Irã mantém exportações à China e expõe peso estratégico do Estreito de Ormuz
Rota por onde passa um quinto do petróleo mundial virou ponto central da disputa no Golfo e mostra como o controle da passagem pesa na estratégia da guerra
Lucas Toth/Vermelho
O Irã continuou exportando petróleo para a China pelo Estreito de Ormuz mesmo após a guerra desencadeada pelos ataques de Estados Unidos e Israel reduzir drasticamente o tráfego na principal rota energética do planeta.
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, ao menos 11,7 milhões de barris de petróleo iraniano cruzaram o estreito rumo ao mercado chinês, segundo dados da empresa de monitoramento marítimo TankerTrackers.
O fluxo ocorre apesar da escalada militar no Golfo e das advertências feitas por Teerã de bloquear as exportações da região caso continuem os bombardeios conduzidos por Estados Unidos e Israel contra seu território.
Na terça-feira (10), o porta-voz da Guarda Revolucionária, general Ali-Mohammad Naeini, afirmou que, se os bombardeios continuarem, o Irã não permitirá a saída de “um litro de petróleo” da região que não autorize.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, respondeu dizendo que qualquer tentativa de bloquear o Estreito de Ormuz será enfrentada com ataques “vinte vezes mais duros”.
O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao oceano Índico e concentra cerca de um quinto de todo o petróleo transportado no mundo. Dados da consultoria S&P Global Market Intelligence indicam que a circulação de navios na rota caiu cerca de 95% na primeira semana de março.
O controle da rota tornou o estreito um dos principais instrumentos de pressão do Irã no conflito. Qualquer ameaça de interrupção do tráfego afeta diretamente o mercado global de energia e aumenta o custo econômico da guerra para países dependentes do petróleo da região.
Por concentrar grande parte do comércio mundial de petróleo, o corredor marítimo funciona como um ponto de estrangulamento estratégico. Mesmo sem fechar totalmente a passagem, a instabilidade no estreito já foi suficiente para elevar os preços da commodity e pressionar governos e empresas diante do risco de novas interrupções no abastecimento.
Mesmo assim, embarcações continuam atravessando o corredor marítimo. A China tem sido o principal comprador de petróleo iraniano nos últimos anos, destino predominante das cargas que deixam o país.
O conflito também atingiu diretamente a navegação na região. Segundo a Organização Marítima Internacional, dez navios foram atacados no Estreito de Ormuz ou nas proximidades nas primeiras semanas da guerra, deixando ao menos sete tripulantes mortos.
Um porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou em entrevista à CNBC que petroleiros que atravessam o estreito precisam ser “muito cuidadosos”.
A instabilidade elevou os preços do petróleo no mercado internacional diante do temor de interrupções no abastecimento global.
A principal instalação de exportação iraniana continua sendo o terminal da ilha de Kharg, no Golfo Pérsico, responsável historicamente por cerca de 90% das exportações de petróleo do país.
Ao mesmo tempo, o Irã voltou a utilizar o terminal de petróleo e gás de Jask, no Golfo de Omã, ao sul do Estreito de Ormuz. Um petroleiro iraniano foi registrado carregando cerca de 2 milhões de barris no local — apenas o quinto carregamento realizado ali nos últimos cinco anos.
A Guerra EUA x Irã e Clausewitz https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/minha-opiniao_5.html

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