Estou fora, muito obrigado
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
Amanhece o dia e vejo na tela do computador a manchete de um dos grandes jornais do país: "O ouro da juventude: a vitamina que retarda o envelhecimento e melhora a pele".
Epa!
O impacto
inexorável sobre o meu espírito é a consciência de que cheguei atrasado.
De que me
adianta cientistas terem descoberto a tal vitamina que retarda o
envelhecimento... se eu já envelheci!?
Resta aí
um consolo: melhorar a pele. Pra quê?
Minha
pele, é óbvio, ao final da sétima década de uso cotidiano, já não é mais
lisinha de quando eu fui bebê e nem mesmo a da boa aparência do adolescente bem
cuidado.
As marcas
do tempo são visíveis — sobretudo no rosto.
Ao
contrário de muitos que gostariam de encontrar o "elixir da
juventude" e, quem sabe, usufruir tal vitamina regenerativa, estou fora.
Gosto de
ser como sou. Sem tirar nem botar, como se dizia antigamente.
É assim
que cumpro minha tarefa militante cotidiana, alimento o sonho de uma sociedade
justa e libertária — como pensamos nós, revolucionários inspirados na bandeira
vermelha inicialmente empunhada por Marx e Engels — e pratico o amor e me sinto
amado.
Quer saber?
Li apenas a manchete e não dei a mínima para o texto da reportagem a propósito
da tal vitamina milagrosa.
[Ilustração: Simone Cosac Naify]

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