PCdoB, 104 anos: na luta pela reeleição de Lula e pela derrota do neofascismo
Trajetória dos comunistas tem como marca a luta pelo socialismo, a defesa da democracia, da soberania nacional e dos direitos do povo
Editorial do 'Vermelho'
Cento e quatro anos se passaram. Desde a sua fundação, em 25 de março de 1922, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) participa da vida política e social do país de forma marcante. Atualmente, é ator importante da pré-campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mais uma vez defendendo uma aliança ampla para isolar e derrotar a extrema direita e os setores a ela associados, dando consecução à Resolução do seu 16º Congresso, de outubro de 2025.
De acordo com a Resolução, para o país sair da crise e superar seus impasses é preciso batalhar por nova vitória da aliança liderada por Lula. Será a condição política para a luta por mudanças estruturais, com um plano e um polo estratégicos, constituídos pela esquerda e por forças populares e patrióticas. “Nessa jornada, impõe-se a necessidade de reposicionar e revigorar o PCdoB para um novo ciclo de acumulação de forças e elevá-lo à condição de legenda com influência crescente na vida política do país, nas batalhas do povo, reforçando sua identidade revolucionária e dando mais nitidez à perspectiva do socialismo”, afirma.
O cumprimento dessa premissa implica, também, buscar a vitória do projeto eleitoral do Partido, centrado na reeleição e ampliação da bancada na Câmara dos Deputados. O Partido se reforça recebendo filiações de expressivas lideranças, a exemplo do deputado federal Gervásio Maia e do deputado estadual Doutor Romualdo, ambos da Paraíba.
A defesa da paz, bandeira histórica dos comunistas, também é prioridade de sua agenda nesse momento em que as guerras imperialistas lideradas pelo presidente estadunidense Donald Trump assombram o mundo. No Brasil, o desafio é enfrentar e vencer o representante trumpista, Flávio Bolsonaro, que vai se firmando como oponente principal de Lula, num duro confronto.
São bandeiras e desafios que marcaram os cento e quatro anos do PCdoB, que nasceu em meio à conjuntura do imediato pós-Primeira Guerra Mundial, na ascensão da luta pelo socialismo com a Revolução Russa de 1917, e do combate ao declinante poder das oligarquias da chamada República Velha.
Começava também a aparecer a barbárie nazifascista, contra a qual o Partido lutaria com bravura, enfrentando prisões, torturas e assassinatos, até a vitória da democracia, em 1945, quando os comunistas foram decisivos na elaboração da Constituição de 1946, na qual inscreveram direitos e liberdades, inclusive religiosa.
A superação daquela vaga autoritária foi substituída pela perseguição do governo do general Eurico Gaspar Dutra, que cassou o registro e os mandados do Partido, mais uma vez enfrentando prisões, torturas e assassinatos. O pós-Segunda Guerra Mundial trouxe as guerras imperialistas do contexto da anticomunista “guerra fria”, com influência no Brasil. Foi quando o Partido liderou a campanha contra o envio de tropas à Coreia e conseguiu mais de 4,2 milhões de assinaturas a favor do movimento mundial conhecido como Apelo de Estocolmo, pela proibição da bomba atômica. Combateu o entreguismo, com protagonismo na campanha O petróleo é nosso, fundamental para a criação da Petrobras em 1953.
Nesse período, enfrentou também a crise do 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética e se reorganizou em 1962. E empreendeu a resistência à ditadura militar com a Guerrilha do Araguaia e a luta por outros meios, quando perdeu valorosos quadros, mortos e desaparecidos – entre eles Maurício Grabois, Pedro Pomar e Carlos Danielli –, além do exílio de outros, como João Amazonas e Renato Rabelo. Destacou-se na campanha pela anistia, vitoriosa em 1979, e das Direitas Já! e da campanha de Tancredo Neves, eleito presidente no Colégio Eleitoral, encerrando a ditadura
Na Constituição de 1988, mais uma vez atuou para garantir direitos e liberdades. Foi decisivo na formação da Frente Brasil Popular, com o PT e o PSB, que lançou a candidatura de Lula para presidente da República. Ao mesmo tempo, enfrentou a crise do socialismo, com o fim da experiência soviética, processo que levou à atualização dos seus princípios revolucionários no 8º Congresso, em 1992. Com esse revigoramento, enfrentou o projeto neoliberal, apoiou Lula em 1994 e 1998, e foi decisivo para a vitória de 2002.
Nos governos de Lula e de Dilma Rousseff, assumiu postos de reponsabilidade e participou das conquistas, ao mesmo tempo em que esteve na linha de frente da resistência ao golpismo. Combateu o golpe do impeachment de Dilma e enfrentou o governo de Michel Temer. Destacou-se na luta contra o avanço da extrema direita bolsonarista e, em 2022, sua proposta de frente ampla contribuiu decisivamente para a vitória de Lula. Atualmente, atua no governo Lula com a responsabilidade de ocupar o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e outros postos, além de participar com destaque da base governista na Câmara dos Deputados.
Essa trajetória, com erros e acertos, deu ao PCdoB experiência para analisar e enfrentar a atual conjuntura como mais um capítulo decisivo da luta do povo na defesa da soberania nacional, da democracia e da inclusão social, a síntese de que o socialismo é o rumo e o fortalecimento da nação o caminho. A tarefa imediata, no prosseguimento dessa jornada, é a reeleição do presidente Lula e a vitória do projeto eleitoral dos comunistas.
Para enfrentar esses desafios, os comunistas se inspiram no legado das várias gerações de revolucionários/as que o edificaram. No transcurso de seus 104 anos, o PCdoB homenageia a memória e as ricas contribuições de Renato Rabelo, uma das mais destacadas lideranças dos comunistas, e de Márcio Cabreira, elevado dirigente nacional do PCdoB, egresso do MR8 e do Partido Pátria Livre (PPL). Ambos faleceram recentemente. Renato Rabelo e Márcio Cabreira, presentes, sempre!
O lugar do PCdoB na cena política https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/11/partido-renovado-e-influente.html

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