25 janeiro 2026

Palavra de poeta

Retrato do artista quando coisa
Manoel de Barros    

A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.
 
[Ilustração: Matthew Lawman]
 
Leia também "O habitante", poema de Mia Couto https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/12/palavra-de-poeta_30.html 

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