20 janeiro 2026

Davidson Magalhães opina

Trump 2.0 e a desordem da ordem mundial
Após um ano do novo mandato, as decisões da Casa Branca aprofundam tensões geopolíticas, militarização e disputas por mercados estratégicos
Davidson Magalhães/Portal Grabois www.grabois.org.br   


O governo Trump e a “desordem mundial”

O segundo governo Trump iniciado em 20 de janeiro de 2025 tem adotado um conjunto de ações para reposicionar os EUA no atual contexto global, diante da perda de posição e dinamismo da economia americana. Acrescente-se ainda as limitações dos americanos em exercer o poder unipolar que, até então, impunham ao mundo.

As contestações ao dólar como moeda padrão de reserva internacional, os históricos déficits fiscal e comercial, a deterioração da sua infraestrutura interna, a desindustrialização, as crescentes desigualdades e problemas sociais em seus territórios e as derrotas sucessivas no campo de batalha da Ucrânia são exemplos desta realidade com novos centros de poder econômico e militar.

Registra-se um importante movimento de deslocamento do eixo do poder global do Ocidente para o Oriente. O Neoliberalismo e sua ordem global esgotaram-se.

As organizações internacionais e as regras criadas no pós-guerra, sob a direção dos EUA e dos seus aliados ocidentais, foram esvaziadas ou extintas pelo próprio governo americano.

Trump, representante do império em declínio, move-se em ataque, para realizar mudanças no funcionamento do Estado norte-americano e na geopolítica do poder global. No tabuleiro da batalha, a estratégia americana é vencer seu mais forte concorrente, a China, nos âmbitos econômico, financeiro, militar e comercial e submeter o conjunto dos povos aos seus interesses.

Protecionismo e guerra tarifária

As primeiras medidas do governo Trump foram de protecionismo, restrição comercial e imposição de tarifas:

  1. O aumento unilateral de tarifas atinge até países como o Brasil, que tem déficit comercial com os EUA.
  2. Proibição de exportação de insumos e máquinas de indústrias de alta tecnologia para países concorrentes, especialmente a China.

É um pacote extenso, diversificado e usado como instrumento do poder político e econômico. Esta tentativa desesperada de reverter o enorme déficit comercial, de proteger a indústria americana e incentivar a transferência de plantas industriais para os EUA não logrou êxito.

Além das imposições comerciais, o presidente Trump ameaçou com retaliações os países que adotassem medidas contra o dólar, ou iniciativas de pagamentos com moedas próprias, que enfraquecem o dólar como moeda de reserva mundial. Apesar de toda a pressão americana, o dólar tem perdido o seu espaço e coloca em xeque a sua condição de principal moeda da reserva mundial, uma das importantes fontes de poder dos EUA.

Ninguém mais pode em sã consciência ignorar que o Brasil corre risco https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/brasil-tambem-ameacado.html 

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