A razão da vida de Lula e a idade
Ao ouvir a fala de Lula, ”o que faz a gente envelhecer é a falta de uma
causa”, me lembrei de imediato das lutas dos socialistas, que não envelhecem
Urariano Mota/Vermelho
Nestes
dias que antecedem a mais histórica eleição presidencial do Brasil, a
capacidade de concentração para escrever é muito baixa. Mas com esforço, prazer
e sacrifício, vamos tentar.
Eu fui
estimulado para estas linhas ao ver uma fala do nosso presidente em 22 de
outubro. Olhem por favor Lula no
vídeo com Janones, ontem à noite, quando o presidente falou à grande
atriz Marieta Severo, a partir do instante 16:21 minutos, com a maior
simplicidade: “O que faz a gente envelhecer é a falta de uma causa”.
Eu já
havia observado antes que Lula era um gênio, um autêntico escritor oral, assim
como foi o Gordo em nossa primeira juventude no Recife. Mas agora acrescento
que Lula é um intelectual de novo gênero, um homem dotado de um saber de
experiência feito, e que fala verdades à maneira destes versos de Camões:
“Metida
tenho a mão na consciência,
e não
falo senão verdades puras
que me ensinou a viva
experiência”
Assim
escrevo porque durante as suas falas, em mais de uma oportunidade, a verdade
universal de Lula vem da sua experiência de migrante nordestino, de filho de
mulher muito pobre, que ele não esquece, e do bravo sindicalista provado nas
lutas dos metalúrgicos. Mas esta fala “o que faz a gente envelhecer é a falta
de uma causa”, me fez pular da cadeira onde eu assistia ao vídeo da sua
entrevista com Janones. Luis Buñuel certa vez contou que pulava da cadeira
quando via Antonio das Mortes na tela do cinema, no filme de Glauber Rocha. Mas
eu, que jamais poderia ser nem a galáxias de distância de Buñuel, posso dizer
que pulei da cadeira ao ver um político de gênio semelhante ao de Glauber
Rocha.
A razão
foi que ao ouvir e registrar a fala de Lula “o que faz a gente envelhecer é a
falta de uma causa”, me lembrei de imediato das lutas dos socialistas, que não
envelhecem porque mantêm aceso o projeto de mudança até o fim dos seus dias. E
a razão mais íntima, quase pessoal, foi que a fala do nosso presidente me levou
a meu romance “A mais longa duração da juventude”, quando o narrador fala ao
personagem Luiz do Carmo:
“- Eu não
sou um velho. Aliás, nós não somos velhos”. E Luiz do Carmo responde,
magistral:
“- Eu
sei. O tesão de mudar o mundo continua”.
Percebem
assim o sentido mais íntimo e universal que me estimulou a estas linhas de
hoje. Estamos na luta da esperança para o Brasil e desse modo não perdemos o
tesão de mudar o mundo.
Às
vésperas dos 81 anos de idade, que Lula completa em 27 de outubro, depois das
eleições do dia 25 deste mês, vamos ter o presente da reeleição. Mas presente
para quem mesmo? – Um presente para o Brasil. Nós é que mais precisamos desse
nosso espelho mais alto, do lutador Lula em sua mais longa duração da
juventude.
Queremos de
novo a sua virada como em 2022, que
vimos em Olinda. Na multidão pulando ao som de frevo.
Subiu o sarrafo da luta política https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0999410531.html

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