23 outubro 2026

Urariano Mota opina

A razão da vida de Lula e a idade
Ao ouvir a fala de Lula, ”o que faz a gente envelhecer é a falta de uma causa”, me lembrei de imediato das lutas dos socialistas, que não envelhecem
Urariano Mota/Vermelho    

Nestes dias que antecedem a mais histórica eleição presidencial do Brasil, a capacidade de concentração para escrever é muito baixa. Mas com esforço, prazer e sacrifício, vamos tentar.

Eu fui estimulado para estas linhas ao ver uma fala do nosso presidente em 22 de outubro. Olhem por favor Lula no vídeo com Janones, ontem à noite, quando o presidente falou à grande atriz Marieta Severo, a partir do instante 16:21 minutos, com a maior simplicidade: “O que faz a gente envelhecer é a falta de uma causa”.

Eu já havia observado antes que Lula era um gênio, um autêntico escritor oral, assim como foi o Gordo em nossa primeira juventude no Recife. Mas agora acrescento que Lula é um intelectual de novo gênero, um homem dotado de um saber de experiência feito, e que fala verdades à maneira destes versos de Camões:

“Metida tenho a mão na consciência,
e não falo senão verdades puras
que me ensinou a viva experiência”

Assim escrevo porque durante as suas falas, em mais de uma oportunidade, a verdade universal de Lula vem da sua experiência de migrante nordestino, de filho de mulher muito pobre, que ele não esquece, e do bravo sindicalista provado nas lutas dos metalúrgicos. Mas esta fala “o que faz a gente envelhecer é a falta de uma causa”, me fez pular da cadeira onde eu assistia ao vídeo da sua entrevista com Janones. Luis Buñuel certa vez contou que pulava da cadeira quando via Antonio das Mortes na tela do cinema, no filme de Glauber Rocha. Mas eu, que jamais poderia ser nem a galáxias de distância de Buñuel, posso dizer que pulei da cadeira ao ver um político de gênio semelhante ao de Glauber Rocha.

A razão foi que ao ouvir e registrar a fala de Lula “o que faz a gente envelhecer é a falta de uma causa”, me lembrei de imediato das lutas dos socialistas, que não envelhecem porque mantêm aceso o projeto de mudança até o fim dos seus dias. E a razão mais íntima, quase pessoal, foi que a fala do nosso presidente me levou a meu romance “A mais longa duração da juventude”, quando o narrador fala ao personagem Luiz do Carmo:

“- Eu não sou um velho. Aliás, nós não somos velhos”. E Luiz do Carmo responde, magistral:

“- Eu sei. O tesão de mudar o mundo continua”.

Percebem assim o sentido mais íntimo e universal que me estimulou a estas linhas de hoje. Estamos na luta da esperança para o Brasil e desse modo não perdemos o tesão de mudar o mundo.

Às vésperas dos 81 anos de idade, que Lula completa em 27 de outubro, depois das eleições do dia 25 deste mês, vamos ter o presente da reeleição. Mas presente para quem mesmo? – Um presente para o Brasil. Nós é que mais precisamos desse nosso espelho mais alto, do lutador Lula em sua mais longa duração da juventude.

Queremos de novo a sua virada como em 2022, que vimos em Olinda. Na multidão pulando ao som de frevo.

Subiu o sarrafo da luta política https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0999410531.html 

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