Solidariedade permanente a Cuba diante da agressão de Trump
Fracasso no Irã tende a recrudescer ataque imperialista à ilha socialista
Editorial do 'Vermelho'
Cresce a solidariedade internacional a Cuba. A ilha revolucionária, cercada de ameaças e submetida a um criminoso bloqueio, brutalmente intensificado por Donald Trump, precisa de iniciativas como a Conferência Internacional de Solidariedade a Cuba, no sábado (21), com a participação de mais de 600 representantes de cerca de 33 países.
A cerimônia foi realizada na sede do Instituto de Amizade com os Povos (ICAP), em Havana, reunindo, além do presidente Miguel Díaz-Canel Bermúdez, integrantes do alto escalão do governo e do Partido Comunista. A Flotilha Nuestra América também seguiu para Cuba, partindo do México, com alimentos, medicamentos e placas solares.
O governo brasileiro participa dessa solidariedade, enviando, via programa de alimentos da ONU, 20 mil toneladas de arroz com casca, 150 toneladas de feijão preto, 150 de arroz polido e 500 toneladas de leite em pó. No início de março, o Brasil despachou duas toneladas e meia de medicamentos.
Participa também a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). Seu dirigente, José Mairton Pereira Barreto, esteve no país e, em nome do presidente nacional da Central, Adilson Araújo, manifestou solidariedade ao povo cubano. “Estamos aqui em defesa desse povo trabalhador, contra qualquer tipo de embargo que penaliza a classe trabalhadora”, afirmou.
A cientista política e dirigente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Ana Prestes afirma que o momento vivido por Cuba é crítico. “O bloqueio mais grave que já ocorreu está em curso. É uma prioridade emergencial”, comentou. Uma delegação do PCdoB esteve no país, integrada por Amanda Harumy, da Comissão de Relações Internacionais do Partido, o deputado federal por Sâo Paulo Orlando Silva e o vereador da cidade de Campinas (SP) Gustavo Petta, além de outras lideranças, como Bianca Borges – presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE) – e Manuela Mirella.
Como disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na 10ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e do I Fórum Celac-África, em Bogotá, o cerco a Cuba faz parte de intimidações à soberania da América Latina e do Caribe e a retomada da política colonialista por parte dos Estados Unidos. “Não é possível alguém achar que é dono dos outros países. O que estão fazendo com Cuba agora? O que fizeram com a Venezuela? Isso é democrático?”, afirmou.
O presidente citou a Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) para criticar as invasões estadunidenses, sem nenhuma base legal. “Em que documento do mundo está dito isso? Nem da Bíblia. Não existe nada que permita que isso aconteça. É a utilização da força e do poder para nos colonizar outra vez?” É preciso gritar em alto e bom som para não permitir que aconteça em outros países o que aconteceu em Gaza, alertou.
Lula criticou o Conselho de Segurança da ONU por não impedir a proliferação de conflitos no mundo. Citou os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, o genocídio na Faixa de Gaza, os conflitos na Líbia e as guerras no Iraque e na Ucrânia. “O que estamos assistindo no mundo é a falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas. O Conselho de Segurança da ONU e os seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz. E são eles que estão fazendo as guerras”, afirmou.
Nesse contexto, Cuba representa um ponto essencial de resistência latino-americana e caribenha à exploração inumana e cruel do imperialismo. A região é cobiçada por seu potencial que vai além da questão petrolífera – possui mais da metade de toda os recursos naturais do planeta, a maior floresta da terra e o rio mais caudaloso. Possui também duas das maiores cidades do mundo e uma riqueza fabulosa de terras férteis.
A promessa de Trump de ter “a honra de assumir o controle de Cuba” não pode ser subestimada, na prática uma atitude que atinge toda a região. Circulou também a informação de que os Estados Unidos querem a saída do presidente Miguel Díaz-Canel do poder. “Posso confirmar categoricamente que o sistema político de Cuba não está em negociação e nem o cargo de qualquer autoridade cubana”, afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío.
O presidente cubano Miguel Díaz-Canel lembrou que Cuba “não está sozinha”, referindo-se à mobilização internacional contra as ameaças estadunidense. “A solidariedade sempre retorna àqueles que a praticam sem outro interesse além do bem-estar humano.”
Essa mobilização é uma resposta à ordem executiva assinada por Trump em 29 de janeiro, que declarou “estado de emergência nacional” e reativou medidas extremas para impedir que combustível chegasse à ilha, política que o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Eduardo Rodríguez Parrilla, descreveu como “fascista, criminosa e genocida”.
Essa mobilização precisa ser permanente. Trump tende a se voltar para Cuba, numa espécie de compensação diante do fracasso imperialista no Irã, que pretendia derrubar o “regime”. As ações proativas – inclusive do governo Lula – precisam ser reforçadas.
Leia também: Irã segue a resistência contra a agressão dos EUA https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/editorial-do-vermelho_18.html

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