de suas manobras.
  • Contrato com escritório da família de Ricardo Lewandowski, antes de se saber de suas manobras.
  • Relações com o governo petista da Bahia, antes de se saber de suas manobras.

Pouco importa. O fato é criado pela decisão, da mídia, de como contar.

Por isso, quando se criticava a campanha da mídia, contra o Supremo, a intenção não era passar pano para os malfeitos de Toffoli, mas alertar para o jogo que viria pela frente. Mesmo porque o escândalo contra membros do STF depende exclusivamente dos interesses da mídia. Durante toda a Lava Jato, apareceram inúmeros episódios mal contados de vários ministros mas que foram escondidos pela mídia porque, na ocasião, o STF era parceiro da Lava Jato e das campanhas para destruir o PT, à custa de um estupro das regras jurídicas e constitucionais do país.

Agora, com todos seus defeitos, o Supremo tornou-se um baluarte na defesa da democracia. O caso Master está sendo utilizado com outros propósitos. Em vez de denúncias pontuais, campanha sistemática para tirar toda a autoridade do Supremo, em um ano decisivo para a luta democrática.

Aí os idiotas da objetividade dirão: mas como deixar passar os malfeitos de Toffoli. Não se trata de deixar passar, mas de não alimentar uma campanha que usa o tom moral para propósitos políticos, de desestabilização da democracia e do governo.

Colaboração do colega Sérgio Buarque:

A campanha contra o STF em que prevalece a primeira lei da dialética: tudo se relaciona.

Aguardemos as próximas notícias-bombas:

Tia da irmã da vizinha do cunhado de Toffoli tem conta no Master

Toffoli viu O agente secreto em cinema perto da sede do banco Master

Mulher de Toffoli usou uma fita máster para gravar CD de pagode.

Leia também: O caso Master e a crise regulatória do mercado de capitais https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/a-cvm-e-o-caso-master.html

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