Uma longa e heroica história contra toda forma de injustiça
Enio Lins
NESTE 25 DE MARÇO, o Partido Comunista do Brasil completa 104 anos, consolidando o posto de ser a agremiação política brasileira com mais tempo de existência ininterrupta. Ao longo desse período coleciona, e disponibiliza ao público, a mais valiosa história de vivências políticas em nosso país. Acertos e erros, na mais diversificada evolução teórica, prática, tática e ideológica que possa ser encontrada em território brasileiro. Travou batalhas internas, dividiu-se várias vezes, cambiou siglas em algo muito além de um jogo de letrinhas. Segue vencendo obstáculos gigantes. Merece parabéns, inclusive das forças adversárias.
DITADURAS, ENFRENTOU
DUAS FEROZES: O Estado Novo, entre 1937 e 1945; e o Regime
Militar, entre 1964 e 1985. Sobreviveu a mais de 60 anos sem o direito à existência
legal, enfrentando todos os tipos de perseguições desde sua fundação. Nos
períodos ditatoriais, sua militância sofreu prisões, torturas e assassinatos em
larga escala – e naqueles períodos soube se insurgir de todas as formas,
inclusive utilizando o direito à autodefesa armada, como na tentativa de
revolta em 1935 (a “Intentona Comunista”), e na Guerrilha do Araguaia, entre
1972 e 1974. No processo de derrubada do Estado Novo e Redemocratização de
1945, soube se aliar ao próprio algoz de uma década, Getúlio Vargas, na luta
contra o nazifascismo, contribuindo para a entrada do Brasil ao lado dos
Aliados contra Hitler na II Grande Guerra. Fez intenso enfrentamento à ditadura
militar de 1964, integrando a amplíssima composição que reconstruiu o Estado Democrático
de Direito no Brasil, sendo força destacada na luta pela Anistia, pelas Diretas
Já, pela convocação da Assembleia Nacional Constituinte etc.
JOÃO AMAZONAS é, dentre seus dirigentes históricos, o nome mais
emblemático, mais representativo, como uma liderança capaz de entender as
alterações conjunturais e estruturais e, frente à essas mudanças, formular
alternativas estratégicas e operar flexões táticas decisivas. Num partido
centralizado pela gigantesca figura de Luiz Carlos Prestes, personagem dos mais
expressivos e carismáticos em toda história brasileira, teve a ousadia de se
rebelar e apontar outro caminho, em oposição aos rumos propostos pelo Cavaleiro
da Esperança e pela maioria do movimento comunista internacional. Em 1962, João
reorganizou o Partido Comunista do Brasil, adotando a sigla PCdoB, recusando a
concepção que extinguiria o partido originalmente fundado em 1922 e desaguaria
no PCB (Partido Comunista Brasileiro). A rebeldia de Amazonas e mais uma
centena de militantes garantiu uma continuidade histórica fundamental para as
esquerdas, que só décadas depois pode ser entendida em sua importância
organizativa, política e ideológica.
COMUNISTAS DE ALAGOAS sempre se destacaram no cenário brasileiro, como Graciliano
Ramos e Nise da Silveira; Octavio Brandão, autor da primeira tradução no Brasil
do Manifesto Comunista e primeiro parlamentar comunista eleito em nosso País;
Arthur Ramos, mesmo sem ser militante orgânico, foi classificado como
“comunista” pelos Estados Unidos e teve sua carreira prejudicada na ONU por
isso. Como presidente da UNE, presidente da Câmara dos Deputados, ministro do
Esporte, da Ciência e Tecnologia, da Articulação Política, e da Defesa, Aldo
Rebelo honrou e projetou a sigla PCdoB como poucos; Eduardo Bomfim, como deputado
federal e como secretário-executivo do ministério da Articulação Política
deixou importante contribuição nacional; e muito mais nomes podem ser lembrados
nesse item, como os irmãos Motta Lima e tantas outras personalidades notáveis.
Em resumo: Alagoas deve se orgulhar de sua participação nessa longa história de
104 anos, e que está apenas em seu começo.
AOS 104 ANOS, o PC do Brasil segue seu caminho, buscando uma
sociedade mais justa, mais igualitária, mais livre, aprendendo e ensinando com
a própria experiência, através de seus acertos e de seus erros. Sem medo de ser
feliz, muito menos sem temer lutar para coletivizar a felicidade para toda a
sociedade.

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