PCdoB e PT condenam ingerência dos EUA em fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil
Partidos de esquerda repudiam fuga orquestrada pela Casa Branca e Milei e orientam vigilância e presença na posse
Davi Dmolir/Vermelho
A esquerda classifica como ingerência a articulação entre Casa Branca e governo argentino que permitiu a fuga e o abrigo de Flávio Bolsonaro no EUA durante investigações por lavagem de dinheiro pelo STF. O episódio que expõe o desacato à Justiça brasileira reabre o debate sobre soberania.
A Executiva Nacional do PCdoB repudiou a atitude do senador de fugir do país durante o andamento de investigações e buscar abrigo sob um governo estrangeiro. O partido reafirmou que a soberania nacional não se 2submete a operações de exílio garantidas por potências externas e orientou a militância para a vigilância política.
A Executiva Nacional do PT divulgou resolução na quinta-feira (29) em que caracteriza o fato como ingerência estrangeira contra a democracia brasileira.
O documento destaca que o país não aceitará a interferência de interesses externos em seus processos institucionais.
A orientação do partido prioriza a organização de caravanas de diretórios, sindicatos e movimentos sociais para a presença na posse presidencial em 5 de janeiro de 2027.
Operação Imperialista em solo sulamericano
A extração de Flávio Bolsonaro do Brasil foi uma operação de Estado conduzida pela Casa Branca com o apoio logístico do governo de Javier Milei.
O episódio envolveu o uso deliberado de desinformação para despistar as autoridades e a imprensa brasileira.
Donald Trump autorizou a entrada do senador nos Estados Unidos via parole, que é, ironicamente, uma permissão de ingresso por motivos humanitários, mas, no caso, concedida a um brasileiro suspeito de lavagem de dinheiro, entre outros crimes, que buscou abrigo em solo norte-americano para escapar da Justiça.
O assessor de comunicação da Casa Branca, Jason Miller, providenciou o jato particular, conforme confirmação ao portal Metrópoles.
A manobra seguiu o padrão de intervenção norte-americana na América Latina: mobilização da infraestrutura presidencial, cooperação de governos alinhados e disseminação de informações falsas.
Na segunda-feira (26), após determinação do Supremo Tribunal Federal para a entrega de passaportes, a saída de Brasília ocorreu em comboio. Enquanto a imprensa acompanhava os deslocamentos locais, aliados nos Estados Unidos difundiram a versão de que o senador já estaria na Flórida. No entanto, o parlamentar permanecia em uma propriedade rural na região de Foz do Iguaçu.
Na noite de terça-feira (27), a travessia para a Argentina ocorreu pela Ponte Tancredo Neves com uso de passaporte italiano, sem registro no controle de fronteira brasileiro. Em Puerto Iguazú, o assessor de Milei, Santiago Caputo, acompanhou o desembarque e a escolta realizada pela Polícia de Segurança Aeroportuária argentina.
O voo da empresa Baires Fly decolou na madrugada de quarta-feira (28) no jato Gulfstream G400 (LV-JQW), com escala técnica em Guayaquil, Equador, antes de seguir para o Aeroporto Executivo de Opa-Locka, em Miami.A liberação de entrada nos Estados Unidos ocorreu por decisão direta da Casa Branca sob o regime de parole, com indicação de aceleração no trâmite de concessão de visto permanente.
Embora não existam evidências públicas de ação clandestina direta da CIA na extração física, relatos como o do ex-agente John Kiriakou já apontavam para manobras de ingerência por meio da difusão de matérias favoráveis na imprensa.
Relatórios confidenciais da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também alertavam para o risco de intervenção norte-americana. No entanto, o envolvimento documentado da Casa Branca, do governo Milei e de agentes diplomáticos explicita o padrão de atuação imperialista.
Nota sobre a fuga e a carta de Flávio Bolsonaro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/palavra-do-pcdob_01902869678.html

Nenhum comentário:
Postar um comentário