A virada ao alcance da mão: intensificar a batalha nas ruas e redes
A disputa está empatada, porém Flávio Bolsonaro perde fôlego, Lula ganha força e está prestes a ultrapassá-lo. É imperativo, nesta hora crucial, empenho total pela conquista do voto
Editorial do 'Vermelho' www.vermelho.org.br
O Brasil está diante de uma encruzilhada e as próximas horas são decisivas para o destino do país. Lula está em ascensão e o candidato da extrema-direita perde fôlego, como mostrou o Datafolha de 22 de outubro. Lula e Flávio estão empatados em 50% nos votos válidos. A rejeição ao candidato da extrema-direita sobe de 44% para 46%, enquanto a do presidente recua de 46% para 45% e aumenta o nível de aprovação de seu governo.
O que antes fora alardeado pela mídia monopolista como impossível está prestes a acontecer. Já se ouve o trovejar da virada. Porém, a virada ainda não aconteceu; ela se materializa na urna.
Daí que, de agora até domingo, dia 25, se impõe um arranque, um movimento ainda mais intenso nas ruas e redes, conquistando e virando votos. Requer também o diálogo, pessoa a pessoa, por meios diversos, focando os indecisos e aqueles que votaram nulo e branco no primeiro turno. Nenhum minuto de descanso até domingo, até o anúncio da vitória.
É preciso explicar que estão em confronto dois projetos de país, dois caminhos para os destinos do Brasil. De um lado está a candidatura do presidente Lula, compromissada com um futuro de prosperidade para o povo, com mais direitos e melhor qualidade de vida, mais democracia e abertura de um ciclo arrojado de desenvolvimento soberano. De outro, Flávio Bolsonaro, um miliciano que prega a violência, atolado numa miríade de escândalos de corrupção, expoente do entreguismo e da traição à pátria, ameaça real à democracia e que expressa a certeza de que os direitos do povo serão esmagados.
Lula representa o campo democrático, uma das principais lideranças populares da história brasileira, um estadista reconhecido internacionalmente por sua atuação em defesa da paz, do diálogo entre as nações e da soberania dos povos.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, encarna a vertente autoritária-ditatorial da política, de perfil fascista, serviçal do governo dos Estados Unidos de Donald Trump, figura degenerada e desclassificada, a personificação de um projeto de poder à base de práticas que degradam a vida pública, centrado em utilizar o Estado para favorecer os super-ricos e garantir os ganhos gigantescos do capital financeiro e dos rentistas.
Essa diferença ficou nítida na campanha do segundo turno. Lula é o grande líder e o fator decisivo da viragem em curso. Empenhou-se para demarcar bem os campos, demonstrando por que conquistou, honrosamente, o conceito de uma das mais destacadas lideranças populares brasileiras, encarnando as esperanças da nação e dos trabalhadores.
Ele se desdobrou em uma agenda intensa por todo o país, colocou-se à frente das articulações para a aprovação do fim da escala 6×1, com redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, e da ampliação dos benefícios aos microempreendedores individuais (MEIs).
Também sancionou medidas de apoio aos pequenos negócios e encaminhou ao Congresso uma proposta de transporte público gratuito aos fins de semana. Lula também participa ativamente da batalha digital. Publica vídeos, convoca a militância para a mobilização nas ruas e nas redes.
O Exército do Lula, organizado por André Janones, tornou-se uma das principais estruturas de mobilização digital da campanha, com mais de 8 milhões de pessoas, uma força de combate permanente, 24 horas por dia. Somam-se a ele um potente elenco de outros influenciadores e também milhões de pessoas antes sem ativismo digital e que agora se engajaram.
Trata-se de um poderoso instrumento para romper o cerco da mídia hegemônica e das big techs e enfrentar a máquina de desinformação da extrema-direita para levar a mensagem de Lula a milhões de brasileiros, informar sobre os perigos representados pela candidatura de Flávio Bolsonaro e a importância da vitória do projeto democrático, patriótico e popular. Todavia, o ministro Kássio Nunes Marques, que já excluiu o canal do WhatsApp, ameaça, ilegalmente, fazê-lo novamente.
A campanha de Lula, com forte contribuição do vice-presidente Geraldo Alckmin, ganha amplitude e chega a setores do centro, personalidades historicamente ligadas ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e também da centro-direita.
A essa frente soma-se o representativo ato do movimento Direitos Já! em São Paulo. Um conjunto de bispos católicos de todas as regiões do país divulgou um manifesto contra a candidatura de Flávio. Pastores evangélicos, na contracorrente, saem em defesa da candidatura de Lula. Expoentes de outras tradições religiosas, como as de matriz africana, também fazem o mesmo.
Com essa força acumulada, Lula se encaminha para o debate na TV Globo nesta sexta-feira, 23, preparado para ter bom desempenho e desmascarar Flávio Bolsonaro. O encontro terá relevância na reta final da campanha, com os dois candidatos diante de milhões de telespectadores e sob a tensão de uma disputa acirrada.
Flávio Bolsonaro chega ao debate pressionado por uma teia de escândalos e uma sucessão de denúncias que não para de crescer. A cada dia, novos episódios ampliam o cerco da Polícia Federal e da Justiça, uma sequência de episódios que se somam, entre outros, ao caso Master, aos recursos obtidos criminosamente do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente financiar o filme Dark Horse, com repasses superiores a R$ 134 milhões.
É o caso das holdings Cathedral e Alcazar, sediadas na Ilha da Madeira, Portugal, e ligadas à Best Bet e ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio. Soma-se a esse conjunto o faturamento de R$ 13,7 milhões em notas fiscais emitidas pelo escritório de advocacia do candidato entre 2023 e 2026.
Outro caso gravíssimo é a revelação, pela revista Piauí, de que Flávio Bolsonaro participou, em 17 de julho de 2020, durante a pandemia de Covid-19, quando morriam mil pessoas por dia, de um churrasco em uma lancha no Lago Paranoá, em Brasília. Segundo a reportagem, o encontro reuniu lobistas e três prostitutas.
O debate da Globo se realizará sob ofensiva do presidente para que se abram os sigilos dos dois candidatos e de seus familiares. Que fique claro quem é ladrão, quem é corrupto. Lula, demonstrando que nada teme, às 21 horas desta quinta-feira, 22, entregou no TSE tudo o que é necessário ao exame de suas contas pessoais e das de seus familiares, além do que foi exigido pelo candidato da extrema-direita.
Flávio enrolou, demorou dias para se pronunciar e somente na madrugada desta sexta-feira, 23, entregou os dados referentes à quebra de seu sigilo. Agora, agarra-se à toga do ministro André Mendonça, que, em socorro a Flávio Bolsonaro, se esquivou de cumprir o papel de executar o acordo entre as campanhas, como “um terceiro imparcial”. A campanha do fujão Flávio endossa, obviamente, Mendonça. Por sua vez, a campanha de Lula fez uma petição para que o ministro reveja a posição em benefício da transparência que merece o eleitor brasileiro.
É nesse clima de batalha decisiva que a campanha chega às horas finais. A juventude, liderada pela União Nacional dos Estudantes (UNE), dá seguimento à vitoriosa jornada de atos de rua, com grande participação do povo. Agora, é carga total nas ruas e nas redes, mobilização permanente, conversa olho no olho, convencimento, organização e ação até o último minuto na batalha pelo voto.
Subiu o sarrafo da luta política https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0999410531.html

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