22 outubro 2026

Minha opinião

Subiu o sarrafo da luta política* 
Luciano Siqueira      


Qualquer que seja o resultado da eleição de domingo próximo, o patamar do conflito de classes no país já não será o mesmo. 

Na melhor das hipóteses, Lula reeleito para um quarto mandato enfrentará uma conjuntura extremamente complexa.

No plano institucional, o esgarçamento das relações entre os chamados Três Poderes da República - o Executivo, o Judiciário e o Parlamento.

Governará com uma maioria parlamentar oposicionista de forte expressão conservadora e de extrema direita, super empoderada com o arsenal de emendas parlamentares à disposição. 

O Judiciário, a partir do Superior Tribunal Federal, mergulhado em conflitos internos e seriamente desgastado ao olhar da opinião pública. 

Demais, a aposição implacável do complexo midiático neoliberal dominante, poderoso e hábil na formação de uma consciência social fortemente contaminada pelo ideário da elite dominante. 

Ainda que seja possível explorar oportunidades de ampliação e diversificação de relações econômicas num padrão minimamente vantajoso - mediante política externa altiva, propositiva e hábil -, enorme é a insegurança e a instabilidade no âmbito geopolítico. 

Tudo isso permeado pela absoluta necessidade de superar entraves estruturais ao desenvolvimento do país em bases soberanas e socialmente progressistas. 

Mesmo sob correlação de forças complexa e sob muitos aspectos desfavorável, o novo governo Lula e, sobretudo, as forças do campo popular e progressista, estarão chamadas a erguer a bandeira das reformas estruturais.

Nesse cenário, um dado novo extremamente promissor: a movimentação de massas de grande envergadura ora desencadeada no apoio à candidatura de Lula e na resistência à ameaça de um novo governo de extrema direita, que tende a se firmar como uma espécie de “fator rua” no desdobramento da situação. 

Um passo adiante que o conflito de classes e a luta no plano institucional parecem alcançar. 

E mesmo que ainda patine na superação de dificuldades decorrentes de mudanças estruturais no mundo do trabalho e da ascensão da complexa comunicação midiática digital - essa Esfinge que as correntes de esquerda e movimentos sociais ainda não conseguiram desvendar plenamente -, a juventude e demais parcelas da sociedade que ganharam as ruas neste segundo turno das eleições tudo indica que vieram para ficar. 

Isso pode significar novo patamar na luta política no país. 

Como se diz nas provas de salto em altura do atletismo olímpico, "subiu o sarrafo" da luta política no Brasil. 

*Texto da minha coluna semanal no ‘Vermelho’ www.vermelho.org.br   

Leia também: Manifesto pró-Lula une centro e direita contra ameaças bolsonaristas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/em-defesa-da-democracia.html 

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